"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Morteiros #


O morteiro é uma arma de uso coletivo, destinada a prover apoio de fogo imediato às tropas das armas-base, com o lançamento em trajetória balística de granadas na modalidade de tiro vertical (em ângulos iguais ou superiores a 45º). Em relação aos obuseiros convencionais que equipam a artilharia de campanha, este é de construção e funcionamento muito mais simples, possui custo inferior e demonstra a flexibilidade e leveza adequada a operação pelas tropas de vanguarda em posições muito próximas às fileiras inimigas.

Usados há centenas de anos, os morteiros foram primeiramente empregados nas guerras de cerco. Grandes e pesados, não podiam ser facilmente transportados, pois não passavam de pesadas peças de ferro fundido de forma primitiva. Foram usados pela primeira vez como armas de campanha no início do século XVIII pelo British Army, por apresentarem a capacidade inexistente nos canhões da época de atingirem o outro lado das elevações escocesas, próximo a estas, devido ás particularidades de sua trajetória. Durante a Guerra Civil Americana usaram-se troncos de madeira perfurados e reforçados com amarras para se lançar petardos desde as trincheiras, no período napoleônico caiu em desuso e foi durante a guerra russo-japonesa que se retomou o tiro indireto desde posições desenfiadas como forma contemporânea de apoio de fogo.

O morteiro moderno nasceu durante a grande guerra em 1915. O inimigo abrigado em trincheiras demandou a necessidade de uma arma que pudesse atirar de dentro delas, e ao mesmo tempo penetrar às inimigas, onde as granadas de artilharia encontravam dificuldades devido ao seu ângulo raso de impacto. O morteiro criado por Sir Wilfred Stokes era portátil e foi inicialmente rejeitado por não pode usar as granadas disponíveis, porém após desdobramentos passou a ser fabricado juntamente com sua munição. Era um tubo de alma lisa montado sobre placa-base e bipé. A granada inserida pela boca descia por gravidade até encontrar o pino percutor que pressionava a espoleta (estopilha) e disparava-a até o alvo, em trajetória oposta. Podia cadenciar até 25 tpm a 730 m um projétil não estabilizado. Os modelos modernos mantém inalterada essa configuração original, consagrando a adequação deste projeto inicial.




Os morteiros ocidentais modernos são produzidos nos calibre de 60 mm (leve), 81 mm (médio) e 120 mm (pesado). Os britânicos produziram um morteiro leve de 51 mm, dotado apenas de placa base e tubo, sem o moderno bipé, cuja pontaria servia-se de uma correia que também atuava como bandoleira (alça de transporte). Os israelenses e soviéticos/russos produziram os maiores modelos de 160 mm e 240 mm, este carregado pela culatra. Os modelos leves e médios podem ser transportados pela guarnição, divididos ou não em partes dependendo do peso. Os modelos maiores, de 120 mm ou mais são rebocados por viaturas e geralmente montados em reparos sobre rodas, ou no interior de veículos blindados, estes de construção mais sofisticada e cara, com carga pela culatra a fim de não expor a guarnição para fora da viatura. Os maiores morteiros já construídos foram o belga Henri-Joseph Paixhansen de 610 mm ( 24 pol) em 1832, O morteiro de Mallet de 910 mm (36 pol) em 1857, e o Little David de 914,4 mm americano da Segunda Guerra Mundial. Apenas o modelo belga foi usado em combate na Batalha de Antuérpia.





Este equipamento consiste de um tubo montado sobre uma placa base que distribui a força de recuo dos disparos diretamente sobre o solo, dispensando a existência dos mecanismos de recuperação presente nos obuseiros e canhões. Os projéteis descrevem trajetórias balísticas em ângulos de trajetória alta, disparando em ângulos entre 45 e 85 graus (tiro vertical), com a maioria dos modelos sendo carregados pela boca em tubos que não ultrapassam os 15 calibres.

Um projétil, desencartuchado e com a carga de projeção presa a sua base, é introduzido pela boca em processo de antecarga e desliza até o fundo do tubo adquirindo velocidade por ação gravitacional. Quando atinge a base do tubo encontra um pino percutor que golpeia a estopilha (na verdade é golpeado por esta) e deflagra a propulsão, lançando-o. Alguns modelos mais sofisticados podem operar o disparo por ação móvel do pino percutor e gatilho. O alcance pode variar pela alteração na inclinação do tubo ou variação na carga de projeção. Um reparo em forma de bipé, e em modelos maiores o próprio trem de rodagem, estabiliza o tubo no ângulo desejado e serve também como suporte ao aparelho de pontaria.

Os morteiros podem ficar instáveis quando usados na neve ou no solo macio, porque o recuo os pressiona contra o chão que não tem resistência para absorvê-lo. O saco Raschen é um artifício de lastro que é colocado sob a placa-base para melhorar a estabilidade e conseqüentemente sua precisão quando usado nestas condições de solo não resistente. 

Sua cadência de tiro é superior a dos obuseiros, pois não tem culatras a serem abertas e fechadas, a munição não tem estojos a serem descartados, sendo suas guarnições sensivelmente menores, com apenas três integrantes no modelos médios. A munição, devido a ausência de estojos, é também mais leve, sendo que uma granada de 120 mm pesa o mesmo que a de um obuseiro de 105 mm (cerca de 14 kg). A estatística diz que 60% da munição dos obuseiros atinge o alvo, sendo os 40% restantes dedicados a carga de projeção e estojo metálico. Nos morteiros cerca de 90% da munição atinge o alvo, o que garante uma eficiência logística muito superior. Este percentual refere-se ao peso da munição e não a quantidade de disparos.




O tubo de um morteiro pode ser liso ou raiado. No tubo liso a munição é estabilizada por aletas e no raiado por rotação. As aletas criam arrasto que “puxam” o projétil na direção contrária a trajetória, imprimindo-lhe uma certa tensão estabilizante, enquanto que nos modelos rotacionados, qualquer assimetria no centro de gravidade do projétil é compensada, tal qual nos obuses. Os modelos raiados contrariam o princípio da simplicidade do morteiro. Uma granada estabilizada por aletas tende a ter um alcance maior com a mesma carga de projeção que as rotacionadas, por não ter que vencer o atrito das raias, mas também tende a ser menos precisa. Para que a granada deslize até a base do tubo é necessário que haja uma folga entre ela e as paredes deste, o que faz com que parte dos gases de projeção escapem por esta brecha, diminuindo o alcance da arma. Para se contornar este problema existem modelos (os de 81 mm ocidentais) que usam um anel de plástico especial acomodado em uma ranhura na parte média da granada que é forçado para fora e para cima pelas laterais desta, que forçado pelos gases de projeção, provoca a vedação das laterais e aumenta consideravelmente a precisão e eficiência da arma. Em um modelo raiado francês, na base da granada existe uma placa de cobre abaulada com diâmetro inferior ao calibre do tubo e imediatamente abaixo uma placa de aço plana. Quando a carga de projeção detona aplaca de aço pressiona a placa de cobre fazendo-a expandir-se e preenchendo as raias, provocando vedação dos gases e imprimindo a granada o movimento de rotação estabilizador de voo, resultado em maior alcance e notável precisão.

A direção de tiro se dá de forma similar ao tiro da artilharia de campanha, porém mais simples. A técnica de tiro do morteiro rotacionado deve compensar a tendência da granada de desviar-se para o lado da rotação.

