"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa
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sexta-feira, 10 de maio de 2019

A Manobra Americana no Vietnam *



Guerra na Paz

Os três primeiros anos de envolvimento americano no Vietnam foram tão decisivos quantos cheios de hesitação. Foi necessário todo esse tempo para que a máquina de guerra americana funcionasse a todo vapor e aperfeiçoasse as suas táticas. Mas então veio a ofensiva norte-vietnamita do Tet (Ano Novo Lunar) de 1968 e o início do recuo das forças americanas, que não conseguiram se adaptar com rapidez suficiente às necessidades da guerra na selva, e tiveram que pagar um alto preço por isso.

Na verdade, a situação não deveria ter causado maior impacto nos comandantes americanos responsáveis pela criação, equipamento e treinamento do ESV (Exército sul-vietnamita), que tinham acompanhado suas operações e visto de perto seus êxitos e fracassos. Já em 1963 os sul-vietnamitas mostraram sua incapacidade de empreender uma manobra efetiva de cerco e aniquilamento. Naquela ocasião os vietcongues escaparam sem grandes dificuldades às "malhas da rede", após castigar duramente , repedidas vezes, os sul-vietnamitas que os atacaram.

Os americanos também haviam adquirido ampla compreensão teórica da luta anti-insurrecional durante a guinada estratégica do governo Kennedy. No âmbito da nova doutrina de "reação flexível", o Pentágono realizara uma série de estudos e cursos de treinamento organizados a partir da experiência britânica na Malásia e da francesa na indochina (nome do Vietnam no período colonial).

Analisando as lições da indochina, os americanos chegaram a conclusão de que veículos terrestres franceses, inclusive os blindados, ficavam retidos nas estradas, tornando-se vulneráveis à emboscadas. Por isso decidiram enviar aos Vietnam um vasto parque de helicópteros, cerca de 4.000, quase cem vezes mais que os 42 aparelhos dos franceses. Só que estes helicópteros também ficaram retidos em seus campos de pouso e a escassez de blindados, veículos de enorme valia para deslocamentos em terreno irregular e combates a curta distância, representou uma séria falha na logística americana, que só começou a ser corrigida em 1968.

Outra lição da Indochina foi bem assimilada, tendo em vista o exemplo de Dien Bien Phu: a importância de assegurar suprimentos e proteção pelo ar às bases fortificadas. Foi esse um dos pontos-chave da atuação militar dos EUA no Vietnam.



Em geral, uma base de apoio consistia num perímetro circular de trincheiras individuais, destinadas a abrigar uma companhia de infantaria que podia cobrir com suas armas várias centenas de metros em terreno aberto. Essa área ficava cercadas por minas e arame farpado. Os alcances de tiro e prováveis trilhas de aproximação eram observados cuidadosamente. A potência de fogo imediata da companhia consistia em fuzis de assalto, lança-granadas, metralhadoras, foguetes anticarro e morteiros. Por si mesmas, estas armas podiam normalmente deter qualquer ataque, mas havia muito mais.

Em geral, o armamento da base de apoio incluía uma ou mais baterias de artilharia pesada (por exemplo, obuseiros de 105 mm e de 155 mm), que podiam cobrir um raio de 15 km; em certos casos, peças de artilharia mais potentes alcançavam 30 km e a proximidade das bases permitia que seus arsenais se somasse na defesa de um perímetro ameaçado.



Além disso, havia os fartos recursos proporcionados pela aviação, tais como foguetes aéreos colocados em helicópteros Huey, aparelhos de carga equipados com lança-chamas e mini-canhões; Cessna A-37 e outras aeronaves de baixa velocidade; aviões mais velozes, como o Douglas A-4 e o Fairchild F-105. Atuavam ainda o helicóptero experimental Chinook CH-47 ou "couraçado aéreo", o bombardeiro F-111 TFX; e acima de tudo a confiável "fortaleza voadora" B-52, que podia se aproximar a alta velocidade sem ser ouvida e devastar 1 km² com seus 40.000 kg de bombas metálicas (com 3 aparelhos voando juntos em arco).



Por um momento, o Pentágono acreditou que essa enorme capacidade de fogo bastaria para ganhar a guerra. Em diversas ocasiões, centenas de vietcongues foram abatidos em ataques noturnos por apenas alguma dúzias de soldados. Tais êxitos entusiasmavam os militares americanos partidários do body count, a estratégia da contagem de corpos como prova material de que a guerrilha estava sendo dizimada.

De fato, algumas bases de apoio nada sofreram enquanto foram defendidas por tropas dos EUA, e de qualquer modo poderiam ser rapidamente reconstruídas. O que os estrategistas não perceberam é que, nesses combates, era o vietcongue que definia seu próprio body count. Os guerrilheiros norte-vietnamitas só atacavam quando sabiam quantas vidas poderiam sacrificar sem perder a guerra. Surgiu desse modo uma situação de equilíbrio, na qual sua incapacidade para atingir as bases dos americanos era compensada pela extrema dificuldade destes em se apoderar das bases adversárias. Os ataques a "santuários" da guerrilha no Laos e no Camboja eram fonte de problemas políticos e mesmo com uma potência de fogo imensamente superior subsistiam obstáculos táticos.

A unidade fundamental de manobra dos EUA no Vietnam era a companhia de infantaria, com força nominal de uns 180 homens, mas que na prática não operava com mais de 120. Essas companhias encontravam grande dificuldade em mover-se na selva: seguindo em coluna por uma trilha, os soldados cobriam mais de 1 km de terreno. Isso tornava a "reação flexível" um objetivo remoto. Ainda menos viável eram a prática de cerco e aniquilamento, a ponto de um estrategista americano declarar: " a selva zomba de nossas manobras".



A Blindagem Vegetal

Quando os guerrilheiros eram encontrados  numa incursão americana, a luta ficava bem mais equilibrada. Em geral, a vegetação fazia mais do que esconder os vietcongues entrincheirados. Os projéteis mais leves fracassavam na penetração das casamatas ou dos grossos troncos de árvore, enquanto os obuses de 105 mm explodiam na mata fechada, cobrindo o solo de estilhaços, mas raramente ferindo vietcongues. A utilização de peças de maior calibre  era dificultada pela curta distância entre os combatentes, de algumas dezenas de metros. Por vezes, para abrir espaço à artilharia, os soldados americanos recuavam deliberadamente, mas isso criava oportunidades para contra-ataques.

Outra dificuldade era o fato de, em suas incursões, as colunas dos EUA avançarem a pé e não em veículos blindados, tornando-se vulneráveis ao fogo inimigo em terreno aberto. Imobilizados, os soldados não conseguiam aplicar a tática de "atirar e manobrar" preconizada em seu manual, com vistas a um assalto final.

Na verdade, os americanos logo verificaram que, sem o uso de blindados, tais assaltos finais cobravam um elevado preço em vidas e que, numa guerra de atrito, essas perdas eram inaceitáveis. "Cada vez que faço um homem manobrar", declarou um sargento americano, "ele leva um tiro. Ao diabo com a manobra".

