"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Organização das Unidades Operacionais #



Uma força em combate é constituída por componentes da ativa e da reserva, com tipos diferentes de unidades e com graus variados de modernização, podendo existir forças multinacionais e agências civis que devem operar em sinergia. Existe ainda as forças armadas institucionais que apóiam as forças de campo e disponibilizam todo o suporte necessário a estas.

Força-Tarefa é o nome dado a um agrupamento temporário de forças projetado para realizar uma missão particular. Dentro do pacote de forças descrito no parágrafo anterior, unidades são designadas para missões específicas, combinado-se de acordo com suas capacidades. A estas composições designamos relações de apoio de força-tarefa.

Armas combinadas são o conjunto de vários tipos de armas como infantaria, blindados, artilharia de campo, engenheiros, defesa aérea e aviação, empregados com sincronia e simultaneidade, para alcançar um efeito maior que se cada arma fosse separadamente ou em seqüência usada contra o inimigo. Este preceito de combinação de unidades especialistas é base fundamental para a organização das operações.  As diversas armas e serviços não devem, em hipótese alguma atuar de forma concorrente, e sim em perfeita consonância de forma a multiplicar esforços e não duplicá-los.

Relações de comando e apoio inter-relacionam a organização de armas combinadas. Relações de comando definem responsabilidade de comando e autoridade, enquanto relações de apoio definem propósito, extensão e efeitos desejados quando uma unidade apóia a outra.

Armas complementares são o conceito em que as várias armas e serviços em campanha complementam-se uns aos outros, criando ameaças variadas ao inimigo. Quando o inimigo se evade dos efeitos de um tipo de ação, ele se expõe a destruição por outro. Isto conduz a sua paralisia, destruição, ou rendição. Um exemplo tático dos efeitos complementares está em reprimir o defensor com artilharia enquanto a manobra das armas-base o envolve e posteriormente o destrói. Se o inimigo se mover para conhecer a ameaça, arrisca sua destruição por fogos estrategicamente colocados, e se permanecer no lugar para sobreviver a estas fogos, arrisca-se a ser cercado e apanhado.

Capacidades complementares protegem as fraquezas de um sistema ou organização com as capacidades de outro. Por exemplo, tanques combinam proteção, potência de fogo, e mobilidade, porém são vulneráveis a minas, projéteis anti-tanque, infantaria escondida, e tem que trafegar por avenidas restritas de aproximação. São particularmente vulneráveis em áreas urbanas e de vegetação densa. Combinado a atuação de tanques, infantaria, e engenheiros minimiza-se estas vulnerabilidades. A infantaria manobra em terreno onde a couraça não pode eliminar ameaças escondidas aos tanques, engenheiros limpam obstáculos e restabelecem a mobilidade da couraça. Protegidos através do fogo de armas leves, a couraça manobra para concentrar potência de fogo devastadora de forma a apoiar a infantaria e os engenheiros. Unidades de serviço em campanha apóiam a atuação deste elementos, provendo as capacidade combativa a estes, enquanto são por eles protegidas.

Sensores aerotransportados e espaciais, além dos baseados na superfície monitoram as reações inimigas, enquanto pilotos e aviadores usam esta informação para refinar e afiar procedimentos. A manobra da força terrestre conquista o terreno e destrói o inimigo, que na tentativa de se interar da manobra terrestre, deixa suas áreas de proteção e se expõe ao poder aéreo e projeteis de longo alcance, ficando então mais vulnerável aos efeitos da manobra. Se o inimigo tenta atingir bases aéreas e de retaguarda com mísseis táticos, defesas anti-míssil apoiadas por sistemas de vigilâncias espaciais, aerotransportados ou baseados na superfície interceptam estas armas. Através da manobra de forças, pode-se alcançar as defesas anti-aéreas do inimigo, bases aéreas, áreas de lançamento, postos de comando e unidades de serviço, eliminando ameaças táticas e operacionais e fazendo a situação do inimigo se deteriorar.

Alcançar tais efeitos de reforço e recursos complementares requer sincronização, iniciativa, e versatilidade. A ação sincronizada é a base para complementar e reforçar efeitos. A iniciativa pode combinar  unidades e sistemas em circunstâncias fluidas de ação, freqüentemente na ausência de ordens. A versatilidade permite que sejam desenvolvidas combinações novas de sistemas, criando desafios inéditos ao adversário. Corretamente combinados, estes efeitos produzem assimetrias usadas para alcançar objetivos de teatro.

Organização do Ambiente Operacional #




Baseado no FM 3-0 Cap 4

O ambiente operacional é o conjunto de todos os fatores físicos, geográficos ou não, organizados no tempo e espaço, visando nortear o planejamento e execução das operações, levando em conta as forças aliadas, seus recursos, o inimigo e a situação.