Sendo armas de curto alcance, são dotação orgânica das unidades de artilharia e cavalaria nos calibres leves e médios, e das unidades de artilharia leve (paraquedistas, montanha, selva e aeromóveis) nos calibres pesados (120mm ou mais). É a artilharia pessoal de que dispõem o comandante-fuzileiro, permitindo-lhes que aloque fogos de apoio com rapidez aos seus comandados, sem depender das unidades especializadas. Morteiros leves e médios são portáteis e servem de apoio de fogo aos pelotões de infantaria. Sua vantagem sobre as armas da artilharia reside em sua flexibilidade, sua mobilidade superior e a capacidade de engajar alvos rapidamente em cobertura ao combate aproximado por estar diretamente junto a este. Podem disparar de dentro de trincheiras e ser rapidamente mudados de posição em acompanhamento ao avanço, não necessitando da complexa cauda logística que a artilharia requer.

Quanto maior o ângulo de disparo, menor será o alcance, porém mais alta será a trajetória e a capacidade de superar obstáculos verticais atingindo alvos próximos a obstáculos, do outro lado de elevações íngremes e edificações, tarefa impossível à artilharia, salvo se operando no modo de tiro vertical e curto alcance. Isso também possibilita lançar ataques de posições inferiores ao alvo (Por exemplo, a artilharia de longo alcance não poderia atingir um alvo a 1 km de distância e 30 metros acima, um alvo facilmente acessível a um morteiro). Devido a natureza da trajetória vertical, os projéteis lançados por morteiros atingem o solo em ângulos mais próximos a perpendicular, sendo menos direcionais que àqueles lançados pela baterias de artilharia. Estes deixam o tubo em velocidades mais altas, atingem maiores alcances e arcos mais amplos, são carregados pela culatra e podem fazer uso do fogo direto, se necessário.





São armas de curto alcance e, muitas vezes, mais eficazes que a artilharia para muitos propósitos mormente dentro de seu alcance mais curto. São adequados ao uso de posições ocultas, como as escarpas naturais em encostas ou de bosques, especialmente se observadores avançados (OAs) estão sendo empregados em posições estratégicas para direcionar fogo, um arranjo onde a morteiro está relativamente próxima a seu OA e seu alvo, permitindo que o fogo seja rápido e precisamente entregue com efeito letal.

Em sua grande maioria podem ser helitransportados ou rebocados por viaturas leves (3/4 ton), ou ainda serem embarcados nestas mesmas viaturas e em veículos blindados. Também podem, nos modelos médios e leves, serem transportados a pé pela sua guarnição. Não se comparam à peças de artilharia de 155 mm, mas podem nos modelos mais modernos substituir os obuseiros de 105 mm, em determinados empregos. Sua principal desvantagem é o alcance mais curto, por atirarem de ângulos superiores, porém esta desvantagem é compensada pelo custo muito inferior, leveza e simplicidade.

Podem usar munições de vários tipos como as tradicionais HE para efeitos de fragmentação e sopro, iluminativas visíveis e IR; de fósforo vermelho ou branco para efeitos fumígenos, incendiários e sinaleiros.

Modelos mais recentes com submunições e munições inteligentes, guiadas a laser e GPS, para fogo de precisão e para atingir veículos blindados em movimento provendo apoio à tropas no combate antitanque, atingindo a blindagem superior, menos resistente. Existem granadas propulsadas por foguetes que podem potencializar o alcance nos modelos de maior calibre (120 mm).

O modelo Picatinny M395 (munição) de 120 mm foi fornecido para as tropas americanas no Afeganistão, guiado por GPS demonstrou ter um CEP de 10 m. Antes deste, os fogos eram lançados em voleios para o efeito desejado devido a precisão inerente, porém esta munição permite o mesmo efeito uma ou duas rodadas são suficientes. O Cep dos morteiros comuns deste calibre é de 138 m, e me modelos mais eficientes de 76 m. Em áreas onde existem civis ou mesmo próximo às tropas amigas esta munição de precisão é extremamente útil. Pode-se desta forma, aliviar o esforço logístico e a fadiga dos soldados, além de permitir-se a bater um número maior de alvos no mesmo espaço de tempo.

Os morteiros são classificados em três tipos principais:
  • Morteiros ligeiros: com peso de até 18 kg e calibres de 60 mm. alcance de até 1.900 m. São usados por tropas leves de deslocamento rápido e forças especiais.
  • Morteiros médios: com peso entre 18 kg e 70 kg, calibres acima de 60 mm até 100 mm, e alcance de até 6.000 m, amplamente empregado pela infantaria convencional.
  • Morteiros pesados: com pesos superiores a 70 kg de calibres acima de 100 mm, existindo modelos russos e israelense de até 160 mm e 240 mm. Empregados por baterias de artilharia, sendo alguns modelos montados em veículos blindados com amplo emprego na guerra mecanizada.
Características do modelo L16 A2 de 81 mm do British Army

  • Calibre: 81 mm
  • Peso: 35,3 kg (em combate)
  • Tubo: 1280 mm (15,8 calibres)
  • Velocidade de boca: 225 m/s
  • Alcance máximo: 5.650 m (granada HE)
  • Cadência de tiro: 15 tpm
  • Munição (HE): 4,2 kg





Tanques Anfíbios - para que servem



Para que eram necessários ? Qual é a utilidade de tanques anfíbios? Se estivermos defendendo nosso território, se estivermos em guerra eminentemente defensiva, tanques anfíbios não são realmente necessários. Podemos passar sem eles. Para deter o inimigo, é melhor ter tanques de blindagem espessa e armas poderosas - quanto mais pesadas e potentes, melhor. Se não pudermos deter o inimigo na guerra defensiva, seremos forçados a bater em retirada. E fugimos usando nossas pontes. Se o inimigo ameaçar tomá-las, podemos detoná-las e levá-lo conosco. Há pouco uso para tanques de blindagem leve e metralhadoras numa guerra defensiva. Sua capacidade de flutuar não tem utilidade alguma: na guerra defensiva não há lugar para navegar.

Porém, se estamos numa cruzada pelo domínio do mundo, quando é preciso tanger a população do planeta para campos de concentração, onde ela forme exércitos de operários - a chamada trudóvaia ármia, exército de mão de obra - , nossas necessidades são outras. Para invadir a linha inimiga, precisamos de tanques pesados, com maior blindagem e canhões mais potentes. Se acontece uma batalha, se duas unidades de tanques colidem,  precisamos dos mais poderosos tanques. Quando a linha de frente é rompida, e os tanques inimigos desbaratados, nossa tarefa muda para aproveitar o momento e avançar fundo na retaguarda inimiga, a fim de dividir suas defesas e ter acesso a suas linhas de comunicação e suprimentos, atingir a aorta e cortá-la, separando o inimigo das bases, e alcançar a capital, as regiões industriais, as fontes de petróleo e os portos. O tanque pesado não é bom para esse avanço. Devido ao peso ele quebra estradas e pontes, e ainda fia no caminho de quem o acompanha. Um tanque pesado consome muito combustível; tente abastecer milhares de tanques, caminhões de reboque e outro tanto de veículos que queiram avançar no território inimigo. Além de tudo isso, um tanque pesado é também lento e pouco ágil, retardando o deslocamento das colunas. E ainda por cima ele se desgasta rapidamente e perde o fôlego, tal como o peso-pesado numa maratona. Para um avanço rápido, tanques médios e leves são ideais. Possuem blindagem mais frágil, armas menos potentes, mas têm muito maor velocidade, facilidade de manobrar e atravessar o país. E gastam menos combustível.

