"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Artilharia de Campanha #



A artilharia de campanha é a arma componente das forças terrestres que tem por missão principal apoiar pelo fogo a manobra das armas-base, aprofundar o combate através de fogo de longo alcance junto à retaguarda das linhas inimigas e executar outras missões de fogo que lhes são próprias . As formações de artilharia de campanha posicionam-se a retaguarda das tropas em vanguarda, e através do tiro de trajetória balística, disparam suas granadas por sobre suas cabeças, atingindo os alvos a sua frente e a seu pedido, bem como os demais alvos designados pelo escalão superior.

O poder de fogo da artilharia de campanha é devastador, sendo a responsável terrestre pela maior parte das baixas inimigas em combate, "amaciando" sobremaneira os alvos a serem vencidos pelas armas-base, no decorrer de sua manobra e no cumprimento de seus objetivos. Devido as características de arma de apoio, a artilharia de campanha nunca é posta em reserva, e atua na totalidade de suas unidades o tempo todo, acompanhando a manobra das grandes unidades a que estiver subordinada.





Missões e Possibilidades

A artilharia de campanha pode aplicar sobre seus alvos uma variedade de fogos com características distintas de acordo com as necessidades de cada situação. Suas baterias podem, sem trocar de posição, alocar seus fogos rapidamente de uma posição a outra em reduzido espaço de tempo provendo um apoio flexível e eficaz, apenas variando o alcance e o azimute de seus disparos, através de variações na pontaria de suas peças ou na configuração das cargas de projeção.

Suas baterias trocam de posição de forma alternada a fim de que os fogos não cessem durante tais manobras, sendo que normalmente cerca de 2/3 delas permanecem atirando continuamente, se necessário. As unidades de artilharia podem atuar organicamente apoiando sua grande-unidade ou integrando agrupamentos de artilharia coordenados pelo escalão superior a fim emassar fogos em objetivos de alto valor. As missões de tiro podem ser de oportunidade ou seguir um plano de fogos pré-estabelecido, através de solicitação da arma-base, dos observadores avançados ou do escalão superior.


Efetua normalmente os seguinte fogos:
  • Fogos de preparação:  são aqueles efetuados forma contínua por um período de tempo determinado, sempre antes de um ataque da arma-base a fim de debilitar formações defensivas para que aquelas possam cumprir sua missão de uma forma mais previsível contra um alvo menos resistente e difícil.
  • Fogos de cobertura: são fogos destinados proteger forças amigas quando em manobras de retraimento ou que necessitem de proteção contra fogos inimigos.
  • Fogos de contrabateria: são fogos destinados a neutralização da artilharia inimiga, perigosos se esta tiver alcance similar, sendo desejável neste caso, que o alcance do material empregado seja superior ao do inimigo.
  • Fogos de contrapreparação: são fogos destinados a frustar a organização inimiga, evitando ou dificultando que desdobre dispositivos de combate.
  • Fogos de barragem: são fogos destinados a evitar que o inimigo ultrapasse determinadas linhas, criando barreiras ao seu deslocamento.
  • Fogos de interdição: são fogos destinados a destruição de alvos no campo de batalha, a fim de impedir que o inimigo se utilize deles para sua manobra. Como exemplo de alvos temos depósitos de combustível e munição, usinas de energia e de tratamento de água, pontes e aeródromos, entre outros.
  • Fogos de profundidade: são fogos destinados a atingir alvos bem a retaguarda do dispositivo inimigo, como, por exemplo, suas áreas de desdobramento logístico, a fim de prejudicar sua atividade.
  • Fogos de apoio aproximado: são fogos apontados diretamente frente da tropa apoiada a fim de facilitar a sua manobra e a seu pedido.
  • Fogos de inquietação: são fogos destinados diretamente a minar o moral inimigo, impedindo seu descanso, preparação ou articulação, efetuados de forma aleatória e imprevisível. Estes fogos podem ser efetuados de forma contínua, imprimem uma tensão constante ao inimigo diminuindo sua capacidade de operaçao.
  • Fogos de iluminação: são fogos destinados a prover iluminação às tropas através de munição especialmente desenvolvida.
  • Fogos de propaganda: são fogos destinados e transportar material de propaganda junto às linhas inimigas.


Devido as suas características a artilharia podem ainda atingir alvos desenfiados (posicionados atrás de elevações), alvos-ponto, alvo-área e alvos móveis. É muito vulnerável a ação aérea inimiga e tem limitações para se engajar em combate aproximado. Sua grande vulnerabilidade, no entanto, é a necessidade constante de grande quantidade de munição, e se não dispuser de apoio logístico eficaz pode ter sua operacionalidade comprometida.

Outras grande vulnerabilidade é quanto aos fogos de contrabateria inimigos. Assim que abre fogo, os disparos são prontamente detectados pelo inimigo através de seus OA e radares que calculam sua origem com grande rapidez e acionam suas baterias para réplica. Devido a esta ameaça as baterias tem que abandonar suas posições com grande rapidez após cada missão de tiro.




O Sistema Operacional

Para cumprir sua missão a artilharia de campanha se vale vários subsistemas. Fundamentalmente emprega três elementos básicos que agem simultaneamente em proveito próprio. A inoperância de qualquer um deles inviabiliza o emprego da arma e todos são igualmente importantes para sua operacionalidade. São eles o observador avançado (OA), a central de tiro e a linha de fogo.