Organização do Ambiente Operacional

  • Teatro de Guerra (TG): É o ambiente composto por todo o espaço aéreo, terrestre e aquático que está ou pode vir a estar envolvido diretamente na conduta das operações.  Ele engloba o conjunto dos vários teatros de operações, se estes existirem de forma plural. Na Segunda Grande Guerra o TG era o mundo inteiro, na operação Tempestade no Deserto era o Oriente Médio.
  • Teatro de Operações (TO): É uma sub-área específica dentro de um teatro de guerra, onde são administradas operações de apoio e combate específicas. Diferentes TO  dentro do mesmo TG normalmente estarão geograficamente separados e focalizarão forças inimigas diferentes. TO normalmente são de tamanho significativo, demandando operações por períodos de tempo estendidos. Na Segunda Grande Guerra haviam os TO do Pacífico, do Atlântico e da Europa, por exemplo.
  • Espaço de Batalha (EB): É o ambiente que reúne os fatores necessários para que os comandantes entendam suas responsabilidades e apliquem seu poder de combate  prosperamente, protegendo sua força e completando a missão. Ele inclui o ar, a terra, o mar,  o espaço, o inimigo, as forças aliadas, instalações, tempo, terreno, o espectro eletromagnético, e o ambiente de informação dentro das áreas operacionais e áreas de influência e interesse. O EB é conceitual e não definido pelo escalão superior. Comandantes usam sua experiência, conhecimento profissional, e entendimento da situação para visualizar e mudar seu espaço de batalha atual, e na transição de operações atuais para operações futuras. EB não é sinônimo de AO. Porém, pelo espaço de batalha ser conceitual,  as forças só empreendem suas operações dentro daquelas porção delineada de sua AO.
  • Áreas de Influência (AInf): São aquelas áreas geográficas dentro do EB na qual um comandante pode influenciar diretamente as operações por manobra ou sistemas de apoio de fogo sob controle superior. AInf cercam e incluem as AO associadas. A extensão das áreas subordinadas as unidades são regularmente ditadas pelo comandantes superiores em sua AOs subordinadas. Uma AO não deve ser substancialmente maior que a AInf de influência da unidade.
  • Áreas de Interesse (AInt): São aquelas áreas que contém fatores que podem influenciar as operações, e devem ser monitoradas pelo comandante, inclusive as AInf e áreas adjacentes a ela. Estende-se às áreas ocupadas por forças inimigas que poderiam influir na realização da missão.
  • Área de Operações (AO):   É uma área operacional designada a uma força específica para que esta realize suas missões e possa proteger-se. Devem ser grandes o bastante para que as unidades empreguem seu equipamento orgânico aos limites das suas capacidades. Podem ser contíguas ou não-contíguas. AO contíguas são  separadas por limites definidos, e no segundo caso este não existe; prevalecendo o conceito de ligações de operações entre os elementos da força. O escalão mais alto é responsável pela área de ninguém entre as áreas não-contíguas.

  • Zona de Combate (ZC): É aquela área requerida por forças de combate para conduta de suas operações, e se estende normalmente adiante e a retaguarda de uma força em particular. A ZC está inserida dentro da AO da força.
  •  Zona de Comunicações (ZCOM):  é a parte traseira do teatro de operações (contígua à ZC). Contém as LCs (linhas de comunicações), áreas de armazenagem e evacuação, e outras agências requeridas para o apoio imediato e manutenção das forças de campo.
  • Linhas de Comunicações (LCs): É o conjunto de todas as vias aéreas, terrestres, navais e lógicas presentes na ZCOM por onde se todo o tráfego de pessoal, material e informações, pertinentes às operações.
  • Ambiente de Informação (AInf): É a porção do EB de um comandante que cerca a atividade de informação que afeta a operação. O AInf contém a atividade de informação que coleciona, processa, e dissemina informação e está além da influência direta da força. Inclui sistemas baseados no espaço que provêem dados e  informações as forças. Para saber a parte do ambiente de informação que está dentro do seu espaço de batalha, comandantes determinam atividades de informação que afetam a suas operações e as capacidades C2 e sistemas  de informação do próprio adversário.

  • Bases de Projeção de Força: São as bases de onde as forças partem até a AO e recebem seu Apoio Logístico. Forças combatentes podem desdobrar-se diretamente de suas bases permanentes se estas forem adjacentes a AO, ou deslocar-se para bases de projeção de força em AO distantes, utilizando-se ou não de Bases de Apoio Intermediário. É fundamental ao sucesso de qualquer operação que suas bases de projeção de força sejam altamente seguras e livres da influência do inimigo.
  • Bases de Apoio Intermediário: São bases auxiliares constituídas no caminho para as bases de projeção de força. Possuem as mesmas características e importância das Bases de Projeção de Força, pois em última análise são uma extensão destas.
  • Bases Permanentes: São os locais onde as forças tem seus estacionamentos permanentes. Normalmente as forças se mobilizam e se desdobram a partir de instalações que servem como plataformas de projeção de poder. Embora as Bases Permanentes possam estar distantes da AO, o EB do comandante as inclui. Elas provêem apoio a forças desdobradas até que estas retornem. A habilidade para receber Apoio Logístico e C2 de suas Bases Permanentes reduz o tamanho da força a ser desdobrada. Em um nível significantivo, eventos que acontecem nas Bases Permanentes afetam o moral e desempenho de forças desdobradas. Assim, o espaço de batalha do comandante cerca todas ângulos destas bases, inclusive programas de prontidão familiares que geralmente lá residem.
  • Frentes, flancos e retaguarda são divisões do espaço de batalha quando se está operando em uma situação linear, e apesar da natureza não linear crescente das operações, sempre haverão  situações onde operações decisivas, de apoio e suporte se darão conforme as condições de espaço disponível. Tipicamente, operações lineares envolvem combate convencional e forças de manobra concentradas, ocupando o terreno em espaço delimitados, e orientando o esforço contra uma força inimiga semelhantemente organizada.
  • Áreas de contato são os locais onde se dá o engajamento direto com o inimigo, ou onde se estima que este vá acontecer.
  • Áreas fundas são as áreas a frente da área de contato, onde se possa lançar operações de apoio junto as forças inimigas antes que elas ocupem a área de contato. Seu limite não é eminentemente geográfico, mas também são considerados propósitos e tempo. A extensão da área funda é limitada pela área de influência da força.

