"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Armas de Fogo - O Disparo


 


A base do funcionamento de uma arma de fogo está na violenta expansão dos gases que são gerados quando da combustão da pólvora, universalmente usada como carga de projeção destes engenhos. O disparo de uma arma de fogo, embora pareça um fato único por ocorrer numa fração de segundo, é composto por uma seqüência de fases perfeitamente identificáveis.


1. Percussão

Com o cartucho alojado na câmara e esta totalmente trancada por ação do ferrolho, o atirador pressiona o gatilho que libera o mecanismo de percussão, golpeando violentamente o percussor contra a espoleta, a qual dá início a detonação.

2. Deflagração da espoleta

Com o golpe do percussor sobre a espoleta, o seu material detonante é comprimido de forma muito violenta entre duas partes metálicas, o que provoca a sua detonação, produzindo uma labareda que é transmitida por um ou mais orifícios à pólvora que inicia sua combustão.

3. Deflagração da carga de projeção

Iniciada pela espoleta a pólvora ou carga de projeção começa sua queima. Ao contrário do que muitos acreditam a pólvora não explode, e sim queima com maior ou menor rapidez. Quanto mais potente for o cartucho, menor é a velocidade de combustão da pólvora. Esta combustão se inicia em vários pontos diferentes iniciando uma reação em cadeia uniformemente acelerada, a qual começa a gerar gases que criam uma enorme pressão no interior do cartucho. Esta pressão põem o projétil em movimento e o acelera para sua jornada. A pólvora não se queima instantaneamente, e sim durante todo o percurso do projétil até que saia do cano.

4. Movimento inicial do projétil

A crescente pressão no interior do cartucho produz uma dilatação em sua parte mais fraca, que é o seu pescoço, no ponto de união com o projétil. As paredes do cartucho se dilatam até encontrarem as paredes da câmara, se ajustando contra elas. Livre do cartucho e pressionado pelos gases, o projétil põem-se em movimento abandonando a câmara.

5. Vôo livre

Ao penetrar no cano, o projétil inicia um vôo livre em sua parte anterior. Esta parte carece de raiamento, e uma pequena quantidade de gases passa a frente do projétil, o precedendo. A pressão dos gases também deformam o projétil, fazendo-o ocupar completamente a seção do cano de forma a evitar que mais gases passem a sua frente.

6. Encontro com as raias do cano

Vencida a fase de vôo livre, o projétil encontra as raias do cano que o freiam. Com a passagem obstruída pela dilatação deste, os gases elevam ainda mais a pressão fazendo com que se queime mais pólvora, que aumenta ainda mais a pressão. Esta obriga o projétil a ajustar-se às raias, que o iniciam em um movimento de rotação sobre si mesmo, ocupando totalmente o cano. O projétil começa a ganhar velocidade a medida que afasta-se da câmara. No instante de pressão máxima, o estojo metálico também é forçado para trás, de encontro a massa de fechamento da câmara. A medida que o projétil avança no cano deixando mais e mais espaço atrás de si a pressão paulatinamente começa a diminuir.

7. Aceleração do projétil

Mesmo que a pressão tenha diminuído, os gases continuam a acelerar o projétil, e uma parte dos grãos de pólvora são impulsionados logo atrás do projétil, que ao longo do cano acabam finalmente por se queimar, contribuindo na propulsão.

8. O projétil deixa o cano



Ao atingir a boca do cano o projétil adquire sua velocidade máxima, ainda acelerando por ação dos gases. Os gases que passaram a frente criam um pequena depressão além da boca do cano, facilitando a penetração nas capas de ar. A estes gases denomina-se vento balístico. Neste momento o projétil e os gases ultrapassam a barreira do som, provocando o clássico estampido das armas de fogo, e a pólvora que ainda está em combustão provoca a sua característica labareda. Ao sair do cano a pressão na câmara cessa de repente, permitindo que o estojo recupere suas dimensões originais e seja extraído por mecanismo afim.

9. Vôo no ar

Fora do cano o projétil sofre a atuação de quatro forças:

  • Sua inércia lhe imprimindo velocidade, iniciada pela ação dos gases.
  • Também por inércia, desta vez por ação da raias do cano, um movimento de rotação sobre si mesmo, compensando eventuais diferenças em seu centro de gravidade que poderiam desviar sua trajetória, dando-lhe estabilidade.
  • A resistência do ar, que lhe imprime uma desaceleração constante.
  • A ação da gravidade, que lhe atrai para o solo.

O resultado combinado destas forças desenhará uma trajetória quase tensa em armas de pequeno calibre, e mais curva em calibres mais pesados, sempre de forma parabólica.

10. O projétil encontra o alvo

Ao atingir o alvo, o projétil poderá comportar-se de duas formas: penetração neste ou deformação do projétil devido a resistência oferecida por este, ou a combinação de ambos. Qualquer que seja o efeito, o projétil transmitirá ao alvo, no momento em que seu movimento cessar, a energia que carrega, expressa pela seguinte equação:


sendo:
  • m - massa do projétil.
  • v - velocidade do projétil.
  • I - momento de inércia, que depende da distribuição de massas do projétil.
  • w - velocidade angular do projétil.
O aproveitamento desta energia se fará pelo adequado desenho do projétil, de acordo com o efeito que se espera obter dele. Se a finalidade for a penetração, o projétil deverá ser feito de material de alta dureza e difícil deformação, enquanto que um efeito for deformação ou fragmentação deve-se usar um material com mais plasticidade.

11. O projétil se detém

Consumida sua energia, o projétil finalmente encerra sua jornada, ficando mais ou menos deformado, dependendo da resistência do alvo e de suas propriedades, encerrando o processo balístico.


Armas de Fogo - Funcionamento #



Todas as armas de fogo tem na essência de seu funcionamento as mesmas ações gerais no que diz respeito ao disparo, diferindo de acordo com o seu tipo em seus sistemas de carregamento e extração, e em sua cadência de tiro. 

Existem armas para variados empregos e situações, porém o seu funcionamento obedece a passos comuns, sendo sua operação ditada pelo complexidade de seu projeto.

Tipos de armas de fogo (armas leves)

Podemos classificar as armas modernas em 7 tipos principais, sendo que cada tipo possui níveis de complexidade diferenciados. Além dos apresentados aqui, existem armas mais antigas, já em desuso, que não serão abordadas nesta página. Sejam eles:

  • O revólver
  • A pistola semi-automática
  • A sub-metralhadora
  • O fuzil de repetição
  • O fuzil semi-automático
  • A metralhadora
  • A espingarda (escopeta)

Existem outros tipos mais simples como as espingardas de caça e as armas de calibres pesados que também funcionam de forma similar às aqui apresentadas. 

Podemos agregá-las em 4 grupos principais:

  • As armas de carregamento a tambor, como os revólveres;
  • As armas de carregamento por ação do atirador como os fuzis de repetição e escopetas simples;
  • As armas de carregamento automático e recuo direto do sistema de carregamento e extração, como as pistolas, escopetas semi-automáticas, metralhadoras e sub-metralhadoras.
  • As armas de carregamento automático e recuo indireto do sistema de carregamento e extração, como os fuzis semi-automáticos.



