"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

domingo, 29 de julho de 2012

Operações Ofensivas - Formas #





Operações Ofensivas - Fundamentos #

As operações ofensivas terrestres se dão de cinco formas diferentes. As primeiras duas formas são a Marcha para o combate e o Reconhecimento em força. São missões muito similares e se diferenciam a partir do contato com o inimigo. Visam manter ou restabelecer o contato com o inimigo, buscar informações sobre este e obter vantagens para operações futuras.


  • Marcha para o Combate

A marcha para o combate deve se executada de forma agressiva de forma a se apossar do objetivo antes de o inimigo possa reagir efetivamente. Deve-se lançar mão de todos os multiplicadores de combate como a aviação e tropas de reconhecimento fornecendo informações efetivas sobre o inimigo, massiva utilização de artilharia de longo alcance e aviação tática empregadas de forma a poupar as forças em avanço para que elas mantenham sua integridade a fim de serem utilizadas na consecução final dos objetivos e estarem em condições de perseguir os objetivos principais. É normalmente executada por uma força de cobertura, móvel e potente que esclarece a situação e consolida objetivos secundários a fim de evitar o retardamento do montante da tropa (grosso) que vem logo em seguida, atuando também na desorganização inicial do dispositivo inimigo instalado, já iniciada pelas forças multiplicadoras (artilharia e aviação tática). As tropas que seguem as forças de cobertura são precedidas pelas suas forças de vanguarda, potentes e móveis e altamente ofensivas e consolidam o sucesso das forças de cobertura, e protegidas em seus flanco e retaguarda, por forcas de natureza mais defensiva. A totalidade das demais forças deve ser disposta e preparada a fim atuarem prontamente com total flexibilidade se forem necessárias.





  • Reconhecimento em Força

O reconhecimento em força visa a obtenção de inteligência e deve ser conduzida por uma força relativamente potente a fim de revelar e testar o dispositivo defensivo. É mais efetiva que outras formas de reconhecimento e deve ser aplicada em pontos cuidadosamente selecionados de forma a obrigar o inimigo a reagir e mostrar seu planejamento. Deve-se empregar forças combinadas das armas-base, e como sempre, valer-se dos multiplicadores de combate como o apoio de artilharia, meios aéreos e engenharia de combate.


  • Ataque

A terceira forma é o Ataque propriamente dito, e sendo a mais potente de todas, visa destruir, derrotar ou neutralizar as forças inimigas de forma incisiva e potente, e deve ser executada com audácia e decisão. Pode ser  coordenado ou de oportunidade. Este é realizado sem preparação e quando a situação assim o favorecer, onde a rapidez e o senso de oportunidade são os fatores preponderantes. É realizado pelas forças disponíveis, onde o comando com iniciativa e audácia tira proveito de encontros inesperados ou manobras defensivas bem sucedidas, valendo-se da surpresa e desorganização momentânea do inimigo para subjugá-lo. Aquele é realizado quando se deseja cerrar sobre o inimigo a fim de subjugá-lo, dispondo para tal de tempo para se efetuar um planejamento adequado, utilizando-se de todos os multiplicadores de combate, com amplo apoio de fogo de artilharia e aviação tática.




As últimas duas formas são o Aproveitamento do êxito e a Perseguição. São, como as duas primeiras missões, bem similares e diferem pelo resultado final. O aproveitamento do êxito se dá após uma ataque bem sucedido quando os defensores tem dificuldade de manter suas posições, e as forças atacantes procuram capitalizar o sucesso com avanços contínuos, rápidos e profundos a fim maximizar as vantagens obtidas destruindo forças e dispositivos, impedindo a reorganização e capturando seus recursos.


  • Aproveitamento do Êxito

Deve ser implementado initerruptamente, podendo culminar na vitória final ou bem próximo a esta. É a operação ofensiva mais efetiva, pois a um custo muito reduzido confere resultados muito bons e causa confusão ao inimigo. Deve contar ao máximo com os multiplicadores de poder de combate e selecionar objetivos bem a retaguarda, dominando postos de comando e controle, áreas logísticas e bloqueando as rotas de fugas dos defensores, podendo até destruir significativamente as fileira inimigas. Um indicativo desta situação é a ultrapassagem de posições de artilharia e áreas logísticas importantes, além de grande quantidade de material abandonado e prisioneiros de guerra. Deve-se empregar nesta fase toda a tropa disponível, inclusive as aeromóveis e aeroterrestres a fim de bloquear retiradas e dominar pontos capitais, avançar em largas frentes, focando-se em objetivos importantes e desbordando-se de resistências de pequeno valor.



O comando deve estar alerta para impedir o fracionamento de forças resultante de esforços sem importância, principalmente se o inimigo for capaz de reagrupar-se e isolar estes contingentes. As forças mais distantes devem ser entregues a artilharia de longo alcance e aviação tática. A constituição de uma força de acompanhamento para se ocupar das forças ultrapassadas e garantir os objetivos conquistados libera as forças de vanguarda para imprimirem velocidade e profundidade a operação.