Em 1967, os americanos tinham criado um novo manual tático, segundo o qual a infantaria "desblindada" deixava de ser uma força de assalto, assumindo o papel de simples patrulha de reconhecimento. Ela deveria avançar até uma área onde existissem bases inimigas, envolver-se em troca de fogo e identificar alvos a serem destruídos pelo armamento pesado. Tal tipo de ação era complementado pela atividade dos esclarecedores, grupos de infantaria leve especializados em infiltrar-se secretamente através das linhas do inimigo. Esses peritos deviam orientar o fogo de artilharia contra alvos promissores, recuando em seguida. Nos ares, o mesmo faziam os Loaches (Light Observation Helicopters - helicópteros leves de observação), capazes de localizar o inimigo e fustigá-lo a seguir com seus próprios minicanhões, sendo auxiliados por helicópteros de ataque ou por forças terrestres. Só que o ruído dos motores alertava os guerrilheiros e mais uma vez havia alto body count sem danos consideráveis a suas forças.

O que as novas as novas táticas americanas não poderiam fazer era substituir o papel da infantaria, isto é, acercar-se do inimigo e destruir suas formações num combate corpo a corpo. Ao reservar a função destrutiva à potência de fogo, o US Army parecia aceitar a derrota numa guerra impopular e oficialmente definida como "limitada".


domingo, 16 de setembro de 2018

Guerra na Montanha - Aspectos *


Guerra na Paz

A partir de 1945, as conflagrações assumiram uma nova sofisticação; os avanços tecnológicos tornaram o treinamento e a preparação para a guerra muito diferentes do que eram nos anos 40. Mas ficaram ainda certos cenários sobre os quais a tecnologia teve menor impacto.

Um deste cenários mais críticos é a guerra em ambiente de montanha. Desde 1945, alguns dos conflitos mais amplos como a Guerra Civil Grega dos anos 40 e a Guerra no Afeganistão mais recente, foram essencialmente operações deste tipo, enquanto outros conflitos como a Guerra da Coréia e do Vietnam protagonizaram combates em larga escala em terreno montanhoso.

Analisando a experiência acumulada pelo British Army em mais de 40 anos em conflitos localizados envolvendo terrenos muito acidentados, chega-se a conclusão que estas operações são empreitadas foram campanhas mais contra a natureza do que contra exércitos hostis. Embora armas e equipamentos tenham passado por evolução significativa ao longo dos anos, as dificuldades e desafios de operar neste terreno, bem como seus princípios básicos tem se mantido inalterados ou com poucas variações.

No aspecto exclusivamente físico, as montanhas oferecem grandes obstáculos até mesmo para os bem equipados exércitos modernos. Na Guerra da Coréia a escalada da modesta colina 800 (500 m) em 1951, na linha defendida pela 2ª Divisão de infantaria dos EUA consumiu mais de 1 hora até o cume. Ao todo mais de 237 mil sacos de areia, 385 rolos de arame farpado e 6 mil estacas de aço além de outros ítens, foram levados ao topo para completar as defesas.



Durante a guerra fronteiriça entre Índia e China entre setembro e novembro de 1962, tropas indianas levaram 5 dias para ir dos contrafortes a posições defensivas, em altitudes superiores a 4.000 m na fronteira tibetana. Todo o equipamento foi carregado pelos próprios soldados, uma vez que mulas não podem ser utilizadas nestas altitudes; além disso os animais não poderiam cruzar as pontes de cordas finas, bambus ou madeira sobre os rápidos rios não vadeáveis da região.

Estas barreiras físicas são potencializadas pelas condições meteorológicas adversas associadas a grande altitude, especialmente no inverno. Em suas operações na região de Lárisa, na Grécia em abril de 1947, o Exército Nacional grego encontrou os corpos de 120 guerrilheiros, do chamado Exército Democrático (comunista) que não haviam resistido ao frio das montanhas. Também a maioria dos 1.300 soldados do Exército Democrático mortos nas imediações de Piería em março de 1948, pereceram de frio e não em combate.

A 1ª Divisão do Marines dos EUA em sua retirada através das montanhas, do reservatório de Chosin até o mar de Hungnam na Coréia em dezembro de 1950 levou 3 dias para vencer os primeiros 22 km. A evasão de Koto-ri em 6 de dezembro levou 38 horas para vencer 18 km sobre uma espessa geleira à temperaturas de -18º C com ulcerações representando um perigo maior que o próprio inimigo, sendo o número de feridos de 4.000 desta divisão pequeno se comparado aos mais de 7.000 que sucumbiram por outras causas, principalmente congelamento. Em 1962, quando tropas indianas operavam na fronteira tibetana, a falta de aclimatação às altas altitudes causou grande número de vítimas de edema pulmonar, doença quase sempre fatal, a menos que os enfermos sejam retirados para um local de menor altitude.

As montanhas são o terreno ideal para se desdobrar dispositivos defensivos, e por este motivo, desde 1945, tem sido comumente associadas à ações de guerrilha. As tropas do Exército Democrático Greco buscaram abrigo em mais de 100 aldeias montanhosas da Tessália e parte da Macedônia no inverno de 1947 e 1948, concentrando suas bases nas serras de Grammos e Vitsi (1.200 a 2.100 m), perto da Albânia e Iugoslávia. Os guerrilheiros de Fidel Castro refugiaram-se nos 6.500 km² de Sierra Maestra, e na ilha de Chipre os bandos do EOKA, comandados pelo coronel George Grivas, em luta pela união com a Grécia, abrigavam-se nas montanhas Troodos e Kyrenia, até 1.500 m de altitude.



Essas regiões oferecem à guerrilha inúmeras oportunidades de acossar tropas regulares inimigas com tiros de tocaia ou emboscadas, principalmente quando soldados com equipamento convencional se deslocam por desfiladeiros ou vales estreitos. Depois de atacarem os guerrilheiros podem escapar como os partisans de Josip Broz Tito fizeram na Iugoslávia durante a 2ª Guerra Mundial.

O coronel Grivas afirmava que sempre era possível encontrar brechas nas linhas inimigas. Certa vez (junho de 1956) ele escapou de um "cordão" inglês  nas montanhas Troodos, durante um incêndio florestal em que morreram 21 soldados ingleses; em outra ocasião (dezembro de 1956), ele escapou graças ao nevoeiro montês.

Os guerrilheiro gregos acumularam um experiência considerável combatendo as tropas alemãs de ocupação e registrando sucessos, como a destruição com auxílio dos ingleses, do importante viaduto ferroviário sobre a garganta de Gorgopotamos, em novembro de 1942. Esta experiência lhes deu base para as atividades do pós-guerra.

A sabotagem de estradas de ferro tornou-se uma prática constante, por este motivo as locomotivas passaram a ser precedidas por vagões que podiam ser destruídos. Além da colocação de minas no solo, as forças guerrilheiras gregas minavam arvores, soltavam nas encostas mulas conduzindo minas, rolavam feixes de explosivos montanha abaixo e provocavam desabamentos para obstruir caminhos. Os acessos aos seus baluartes nas montanhas Grammos e Vitsi eram bloqueados com toros de madeira e, em meados de 1949, com casamatas de concreto.

Ao mesmo tempo, no entanto, as operações comunistas demonstraram as dificuldades que a montanha pode oferecer a guerrilha. O despovoamento de aldeias montanhesas por decisão do governo e o temos de intimidação por parte dos guerrilheiros reduziram efetivamente o suprimento de alimentos e recrutas. As forças do governo dispunham dos mesmos recursos de outras tropas regulares em circunstâncias semelhantes, com uma linha normal de suprimentos que lhes garantia a provisão de alimentos e agasalhos para o frio. Os rebeldes, ao contrário, dependiam de transporte em lombos de mula, precários e vulneráveis a ataques aéreos.