Como funcionam as armas de fogo

Descreveremos neste artigo a essência do seu funcionamento “externo”, sendo o disparo propriamente dito tema de artigo próprio. siga o link.

1. Carregamento

A ação do carregamento consiste em se apanhar um cartucho de seu dispositivo de armazenamento e introduzi-lo na câmara.
  • No revólver: estando o tambor municiado, o cão é forçado a retaguarda, quer por ação do gatilho, quer por ação do polegar do atirador diretamente sobre ele. O movimento do cão a retaguarda comprime uma mola que o impulsionará durante o disparo. Este movimento libera a trava do tambor e o força a girar de forma a alinhar uma de suas câmaras como o cano da arma, travando o tambor depois do alinhamento.
  • No fuzis de repetição: por ação de uma alavanca acionada pelo atirador, o ferrolho é forçado para trás. Obrigado pela mola do carregador um cartucho é elevado até um posição em que o ferrolho possa apanha-lo. Em seu movimento de retorno, o ferrolho empurra este cartucho para a frente de encontro a uma calha que o direciona até a câmara. Este retorno também ocorre por ação do atirador.
  • Nas armas de carregamento automático: no primeiro tiro ocorre como nos fuzis de repetição. Nos tiros sub-sequentes os gases do tiro anterior forçam a massa do ferrolho para trás ao invés do atirador o qual carrega a arma em seu retorno como já descrito. Nos fuzis o aproveitamento dos gases se dá de forma indireta, através de um êmbolo montado ao longo do cano que força a massa do ferrolho a retaguarda.

2. Trancamento

A ação do trancamento consiste em impedir a abertura da câmara durante do disparo da arma, de modo a impedir que os gases resultantes escapem, comprometendo a segurança do atirador e a potência necessária a impulsão do projétil. Existe uma infinidade de mecanismos para tal. Quanto mais potente for a arma mais eficaz deverá ser este mecanismo. Em armas de baixa potência, a massa do ferrolho combinada com a mola recuperadora poderá ser suficiente.

  • Nas armas de carregamento automático: tanto a massa recuperadora como o projétil iniciam seus movimento ao mesmo tempo, a uma velocidade inversamente proporcional a suas massas, de forma que o destrancamento ocorra quando o projétil já saiu do cano.
  • Nos revólveres: o trancamento ocorre no momento do carregamento e é estático até novo carregamento. 

3. Disparo

A pressão sobre o gatilho, libera o cão que golpeia violentamente o percussor, mantido afastado da espoleta por uma mola, comprimindo-a no momento do disparo. O cão ou martelo, foi armado quando do retrocesso da massa do ferrolho, ficando sob ação de mola própria que o força contra o percussor e sob a ação de um retém que o impede de ir a frente até que o gatilho o libere.

  • Nos revólveres: esta ação é manual feita pelo atirador, e geralmente tem o percussor incorporado ao seu corpo.

4. Destrancamento

Consiste na abertura da culatra para possibilitar a extração do cartucho.

  • Nas armas manuais: se dá por ação do atirador.
  • Nas automáticas: o trancamento é na realidade um retardamento da abertura e se dá por ação dos gases levando a massa do ferrolho à retaguarda e armando o cão.
  • Nos revólveres: só se dá no remuniciamento ou abertura do tambor. 

5. Extração

Existe uma “unha” denominada extrator, montada no ferrolho que engata na ranhura na base do cartucho quando do carregamento. No momento da extração, com o movimento a retaguarda do ferrolho, este puxa o estojo para fora da câmara, liberando-a para novo carregamento.

  • Nos revólveres: a extração se dá quando do remuniciamento por ação de mecanismo montado no próprio tambor.

6. Ejeção

Extraído da câmara, o cartucho encontra em seu curso o ejetor, uma saliência em local apropriado que o faz, quando de seu movimento a retaguarda, girar em direção a janela da ejeção e ser arremessado para fora da arma.


Armas de Fogo - Tipos #






Define-se como arma de fogo a todo artefato utilizado para o lançamento ou disparo de projéteis sólidos a alta velocidade, utilizando como meio de propulsão uma rápida e controlada expansão de gases proveniente da combustão de um propelente, geralmente a pólvora.

As  armas de fogo são classificadas:
  • De acordo com suas dimensões - portáteis, semiportáteis e não portáteis;
  • Quanto ao modo de carregamento - antecarga (carregadas pela boca) e de retrocarga (munição colocada no carregador, vulgarmente chamado "pente", no tambor ou na parte posterior do cano, denominada câmara).
  • Quanto a forma de carregamento - Por ação do atirador (repetição), automáticas e semi-automáticas.
  • Quanto ao modo de percussão - pederneira, espoleta existente no ouvido ou por espoleta encontrada no estojo.
  • Quanto ao calibre:
    • Nas armas raiadas o calibre é dado em milímetros e em centésimos ou milésimos de polegada (.38 polegadas ou 9 milímetros), dependendo do sistema medição de cada país.
    • Nas armas de cano liso como, por exemplo, nas armas de caça, o calibre é calculado em peso. Uma arma será calibre 36 se sua carga constar de 36 projéteis iguais pesando juntas uma libra. * Raias são saliências encontradas na face interna do cano que imprimem um movimento de rotação ao projétil, dando-lhe uma trajetória estável.
As armas de fogo modernas são carregadas pela culatra (retrocarga) e percutidas por espoleta alojadas no estojo (exceção eita a obuseiros de grande calibre que não possuem estojo). Os morteiros, em sua maioria, são alimentados por antecarga.

Descrevemos a seguir, de forma sucinta os principais tipos de armas de fogo (armas com tubo/cano) existentes e utilizadas na atualidade, e seu emprego mais comum. Incluímos também armas que não se enquadram nos conceitos acima, mas que vale a pena ser citadas por afinidade de emprego.


Revólver


O revolver é uma arma de fogo curta (de porte) de repetição, alimentada por um tambor rotativo, normalmente com 5 ou 6 cartuchos. Sua finalidade é a de proporcionar poder de fogo rápido de curto alcance (cerca de 25 metros) a quem o carrega, geralmente acondicionado em um coldre pendurado na vestimenta, deixando as mãos livres para outras tarefas. Utilizam calibre variados e são pouco utilizados militarmente.


Pistola Semi-automática


O pistola semi-automática é uma arma de fogo curta (de porte) de carregamento automático por ação direta dos gases de projeção, alimentada por um carregador tipo cofre metálico com mola, normalmente acondionando 15 cartuchos. Sua finalidade é a mesma do revólver. Utilizam calibres como o .45 Pol e o 9 mm parabellum, entre outros. São amplamente utilizadas militarmente por se mostrarem uma alternativa mais moderna ao revólver.


Fuzil de Repetição




O fuzil de repetição é uma arma de fogo de longo alcance, de carregamento por ação do atirador, alimentado por carregadores semelhantes aos das pistolas, que utilizam munições de potência elevada. Sua finalidade é o tiro de longo alcance (cerca de 300 metros). Utilizam calibres como o 7,62 mm x 51, entre outros. Foram amplamente utilizados militarmente na primeira metade do século XX e fins do século XIX. Atualmente deram lugar ao fuzil de assalto nos meios militares, e são utilizados em tarefas secundárias de emprego civil como caça de grandes animais e aplicações policiais de baixa intensidade.