Agora, nossa armada blindada está diante de um obstáculo de águas. Aqui, todos os tanques médios e pesados, bem como os leves que não foram ensinados a flutuar, perdem seu poder de agressão. Seu valor cai a zero. Precisam de uma ponte; mas o inimigo protege as pontes a as detona, quando se sente ameaçado. É preciso lutar pelas pontes. E é melhor lutar não deste lado, mas do outro lado do rio, onde ninguém nos espera. Nessa situação, o valor dos tanques anfíbios leves cresce tremendamente. Se dois, três, cinco, dez tanques atravessarem o rio à noite, e com um ataque fulminante tomaem a ponte pela retaguarda, isso pode decidir o destino da operação, ou até da própria guerra. Agora é possível levar para o território inimigo, através da ponte recém-tomada, os tanques médios e pesados, junto de artilharia, infantaria, pessoal, hospitais inteiros, toneladas de munição, combustível e peças de reserva. Agora é possível usar a ponte tomada para mandar prisioneiros, feridos de guerra e troféus para a retaguarda, além de mandar de volta para conserto a maquinaria danificada.

Se for impossível tomar a ponte, tanques anfíbios tornam-se realmente valiosos. E não havendo pontes inimigas, precisamos instalar nossas pontes temporárias, para a transporte de bens através do rio. Para isso, precisamos estabelecer uma cabeça de ponte no outro lado. A infantaria então é enviada. Sobre troncos, pranchas de madeira e jangadas infláveis, eles tentam chegar à outra margem. Enquanto isso, são alvo de metralhadoras, morteiros e rifles automáticos. Aqui, entre os que tentam nadar, imagine dez ou vinte tanques leves. Sua blindagem não sofre com balas nem bombas de fragmentos, ao passo que suas metralhadoras podem cuspir fogo, quando nenhum dos que estão nadando pode dar um único tiro.

Agora atingimos a outra margem. O mais importante a fazer é abrigar-se de algum modo, é cavar trincheiras no chão nos próximos vinte minutos ou mais, para que o contra-ataque não caia sobre nós. Assim, morteiros e metralhadoras não serão tão destrutivos, e os atiradores e soldados inimigos não serão tão letais. Nossa infantaria molhada, ferida e exausta não porta armas pesadas nem munição. Portanto nesses primeiros e terríveis minutos em território inimigo, a presença, a ajuda e o apoio de um único tanque leve, com uma única metralhadora, é mais valiosa e importante que dez truculentos tanques pesados, que seriam forçados a ficar do nosso lado do rio.

trecho do livro " O Grande Culpado - O plano de Stálin para iniciar a II Guerra Mundial" de Viktor Suvorov. Este livro revela coisas sobre Hitler e Stálin que eu, há mais de 20 anos lendo sobre a II GM,  não sabia. vale a pena - muito bom.

Defesa contra mísseis antinavio



Francesco Sartorello, artigo original da Revista Segurança & Defesa número 22, atualizado por www.Informar.com.br.

Introdução:

A defesa de um navio de combate contra a ameaça aérea através de sistemas sofisticados, com guiagem de precisão, ou com sistemas simples, não guiados, vem se tornando uma tarefa mais e mais complexa e difícil. Uma prova disso é o contínuo e crescente uso de sistemas especializados e  dedicados à função anti-aérea e anti-míssil nos navios, mesmo quando foram construídos para  funções diversas, como no caso das escoltas ASW (anti-submarino).

É claro que a maneira mais rápida e simples de eliminar a ameaça do míssil a partir de um navio é evitar que a plataforma de lançamento, tanto aérea como flutuante, chegue à distância de lançamento. Até a década de 70, isso era relativamente fácil de conseguir, pois a ameaça anti-navio de então consistia em mísseis de grandes dimensões, um tanto lentos, com trajetórias do tipo "planeio" e alcance de algumas dezenas de milhas. Atualmente, os acontecimentos do passado recente e, infelizmente, do dia-a-dia, demonstraram que é muito grande a ameaça de mísseis contra navios de combate modernos, que não tenham sido originalmente concebidos com capacidade de defesa ativa contra mísseis.

Partindo do princípio de que reforçar a blindagem dos navios não parece ser conveniente, em função das dimensões das cabeças de combate(ogivas) e considerando o elevado peso que seria necessário para se obter proteção, mesmo usando materiais compostos, este estudo se limitará a um exame sintético dos sistemas de defesa ativa.

O moderno navio de combate é caracterizado por dimensões e elementos físicos que o tomam um excelente refletor de radiações de radar em todas as bandas, imerso em um meio não-refletor — a superfície do mar.

Uma larga variedade de emissões no espectro eletromagnético a partir do centro do navio é inevitável, a menos que o navio se prive do uso de seus próprios sistemas de busca, o que o torna um alvo detectável a alcances de dezenas e centenas de milhas. Além disso, assinaturas óticas e eletrônicas, impossíveis de serem eliminadas, contribuem para fazer o navio mais e mais detectável.

A ameaça do míssil:

Como uma conseqüência do que foi dito acima, a ameaça assumirá várias configurações: aos já tradicionais mísseis sea-skimmer com guiagem ativa de radar, com ou sem manobra terminal, deverão ser acrescentados os mísseis anti-radiação e drones, e mísseis com guiagem passiva de TV, IR ou IIR. Em outras palavras, a quase totalidade do armamento de precisão do presente e do futuro pode conseguir um alto nível de letalidade contra alvos de ponto com as características acima.




Pode-se, portanto, prever o uso coordenado de mais mísseis de tipos e trajetórias diferentes, dirigidos para pontos diversos, alguns dos quais ativos e outros passivos, acompanhados por engodos e contra-medidas ofensivas, tudo isso com a intenção de saturar o alvo.

Em presença desse cenário ofensivo, é difícil não comparar o navio, cuja velocidade máxima é enormemente menor do que a de um míssil lento e que só pode se movimentar em um plano, a uma bola brilhante flutuando em uma piscina contra a qual se pode atirar com um rifle calibre 22.

Defesa anti-míssil:

Essa condição desconfortável deve ser atenuada por um sistema de defesa anti-míssil, conceitualmente dividido em dois componentes, operando em conjunto e de maneira coordenada, devido a possíveis e fortes interações. Ter-se-ia então:
  • o componente devotado à soft kill (tomar o míssil ineficaz confundindo ou embaralhando seus sensores);
  • o componente devotado à hard kill (destruição física do míssil).
O primeiro tipo de defesa está fora do escopo do presente artigo, e enseja o estudo da necessidade de definir a compatibilidade eletromagnética entre chaff, emissões embaralhadoras e outros sistemas, e também a operatividade exigida dos sensores e outros equipamentos eletromagnéticos ou eletrônicos a bordo. Através da análise precisa da ameaça e das bandas dentro das quais é mais conveniente executar a "cegueira" ou a "sedução" do míssil pode-se limitar a um mínimo a redução no desempenho dos sistemas do navio.



No que concerne aos sistemas de hard kill, não é fácil tornar o assunto claro, devido ao número e variedade de sistemas anti-míssil em desenvolvimento ou em serviço e à grande quantidade de material e dados, geralmente originários da indústria, em comparação à escassez de elementos objetivos sobre o real desempenho desses sistemas.

