"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Situação / Missão #



A guerra é um jogo sem regras definidas, onde tudo vale, apesar de acordos internacionais como as " Convenções de Genebra" por exemplo, tentarem impor-lhe alguma disciplina, porém freqüentemente desrespeitados. Ela acontece de maneira dinâmica, onde todo e qualquer planejamento exige alterações constantes para se adequar a uma nova situação.
Existem conceitos consagrados ao longo do tempo que compõem a doutrina militar vigente, que com pequenas variações nas diversas forças armadas, são aceitos universalmente. Estes conceitos , porém, não são imutáveis e evoluem constantemente, a medida que a tecnologia e o pensamento militar lhes impõem novas feições.
Cada conceito militar existente pode ser aplicado ou não a uma determinada situação, e cabe aos gestores do campo de batalha a obrigação de conhecer sua dinâmica, a fim de viabilizar a aplicação correta e oportuna de cada ensinamento adquirido ao longo dos tempos, ou ainda criar novos conceitos que venham a se mostrar na cabeça dos pensadores da arte da guerra.
A Situação
Situação é o conjunto de fatores de natureza geopolítica que demandem a utilização do poder nacional para ser equacionada, na satisfação dos interesses da nação. O poder nacional vale-se de meios diversos como negociações diplomáticas, sanções de natureza política e econômica, entre outros, para atingir seus objetivos. Um desses meios é o poder militar que tem no emprego da força ou na possibilidade de usá-la, o aspecto que melhor o caracteriza, por meio da dissuasão ou da coerção, como medida extrema ao esforço diplomático mal-sucedido.
O Poder Militar de uma nação é comumente expresso pelas suas Forças Armadas exercendo o Poder Naval, o Poder Militar Terrestre e o Poder Militar Aeroespacial, respectivamente personificados pela Marinha de Guerra, Exército e Força Aérea. Cabe às Forças Armadas dissuadir possíveis ameaças aos interesses vitais da Nação; respaldar decisões políticas independentes na ordem internacional; e impor a vontade nacional, pela força, quando se fizer necessário.
Para cumprir estas missões fundamentais elas deverão estar em condições de operar eficientemente em todo o espectro de conflitos previsíveis; atuarem de forma coordenada e integrada, não se admitindo mais sua atuação isolada, salvo em ações pontuais; serem empregadas em espaço de tempo muito curtos, pois os conflitos modernos tendem a ser breves e surgirem sem aviso, tendo dessa forma que manter a instrução e o adestramento em níveis elevados e a necessidade de recompletamento em material e pessoal das unidades das forças de emprego imediato em níveis mínimos. As Forças Armadas também devem manter-se em condições de atuarem juntas a forças armadas de países amigos e dentro de alianças, situação muito comum na atualidade.
Missão
Define-se missão como a tarefa que o comando que a prescreve espera do comando designado. A missão deve ser a mais clara possível, apontando de forma inequívoca os objetivos a serem alcançados, os meios e recursos disponíveis e os limites a serem observados. Poderão compor a designação da missão outro fatores auxiliares que estejam disponíveis, como informações sobre o inimigo e cuidados a serem observados, como por exemplo a suspeita do emprego de armas químicas. É importante que o comando designador da missão se limite a dizer o quer e o que não se pode fazer, deixando o "como fazer" por conta do comandante designado.
Estudo de Situação
Uma vez recebida a missão do escalão superior, o comandante designado constitui um estado-maior (staff) e confronta a missão recebida com a situação existente, levantada através das informações disponíveis, identificando os principais problemas a serem enfrentados e elencando soluções viáveis para eles, traçando dessa forma um croqui do Plano Geral de Ação. Este pré-plano geral de ação deve ser submetido a aprovação do escalão designador, e uma vez aprovado, encaminhado ao estado-maior da missão para detalhamento e providências iniciais. 

O estado-maior da missão detalha o plano de seu comandante, traçando estratégias gerais, tais como:

    • Define os objetivos secundários,
    • Demanda ações de reconhecimento necessárias e solicita informações complementares,
    • Designa rotas e bases de operações viabilizando seu uso,
    • Estabelece datas, prazos e horários,
    • Destaca as unidades operadoras e providencia seu adestramento específico, constituindo as forças-tarefa necessárias,
    • Requisita recursos e os encaminha para onde serão necessários,
    • Sincroniza todos estes fatores no tempo e no espaço e emite ordens de operação,acompanha seu cumprimento e realiza as correções necessárias.

O sucesso de qualquer missão está na consecução eficiente dos objetivos secundários, que deverão contribuir para o atingimento do objetivo principal. Qualquer ação que não contribua para se chegar ao objetivo principal deverá ser descartada, ou se implementada não poderá resultar em qualquer prejuízo a este.

O Ambiente Operacional #



O ambiente operacional é o conjunto de todos os fatores físicos, geográficos ou não, organizados no tempo e espaço, visando nortear o planejamento e execução das operações, levando em conta as forças aliadas, seus recursos, o inimigo e a situação. 

Nele estão incluídos as bases de operações permanentes em território nacional de onde partem as unidades operadoras, suas rotas e bases intermediárias até o teatro de operações, aí incluídos terminais aéreos e marítimos, estradas de ferro e de rodagem, corredores aéreos e marítimos de superfície e submarinos; áreas de concentração estratégica e áreas de operações, áreas de apoio logístico e parques industriais de interesse, e todas as outras áreas  físicas que tenham influência sobre estas. Também fazem parte do Ambiente Operacional o espaço eletromagnético,  cibernético e de mídia de interesse das operações. 

A identificação deste espaço, sua  delimitação e seu plano de utilização são a primeira ação prática a ser consolidada na condução de uma campanha.


Espaço Aéreo: 

É vital em qualquer campanha moderna o domínio total ou parcial, dependendo da situação, do espaço aéreo de interesse das operações, domínio este conhecido também como Superioridade Aérea. Por ele serão estabelecidos os corredores logísticos aéreos, os corredores da aviação de combate ar-superfície, da aviação do exército em apoio as operações terrestres e da aviação naval na defesa das frotas, apoio a operações e patrulha marítima. 