A capacidade do Exército Nacional de prosseguir as operações no inverno foi um fator decisivo na derrota do Exército Democrático, bem como a exagerada confiança deste em sua capacidade de conservar os baluartes nas montanhas, tentando resistir às ofensivas. Considere ainda que embora florestas montanhosas escondam guerrilheiros, como no caso das montanhas anamitas no Vietnam, ou em Sierra Maestra e em Chipre, as encostas nuas da Grécia ou do Afeganistão fazem com que os guerrilheiros só se movimentem com segurança durante a noite.

Forças convencionais em ação nas montanhas devem observar, ainda hoje, antigos princípios básicos como a ocupação dos cumes, instalação de piquetes e pontos de controle a fim de previnir a incursão não autoriza pelos flancos e permitir melhor observação e domínio da área. Sem estes cuidados a situação pode se tornar muito perigosa. A 2ª Divisão de Infantaria dos EUA perdeu 3 mil homens, vítimas de morteiros e metralhadoras, ao serem surpreendidos no desfiladeiro de Kunuri, durante a retirada para Chongchon, na Coréia em 1950.

De igual modo, admite-se que o Exército de Libertação do Povo (chinês) perdeu muitos homens em imprudentes assaltos frontais nas gargantas do Vietnam do Norte em 1979. As tropas chinesas ignoravam a existência de outro cume na montanha Gao Bao Ling e vários picos vizinhos simplesmente não constavam em suas cartas.

Contudo armas e equipamentos modernos simplificaram muitos dos problemas na luta de montanha.Na Grécia os baluartes de Grammos e Vitsi foram conquistados com o auxílio de 2 esquadrilhas de Spitfire, e a maioria dos 3.128 mortos e 6 mil feridos do Exército Democrático nas operações de Grammos foi vítima de ataques aéreos (1948).

Depois que o restante do Exército Democrático retornou a Grammos no ano seguinte, a ofensiva do Exército Nacional foi liderada por 52 Curtiss Helldiver com artilharia aérea. Nas operações em Áden em 1950-60, o British Army usou carros blindados para disparar contra concentrações nacionalistas alojadas nas encostas fora da visão da infantaria, enquanto helicópteros estabeleciam o controle do alto das colinas.



Durante as operações em Radfan (Iêmen, maio de 1964). por exemplo, homens do comando 45 foram lançado no alto do pico "Cap Badge" de onde puderam dominar as encostas, eliminando os franco-atiradores que detinham o avanço de baixo.

No Vietnam, os helicópteros foram o fator decisivo na solução de problemas logísticos. A Força-Tarefa Remagen, da 1ª Brigada da 5ª Divisão de Infantaria Mecanizada dos EUA, conseguiu manter-se na zona montanhosa desmilitarizada durante os 47 dias da Operação Montana Mauler (março e abril de 1969) graças a pesados helicópteros cargueiros Chinook, com dispositivo especial para deslizar a carga até o solo e assim dispensar a aterrissagem. O progresso em terra firme foi auxiliado por 2 veículos blindados que estendiam pontes (AVLBs) sobre rios onde elas não existiam ou haviam sido destruídas.

Equipamento avançado e potência aérea não oferecem necessariamente todas as soluções. Em 1962, os Fairchild Packet da Força Aérea Indiana não podiam voar lenta ou suficientemente baixo para atingir uma confinada zona na fronteira tibetana, nas poucas horas do dia em que a área não estava encoberta pelas nuvens. Helicópteros só podiam aterrizar um lugares razoavelmente planos e firmes, e mesmo para pairar sobre a superfície eles necessitavam de uma área desobstruída. O desempenho do helicóptero também é afetado pela altitude. A 900 m. um helicóptero requer um ângulo de 20º para se aproximar da área de arerrissagem; já em altitudes superiores a 1.500 m é necessário acesso quase completamente plano.

Helicópteros e aviões também são afetados pela turbulência e correntes de ar existentes em montanhas. Durante a operação Mare`s Nest em Chipre (encerrada em janeiro de 1959), a turbulência atmosférica impediu que helicópteros Sycamore e Whirlwind da RAF pairassem sobre os picos e os soldados não conseguiram descer usando cordas. Em consequência, apenas 2 postos de observação foram estabelecidos.

Também o poderio aéreo nem sempre tem o efeito militar desejado. Em Cuba, as florestas de Sierra Maestra eram de tal forma densas e úmidas, que as bombas, mesmo as de napalm, lançadas pela aviação do governo raramente produziam muitos efeitos além de 45 m do ponto de impacto. O bombardeio das encostas florestais de Aberdare, no Quênia, durante o surgimento dos Mau Mau nos anos 50, revelou-se de eficiência tão duvidosa que foi abandonado como uma medida contraproducente.

Durante a operação Lam Son 719, no Laos em fevereiro-abril de 1971, forças dos EUA e do Vietnam do Sul fizeram o uso extensivo de helicópteros, mas poucas áreas eram adequadas a aterrissagem na área montanhosa; e a chuva, a neblina e as constantes nuvens baixas durante as monções, obrigavam pilotos dos aviões de apoio terrestre a manter altitudes baixa. Em consequência, as baterias antiaéreas  do ENV puderam impedir. em muitos casos, um apoio aéreo eficiente. Os americanos e sul-vietnamitas perderam 108 helicópteros e 7 aviões.

Para os guerrilheiros Mujahidins do Afeganistão, era assustadora a aproximação do Mi-24 soviéticos com lança-foguetes, canhão giratório de 1.000 projéteis por minuto, mísseis e bombas. este helicóptero pode aniquilar uma aldeia inteira  em pouco tempo, mas até mesmo ele não é invulnerável ao fogo do solo, e acredita-se que os afegão conseguiram derrubar cerca de 4 aparelhos deste tipo, durante a incursão soviética no vale Panjshir em agosto-setembro de 1981. Nem mesmo a maciça superioridade soviética em equipamento e potência de fogo consegui derrotar os guerrilheiros, embora a URSS tenha tido, talvez, apenas o objetivo de controlar só as principais cidades e estardas afegãs.

Para o soldado soviético, no entanto, o padrão da guerra de montanha não é muito diferente da experiência do soldado inglês que esteve no Afeganistão, 1 século antes. Um soviético anotou em seu diário: " Houve um duro combate e podíamos ver os Mujahidins, a cavalo, atacando nossas posições de artilharia e disparando contra nossos aviões. Estávamos ficando desesperados ". Outro escreveu à família: " Que lugar horrível, quase sempre congelado ou então insuportavelmente quente, e ainda não sei quando sairemos daqui". estes papeis foram encontrados nos bolsos de 2 soldados mortos pelos guerrilheiros, após um a emboscada bem sucedida na província de Baglan, ao norte de Cabul em meados de 1981.

terça-feira, 28 de março de 2017

Operações em Áreas de Selva Tropical #



Generalidades

As regiões de selva tropical e equatorial, presentes na faixa intertropical do planeta, possuem aspectos peculiares quanto às operações militares, devido a suas características únicas de clima, vegetação e desenvolvimento sócio-econômico.