A função anti-míssil assume, portanto, uma notável complexidade em comparação com a ameaça descrita anteriormente, e freqüentemente se comete o erro de restringi-la ao clássico míssil sea-skimmer com guiagem terminal por radar. Ë possível que alguns aspectos particulares do problema, se não receberem a devida ênfase, dêem origem a conclusões inaceitáveis.

Os sistemas de hard kill são divididos em três categorias homogêneas, a saber:
  • mísseis;
  • canhões de médio calibre (usando munição com espoleta de proximidade).
  • canhões de pequeno calibre (usando munição com espoleta de impacto).
Em analogia ao que já se sabe tradicionalmente da artilharia anti-aérea e anti-míssil terrestre, pode-se resumir as vantagens e as desvantagens das soluções "míssil" e "canhão".

Deixando de lado a óbvia diversidade entre o alcance máximo do míssil em relação ao canhão (à qual, entretanto, não se deve atribuir uma grande importância devido ao reduzido horizonte do radar de bordo), a diferença mais significante está nos índices benefício / custo.
  • MÍSSIL
    • Alta SSKP* contra alvos manobráveis e não-manobráveis;
    • Alto custo por disparo.
Razão benefício/custo = SSKP*/custo = Média contra qualquer tipo de alvo
  • CANHÃO
    • Alta SSKP* contra alvos não-manobráveis;
    • Baixa SSKP* contra alvos manobráveis;
Custo muito baixo por tiro. Razão benefício/custo=muito alta contra alvos não-manobráveis; baixa contra alvos manobráveis.
*SSKP (probabilidade de impacto no primeiro disparo).

O Canhão:

Neste ponto é evidente que os dois diferentes sistemas de defesa se complementam entre si e podem facilmente coexistir, utilizando em comum grande parte dos Sistemas de Direção de Tiro existentes a bordo, mesmo em plataformas de tonelagem reduzida.

Inevitavelmente surge a questão de se saber se é possível usar versões modernizadas de tradicionais canhões médios navais na função anti-míssil ou, tendo como certa a necessidade da presença destes, se é necessário usar uma arma anti-míssil especializada (CIWS), que porém seria inútil para outras funções.

Considerando como aceita a necessidade de um componente "míssil" para a cobertura das camadas externas do volume a ser defendido, e com capacidade de engajar alvos de alta capacidade de manobra, deve-se definir a configuração mais conveniente benefício/custo do componente "canhão".

As duas direções a serem seguidas devem ser examinadas em detalhe para que se consiga, de uma maneira geral, conclusões aceitáveis.

Uma maneira muito pragmática para a seleção de um sistema anti-míssil poderia ser a seguinte: assumindo que o navio deve ser armado com, pelo menos, um canhão de calibre médio com função anti-navio e de apoio de fogo, por que não selecionar um canhão capaz também de bom desempenho na função anti-míssil? Mais ainda, se esse desempenho for muito bom, por que não deixar de fora os sistemas CIWS especializados?



Canhões de pequeno calibre(CIWS)
PhalanxMerokaSeaguardGoalkeeper
Calibre em mm20202530
TipoGatlingMultiarmaMultiarmaGatling
Cadência de tiro real(tpm) 3.0003.6003.2004.200
Velocidade Inicial(m/s)1.1001.1001.4701.020
Dispersão Balística(m. radial)1.132.21.2
Alcance Eficaz(metros)1.0001.0001.2001.500

Os sistemas de armas acima relacionados estão em serviços em diversas Marinhas, e se encontram praticamente nivelados, através de suas performances gerais e pelo uso de munição com espoleta de impacto.





Considerando a reduzida seção transversal dos mísseis atuais (ver figura acima) a precisão do Sistema de Direção de Tiro e a dispersão balística do sistema terão uma importância determinante, maior do que a cadência de tiro relativamente alta.

Os sistemas de canos rotativos, do tipo Gatling, tem em geral algumas vantagens devido à dispersão intrinsecamente menor com respeito a qualquer outra solução com armas múltiplas.
Todos esses sistemas têm em comum a necessidade de conseguir a detonação da cabeça de combate (ogiva)devido ao reduzido alcance das armas de pequeno calibre. A doutrina da NATO para Defesa Contra Mísseis Anti-navio considera suficiente a Control Kill, definida como incapacitação do sistema de controle do míssil, se obtida a distâncias superiores a mil metros, mas em alcances menores estipula a destruição do míssil.


A probabilidade de conseguir a detonação da cabeça de combate (ogiva) com o impacto de munição de pequeno calibre é ainda uma área pouco estudada por conta de dados insuficientes para um cálculo razoavelmente preciso.

Assumindo que seja tecnicamente possível acertar repetidamente um alvo muito pequeno usando sistemas de impacto, ainda assim, se compararmos o projétil com o escudo de proteção da cabeça de combate (ogiva) de um míssil anti-navio (que é do tipo perfurante, conseqüentemente blindada), o resultado será desfavorável ao primeiro. O tipo de material, a espessura e a forma do nariz da cabeça de combate (ogiva), além de aumentarem a penetração no alvo, evitam em grande parte que tiros do CIWS atinjam a cabeça de guerra propriamente dita, fazendo-a detonar. Mesmo deixando de lado os recentes progressos no campo da anti-detonação, calcula-se que, para penetrar 50 mm de aço inclinado a 65 graus, é necessário uma energia de aproximadamente 5.000 kgm/cm2. Esse valor sobe para 8.000 a 10.000 kgm/cmse desejar detonar a cabeça de combate (ogiva). Estes são valores muito altos, que somente podem ser atingidos usando um calibre de 30mm, e cuja aplicação tão transitória origina grandes incertezas, do tipo químico/físico.

Além disso, não está claro qual é o efeito cumulativo de mais acertos no mesmo local da cabeça, ou em locais diferentes, e nesse meio-tempo foi demonstrada a conveniência de proteções adicionais de cerâmica/Kevlar na parte frontal da cabeça de combate(ogiva). Em outras palavras, além de ser difícil de atingir, a cabeça dos mísseis fica mais protegida ainda, e isso vem ocorrendo mais rapidamente do que o aumento de energia nos projéteis de CIWS.  Principalmente após o banimento da munição de urânio exaurido.  Assim, baseado nessas e em outras considerações, não parece possível que a segunda barreira anti-míssil (última linha de defesa) possa ser entregue a sistemas CIWS de pequeno calibre e impacto, cuja eficácia não foi testada em condições de combate.

As pequenas distâncias de interceptação devido ao pequeno calibre evitam engajamentos de diferentes mísseis pelo mesmo CIWS, com a conseqüente e fácil saturação dos sistemas de defesa. Como conseqüência da reduzida eficácia e dos custos, não se considera possível que qualquer CIWS existente ou em desenvolvimento possa ser uma solução aceitável em termos de razão benefício/custo.

Tal fato parece estar sendo comprovado pela a adoção do míssil RAM no mesmo reparo do canhão Phalanx para ser usado como CIWS, pelas Marinhas da Alemanha, EUA e Inglesa (substituindo oGoalkeeper), bem como o CIWS baseado no míssil Mistral da Marinha Francesa.