  • Áreas de retaguarda são áreas onde se dão a maioria das operações de sustentação as forças combatentes. Podem ser contíguas ou não as áreas de contato, e vitais a viabilidade das operações de combate propriamente dito, devendo ser altamente protegidas. Lá acontece a maioria das atividades logísticas e de C2, e seu funcionamento assegura liberdade de ação e continuidade às operações. São muito visadas pelo inimigo, pois a interrupção de suas atividades pode resultar, em muitos casos, na paralisação ou fracasso do esforço de combate.

Situação / Missão #



A guerra é um jogo sem regras definidas, onde tudo vale, apesar de acordos internacionais como as " Convenções de Genebra" por exemplo, tentarem impor-lhe alguma disciplina, porém freqüentemente desrespeitados. Ela acontece de maneira dinâmica, onde todo e qualquer planejamento exige alterações constantes para se adequar a uma nova situação.
Existem conceitos consagrados ao longo do tempo que compõem a doutrina militar vigente, que com pequenas variações nas diversas forças armadas, são aceitos universalmente. Estes conceitos , porém, não são imutáveis e evoluem constantemente, a medida que a tecnologia e o pensamento militar lhes impõem novas feições.
Cada conceito militar existente pode ser aplicado ou não a uma determinada situação, e cabe aos gestores do campo de batalha a obrigação de conhecer sua dinâmica, a fim de viabilizar a aplicação correta e oportuna de cada ensinamento adquirido ao longo dos tempos, ou ainda criar novos conceitos que venham a se mostrar na cabeça dos pensadores da arte da guerra.
A Situação
Situação é o conjunto de fatores de natureza geopolítica que demandem a utilização do poder nacional para ser equacionada, na satisfação dos interesses da nação. O poder nacional vale-se de meios diversos como negociações diplomáticas, sanções de natureza política e econômica, entre outros, para atingir seus objetivos. Um desses meios é o poder militar que tem no emprego da força ou na possibilidade de usá-la, o aspecto que melhor o caracteriza, por meio da dissuasão ou da coerção, como medida extrema ao esforço diplomático mal-sucedido.
O Poder Militar de uma nação é comumente expresso pelas suas Forças Armadas exercendo o Poder Naval, o Poder Militar Terrestre e o Poder Militar Aeroespacial, respectivamente personificados pela Marinha de Guerra, Exército e Força Aérea. Cabe às Forças Armadas dissuadir possíveis ameaças aos interesses vitais da Nação; respaldar decisões políticas independentes na ordem internacional; e impor a vontade nacional, pela força, quando se fizer necessário.
Para cumprir estas missões fundamentais elas deverão estar em condições de operar eficientemente em todo o espectro de conflitos previsíveis; atuarem de forma coordenada e integrada, não se admitindo mais sua atuação isolada, salvo em ações pontuais; serem empregadas em espaço de tempo muito curtos, pois os conflitos modernos tendem a ser breves e surgirem sem aviso, tendo dessa forma que manter a instrução e o adestramento em níveis elevados e a necessidade de recompletamento em material e pessoal das unidades das forças de emprego imediato em níveis mínimos. As Forças Armadas também devem manter-se em condições de atuarem juntas a forças armadas de países amigos e dentro de alianças, situação muito comum na atualidade.
Missão
Define-se missão como a tarefa que o comando que a prescreve espera do comando designado. A missão deve ser a mais clara possível, apontando de forma inequívoca os objetivos a serem alcançados, os meios e recursos disponíveis e os limites a serem observados. Poderão compor a designação da missão outro fatores auxiliares que estejam disponíveis, como informações sobre o inimigo e cuidados a serem observados, como por exemplo a suspeita do emprego de armas químicas. É importante que o comando designador da missão se limite a dizer o quer e o que não se pode fazer, deixando o "como fazer" por conta do comandante designado.
Estudo de Situação
Uma vez recebida a missão do escalão superior, o comandante designado constitui um estado-maior (staff) e confronta a missão recebida com a situação existente, levantada através das informações disponíveis, identificando os principais problemas a serem enfrentados e elencando soluções viáveis para eles, traçando dessa forma um croqui do Plano Geral de Ação. Este pré-plano geral de ação deve ser submetido a aprovação do escalão designador, e uma vez aprovado, encaminhado ao estado-maior da missão para detalhamento e providências iniciais. 

O estado-maior da missão detalha o plano de seu comandante, traçando estratégias gerais, tais como:

    • Define os objetivos secundários,
    • Demanda ações de reconhecimento necessárias e solicita informações complementares,
    • Designa rotas e bases de operações viabilizando seu uso,
    • Estabelece datas, prazos e horários,
    • Destaca as unidades operadoras e providencia seu adestramento específico, constituindo as forças-tarefa necessárias,
    • Requisita recursos e os encaminha para onde serão necessários,
    • Sincroniza todos estes fatores no tempo e no espaço e emite ordens de operação,acompanha seu cumprimento e realiza as correções necessárias.