Estão presentes nas Américas, desde o sul do México, passando pelo norte da América do Sul e ilhas do Caribe, com sua maior extensão em território brasileiro; no centro do continente africano na região sub-saariana do Congo e vizinhanças; no sudeste asiático continental, incluindo as ilhas da Indonésia e norte da Austrália e num grande número de ilhas do Pacífico, e outras regiões menores, totalizando só no Brasil mais de 5 milhões de quilômetros quadrados.

São áreas de clima muito úmido e quente, com débeis índices demográficos e de desenvolvimento humano e econômico. Carecem de redes rodoferroviárias, e as existentes precariamente conservadas, sendo as vias hidrográficas abundantes e utilizadas como principal meio de comunicações destas regiões.

Inserido neste meio existem ainda áreas de mata alagada, de selva propriamente dita, savanas e regiões montanhosas quentes. Não se pode separar a selva de terra firme da malha hidroviária que a permeia, constituindo este conjunto um só ambiente operacional, unidas pela mata de várzea. A vegetação é constituída de árvores de grande porte, cujas copas entrelaçam-se e criam em seu interior um ambiente sombrio sem a incidência direta de raios solares, a exceção das raras clareiras criadas pela queda de árvores mortas. Próximo aos rios existe a floresta que se inunda periodicamente formando várzeas. Os rios podem ser caudalosos com través médio de 5 km, podendo atingir 20 km em alguns pontos e centenas próximos ao mar, com locais mais rasos que impedem a navegação irrestrita quando longe do leito principal, podendo ainda apresentarem regiões de corredeiras.




Influência do Ambiente nas Operações Militares

As rotinas de observação e vigilância são prejudicadas pela ausência de elevações que dominem o terreno e pela densa mata que não permite olhar a alguns poucos metros. Estabelecer campos de tiro procedendo sua "limpeza" pode denunciar a presença de armas e atiradores, sendo estes mais eficazes junto aos desimpedidos cursos d'água e clareiras. A observação aérea é ineficaz e o relevo não se revela para estes, uma vez que a vegetação mostra um falso terreno plano. Satélites de alta definição de amplo espectro, no entanto, não tem seus campos de observação barrados pelas árvores. Granadas fumígenas podem não ultrapassar a cobertura e a adoção de túneis de tiro são a técnica mais eficaz de criar corredores de fogo.

A mata proporciona abundância de cobertura a observação, e abrigos devido a dobras do terreno e grandes árvores. A construção de abrigos abaixo do nível do solo é difícil devido a presença de raízes entrelaçadas. Os obstáculos são abundantes, como os grandes rios em operações de grande vulto e a mata fechada, que proporciona corredores de deslocamento a pequenas frações apenas. Cabe salientar que estes mesmos grandes rios podem tanto ser obstáculos como vias que facilitam o deslocamento, dependendo das circunstâncias. A mata esconde pântanos e escarpas, além de grandes troncos caídos. Chuvas constantes e diárias potencializam os obstáculos e tornam estradas de chão pegajosas e difíceis de transpor.



O deslocamento a pé está sujeito a grande número de espinhos e plantas hostis e em locais onde existem árvores caídas, normalmente mais de uma, elas podem se constituir em grandes obstáculos. Além das altas temperaturas, a pluviosidade é intensa com tempestades fortes e rápidas podendo as condições climáticas mudar em questão de minutos. A mobilidade motorizada é extremamente difícil, sendo o barco e a aeronave os meios mais adequados.

utilização de equipamento rádio demanda a utilização de grandes antenas, com intensa atenuação de sinais através da mata, e devido a cobertura vegetal a luminosidade da lua é praticamente imperceptível. Para indivíduos treinados a selva oferece grande variedade de recursos e alimentação, porém mostra-se hostil àqueles não ambientados ou treinados apenas em outros ambientes, estando todos sujeitos a cortes e infecções constantes e ao assédio de animais como mosquitos, cobras e vespas, entre outros, que podem transmitir doenças tropicais.




Operações de grandes escalões de tropa encontram maior dificuldade neste ambiente, estando as pequenas frações mais conformadas à realidade deste terreno e sua severa resistência à mobilidade. O grande número de obstáculos naturais é potencializado pelas condições meteorológicas adversas com precipitações constantes, que prejudica sobretudo a mobilidade nas estradas não pavimentadas que são a maioria, tornando a argila destas vias pegajosa em níveis que chegam a paralisar o movimento de veículos.

Os locais de maior valor militar são os entroncamentos de rios que oferecem controle sobre estes, e as vilas e povoados, com campos de pouso e atracadouros. Suas instalações podem ser de grande valor e para eles convergem trilhas e passam as estradas que existem. Na selva as operações ribeirinhas são uma constante militar.  A umidade proporciona grande estresse sobre equipamento inadequado como armamento, aeronaves e veículos em geral. Outros locais importantes são os escassos nós rodoviários, pontos de passagem de balsas, pontes e vaus, além de clareiras que favorecem o reagrupamento e a operação de baterias de tiro e helicópteros e o ressuprimento aéreo. As elevações, tão úteis em terreno convencional, são pouco relevantes no ambiente de selva devido a cobertura vegetal.

Devido as características únicas deste ambiente, as operações assumem características de guerra irregular ou guerrilha, pois dispor tropas emassadas não se dá da mesma forma que em terreno convencional. Apesar dos dispositivos militares procurarem sempre valorizar as características de ligação entre as unidades, operar na selva demanda sempre a incursão de pequenas frações em áreas muito grandes e dispersas, dificultando o apoio mútuo entre estas. O apoio aéreo e fluvial é fundamental. A segurança das tropas neste ambiente tem na dispersão seu maior trunfo, e a ameaça poderá vir de qualquer direção. A manobra deve primar pela simplicidade e fundamentar-se na habilidade do combatente, e não em seu equipamento. A surpresa pode ser facilmente obtida pelo atacantes e a oportunidade por vezes é uma das formas mais comuns de combate, pois a obtenção de informações é dificultada pelo ambiente singular.




Operações Estratégicas

O acesso à área de selva se dá a partir de bases que podem ser poucas e precárias e demandarão grandes obras de infraestrutura, com necessidade de provimento de serviços diversos e suprimentos vindos de longe, onerando terminais e fazendo uso de elevado número de meios logísticos. O estabelecimento de infraestrutura adequada a grandes efetivos pode ser necessário e custoso. Como já foi dito o deslocamento até estas áreas quase sempre se dará por vias aéreas e fluviais, tanto de tropas quanto de suprimentos. 

Estas áreas de acesso quase sempre serão as maiores cidades que estejam próximas ao coração do dispositivo do inimigo, com seus terminais, e a manobra inicial será a conquista e ocupação destas localidades e suas vias de acesso e comunicação com as áreas exteriores de onde virá o suporte às operações. Devido as grandes distâncias envolvidas e a natureza do combate moderno o domínio do espaço aéreo é vital. O combate se dará por forças assimétricas em ambiente urbanos e ribeirinhos, de selva densa e campos abertos, com forças não mecanizadas apoiadas por unidades aéreas em busca dos pontos capitais já citados. 