Espingarda





A espingarda é uma arma longa, de alma lisa que dispara projéteis múltiplos (balins). É utilizada no meio civil para caça e no meio militar para combate em ambientes confinados devido e sua capacidade de dispersão dos projéteis, ou em ambientes abertos para o tiro de curto alcance sem pontaria apurada. Podem ser carregadas manualmente ou por dispositivos automáticos, dependendo do modelo. São adequadas ao combate em ambiente de selva devido a dificuldade de fazer pontaria em folhagem espessa. São também chamadas de escopetas (espingarda em italiano).




O fuzil de assalto é uma arma de fogo de alcance intermediário, de carregamento por ação indireta dos gases de projeção, alimentado por carregadores semelhantes aos dos fuzis de repetição e pistolas, porém devido a sua cadência de tiro ser maior, estes possuem maior capacidade. Utilizam munições semelhantes aos fuzis de repetição. Sua finalidade é proporcionar volume de fogo individual ao combatente de infantaria quando empregado no modo automático, e ao mesmo tempo permitir a estes o fogo seletivo em alcances intermediários (cerca de 100 metros) e modo semi-automático.

Alguns modelos são construídos com o modo de três tiros que demonstrou grande eficiência em combate pela sua relação consumo de munição/volume de fogo. São amplamente utilizados militarmente, sendo universalmente adotados pelos exércitos modernos. São denominados também como rifles, tal qual os fuzis de repetição.








Fuzil de Precisão (Sniper)



O fuzil de precisão é uma arma de fogo de longo alcance (cerca de 2000 metros), capazes de realizar o tiro altamente seletivo, de carregamento por ação indireta dos gases de projeção ou por ação do atirador, alimentado por carregadores semelhantes aos dos fuzis de repetição e pistolas. Geralmente são variações dos fuzis de assalto e de repetição, com adaptações especiais para o tiro de longo alcance como lunetas e outros acessórios, ou especialmente construídos. Utilizam as mesmas munições dos fuzis e metralhadoras médias. São amplamente utilizados militarmente por soldados especialmente treinados para este fim denominados "atiradores de elite" ou "Snipers". Existem modelos pesados com munição de 12,7 mm para fogo de alta potência.



Carabina


Esta denominação é comumente dada a fuzis em versões compactas, ou fuzis de uso civil.



Submetralhadora



A submetralhadora é uma arma de fogo que proporciona grande volume de fogo em pequenos alcances, devido ao seu tamanho reduzido é a arma ideal para ser portada por militares que desempenham tarefas que não o tiro, pois permite liberdade às mãos de quem a porta. É muito leve e altamente portátil, sendo ideal para motoristas por exemplo, pois a grande tamanho dos fuzis é inadequado para o interior das viaturas. 

Também é uma arma adequada ao combate em ambientes confinados como o interior de edificações e navios. É muito usada por tropas do tipo "comandos" e forças especiais devido a suas característica únicas. Geralmente possui carregamento por ação direta dos gases de projeção e funcionamento automático, são alimentadas por carregadores semelhantes aos das pistolas, porém devido a sua cadência de tiro ser maior, estes possuem maior capacidade. Utilizam geralmente a mesma munição das pistolas, porém algumas partilham a munição dos fuzis.



Metralhadora Média


A metralhadora média é uma arma de fogo que proporciona grande volume de fogo em alcances intermediários, sendo amplamente usada como arma coletiva de apoio de fogo a pequenas frações de tropa, tipicamente de infantaria, em complementação aos fuzis de assalto, onde estes se encarregam do fogo seletivo. É idealmente operada por dois indivíduos, pois necessita de muita munição. 

Geralmente possuem carregamento por ação indireta dos gases de projeção e funcionamento automático, são alimentadas por carregadores tipo fita metálica com capacidade ilimitada. Utilizam a mesma munição dos fuzis de assalto. São muito usadas para armar viaturas em geral como carros blindados e aeronaves leves.









Metralhadora Pesada


A metralhadora pesada é uma arma de fogo que proporciona grande volume de fogo em alcances intermediários, sendo amplamente usada como arma de apoio para fogo anticarro e antiaéreo, montada em veículos e aeronaves e para a defesa de posições. 

É idealmente operada por dois indivíduos, pois necessita de muita munição. Geralmente possui carregamento por ação direta dos gases de projeção e funcionamento automático, são alimentadas por carregadores tipo fita metálica com capacidade ilimitada. Utilizam munição de grosso calibre, como o calibre de 12,7 mm (1/2 polegada ou .50). Tal qual as metralhadoras médias são usadas para armar carros blindados e aeronaves leves.







Lança-Rojão


As armas tipo lança-rojão são armas sem recuo usadas para para o lançamento de granadas (não são armas de fogo verdadeiras). São usados para fogo anticarro e antifortificação em proveito de pequenas frações de tropa, e idealmente operadas por dois indivíduos, pois sua munição tende a ser volumosa e pesada. Possuem carregamento manual tiro a tiro. Existem modelos descartáveis e reutilizáveis.







Lança-chamas


O Lança-chamas é um arma que foi muito usada durante as guerras mundiais para desalojar o inimigo de seus abrigos (apesar de lançar fogo, também não são armas de fogo verdadeiras). Também em versões primitivas foi usado na antiguidade para incendiar navios e outros alvos. 

O operador porta às costas cilindros com líquidos inflamáveis, conectados por mangueira a uma lançadeira nas mãos do operador. Estes líquidos oleosos são acondicionados em um tanque, e um gás inflamável a alta pressão em outro, que ao ser liberado exerce grande pressão sobre os líquidos, forçando-os pela lançadeira que possui um sistema de ignição. A chama é lançada a frente do operador. 

Atualmente é pouco usado pelas forças armadas do mundo. Também foram montados em carros de combate durante a 2a guerra.




Morteiros



Morteiros são armas de emprego coletivo para proporcionar apoio de fogo a infantaria. Sua denominação vem do fato de efetuarem o tiro vertical (acima de 45 graus de inclinação). Possuem calibre de 60 a 160 mm, e podem ser carregados por um operador único (modelos de pequeno calibre) ou montados em viaturas, dependendo de seu tamanho. A maioria são carregados pela boca com disparo imediato, porém existem modelos de retrocarga.






Canhão de Tiro Rápido




Canhões automáticos são armas de grande cadência de fogo e destinam ao fogo anti-aéreo, sendo também usados para apoio de fogo a forças terrestres, como aqueles montados sobre veículos blindados de infantaria.  Funcionam de modo similar às metralhadoras e possuem variados calibres (20 mm, 35 mm, 40 mm, etc...). São utilizados por unidades antiaéreas e unidades de infantaria mecanizada, entre outras. Os modelos especificamente destinados às unidades antiaéreas normalmente possuem seus sistemas de endereçamento equipados com radares e computadores balísticos.





Canhão Anticarro


São armas utilizadas para proporcionar fogo anticarro a posições defensivas. Muito usados durante a 2a grande guerra, atualmente foram substituídos pelos mísseis anticarro portáteis. Possuíam calibres de 57 mm e 40 mm, por exemplo.