  • Perseguição


A perseguição se dá após o aproveitamento do êxito e visa cercar, capturar ou destruir as forças em retirada, senda estas os objetivos principais. As forças de vanguarda mantem uma pressão contínua sobre as forças em retirada, enquanto forças de debordamento bloqueiam sua retaguarda cortando suas rotas de fuga. Tropas aeromóveis, aeroterrestres e de infantaria naval são especialmente adequadas a este bloqueio, ocupando pontos capitais como pontes e passos.




sábado, 28 de julho de 2012

Operações Ofensivas - Fundamentos #



As operações ofensivas são aquelas desencadeadas a fim de se obter resultados decisivos, como conquistar objetivos no terreno, destruir e capturar tropas e formações, frustrar e debilitar a logística inimiga, obter informações quanto ao poder de reação das forças atritadas e empreender ações diversionárias. Caracterizadas principalmente pelo princípio da iniciativa, cabe a estas operações a função de assediar os defensores a fim de que eles reajam ao plano de operações dos atacantes, impedindo-os que sigam seu planejamento e forçando-os a desorganizar-se em prejuízo de seus objetivos.

Estas operações caracterizam-se pela exposição demasiada das forças atacantes, forçando-as a deixarem posições seguras e bem defendidas, a fim de aplicarem seu poder de combate de forma contundente às forças defensoras, razão pela qual os atacantes devem obter superioridade relativa de combate quando do engajamento, de forma intensa e violenta, a fim de decidir a situação no menor intervalo de tempo possível. Cabe ressaltar aqui a questão da violência, que deve ser aplicada na sua intensidade máxima necessária a fim de buscar o desfecho destas operações no menor espaço de tempo possível. Todo êxito obtido em operações desta natureza deve ser explorado por forças móveis a fim de evitarem a fuga das forças derrotadas, com sua consequente captura. Tropa e equipamento capturados não combatem mais e não causam problemas.

Estas operações devem ser planejadas no tempo e no espaço de forma a prevenir qualquer tipo de desdobramento decorrente delas que possam frustrar seu sucesso. Após alcançados os objetivo pretendidos, as forças atacantes deverão perseguir quaisquer outros que se apresentem e possam ser alcançados sem se expor a riscos desnecessários, tirando proveito do êxitos obtidos e maximizando a eficácia do esforço empreendido. Todas as fraquezas identificadas devem ser imediatamente exploradas, desde que não resultem em prejuízo a busca dos objetivos definidos. Fraquezas exploradas com proficiência quando da desorganização momentânea das forças inimigas evitam esforços futuros.




A manobra deve evitar o assédio aos pontos mais bem defendidos do dispositivo defensivo, procurando o rompimento de suas linhas em pontos de menor esforço, como flancos e retaguarda. Deve-se forçar sempre que possível, os defensores a abandonarem suas posições fortificadas e difíceis de penetrar, isolando-os de suas linhas de suprimento e comunicações, negando-lhe enlaces de comando e capacidade receber reforços e ressuprimento, induzindo-o a reagir em direções não previstas por eles e trazendo o combate para terreno não preparado.

Forças altamente móveis e com maior capacidade de choque e proteção ativa são as mais adequadas a este tipo de operação, pois além de serem mais resistentes ao castigo inimigo, tem maiores possibilidades de aproveitamento do êxito obtido, deslocando-se a posições profundas no dispositivo assediado, capturando tropas e equipamentos, depósitos de combustível e munição e outros recursos importantes. As brigadas mecanizadas e blindadas são as tropas mais vocacionadas a este tipo de combate, quando o terreno lhes for apropriado.

Estas operações devem ser planejadas de forma a exercer pressão contínua aos defensores, com pouca ou nenhuma pausa entre os combates, impedindo-os de se reorganizarem. Deve-se planejar cuidadosamente a substituição das unidades, de forma que todos possam dormir e descansar sempre que possível, pois estas operações podem estenderem-se por semanas a fio. Uma forma de se conseguir isto é através da alternância de funções e substituição dos escalões de ataque, empregando diferentes formas de manobra. Os elementos de comando e controle são vitais a manobra e devem ser especialmente protegidos da fadiga e falta de sono.

Operações defensivas devem ser organizadas de forma ofensiva, com ataque a dispositivos que se preparam para atacar, caracterizando contra-ataques de desorganização, busca de informações e exploradores de eventuais deficiências encontradas. 




FUNDAMENTOS DAS OPERAÇÕES OFENSIVAS

  • Iniciativa e impulsão: O atacante escolhe a hora  e o local do ataque, fazendo o inimigo reagir a uma situação não prevista por ele. Uma vez desencadeada a operação, procura-se chegar ao objetivo no menor prazo possível, impelindo-se rapidez a progressão. Deve-se fazer uso de reservas e empregar com abundância os meios de apoio de fogo, engenharia e guerra eletrônica a fim de multiplicar o poder de combate. Meios logísticos eficientes são fundamentais a manutenção do avanço.