A partir destas áreas "pontos-forte" se desdobrarão as ações descentralizadas que poderão ser longas e desgastantes. A progressão se dará com patrulhas de combate de efetivos dotados de grande poder de fogo e apoiados pela aviação de asas rotativas em apoio próximo e pela aviação de ataque para alvos que exijam maior potência, estabelecendo bases de combate a medida que se progride, sempre procurando o isolamento do dispositivo inimigo de suas vias de suprimento de forma a forçar sua rendição com a anulação de seu poder de combate.



terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Reconhecimento, Escolha e Ocupação de Posição #


A ocupação de posição é uma atividade necessária a todas as unidades militares, estejam elas buscando posicionamento tático adequado ao combate ou posicionamento administrativo para que possam desempenhar suas funções na área de operações.

Em condição de combate, a ocupação de uma posição deve cercar-se de cuidados e medidas de segurança a fim de preservar a integridade e poder de combate dos efetivos envolvidos, e ao mesmo tempo permitir que as unidades exerçam com eficiência máxima todas as funcionalidades que lhes são inerentes.

Uma unidade é considerada desdobrada no terreno, e conseguinte em condições plenas de cumprir sua missão quando está com seu material operando em um dispositivo mínimo considerado operacional e com a devida munição disponível, quando a unidade a demandar; suas ligações de comando e controle estabelecidas com um fluxo regular de ordens necessárias através de redes de comunicação orgânicas; sua rede de observação e vigilância instalada e produzindo os informes operacionais afins ou no caso de unidades de apoio a capacidade de inteirar-se tempestivamente das demandas das unidades apoiadas e, seus apêndices logísticos proporcionando o suporte mínimo necessário para que a unidade opere com eficácia.

O desdobramento de uma unidade no terreno deve considerar um grande número de aspectos para que possam cumprir sua missão com a segurança e eficiência. Devem ser observados:
  • Ciência dos planos do escalão superior que possam envolver a unidade, de forma que esta possa estar em condições de oferecer os recursos que este demandar.
  • Tamanho da área a ser ocupada, de forma a comportar todos os meios da unidade, e sua posição relativa na área de operações mais adequada a sua missão.
  • Segurança em relação ao assédio do inimigo, sua posição relativa às unidades mais capazes de absorver o choque direto, inserção na malha de defesa antiaérea do escalão superior, desenfiamento dos campos de tiro das unidades de artilharia do inimigo e cobertura de retaguarda e flancos eventualmente expostos, cobertura natural e capacidade de camuflagem e ocultação.
  • Segurança em relação a infortúnios da natureza, como avalanches, enchentes e enxurradas, deslizamentos, doenças veiculadas por mosquitos e outros meios naturais, frio e calor, presença de animais selvagens perigosos e outros.
  • Estradas e meios de ligação que permitam a unidade cumprir com suas obrigações, que suportem o tráfego necessário e existam em número suficiente, com pontes capazes e áreas de estacionamento suficientes.
  • Capacidade de trocar de posição de forma fluida e natural quando se fizer necessário, com posições nas proximidades se esta possibilidade for considerada importante, bem como a disponibilidade de rotas de fuga ou retraimento.
  • Capacidade de uso do espaço aéreo a partir do solo se esta condição for necessária; disponibilidade de acessos ao mar, rios e lagos.
  • Proximidade de vilas e cidades e os prós e contras que esta localização acarreta.
  • Disponibilidade de água e energia elétrica para as unidades que delas necessitem.
  • Capacidade, em relação a posição, de ser apoiada pelas unidades logísticas e de apoio ao combate necessárias.


O Reconhecimento

Escolhidas as possíveis áreas de desdobramento da unidade através de estudos nas cartas da área de operações, seu estado maior providencia as ações de reconhecimento da posição, onde o pessoal especialista da unidade avalia se as condições das áreas pré-selecionadas atendem as suas necessidades específicas. O reconhecimento deve ser executado por efetivos mínimos de forma a ser ágil e eficaz, envolvendo oficiais mais experientes podendo contar até com o comandante da unidade. Ações de reconhecimento devem levar em consideração a presença do inimigo na área as cercar-se de efetivos de segurança, caso se julgue necessário.

Ocupações de posição se dão em áreas pacificadas e sob controle amigo, porém em combate toda a cautela se faz necessária, pois imprevistos acontecem àqueles mais desavisados e negligentes. São verificadas a adequação da área, se seu tamanho comporta a dispositivo, a situação em relação a forças amigas e inimigas e a capacidade da unidade ali desdobrada operar conforme o esperado.

Pode-se empregar vários meios para o reconhecimento como a observação aérea, a indispensável presença no local pelo alto comando da unidade, além do estudo de arquivos e dados existentes sobre as locações consideradas.

Particularmente importante é o reconhecimento dos itinerários de acesso, a resistência das pontes e as condições das estradas,a presença de áreas minadas e propícias a emboscadas. Também deve ser considerado o volume de tráfego dos itinerários escolhidos, pois em terrenos restritos as estradas podem ser escassas e o deslocamento difícil. Uma unidade que tem seu deslocamento interrompido por problemas, como um congestionamento por exemplo, podem ter sua capacidade operativa prejudicada ou interrompida.

O reconhecimento pode ainda envolver procedimentos técnicos como a pontaria de peças, no caso da artilharia de campanha por exemplo. Pode envolver levantamentos topográficos e trabalhos de engenharia, se dando de dia ou a noite. 

Em campanha o posicionamento das unidades no terreno e em relação a suas pares, bem como em relação ao inimigo é muito importantes e pode fazer a diferença na eficácia operacional desta, principalmente quando se opera em terreno restrito e com poucas estradas e áreas aproveitáveis, tendo-se que dispensar especial atenção a disciplina de tráfego adotada vigente e a existência de congestionamentos, que podem comprometer de forma séria a operatividade de todo o sistema. O congestionamento aéreo e aquaviário também deve ser considerado.




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Operações em Áreas Fortificadas



Áreas fortificadas são áreas que se caracterizam por um grande número de trabalhos de engenharia de combate efetuados no terreno em largura e profundidade, de forma organizada e com seus dispositivos proporcionando proteção mútua uns aos outros, com finalidade defensiva.

Assim podemos ter por exemplo, campos minados para proteção anticarro com minas antipessoal para evitar que sapadores desarmem as minas anticarro. Este campo por sua vez pode ter ao fundo posições de metralhadoras dentro de espaldões protegidos por sacos de areia alvejando qualquer indivíduo que ouse tentar seu desarme. Adjacente a este campo podem ser montados fossos anticarro, ou ainda ser desdobrado imediatamente na margem oposta de um curso d’ água de grande porte. A retaguarda podem ser posicionadas baterias de artilharia de alcance superior para fogo de contrabateria, afim de impedir que a artilharia inimiga provoque a abertura de uma brecha neste campo “a bala”.

Raramente se desdobra uma posição constituída por um único elemento.



Estas áreas proporcionam aos defensores proteção eficaz com grande economia de forças, pois qualquer tentativa de rompimento se constitui num grande esforço de engenharia de combate feito sob fogo cerrado com duvidosas chances de sucesso, dependendo é claro dos meios do invasor e da sofisticação da posição defensiva. 