Canhão de Campanha e Obuseiro



São armas utilizadas para apoio de fogo terrestre, utilizados pelas unidades de artilharia. Possuem calibre variados (75 mm, 105 mm, 155 mm, 203 mm, etc...). São armas pesadas que proporcionam o grosso dos fogos num campo de batalha, e os responsáveis pela maioria das baixas em combate. São empregados para tiro de trajetória balística e posicionados  quilômetros de seus alvos, demandando observadores avançados para correção de tiro.

Necessitam de guarnições múltiplas (4 a 12 operadores), dependendo do calibre, e são tracionados por viaturas tipo qualquer terreno ou montados em veículos blindados ou não. Alguns modelos são denominados obuseiros devido a suas característica de tiro, que os diferencia dos ditos canhões de campanha, porém seu emprego é idêntico. 

São amplamente utilizados por todos os exércitos que o tem como o "todo poderoso" em uma frente de batalha. Necessitam de preparação complexa para sua operação, demandando unidades completas para entrarem em ação. Consomem grande quantidade de munição de grosso calibre e necessitam de suporte logístico pesado.






Canhão de Carro de Combate





São canhões especificamente destinados a armar carros de combate e construídos em vários calibres, sendo os mais usados no ocidente o de 90 mm para blindados leves, 105 e 120 mm para MBTs. Podem ser carregados manualmente ou por dispositivos automáticos, e sua principal função é o combate contra outros carros de combate.



Morteiros #


O morteiro é uma arma de uso coletivo, destinada a prover apoio de fogo imediato às tropas das armas-base, com o lançamento em trajetória balística de granadas na modalidade de tiro vertical (em ângulos iguais ou superiores a 45º). Em relação aos obuseiros convencionais que equipam a artilharia de campanha, este é de construção e funcionamento muito mais simples, possui custo inferior e demonstra a flexibilidade e leveza adequada a operação pelas tropas de vanguarda em posições muito próximas às fileiras inimigas.

Usados há centenas de anos, os morteiros foram primeiramente empregados nas guerras de cerco. Grandes e pesados, não podiam ser facilmente transportados, pois não passavam de pesadas peças de ferro fundido de forma primitiva. Foram usados pela primeira vez como armas de campanha no início do século XVIII pelo British Army, por apresentarem a capacidade inexistente nos canhões da época de atingirem o outro lado das elevações escocesas, próximo a estas, devido ás particularidades de sua trajetória. Durante a Guerra Civil Americana usaram-se troncos de madeira perfurados e reforçados com amarras para se lançar petardos desde as trincheiras, no período napoleônico caiu em desuso e foi durante a guerra russo-japonesa que se retomou o tiro indireto desde posições desenfiadas como forma contemporânea de apoio de fogo.

O morteiro moderno nasceu durante a grande guerra em 1915. O inimigo abrigado em trincheiras demandou a necessidade de uma arma que pudesse atirar de dentro delas, e ao mesmo tempo penetrar às inimigas, onde as granadas de artilharia encontravam dificuldades devido ao seu ângulo raso de impacto. O morteiro criado por Sir Wilfred Stokes era portátil e foi inicialmente rejeitado por não pode usar as granadas disponíveis, porém após desdobramentos passou a ser fabricado juntamente com sua munição. Era um tubo de alma lisa montado sobre placa-base e bipé. A granada inserida pela boca descia por gravidade até encontrar o pino percutor que pressionava a espoleta (estopilha) e disparava-a até o alvo, em trajetória oposta. Podia cadenciar até 25 tpm a 730 m um projétil não estabilizado. Os modelos modernos mantém inalterada essa configuração original, consagrando a adequação deste projeto inicial.




Os morteiros ocidentais modernos são produzidos nos calibre de 60 mm (leve), 81 mm (médio) e 120 mm (pesado). Os britânicos produziram um morteiro leve de 51 mm, dotado apenas de placa base e tubo, sem o moderno bipé, cuja pontaria servia-se de uma correia que também atuava como bandoleira (alça de transporte). Os israelenses e soviéticos/russos produziram os maiores modelos de 160 mm e 240 mm, este carregado pela culatra. Os modelos leves e médios podem ser transportados pela guarnição, divididos ou não em partes dependendo do peso. Os modelos maiores, de 120 mm ou mais são rebocados por viaturas e geralmente montados em reparos sobre rodas, ou no interior de veículos blindados, estes de construção mais sofisticada e cara, com carga pela culatra a fim de não expor a guarnição para fora da viatura. Os maiores morteiros já construídos foram o belga Henri-Joseph Paixhansen de 610 mm ( 24 pol) em 1832, O morteiro de Mallet de 910 mm (36 pol) em 1857, e o Little David de 914,4 mm americano da Segunda Guerra Mundial. Apenas o modelo belga foi usado em combate na Batalha de Antuérpia.





Este equipamento consiste de um tubo montado sobre uma placa base que distribui a força de recuo dos disparos diretamente sobre o solo, dispensando a existência dos mecanismos de recuperação presente nos obuseiros e canhões. Os projéteis descrevem trajetórias balísticas em ângulos de trajetória alta, disparando em ângulos entre 45 e 85 graus (tiro vertical), com a maioria dos modelos sendo carregados pela boca em tubos que não ultrapassam os 15 calibres.

Um projétil, desencartuchado e com a carga de projeção presa a sua base, é introduzido pela boca em processo de antecarga e desliza até o fundo do tubo adquirindo velocidade por ação gravitacional. Quando atinge a base do tubo encontra um pino percutor que golpeia a estopilha (na verdade é golpeado por esta) e deflagra a propulsão, lançando-o. Alguns modelos mais sofisticados podem operar o disparo por ação móvel do pino percutor e gatilho. O alcance pode variar pela alteração na inclinação do tubo ou variação na carga de projeção. Um reparo em forma de bipé, e em modelos maiores o próprio trem de rodagem, estabiliza o tubo no ângulo desejado e serve também como suporte ao aparelho de pontaria.

Os morteiros podem ficar instáveis quando usados na neve ou no solo macio, porque o recuo os pressiona contra o chão que não tem resistência para absorvê-lo. O saco Raschen é um artifício de lastro que é colocado sob a placa-base para melhorar a estabilidade e conseqüentemente sua precisão quando usado nestas condições de solo não resistente. 

Sua cadência de tiro é superior a dos obuseiros, pois não tem culatras a serem abertas e fechadas, a munição não tem estojos a serem descartados, sendo suas guarnições sensivelmente menores, com apenas três integrantes no modelos médios. A munição, devido a ausência de estojos, é também mais leve, sendo que uma granada de 120 mm pesa o mesmo que a de um obuseiro de 105 mm (cerca de 14 kg). A estatística diz que 60% da munição dos obuseiros atinge o alvo, sendo os 40% restantes dedicados a carga de projeção e estojo metálico. Nos morteiros cerca de 90% da munição atinge o alvo, o que garante uma eficiência logística muito superior. Este percentual refere-se ao peso da munição e não a quantidade de disparos.