Cabe a Força Aérea estabelecer este domínio através de sua aviação de caça e interceptação e sistemas de vigilância de defesa aérea. Para consecução deste domínio, medidas como viabilizar a utilização de bases aéreas pelas nossas forças, efetuar patrulhas de combate aéreo, suprimir sistemas anti-aéreos e bases inimigas, neutralizar sistemas de vigilância, de comando e controle, de suporte logístico e outras necessárias devem ser implementadas.

O espaço aéreo deverá ser compartimentado e sua utilização disciplinada em plano específico, sempre a cargo da Força Aérea. Deve-se levar em conta as necessidades e limitações das diversas aviações, como a de defesa aérea, de transporte estratégico, da aviação de ação ar-terra, da de suporte logístico, do Exército, da Marinha, civil, do inimigo, artilharia de campanha e antiaérea.

Guerra de Movimento #



Este conceito, iniciado por Napoleão e mais recentemente pelo exército alemão na II Guerra Mundial com sua "Blitzkrieg", preconiza a solução da batalha terrestre no menor espaço de tempo possível, através de ações ofensivas continuadas rápidas e profundas sobre os segmentos mais vulneráveis do inimigo, em frentes amplas e descontinuadas. 

Valendo-se dos princípios de Iniciativa e da Surpresa, visa obrigar o inimigo a reagir a nossas ações de forma desordenada e deficiente, evitando que siga seu planejamento próprio, submetendo-o a constante pressão até que seja destruído ou dominado. 



Este conceito requer das forças atacantes grande mobilidade e capacidade logística, pois visa, além de provocar a ruptura do dispositivo inimigo, disseminar-se no interior de sua área de defesa com profundidade, neutralizando no maior nível possível sua capacidade de combate, ao custo mínimo para as forças atacantes. 

A utilização do conceito de armas combinadas é fundamental, com ataques sendo precedidos por ações da artilharia e bombardeios da força aérea, pontos capitais rapidamente dominados por paraquedistas e tropas aeromóveis garantindo sua utilização pelas nossas forças ou negando-lhes ao inimigo, dispositivos defensivos rompidos por forças blindadas e rapidamente ocupados e consolidados pela infantaria, exploração da retaguarda inimiga pela desorganização de suas áreas logísticas e de C3I, além da contínua ação da unidades de guerra eletrônica e inteligência.



Os conceitos operacionais da guerra de movimento são:

  • Ação desbordante ou de flanco:
Evitar os setores densamente defendidos, procurando centralizar os esforços em setores alternativos que comprometam a integridade defensiva do inimigo, forçando-o a direcionar esforços em direções não consideradas com consequente fragilização de sua massa. Estas manobras visam principalmente paralisar suas comunicações, interromper sua vias de suprimento e bloquear suas rotas de fuga, além de obrigar o inimigo a utilizar suas reservas.
  • Iniciativa:
Com o objetivo do escalão superior sempre em mente, cada comandante tático deverá traçar sua própria linha de ação, explorando as particularidades de cada situação em proveito da própria manobra a fim de alcançar seu objetivo particular da melhor forma possível, sempre a luz do bom senso.
  • Seleção de frentes:
As unidades deverão receber setores operativos compatíveis com sua capacidade a fim de que possam concentrar seus esforços de maneiro eficaz e de forma emassada.
  • Flexibilidade:
A capacidade de modificar os planos originais em face de linhas de ação mais promissoras que forem surgindo no decorrer da manobra. Tais linhas de ação podem ser previstas em maior ou menor grau e sempre que possível devem ser elencadas como possíveis no planejamento da operação, de forma que sua implementação possa ser rapidamente efetivadada com esforço mínimo.
  • Dissimulação:
Dissimular significa fazer o inimigo acreditar naquilo que não existe ou não está acontecendo, fazendo-o reagir de forma equivocada. Manobras diversionárias, uso de fulmígenos e meios eletrônicos, camuflagem, mentiras e engodos de toda ordem, enfim tudo o que leve o inimgo a disperdiçar seus esforços.
  • Ação tridimensional:
Usar de forma ostensiva aeronaves de asa fixa e rotativa a fim de posicionar tropas por ações aeromóveis e aeroterrestres, conquistando pontos capitais à manobra em áreas profundas do dispositivo inimigo, destruir alvos da alto valor e apoiar por meio do fogo a operação das tropas amigas, além de garantir mobilidade em tempo real a pequenos grupos multiplicadores de força em proveito da manobra principal.
  • Ação em profundidade:
Aproveitamento rápido e profundo de eixos conquistados a fim de isolar o inimigo e bate-lo por partes, destruindo seu sistema logístico e apoio de fogo, comando e controle, impedindo-o de reagir e levando-o ao colapso operacional. Deve-se para tal utilizar-se de generosamente de meios de guerra eletrônica, busca de alvos para fogos de longo alcance, ação e forças especiais e de elementos de manobra altamente móveis.
  • Combate eletrônico:
Uso de meios eletrônicos a fim de obter o maior número de informações possível que revelem o poder de combate do inimigo, suas intenções e possibilidades, dispositivo, limitações e vulnerabilidades de forma contínua, mesmo antes do combate começar, e de contramedidas eletrônica ativas a fim de degradar a capacidade do inimigo de obter informações, se comunicar e praticar a vital atividade de comando e controle.
  • Risco:
O risco é inerente a guerra, que não existem sem ele. O risco porem tem que ser avaliado de forma a não comprometer a integridade da força, e em caso de insucesso existam alternativas viáveis.
  • Combate continuado:
Operações implementadas continuamente dia e noite, sem intervalos a fim de não permitir pausas para reorganização do dispositivo inimigo.
  • Combate não linear:
Combate em toda a extensão da área de operações e não apenas ao longo da linha de contato. Deve-se levar a manobra além da linha de contato, aos flancos e retaguarda, áreas de segurança e brechas apenas vigiadas, com incursões profundas e fluidas por meios altamente móveis terrestres e aéreos.
  • Letalidade:

Utilização de meios modernos e tecnologicamente avançados de pontaria e busca de alvos, a fim de não desperdiçar o poder de fogo com disparos imprecisos e não efetivos. Deve-se lançar mão ostensivamente de radares, meios de visão noturna, veículos aéreos não tripulados, satélites de observação, designadores eletrônicos e tudo o mais que contribua para a efetividade dos disparos.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Cavalaria #





A Cavalaria é, juntamente com a infantaria a arma-base, e tem por característica principal a velocidade. O termo cavalaria não é, como a maioria das pessoas imagina, associado a figura do cavalo e sim o contrário. O termo cavalaria deriva do sânscrito antigo e significa "combater em vantagem de posição", ou seja em um nível superior ao inimigo, seja em cima de um cavalo ou um elefante. A cavalaria foi ao longo dos séculos, a tropa que podia deslocar-se grandes distâncias em curto espaço de tempo, e combater em níveis superiores ao do soldado a pé (a infantaria). Na atualidade a cavalaria, mantendo suas características seculares de velocidade e poder de choque, emprega o veículo blindado como ferramenta principal, seja nas ações de choque ou esclarecimento, das quais é a herdeira legítima.



Características da Cavalaria

A cavalaria moderna para bem conduzir a sua missão, agrega em sua constituição três elementos fundamentais que a caracterizam como arma: a mobilidade, o poder de fogo e a proteção blindada.

  • Mobilidade: característica mais antiga da cavalaria, a mobilidade permite que estas tropas realizar manobras rápidas e flexíveis em terrenos diversos, podendo deslocar-se com extrema fluidez, engajar-se desengajar-se rapidamente de combate, intervir prontamente em pontos afastados em um grande raios de ação, além de transpor variados terrenos por grandes distâncias em curtos espaço de tempo.
  • Poder de fogo: esta característica permite a cavalaria efetuar disparos potentes e eficazes em apoio a sua manobra com o armamento orgânico de seus veículos, apoiada pela artilharia de campanha sempre que necessário.
  • Proteção blindada: Esta característica, fundamental no combate moderno, confere a arma de cavalaria uma notável capacidade de sobrevivência, através da couraça de seus veículos, capazes de suportar castigos acentuados proporcionados pelo fogo das armas inimigas. 
O resultado da combinação destas características é uma potente ação de choque que causa impacto e surpresa ao inimigo.



Missões da Cavalaria




  • Esclarecimento
Uma das missões principais da cavalaria moderna são as missões de esclarecimento. Normalmente desempenhadas pela cavalaria ligeira, dotadas de veículos sobre rodas capazes de desenvolver altas velocidades em terrenos variados, as missões de esclarecimento visam dar ao comandante de campo a visão do que está acontecendo a frente de sua tropa. 



A cavalaria ligeira atua de forma a evitar engajar-se em combate, mas podendo faze-lo se for necessário, pois seus veículos sacrificam seu poder de fogo e proteção blindada a fim de alcançarem maior fluidez na sua missão principal de busca de informações.

  • Choque
A outra missão desempenhada pela cavalaria é a de provocar contato direto com o inimigo através do choque, missão esta desempenhada pela cavalaria pesada ou de choque, através de carros de combate fortemente blindados e dotados de armamento com altíssimo poder de fogo. Estas forças são melhor empregadas em manobras de flanco, desbordando das áreas mais defendidas do dispositivo inimigo e procurando seus pontos mais sensíveis como postos de comando e áreas de apoio logístico, destruindo suas reservas e orgãos de apoio, envolvendo seu dispositivo impedindo-o de receber reforços ou retrair, isolando-o. Estas manobras são altamente eficazes e contribuem sobremaneira para a redução do seu poder de combate.



A cavalaria de choque também atua, na impossibilidade de efetuar envolvimentos, na ruptura do dispositivo e abertura de brechas que permitam penetrar a retaguarda do inimigo bloqueando seu retraimento, dificultando sua manobra e impedindo a chegada de reforços, pondo-se em perseguição assim que este se desorganizar.

A cavalaria ainda é empregada em missões de segurança do grosso das tropas amigas, vigiando o perímetro   de desdobramento destas, posicionando-se a frente a fim de manter contato com o inimigo e vigiá-lo, destruíndo seus elementos de vanguarda e retardando sua concentração. Atua ainda como reserva móvel a disposição do comando.




Tropas de Cavalaria

A cavalaria, a exemplo das outras armas, organiza-se de acordo com a tropa que compõem. Pode atuar junto a tropas leves como os paraquedistas,  fazer o uso de meios aéreos para deslocamento e observação como helicópteros e veículos não tripulados, e compor formações blindadas com seus veículos rápidos de reconhecimento e veículos pesados como os chamados carros de combate principais. Devido a sua características as tropas de cavalaria demandam em nível acentuados de malhas viárias e ferroviárias para seu deslocamento tático e estratégico, apoio logístico compatível para distribuição de combustível e munição, oficinas de manutenção de campo e eficaz defesa contra a aviação do inimigo.



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Artilharia de Campanha #



A artilharia de campanha é a arma componente das forças terrestres que tem por missão principal apoiar pelo fogo a manobra das armas-base, aprofundar o combate através de fogo de longo alcance junto à retaguarda das linhas inimigas e executar outras missões de fogo que lhes são próprias . As formações de artilharia de campanha posicionam-se a retaguarda das tropas em vanguarda, e através do tiro de trajetória balística, disparam suas granadas por sobre suas cabeças, atingindo os alvos a sua frente e a seu pedido, bem como os demais alvos designados pelo escalão superior.

