"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Ogivas Militares (Warheads) - Parte 1 #


Ogivas militares são a componente de qualquer tipo de munição que causam os efeitos no alvo, de acordo com a finalidade a que foi projetada. Também denominadas cabeças de guerra, podem ser o projétil de um cartucho de arma leve ou a ogiva termonuclear de um ICBM, e são a razão de ser das munições militares. Elas cumprem seus papéis montadas em diferentes níveis de sofisticação tecnológica e complexidade, obedecendo concepções variadas, cada qual cumprindo com sua finalidade específica. 

Armas Leves

As ogivas de armas leves são os tipos mais simples dentre todas. Causam seus efeitos através da transmissão de energia cinética do projétil ao alvo e sua potência é obtida pela razão da massa do projétil multiplicada pelo quadrado da sua velocidade no momento do impacto, com algumas variações.

Devido ao seu pequeno tamanho, geralmente carregam pouca sofisticação tecnológica consigo, sendo seu desenvolvimento geralmente agregado ao calibre a que pertencem, a carga de projeção que a impulsiona e as armas que a disparam, fatores estes externos a ogiva em si. Apesar de pequenas e simples, estas ogivas, denominadas projéteis, ainda assim são concebidas em tamanhos e constituições diferentes. 



A seguir estão listadas diversas configurações de projéteis de armas leves:

  • Projéteis de chumbo ou cobre: Os projéteis em geral são feitos de chumbo ou cobre por serem metais mais "moles" que o aço que constitui a alma do cano das armas que os disparam, provocando dessa forma pequeno desgaste nestes. Os projéteis de chumbo são mais toscos e baratos que os de cobre, sendo estes mais usados em munição militar por serem de maior qualidade. O estanho também é usado em armas civis. Os projéteis podem ainda ter núcleos de metal duro (carbeto de tungstênio ou aço) e revestidos de chumbo ou cobre (metais moles) a fim de não desgastar a alma do cano.
  • Projéteis de ponta oca: o mesmo que projéteis expansivos.
  • Projéteis expansivos: são projéteis de ponta oca que se fragmentam ao atingirem o alvo, produzindo maior dano. São proibidos pela legislação da Convenção de Genebra.
  • Projéteis encamisados: são projéteis cujo núcleo mais pesado é recoberto por uma camisa ou jaqueta de outro material como o cobre por exemplo. Este encamisamento visa submeter a almo do tubo/cano a um menor estresse (desgaste).
  • Projéteis perfurantes: Projéteis perfurantes são projéteis constituídos de material muito duro como o aço e o tungstênio e destinam-se a atravessar facilmente os alvos que atingem. Devido a dureza deste material são capsulados (encamisados) por materiais mais "moles" como o teflon a fim de provocarem pouco desgaste ao cano da arma.
  • Projéteis Traçantes: São projéteis construídos com uma pequena quantidade de fósforo na base ou na ponta do projétil, que se incendeia quando do disparo, seja pela combustão da pólvora ou o atrito com o ar, deixando um rastro luminoso ao longo de sua trajetória.
  • Projéteis Incendiários: Projéteis destinados a provocar a ignição de materiais presentes no alvo. Projéteis comuns de cobre ou chumbo não produzem efeitos incendiários porque estes metais não produzem faíscas. Estes projéteis podem conter pequenas quantidades de fósforo ou alumínio.
Existem ainda projéteis constituídos pela combinação de dois ou mais dos listados acima.


Granadas de Tubo

Denominamos granada a um invólucro recheado de material explosivo que o arrebenta quando de sua detonação. Granadas de tubo são as ogivas de todas as armas de grosso calibre que são detonadas quando de seu impacto junto ao alvo. Algumas das ogivas aqui listadas não são granadas verdadeiras, como as munições APFSDS, mas estão listadas por afinidade.