O tubo de um morteiro pode ser liso ou raiado. No tubo liso a munição é estabilizada por aletas e no raiado por rotação. As aletas criam arrasto que “puxam” o projétil na direção contrária a trajetória, imprimindo-lhe uma certa tensão estabilizante, enquanto que nos modelos rotacionados, qualquer assimetria no centro de gravidade do projétil é compensada, tal qual nos obuses. Os modelos raiados contrariam o princípio da simplicidade do morteiro. Uma granada estabilizada por aletas tende a ter um alcance maior com a mesma carga de projeção que as rotacionadas, por não ter que vencer o atrito das raias, mas também tende a ser menos precisa. Para que a granada deslize até a base do tubo é necessário que haja uma folga entre ela e as paredes deste, o que faz com que parte dos gases de projeção escapem por esta brecha, diminuindo o alcance da arma. Para se contornar este problema existem modelos (os de 81 mm ocidentais) que usam um anel de plástico especial acomodado em uma ranhura na parte média da granada que é forçado para fora e para cima pelas laterais desta, que forçado pelos gases de projeção, provoca a vedação das laterais e aumenta consideravelmente a precisão e eficiência da arma. Em um modelo raiado francês, na base da granada existe uma placa de cobre abaulada com diâmetro inferior ao calibre do tubo e imediatamente abaixo uma placa de aço plana. Quando a carga de projeção detona aplaca de aço pressiona a placa de cobre fazendo-a expandir-se e preenchendo as raias, provocando vedação dos gases e imprimindo a granada o movimento de rotação estabilizador de voo, resultado em maior alcance e notável precisão.

A direção de tiro se dá de forma similar ao tiro da artilharia de campanha, porém mais simples. A técnica de tiro do morteiro rotacionado deve compensar a tendência da granada de desviar-se para o lado da rotação.

Sendo armas de curto alcance, são dotação orgânica das unidades de artilharia e cavalaria nos calibres leves e médios, e das unidades de artilharia leve (paraquedistas, montanha, selva e aeromóveis) nos calibres pesados (120mm ou mais). É a artilharia pessoal de que dispõem o comandante-fuzileiro, permitindo-lhes que aloque fogos de apoio com rapidez aos seus comandados, sem depender das unidades especializadas. Morteiros leves e médios são portáteis e servem de apoio de fogo aos pelotões de infantaria. Sua vantagem sobre as armas da artilharia reside em sua flexibilidade, sua mobilidade superior e a capacidade de engajar alvos rapidamente em cobertura ao combate aproximado por estar diretamente junto a este. Podem disparar de dentro de trincheiras e ser rapidamente mudados de posição em acompanhamento ao avanço, não necessitando da complexa cauda logística que a artilharia requer.

Quanto maior o ângulo de disparo, menor será o alcance, porém mais alta será a trajetória e a capacidade de superar obstáculos verticais atingindo alvos próximos a obstáculos, do outro lado de elevações íngremes e edificações, tarefa impossível à artilharia, salvo se operando no modo de tiro vertical e curto alcance. Isso também possibilita lançar ataques de posições inferiores ao alvo (Por exemplo, a artilharia de longo alcance não poderia atingir um alvo a 1 km de distância e 30 metros acima, um alvo facilmente acessível a um morteiro). Devido a natureza da trajetória vertical, os projéteis lançados por morteiros atingem o solo em ângulos mais próximos a perpendicular, sendo menos direcionais que àqueles lançados pela baterias de artilharia. Estes deixam o tubo em velocidades mais altas, atingem maiores alcances e arcos mais amplos, são carregados pela culatra e podem fazer uso do fogo direto, se necessário.





São armas de curto alcance e, muitas vezes, mais eficazes que a artilharia para muitos propósitos mormente dentro de seu alcance mais curto. São adequados ao uso de posições ocultas, como as escarpas naturais em encostas ou de bosques, especialmente se observadores avançados (OAs) estão sendo empregados em posições estratégicas para direcionar fogo, um arranjo onde a morteiro está relativamente próxima a seu OA e seu alvo, permitindo que o fogo seja rápido e precisamente entregue com efeito letal.

Em sua grande maioria podem ser helitransportados ou rebocados por viaturas leves (3/4 ton), ou ainda serem embarcados nestas mesmas viaturas e em veículos blindados. Também podem, nos modelos médios e leves, serem transportados a pé pela sua guarnição. Não se comparam à peças de artilharia de 155 mm, mas podem nos modelos mais modernos substituir os obuseiros de 105 mm, em determinados empregos. Sua principal desvantagem é o alcance mais curto, por atirarem de ângulos superiores, porém esta desvantagem é compensada pelo custo muito inferior, leveza e simplicidade.

Podem usar munições de vários tipos como as tradicionais HE para efeitos de fragmentação e sopro, iluminativas visíveis e IR; de fósforo vermelho ou branco para efeitos fumígenos, incendiários e sinaleiros.

Modelos mais recentes com submunições e munições inteligentes, guiadas a laser e GPS, para fogo de precisão e para atingir veículos blindados em movimento provendo apoio à tropas no combate antitanque, atingindo a blindagem superior, menos resistente. Existem granadas propulsadas por foguetes que podem potencializar o alcance nos modelos de maior calibre (120 mm).

O modelo Picatinny M395 (munição) de 120 mm foi fornecido para as tropas americanas no Afeganistão, guiado por GPS demonstrou ter um CEP de 10 m. Antes deste, os fogos eram lançados em voleios para o efeito desejado devido a precisão inerente, porém esta munição permite o mesmo efeito uma ou duas rodadas são suficientes. O Cep dos morteiros comuns deste calibre é de 138 m, e me modelos mais eficientes de 76 m. Em áreas onde existem civis ou mesmo próximo às tropas amigas esta munição de precisão é extremamente útil. Pode-se desta forma, aliviar o esforço logístico e a fadiga dos soldados, além de permitir-se a bater um número maior de alvos no mesmo espaço de tempo.

Os morteiros são classificados em três tipos principais:
  • Morteiros ligeiros: com peso de até 18 kg e calibres de 60 mm. alcance de até 1.900 m. São usados por tropas leves de deslocamento rápido e forças especiais.
  • Morteiros médios: com peso entre 18 kg e 70 kg, calibres acima de 60 mm até 100 mm, e alcance de até 6.000 m, amplamente empregado pela infantaria convencional.
  • Morteiros pesados: com pesos superiores a 70 kg de calibres acima de 100 mm, existindo modelos russos e israelense de até 160 mm e 240 mm. Empregados por baterias de artilharia, sendo alguns modelos montados em veículos blindados com amplo emprego na guerra mecanizada.
Características do modelo L16 A2 de 81 mm do British Army

  • Calibre: 81 mm
  • Peso: 35,3 kg (em combate)
  • Tubo: 1280 mm (15,8 calibres)
  • Velocidade de boca: 225 m/s
  • Alcance máximo: 5.650 m (granada HE)
  • Cadência de tiro: 15 tpm
  • Munição (HE): 4,2 kg





Defesa contra mísseis antinavio



Francesco Sartorello, artigo original da Revista Segurança & Defesa número 22, atualizado por www.Informar.com.br.