O poder de fogo da artilharia de campanha é devastador, sendo a responsável terrestre pela maior parte das baixas inimigas em combate, "amaciando" sobremaneira os alvos a serem vencidos pelas armas-base, no decorrer de sua manobra e no cumprimento de seus objetivos. Devido as características de arma de apoio, a artilharia de campanha nunca é posta em reserva, e atua na totalidade de suas unidades o tempo todo, acompanhando a manobra das grandes unidades a que estiver subordinada.





Missões e Possibilidades

A artilharia de campanha pode aplicar sobre seus alvos uma variedade de fogos com características distintas de acordo com as necessidades de cada situação. Suas baterias podem, sem trocar de posição, alocar seus fogos rapidamente de uma posição a outra em reduzido espaço de tempo provendo um apoio flexível e eficaz, apenas variando o alcance e o azimute de seus disparos, através de variações na pontaria de suas peças ou na configuração das cargas de projeção.

Suas baterias trocam de posição de forma alternada a fim de que os fogos não cessem durante tais manobras, sendo que normalmente cerca de 2/3 delas permanecem atirando continuamente, se necessário. As unidades de artilharia podem atuar organicamente apoiando sua grande-unidade ou integrando agrupamentos de artilharia coordenados pelo escalão superior a fim emassar fogos em objetivos de alto valor. As missões de tiro podem ser de oportunidade ou seguir um plano de fogos pré-estabelecido, através de solicitação da arma-base, dos observadores avançados ou do escalão superior.


Efetua normalmente os seguinte fogos:
  • Fogos de preparação:  são aqueles efetuados forma contínua por um período de tempo determinado, sempre antes de um ataque da arma-base a fim de debilitar formações defensivas para que aquelas possam cumprir sua missão de uma forma mais previsível contra um alvo menos resistente e difícil.
  • Fogos de cobertura: são fogos destinados proteger forças amigas quando em manobras de retraimento ou que necessitem de proteção contra fogos inimigos.
  • Fogos de contrabateria: são fogos destinados a neutralização da artilharia inimiga, perigosos se esta tiver alcance similar, sendo desejável neste caso, que o alcance do material empregado seja superior ao do inimigo.
  • Fogos de contrapreparação: são fogos destinados a frustar a organização inimiga, evitando ou dificultando que desdobre dispositivos de combate.
  • Fogos de barragem: são fogos destinados a evitar que o inimigo ultrapasse determinadas linhas, criando barreiras ao seu deslocamento.
  • Fogos de interdição: são fogos destinados a destruição de alvos no campo de batalha, a fim de impedir que o inimigo se utilize deles para sua manobra. Como exemplo de alvos temos depósitos de combustível e munição, usinas de energia e de tratamento de água, pontes e aeródromos, entre outros.
  • Fogos de profundidade: são fogos destinados a atingir alvos bem a retaguarda do dispositivo inimigo, como, por exemplo, suas áreas de desdobramento logístico, a fim de prejudicar sua atividade.
  • Fogos de apoio aproximado: são fogos apontados diretamente frente da tropa apoiada a fim de facilitar a sua manobra e a seu pedido.
  • Fogos de inquietação: são fogos destinados diretamente a minar o moral inimigo, impedindo seu descanso, preparação ou articulação, efetuados de forma aleatória e imprevisível. Estes fogos podem ser efetuados de forma contínua, imprimem uma tensão constante ao inimigo diminuindo sua capacidade de operaçao.
  • Fogos de iluminação: são fogos destinados a prover iluminação às tropas através de munição especialmente desenvolvida.
  • Fogos de propaganda: são fogos destinados e transportar material de propaganda junto às linhas inimigas.


Devido as suas características a artilharia podem ainda atingir alvos desenfiados (posicionados atrás de elevações), alvos-ponto, alvo-área e alvos móveis. É muito vulnerável a ação aérea inimiga e tem limitações para se engajar em combate aproximado. Sua grande vulnerabilidade, no entanto, é a necessidade constante de grande quantidade de munição, e se não dispuser de apoio logístico eficaz pode ter sua operacionalidade comprometida.

Outras grande vulnerabilidade é quanto aos fogos de contrabateria inimigos. Assim que abre fogo, os disparos são prontamente detectados pelo inimigo através de seus OA e radares que calculam sua origem com grande rapidez e acionam suas baterias para réplica. Devido a esta ameaça as baterias tem que abandonar suas posições com grande rapidez após cada missão de tiro.




O Sistema Operacional

Para cumprir sua missão a artilharia de campanha se vale vários subsistemas. Fundamentalmente emprega três elementos básicos que agem simultaneamente em proveito próprio. A inoperância de qualquer um deles inviabiliza o emprego da arma e todos são igualmente importantes para sua operacionalidade. São eles o observador avançado (OA), a central de tiro e a linha de fogo.


