A guerra é um jogo sem regras definidas, onde tudo vale, apesar de acordos internacionais como as " Convenções de Genebra" por exemplo, tentarem impor-lhe alguma disciplina, porém freqüentemente desrespeitados. Ela acontece de maneira dinâmica, onde todo e qualquer planejamento exige alterações constantes para se adequar a uma nova situação.
Existem conceitos consagrados ao longo do tempo que compõem a doutrina militar vigente, que com pequenas variações nas diversas forças armadas, são aceitos universalmente. Estes conceitos , porém, não são imutáveis e evoluem constantemente, a medida que a tecnologia e o pensamento militar lhes impõem novas feições.
Cada conceito militar existente pode ser aplicado ou não a uma determinada situação, e cabe aos gestores do campo de batalha a obrigação de conhecer sua dinâmica, a fim de viabilizar a aplicação correta e oportuna de cada ensinamento adquirido ao longo dos tempos, ou ainda criar novos conceitos que venham a se mostrar na cabeça dos pensadores da arte da guerra.
A Situação
Situação é o conjunto de fatores de natureza geopolítica que demandem a utilização do poder nacional para ser equacionada, na satisfação dos interesses da nação. O poder nacional vale-se de meios diversos como negociações diplomáticas, sanções de natureza política e econômica, entre outros, para atingir seus objetivos. Um desses meios é o poder militar que tem no emprego da força ou na possibilidade de usá-la, o aspecto que melhor o caracteriza, por meio da dissuasão ou da coerção, como medida extrema ao esforço diplomático mal-sucedido.
O Poder Militar de uma nação é comumente expresso pelas suas Forças Armadas exercendo o Poder Naval, o Poder Militar Terrestre e o Poder Militar Aeroespacial, respectivamente personificados pela Marinha de Guerra, Exército e Força Aérea. Cabe às Forças Armadas dissuadir possíveis ameaças aos interesses vitais da Nação; respaldar decisões políticas independentes na ordem internacional; e impor a vontade nacional, pela força, quando se fizer necessário.
Para cumprir estas missões fundamentais elas deverão estar em condições de operar eficientemente em todo o espectro de conflitos previsíveis; atuarem de forma coordenada e integrada, não se admitindo mais sua atuação isolada, salvo em ações pontuais; serem empregadas em espaço de tempo muito curtos, pois os conflitos modernos tendem a ser breves e surgirem sem aviso, tendo dessa forma que manter a instrução e o adestramento em níveis elevados e a necessidade de recompletamento em material e pessoal das unidades das forças de emprego imediato em níveis mínimos. As Forças Armadas também devem manter-se em condições de atuarem juntas a forças armadas de países amigos e dentro de alianças, situação muito comum na atualidade.
Missão
Define-se missão como a tarefa que o comando que a prescreve espera do comando designado. A missão deve ser a mais clara possível, apontando de forma inequívoca os objetivos a serem alcançados, os meios e recursos disponíveis e os limites a serem observados. Poderão compor a designação da missão outro fatores auxiliares que estejam disponíveis, como informações sobre o inimigo e cuidados a serem observados, como por exemplo a suspeita do emprego de armas químicas. É importante que o comando designador da missão se limite a dizer o quer e o que não se pode fazer, deixando o "como fazer" por conta do comandante designado.
Estudo de Situação
Uma vez recebida a missão do escalão superior, o comandante designado constitui um estado-maior (staff) e confronta a missão recebida com a situação existente, levantada através das informações disponíveis, identificando os principais problemas a serem enfrentados e elencando soluções viáveis para eles, traçando dessa forma um croqui do Plano Geral de Ação. Este pré-plano geral de ação deve ser submetido a aprovação do escalão designador, e uma vez aprovado, encaminhado ao estado-maior da missão para detalhamento e providências iniciais.
O estado-maior da missão detalha o plano de seu comandante, traçando estratégias gerais, tais como:
- Define os objetivos secundários,
- Demanda ações de reconhecimento necessárias e solicita informações complementares,
- Designa rotas e bases de operações viabilizando seu uso,
- Estabelece datas, prazos e horários,
- Destaca as unidades operadoras e providencia seu adestramento específico, constituindo as forças-tarefa necessárias,
- Requisita recursos e os encaminha para onde serão necessários,
- Sincroniza todos estes fatores no tempo e no espaço e emite ordens de operação,acompanha seu cumprimento e realiza as correções necessárias.
O sucesso de qualquer missão está na consecução eficiente dos objetivos secundários, que deverão contribuir para o atingimento do objetivo principal. Qualquer ação que não contribua para se chegar ao objetivo principal deverá ser descartada, ou se implementada não poderá resultar em qualquer prejuízo a este.


