  • Manutenção do contato, fogo e movimento:  Manter o inimigo sempre ocupado e a vista garante informações contínuas, liberdade de ação e conservação da iniciativa, evitando a surpresa. O contato com o inimigo deve ser estabelecido e mantido o mais cedo possível. Fogo e movimento (manobra) devem empregados de forma sincronizada e intensa, culminando com o assalto violento à área decisiva. Mesmo em ações defensivas a manutenção do contato com ações ofensivas deve ser continuamente buscada a fim manter o comando atualizado quanto às capacidades e intenções do inimigo, prevenindo surpresas.

  • Informações e Oportunidade: A manutenção do contato permite determinar as característica ainda não conhecidas do inimigo, como dispositivo e composição entre outras, identificando deficiências e correções a serem implementadas. Oportunidades aí identificadas devem ser exploradas, dividindo as forças defensoras, privando-as de apoio e suprimento, buscando-se sempre atacar flancos e retaguarda, sempre menos defendidos.

  • Controle de acidentes capitais: O controle de pontos capitais como armas estrategicamente posicionadas, pontes, entroncamentos rodoviários, passagens, elevações e outros podem ser de vital importância ao êxito da operação e devem ser dominados, se assim identificados, o quanto antes, seja pelo avanço ou por tropas especialmente lançadas, como forças aeromóveis e aeroterrestres, anfíbias ou de infiltração. Este controle serve também para bloquear a chegada de reforços.

  • Neutralização dos multiplicadores de combate dos defensores: Devem ser lançadas operações a fim de neutralizar ou enfraquecer os potencializadores de combate do inimigo, como o desencadeamento de fogos de contra-bateria, a inviabilização das comunicações por bombardeio e guerra eletrônica, a cobertura aérea impedindo a aviação inimiga de operar, a ação de operações especiais a fim de destruir ou neutralizar outros meios importantes, a caça e neutralização de seus meios de observação, entre outros. Atividades de contra-informação e dissimulação e guerra psicológica devem ser implementadas.

  • Concentração do poder de combate: Aplicação do poder de combate de forma massiva, no local e no momento decisivos, deve ser implementada. Todas as formas de subjugar o defensor disponíveis devem ser empregadas de forma simultânea e sincronizada, de forma que o efeito resultante seja maior que a soma dos efeitos individuais de cada meio.

  • Aproveitamento do êxito:  Ataques violentos e decisivos, praticados por forças superiores e incisivas devem ser explorados agressivamente, e todas as situações e oportunidades que surgirem devem ser convenientemente aproveitadas e potencializadas a fim de capturar ou destruir o maior número de meios inimigos possível.

terça-feira, 6 de março de 2012

Munição APFSDS #



APFSDS (Armor-Piercing, Fin-Stabilized, Discarding-Sabot): Munição perfuradora de blindagens, estabilizada por aletas e de cinta descartável.

O projétil APFSDS  é um tipo de munição perfurante de atuação por energia cinética que, como o próprio nome diz, não usa explosivos e causa seus efeitos através da intensa dissipação de energia decorrente de seu impacto, através de um elemento de altíssima densidade, ao qual é imprimida enorme aceleração.

É usada para atacar as armaduras mais avançadas dos blindados modernos de primeira linha e constitui na principal munição usada pelos MBTs quando em combate direto com seus pares inimigos. Estes projéteis são constituídos por um núcleo de metal muito duro como o carbeto de tungstênio ou o urânio empobrecido e subcalibrados a fim de concentrarem sobre seus alvos uma impressionante carga de energia cinética sobre uma área mínima, rompendo as armaduras através do intenso estresse decorrente, atingido cerca de 1.800 graus celcius no impacto e provocando o estilhaçamento e derretimento da armadura, pulverizando o interior dos veículos.



Quanto mais comprida for a haste penetradora, maior será sua massa e conseqüentemente a energia que transmitirá. Quanto maior for seu diâmetro, maior será seu arrasto induzido e menor a velocidade de impacto. Como uma haste longa de metal é aerodinamicamente instável, o núcleo conta com barbatanas (aletas) que lhe dão estabilidade em voo, razão pela qual também é conhecida como munição “flecha”. Podem ser disparadas de canhões de alma lisa ou raiada, estes porém imprimem ao projétil uma rotação  que ao mesmo tempo que produzem um efeito estabilizante, reduzem sensivelmente seu desempenho, pois o arrasto decorrente faz com que chegue ao alvo com velocidade reduzida e consequente impacto menos potente. Canhões de alma raiada também sofrem desgaste excessivo, sendo os da alma lisa preferidos para esta munição.