  • O Observador Avançado (OA) : Posiciona-se a frente das baterias de tiro, em posições desenfiadas da observação inimiga e em condições de visualizar os alvos e os impactos no terreno. Pode acompanhar as armas apoiadas ou atuar sozinho, normalmente em pontos mais elevados ou em aeronaves que lhe permitam boas condições de observação. Cabe ao OA determinar as características dos alvos a serem batidos, suas dimensões e posicionamento (coordenadas no terreno), assim como corrigir e ajustar os disparos.
  • A Central de Tiro (CTir): Valendo-se de dados obtidos pelo OA e outros dados de inteligência como cartas topográficas e características dos alvos escolhidos, a C Tir plota em suas pranchetas a posição do alvo e das baterias de tiro, calculando alcance e elevação a serem aplicados às peças, seleciona regime de tiro, tipo de munição e a carga de projeção a ser utilizada, passando estes dados  a linha de fogo para o cumprimento da missão.
  • Linha de Fogo (LF):  É a bateria de tiro propriamente dita com cerca de 4 a oito peças  (obuses, morteiros ou lançadores múltiplos) . A Linha de fogo alimenta em suas peças os dados provenientes da C Tir e comanda os disparos, que serão observados pelo OA. Este efetua as correções necessárias levando em consideração a distância entre os impactos e o alvo e as repassa a central de tiro que recalcula os elementos de tiro e o ciclo recomeça. As linhas de fogo normalmente contam com mini centrais de tiro a fim de que possam operar independentemente quando necessário.
Outros sub-sistemas também são necessários ao bom funcionamento da artilharia de campanha.
  • Comunicações: necessárias para efetuar a ligação entre Comando, OA, Linha de fogo e Central de Tiro. Valem-se de redes fio para posições fixas ou redes por enlaces de rádio encriptadas e de salto de frequência operando comando de voz ou data-link.
  • Apoio logístico: Necessário para prover combustível e munição continuamente aos operadores, além de outros ítens.
  • Comando, controle e coordenação: Para alocação de fogos onde e quando forem necessários. 
  • Busca de Alvos: Os alvos podem ser designados pelo AO, arma-base, ou por outras unidades e subunidades, cujos pedidos de fogo chegam escalão superior de artilharia de campanha.
  • Topografia: Através de serviços de campo desenha uma trama de pontos precisos no terreno possibilitando tiro eficazes sem ajustagem prévia.
  • Meteorologia: Fornece dados sobre as condições atmosféricas que podem influenciar no cálculo das trajetórias, tornando os elementos de tiro mais confiáveis.
Apenas para exemplificar uma bateria de artilharia moderna, montada em peças autopropulsadas, dotada de GPS e DataLink poderia em questão segundos receber uma missão de tiro (via DataLink), parar no local onde se encontra e apontar suas peças instantaneamente, através de comandos pelo mesmo dataLink às outras peças, e através de soluções de pontaria fornecidas em tempo real pelos computadores balísticos que possuem desencadear seus fogos em poucos segundos e rapidamente trocar de posição a fim de evitar o fogo de contrabateria. Uma guarnição bem treinada poderia pode efetuar tal missão em menos de 1 minuto. Àqueles, como eu, que foram treinados numa central de tiro a moda da segunda guerra sabem o que isso significa. Mesmo diante da existência de meios modernos, os artilheiros continuam a ser treinados no cálculo manual do tiro, importante se a tecnologia não estiver disponível e condição fundamental para serem chamados de "artilheiros".

Materiais de artilharia de campanha

A artilharia de campanha emprega uma variedade de materiais diversos, cada um com características próprias e adequado a tropa que compõem e a missão a que se destina, sendo o mais tradicional o obuseiro. Podemos classificar o material de artilharia quanto ao quesito mobilidade e peso, elementos este que definem qual tropa emprega qual material.

Quanto a mobilidade o material de artilharia pode ser rebocado ou propulsado. O material rebocado possui peso e mobilidade inferior ao propulsado, e depende de uma viatura QT para seu deslocamento. A dimensão desta viatura depende muito do material a rebocar e pode ser uma viatura 3/4 Ton para rebocar um lançador múltiplo leve ou uma viatura de 5 Ton para rebocar obuseiros de 155 mm, por exemplo.

No ocidente utiliza-se o obuseiro de 105 mm quando o quesito peso for a prioridade, como no caso de tropas leve e helitransportadas, como tropas paraquedistas e de montanha. Nestes casos obuseiros leves fazem a diferença, pois favorecem a mobilidade estratégica, podendo ser deslocados por ar em intervalos de tempo muito curtos. No Brasil utiliza-se o obuseiro Oto Melara Mod 56 que pode ser desmontado em partes e transportado no lombo de animais, dentro de uma viatura M113 e lançado de paraquedas, além de ser rebocado por viaturas leves. Outro material leve artilharia é o morteiro de 120 mm que possui as mesmas características de mobilidade dos modelos Oto Melara. Lançadores múltiplos leves também podem ser helitransportados e possuem altíssimo poder de fogo. Estes materiais possuem um alcance de cerca de 11 a 12 mil metros, sendo que o morteiro possui um alcance menor, de aproximadamente 6 mil metros.




Modelos de 105 mm como o inglês Light Gun podem ser facilmente aerotransportados por aeronaves C-130, e são utilizados por tropas mais convencionais, como as brigadas de infantaria. A tendência mundial é equipagem destas tropas com obuseiros mais potentes de 155 mm também rebocados. Estas peças possuem um alcance de cerca de 30 km, pesam de 4 a 5 ton e requerem viaturas mais pesadas para tracioná-las. Alguns modelos deste calibre possuem limitações quanto ao aerotransporte por aeronaves C-130.

Para equipar a artilharia de campanha das brigadas e divisões blindadas utiliza-se versões autopropulsadas dos obuseiros de 105 mm e 155 mm, que são peças de artilharia montadas em veículos blindados especialmente construídos ou adaptados de outros chassis blindados, estando o calibre de 105 mm gradativamente caindo em desuso nestas unidades. Estes modelos possuem a mobilidade tática necessária para acompanhar carros de combate principais em seus avanços, mas sua mobilidade estratégico-operacional é mais limitada, uma vez que só pode ser aerotransportada por aeronaves pesadas ou embarcações. Para deslocamentos terrestres demandam carretas ou transporte ferroviário.

A artilharia de foguetes também está presente nos exércitos modernos, e geralmente é empregada em bombardeios de profundidade, uma vez que os foguetes alcançam distâncias bem superiores a artilharia de tubo. Como exemplo destes sistemas temos o Astros II brasileiros e o MLRS norte-americano. Possuem as mesmas características de mobilidade dos obuseiros autopropulsados. Estes sistemas são altamente eficazes e alvos de busca da aviação inimiga no início de qualquer conflito, carecendo de efetiva proteção antiaérea.





Unidades de Artilharia

As unidades de artilharia, no Brasil denominadas Grupos de Artilharia, são organizadas em baterias de tiro de 2 a 4 conforme a unidade cada uma com 4 a 8 peças. Unidades autopropulsadas apoiam as brigadas e divisões blindadas, unidades leves apoiam tropas paraquedistas, infantaria leve, tropas de selva e de montanha. Outras unidades, geralmente rebocadas apoiam tropas mais convencionais.