Fortificações de campanha podem ter caráter permanente contando com casamatas de concreto e instalações sofisticadas ou disporem apenas de meios de campanha para rápido abandono em caso de rompimento. Devem contar com postos de vigilância, malha viária para rápida alocação de tropas, comunicações eficazes e reservas altamente moveis localizadas em posições centrais com acesso rápido aos pontos onde se fizer necessária. 

Todos os elementos de uma posição fortificada devem contar com meios de cobertura mútua, seja no combate ao seu rompimento, seja no seu deslocamento interno. É de suma importância que estas áreas sejam desdobradas de tal forma que seu cerco seja pouco provável, pois o rompimento de suas linhas de comunicações pode resultar no isolamento de suas forças com conseqüente comprometimento do poder de combate por falta de munição e víveres, pessoal e equipamento caso não seja possível seu ressuprimento.



As forças em geral tendem a evitar combater nestas áreas, sendo elas especialmente adequadas a proteção de áreas de retaguarda e desdobramento logístico. Quando o combate é inevitável, as forças tendem a fixar estas posições com forças menores, dirigindo o esforço principal para áreas mais distantes e decisivas. A forma mais adequada de engajar estas áreas é através de um cerco e incisões pelos flancos e retaguarda.

O ataque a uma área fortificada geralmente obriga o inimigo a emassar-se e constituir-se em alvo de grandes proporções, adequado, por exemplo a ataques aéreos pela aviação dos defensores. Este ataque demanda esforços de grande proporções provocando o enfraquecimento dos atacantes e tornando-os vulneráveis a contra-ataques. Por outro lado o inimigo pode bater estas áreas com sua artilharia ou aviação de ataque e bombardeio, ou ainda desbordá-las e preocupar-se com elas no futuro.

Estas posições permitem economia de forças nas áreas avançadas, disponibilizando  reservas proporcionalmente maiores para contra-ataques por forças altamente móveis e agressivas.

Vale lembrar que as grande fortificações estáticas de segunda grande guerra, como a linha Maginot ou a muralha do atlantico tornaram-se obsoletas com o advento da táticas e armas de guerra de movimento.


sábado, 17 de novembro de 2012

Condições Meteorológicas - Influência nas Operações Militares #




Toda operação militar está sujeita a interferência de fatores climáticos que devem ser considerados em seu planejamento. Estes fatores influenciam na visibilidade, na mobilidade terrestre e naval, nas operações aéreas, na segurança operacional, na trafegabilidade das ondas eletromagnética influenciando as comunicações rádio e operações das sensores como radares e eletroóticos, entre outros. Operações que envolvam a utilização de satélites como os sensores GPS/Glosnass e a retransmissão de comunicações por este meio também são seriamente influenciados pelas massas atmosféricas mais densas.

A mobilidade é crítica em uma operação militar, e condições meteorológicas adversas podem inviabilizar a transitabilidade em terrenos ruins, como aqueles excessivamente arenosos e moles, que facilmente se transformam em lodaçais, podendo paralisar todo um exército em marcha. O derretimento da neve prejudicou sobremaneira o avanço alemão na Rússia tornando suas precárias estradas intransitáveis, com a formação de lodaçais e impondo um fardo penoso às tropas.



Nas mesmas condições o tráfego pelo mar pode se tornar algo penoso, principalmente a tropas em travessia e não habituadas a vida embarcada. O desembarque do dia D em 1944 na Normandia, por exemplo,  foi adiado para o dia 6 de junho devido ao mau tempo, e apesar das condições deste dia não serem as melhores a tropas já estavam embarcadas a algum tempo e sofrendo de enjoos, e a espera de mais tempo seria inviabilizada pelas condições de maré e da logística de desembarcar todo o contingente e posteriormente reembarcá-los novamente.

A primeira fase para o estudo das condições meteorológicas é dispor-se das bases de dados existentes de forma ostensiva, que nos dão as características climáticas de determinada região associadas a época do ano em que se irá operar. Estes dados são lastreados no histórico do tempo ao longo dos anos e nos dão uma ideia geral das condições que iremos encontrar. A partir daí busca-se informações mais pontuais nas previsões de curto, médio e longo prazo, permitindo que se determine com maior precisão e pela elaboração de croquis, as condições de visibilidade, temperatura, emprego de fulmígenos, trafegabilidade das estradas e fora delas, emprego de sensores e meios de comunicação, navegabilidade, possibilidades de alagamento, vadeabilidade de cursos d'agua, teto operacional para aeronaves e operações de aeródromos, viabilidade de reconhecimento aéreo, possibilidade de observação terrestre e utilização de elevações, etc...




Os elementos que mais influenciam as operações são: 
  • Crepúsculos: Tanto o matutino quanto o vespertino influem na luminosidade e visibilidade e horários de operação, 
  • Fases da Lua: influem na luminosidade noturna;
  • Precipitações: Afetam a visibilidade, trafegabilidade, bem estar da tropa e segurança.
  • Ventos: sua força, altitude e direção ditam as condições de mar, rotas aéreas, emprego de fumígenos e outros;
  • Nebulosidade: Afetam a visibilidade.
  • Temperatura e Umidade:  Afetam equipamento e pessoal.
  • Marés: influenciam em operações de desembarque a partir do mar


O Crepúsculo:

Crepúsculo é a passagem do dia para a noite (crepúsculo vespertino) ou vice-versa (crepúsculo matutino). Existem 3 tipos:  O astronômico cuja visibilidade é muito reduzida e não tem utilidade prática para fins militares, o náutico que proporciona visibilidade suficiente aos movimentos terrestres com visibilidade limitadas a 400 m e uma certa proteção a observação inimiga, e o civil que proporciona luminosidade suficiente a todas a atividade diurnas. A duração dos crepúsculos depende da latitude de varia ao longo dos tempos.Enquanto que na ofensiva, a baixa luminosidade favorece a concentração de forças, a manobra e a obtenção da surpresa, na defensiva, prejudica a vigilância, impede o reconhecimento, dificulta a coordenação e controle e reduz a precisão da busca de alvos.




As Fases da Lua:


A lua influencia diretamente na visibilidade noturna. Na lua nova a visibilidade é mínima, aumenta na crescente e alcança o máximo na cheia, decrescendo na minguante. Assim, a luminosidade deve ser analisada em função do nascer e do pôr do sol e das fases da lua, que exercerão influência nas condições de observação, sigilo, emprego dos meios aéreos e de coordenação e controle das tropas. A visibilidade é função também por outros elementos meteorológicos, tais como precipitações, nebulosidade, ventos, etc.




Precipitações:

Podem trazer impedimentos ou risco ao voo, alagamentos de grandes dimensões, baixa visibilidade, impedir operações administrativas necessárias a céu aberto, desconforto a tropas desdobradas no terreno com o alagamento de abrigos e hipotermia, deterioração de estradas mau ou não pavimentadas e inviabilização de tráfego "off-road"; reduzir a persistência de agentes químicos, a eficácia dos campos minados e de equipamentos em geral. O granizo pode provocar a destruição de instalações e riscos a integridade humana e material. Descargas elétricas podem incendiar depósitos de munição e combustível, afetar linhas de transmissão e tráfego eletromagnético. Enxurradas podem destruir pontes e alagar áreas habitadas, além de interromper o trânsito em trechos de estradas.