O núcleo duro é montado no interior de um invólucro (Sabot) que tem por função adequar-se ao diâmetro do cano e é descartado imediatamente depois que deixa o interior da arma, quebrando pelo estresse provocado pela intensa pressão do disparo. Nos disparos a partir de armas de alma raiada estes invólucros são dotados de obturadores de deslizamento, que permitem que o núcleo gire a uma taxa muito inferior e eles, com sensíveis ganhos aerodinâmicos, pois uma rotação muito alta sobre as aletas produz um arrasto significativo.



A capacidade de penetração de um projétil em uma armadura é uma relação direta de sua densidade, massa e velocidade (e=mc2) e a densidade e espessura do alvo. Estes projéteis requerem velocidades iniciais muito altas, o que requer pressões internas igualmente grandes, não sendo possível dispará-los de qualquer arma. Um penetrador efetivo, além de ser muito denso deverá ser dúctil suficiente para não se quebrar no impacto, e ter a capacidade de sobreviver às altas acelerações do lançamento. Por fim deverá ainda alcançar o alvo em ângulo favorável e sobreviver a contramedidas como as armaduras reativas.

O desenvolvimento de armaduras mais complexas de natureza composta e ação reativa provocaram o desenvolvimento de penetradores mais complexos, com complexas ligas de tungstênio e urânio empobrecido, ambos duros, dúcteis, muito densos e fortes. Porém cada material tem suas particularidades, como o urânio que tem propriedades pirofóricas e seus fragmentos tendem a inflamar no impacto quando em contato com o ar e incendiar combustível e munição do alvo, contribuindo para a letalidade do impacto. Apesar destas características que o tornam um pouco mais efetivo que os projéteis de tungstênio, apresenta inconvenientes sérios e controversos, devido a emissão de radiação residual (material radiativo). O tungstênio continua mais abundante e barato, sendo usado pela maioria.



O “Sabot” (invólucro descartável) usado para lançar um projétil de tungstênio não se presta ao lançamento de um projétil de urânio, mesmo que tenham exatamente a mesma forma. Os dois materiais se comportam de maneiras diferentes sob altas pressões e forças de aceleração elevadas, de modo que o “sabot” é completamente diferente em sua integridade estrutural. Estes projéteis operam a velocidades de 1.400  a 1.900 m/s, porém o comprimento da peça é mais importante do que a velocidade de impacto, embora esta seja fator significativo e uma velocidade mínima essencial. O modelo M829 dos EUA voa a 200 m/s mais rápido que o modelo M829A3 mais novo, porém possui apenas a metade do comprimento e é inadequado a penetração de armaduras compostas de última geração.


Um dos maiores desafios de engenharia ao projetar “sabots” na atualidade é a necessidade de lançar penetradores excessivamente longos (cerca de 800 mm), pois seu peso extrapola o desejado e subtrai velocidade de todo o projétil, chegado a quase a metade da massa de todo o conjunto, além do custo de materiais mais resistentes. Os fragmentos do “sabot” ao serem descartados quando deixam o tubo também viajam a velocidades muito altas em trajetórias imprevisíveis, oferecendo perigo real às tropas e veículos leves, requerendo seu disparo a observação de critérios mínimos de segurança nos primeiros 1.000 metros.


quinta-feira, 1 de março de 2012

Formas de Guerra - Modalidades e Conceitos _#





Nesta postagem elencamos alguns conceitos que usam a palavra guerra, pois aos olhos do leigo estes conceitos podem confundir, fazendo-o pensar que cada conceito trata de um modo de guerra distinto e não de uma faceta daquilo que é algo único, podendo vários deles se fazerem presentes em uma única situação.

Guerra Moderna: 
  • É a forma de guerra que envolve o uso de táticas, procedimentos, doutrina e tecnologias da atualidade. Podemos, a grosso modo, considerar as campanhas praticadas a partir do século XX nesta modalidade, especialmente àquelas que aconteceram a partir da I Guerra Mundial, que foi um misto das guerras do século XIX e de guerra moderna.


Guerra Aérea:
  • É a modalidade de guerra que visa o domínio dos céus , em outras palavras a conquista da supremacia aérea, que é o grau de domínio dos ares em que uma força aérea inimiga é incapaz de realizar interferência efetiva. Este domínio é de vital importância na guerra moderna, pois as aeronaves de ataque e bombardeio representam uma das maiores ameaças militares existentes. Nenhum comandante militar competente traça seus planos sem levar em conta a ameaça aérea. Geralmente a busca da supremacia aérea é a primeira fase de qualquer campanha entre forças tecnologicamente avançadas. 
  • A  partir do domínio do espaço aéreo se proporciona segurança às instalações e forças em terra,  impedindo a incursão de aeronaves de ataque ao solo e de bombardeio estratégico inimigas, se proporciona segurança da aviação de bombardeio, das aeronaves logísticas e de atividade eletrônica aliadas. Envolve bases aéreas, aeroportos, estações de radar de vigilância e alerta aéreo antecipado (AEW), aviação de caça e bombardeio, centros de controle e comunicações das forças aéreas envolvidas, centros de guerra eletrônica, baterias de artilharia antiaérea e outros elementos que venham a interferir de alguma forma no controle do espaço aéreo.
  • Existem três tipos de controle do ar:
    • Paridade Aérea: situação em que se controla o espaço aéreo apenas acima das forças amigas.
    • Superioridade Aérea: situação em que se controla uma maior fatia do espaço aéreo, estando-se em posição mais favorável que seu oponente.
    • Supremacia Aérea: situação em que se tem o completo domínio de todo o espaço aéreo, estando o oponente extremamente limitado ou impossibilitado na sua atividade aérea.