O sucesso de qualquer missão está na consecução eficiente dos objetivos secundários, que deverão contribuir para o atingimento do objetivo principal. Qualquer ação que não contribua para se chegar ao objetivo principal deverá ser descartada, ou se implementada não poderá resultar em qualquer prejuízo a este.

O Ambiente Operacional #



O ambiente operacional é o conjunto de todos os fatores físicos, geográficos ou não, organizados no tempo e espaço, visando nortear o planejamento e execução das operações, levando em conta as forças aliadas, seus recursos, o inimigo e a situação. 

Nele estão incluídos as bases de operações permanentes em território nacional de onde partem as unidades operadoras, suas rotas e bases intermediárias até o teatro de operações, aí incluídos terminais aéreos e marítimos, estradas de ferro e de rodagem, corredores aéreos e marítimos de superfície e submarinos; áreas de concentração estratégica e áreas de operações, áreas de apoio logístico e parques industriais de interesse, e todas as outras áreas  físicas que tenham influência sobre estas. Também fazem parte do Ambiente Operacional o espaço eletromagnético,  cibernético e de mídia de interesse das operações. 

A identificação deste espaço, sua  delimitação e seu plano de utilização são a primeira ação prática a ser consolidada na condução de uma campanha.


Espaço Aéreo: 

É vital em qualquer campanha moderna o domínio total ou parcial, dependendo da situação, do espaço aéreo de interesse das operações, domínio este conhecido também como Superioridade Aérea. Por ele serão estabelecidos os corredores logísticos aéreos, os corredores da aviação de combate ar-superfície, da aviação do exército em apoio as operações terrestres e da aviação naval na defesa das frotas, apoio a operações e patrulha marítima. 

Cabe a Força Aérea estabelecer este domínio através de sua aviação de caça e interceptação e sistemas de vigilância de defesa aérea. Para consecução deste domínio, medidas como viabilizar a utilização de bases aéreas pelas nossas forças, efetuar patrulhas de combate aéreo, suprimir sistemas anti-aéreos e bases inimigas, neutralizar sistemas de vigilância, de comando e controle, de suporte logístico e outras necessárias devem ser implementadas.

O espaço aéreo deverá ser compartimentado e sua utilização disciplinada em plano específico, sempre a cargo da Força Aérea. Deve-se levar em conta as necessidades e limitações das diversas aviações, como a de defesa aérea, de transporte estratégico, da aviação de ação ar-terra, da de suporte logístico, do Exército, da Marinha, civil, do inimigo, artilharia de campanha e antiaérea.

Guerra de Movimento #



Este conceito, iniciado por Napoleão e mais recentemente pelo exército alemão na II Guerra Mundial com sua "Blitzkrieg", preconiza a solução da batalha terrestre no menor espaço de tempo possível, através de ações ofensivas continuadas rápidas e profundas sobre os segmentos mais vulneráveis do inimigo, em frentes amplas e descontinuadas. 

Valendo-se dos princípios de Iniciativa e da Surpresa, visa obrigar o inimigo a reagir a nossas ações de forma desordenada e deficiente, evitando que siga seu planejamento próprio, submetendo-o a constante pressão até que seja destruído ou dominado. 



Este conceito requer das forças atacantes grande mobilidade e capacidade logística, pois visa, além de provocar a ruptura do dispositivo inimigo, disseminar-se no interior de sua área de defesa com profundidade, neutralizando no maior nível possível sua capacidade de combate, ao custo mínimo para as forças atacantes. 

A utilização do conceito de armas combinadas é fundamental, com ataques sendo precedidos por ações da artilharia e bombardeios da força aérea, pontos capitais rapidamente dominados por paraquedistas e tropas aeromóveis garantindo sua utilização pelas nossas forças ou negando-lhes ao inimigo, dispositivos defensivos rompidos por forças blindadas e rapidamente ocupados e consolidados pela infantaria, exploração da retaguarda inimiga pela desorganização de suas áreas logísticas e de C3I, além da contínua ação da unidades de guerra eletrônica e inteligência.



Os conceitos operacionais da guerra de movimento são:

  • Ação desbordante ou de flanco:
Evitar os setores densamente defendidos, procurando centralizar os esforços em setores alternativos que comprometam a integridade defensiva do inimigo, forçando-o a direcionar esforços em direções não consideradas com consequente fragilização de sua massa. Estas manobras visam principalmente paralisar suas comunicações, interromper sua vias de suprimento e bloquear suas rotas de fuga, além de obrigar o inimigo a utilizar suas reservas.
  • Iniciativa:
Com o objetivo do escalão superior sempre em mente, cada comandante tático deverá traçar sua própria linha de ação, explorando as particularidades de cada situação em proveito da própria manobra a fim de alcançar seu objetivo particular da melhor forma possível, sempre a luz do bom senso.
  • Seleção de frentes:
As unidades deverão receber setores operativos compatíveis com sua capacidade a fim de que possam concentrar seus esforços de maneiro eficaz e de forma emassada.
  • Flexibilidade:
A capacidade de modificar os planos originais em face de linhas de ação mais promissoras que forem surgindo no decorrer da manobra. Tais linhas de ação podem ser previstas em maior ou menor grau e sempre que possível devem ser elencadas como possíveis no planejamento da operação, de forma que sua implementação possa ser rapidamente efetivadada com esforço mínimo.
  • Dissimulação:
Dissimular significa fazer o inimigo acreditar naquilo que não existe ou não está acontecendo, fazendo-o reagir de forma equivocada. Manobras diversionárias, uso de fulmígenos e meios eletrônicos, camuflagem, mentiras e engodos de toda ordem, enfim tudo o que leve o inimgo a disperdiçar seus esforços.
  • Ação tridimensional:
Usar de forma ostensiva aeronaves de asa fixa e rotativa a fim de posicionar tropas por ações aeromóveis e aeroterrestres, conquistando pontos capitais à manobra em áreas profundas do dispositivo inimigo, destruir alvos da alto valor e apoiar por meio do fogo a operação das tropas amigas, além de garantir mobilidade em tempo real a pequenos grupos multiplicadores de força em proveito da manobra principal.
  • Ação em profundidade:
Aproveitamento rápido e profundo de eixos conquistados a fim de isolar o inimigo e bate-lo por partes, destruindo seu sistema logístico e apoio de fogo, comando e controle, impedindo-o de reagir e levando-o ao colapso operacional. Deve-se para tal utilizar-se de generosamente de meios de guerra eletrônica, busca de alvos para fogos de longo alcance, ação e forças especiais e de elementos de manobra altamente móveis.
  • Combate eletrônico:
Uso de meios eletrônicos a fim de obter o maior número de informações possível que revelem o poder de combate do inimigo, suas intenções e possibilidades, dispositivo, limitações e vulnerabilidades de forma contínua, mesmo antes do combate começar, e de contramedidas eletrônica ativas a fim de degradar a capacidade do inimigo de obter informações, se comunicar e praticar a vital atividade de comando e controle.
  • Risco:
O risco é inerente a guerra, que não existem sem ele. O risco porem tem que ser avaliado de forma a não comprometer a integridade da força, e em caso de insucesso existam alternativas viáveis.
  • Combate continuado:
Operações implementadas continuamente dia e noite, sem intervalos a fim de não permitir pausas para reorganização do dispositivo inimigo.
  • Combate não linear:
Combate em toda a extensão da área de operações e não apenas ao longo da linha de contato. Deve-se levar a manobra além da linha de contato, aos flancos e retaguarda, áreas de segurança e brechas apenas vigiadas, com incursões profundas e fluidas por meios altamente móveis terrestres e aéreos.
  • Letalidade:

Utilização de meios modernos e tecnologicamente avançados de pontaria e busca de alvos, a fim de não desperdiçar o poder de fogo com disparos imprecisos e não efetivos. Deve-se lançar mão ostensivamente de radares, meios de visão noturna, veículos aéreos não tripulados, satélites de observação, designadores eletrônicos e tudo o mais que contribua para a efetividade dos disparos.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Cavalaria #





A Cavalaria é, juntamente com a infantaria a arma-base, e tem por característica principal a velocidade. O termo cavalaria não é, como a maioria das pessoas imagina, associado a figura do cavalo e sim o contrário. O termo cavalaria deriva do sânscrito antigo e significa "combater em vantagem de posição", ou seja em um nível superior ao inimigo, seja em cima de um cavalo ou um elefante. A cavalaria foi ao longo dos séculos, a tropa que podia deslocar-se grandes distâncias em curto espaço de tempo, e combater em níveis superiores ao do soldado a pé (a infantaria). Na atualidade a cavalaria, mantendo suas características seculares de velocidade e poder de choque, emprega o veículo blindado como ferramenta principal, seja nas ações de choque ou esclarecimento, das quais é a herdeira legítima.



Características da Cavalaria

A cavalaria moderna para bem conduzir a sua missão, agrega em sua constituição três elementos fundamentais que a caracterizam como arma: a mobilidade, o poder de fogo e a proteção blindada.

  • Mobilidade: característica mais antiga da cavalaria, a mobilidade permite que estas tropas realizar manobras rápidas e flexíveis em terrenos diversos, podendo deslocar-se com extrema fluidez, engajar-se desengajar-se rapidamente de combate, intervir prontamente em pontos afastados em um grande raios de ação, além de transpor variados terrenos por grandes distâncias em curtos espaço de tempo.
  • Poder de fogo: esta característica permite a cavalaria efetuar disparos potentes e eficazes em apoio a sua manobra com o armamento orgânico de seus veículos, apoiada pela artilharia de campanha sempre que necessário.
  • Proteção blindada: Esta característica, fundamental no combate moderno, confere a arma de cavalaria uma notável capacidade de sobrevivência, através da couraça de seus veículos, capazes de suportar castigos acentuados proporcionados pelo fogo das armas inimigas. 
O resultado da combinação destas características é uma potente ação de choque que causa impacto e surpresa ao inimigo.



Missões da Cavalaria




  • Esclarecimento
Uma das missões principais da cavalaria moderna são as missões de esclarecimento. Normalmente desempenhadas pela cavalaria ligeira, dotadas de veículos sobre rodas capazes de desenvolver altas velocidades em terrenos variados, as missões de esclarecimento visam dar ao comandante de campo a visão do que está acontecendo a frente de sua tropa. 