  • O Observador Avançado (OA) : Posiciona-se a frente das baterias de tiro, em posições desenfiadas da observação inimiga e em condições de visualizar os alvos e os impactos no terreno. Pode acompanhar as armas apoiadas ou atuar sozinho, normalmente em pontos mais elevados ou em aeronaves que lhe permitam boas condições de observação. Cabe ao OA determinar as características dos alvos a serem batidos, suas dimensões e posicionamento (coordenadas no terreno), assim como corrigir e ajustar os disparos.
  • A Central de Tiro (CTir): Valendo-se de dados obtidos pelo OA e outros dados de inteligência como cartas topográficas e características dos alvos escolhidos, a C Tir plota em suas pranchetas a posição do alvo e das baterias de tiro, calculando alcance e elevação a serem aplicados às peças, seleciona regime de tiro, tipo de munição e a carga de projeção a ser utilizada, passando estes dados  a linha de fogo para o cumprimento da missão.
  • Linha de Fogo (LF):  É a bateria de tiro propriamente dita com cerca de 4 a oito peças  (obuses, morteiros ou lançadores múltiplos) . A Linha de fogo alimenta em suas peças os dados provenientes da C Tir e comanda os disparos, que serão observados pelo OA. Este efetua as correções necessárias levando em consideração a distância entre os impactos e o alvo e as repassa a central de tiro que recalcula os elementos de tiro e o ciclo recomeça. As linhas de fogo normalmente contam com mini centrais de tiro a fim de que possam operar independentemente quando necessário.
Outros sub-sistemas também são necessários ao bom funcionamento da artilharia de campanha.
  • Comunicações: necessárias para efetuar a ligação entre Comando, OA, Linha de fogo e Central de Tiro. Valem-se de redes fio para posições fixas ou redes por enlaces de rádio encriptadas e de salto de frequência operando comando de voz ou data-link.
  • Apoio logístico: Necessário para prover combustível e munição continuamente aos operadores, além de outros ítens.
  • Comando, controle e coordenação: Para alocação de fogos onde e quando forem necessários. 
  • Busca de Alvos: Os alvos podem ser designados pelo AO, arma-base, ou por outras unidades e subunidades, cujos pedidos de fogo chegam escalão superior de artilharia de campanha.
  • Topografia: Através de serviços de campo desenha uma trama de pontos precisos no terreno possibilitando tiro eficazes sem ajustagem prévia.
  • Meteorologia: Fornece dados sobre as condições atmosféricas que podem influenciar no cálculo das trajetórias, tornando os elementos de tiro mais confiáveis.
Apenas para exemplificar uma bateria de artilharia moderna, montada em peças autopropulsadas, dotada de GPS e DataLink poderia em questão segundos receber uma missão de tiro (via DataLink), parar no local onde se encontra e apontar suas peças instantaneamente, através de comandos pelo mesmo dataLink às outras peças, e através de soluções de pontaria fornecidas em tempo real pelos computadores balísticos que possuem desencadear seus fogos em poucos segundos e rapidamente trocar de posição a fim de evitar o fogo de contrabateria. Uma guarnição bem treinada poderia pode efetuar tal missão em menos de 1 minuto. Àqueles, como eu, que foram treinados numa central de tiro a moda da segunda guerra sabem o que isso significa. Mesmo diante da existência de meios modernos, os artilheiros continuam a ser treinados no cálculo manual do tiro, importante se a tecnologia não estiver disponível e condição fundamental para serem chamados de "artilheiros".

Materiais de artilharia de campanha

A artilharia de campanha emprega uma variedade de materiais diversos, cada um com características próprias e adequado a tropa que compõem e a missão a que se destina, sendo o mais tradicional o obuseiro. Podemos classificar o material de artilharia quanto ao quesito mobilidade e peso, elementos este que definem qual tropa emprega qual material.

Quanto a mobilidade o material de artilharia pode ser rebocado ou propulsado. O material rebocado possui peso e mobilidade inferior ao propulsado, e depende de uma viatura QT para seu deslocamento. A dimensão desta viatura depende muito do material a rebocar e pode ser uma viatura 3/4 Ton para rebocar um lançador múltiplo leve ou uma viatura de 5 Ton para rebocar obuseiros de 155 mm, por exemplo.

No ocidente utiliza-se o obuseiro de 105 mm quando o quesito peso for a prioridade, como no caso de tropas leve e helitransportadas, como tropas paraquedistas e de montanha. Nestes casos obuseiros leves fazem a diferença, pois favorecem a mobilidade estratégica, podendo ser deslocados por ar em intervalos de tempo muito curtos. No Brasil utiliza-se o obuseiro Oto Melara Mod 56 que pode ser desmontado em partes e transportado no lombo de animais, dentro de uma viatura M113 e lançado de paraquedas, além de ser rebocado por viaturas leves. Outro material leve artilharia é o morteiro de 120 mm que possui as mesmas características de mobilidade dos modelos Oto Melara. Lançadores múltiplos leves também podem ser helitransportados e possuem altíssimo poder de fogo. Estes materiais possuem um alcance de cerca de 11 a 12 mil metros, sendo que o morteiro possui um alcance menor, de aproximadamente 6 mil metros.




Modelos de 105 mm como o inglês Light Gun podem ser facilmente aerotransportados por aeronaves C-130, e são utilizados por tropas mais convencionais, como as brigadas de infantaria. A tendência mundial é equipagem destas tropas com obuseiros mais potentes de 155 mm também rebocados. Estas peças possuem um alcance de cerca de 30 km, pesam de 4 a 5 ton e requerem viaturas mais pesadas para tracioná-las. Alguns modelos deste calibre possuem limitações quanto ao aerotransporte por aeronaves C-130.

Para equipar a artilharia de campanha das brigadas e divisões blindadas utiliza-se versões autopropulsadas dos obuseiros de 105 mm e 155 mm, que são peças de artilharia montadas em veículos blindados especialmente construídos ou adaptados de outros chassis blindados, estando o calibre de 105 mm gradativamente caindo em desuso nestas unidades. Estes modelos possuem a mobilidade tática necessária para acompanhar carros de combate principais em seus avanços, mas sua mobilidade estratégico-operacional é mais limitada, uma vez que só pode ser aerotransportada por aeronaves pesadas ou embarcações. Para deslocamentos terrestres demandam carretas ou transporte ferroviário.

A artilharia de foguetes também está presente nos exércitos modernos, e geralmente é empregada em bombardeios de profundidade, uma vez que os foguetes alcançam distâncias bem superiores a artilharia de tubo. Como exemplo destes sistemas temos o Astros II brasileiros e o MLRS norte-americano. Possuem as mesmas características de mobilidade dos obuseiros autopropulsados. Estes sistemas são altamente eficazes e alvos de busca da aviação inimiga no início de qualquer conflito, carecendo de efetiva proteção antiaérea.





Unidades de Artilharia

As unidades de artilharia, no Brasil denominadas Grupos de Artilharia, são organizadas em baterias de tiro de 2 a 4 conforme a unidade cada uma com 4 a 8 peças. Unidades autopropulsadas apoiam as brigadas e divisões blindadas, unidades leves apoiam tropas paraquedistas, infantaria leve, tropas de selva e de montanha. Outras unidades, geralmente rebocadas apoiam tropas mais convencionais.