Guerra Assimétrica:
  • Modalidade de guerra em que as forças possuem capacidades desiguais e heterogêneas, não existindo no entanto uma vantagem esmagadora do lado mais forte. Um exemplo bem atual desta modalidade é a guerra contra o terrorismo.


Guerra Biológica:
  • Modalidade de guerra em que se faz uso de agentes biológicos, como vírus e bactérias como armas. Temos como exemplo contaminar a água do inimigo como o cólera, disseminar-se junto a ele o vírus da varíola ou outro agente patogênico qualquer.


Guerra Centrada em Redes:
  • É a modalidade de guerra em que os diversos meios de combate, controle, comunicações e inteligência, estão interligados numa ampla rede informatizada, onde a informação flui em tempo real e de forma digital, chegando a cada elemento da força apenas aquilo que interessa ao cumprimento de sua missão. Temos como exemplo desta modalidade uma aeronave AEW ou um radar terrestre, que através de um enlace de dados permite que um caça aponte e dispare seus mísseis BVR sem precisar ligar seu radar orgânico, com óbvios benefícios no quesito discrição. Quanto mais tecnologicamente avançada for uma força combatente, maior será o nível de exploração desta modalidade de guerra.



Guerra Química:
  • Modalidade de guerra em que se faz uso de agentes químicos como armas de guerra, como o uso de gases tóxicos, por exemplo, a fim de incapacitar o inimigo.


Guerra Terrestre:
  • É a guerra travada em terra firme, e envolve a totalidade das tropas terrestres, a aviação de apoio ao solo, as forças navais que por meio de ações anfíbias ou bombardeios navais de alguma forma interferem naquela.


Guerra Mecanizada:
  • É a modalidade de guerra terrestre travada pelo uso intesivo de veículos blindados e artilharia autopropulsada, onde a velocidade e o poder de fogo são predominantes. Esta modalidade de guerra é comumente executada através da doutrina da armas combinadas, onde as diversas armas como infantaria e cavalaria se apoiam mutuamente, a artilharia de campanha e a engenharia de combate às acompanha invariavelmente, e a aviação de apoio ao solo proporciona apoio de fogo em complemento a artilharia de campanha. É uma modalidade altamente dependente de rotas de suprimento de munição, combustível e serviços de manutenção, dependendo ainda de malhas viárias, portos, aeroportos e outros meios bem estruturados de acesso ao teatro de operações.


Guerra de Irregular ou de Guerrilha:
  • É a modalidade de guerra travada por tropas não convencionais e normalmente mais fracas, organizadas em pequenas unidades e que lutam em frentes indefinidas, que fazem uso da surpresa e do subterfugio para lograrem êxito contra tropas convencionais, geralmente mais bem equipadas e tecnologicamente avançadas. É a guerra assimétrica por excelência.


Guerra de Informação:
  • É a modalidade de guerra que visa causar reveses ao inimigo através da disseminação de informação falsa, fazendo com este baseie sua decisões em factóides e levando-o a empreender manobras desnecessárias e dispersando seus meios.


Guerra Naval:
  • É a modalidade de guerra travada no ambiente marinho, e visa interferir no controle deste ambiente através da negação do uso do mar ao inimigo e do controle de área marítima a fim de dar segurança aos meios amigos que lá operam.


Guerra Nuclear:
  • É a modalidade de guerra em que se faz uso de armas nucleares.



Guerra Psicológica:
  • É a modalidade de guerra que visa debilitar o inimigo através de ações que visem deteriorar o moral e a vontade do inimigo de combater.


Guerra de Propaganda:
  • É a modalidade de guerra que visa ações de divulgação ostensiva de informações que valorizem o moral das forças amigas e debilitem o moral das forças inimigas. É uma forma de guerra psicológica.


Guerra Civil:
  • É modalidade de guerra travada por contendores pertencentes a uma mesma nação.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Sincronização Operacional #



Sincronização é o arranjo da ação das diversas unidades e sistemas operacionais envolvidos em uma operação, no tempo e no espaço, de forma que operem harmonicamente, pois quando uma unidade entrar em ação, todas as outras encarregadas de missões preparativas para esta já o tenham feito com êxito. Unidades militares devem operar em sinergia de forma que seu efeito combinado seja maior que a soma do efeito de cada unidade se operar isoladamente.