Ventos:

Sua direção e velocidade afetam o emprego de fumígenos e agentes QBN, lançamentos de tropas aerotransportadas, afetam a navegabilidade e a detecção de sons. Podem contribuir para a secagem do solo afetando positivamente a trafegabilidade. Ventos fortes podem derrubar antenas e afetar estacionamentos baseados em barracas e similares.




Nebulosidade:

Esta pode impedir a observação aérea e de elevações, a segurança do espaço aéreo, principalmente aquele usado pelos helicópteros em baixa altitude. Nuvens escuras podem significar chuva e podem limitar o visibilidade.




Temperatura e Umidade:

Estes fatores influenciam diretamente os vetores aéreos, como aeronaves, mísseis e granadas de artilharia. Afetam as pessoas e o desempenho do equipamento como motores e eletrônico se em valores extremos, afetam também as atividades a céu aberto como as de construção civil e outras de cunho administrativo como o manuseio de suprimentos nas áreas de apoio de retaguarda. Temperaturas baixas podem trazer neve e demandar o provimento de fardamento e proteções especiais, provocar hipotermia e desconforto, além de prejudicar a destreza dos soldados que ficam com extremidade geladas e são obrigados ao uso de luvas e outros acessórios. A temperatura é função da latitude e da altitude, entre outros fatores de menor importância.





Marés:

Influenciam operações costeiras como desembarques anfíbios e operações em portos menos preparados.

domingo, 16 de setembro de 2012

Posições Fortificadas



Sempre que uma tropa ocupa determinada posição no terreno, seja tomada ao inimigo ou por pura e simples ocupação, se faz necessário consolidar esta posição para garantir-lhe um nível satisfatório de segurança, pois o assédio do inimigo é inerente a qualquer operação militar.

A construção de obstáculos muitas vezes não impede a ação do inimigo, mas retarda sua ação, dificultando sua manobra e expondo-o ao fogo de nossas armas. Trabalhos de fortificação devem sempre ser implementados quando existir contato com a inimigo ou este contato for iminente, ou na consolidação de uma posição recém ocupada. Seu nível de sofisticação dependerá do nível da ameaça, do tempo em que se pretende fiar estacionado ali, do tempo disponível para sua preparação e dos recursos de material e engenharia disponíveis.

Estas fortificações, dependendo do nível que se quer atingir, são constituídas de abrigos e espaldões cavados no terreno ou especialmente confeccionados em concreto ou outros materiais, a fim de abrigarem tropas e suas armas leves ou pesadas, e lhes permitam usá-las e aos mesmo tempo lhes proporcionem proteção ao fogo inimigo.

Estas posições devem ser escolhidas em locais especialmente favoráveis, onde os esforços de construção possam ser minimizados como a encosta de elevações e locais de passagem mais provável, como corredores e gargantas. A proximidade de pontos altos deve ser buscada, pois ali devem ser posicionados os observadores que darão o alerta antecipado e desdobrados antenas da rede de comunicações, além do que obrigar o inimigo a combate de baixo para cima favorece ao defensor.

A frente dos abrigos podem ser desdobrados obstáculos diversos como campos minados, fossos e obstáculos anticarro, redes de arame farpado, podem ainda ser utilizados canais e cursos d'agua, pântanos e áreas alagadiças e outras particularidades que o terreno nos ofereça. Todos estes obstáculos devem ser adequadamente batidos pelo fogo das armas dos defensores, sejam fuzis ou metralhadoras, sejam armas anticarro ou artilharia. Campos de tiro, dessa forma, devem ser convenientemente limpos e previstos. A combinação de todos estes fatores é feita pelo comandante de acordo com cada situação, e sua configuração devem seguir ao plano de operações.

As posições devem ainda serem convenientemente camufladas e dispersas, proporcionarem apoio de fogo mútuo, escalonadas em profundidade a fim de que a pressão do inimigo possa ser absorvida de forma gradual e seu poder de combate debilitado aos poucos, permitirem ligações de comando e suprimento, além da fácil desocupação se assim for necessário. A camuflagem deve prevenir a observação aérea e a proteção deve contar com sumidouros para granadas e outros dispositivos, além, se for o caso, proteção NBC.

O processo de consolidação da posição ocupada deve seguir a uma ordem de prioridades. A primeira delas deve permitir o uso imediato do recurso que prontamente se tem a disposição. A limpeza dos campos de tiro deve ser a primeira providência, pois o uso das nossas armas de fogo deve estar viabilizados de pronto, bem como permite as vitais ações de observação e vigilância. O desdobramento dos dispositivos de observação e da rede de comunicações vem a seguir, viabilizando o alerta antecipado e as ligações de comando. A partir deste momento, com as condições de combate mínimas estabelecidas, parte-se para o melhoramento da posição, destruindo-se estruturas não desejadas, desdobrando-se campos minados e outros obstáculos, minando-se pontes e encostas, cavando-se abrigos individuais e espaldões para armas coletivas. Por fim, se houver tempos e recursos, constroem-se outros obstáculos e estruturas secundárias. O processo de camuflagem devem ser contínuo e simultâneo aos processo de consolidação.

Cabe a tropa em ocupação desdobrar as estruturas defensivas inerentes a sua posição, utilizando-se dos meios de que dispõem, através de ações simples e práticas. Dispositivos mais sofisticados devem contar com tropas do escalão superior como as unidades de engenharia e seus recursos em maquinário e técnicas especializadas, realizando destruições e construções em grande escala, criando zonas de obstáculos mais extensas e executando outros serviços que demandem conhecimento e suprimentos específicos.

Os materiais utilizados são os mais diversos e muitas ações são possíveis através do uso de granadas e outros explosivos disponíveis. Materiais naturais podem ser amplamente utilizados. Arame farpado, estacas e madeira podem vir através do suprimento logístico, e material capturado ao inimigo deve ser amplamente empregado. As ferramentas são os explosivos disponíveis, as pás  de trincheira transportadas individualmente, outras ferramentas de sapa fornecidas pela unidade e o maquinário pesado das unidades de engenharia.

sábado, 18 de agosto de 2012

Combate em Ambientes Urbanos #




O Combate em ambientes urbanos está cada vez mais presente nos conflitos modernos, e as forças armadas tem orientado seu treinamento cada vez mais para este ambiente. Diferentemente do combate em campo aberto, esta modalidade de combate apresenta dificultadores adicionais. É a forma de combate mais difícil de ser implementada na atualidade. Os defensores estão muito familiarizados com o terreno e podem organizar um sem número de emboscadas e posições defensivas.

Devido as cidades concentrarem hoje a maior parte da população, sua importância de faz sentir. Nelas estão os centros políticos, industriais, de comunicações, de armazenamento, usinas de energia e reservatórios de água, meios de transporte, centros de saúde, de comando e controle. Manter os centros urbanos a margem do combate dá ao inimigo uma fonte de recursos inestimável e que invariavelmente pesa muito no desfecho das operações.


  • População Civil


Nas cidades encontramos um grande número de pessoas que não desejam se envolver nos combates e invariavelmente são envolvidos por ele. Temos civis de toda ordem, mulheres, crianças e idosos. O uso de civis como escudos humanos é frequente, quando são colocados próximos a alvos importantes, inviabilizando seu bombardeio e usados como propaganda a favor dos defensores. O soldados deparam-se com um grande número de milicias armadas e gangues de criminosos, que oferecem perigo real. Os defensores muitas vezes se misturam com população civil ficando difícil saber quem é quem.