Introdução:

A defesa de um navio de combate contra a ameaça aérea através de sistemas sofisticados, com guiagem de precisão, ou com sistemas simples, não guiados, vem se tornando uma tarefa mais e mais complexa e difícil. Uma prova disso é o contínuo e crescente uso de sistemas especializados e  dedicados à função anti-aérea e anti-míssil nos navios, mesmo quando foram construídos para  funções diversas, como no caso das escoltas ASW (anti-submarino).

É claro que a maneira mais rápida e simples de eliminar a ameaça do míssil a partir de um navio é evitar que a plataforma de lançamento, tanto aérea como flutuante, chegue à distância de lançamento. Até a década de 70, isso era relativamente fácil de conseguir, pois a ameaça anti-navio de então consistia em mísseis de grandes dimensões, um tanto lentos, com trajetórias do tipo "planeio" e alcance de algumas dezenas de milhas. Atualmente, os acontecimentos do passado recente e, infelizmente, do dia-a-dia, demonstraram que é muito grande a ameaça de mísseis contra navios de combate modernos, que não tenham sido originalmente concebidos com capacidade de defesa ativa contra mísseis.

Partindo do princípio de que reforçar a blindagem dos navios não parece ser conveniente, em função das dimensões das cabeças de combate(ogivas) e considerando o elevado peso que seria necessário para se obter proteção, mesmo usando materiais compostos, este estudo se limitará a um exame sintético dos sistemas de defesa ativa.

O moderno navio de combate é caracterizado por dimensões e elementos físicos que o tomam um excelente refletor de radiações de radar em todas as bandas, imerso em um meio não-refletor — a superfície do mar.

Uma larga variedade de emissões no espectro eletromagnético a partir do centro do navio é inevitável, a menos que o navio se prive do uso de seus próprios sistemas de busca, o que o torna um alvo detectável a alcances de dezenas e centenas de milhas. Além disso, assinaturas óticas e eletrônicas, impossíveis de serem eliminadas, contribuem para fazer o navio mais e mais detectável.

A ameaça do míssil:

Como uma conseqüência do que foi dito acima, a ameaça assumirá várias configurações: aos já tradicionais mísseis sea-skimmer com guiagem ativa de radar, com ou sem manobra terminal, deverão ser acrescentados os mísseis anti-radiação e drones, e mísseis com guiagem passiva de TV, IR ou IIR. Em outras palavras, a quase totalidade do armamento de precisão do presente e do futuro pode conseguir um alto nível de letalidade contra alvos de ponto com as características acima.




Pode-se, portanto, prever o uso coordenado de mais mísseis de tipos e trajetórias diferentes, dirigidos para pontos diversos, alguns dos quais ativos e outros passivos, acompanhados por engodos e contra-medidas ofensivas, tudo isso com a intenção de saturar o alvo.

Em presença desse cenário ofensivo, é difícil não comparar o navio, cuja velocidade máxima é enormemente menor do que a de um míssil lento e que só pode se movimentar em um plano, a uma bola brilhante flutuando em uma piscina contra a qual se pode atirar com um rifle calibre 22.

Defesa anti-míssil:

Essa condição desconfortável deve ser atenuada por um sistema de defesa anti-míssil, conceitualmente dividido em dois componentes, operando em conjunto e de maneira coordenada, devido a possíveis e fortes interações. Ter-se-ia então:
  • o componente devotado à soft kill (tomar o míssil ineficaz confundindo ou embaralhando seus sensores);
  • o componente devotado à hard kill (destruição física do míssil).
O primeiro tipo de defesa está fora do escopo do presente artigo, e enseja o estudo da necessidade de definir a compatibilidade eletromagnética entre chaff, emissões embaralhadoras e outros sistemas, e também a operatividade exigida dos sensores e outros equipamentos eletromagnéticos ou eletrônicos a bordo. Através da análise precisa da ameaça e das bandas dentro das quais é mais conveniente executar a "cegueira" ou a "sedução" do míssil pode-se limitar a um mínimo a redução no desempenho dos sistemas do navio.



No que concerne aos sistemas de hard kill, não é fácil tornar o assunto claro, devido ao número e variedade de sistemas anti-míssil em desenvolvimento ou em serviço e à grande quantidade de material e dados, geralmente originários da indústria, em comparação à escassez de elementos objetivos sobre o real desempenho desses sistemas.

A função anti-míssil assume, portanto, uma notável complexidade em comparação com a ameaça descrita anteriormente, e freqüentemente se comete o erro de restringi-la ao clássico míssil sea-skimmer com guiagem terminal por radar. Ë possível que alguns aspectos particulares do problema, se não receberem a devida ênfase, dêem origem a conclusões inaceitáveis.

Os sistemas de hard kill são divididos em três categorias homogêneas, a saber:
  • mísseis;
  • canhões de médio calibre (usando munição com espoleta de proximidade).
  • canhões de pequeno calibre (usando munição com espoleta de impacto).
Em analogia ao que já se sabe tradicionalmente da artilharia anti-aérea e anti-míssil terrestre, pode-se resumir as vantagens e as desvantagens das soluções "míssil" e "canhão".

Deixando de lado a óbvia diversidade entre o alcance máximo do míssil em relação ao canhão (à qual, entretanto, não se deve atribuir uma grande importância devido ao reduzido horizonte do radar de bordo), a diferença mais significante está nos índices benefício / custo.
  • MÍSSIL
    • Alta SSKP* contra alvos manobráveis e não-manobráveis;
    • Alto custo por disparo.
Razão benefício/custo = SSKP*/custo = Média contra qualquer tipo de alvo
  • CANHÃO
    • Alta SSKP* contra alvos não-manobráveis;
    • Baixa SSKP* contra alvos manobráveis;
Custo muito baixo por tiro. Razão benefício/custo=muito alta contra alvos não-manobráveis; baixa contra alvos manobráveis.
*SSKP (probabilidade de impacto no primeiro disparo).

O Canhão:

Neste ponto é evidente que os dois diferentes sistemas de defesa se complementam entre si e podem facilmente coexistir, utilizando em comum grande parte dos Sistemas de Direção de Tiro existentes a bordo, mesmo em plataformas de tonelagem reduzida.

Inevitavelmente surge a questão de se saber se é possível usar versões modernizadas de tradicionais canhões médios navais na função anti-míssil ou, tendo como certa a necessidade da presença destes, se é necessário usar uma arma anti-míssil especializada (CIWS), que porém seria inútil para outras funções.

Considerando como aceita a necessidade de um componente "míssil" para a cobertura das camadas externas do volume a ser defendido, e com capacidade de engajar alvos de alta capacidade de manobra, deve-se definir a configuração mais conveniente benefício/custo do componente "canhão".

As duas direções a serem seguidas devem ser examinadas em detalhe para que se consiga, de uma maneira geral, conclusões aceitáveis.

Uma maneira muito pragmática para a seleção de um sistema anti-míssil poderia ser a seguinte: assumindo que o navio deve ser armado com, pelo menos, um canhão de calibre médio com função anti-navio e de apoio de fogo, por que não selecionar um canhão capaz também de bom desempenho na função anti-míssil? Mais ainda, se esse desempenho for muito bom, por que não deixar de fora os sistemas CIWS especializados?