Um ataque precedido de uma preparação de artilharia deve ser coordenado de tal forma que quando aconteça, os fogos já tenham cessado; uma força blindada deve chegar ao local de transposição de um curso d´água não antes que a engenharia tenha completado a montagem da ponte; um ataque principal deverá iniciar-se momentos após o grosso das forças inimigas dirigirem-se ao local do ataque diversivo, o pouso de aeronaves de assalto em um aeródromo hostil deve ser dar somente após seu domínio estar assegurado.

Ações preparatórias podem ocorrer bem antes do momento decisivo, desde que não sacrifiquem o fator surpresa. Ações decisivas devem ocorrer sempre após as ações preparatórias imprescindíveis serem concluídas. A sincronização requer estreita sintonia entre os comandos dos diversos escalões, e estes devem dominar a inteligência da manobra como um todo, visualizando os efeitos desejados e as condições para obtê-los, demandando as ações necessárias. Sendo vital a maximização do poder de combate, o processo de sincronização deve contar com eficiente exploração dos meios de comunicação, pedra fundamental à aplicação deste conceito.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Mísseis - Definições e Tipos #




A palavra míssil vem do latim “missilis”, que é uma forma do verbo “mittere” que significa atirar. Em termos gerais esta palavra descreve um objeto que cumpre um trajetória em direção a um alvo. No entanto não designamos projéteis de armas de fogo ou obuses de artilharia como sendo mísseis, e alguns autores tendem a classificar os foguetes, que são projéteis sem guiagem orgânica nesta classificação.


Eu classifico como míssil a todo projétil não tripulado, dotado de algum tipo de guiagem e propulsão orgânica, propulsão esta que pode ser acionada por toda a sua trajetória ou em parte dela, e destina-se a transportar uma ogiva militar até o seu alvo. Saliento ainda que este projétil deverá ser destruído quando da detonação de sua ogiva, pois caso contrário ele deixaria de seu um míssil e sim um vetor, tal qual uma aeronave de bombardeio ou um UAV. Os torpedos navais se encaixam nesta descrição, porém são conhecidos apenas como torpedos e não como mísseis, talvez pelo seu deslocamento submerso e sua baixíssima velocidade determinada pelo meio aquático. Podemos dizer que todos os mísseis são UAVs, mas nem todos os UAVs são mísseis.

Um míssil possui como características àquelas adequadas a sua missão, pois existem mísseis destinados a diferentes tipos de emprego. Existem modelos que podem ser lançados do ombro de um soldado e pesam pouco quilogramas como os do tipo MANPADS, aqui exemplificados pelo IGLA russo ou o Stinger dos EUA; e os gigantescos mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) que podem pesar dezenas de toneladas e atingirem alvos a milhares de quilômetros. Seja qual for seu tipo, para ser um míssil ele deve se enquadrar na descrição feita.

Como características gerais podemos dizer que os mísseis são projéteis de baixa aceleração quando comparados aos projéteis de armas de fogo, podendo no entanto alcançar velocidades altíssimas como no caso dos balísticos que chegam a deixar a baixa atmosfera de atingir até 20 vezes a velocidade do som. mesmo atingindo estas velocidades eles a alcançam algum tempo depois do lançamento e seus primeiros momentos de trajetória se dão a baixa velocidade. Existem ainda modelos com trajetória de baixa altitude de cruzeiro e velocidade supersônica como alguns destinados a atingir navios, aqui exemplificados pelo Brahmos indiano e o russo Moskit. A velocidade de cada tipo de míssil pode variar muito e é mais adequado a consulta cada modelo especificamente.

Eles podem ser manobráveis como àqueles cuja função é a de perseguir aeronaves (AAM) e podem fazer curvas de até 100 Gs como o modelo A-Darter da África do Sul/Brasil e outros que seguem trajetórias rígidas como os balísticos. Podem atingir seus alvos a 3 ou 4 quilômetros como os mísseis anticarro (ATGWs) ou centenas como os mísseis de cruzeiro, ou ainda milhares como os balísticos. Podem ainda contar com mais de um sistema de guiagem, variam muito em complexidade e preço final, dependendo do modelo e do tipo. Alguns podem receber correções de curso (teleguiados) ou orientarem-se totalmente por conta própria (fire-and-forget - dispare e esqueça).

O combate moderno vale-se cada vez mais da informação a fim de endereçar ogivas menores até seus alvos, através de disparos precisos com sensíveis reduções de custo global dos equipamentos e redução dos efeitos colaterais dos impactos. Mesmo com um aumento progressivo ao longo do tempo do equipamento em si, através do aumento de sua sofisticação, os custos globais tendem a reduzir-se pela eliminação do desperdício. Um caça moderno com uma bomba inteligente alcança resultados superiores que toda uma leva de bombardeiros da II Guerra Mundial despejando toneladas de bombas com total imprecisão. É neste cenário que o míssil com toda a seu leque de aplicações constitui atualmente a arma por excelência, a mais evoluída e adaptada.