As unidades de artilharia, por serem forças de apoio nunca são colocadas em reserva. Se uma brigada estiver em tal situação, seu grupo de artilharia permanece a disposição do comando divisionário para reforço àquelas unidades que apoiam as tropas em ação. Apesar de se subordinar a uma determinada grande unidade os escalões superiores de artilharia podem rapidamente assumir seu controle e agregar uma grande quantidade de grupos sob comando único a fim de cumprir missões especialmente designadas.

Busca e aquisição de alvos

Os alvos da artilharia podem ser de oportunidade ou pré-programados em um plano geral de fogos, confeccionado pelo comando da artilharia. Estes alvos são elencados a partir de inúmeros meios de busca que partem dos observadores avançados de artilharia, da arma-base, da observação por satélite, dos esclarecedores da brigada, de veículos de observação aérea como a aviação do exército em seus helicópteros e veículos não tripulados, da força aérea, radares de artilharia e busca de alvos, sistemas de inteligência tipo ELINT, entre outros.



Estabelecendo uma Posição Defensiva #



O sucesso em combate envolve mais que apenas feitos audazes conseguidos através do deslocamento em um campo de batalha. Freqüentemente os soldados tem que parar para cavar a fim de construir posições seguras onde possam descansar e defender-se, de forma a sobreviver para ganhar a batalha seguinte. Nesta seção serão mostrado os princípios básicos na construção de  posições defensivas para pequenos grupos. Uma posição defensiva eficaz faz o melhor uso possível de sua potência de fogo. A nível de pelotão ou seção, serão necessário desdobrar trincheiras de modo que todos os acessos a sua posição sejam cobertos ao menos por dois arcos do fogo. Então, antes que possa alcança-lo, o inimigo terá que cruzar um terreno de matança em potencial. Uma defesa eficaz depende destes princípios básicos.


Defendendo o terreno de importância tática

Deve-se negar ao inimigo todo o terreno de importância tática, ou seja, todo o terreno de onde o inimigo possa executar qualquer tipo de manobra em seu proveito. Pode-se fazer isto defendendo o terreno propriamente dito, impedindo que o inimigo o ocupe e dele se utilize, ou bloqueando o acesso a ele.
O comandante do dispositivo deverá identificar, dentro de seu perímetro de defesa, os pontos de comandamento tanto do perímetro em sí, como os de suas rotas de acesso. Estes pontos servirão principalmente para a instalação de observadores e sentinelas que darão o alarme de qualquer atividade dentro de seu campo de observação. Também é possível desdobrar armamento defensivo a partir destas posições.

Defesa em profundidade

Uma defesa deve ser desdobrada levando em conta o fator profundidade, de forma que um ataque potente possa ser absorvido de forma lenta e gradual; primeiro enfraquecendo e desorganizando o atacante, para finalmente liquidá-lo ou faze-lo desistir.
Fazer o inimigo atravessar uma distância relativamente longa sob fogo é eficaz e em muitos casos pode até desencorajar a fazê-lo. Outro artifício a ser implementado pode ser o de criar corredores com curvas, aumentando a distância a ser percorrida e expondo-o ao fogo por mais tempo.

Posições Individuais e cobertura mútua

Trincheiras devem ser construídas de forma a prover cobertura mútua de fogo, proporcionando apoio a frente, nos flancos e à retaguarda. Dentro de um pelotão, cada seção deve poder cobrir a outra de tal maneira que os arcos das metralhadoras e das armas individuais se sobreponham. Deve-se tomar cuidado, no entanto para que uma seção não fique dentro do campo de tiro de outra, evitando o chamado fogo amigo.

Escondendo a posição

As trincheiras devem ser cuidadosamente escondidas da observação aérea e terrestre. Isto será conseguido construindo um eficaz sistema de camuflagem, além de uma localização cuidadosa. O terreno deve ser usado de modo que o inimigo não adentre a posição de forma desavisada. Uma maneira de se conseguir isto é situar suas posições defensivas em uma inclinação reversa, ou seja, atrás da crista de um monte de modo que o inimigo possa se aproximar somente através do arco de fogo das trincheiras ali instaladas, atacando de baixo para cima como óbvia desvantagem tática, sendo detectado muito antes de entrar no alcance das armas, dando chance a construção de pontarias bem estudadas, chamando para si o fogo direto quando estiver bem dentro de alcance.

Defendendo todos os acessos

Todas as posições defensivas devem ser situadas de forma a poderem fazer frente a ataques vindos de qualquer direção. Embora sejam distribuídos setores de defesa às diversas seções do pelotão, cada qual defendendo um sentido em particular concentrando ali seu fogo, suas linhas podem ser penetradas, especialmente à noite, e as seções devem estar preparadas para enfrentar um ataque de qualquer direção.

Mantendo as linhas de suprimento abertas

Como em todas as fases da guerra, uma campanha de sucesso depende da sustentação do necessário apoio logístico. Por melhor que seja uma posição defensiva, é improvável que se possa mantê-la se acabar a munição ou os defensores não tiverem o que comer.

Seguir sempre estes seis princípios ao construir uma posição defensiva é muito importante. Uma trincheira individual de fogo terá que ser situada seguindo estes princípios de forma a integrar uma planta maior de defesa.



A localização das trincheiras

Os seguintes fatores devem ser considerados ao se projetar trincheiras. Todo o projeto deverá levar em conta o desdobramento defensivo como um todo.
  • O uso das armas: A trincheira deve estar situada de forma a permitir um bom campo de fogo e de visão. Deve-se construí-la de forma que o fogo defensivo possa ser disparado sem obstáculos. Os campos de tiro devem ser limpos de desubstruídos de vegetação, sempre levando em conta as necessidades de camuflagem.
  • Proteção: A principal ameaça a infantaria em processo de escavação é o fogo de artilharia, em especial os projéteis de arrebentação aérea. Para uma proteção eficaz, as trincheiras não devem ser muito largas (cerca de 50 centímetros). A proteção aérea do abrigo deve ter ao menos 45 centímetros de espessura.
  • Velocidade da construção: No lugar de pás, machados e picaretas, deve-se sempre que possível lançar mão de ferramentas motorizadas. A preparação do terreno com explosivos também é uma opção. A melhor solução é um escavador móvel, que proporciona maior velocidade de escavação e poupa os defensores de esforço físico. Ele pode escavar rapidamente trincheiras de fogo, bunkers de comando ou para armas de emprego coletivo, como metralhadoras e morteiros.
  • Camuflagem: A trincheira deve, obviamente, também ser escondida o quanto possível.