Uma granada de tubo é projetada em sua trajetória tal qual os projéteis das armas leves, porém são mais complexos que estes, pois carregam além de seu invólucro, explosivos e espoletas com diferentes níveis de sofisticação. A seguir estão listados diversas configurações de granadas de tubo:
  • Granadas de Fragmentação: Ogiva que causa seus efeitos pela fragmentação de seu invólucro de metal duro, ou pela dispersão de balins contidos nela.
  • Granadas Iluminativas: Granada usada na artilharia sem efeito letal, que destina-se a prover iluminação a frente de batalha. Arrebentam a certa altura acima das tropas e descem vagarosamente em pequenos paraquedas, queimando um material de pirotecnia que causa um efeito fantasmagórico, permitindo a visualização de silhuetas em noites escuras.

  • Munição APFSDS: Esta munição atua através da transferência de grande quantidade de energia cinética ao alvo, através de um projétil não explosivo de altíssima densidade, ao qual é imprimida enorme aceleração. Também conhecida como munição tipo flecha, é a munição padrão anti-tanque usada atualmente. Seu disparo envolve pressões altíssimas e só pode ser feito por tubos especialmente projetados (não pode ser usada em armas portáteis).

  • Munição HE (alto-explosivo): É o tipo mais comum de granada de tubo. Constituída por um invólucro de aço pré-fragmentado (granada de fragmentação) preenchido com alto-explosivo de vários tipos. Pode se equipada com espoleta de impacto que detona ao contato, ou de retardo que detona após alguns segundos do impacto, ou ainda de tempo que detona no instante programado, estas últimas usada nas granadas de artilharia de campanha. Granadas usadas como munição antiaérea podem ser equipadas com espoletas de proximidade que não precisam atingir a aeronave para detonarem, bastando que passem próximas.


  • Munição HEAT: Munição que utiliza o efeito Munroe para causar seus efeitos, também conhecida como munição de carga oca e utilizada intensivamente nas armas anticarro portáteis, mas também presente em granadas anticarro de tubo. Compõe-se de um bloco de cobre moldado em forma cônica, com seu vértice apontando para atrás e rodeado de um explosivo. Ao impactar a espoleta contra o metal a determinada distância, o explosivo detona e funde o conteúdo de cobre (desde o centro do vértice orientado para atrás a sua base orientada à frente), em seu interior enviando um jato de metal quente contra a blindagem, que inverte o cone e direciona o jato em uma pequena área, que se rompe em partes diminutas; a qual se expande a grande velocidade, provocando um efeito de metralha. É especialmente efetiva contra blindagens de carros leves, sendo pouco efetiva contra MBTs e blindagens reativas.

  • Munição HESH (High Explosive Smashing Head): Alto Explosivo de Ogiva Deformável. Também conhecido como HEP (Alto Explosivo Plástico), este tipo de munição atinge as blindagens mas não chega a perfurá-las, espalhando-se na sua superfície e transmitindo uma onda de choque ao interior do veículo, que causa o desprendimento de partes do interior, causando danos pessoal e material. Este tipo de munição não é eficaz contra as blindagens modernas, sendo mais adequada ao emprego contra veículos de blindagem leve e infantaria. Não exige grandes velocidades iniciais de disparo, mas requer armas com alma raiada para sua estabilização
  • Ogivas Termobáricas: São ogivas que produzem um onda de choque significativamente maior que as explosões convencionais, por um tempo prolongado. Estes explosivos consomem o oxigênio da atmosfera, matando por asfixia e efeitos de subpressão mesmo quem estiver abrigado do efeito da explosão, enquanto que os explosivos convencionais trazem o seu próprio. Peso por peso são significativamente mais potentes e sua eficiência é potencializada em ambientes fechados como túneis, bunkers e cavernas. Também são conhecidos como FAE (fuel air explosives - explosivos combustíve;/ar). Não podem ser usados em ambientes submarinos, grande altitudes ou em condições atmosféricas adversas. Seu uso principal é antipessoal, mas causa danos também as estruturas.
Ogivas de Mísseis - Parte 2 - em breve

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