Não significa no entanto que seja a única ou que venha a tornar as outras obsoletas. Pode ser utilizado vantajosamente em qualquer uma das plataformas existentes: navios de superfície, submarinos, aviões, helicópteros, carros blindados; mas também pode ser utilizado autonomamente, no nível tático e no estratégico. 

O futuro reserva um lugar de destaque às armas de energia dirigida, em especial aquelas que utilizam a radiação laser, provavelmente empregadas em algumas aplicações e situações onde os mísseis são atualmente utilizados, mas o míssil continuará a existir, até como eventual portador do próprio laser.

O míssil pode ser usado autonomamente para substituir aviões ou navios, mas seu emprego é mais complementar. Contudo nenhuma plataforma pode prescindir de sua utilização. Um fator favorável ao emprego do míssil é que o seu custo é sempre muito inferior ao da plataforma que ele pode destruir, com probabilidades de êxito maiores devido a sua velocidade muito superior à de qualquer uma dessas plataformas, além de que os sistemas antimíssil nunca são 100% eficazes. 

O míssil pode ser utilizado tanto em estratégias ofensivas e defensivas, mas constitui, para quem o adaptar a uma estratégia predominantemente defensiva e dissuasiva, uma solução mais barata do que a utilização de grandes plataformas de sistemas de armas. O míssil é fundamentalmente uma arma de ataque, embora possa ser utilizado vantajosamente por quem se defende. 

É uma arma de ataque porque se destina a atacar os grandes sistemas de armas, centros de comunicações, infra-estruturas militares como aeródromos e outros objetivos importantes. O míssil, no estado atual de sua tecnologia, tem vantagem em relação aos alvos que ataca, porque a sua velocidade é sempre superior. Estes alvos tentam defender-se utilizando contramedidas, procurando enganar o míssil, atacando-o com mísseis antimísseis ou, na fase final de aproximação com grande concentração de armas de energia cinética. Contudo essas armas antimísseis têm velocidades que, embora possam ser superiores, são da mesma ordem de grandeza da velocidade dos mísseis. 

Mesmo que o sistema antimíssil seja eficiente, alguns mísseis passam. Enquanto não se evoluir para um sistema de defesa antimíssil, com velocidades muito superiores à velocidade do míssil, nunca se poderá ter a garantia de 100% de eficácia. Isso só poderá vir a acontecer com armas de energia dirigida (laser) e canhão de partículas, tal como se vê na Iniciativa de Defesa Estratégica, mas teremos, contudo, de esperar ainda algumas décadas. 

Daqui se pode concluir que o emprego de mísseis em combate tem vindo a acentuar-se, enquanto diminui o número das grandes plataformas de sistemas de armas. 

Os mísseis são classificados de acordo com a tarefa que desempenham, e assim temos os mísseis de emprego estratégico e os de emprego tático, estes mais difundidos e acessíveis que os primeiros.


  • Mísseis de emprego estratégico
    • mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs)
    • mísseis balísticos de alcance intermediário (IRBMs)
    • mísseis balísticos de curto alcance (de teatro ou táticos)
    • mísseis balísticos lançados de submarinos (SLBMs)
    • mísseis de cruzeiro (mísseis "cruise")
    • mísseis antimísseis balísticos (ABMs)
    • mísseis antissatélites (ASAT)
  • Mísseis de emprego tático
    • mísseis anticarro (ATGWs)
    • mísseis anti-avião lançado do ar (míssil ar-ar - AAM)
    • mísseis anti-avião lançado da superfície (SAM)
    • mísseis antinavio (AShM) 
    • mísseis antiradar (ARMs)
    • mísseis antimísseis
    • mísseis ar-superfície (ASMs)*
    • mísseis guiados por fibra ótica (FOG)**
* estes tipo pode envolver mais de um emprego e denota seu lançamento a partir de aeronave. Um ARM pode ser um ASM.

** neste caso é um míssil caracterizado por seu sistema de guiagem que lhe confere características táticas singulares.

Míssil lançado de uma aeronave com o objetivo de abater outra aeronave. São classificados como "de alcance visual" (WVR) para alcances de até 32 km, usam geralmente orientação por infravermelho e são chamados de mísseis "seguidores de calor", podendo no entanto usarem a guiagem por radar; e "além do alcance visual" (BVR), geralmente contam com algum tipo de orientação radar, inercial e atualizações de meio-curso.






Míssil destinado a atingir navios. Podem ser lançados de aeronaves de asa fixa e helicópteros, bases terrestres, outros navios e submarinos. Geralmente são subsônicos e voam rente a superfície do mar (Sea Skimmer), orientados por guias inerciais combinadas com radares de orientação final. Uma nova geração de mísseis supersônicos está saindo do forno. Podem ser detidos por medidas ativas de guerra eletrônica como chaffs e flares, míssseis antimísseis ou canhões de tiro rápido endereçados por radar. Uma maneira de emprego destes mísseis é o ataque de saturação, onde vários deles são lançados ao mesmo tempo contra alvos de alto valor (porta-aviões por exemplo) saturando as defesas e permitindo que pelo menos um deles atinja o alvo.