A trincheira básica de fogo

A trincheira de fogo para dois homens, a trincheira de fogo para quatro homens e a trincheira de fogo de arma coletiva são os três tipos básicos de trincheira.

A trincheira de dois homens deve ser cavada com a profundidade das axilas dos defensores, cerca de 50 cm de largura, e cerca de 2,2 metros de comprimento. A profundidade pode ser variada, de acordo com a altura do homem mais alto da trincheira. As trincheiras de fogo devem ser construídas com proteção antiaérea. Esta não deve medir mais que um sexto da altura dos ocupantes acima do nível do terreno. Se a proteção antiaérea for adicionada a uma trincheira do fogo, uma abertura deve ser deixada descoberta para acesso, ter proteção contra o fogo das armas anti-tanque e sumidouro para defesa contra granadas de mão.

Fazendo exame do abrigo

Uma vez que a trincheira de fogo estiver completada, o passo seguinte é escavar a trincheira do abrigo. Esta é uma continuação da trincheira de fogo e deve ter a altura de cerca da metade da altura dos ocupantes, com uma cobertura de cerca de 45 cm de proteção. Esta cobertura deverá ser reforçada de forma a suportar o tráfego no terreno, seja tanto o de pessoal como o de veículos. Esta trincheira presta-se a servir como dormitório aos ocupantes. Uma trincheira de quatro homens deverá simplesmente ter duas vezes o comprimento de uma trincheira de dois homens e terá uma trincheira de abrigo em cada extremidade.

Para escavar uma trincheira de fogo de dois-homens em solo relativamente macio consome aproximadamente duas horas. Em solo mais difícil este tempo pode dobrar. Um hora adicional se fará necessária para proporcionar a proteção antiaérea, e de três a cinco horas adicionais para terminar a trincheira do abrigo em solo macio (até nove em solo duro).

Defesa Extra

Quando a trincheira for completada, necessitará ser guarnecida com defesas extras. Obstáculos de arame podem ser construídos em frente de sua posição, embora estes não sejam tão bons, a menos que estejam cobertos por arcos fogo.

As minas também podem ser usadas. Campos cuidadosamente ocultados, bem instalados e cobertos por fogo são altamente eficientes para deter veículos e tropas a pé.


Por último, deve-se ter um plano compreensivo de fogo, lançando-se mão de artilharia, tanques, morteiros, metralhadoras e armas anti-tanque, proporcionando cobertura mútua de forma a manter a posição coesa.



Superfícies de controle de mísseis


A Maioria dos mísseis nâo tem lemes convencionais, ailerons, elevadores ou superfícies de controle como as usadas em aviões convencionais. No entanto, os mísseis empregam superfícies de controle aerodinâmico semelhantes, a fim de manobrar o veículo durante o voo.

O coração de um míssil é a sua superestrutura, o equivalente a fuselagem de uma aeronave. A superestrutura dos mísseis contém seu sistema de orientação e controle, ogiva, e o sistema de propulsão. Muitos utilizam o termo genérico "fin" para se referir a qualquer superfície aerodinâmica em um míssil. Designers de mísseis, no entanto, são mais precisos em sua metodologia de nomenclatura e geralmente consideram estas superfícies em três categorias principais: canards, asas e cauda.

Principais componentes de um míssil

O exemplo acima ilustra uma configuração genérica de mísseis equipados com todas as três superfícies. Muitas vezes, os termos canard, asa, e fin são usados ​​indistintamente, o que pode ficar bastante confuso. Estas superfícies se comportam de maneiras fundamentalmente          diferentes, no entanto, com base em onde eles estão localizadas em relação ao centro de gravidade do míssil. Em geral, uma asa é uma superfície relativamente grande que está localizada perto do centro de gravidade, enquanto um canard fica perto do nariz e uma empenagem de cauda fica na extremidade traseira do míssil.

A maioria dos mísseis estão equipados com pelo menos um conjunto de superfícies aerodinâmicas, geralmente aletas de cauda, uma vez que estas superfícies oferecem estabilidade em vôo. São equipados também com um segundo conjunto de superfícies para fornecer sustentação adicional ou controle melhorado. Poucos modelos estão equipados com todos os três conjuntos de superfícies.

Diferentemente das aeronaves convencionais, os mísseis usam todas as suas superfícies para realizar seus movimentos, como ilustrado abaixo:

Desvios de uma superfície de controle em um míssil

A fim de comandar o míssil durante o vôo, pelo menos um conjunto de superfícies aerodinâmicas é projetado para rodar em torno de um ponto de pivô central. Ao fazê-lo, o ângulo de ataque da empenagem é alterado para que a força de sustentação agindo sobre ele mude. As mudanças na direção e magnitude das forças que agem sobre o míssil resulta em que ele se mova em uma direção diferente e permite que o veículo manobre ao longo de sua trajetória e guie-se para seu alvo. Um exemplo de uma deflexão na superfície de controle em um modelo AIM-9M Sidewinder é ilustrado abaixo.

Deflexões Canard em um Sidewinder AIM-9M

Canards, asas e caudas são geralmente agrupados e referidos como controles aerodinâmicos. Um desenvolvimento mais recente em sistemas de manobra de mísseis é chamada de controle não convencionais. Sistemas de controle não convencionais envolvem alguma forma de controle do vetor empuxo (TVC) ou interação jet (JI). 

Temos agora introduzidas quatro categorias principais de sistemas de controle de mísseis de voo: cauda, canard, asas e os controles não convencionais.

Quatro categorias principais de vôo de mísseis controles

Quatro categorias principais de vôo de mísseis controles

Controle de Cauda:

O controle de cauda é provavelmente a forma mais comumente utilizada de controle de mísseis, particularmente para dar maior alcance como os ar-ar AMRAAM e como SAM  Patriot e Roland. A principal razão para esta aplicação é porque o controle da cauda oferece excelente manobrabilidade em altos ângulos de ataque, muitas vezes necessários para interceptar um avião altamente manobrável. Mísseis usando o controle de cauda também são        equipados com uma superfície não-móvel para sustentação adicional e incremento no  alcance. Alguns bons exemplos de tais mísseis são os ASM Maverick e AS.30, bem como  os SSM Harpoon e Exocet. Mísseis com controle de cauda raramente têm canards. Abaixo temos uma seleção de 23 mísseis que utilizam controle de cauda

Mísseis com controle de cauda

Além de mísseis, algumas bombas também podem usar o controle de cauda. Um exemplo é a série de bombas guiadas por GPS JDAM.