Canhões Médios usando munição com espoleta de proximidade
Trinity(Bofors)Bofors 5776 Super Rápido
Calibre em mm405776
Cadência de tiro real(tpm) 330220120
Dispersão Balística(m. radial)10,90,5
Velocidade Inicial(m/s)1.1001.025914
Alcance Eficaz(metros)3.0004.0005.000
Peso do Projétil(Kgs)1,12,36,2
Média do total de estilhaços(estilhaços de tungstênio-Balins)2.200(1.100)3.450(1.300)5.680(3.300)
Peso do estilhaços de tungstênio(grs)0,300,300,6
Número de Estilhaços capazes de penetrar em 8 mm de Dural a 03 metros de distância1.1901.8004.250

Os sistemas de armas relacionados acima fazem uso de munição pré-fragmentada com espoleta de proximidade, e seu alcance útil é maior do que os do CIWS. A combinação desses elementos torna possível interceptar o míssil anti-navio, fora do raio de 1.000m, onde a control kill é suficiente e conseguí-la usando a munição pré-fragmentada é relativamente fácil.
Dependendo do calibre e portanto do peso do projétil, o raio letal de cada um varia de maneira diferente, proporcionalmente ao número e energia dos estilhaços mostrados na tabela. As interceptações são obtidas em alcances relativamente altos (sendo 5.000 m o valor máximo) e portanto é possível, diferentemente do CIWS dedicado, que uma arma engaje mais alvos sucessivamente.

Um parâmetro interessante para avaliar comparativamente os sistemas relacionados é a carga útil disparada por unidade de tempo, calculada com a função do peso do projétil. Obtém-se então os seguintes valores:
  • 6,05 kg/s para o Trinity;
  • 8,28 kg/s para o 57;
  • 12 ,4 kg/s para o 76 SR.
A outra vantagem evidente do Super Rápido é dada pelo maior alcance, que permite ganhos operacionais de um ponto de vista global, e não somente através da avaliação numérica.

O uso coordenado de SAM (mísseis anti-aéreos) e de canhões de pequeno calibre na função anti-aeronave/anti-míssil normalmente confere ao canhão um papel secundário e de última linha de defesa, para a complementação de uma zona de não-intervenção, pois há uma pequena ou nula superposição do volume de intervenção dos dois sistemas.

Combinando o SAM com o 76 (ou outro calibre médio) ter-se-á um maior volume onde os dois sistemas são eficazes, com a conseqüente maior flexibilidade do sistema de combate, utilize esse ou não a função humana no Loop decisório. Será possível, portanto, selecionar os meios mais convenientes de intervenção com respeito às prioridades definidas na doutrina de tiro. Ter à disposição outras kills, utilizáveis em alcances médios, confere ao sistema de defesa uma maior capacidade de engajamento múltiplo.

Para esse propósito, a potencialidade de um único 76/62 Super Rápido pode ser evidenciada pelo seguinte cenário operacional:
A ameaça consiste de:
  •  primeiro par de mísseis anti-navio:
    • velocidade Mach 1
    • altitude 30m
    • RCS = 0,2m(área frontal)

  • segundo par: igual ao primeiro, separado dele 90 graus e espaçado de dez segundos.
O 76/62 engaja o primeiro míssil e troca de alvo ao atingir uma Probabilidade Cumulativa de Destruição superior a 0,9, pré-calculada como função da distância da primeira interceptação, que ocorre a 3.000 m, enquanto a última, do segundo míssil do primeiro par, ainda é feita além de 1.000m. Tal capacidade também existe por parte dos canhões da Bofors (40 mm e 57 mm), ou outro canhão naval médio com semelhante performance.

O engajamento do segundo par ocorre em condições similares ao anterior, e ao fim de uma ação que durou 16 segundos, 24 tiros foram disparados, com uma capacidade residual de 56 outros no sistema de carregamento da arma.

Em situações operacionais reais, caracterizadas pela saturação com mísseis e com qualquer tipo de engajamento e contra-medidas, será problemático para o comandante decidir se lança o primeiro par de SAM contra um dos muito alvos aparentemente hostis mas ainda não classificados como tais. A disponibilidade de um sistema adicional de engajamento em alcances médios, como o 76/62 SR, dá ao responsável pela defesa um maior grau de liberdade: alguém que esteja em dúvida sobre lançar um par de SAM contra um possível drone ou RPV não terá nenhuma hesitação em derrubá-los com uma rajada do 76 antes que os intrusos possam representar uma ameaça real.

O Míssil:

A utilização de mísseis para a função de CIWS nos levará a uma análise dos diversos sistemas de mísseis, para à seleção do mais apropriado. As características principais aqui identificadas (alta eficácia na faixa até 6km, principalmente anti-míssil sea-skimmer; alta manobrabilidade a curtas distâncias, viabilizando interceptações laterais; precisão; sistema diretor ágil e eficiente) não levam a um grande leque de opções. Acrescentada a preferência por lançadores verticais(ou vários lançadores múltiplos), reduz-se mais o conjunto dos selecionáveis. A especialização na defesa de ponto propriamente dita, com máxima eficácia na pequena área de local AAé (Guerra Antiaérea Local); a quantidade de testes já realizados com resultados convincentes; e o número de instalações já efetivamente realizadas, contribuem para estreitar as opções.



É oportuno, no contexto da seleção do sistema, considerar as técnicas de orientação e guiagem. Na aplicação desejada, sobressaem os de orientação ou guiagem infra-vermelho (IR), beam rider, semi-ativa e command-to-line-ofsight(CLOS). Quanto aos IR, como o RAM e o  Mistral, deveram possuir tecnologias suficientemente avançadas para interceptações laterais ou frontais (como a existente nas ogivas dos mísseis ar-ar Sidewinder 9L), não limitando assim seu emprego à perseguição. Já no caso dos beam riders, como o RBS-70, embora satisfatórios para interceptações radiais, sofrem do problema das enormes acelerações requeridas na fase final das interceptações laterais de alvos com geometria de engajamento não radial. Tais considerações reduzem o espectro a comparações entre os méritos da guiagem do tipo command-to-line-of-sight (Crotale, Sea-wolf, Barak) e IR em relação à guiagern semi-ativa (Standard, Sea Sparrow, Sea Dart, Aspide, etc.). As técnicas de guiagem CLOS/IR reúne as vantagens sintetizadas abaixo sobre a guiagem Semi-Ativa:

1-não tendo um seeker com antena orientável na ogiva, não sofre das limitações do ângulo de lançamento e ângulo de tracking (seeker look angle) peculiares aos sistemas semi-ativos, capazes de reduzir a probabilidade de lançamentos e de aquisições de alvo bem sucedidas;

2-dispensando um seeker no míssil, independe-se de sua confiabilidade e desempenho para adquirir o alvo;

3-inexistjndo o seeker, reduz-se consideravelmente a vulnerabilidade às contramedidas eletrônicas, inclusive porque a antena de recepção de comandos, nos CLOS/IR, fica à ré do míssil ou é desnecessária;

4-a técnica CLOS/IR dispensa variações de doppler para adquirir e manter a aquisição dos alvos;

5-a técnica CLOS/IR não é sujeita aos problemas de clutter (sombras e alvos falsos pela interferência da superfície terrestre) de imagem que afetam os semi-ativos, mormente em baixas altitudes (caso dos sea skimmers).

Parece preferível, pois, a adoção do command-to-line-of-sight ou IR, o que de resto é confirmado pelas opções feitas por diversos fabricantes no projeto de seus engenhos de concepção mais recente para a função anti-míssil. Quando em comparação a guiagem semi-ativa dos mísseis StandardAspide e Sea Sparrow.