As unidades de artilharia, por serem forças de apoio nunca são colocadas em reserva. Se uma brigada estiver em tal situação, seu grupo de artilharia permanece a disposição do comando divisionário para reforço àquelas unidades que apoiam as tropas em ação. Apesar de se subordinar a uma determinada grande unidade os escalões superiores de artilharia podem rapidamente assumir seu controle e agregar uma grande quantidade de grupos sob comando único a fim de cumprir missões especialmente designadas.

Busca e aquisição de alvos

Os alvos da artilharia podem ser de oportunidade ou pré-programados em um plano geral de fogos, confeccionado pelo comando da artilharia. Estes alvos são elencados a partir de inúmeros meios de busca que partem dos observadores avançados de artilharia, da arma-base, da observação por satélite, dos esclarecedores da brigada, de veículos de observação aérea como a aviação do exército em seus helicópteros e veículos não tripulados, da força aérea, radares de artilharia e busca de alvos, sistemas de inteligência tipo ELINT, entre outros.



Estabelecendo uma Posição Defensiva #



O sucesso em combate envolve mais que apenas feitos audazes conseguidos através do deslocamento em um campo de batalha. Freqüentemente os soldados tem que parar para cavar a fim de construir posições seguras onde possam descansar e defender-se, de forma a sobreviver para ganhar a batalha seguinte. Nesta seção serão mostrado os princípios básicos na construção de  posições defensivas para pequenos grupos. Uma posição defensiva eficaz faz o melhor uso possível de sua potência de fogo. A nível de pelotão ou seção, serão necessário desdobrar trincheiras de modo que todos os acessos a sua posição sejam cobertos ao menos por dois arcos do fogo. Então, antes que possa alcança-lo, o inimigo terá que cruzar um terreno de matança em potencial. Uma defesa eficaz depende destes princípios básicos.


Defendendo o terreno de importância tática

Deve-se negar ao inimigo todo o terreno de importância tática, ou seja, todo o terreno de onde o inimigo possa executar qualquer tipo de manobra em seu proveito. Pode-se fazer isto defendendo o terreno propriamente dito, impedindo que o inimigo o ocupe e dele se utilize, ou bloqueando o acesso a ele.
O comandante do dispositivo deverá identificar, dentro de seu perímetro de defesa, os pontos de comandamento tanto do perímetro em sí, como os de suas rotas de acesso. Estes pontos servirão principalmente para a instalação de observadores e sentinelas que darão o alarme de qualquer atividade dentro de seu campo de observação. Também é possível desdobrar armamento defensivo a partir destas posições.

Defesa em profundidade

Uma defesa deve ser desdobrada levando em conta o fator profundidade, de forma que um ataque potente possa ser absorvido de forma lenta e gradual; primeiro enfraquecendo e desorganizando o atacante, para finalmente liquidá-lo ou faze-lo desistir.
Fazer o inimigo atravessar uma distância relativamente longa sob fogo é eficaz e em muitos casos pode até desencorajar a fazê-lo. Outro artifício a ser implementado pode ser o de criar corredores com curvas, aumentando a distância a ser percorrida e expondo-o ao fogo por mais tempo.

Posições Individuais e cobertura mútua

Trincheiras devem ser construídas de forma a prover cobertura mútua de fogo, proporcionando apoio a frente, nos flancos e à retaguarda. Dentro de um pelotão, cada seção deve poder cobrir a outra de tal maneira que os arcos das metralhadoras e das armas individuais se sobreponham. Deve-se tomar cuidado, no entanto para que uma seção não fique dentro do campo de tiro de outra, evitando o chamado fogo amigo.

Escondendo a posição

As trincheiras devem ser cuidadosamente escondidas da observação aérea e terrestre. Isto será conseguido construindo um eficaz sistema de camuflagem, além de uma localização cuidadosa. O terreno deve ser usado de modo que o inimigo não adentre a posição de forma desavisada. Uma maneira de se conseguir isto é situar suas posições defensivas em uma inclinação reversa, ou seja, atrás da crista de um monte de modo que o inimigo possa se aproximar somente através do arco de fogo das trincheiras ali instaladas, atacando de baixo para cima como óbvia desvantagem tática, sendo detectado muito antes de entrar no alcance das armas, dando chance a construção de pontarias bem estudadas, chamando para si o fogo direto quando estiver bem dentro de alcance.

Defendendo todos os acessos

Todas as posições defensivas devem ser situadas de forma a poderem fazer frente a ataques vindos de qualquer direção. Embora sejam distribuídos setores de defesa às diversas seções do pelotão, cada qual defendendo um sentido em particular concentrando ali seu fogo, suas linhas podem ser penetradas, especialmente à noite, e as seções devem estar preparadas para enfrentar um ataque de qualquer direção.

Mantendo as linhas de suprimento abertas

Como em todas as fases da guerra, uma campanha de sucesso depende da sustentação do necessário apoio logístico. Por melhor que seja uma posição defensiva, é improvável que se possa mantê-la se acabar a munição ou os defensores não tiverem o que comer.

Seguir sempre estes seis princípios ao construir uma posição defensiva é muito importante. Uma trincheira individual de fogo terá que ser situada seguindo estes princípios de forma a integrar uma planta maior de defesa.