Controle por Canards:

O controle por canards também é bastante usado, especialmente em mísseis de curto alcance ar-ar como os AIM-9M Sidewinder. A principal vantagem do controle por canard é a melhor manobrabilidade em ângulos baixos de ataque, mas canards tendem a se tornar ineficazes em altos ângulos de ataque por causa da separação de fluxo, que faz com que as superfícies estolem. Os canards estão à frente do centro de gravidade, o que causa um efeito desestabilizador e requerem grandes caudas fixas para manteren-se estáveis. Estes dois conjuntos de superfícies geralmente oferecem sustentação suficiente, fazendo as asas desnecessárias. A seguir temos doze exemplos de mísseis com controle canard.

Mísseis com canard controle

Um subconjunto adicional de controle canard é o canard split. Canards divididos são um desenvolvimento relativamente novo que tem encontrado aplicação na mais recente geração de mísseis ar-ar de curto alcance como o Python 4 e o russo AA-11. O termo canard dividido  refere-se ao fato de que o míssil tem dois conjuntos de canards próximos, geralmente um imediatamente atrás do outro. O canard anterior é fixo, enquanto que o posterior é móvel. A vantagem deste arranjo é que o primeiro conjunto de canards gera fortes vórtices energéticos que aumentam a velocidade do fluxo de ar sobre o segundo conjunto de canards tornando-os mais eficazes. Além disso, os vórtices atrasam a separação de fluxo e permitem que os canards possam alcançar maiores ângulos de ataque antes de estolar. Este ângulo elevado de ataque dá o míssil poder de manobra muito maior em comparação com um míssil com controle de canard único. Seis exemplos de mísseis de canard dividido são mostradas abaixo.

Mísseis com controle dividido canard

Muitas bombas inteligentes também utilizar sistemas de controle de canard. A mais notável delas são bombas guiadas por laser, como a série Paveway.

Controle de Asa:

O controle de asa foi uma das primeiras formas de controle de mísseis desenvolvidas, mas são cada vez menos usada em designs atuais; A maioria dos mísseis usando o controle de asa são de longo alcance como os mísseis Sparrow, Sea Skua e HARM. A principal vantagem do controle de asa é que as deformações das asas produzem uma resposta muito rápida com pouco movimento do corpo. Esta característica resulta em pequeno erro no buscador de rastreamento e permite que o míssil permaneça bloqueado no alvo, mesmo durante manobras de grande porte. A principal desvantagem é que as asas devem geralmente ser muito grande, a fim de gerar sustentação suficiente e eficácia de controle, o que torna os mísseis muito grandes. Além disso, as asas geram vórtices fortes que podem adversamente interagir com as caudas fazendo com que o míssil role. Este comportamento é conhecido como rolo induzido, e se o efeito for forte o suficiente, o sistema de controle pode não ser capaz de compensar. Alguns exemplos de controle de mísseis da asa são mostradas abaixo.

Mísseis com controle de asa

Controle não convencional:

Sistemas de controle não convencionais são uma categoria que inclui um número de tecnologias avançadas. A maioria das técnicas envolvem algum tipo de vetoração de empuxo Vetoração de empuxo é definido como um método de desviar o escape dos mísseis para gerar um componente de empuxo no sentido vertical e/ou horizontal. Esta força adicional aponta o nariz em uma nova direção fazendo com que o míssil vire. Outra técnica que está apenas começando a ser introduzida são os chamados jatos de reação. Jatos de reação são geralmente pequenos pontos na superfície de um míssil que criam um escape a jato perpendicular a superfície do veículo e produzem um efeito semelhante a vetoração de empuxo.

Tecnologias de controle não convencionais

Estas técnicas são mais freqüentemente aplicada à mísseis ar-ar como o AIM-9X Sidewinder e IRIS-T para fornecer excepcional manobrabilidade. A maior vantagem de tais controles é que eles podem funcionar em velocidades muito baixas ou em um vácuo onde há pouco ou nenhum fluxo de ar para agir em superfícies convencionais. A principal desvantagem, no entanto, é que eles não irão funcionar quando o fornecimento de combustível se esgotar.

Mísseis com controles não-convencionais

Exemplos de mísseis empregando controles convencionais são mostrados acima. Note-se que a maioria dos mísseis equipados com controles não convencionais não dependem desses controles sozinhos para sua maneabilidade, mas apenas como um complemento para as superfícies aerodinâmicas como canards e as aletas da cauda.

Outras opções:

Finalmente, deve-se notar que alguns mísseis existentes usam controles convencionais semelhantes às empregadas por aeronaves. A maioria das armas que empregam tais controles são mísseis de cruzeiro Tomahawk e ALCM.

Sistemas Bélicos - Classificação Geral #




Este post destina-se a servir como guia para a classificação dos sistemas bélicos existentes. Entendemos como Sistemas Bélicos todo o equipamento/material/dispositivos usado na atividade bélica/militar, com exceção dos acessórios (fardamento, material de campanha, etc...). Classificamos inicialmente os sistemas bélicos em 5 categorias básicas (outras poderão ser acrescentadas posteriormente):
  1. Instalações: São todos os sistemas bélicos de natureza estática como silos de mísseis balísticos e fortificações de campanha como a linha Maginot.
    1. Fortificações de campanha
      1. Silos de mísseis balísticos
      2. Linhas defensivas
  2. Componentes: São todos os sistemas bélicos que compõem outros sistemas bélicos, tais como motores, mecanismos diversos, superfícies aerodinâmicas, lentes, ogivas, etc...
    1. Propulsores:
    2. Ogivas:
    3. Sistemas de navegação:
    4. Superfícies aerodinâmicas:
  3. Munições: São todos os sistemas que destinam-se a atingir o alvo em batalha, incluindo a carga útil e os componentes que a transportam e serão destruídos quando de sua detonação/impacto. Classificamos as munições em 6 categorias:
    1. Bombas voadoras: São todos os projéteis lançados do ar, desprovidos de propulsão própria. e que podem possuir sistemas de guiagem ou não, que transportam uma ogiva.
      1. Bombas convencionais (burras) : bombas sem dispositivos de correção de trajetória.
      2. Bombas Inteligentes: bombas dotadas de sistemas de orientação/guiagem orgânicos.
    2. Foguetes: São todos os projéteis que viajam através ar ou do espaço, dotados de potência própria que transportam uma ogiva.
    3. Minas: Todo dispositivo explosivo estático que causa seu efeito por acionamento da própria vítima ou do operador.
    4. Mísseis: Idem aos foguetes, porém possuem algum sistema de guiagem orgânica.
    5. Projéteis: é toda munição, guiada ou não, disparada a partir de uma arma de fogo.
    6. Torpedos: idem aos mísseis, porém que viajam em ambiente aquático.
  4. Vetores: são todos os sistemas bélicos que destinam-se a transportar uma munição, tropa, suprimento, onda ou um sensor até seu alvo. Como exemplo temos as armas de fogo, equipamentos interferidores, aeronaves e veículos de carga e aeronaves de caça e bombardeio.
    1. Armas de fogo
    2. Sistemas de comunicações
    3. Veículos
      1. Aeronaves:
      2. Belonaves:
        1. Veículos terrestres:
    4. Sensores: São todos os sistemas bélicos destinados a coletar informações no teatro de operações. Como exemplo temos binóculos, radares, sonares, equipamentos MAGE e outros.
      1. Acústicos:
      2. Eletromagnéticos:
      3. Óticos:

    A Moderna Guerra de Blindados #




    A Moderna Guerra de Blindados 

    O carro de combate (MBT) é tido como o principal ator no moderno campo de batalha e sua importância é fácil de ser explicada. O combate é a combinação do fogo e do movimento, tanto para o atacante como para o defensor. O MBT é capaz de realizar ambos. A infantaria é necessária para a ocupação do território, mas sem o apoio do blindado, a sua conquista será muito dificultada. Assim, cada vez mais, o esforço principal dos exércitos será dedicado ao apoio à sua ponta de lança blindada representada pelos carros de combate.
      
    A história mostrou duas tendências no sentido do desenvolvimento de carros de combate: por uma lado, a Blitzkrieg, que enfatizou o movimento, baseando-se na penetração da frente inimiga e no rápido aproveitamento do êxito; por outro lado, o seu emprego como arma de apoio à infantaria, proporcionando-lhe vigoroso apoio de fogo.

    Os requisitos de ordem tática impuseram diferentes resultados de natureza técnica, em uma vasta gama de variedades de carros de combate. Leves, médios e pesados, os diferentes modelos enfatizaram ora a mobilidade, ora o poder de fogo. No entanto, desde os meados dos anos 60, tentou-se chegar a um único carro, capaz de equilibrar essas duas características com a proteção blindada. Este carro passaria a ser chamado de tanque de batalha principal (Main Battle Tank - MBT).

    A combinação entre estes três aspectos mostrou diferentes tendências, de acordo com necessidades de ordem tática das diferentes doutrinas de emprego. Novas blindagens permitiram a sobrevivência do tanque após o surgimento das primeiras armas anticarro com carga oca, as bazookas. Isto representou, por outro lado, uma elevação no peso total do veículo, o que gerou a necessidade de motores mais potentes. Já que o maior inimigo de um carro de combate é outro carro de combate, poder de fogo e proteção são inevitavelmente ligados.

    A história do desenvolvimento dos tanque é a história da busca de novo equilíbrio, após a introdução de uma fator de desestabilização.



    PODER DE FOGO  
      
    O primeiro fator de desequilíbrio foi a introdução da munição APDS (armour-piercingdiscarding sabot - perfuradora de blindagem com calços descartáveis), uma invenção britânica inicialmente empregada em canhões anticarro no final da II GM.

    Os calços descartáveis continuaram a ser empregados em novas munições cinéticas anticarro, isto é, em granadas que aproveitavam a energia cinética oriunda da velocidade e massa do projétil para penetrarem as blindagens, ao invés de empregarem a energia oriunda da detonação de alto-explosivos. Os projetis são feitos de material de alta densidade como o tungstênio ou urânio. A velocidade inicial do tiro foi aumentada com a adoção do canhão de alma lisa, sendo a granada estabilizada por meio de aletas.

    Os soviéticos empregaram pela primeira vez este tipo de canhão nos carros T-62, no início dos anos 60, e, na década seguinte, os norte-americanos empregaram o canhão alemão 120 mm nos seus carros.
    O canhão de alma lisa é um pouco menos preciso que o raiado. Sua munição é mais cara que a convencional. Em conseqüência, todo esforço é feito para alcançar uma grande velocidade inicial, permitindo a destruição do alvo com um único tiro.

    Os outros tipos de munição anticarro empregam a energia química, oriunda de alto-explosivos, de duas formas.
    • Os alto-explosivos de cabeça esmagável (HESH - high explosive squash head) têm carga explosiva que se amoldam contra a blindagem e que, ao serem detonadas por espoletas de culote, criam ondas de choque que são transmitidas através da blindagem e que se refletem no interior do veículo, liberando estilhaços de suas paredes internas que destroem o seu interior. Este tipo de munição pode ter seu efeito atenuado pelo emprego da blindagem espaçada, ou seja com espaços vazios que não transmitem a onda de choque ou pelo ângulo acentuado da carroceria, que dificulta o impacto perpendicular.
    • As mais eficientes granadas anticarro HEAT (high explosive anti tank) empregam a carga oca, que produz um jato capaz de penetrar a blindagem. A eficiência deste tipo de granada aumenta com o calibre e diminui com a rotação, sendo preferencialmente estabilizadas por aletas. A maior proteção contra este tipo de munição é, atualmente, a blindagem reativa, além de um redesenho dos interiores dos carros, com melhores medidas de proteção contra incêndio.
    Os canhões 105 mm L7 raiados britânicos foram largamente empregados no ocidente, em especial no M60, nas primeiras versões do M1 Abrams, no Leopard 1 e no S-tank sueco. O canhão 120 mm L11, raiado, também britânico, foi empregado no Chieftain e no Challenger. Já o alemão 120 mm de alma lisa passou a dotar o Leopard 2 e as versões mais modernas do Abrams.

    Pelo lado soviético, os preferidos foram o já citado canhão 115 mm, alma lisa, que equipa o T-62 e, posteriormente, o 125 mm do T-80.

    A capacidade de armazenamento de munição varia de cerca de 45 tiros (T-62) a 60 (Leopard).