Somam-se ao sistema de guiagem (CLOS ou IR) as seguintes características do sistema de mísseis para a função CIWS:

1-velocidade máxima de Mach 3(+);
2-ativação por proximidade ou impacto;
3-distâncias mínimas de utilização de 700m (para destruir mísseis sea-skimmer);
4-alta manobrabilidade, assegurada por elevado limite de aceleração lateral;
5-lançamento vertical ou múltiplos lançadores;
6- Comprovação em combate, ou muitos lançamentos bem sucedidos.
No leque de sistemas disponíveis no mercado ocidental existem 03 mísseis de guiagem CLOS (Sea-Wolf, Barak Crotale) com sistemas desenvolvidos para o ambiente naval, e 02 mísseis de guiagem IR (Mistral e RAM). Desses modelos o míssil Sea-Wolf parecer ser o que supri a maioria dos requisitos desejados.

Conclusão

Das análises feitas, podemos concluir que, a melhor defesa anti-míssil é a escalonada, utilizando uma combinação de canhões e mísseis devidamente compatibilizados em um único sistema bélico. Preferivelmente, flexível com capacidade de enfretamento a múltiplas ameaças. Portanto, devem ser evitados os sistemas dedicados para uma única função por apresentarem baixa relação custo benefício.

Com cruzamento de dados e características técnicas, o míssil Sea-Wolf se destaca entre os demais sistemas para a função anti-míssil, da mesma forma que os canhões de médio calibre(40mm até 76mm) com o uso de espoletas de proximidade. Sendo que o canhão de Super Rápido de 76 mm da Oto Melara o melhor deles.

Quando se analisa o sistema bélico AAé em conjunto, chegamos a conclusão que o canhão de 76 mm SR continua se apresentando a melhor opção, em face sua ampla gama de utilização, contra aviões e alvos de superfície.  Já a análise dos mísseis nos revela o seguinte: os sistemas com guiagem IR demonstram uma baixa flexibilidade operacional, os sistemas de guiagem CLOS (como o Sea-Wolf) apresentam uma maior flexibilidade operacional, no entanto, são os mísseis com o sistema de guiagem semi-ativa que demostram claramente uma maior gama de uso operacional. Esse fato leva o utilizador destes sistemas(AAé baseados em mísseis), a uma difícil escolha entre estes 03 tipos de guiagem. Devendo pesar detidamente o sistema bélico em seu conjunto para determinar qual ou quais sistemas de mísseis serão adotados.

Submarinos Nucleares


RMB, maio 1988

O público-alvo deste editorial é a sociedade civil (politicos, cientistas, professores, industriais, funcionários e a opinião pública em geral), os militares de outras Forças e a oficialidade naval jovem, que algum dia conduzirá uma Marinha coerente com o futuro do Brasil. Esse público-alvo, não necessariamente bem familiarizado com a estratégia naval, inspirou tanto as considerações iniciais sobre o papel do submarino como o uso de um vocabulário moderadamente especializado.

O que o justifica? Como chegar a ele?
O que quer a Marinha com ele a para o quê?


O submarino e o seu emprego

Para que submarino?

A estratégia naval emprega navios, submarinos a aeronaves fundamentalmente para:
- controlar área marítima, para usá-la em proveito próprio;
- impedir ou dificultar (no linguajar profissional, negar) o uso, pelo adversário, de área marítima, cujo controle ou não pode ser exercido (por falta de capacidade) ou não precisa sê-lo (por ausência de interesse); e
- projetar poder sobre terra, realizando bombardeio naval a aeronaval e o desembarque anfíbio.
A essas formas tradicionais de projeção foi acrescido o lançamento, por submarinos, de mísseis balisticos com ogivas nucleares; este artigo não o aborda porque ele não tem significado para o Brasil.

A literatura militar moderna costuma citar uma quarta tarefa naval: a presença em áreas de alto interesse, para dissuadir atitudes hostis e estimular as favoráveis. Essa tarefa (hoje tão presente no Golfo Pérsico) sempre foi praticada na História e não há razão para considerá-la separadamente porque a capacidade de executá-la é corolário natural da capacidade de executar as três tarefas clássicas.
Como se insere o submarino nesse quadro?

A principal característica do submarino é sua discrição ou capacidade de operar escondido. Essa característica é o fator que mais influencia a adequabilidade do submarino, como instrumento das tarefas citadas acima.

O controle de área marítima pressupõe superioridade e, para assegurá-la, a contribuição do submarino é coadjutória ou complementar à dos navios, aviões e helicópteros (voando de terra ou embarcados). Ela se manifesta através do emprego do submarino contra navios (quando há disputa pelo controle) e na proteção contra submarinos que tentem perturbar o controle(Nota 1); ambos esses empregos são ajudados pela discrição do submarino.

Sob certas circunstâncias, o papel do submarino no controle de área pode crescer, sem prescindir dos navios e das aeronaves, principalmente se o adversário dispuser de aviação (contra a qual o submarino é útil apenas para detecção e alarme). No conflito das Malvinas, em 1982, os submarinos ingleses alijaram do cenário os navios de superfície argentinos (após o afundamento do Cruzador Belgrano, episódio de disputa pelo controle); entretanto, a supremacia naval assim obtida não teria bastado: o que permitiu a retomada das ilhas foi a capacidade da força de superfície e aeronaval inglesa de operar na área, a despeito do esforço aéreo argentino.

Abstraindo-nos do lançamento de mísseis nucleares, para a projeção sobre terra, o submarino é útil como vetor de pequenas incursões (obviamente facilitadas por sua discrição) e como instrumento coadjutório ou complementar para o controle da área onde deve ocorrer a projeção. Novamente o conflito das Malvinas oferece exemplo adequado: o sucesso inglês, definido, em última análise, pelos navios, aeronaves e tropa terrestre, teria sido mais difícil sem a contribuição dos submarinos para o controle do teatro.

Consideremos agora a tarefa de impedir ou dificultar o uso de área marítima pelo adversário, em que a discrição do submarino o torna instrumento privilegiado, compartilhando essa posição com a aviação baseada em terra apenas quando a área está próxima de bases aéreas(Nota 2). Essa utilidade do submarino não agrada às maiores potências navais, que não desejam ser ameaçadas por arma eficaz mesmo quando a serviço de potências secundárias. Já no século passado, um primeiro-ministro inglês advertia que a Inglaterra não devia contribuir para o desenvolvimento do submarino, que poderia vir a pôr em risco a predominância inglesa nos mares - como pôs nas Primeira e Segunda Guerras Mundiais. No entender das grandes potências, aos países de menor expressão caberia apenas uma estratégia naval defensiva e costeira e, como os submarinos são úteis para finalidades mais amplas, podendo até comprometer o tranqüilo predomínio naval dos poderosos, é natural que esses sintam relutância por vê-los prestigiados nos programas navais dos menos poderosos.

Voltando ao exemplo do conflito das Malvinas: a Inglaterra teria enfrentado graves dificuldades se a Argentina dispusesse de uns poucos submarinos modernos que, com a aviação voando do continente, haveriam de criar severa ameaça para os navios-aeródromos e transportes de tropa no teatro próximo às ilhas. A preponderância inglesa talvez acabasse por prevalecer, pois a Argentina não poderia disputar o controle da área em virtude da ameaça dos submarinos ingleses, mas o patamar de risco e o custo do sucesso teriam sido mais altos.


Por que nuclear?