  • Ambiente de Combate


Veículos blindados tem pouco espaço para manobrar, devendo restringir-se às ruas e avenidas cercadas de edificações, e frequentemente entulho. As edificações mais altas abrigam observadores e franco atiradores. Escombros prestam-se facilmente a instalação de posições defensivas, o posicionamento de armas anticarro e antiaéreas. Os defensores dominam bem o terreno, e conhecem subterrâneos como túneis de metrô e galerias de esgoto, podendo deslocar-se por elas rapidamente e surgir em locais inesperados. Os campos de tiro são restritos, tanto para fuzileiros como para os carros de combate, a fumaça e o fogo podem estar em todo lugar dificultando ainda mais a obervação e o tiro. As comunicações podem encontrar um grande número de obstáculos físicos a sua propagação. O apoio da artilharia é perigoso as tropas amigas pois os impactos podem se dar muito próximos a estas.




  • Apoio Aéreo


O fogo aéreo fica restrito pelas edificações, que dificultam a designação de alvos e observação, e presença de civis, que tem suas moradias destruídas e suas vidas postas em risco. Fiação elétrica dificultam a extração de tropas e ressuprimento através de helicópteros e paraquedas. Armas antiaéreas podem ser posicionadas na cobertura dos prédios mais altos. Helicópteros são vulneráveis a mísseis antiaéreos portáteis e armas anticarro, como ficou demonstrado em Mogadíscio em 1993, quando dois Black Hawk foram derrubados e três danificados. Armas leves também oferecem perigo aos helicópteros operando a baixa altura.

  • Questões humanitárias


Os soldados frequentemente deparam-se com tragédias humanitárias em meios as operações, e o ímpeto natural de dar assistência a estas pessoas pode prejudicar o foco das operações.




Operando no Ambiente Urbano:

Cuidados adicionais devem ser tomados quando se opera em ambiente urbano. Devido ao grande número de baixa potenciais neste tipo de combate, não se deve iniciar estas operações sem que se tenha efetivo e meios substancialmente superiores, pois o desgaste do combate pode rapidamente esgotar a força invasora antes de alcançados os objetivos, acarretando em derrotas de nível estratégico.

O isolamento total da cidade deve ser buscado logo no primeiro momento, privando os defensores de ressuprimento e entrada de reforços, seja por meios terrestres, navais ou aéreos. Disto pode depender o desfecho de toda a operação.




Uma maneira moderna de operar nos ambientes urbanos é através do chamado "enxameamento", onde se evita o combate linear rua por rua e se vale de uma prática já provada pelo Exército Israelense. Pequenas unidades são infiltradas verticalmente ou por terra mas discretamente, em locais estratégicos previamente definidos, com o apoio maciço de atiradores nos pontos mais altos, em estreita ligação com as forças nas ruas, orientando e cobrindo-as. Num movimento aparentemente aleatório, estas unidades se movimentam em ziguezague atacando em pontos não esperados, debilitando o defensor, desaparecendo em seguida e reaparecendo em outros locais, confundindo os defensores e inviabilizando seu entrincheiramento, atacando de dentro para fora. Esta prática exigem total coordenação entre os meios de combate, alta eficiências dos meios de C2 e eficaz uso dos sistemas de comunicações. Quando o defensor estiver altamente desorganizado se inicia, com auxilio de blindados o movimento a partir das bordas do perímetro. Deve se evitar o movimento através das ruas, passando-se de parade em parede com o uso de explosivos, evitando-se dessa forma a exposição aos atiradores do inimigo e as armadilhas colocadas em vias de acesso óbvio. Edifícios devem ser tomados de cima para baixo, através de tropas ali colocadas por helicópteros.


  • Veículo blindados


Carros de combate (CC) são úteis por fornecem apoio de fogo em locais onde a artilharia enfrenta severas limitações, mas devem ser empregados em conjunto com infantaria, pois devido a restrição de mobilidade nestes ambientes, ficam altamente vulneráveis. Veículos transportadores de infantaria devem acompanhar os CC. Deve-se evitar ruas estreitas e formações em coluna, pois a imobilização do primeiro e último veículo, imobiliza toda a coluna. Veículos blindados devem operar sempre em avenidas largas, onde possam ter certa liberdade de manobra.

Também apresentam limitações quanto ao ângulo que suas armas podem elevar, muitas vezes ficando impotentes de atirarem em andares mais elevados, dependendo da distância. O acompanhamento de armas antiaéreas de tiro rápido pode amenizar este problema.


  • Helicópteros

São muitos úteis nestas operações, sendo usados para infiltrar tropas em áreas diversas e no alto das edificações, evacuar feridos e ressuprir as forças, proporcionar apoio de fogo, efetuar missões de vigilância e reconhecimento, além de proporcionar excelente posição em tarefas de comando e controle, podendo inclusive transmitir e retransmitir imagens do combate para os postos de comando.

São vulneráveis ao fogo de armas portáteis, mísseis anticarro e antiaéreos, armas não guiadas anticarro e devem ser usados com planejamento e prudência quando em baixas altitudes. Linhas de distribuição elétricas também representam perigo.


  • Aeronaves de Asa Fixa

Menos adequadas que os helicópteros, podem ser usadas para fogo de apoio, desde que dotados de munição de precisão, a fim de evitar o fogo a alvos indesejados. Podem ainda ser usados na interdição de alvos grandes e proporcionar observação aérea em altitudes maiores. Aeronaves especializadas podem prover eficientes centros de C2.


  • Artilharia

Mesmo com as limitações impostas pelo ambiente, não se pode prescindir dela. Posicionada fora do perímetro da cidade, pode bater alvos bem definidos e prover apoio aos escalões de ataque quando a situação assim o permitir. Seu uso indiscriminado pode resultar e excessiva destruição e baixas civis, grande número de escombros que dificultam o avanço de blindados e servem de abrigo aos defensores. E existência de edifícios altos interfere na trajetória dos projéteis e dificulta a observação do tiro, fator este que não pode ser desconsiderado.


  • Infantaria

A infantaria é quem realmente decide o combate urbano, fazendo a limpeza de casa em casa, desalojando aqueles que ali estiverem. Devem ser eficientemente coordenadas e se operando em pequenas frações tomar muito cuidado para não serem isoladas. Devem carregar potente apoio de fogo orgânico e possuirem alto grau de iniciativa e eficiente ligação com o comando e tropas adjacentes. As técnicas de movimentação de infantaria serão explicitadas em página própria de Combate em Ambientes Fechados (CQB - Close Quarter Combat). Deve usar armas curtas de grande cadência de fogo. Armas longas são desnecessárias pois os alvos são de curta distância e dificultam a mobilidade em ambientes restritos.


  • Comando e Controle

Uma perfeita integração dos meios de comando e controle e as tropas em operação é fundamental, pois além do acompanhamento e cumprimentos dos objetivos, tem-se que tomar máximo cuidado para que pequenas frações não sejam isoladas e neutralizadas. Meios de inteligência devem atuar constantemente juntos aos meios de C2 a fim de proporcionarem quadros de situação constantemente atualizados e realistas.