    A performance de um MBT é diretamente proporcional ao seu sistema de controle de tiro. Torres giro-estabilizadas capazes de manter o canhão apontado para o alvo, mesmo em movimento, tornaram-se padrão nos carros mais modernos. No entanto, o progresso na eletrônica vem permitindo que o tempo gasto na pontaria seja cada vez mais reduzido. O emprego do telêmetro laser acoplado aos visores de pontaria e ao computador balístico produzem uma grande probabilidade de acerto no primeiro tiro e uma redução no tempo de engajamento.
      
    O visor de pontaria dos modernos MBTs é estabilizado, no mínimo, em elevação e o canhão e a metralhadora coaxial são escravos dele. O computador armazena dados sobre a performance dos diferentes tipos de munição (e de seus diferentes lotes) e sensores coletam informações sobre fatores que influirão no comportamento balístico do tiro, tais como a velocidade e direção do vento, temperatura ambiente e do propelente (carga de projeção), pressão barométrica, desgaste e temperatura do tubo, ângulo de sítio e distância entre canhão e o visor de pontaria. Estes dados podem ser introduzidos tanto manualmente quanto automaticamente.

    Com a finalidade de reduzir variações no comportamento do tiro, mangas térmicas são colocadas em torno do tubo, mantendo-o a uma temperatura uniforme. O visor de pontaria do atirador tem normalmente um ajuste na ampliação e no campo de visão e possui recursos de visão termal que possibilita a visão tanto de dia quanto à noite ou sob condições de tempo adversas. Ele é acoplado a um telêmetro laser.
      
    Ao identificar o alvo, o atirador seleciona o tipo de munição; o computador irá gerar um ponto luminoso no visor, que é colocado pelo atirador sobre o alvo. A partir daí, o canhão estará apontado; quando estiver pronto para o tiro, após ser carregado, dará um sinal ao atirador.

    O comandante do carro tem seu próprio visor, que permite alternar sua imagem com a do atirador, fazendo com que ele possa acompanhar o procedimento para o tiro ou estar procurando novos alvos durante o engajamento. O comandante pode, ainda, assumir o controle do tiro para si.

    Tal sofisticação permite que alvos sejam engajados em poucos segundos, com probabilidade da ordem de 80% de serem atingidos pelo primeiro tiro para alvos estacionários a 3.000 m ou móveis a 2.000 m.



    PROTEÇÃO 

    O grau de proteção proporcionada pela blindagem é um fator de sobrevivência. Normalmente, a proteção convencional de aço é capaz de impedir danos causados por projetis de metralhadoras, pequenos canhões e granadas alto-explosivas de artilharia. Para proteção contra munição especializada antitanque, um considerável reforço na blindagem torna-se necessário, envolvendo considerável aumento de peso.
      
    A difusão do uso de armas antitanque dotadas de carga oca levou ao desenvolvimento da blindagem composta. As primeiras blindagens deste tipo foram desenvolvidas em um centro de estudos britânico a localidade de Chobam, de onde veio o nome pelo qual passaram a ser conhecidas.

    Essencialmente, esta blindagem envolve o arranjo de diversas camadas de chapas de vários materiais, com espaços entre elas. Estes espaços ajudam a tornar o jato provocado pela granada HEAT ineficiente, enquanto as várias camadas diminuem o impacto da energia cinética do projetil. Por outro lado, esta blindagem é bastante pesada, representando um aumento de cerca de 20% do peso do carro. Em conseqüência, não costuma ser empregada em torno de todo o carro, substituindo a blindagem convencional, sendo empregada em placas (muitas vezes removíveis) para proteger os pontos mais sensíveis, como a torre e parte frontal.

    Outras formas de blindagem mais modernas são a de cerâmica e a reativa. Esta última possui uma fina camada de explosivo que detona ao ser atingido por uma granada com carga oca, interrompendo o jato.

    A parte do carro de combate com maior probabilidade de ser atingida é a sua torre. Em conseqüência, é a parte do carro com maior proteção blindada. Suas partes frontais e laterais recebem espessa proteção e têm um desenho inclinado para desviar projetis cinéticos ou HESH. O uso da blindagem composta tem seu efeito sobre o desenho da torre, fazendo com que carros como o Abrams e o Leopard tenham suas laterais revestidas com placas. 

    Outra área bastante protegida é a parte superior da frente da carroceria. As espessuras máximas da blindagem não costumam ser reveladas. Tem-se como prováveis os seguintes dados, no entanto:
      • o M60 tem espessura máxima de 120 mm, com um peso total de 49 t.
      • o Leopard 1, desenhado com ênfase na mobilidade, tem pequena espessura, com um peso total de 39,5 t.
      • o T-62, contemporâneo dos modelos acima, também era levemente blindado, confiando a sua proteção ao seu desenho arredondado e na sua baixa silhueta. Tem peso total de 37,5 t.
      • o T-72, oficialmente com 41 t, tem uma blindagem de 200 mm de aço na sua parte frontal e, em outra versão, 100 mm de blindagem composta.
    A geração mais nova de MBTs teve um sensível aumento de peso em virtude do acréscimo de blindagem composta. O Abrams tem um peso de 54,5 t; o Leopard, de 55 t; o T-80 48,5 t e o Challenger, 61 t.
      
    Sistemas de controle de incêndio crescem de importância, na medida em que a munição HEAT baseia-se nos efeitos secundários do fogo e jato de gás para alcançar muitos dos seus efeitos letais.

    Neste contexto, a substituição da gasolina por diesel e tanque de combustível auto-selante mostraram-se bastante úteis. Outras medidas foram adotadas, como a guarda de munição em compartimentos individuais, separados do compartimento da tripulação por paredes duplas entre as quais é colocado água pressurizada, glicol ou outro líquido extintor de incêndio e a presença de portas que se abrirão para o exterior no caso de explosão.
    Outra ameaça é o emprego de agentes QBN pelo inimigo. A proteção contra estes agentes já se tornou equipamento padrão nos carros modernos e consiste basicamente de filtros que produzem ar descontaminado a pressões suficientemente altas para impedir que o ar externo penetre para o interior através de pequenas aberturas. Este sistema não alivia o uso de equipamento individual de proteção para a tripulação, como forma de prevenir possíveis falhas no sistema. No caso de explosões nucleares, a blindagem convencional é capaz de deter a radiação alfa, beta e gama; a única deficiência refere-se à proteção contra nêutrons, que conseguem penetrá-la.
    Os carros de combate são equipados para criarem suas próprias cortinas de fumaça, produzida tanto por granadas fumígenas quanto pela queima de óleo no motor. Visores termais fazem esta proteção ineficiente. Há, no entanto, novos geradores de fumaça capazes de bloquear a passagem de radiação infravermelha, utilizada por estes sistemas.