Cabe agora analisar, no quadro geral do uso do submarino, a adequabilidade da propulsão convencional e nuclear. A comparação abrange três características operacionais:

1ª) a discrição ou capacidade de operar escondido. O submarino convencional é muito discreto quando propulsado pela energia de suas baterias, mas essa discrição é comprometida quando ele navega na superfície ou próximo dela, de modo a aspirar da atmosfera e nela descarregar pela tubulação esnórque1(Nota 3), para recarregar as baterias e poupar sua energia para as situações táticas de interação com o adversário. Assim, embora o submarino convencional possa ser mais discreto por curtos períodos, o nuclear é mais discreto no cômputo geral, porque independe da atmosfera;

2ª) a distância que o submarino pode navegar e a velocidade com que pode fazê-lo. É flagrante a superioridade do submarino de propulsão nuclear, capaz de alcançar área distante com rapidez e nela executar patrulha extensa, graças à boa velocidade que pode manter por longos períodos(Nota 4). Essa vantagem também existe no cenário tático, pois o nuclear assume posição de ataque e se evade da reação com maior rapidez do que o convencional, que está sujeito às limitações das baterias. Foi a mobilidade dos submarinos nucleares que permitiu aos ingleses a rápida implementação e a eficiente manutenção da zona de exclusão no teatro das Malvinas, com poucos submarinos; e

3ª) a possibilidade de o submarino nuclear operar por longo tempo, já que o combustível é inesgotável, sob a perspectiva prática operacional. Sua autonomia (tempo fora da base) é limitada apenas pela resistência das tripulações e pela capacidade de transportar gêneros (ou pelo consumo das armas), mas a do convencional é condicionada pela capacidade e pelo consumo de combustível(Nota 5).

Deduz-se, pois, que embora o submarino convencional continue útil para negar o uso do mar, é evidente que o submarino nuclear é útil mais longe, em áreas maiores e por mais tempo(Nota 6). O submarino convencional supera o nuclear apenas na discrição, enquanto propulsado por suas baterias, mas isso só é possível por tempo relativamente curto, tão mais curto quanto maior tiver que ser a velocidade usada. É de se esperar que o aperfeiçoamento das máquinas do submarino nuclear irá reduzir até mesmo esta vantagem do convencional.

Aprofundemos a comparação, associando as considerações estratégicas do item 1 com a análise das características.

Caso 1: impedir que navios adversários se aproximem do litoral e águas costeiras (defesa da fronteira marítima). Trata-se de problema em área próxima e geralmente restrita; a melhor solução seria o controle da área por navios, aviões voando de terra e, complementarmente, por uns poucos submarinos convencionais. Entretanto, se for conveniente aprofundar a defesa até longe do litoral, começa a despontar a adequabilidade do submarino nuclear. Ele será tanto melhor do que o convencional para esse propósito, quanto mais distante (e mais extensa) for a área onde se deseja estabelecer a defesa distante, por submarinos.

Caso 2: dificultar a navegação adversária em águas distantes. Neste caso, é claro que caberiam melhor os nucleares, cuja excelente mobilidade lhe permitiria implementar patrulha distante e extensa, com um número de submarinos menor do que seria necessário para implementá-la com convencionais.

Note-se que em ambos os casos o submarino nuclear apresenta uma vantagem adicional à provida por sua mobilidade privilegiada: o fato de que sua movimentação para a área de patrulha e seus movimentos na área podem ser mantidos mais facilmente em sigilo, já que a propulsão nuclear lhe permite independer da atmosfera.

Complementemos essa análise com mais um exemplo relativo às Malvinas: como foi dito acima, com uns poucos bons submarinos convencionais, a Argentina poderia ter produzido graves dificuldades em torno das ilhas (área razoavelmente restrita e próxima). Entretanto, se a Argentina tivesse contado com dois ou três nucleares, o problema inglês seria maior porque a ameaça argentina se estenderia das proximidades da base de Ascensão às Malvinas (principalmente se a Argentina dispusesse de esclarecimento aéreo para orientar os submarinos). Esse exemplo elucida o valor do submarino nuclear como instrumento de defesa distante, num quadro de confronto com potências melhor preparadas.


Como se insere o Brasil nesse problema?

A dimensão estratégica

Este texto parte de uma premissa básica: o Brasil precisa dispor de um Poder Militar adequado ao cenário de segurança que lhe diz respeito.

Assim, convém que o Brasil seja capaz de dificultar a aproximação de forças navais/aeronavais hostis e de impedir o uso de suas áreas costeiras por eventual adversário (lembremo-nos do litígio franco-brasileiro em 1963, em torno da captura da lagosta em águas do Nordeste brasileiro). Isso implica capacidade de controlar as águas ao longo do litoral por navios (com seus heljcópteros), aviões voando de terra e, em papel coadjutório, submarinos, que poderão ser convencionais. É claro, porém, que os nucleares serão mais apropriados se a ação submarina tiver que ser realizada em área distante, ao longo do eixo-vetor da ameaça (algo similar à conjectura feita anteriormente, relativa ao conflito das Malvinas).

Em complemento à capacidade de defesa da fronteira marítima (defesa próxima e distante), precisamos ter condíções de exercer influência em áreas sul-atlânticas afastadas, de acordo com o interesse nacional. Isso implica controlar área selecionada e restrita, em cooperação internacional ou até mesmo autonomamente, mas, neste último caso, é preciso reconhecer que, sob condições adversas de ameaça real (sobretudo se aérea), no futuro hoje previsível, nossa estratégia terá que se alicerçar mais na discrição do submarino.

Se o problema se localizar em área relativamente pequena e moderadamente distante (por exemplo: proximidades de Ascensão ou até de Cabo Verde), o submarino convencional ainda atende a necessidade, embora o nuclear já comece a aparecer como mais apropriado. Entretanto, se a localização for muito distante (por exemplo: Golfo da Guiné ou o amplo contorno Sul da África - a 3.000 milhas de distância ou até mais), o submarino nuclear se imporia com facilidade sobre o convencional, pois seria possível realizar com ele uma patrulha mais eficiente com menos submarinos(Nota 7).

Deduz-se, assim, que convém ao Brasil tanto o submarino convencional como o nuclear. Enquanto a defesa da fronteira marítima (defesa próxima e afastada) merecer nossa atenção prioritária, o número de convencionais poderá ser maior do que o de nucleares. A prazo longo, o crescimento da projeção, das responsabilidades e dos interesses brasileiros no cenário internacional acabará por recomendar maior presença em águas distantes do Atlântico Sul e isso induzirá à conveniência de ser aumentada a participação relativa da propulsão nuclear. Note-se que a sempre importante defesa da fronteira marítima não será comprometida por essa evolução. Pelo contrário, o submarino nuclear faz bem, ou até melhor, o que o convencional faz e, como vimos, ele é adequado à defesa distante, o que lhe confere boas condições para tornar mais difícil o exercício de ameaça ao Brasil, pelo mar.

Este é o quadro estratégico que, no nosso entendimento, explica o empenho que nos levará algum dia, sem atropelos mas com firme e prudente perseverança, ao submarino de propulsão nuclear. A Marinha veria com satisfação essa sua convicção debatida e avalizada em foros nacionais adequados: o Congresso, instituições de estudos políticos e sociais (universitárias ou autônomas) e outras. Os que podem contribuir para tal análise devem fazê-lo, sem preconceitos nem idiossincrasias, para que às gerações futuras não venha assistir o direito de criticá-los por erro ou omissão, nas grandes questões da defesa nacional.