Canhões de pequeno calibre(CIWS)
PhalanxMerokaSeaguardGoalkeeper
Calibre em mm20202530
TipoGatlingMultiarmaMultiarmaGatling
Cadência de tiro real(tpm) 3.0003.6003.2004.200
Velocidade Inicial(m/s)1.1001.1001.4701.020
Dispersão Balística(m. radial)1.132.21.2
Alcance Eficaz(metros)1.0001.0001.2001.500

Os sistemas de armas acima relacionados estão em serviços em diversas Marinhas, e se encontram praticamente nivelados, através de suas performances gerais e pelo uso de munição com espoleta de impacto.





Considerando a reduzida seção transversal dos mísseis atuais (ver figura acima) a precisão do Sistema de Direção de Tiro e a dispersão balística do sistema terão uma importância determinante, maior do que a cadência de tiro relativamente alta.

Os sistemas de canos rotativos, do tipo Gatling, tem em geral algumas vantagens devido à dispersão intrinsecamente menor com respeito a qualquer outra solução com armas múltiplas.
Todos esses sistemas têm em comum a necessidade de conseguir a detonação da cabeça de combate (ogiva)devido ao reduzido alcance das armas de pequeno calibre. A doutrina da NATO para Defesa Contra Mísseis Anti-navio considera suficiente a Control Kill, definida como incapacitação do sistema de controle do míssil, se obtida a distâncias superiores a mil metros, mas em alcances menores estipula a destruição do míssil.


A probabilidade de conseguir a detonação da cabeça de combate (ogiva) com o impacto de munição de pequeno calibre é ainda uma área pouco estudada por conta de dados insuficientes para um cálculo razoavelmente preciso.

Assumindo que seja tecnicamente possível acertar repetidamente um alvo muito pequeno usando sistemas de impacto, ainda assim, se compararmos o projétil com o escudo de proteção da cabeça de combate (ogiva) de um míssil anti-navio (que é do tipo perfurante, conseqüentemente blindada), o resultado será desfavorável ao primeiro. O tipo de material, a espessura e a forma do nariz da cabeça de combate (ogiva), além de aumentarem a penetração no alvo, evitam em grande parte que tiros do CIWS atinjam a cabeça de guerra propriamente dita, fazendo-a detonar. Mesmo deixando de lado os recentes progressos no campo da anti-detonação, calcula-se que, para penetrar 50 mm de aço inclinado a 65 graus, é necessário uma energia de aproximadamente 5.000 kgm/cm2. Esse valor sobe para 8.000 a 10.000 kgm/cmse desejar detonar a cabeça de combate (ogiva). Estes são valores muito altos, que somente podem ser atingidos usando um calibre de 30mm, e cuja aplicação tão transitória origina grandes incertezas, do tipo químico/físico.

Além disso, não está claro qual é o efeito cumulativo de mais acertos no mesmo local da cabeça, ou em locais diferentes, e nesse meio-tempo foi demonstrada a conveniência de proteções adicionais de cerâmica/Kevlar na parte frontal da cabeça de combate(ogiva). Em outras palavras, além de ser difícil de atingir, a cabeça dos mísseis fica mais protegida ainda, e isso vem ocorrendo mais rapidamente do que o aumento de energia nos projéteis de CIWS.  Principalmente após o banimento da munição de urânio exaurido.  Assim, baseado nessas e em outras considerações, não parece possível que a segunda barreira anti-míssil (última linha de defesa) possa ser entregue a sistemas CIWS de pequeno calibre e impacto, cuja eficácia não foi testada em condições de combate.

As pequenas distâncias de interceptação devido ao pequeno calibre evitam engajamentos de diferentes mísseis pelo mesmo CIWS, com a conseqüente e fácil saturação dos sistemas de defesa. Como conseqüência da reduzida eficácia e dos custos, não se considera possível que qualquer CIWS existente ou em desenvolvimento possa ser uma solução aceitável em termos de razão benefício/custo.

Tal fato parece estar sendo comprovado pela a adoção do míssil RAM no mesmo reparo do canhão Phalanx para ser usado como CIWS, pelas Marinhas da Alemanha, EUA e Inglesa (substituindo oGoalkeeper), bem como o CIWS baseado no míssil Mistral da Marinha Francesa.



Canhões Médios usando munição com espoleta de proximidade
Trinity(Bofors)Bofors 5776 Super Rápido
Calibre em mm405776
Cadência de tiro real(tpm) 330220120
Dispersão Balística(m. radial)10,90,5
Velocidade Inicial(m/s)1.1001.025914
Alcance Eficaz(metros)3.0004.0005.000
Peso do Projétil(Kgs)1,12,36,2
Média do total de estilhaços(estilhaços de tungstênio-Balins)2.200(1.100)3.450(1.300)5.680(3.300)
Peso do estilhaços de tungstênio(grs)0,300,300,6
Número de Estilhaços capazes de penetrar em 8 mm de Dural a 03 metros de distância1.1901.8004.250

Os sistemas de armas relacionados acima fazem uso de munição pré-fragmentada com espoleta de proximidade, e seu alcance útil é maior do que os do CIWS. A combinação desses elementos torna possível interceptar o míssil anti-navio, fora do raio de 1.000m, onde a control kill é suficiente e conseguí-la usando a munição pré-fragmentada é relativamente fácil.
Dependendo do calibre e portanto do peso do projétil, o raio letal de cada um varia de maneira diferente, proporcionalmente ao número e energia dos estilhaços mostrados na tabela. As interceptações são obtidas em alcances relativamente altos (sendo 5.000 m o valor máximo) e portanto é possível, diferentemente do CIWS dedicado, que uma arma engaje mais alvos sucessivamente.

Um parâmetro interessante para avaliar comparativamente os sistemas relacionados é a carga útil disparada por unidade de tempo, calculada com a função do peso do projétil. Obtém-se então os seguintes valores:
  • 6,05 kg/s para o Trinity;
  • 8,28 kg/s para o 57;
  • 12 ,4 kg/s para o 76 SR.
A outra vantagem evidente do Super Rápido é dada pelo maior alcance, que permite ganhos operacionais de um ponto de vista global, e não somente através da avaliação numérica.

O uso coordenado de SAM (mísseis anti-aéreos) e de canhões de pequeno calibre na função anti-aeronave/anti-míssil normalmente confere ao canhão um papel secundário e de última linha de defesa, para a complementação de uma zona de não-intervenção, pois há uma pequena ou nula superposição do volume de intervenção dos dois sistemas.

Combinando o SAM com o 76 (ou outro calibre médio) ter-se-á um maior volume onde os dois sistemas são eficazes, com a conseqüente maior flexibilidade do sistema de combate, utilize esse ou não a função humana no Loop decisório. Será possível, portanto, selecionar os meios mais convenientes de intervenção com respeito às prioridades definidas na doutrina de tiro. Ter à disposição outras kills, utilizáveis em alcances médios, confere ao sistema de defesa uma maior capacidade de engajamento múltiplo.