    A partir do surgimento dos modernos sistemas de controle de tiro, que permitem detectar o inimigo e o disparo em poucos segundos, qualquer redução do período em que o tanque fica exposto, principalmente após ter disparado um tiro, representará maior capacidade de sobrevivência.




    MOBILIDADE  

    A despeito de todas as medidas de proteção, o fator que garantirá ao tanque a maior capacidade de sobrevivência é a sua mobilidade, ou seja, a capacidade de ultrapassar obstáculos, realizar rápidas manobras e atingir maiores velocidades em terreno desfavorável. 
      
    Nos anos 60, quando a potência dos motores oscilava em torno dos 750 HP, o Chieftain e o M60 tinham uma relação peso/ potência de 13,7 hp/t e 11,4 hp/ t, respectivamente. O T-62, com somente 580 hps de potência disponíveis, tinha uma relação de 14,5 hp/t. Em 1965, com um motor de 830 hp e o peso reduzido ao mínimo, o Leopard 1 entrou em serviço com uma relação de 20,75 hp/t e uma reputação de excepcional capacidade de tráfego pelo campo.
      
    A atual geração de motores oferecem uma potência muito superior:
      • 1200 hp no motor 12 cilindros, diesel, do Challenger;
      • 1500 hp no motor 12 cilindros, diesel, do Leopard 2;
      • 1500 hp na turbina a gás do Abrams.
    Assim, ainda que os pesos tenham sido aumentados consideravelmente, a relação peso/potência também aumentou razoavelmente:
      • 27,3 hp/t no Leopard 2;
      • 21 hp/t no Abrams;
      • 19,7 hp/t no Challenger, um monstro de 61 t, que se assemelha à relação do Leopard 1.
    O aumento de potência e da relação peso/potência teve pequeno efeito no que se refere à velocidade máxima por estrada. Os carros da década de 60 tinham suas velocidades máximas em torno de 50 km/h, enquanto os mais modernos têm máximas em torno de 60 km/h. Exceção à esta regra são os alemães Leopard 1 e 2, que têm máximas próximas a 70 km/h, com suas transmissões sendo projetadas para proporcionarem esta performance.

    A manobrabilidade é proporcionada pelo sistema de transmissão e pelas lagartas. Neste aspecto, quanto maior o comprimento das lagartas no solo, mais afastadas elas devem estar. Por outro lado, restrições de largura impostas por considerações de tamanho (e, portanto, peso, custo e área do alvo) e a necessidade de empregar as estradas e pontes existentes geram um conflito com outro requisito: a reduzida pressão sobre o solo, em especial para operações em terreno pouco firme.

    Em números simples, todos os MBTs modernos podem ultrapassar valas de aproximadamente 3 metros de largura e obstáculos verticais de 0,90 a 1,20 m. A passagem a vau de 1 m não representa limitação, sendo possível equipá-los com snorkels para permitir a ultrapassagem submersos de cursos d'água mais profundos.

    SOLUÇÕES PARA DESENHO DOS MODERNOS TANQUES

    A partir das opções e conflitos mostrados acima, torna-se claro que o desenho final de um tanque dependerá do compromisso desejado entre mobilidade, proteção e potência de fogo.
      
    Na geração anterior, o Chieftain britânico fora projetado para ser capaz de atingir seus oponentes sem ser atingido, sobreviver melhor e ir a qualquer lugar no campo de batalha, embora devagar. O alemão Leopard 1 foi desenhado para deslocar-se por maiores distâncias e mais rapidamente, com um canhão útil somente para sua proteção. O M60 americano, projetado para um cenário de conflitos mundiais, sob as mais diferentes condições climáticas e mais diversas ameaças, apresenta um razoável equilíbrio.

    Na geração atual aparece um convergência ainda maior, com um razoável equilíbrio no Challenger britânico, Leopard alemão e Abrams americano. Os carros russos sempre se concentraram no balanço, tendo atingido bons resultados com veículos de muito menor tamanho que os ocidentais.
      
    A razão dos carros russos terem conseguido manter um baixo peso, ainda que mantida a proteção blindada e o poder de fogo, reside em detalhes de seus projetos. O motor montado transversalmente e transmissão compacta permitem uma redução significativa de volume. A capacidade de transporte de munição foi reduzida, assim como o tamanho dos tanques de combustível. A tripulação é de três homens, com menos espaço disponível; para isto, os canhões são de carregamento automático. Finalmente, os canhões somente podem ser abaixados em cerca de 4 graus, contra 10 dos carros ocidentais.
      
    Estas soluções refletem compromissos considerados aceitáveis do ponto de vista doutrinário russo: em primeiro lugar, eles têm mais unidades que qualquer adversário, o que torna a necessidade individual de munição menor; o menor espaço para a tripulação é resolvido ao se recrutar soldados de no máximo 1,60 m; finalmente, a depressão menor do canhão tem um papel mais significativo para um tanque na defensiva, que não era a missão primordial destes carros.
      
    Fora da OTAN e dos antigos membros do Pacto de Varsóvia, surgiram soluções de desenho bastante interessantes, para atenderem a necessidades específicas. O sueco Stridsvagn 103, ou S-tank, dispensou a torre, tendo um canhão fixo, apontado juntamente com todo o carro. Em elevação, esta pontaria é feita ajustando-se a suspensão para a altura indicada. Ele é extremamente bem protegido, tanto em termo de blindagem quanto em relação à área que oferece como alvo, tem boa mobilidade, com uma combinação de um motor diesel principal com uma turbina a gás para potência adicional. Sua principal deficiência é a incapacidade de atirar em movimento.

    O israelense Merkava é mais convencional na aparência, mas é único no que se refere à montagem do motor à frente da carroceria, ao invés da solução convencional de montá-lo à retaguarda. Tal fato deve-se à intenção de melhor proteger a tripulação, refletindo a deficiência israelense de obter novos soldados. Sua relação peso/potência é de 16 hp/t, o que traz reflexos sobre a velocidade máxima que pode atingir: 46 km/h. Esta solução de desenho, além de trazer um melhor proteção, criou um espaço vazio à retaguarda onde mais munição pode ser estocada, além de transportar seis fuzileiros equipados.