A cavalaria ligeira atua de forma a evitar engajar-se em combate, mas podendo faze-lo se for necessário, pois seus veículos sacrificam seu poder de fogo e proteção blindada a fim de alcançarem maior fluidez na sua missão principal de busca de informações.

  • Choque
A outra missão desempenhada pela cavalaria é a de provocar contato direto com o inimigo através do choque, missão esta desempenhada pela cavalaria pesada ou de choque, através de carros de combate fortemente blindados e dotados de armamento com altíssimo poder de fogo. Estas forças são melhor empregadas em manobras de flanco, desbordando das áreas mais defendidas do dispositivo inimigo e procurando seus pontos mais sensíveis como postos de comando e áreas de apoio logístico, destruindo suas reservas e orgãos de apoio, envolvendo seu dispositivo impedindo-o de receber reforços ou retrair, isolando-o. Estas manobras são altamente eficazes e contribuem sobremaneira para a redução do seu poder de combate.



A cavalaria de choque também atua, na impossibilidade de efetuar envolvimentos, na ruptura do dispositivo e abertura de brechas que permitam penetrar a retaguarda do inimigo bloqueando seu retraimento, dificultando sua manobra e impedindo a chegada de reforços, pondo-se em perseguição assim que este se desorganizar.

A cavalaria ainda é empregada em missões de segurança do grosso das tropas amigas, vigiando o perímetro   de desdobramento destas, posicionando-se a frente a fim de manter contato com o inimigo e vigiá-lo, destruíndo seus elementos de vanguarda e retardando sua concentração. Atua ainda como reserva móvel a disposição do comando.




Tropas de Cavalaria

A cavalaria, a exemplo das outras armas, organiza-se de acordo com a tropa que compõem. Pode atuar junto a tropas leves como os paraquedistas,  fazer o uso de meios aéreos para deslocamento e observação como helicópteros e veículos não tripulados, e compor formações blindadas com seus veículos rápidos de reconhecimento e veículos pesados como os chamados carros de combate principais. Devido a sua características as tropas de cavalaria demandam em nível acentuados de malhas viárias e ferroviárias para seu deslocamento tático e estratégico, apoio logístico compatível para distribuição de combustível e munição, oficinas de manutenção de campo e eficaz defesa contra a aviação do inimigo.



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Artilharia de Campanha #



A artilharia de campanha é a arma componente das forças terrestres que tem por missão principal apoiar pelo fogo a manobra das armas-base, aprofundar o combate através de fogo de longo alcance junto à retaguarda das linhas inimigas e executar outras missões de fogo que lhes são próprias . As formações de artilharia de campanha posicionam-se a retaguarda das tropas em vanguarda, e através do tiro de trajetória balística, disparam suas granadas por sobre suas cabeças, atingindo os alvos a sua frente e a seu pedido, bem como os demais alvos designados pelo escalão superior.

O poder de fogo da artilharia de campanha é devastador, sendo a responsável terrestre pela maior parte das baixas inimigas em combate, "amaciando" sobremaneira os alvos a serem vencidos pelas armas-base, no decorrer de sua manobra e no cumprimento de seus objetivos. Devido as características de arma de apoio, a artilharia de campanha nunca é posta em reserva, e atua na totalidade de suas unidades o tempo todo, acompanhando a manobra das grandes unidades a que estiver subordinada.





Missões e Possibilidades

A artilharia de campanha pode aplicar sobre seus alvos uma variedade de fogos com características distintas de acordo com as necessidades de cada situação. Suas baterias podem, sem trocar de posição, alocar seus fogos rapidamente de uma posição a outra em reduzido espaço de tempo provendo um apoio flexível e eficaz, apenas variando o alcance e o azimute de seus disparos, através de variações na pontaria de suas peças ou na configuração das cargas de projeção.

Suas baterias trocam de posição de forma alternada a fim de que os fogos não cessem durante tais manobras, sendo que normalmente cerca de 2/3 delas permanecem atirando continuamente, se necessário. As unidades de artilharia podem atuar organicamente apoiando sua grande-unidade ou integrando agrupamentos de artilharia coordenados pelo escalão superior a fim emassar fogos em objetivos de alto valor. As missões de tiro podem ser de oportunidade ou seguir um plano de fogos pré-estabelecido, através de solicitação da arma-base, dos observadores avançados ou do escalão superior.