A localização das trincheiras

Os seguintes fatores devem ser considerados ao se projetar trincheiras. Todo o projeto deverá levar em conta o desdobramento defensivo como um todo.
  • O uso das armas: A trincheira deve estar situada de forma a permitir um bom campo de fogo e de visão. Deve-se construí-la de forma que o fogo defensivo possa ser disparado sem obstáculos. Os campos de tiro devem ser limpos de desubstruídos de vegetação, sempre levando em conta as necessidades de camuflagem.
  • Proteção: A principal ameaça a infantaria em processo de escavação é o fogo de artilharia, em especial os projéteis de arrebentação aérea. Para uma proteção eficaz, as trincheiras não devem ser muito largas (cerca de 50 centímetros). A proteção aérea do abrigo deve ter ao menos 45 centímetros de espessura.
  • Velocidade da construção: No lugar de pás, machados e picaretas, deve-se sempre que possível lançar mão de ferramentas motorizadas. A preparação do terreno com explosivos também é uma opção. A melhor solução é um escavador móvel, que proporciona maior velocidade de escavação e poupa os defensores de esforço físico. Ele pode escavar rapidamente trincheiras de fogo, bunkers de comando ou para armas de emprego coletivo, como metralhadoras e morteiros.
  • Camuflagem: A trincheira deve, obviamente, também ser escondida o quanto possível.

A trincheira básica de fogo

A trincheira de fogo para dois homens, a trincheira de fogo para quatro homens e a trincheira de fogo de arma coletiva são os três tipos básicos de trincheira.

A trincheira de dois homens deve ser cavada com a profundidade das axilas dos defensores, cerca de 50 cm de largura, e cerca de 2,2 metros de comprimento. A profundidade pode ser variada, de acordo com a altura do homem mais alto da trincheira. As trincheiras de fogo devem ser construídas com proteção antiaérea. Esta não deve medir mais que um sexto da altura dos ocupantes acima do nível do terreno. Se a proteção antiaérea for adicionada a uma trincheira do fogo, uma abertura deve ser deixada descoberta para acesso, ter proteção contra o fogo das armas anti-tanque e sumidouro para defesa contra granadas de mão.

Fazendo exame do abrigo

Uma vez que a trincheira de fogo estiver completada, o passo seguinte é escavar a trincheira do abrigo. Esta é uma continuação da trincheira de fogo e deve ter a altura de cerca da metade da altura dos ocupantes, com uma cobertura de cerca de 45 cm de proteção. Esta cobertura deverá ser reforçada de forma a suportar o tráfego no terreno, seja tanto o de pessoal como o de veículos. Esta trincheira presta-se a servir como dormitório aos ocupantes. Uma trincheira de quatro homens deverá simplesmente ter duas vezes o comprimento de uma trincheira de dois homens e terá uma trincheira de abrigo em cada extremidade.

Para escavar uma trincheira de fogo de dois-homens em solo relativamente macio consome aproximadamente duas horas. Em solo mais difícil este tempo pode dobrar. Um hora adicional se fará necessária para proporcionar a proteção antiaérea, e de três a cinco horas adicionais para terminar a trincheira do abrigo em solo macio (até nove em solo duro).

Defesa Extra

Quando a trincheira for completada, necessitará ser guarnecida com defesas extras. Obstáculos de arame podem ser construídos em frente de sua posição, embora estes não sejam tão bons, a menos que estejam cobertos por arcos fogo.

As minas também podem ser usadas. Campos cuidadosamente ocultados, bem instalados e cobertos por fogo são altamente eficientes para deter veículos e tropas a pé.


Por último, deve-se ter um plano compreensivo de fogo, lançando-se mão de artilharia, tanques, morteiros, metralhadoras e armas anti-tanque, proporcionando cobertura mútua de forma a manter a posição coesa.



Superfícies de controle de mísseis


A Maioria dos mísseis nâo tem lemes convencionais, ailerons, elevadores ou superfícies de controle como as usadas em aviões convencionais. No entanto, os mísseis empregam superfícies de controle aerodinâmico semelhantes, a fim de manobrar o veículo durante o voo.

O coração de um míssil é a sua superestrutura, o equivalente a fuselagem de uma aeronave. A superestrutura dos mísseis contém seu sistema de orientação e controle, ogiva, e o sistema de propulsão. Muitos utilizam o termo genérico "fin" para se referir a qualquer superfície aerodinâmica em um míssil. Designers de mísseis, no entanto, são mais precisos em sua metodologia de nomenclatura e geralmente consideram estas superfícies em três categorias principais: canards, asas e cauda.

Principais componentes de um míssil

O exemplo acima ilustra uma configuração genérica de mísseis equipados com todas as três superfícies. Muitas vezes, os termos canard, asa, e fin são usados ​​indistintamente, o que pode ficar bastante confuso. Estas superfícies se comportam de maneiras fundamentalmente          diferentes, no entanto, com base em onde eles estão localizadas em relação ao centro de gravidade do míssil. Em geral, uma asa é uma superfície relativamente grande que está localizada perto do centro de gravidade, enquanto um canard fica perto do nariz e uma empenagem de cauda fica na extremidade traseira do míssil.

A maioria dos mísseis estão equipados com pelo menos um conjunto de superfícies aerodinâmicas, geralmente aletas de cauda, uma vez que estas superfícies oferecem estabilidade em vôo. São equipados também com um segundo conjunto de superfícies para fornecer sustentação adicional ou controle melhorado. Poucos modelos estão equipados com todos os três conjuntos de superfícies.

Diferentemente das aeronaves convencionais, os mísseis usam todas as suas superfícies para realizar seus movimentos, como ilustrado abaixo:

Desvios de uma superfície de controle em um míssil

A fim de comandar o míssil durante o vôo, pelo menos um conjunto de superfícies aerodinâmicas é projetado para rodar em torno de um ponto de pivô central. Ao fazê-lo, o ângulo de ataque da empenagem é alterado para que a força de sustentação agindo sobre ele mude. As mudanças na direção e magnitude das forças que agem sobre o míssil resulta em que ele se mova em uma direção diferente e permite que o veículo manobre ao longo de sua trajetória e guie-se para seu alvo. Um exemplo de uma deflexão na superfície de controle em um modelo AIM-9M Sidewinder é ilustrado abaixo.

Deflexões Canard em um Sidewinder AIM-9M

Canards, asas e caudas são geralmente agrupados e referidos como controles aerodinâmicos. Um desenvolvimento mais recente em sistemas de manobra de mísseis é chamada de controle não convencionais. Sistemas de controle não convencionais envolvem alguma forma de controle do vetor empuxo (TVC) ou interação jet (JI). 