A dimensão técnica

Em países do nível tecnológico do Brasil, u'a meta tão complexa como o submarino de propulsão nuclear só pode vir a ser atingida com muito esforço próprio, pois nenhuma grande potência coopera com as menos desenvolvidas num projeto militar com potencial tanto para perturbar a tranqüila superioridade naval dos mais fortes, como para apoiar a prática de uma estratégia autônoma, a serviço de uma política independente(Nota 8).

O esforço nacional em prol do submarino nuclear brasileiro processa-se em três áreas da tecnologia militar-naval:
- o submarino em si;
- o sistema de armas, que se restringe às armas de ataque a navios (torpedos e, talvez, mísseis táticos), pois, como foi dito no início do artigo, o submarino lançador de míssil balístico diz respeito à arma nuclear, que não é cogitada; e
- a propulsão nuclear.
O domínio da tecnologia do submarino nuclear passa por etapa prévia imprescindível: o domínio da tecnologia do submarino convencional. O atual programa de submarinos convencionais, iniciado com a construção de um submarino moderno na República Federal Alemã, a ser seguida pela construção de outros no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, vai nos proporcionar o aprendizado para o grande salto, o submarino nuclear, talvez nos últimos anos deste século.

Quanto ao sistema de armas, também estamos tentando desenvolver alguns equipamentos cuja tecnologia dificilmente nos seria transferida. O sistema de armas do submarino nacional convencional será, provavelmente, parecido com o do nuclear.

Chegamos assim à terceira área básica, a propulsão nuclear. Seu desenvolvimento, para o qual não contamos com apoio externo, ou, melhor dizendo, contamos com resistências, pressões e embaraços externos(Nota 9), engloba:
- o domínio do combustível, do tratamento do minério ao urânio enriquecido e preparado para o reator;
- o domínio da tecnologia do reator;
- o domínio da tecnologia dos equipamentos de máquinas (gerador de vapor, trocadores de calor, turbinas, bombas, motores elétricos e outros, tudo devidamente integrado); e
- o domínio da tecnologia do controle de um sistema nuclear de potência naval.
A Marinha vem contribuindo intensamente para o programa nuclear autônomo desde 1979, na condição de sócio principal do Instituto de Pesquisas de Energia Nuclear da Universidade de São Paulo (IPEN), com total e entusiasmado apoio da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Esse empenho específico tem por objetivos o combustível e o reator; como vem sendo noticiado, ele caminha bem. Paralelamente, a Marinha vem promovendo o desenvolvimento das máquinas e do controle do sistema, em indústrias e instituições nacionais de pesquisa. Dentro de quatro a cinco anos, teremos chegado a uma instalação-protótipo, no Centro Experimental de Aramar, Iperó, São Paulo.

A propulsão e o submarino, meta de longo prazo da Marinha, vão demorar, mas chegaremos a eles com passos cuidadosos e coerentes com as possibilidades orçamentárias. Entretanto, os benefícios gerais, o início da independência tecnológica na área nuclear, já começaram: todo esse conjunto de pesquisas e desenvolvimento técnico-industrial está produzindo um imenso acervo de frutos tecnológicos de toda ordem para a sociedade brasileira, nos campos da energia, agricultura, saúde e outros. Olhando sem preconceito o que está sendo feito, concluiremos que a propulsão nuclear será, em última análise, um produto diluído em muitos outros aspectos positivos do programa nuclear autônomo e seus complementos técnico-industriais.


O Tratado de Tlatelolco, a zona de paz e a bomba 

Alguns adversários das atividades nucleares em que a Marinha está envolvida (muitos, honestamente bem-intencionados, embora nem sempre bem informados, mas outros preconceituosos ou até movidos por interesses pouco explícitos) apontam nessas atividades uma incoerência com o Tratado de Tlatelolco (não proliferação na América Latina) e com a Resolução da ONU sobre o Atlântico Sul - Zona de Paz, que preconiza a desnuclearização desse oceano.

Ora, a propulsão nuclear não é arma: é uma propulsão com algumas características que a valorizam perante a convencional (mobilidade, autonomia e independência da atmosfera), tanto assim que a Agência Internacional de Energia Atômica (Viena) entendeu que em 1982 a Inglaterra não feriu a desnuclearização sul-atlântica, pois eram convencionais as armas dos submarinos nucleares empregados. E quanto à zona de paz, a desnuclearização preconizada se refere aos submarinos lançadores de mísseis com ogivas nucleares, da URSS e dos EUA, cuja presença geraria um crescendo de atividades navais e aeronavais das superpotências, em detrimento da tranqüilidade sul-atlântica.

Outro tipo de objeções diz respeito à possibilidade de que o desenvolvimento nuclear em curso com a cooperação da Marinha visaria à arma atômica. Trata-se de suposição equivocada não por inviabilidade técnica, mas porque já existe uma decisão nacional, uma decisão política de não construí-la e esta decisão não seria alterada sem profunda análise pela sociedade em seu nível político, análise realizada com visão estadista e elevado respeito à vontade nacional. Os responsáveis pelas atividades que contam com a cooperação da Marinha respeitam a decisão em apreço com alto grau de patriotismo, civismo e acatamento às manifestações da alma nacional.

NOTAS:
Nota 1. Por ser o submarino um excelente instrumento anti-submarino, a doutrina das maiores potências inclui o uso de submarinos de ataque (armados com torpedos) contra os submarinos lançadores de mísseis balisticos com ogiva nuclear.
Nota 2. Esse seria o caso da defesa do litoral, tráfego e instalações costeiras, cuja importância exige, normalmente, mais do que a negação: exige o controle efetivo, que o submarino e o avião ajudam a estabelecer e manter.
Nota 3. Aportuguesamento da palavra snorkel, de origem holandesa. 
Nota 4. O submarino convencional moderno pode desenvolver boa velocidade em imersão, mas esse regime de marcha exaure rapidamente as baterias; se o faz com o esnórquel, é facilmente detectado. 
Nota 5. A discrição, a mobilidade e a autonomia foram consideradas apenas sob a perspectiva da propulsão nuclear e diesel-elétrica. Existem em desenvolvimento novos sistemas que prescindem do ar, mas este artigo não trata deles por serem insuficientes as informações. No que concerne à mobilidade e à autonomia, é improvável que tais sistemas possam superar a propulsão nuclear. 
Nota 6. Na Segunda Guerra Mundial, a Alemanha dificultou bastante o uso do Atlântico, com submarinos convencionais, mas isso foi conseguido graças ao emprego de elevado número de submarinos primitivos e baratos. A tecnologia moderna tornou proibitivas as grandes forças de submarinos, salvo para as duas superpotências. 
Nota 7. Ademais, vale insistir na lembrança de que o trajeto para a área e a permanência nela do submarino nuclear poderiam ser efetivados sob maior discrição. 
Nota 8. Como exceção à regra vale consignar que os indianos receberam o primeiro de três submarinos nucleares soviéticos. A notícia demonstra ser do interesse soviético que a Índia exerça papel saliente no Índico, em detrimento da dominação ocidental. Uma linha de ação como essa, inviável para o Brasil porque os EUA não a adotariam, não nos interessa, pois, quanto mais complexa a tecnologia, maior é a satelização logística e estratégica. 
Nota 9. A inexorável resistência externa foi a principal razão do sigilo que protegeu o programa nuclear autónomo até 1987, pois, se ele fosse conhecido, as dificuldades teriam sido maiores. O estágio atual do desenvolvimento já torna prescindível a proteção por sigilo (salvo o industrial).