Efetua normalmente os seguinte fogos:
  • Fogos de preparação:  são aqueles efetuados forma contínua por um período de tempo determinado, sempre antes de um ataque da arma-base a fim de debilitar formações defensivas para que aquelas possam cumprir sua missão de uma forma mais previsível contra um alvo menos resistente e difícil.
  • Fogos de cobertura: são fogos destinados proteger forças amigas quando em manobras de retraimento ou que necessitem de proteção contra fogos inimigos.
  • Fogos de contrabateria: são fogos destinados a neutralização da artilharia inimiga, perigosos se esta tiver alcance similar, sendo desejável neste caso, que o alcance do material empregado seja superior ao do inimigo.
  • Fogos de contrapreparação: são fogos destinados a frustar a organização inimiga, evitando ou dificultando que desdobre dispositivos de combate.
  • Fogos de barragem: são fogos destinados a evitar que o inimigo ultrapasse determinadas linhas, criando barreiras ao seu deslocamento.
  • Fogos de interdição: são fogos destinados a destruição de alvos no campo de batalha, a fim de impedir que o inimigo se utilize deles para sua manobra. Como exemplo de alvos temos depósitos de combustível e munição, usinas de energia e de tratamento de água, pontes e aeródromos, entre outros.
  • Fogos de profundidade: são fogos destinados a atingir alvos bem a retaguarda do dispositivo inimigo, como, por exemplo, suas áreas de desdobramento logístico, a fim de prejudicar sua atividade.
  • Fogos de apoio aproximado: são fogos apontados diretamente frente da tropa apoiada a fim de facilitar a sua manobra e a seu pedido.
  • Fogos de inquietação: são fogos destinados diretamente a minar o moral inimigo, impedindo seu descanso, preparação ou articulação, efetuados de forma aleatória e imprevisível. Estes fogos podem ser efetuados de forma contínua, imprimem uma tensão constante ao inimigo diminuindo sua capacidade de operaçao.
  • Fogos de iluminação: são fogos destinados a prover iluminação às tropas através de munição especialmente desenvolvida.
  • Fogos de propaganda: são fogos destinados e transportar material de propaganda junto às linhas inimigas.


Devido as suas características a artilharia podem ainda atingir alvos desenfiados (posicionados atrás de elevações), alvos-ponto, alvo-área e alvos móveis. É muito vulnerável a ação aérea inimiga e tem limitações para se engajar em combate aproximado. Sua grande vulnerabilidade, no entanto, é a necessidade constante de grande quantidade de munição, e se não dispuser de apoio logístico eficaz pode ter sua operacionalidade comprometida.

Outras grande vulnerabilidade é quanto aos fogos de contrabateria inimigos. Assim que abre fogo, os disparos são prontamente detectados pelo inimigo através de seus OA e radares que calculam sua origem com grande rapidez e acionam suas baterias para réplica. Devido a esta ameaça as baterias tem que abandonar suas posições com grande rapidez após cada missão de tiro.




O Sistema Operacional

Para cumprir sua missão a artilharia de campanha se vale vários subsistemas. Fundamentalmente emprega três elementos básicos que agem simultaneamente em proveito próprio. A inoperância de qualquer um deles inviabiliza o emprego da arma e todos são igualmente importantes para sua operacionalidade. São eles o observador avançado (OA), a central de tiro e a linha de fogo.


  • O Observador Avançado (OA) : Posiciona-se a frente das baterias de tiro, em posições desenfiadas da observação inimiga e em condições de visualizar os alvos e os impactos no terreno. Pode acompanhar as armas apoiadas ou atuar sozinho, normalmente em pontos mais elevados ou em aeronaves que lhe permitam boas condições de observação. Cabe ao OA determinar as características dos alvos a serem batidos, suas dimensões e posicionamento (coordenadas no terreno), assim como corrigir e ajustar os disparos.
  • A Central de Tiro (CTir): Valendo-se de dados obtidos pelo OA e outros dados de inteligência como cartas topográficas e características dos alvos escolhidos, a C Tir plota em suas pranchetas a posição do alvo e das baterias de tiro, calculando alcance e elevação a serem aplicados às peças, seleciona regime de tiro, tipo de munição e a carga de projeção a ser utilizada, passando estes dados  a linha de fogo para o cumprimento da missão.
  • Linha de Fogo (LF):  É a bateria de tiro propriamente dita com cerca de 4 a oito peças  (obuses, morteiros ou lançadores múltiplos) . A Linha de fogo alimenta em suas peças os dados provenientes da C Tir e comanda os disparos, que serão observados pelo OA. Este efetua as correções necessárias levando em consideração a distância entre os impactos e o alvo e as repassa a central de tiro que recalcula os elementos de tiro e o ciclo recomeça. As linhas de fogo normalmente contam com mini centrais de tiro a fim de que possam operar independentemente quando necessário.
Outros sub-sistemas também são necessários ao bom funcionamento da artilharia de campanha.
  • Comunicações: necessárias para efetuar a ligação entre Comando, OA, Linha de fogo e Central de Tiro. Valem-se de redes fio para posições fixas ou redes por enlaces de rádio encriptadas e de salto de frequência operando comando de voz ou data-link.
  • Apoio logístico: Necessário para prover combustível e munição continuamente aos operadores, além de outros ítens.
  • Comando, controle e coordenação: Para alocação de fogos onde e quando forem necessários. 
  • Busca de Alvos: Os alvos podem ser designados pelo AO, arma-base, ou por outras unidades e subunidades, cujos pedidos de fogo chegam escalão superior de artilharia de campanha.
  • Topografia: Através de serviços de campo desenha uma trama de pontos precisos no terreno possibilitando tiro eficazes sem ajustagem prévia.
  • Meteorologia: Fornece dados sobre as condições atmosféricas que podem influenciar no cálculo das trajetórias, tornando os elementos de tiro mais confiáveis.
Apenas para exemplificar uma bateria de artilharia moderna, montada em peças autopropulsadas, dotada de GPS e DataLink poderia em questão segundos receber uma missão de tiro (via DataLink), parar no local onde se encontra e apontar suas peças instantaneamente, através de comandos pelo mesmo dataLink às outras peças, e através de soluções de pontaria fornecidas em tempo real pelos computadores balísticos que possuem desencadear seus fogos em poucos segundos e rapidamente trocar de posição a fim de evitar o fogo de contrabateria. Uma guarnição bem treinada poderia pode efetuar tal missão em menos de 1 minuto. Àqueles, como eu, que foram treinados numa central de tiro a moda da segunda guerra sabem o que isso significa. Mesmo diante da existência de meios modernos, os artilheiros continuam a ser treinados no cálculo manual do tiro, importante se a tecnologia não estiver disponível e condição fundamental para serem chamados de "artilheiros".