Temos agora introduzidas quatro categorias principais de sistemas de controle de mísseis de voo: cauda, canard, asas e os controles não convencionais.

Quatro categorias principais de vôo de mísseis controles

Quatro categorias principais de vôo de mísseis controles

Controle de Cauda:

O controle de cauda é provavelmente a forma mais comumente utilizada de controle de mísseis, particularmente para dar maior alcance como os ar-ar AMRAAM e como SAM  Patriot e Roland. A principal razão para esta aplicação é porque o controle da cauda oferece excelente manobrabilidade em altos ângulos de ataque, muitas vezes necessários para interceptar um avião altamente manobrável. Mísseis usando o controle de cauda também são        equipados com uma superfície não-móvel para sustentação adicional e incremento no  alcance. Alguns bons exemplos de tais mísseis são os ASM Maverick e AS.30, bem como  os SSM Harpoon e Exocet. Mísseis com controle de cauda raramente têm canards. Abaixo temos uma seleção de 23 mísseis que utilizam controle de cauda

Mísseis com controle de cauda

Além de mísseis, algumas bombas também podem usar o controle de cauda. Um exemplo é a série de bombas guiadas por GPS JDAM.

Controle por Canards:

O controle por canards também é bastante usado, especialmente em mísseis de curto alcance ar-ar como os AIM-9M Sidewinder. A principal vantagem do controle por canard é a melhor manobrabilidade em ângulos baixos de ataque, mas canards tendem a se tornar ineficazes em altos ângulos de ataque por causa da separação de fluxo, que faz com que as superfícies estolem. Os canards estão à frente do centro de gravidade, o que causa um efeito desestabilizador e requerem grandes caudas fixas para manteren-se estáveis. Estes dois conjuntos de superfícies geralmente oferecem sustentação suficiente, fazendo as asas desnecessárias. A seguir temos doze exemplos de mísseis com controle canard.

Mísseis com canard controle

Um subconjunto adicional de controle canard é o canard split. Canards divididos são um desenvolvimento relativamente novo que tem encontrado aplicação na mais recente geração de mísseis ar-ar de curto alcance como o Python 4 e o russo AA-11. O termo canard dividido  refere-se ao fato de que o míssil tem dois conjuntos de canards próximos, geralmente um imediatamente atrás do outro. O canard anterior é fixo, enquanto que o posterior é móvel. A vantagem deste arranjo é que o primeiro conjunto de canards gera fortes vórtices energéticos que aumentam a velocidade do fluxo de ar sobre o segundo conjunto de canards tornando-os mais eficazes. Além disso, os vórtices atrasam a separação de fluxo e permitem que os canards possam alcançar maiores ângulos de ataque antes de estolar. Este ângulo elevado de ataque dá o míssil poder de manobra muito maior em comparação com um míssil com controle de canard único. Seis exemplos de mísseis de canard dividido são mostradas abaixo.

Mísseis com controle dividido canard

Muitas bombas inteligentes também utilizar sistemas de controle de canard. A mais notável delas são bombas guiadas por laser, como a série Paveway.

Controle de Asa:

O controle de asa foi uma das primeiras formas de controle de mísseis desenvolvidas, mas são cada vez menos usada em designs atuais; A maioria dos mísseis usando o controle de asa são de longo alcance como os mísseis Sparrow, Sea Skua e HARM. A principal vantagem do controle de asa é que as deformações das asas produzem uma resposta muito rápida com pouco movimento do corpo. Esta característica resulta em pequeno erro no buscador de rastreamento e permite que o míssil permaneça bloqueado no alvo, mesmo durante manobras de grande porte. A principal desvantagem é que as asas devem geralmente ser muito grande, a fim de gerar sustentação suficiente e eficácia de controle, o que torna os mísseis muito grandes. Além disso, as asas geram vórtices fortes que podem adversamente interagir com as caudas fazendo com que o míssil role. Este comportamento é conhecido como rolo induzido, e se o efeito for forte o suficiente, o sistema de controle pode não ser capaz de compensar. Alguns exemplos de controle de mísseis da asa são mostradas abaixo.

Mísseis com controle de asa

Controle não convencional:

Sistemas de controle não convencionais são uma categoria que inclui um número de tecnologias avançadas. A maioria das técnicas envolvem algum tipo de vetoração de empuxo Vetoração de empuxo é definido como um método de desviar o escape dos mísseis para gerar um componente de empuxo no sentido vertical e/ou horizontal. Esta força adicional aponta o nariz em uma nova direção fazendo com que o míssil vire. Outra técnica que está apenas começando a ser introduzida são os chamados jatos de reação. Jatos de reação são geralmente pequenos pontos na superfície de um míssil que criam um escape a jato perpendicular a superfície do veículo e produzem um efeito semelhante a vetoração de empuxo.

Tecnologias de controle não convencionais

Estas técnicas são mais freqüentemente aplicada à mísseis ar-ar como o AIM-9X Sidewinder e IRIS-T para fornecer excepcional manobrabilidade. A maior vantagem de tais controles é que eles podem funcionar em velocidades muito baixas ou em um vácuo onde há pouco ou nenhum fluxo de ar para agir em superfícies convencionais. A principal desvantagem, no entanto, é que eles não irão funcionar quando o fornecimento de combustível se esgotar.

Mísseis com controles não-convencionais

Exemplos de mísseis empregando controles convencionais são mostrados acima. Note-se que a maioria dos mísseis equipados com controles não convencionais não dependem desses controles sozinhos para sua maneabilidade, mas apenas como um complemento para as superfícies aerodinâmicas como canards e as aletas da cauda.

Outras opções:

Finalmente, deve-se notar que alguns mísseis existentes usam controles convencionais semelhantes às empregadas por aeronaves. A maioria das armas que empregam tais controles são mísseis de cruzeiro Tomahawk e ALCM.