Para esse propósito, a potencialidade de um único 76/62 Super Rápido pode ser evidenciada pelo seguinte cenário operacional:
A ameaça consiste de:
  •  primeiro par de mísseis anti-navio:
    • velocidade Mach 1
    • altitude 30m
    • RCS = 0,2m(área frontal)

  • segundo par: igual ao primeiro, separado dele 90 graus e espaçado de dez segundos.
O 76/62 engaja o primeiro míssil e troca de alvo ao atingir uma Probabilidade Cumulativa de Destruição superior a 0,9, pré-calculada como função da distância da primeira interceptação, que ocorre a 3.000 m, enquanto a última, do segundo míssil do primeiro par, ainda é feita além de 1.000m. Tal capacidade também existe por parte dos canhões da Bofors (40 mm e 57 mm), ou outro canhão naval médio com semelhante performance.

O engajamento do segundo par ocorre em condições similares ao anterior, e ao fim de uma ação que durou 16 segundos, 24 tiros foram disparados, com uma capacidade residual de 56 outros no sistema de carregamento da arma.

Em situações operacionais reais, caracterizadas pela saturação com mísseis e com qualquer tipo de engajamento e contra-medidas, será problemático para o comandante decidir se lança o primeiro par de SAM contra um dos muito alvos aparentemente hostis mas ainda não classificados como tais. A disponibilidade de um sistema adicional de engajamento em alcances médios, como o 76/62 SR, dá ao responsável pela defesa um maior grau de liberdade: alguém que esteja em dúvida sobre lançar um par de SAM contra um possível drone ou RPV não terá nenhuma hesitação em derrubá-los com uma rajada do 76 antes que os intrusos possam representar uma ameaça real.

O Míssil:

A utilização de mísseis para a função de CIWS nos levará a uma análise dos diversos sistemas de mísseis, para à seleção do mais apropriado. As características principais aqui identificadas (alta eficácia na faixa até 6km, principalmente anti-míssil sea-skimmer; alta manobrabilidade a curtas distâncias, viabilizando interceptações laterais; precisão; sistema diretor ágil e eficiente) não levam a um grande leque de opções. Acrescentada a preferência por lançadores verticais(ou vários lançadores múltiplos), reduz-se mais o conjunto dos selecionáveis. A especialização na defesa de ponto propriamente dita, com máxima eficácia na pequena área de local AAé (Guerra Antiaérea Local); a quantidade de testes já realizados com resultados convincentes; e o número de instalações já efetivamente realizadas, contribuem para estreitar as opções.



É oportuno, no contexto da seleção do sistema, considerar as técnicas de orientação e guiagem. Na aplicação desejada, sobressaem os de orientação ou guiagem infra-vermelho (IR), beam rider, semi-ativa e command-to-line-ofsight(CLOS). Quanto aos IR, como o RAM e o  Mistral, deveram possuir tecnologias suficientemente avançadas para interceptações laterais ou frontais (como a existente nas ogivas dos mísseis ar-ar Sidewinder 9L), não limitando assim seu emprego à perseguição. Já no caso dos beam riders, como o RBS-70, embora satisfatórios para interceptações radiais, sofrem do problema das enormes acelerações requeridas na fase final das interceptações laterais de alvos com geometria de engajamento não radial. Tais considerações reduzem o espectro a comparações entre os méritos da guiagem do tipo command-to-line-of-sight (Crotale, Sea-wolf, Barak) e IR em relação à guiagern semi-ativa (Standard, Sea Sparrow, Sea Dart, Aspide, etc.). As técnicas de guiagem CLOS/IR reúne as vantagens sintetizadas abaixo sobre a guiagem Semi-Ativa:

1-não tendo um seeker com antena orientável na ogiva, não sofre das limitações do ângulo de lançamento e ângulo de tracking (seeker look angle) peculiares aos sistemas semi-ativos, capazes de reduzir a probabilidade de lançamentos e de aquisições de alvo bem sucedidas;

2-dispensando um seeker no míssil, independe-se de sua confiabilidade e desempenho para adquirir o alvo;

3-inexistjndo o seeker, reduz-se consideravelmente a vulnerabilidade às contramedidas eletrônicas, inclusive porque a antena de recepção de comandos, nos CLOS/IR, fica à ré do míssil ou é desnecessária;

4-a técnica CLOS/IR dispensa variações de doppler para adquirir e manter a aquisição dos alvos;

5-a técnica CLOS/IR não é sujeita aos problemas de clutter (sombras e alvos falsos pela interferência da superfície terrestre) de imagem que afetam os semi-ativos, mormente em baixas altitudes (caso dos sea skimmers).

Parece preferível, pois, a adoção do command-to-line-of-sight ou IR, o que de resto é confirmado pelas opções feitas por diversos fabricantes no projeto de seus engenhos de concepção mais recente para a função anti-míssil. Quando em comparação a guiagem semi-ativa dos mísseis StandardAspide e Sea Sparrow.

Somam-se ao sistema de guiagem (CLOS ou IR) as seguintes características do sistema de mísseis para a função CIWS:

1-velocidade máxima de Mach 3(+);
2-ativação por proximidade ou impacto;
3-distâncias mínimas de utilização de 700m (para destruir mísseis sea-skimmer);
4-alta manobrabilidade, assegurada por elevado limite de aceleração lateral;
5-lançamento vertical ou múltiplos lançadores;
6- Comprovação em combate, ou muitos lançamentos bem sucedidos.
No leque de sistemas disponíveis no mercado ocidental existem 03 mísseis de guiagem CLOS (Sea-Wolf, Barak Crotale) com sistemas desenvolvidos para o ambiente naval, e 02 mísseis de guiagem IR (Mistral e RAM). Desses modelos o míssil Sea-Wolf parecer ser o que supri a maioria dos requisitos desejados.

Conclusão

Das análises feitas, podemos concluir que, a melhor defesa anti-míssil é a escalonada, utilizando uma combinação de canhões e mísseis devidamente compatibilizados em um único sistema bélico. Preferivelmente, flexível com capacidade de enfretamento a múltiplas ameaças. Portanto, devem ser evitados os sistemas dedicados para uma única função por apresentarem baixa relação custo benefício.

Com cruzamento de dados e características técnicas, o míssil Sea-Wolf se destaca entre os demais sistemas para a função anti-míssil, da mesma forma que os canhões de médio calibre(40mm até 76mm) com o uso de espoletas de proximidade. Sendo que o canhão de Super Rápido de 76 mm da Oto Melara o melhor deles.

Quando se analisa o sistema bélico AAé em conjunto, chegamos a conclusão que o canhão de 76 mm SR continua se apresentando a melhor opção, em face sua ampla gama de utilização, contra aviões e alvos de superfície.  Já a análise dos mísseis nos revela o seguinte: os sistemas com guiagem IR demonstram uma baixa flexibilidade operacional, os sistemas de guiagem CLOS (como o Sea-Wolf) apresentam uma maior flexibilidade operacional, no entanto, são os mísseis com o sistema de guiagem semi-ativa que demostram claramente uma maior gama de uso operacional. Esse fato leva o utilizador destes sistemas(AAé baseados em mísseis), a uma difícil escolha entre estes 03 tipos de guiagem. Devendo pesar detidamente o sistema bélico em seu conjunto para determinar qual ou quais sistemas de mísseis serão adotados.