Materiais de artilharia de campanha

A artilharia de campanha emprega uma variedade de materiais diversos, cada um com características próprias e adequado a tropa que compõem e a missão a que se destina, sendo o mais tradicional o obuseiro. Podemos classificar o material de artilharia quanto ao quesito mobilidade e peso, elementos este que definem qual tropa emprega qual material.

Quanto a mobilidade o material de artilharia pode ser rebocado ou propulsado. O material rebocado possui peso e mobilidade inferior ao propulsado, e depende de uma viatura QT para seu deslocamento. A dimensão desta viatura depende muito do material a rebocar e pode ser uma viatura 3/4 Ton para rebocar um lançador múltiplo leve ou uma viatura de 5 Ton para rebocar obuseiros de 155 mm, por exemplo.

No ocidente utiliza-se o obuseiro de 105 mm quando o quesito peso for a prioridade, como no caso de tropas leve e helitransportadas, como tropas paraquedistas e de montanha. Nestes casos obuseiros leves fazem a diferença, pois favorecem a mobilidade estratégica, podendo ser deslocados por ar em intervalos de tempo muito curtos. No Brasil utiliza-se o obuseiro Oto Melara Mod 56 que pode ser desmontado em partes e transportado no lombo de animais, dentro de uma viatura M113 e lançado de paraquedas, além de ser rebocado por viaturas leves. Outro material leve artilharia é o morteiro de 120 mm que possui as mesmas características de mobilidade dos modelos Oto Melara. Lançadores múltiplos leves também podem ser helitransportados e possuem altíssimo poder de fogo. Estes materiais possuem um alcance de cerca de 11 a 12 mil metros, sendo que o morteiro possui um alcance menor, de aproximadamente 6 mil metros.




Modelos de 105 mm como o inglês Light Gun podem ser facilmente aerotransportados por aeronaves C-130, e são utilizados por tropas mais convencionais, como as brigadas de infantaria. A tendência mundial é equipagem destas tropas com obuseiros mais potentes de 155 mm também rebocados. Estas peças possuem um alcance de cerca de 30 km, pesam de 4 a 5 ton e requerem viaturas mais pesadas para tracioná-las. Alguns modelos deste calibre possuem limitações quanto ao aerotransporte por aeronaves C-130.

Para equipar a artilharia de campanha das brigadas e divisões blindadas utiliza-se versões autopropulsadas dos obuseiros de 105 mm e 155 mm, que são peças de artilharia montadas em veículos blindados especialmente construídos ou adaptados de outros chassis blindados, estando o calibre de 105 mm gradativamente caindo em desuso nestas unidades. Estes modelos possuem a mobilidade tática necessária para acompanhar carros de combate principais em seus avanços, mas sua mobilidade estratégico-operacional é mais limitada, uma vez que só pode ser aerotransportada por aeronaves pesadas ou embarcações. Para deslocamentos terrestres demandam carretas ou transporte ferroviário.

A artilharia de foguetes também está presente nos exércitos modernos, e geralmente é empregada em bombardeios de profundidade, uma vez que os foguetes alcançam distâncias bem superiores a artilharia de tubo. Como exemplo destes sistemas temos o Astros II brasileiros e o MLRS norte-americano. Possuem as mesmas características de mobilidade dos obuseiros autopropulsados. Estes sistemas são altamente eficazes e alvos de busca da aviação inimiga no início de qualquer conflito, carecendo de efetiva proteção antiaérea.





Unidades de Artilharia

As unidades de artilharia, no Brasil denominadas Grupos de Artilharia, são organizadas em baterias de tiro de 2 a 4 conforme a unidade cada uma com 4 a 8 peças. Unidades autopropulsadas apoiam as brigadas e divisões blindadas, unidades leves apoiam tropas paraquedistas, infantaria leve, tropas de selva e de montanha. Outras unidades, geralmente rebocadas apoiam tropas mais convencionais.

As unidades de artilharia, por serem forças de apoio nunca são colocadas em reserva. Se uma brigada estiver em tal situação, seu grupo de artilharia permanece a disposição do comando divisionário para reforço àquelas unidades que apoiam as tropas em ação. Apesar de se subordinar a uma determinada grande unidade os escalões superiores de artilharia podem rapidamente assumir seu controle e agregar uma grande quantidade de grupos sob comando único a fim de cumprir missões especialmente designadas.

Busca e aquisição de alvos

Os alvos da artilharia podem ser de oportunidade ou pré-programados em um plano geral de fogos, confeccionado pelo comando da artilharia. Estes alvos são elencados a partir de inúmeros meios de busca que partem dos observadores avançados de artilharia, da arma-base, da observação por satélite, dos esclarecedores da brigada, de veículos de observação aérea como a aviação do exército em seus helicópteros e veículos não tripulados, da força aérea, radares de artilharia e busca de alvos, sistemas de inteligência tipo ELINT, entre outros.