  • Míssil antiradiação (ARM)



Míssil guiado de forma passiva a partir da radiação emitida pelos radares-alvo. É usado na missão de supressão de defesas a fim de neutralizar radares-guia de armas antiaéreas, sendo lançado de aeronaves que voam a frente de uma força de ataque. 

  • Míssil balístico
Míssil de trajetória pré-determinada, que não pode ser significativamente alterada após seu lançamento, pois obedece às leis da balística. É comumente usado para atingir grandes distâncias e nos modelos de maior alcance atinge as camadas mais altas da atmosfera, realizando voos sub-orbitais. Devido ao caráter estratégico de seu emprego, normalmente transportam ogivas nucleares. São usados contras grandes alvos, como cidades, instalações estratégicas, grandes concentrações de tropas e frotas navais.

São comumente lançados de submarinos  (SLBM), silos terrestres, plataformas ferroviárias e rodoviárias. São classificado em:



  1. Míssil balístico de curto alcance (SRBM): Alcance inferior a 1.000 km
  2. Míssil balístico de médio alcance (MRBM): alcance entre 1.000 e 2.500 km
  3. Míssil balístico de alcance intermediário (IRBM): alcance entre 2.500 e 3.500 km
  4. Míssil balístico intercontinental (ICBM): Alcance superior a 3.500 km
    1. Míssil balístico intercontinental de alcance limitado (LRICBM): Alcance até 8.000 km
    2. Míssil balístico intercontinental de alcance total (FRICBM): alcance superior a 8.000 km



Míssil dotado de pequenas asas que atingem seu objetivo voando como uma pequena aeronave a distâncias consideráveis. Podem atuar como mísseis antinavio e antisuperfície. Podem ser lançados de qualquer tipo de plataforma, inclusive de submarinos, como ficou demonstrados nas últimas guerra do Iraque, quando os EUA fizeram intensivo uso deles. Podem levar ogivas nucleares ou convencionais, e utilizam navegação por reconhecimento de terreno, GPS e inercial.



  • Míssil antisuperfície (ASM)
Míssil lançado de aeronave para atingir objetivos na superfície.



Míssil destinado ao combate contra carros de combate. podem ser usados contra fortificações e outros alvos.Podem ser portáteis ou montados em veículos. É o menor tipo de míssil existente.



Míssil destinado a abater aeronaves lançado da superfície. Podem ser portáteis ou atingir grandes dimensões, dependendo de seu alcance.




  • Míssil antibalístico (ABM)
Míssil destinado à interceptação de mísseis balísticos.





  • Míssil antissatélite (ASAT)
Míssil destinado a interceptação de satélites.





  • Míssil guiado por fibra ótica (FOG)
Míssil de curto alcance destinado a alvos múltiplos. Podem ser lançados de submarinos contra helicópteros caçadores de submarinos.



Organização das Ações Operacionais #




distribuição de forças na AO se dá através de propósitos definidos. Elas desdobram-se de acordo com as ações que irão executar, dentro de três categorias de operações: decisivas, de apoio e de suporte, sempre atendendo um propósito único que são os objetivos operacionais e estratégicos. Cada unidade desempenhará uma parcela do esforço tido como necessário na busca de tais objetivos, empreendendo ações decisivas, de apoio as ações decisivas ou no suporte para que estas aconteçam. Estas decisões formam a base do conceito de operações. Em situações lineares e contíguas, onde os espaços e a força inimiga estão claramente definidos, a AO pode ser loteada em frente, flancos e áreas de retaguarda.

Operações decisivas são àquelas que promovem diretamente as ações necessárias a consecução dos objetivos designados pelo escalão superior. O sucesso ou não destas operações determinam o resultado das campanhas. Só há uma operação decisiva para qualquer operação principal. A operação decisiva pode incluir ações múltiplas administradas simultaneamente ao longo da AO. A intensidade de cada uma destas operações será inversamente proporcional a intensidade das operações de apoio, que são as operações multiplicadoras do poder de combate.

Uma reserva é uma porção de um corpo de tropas mantida à retaguarda e disponível para um movimento decisivo. Até ser empregada, a reserva constituí um elemento indefinido ao inimigo pela sua disposição dentro da AO. Por exemplo, o posicionamento ou movimento de reservas enganam o inimigo sobre a intenção da operação decisiva e o influenciam no desdobramento de suas forças, atuando neste caso em uma manobra de apoio. Quando comprometidas, elas executam ou reforçam a operação decisiva, estando sempre preparadas para conquistar e reter a iniciativa conforme uma situação se desenvolve. São usadas para influenciar circunstâncias ou aproveitar oportunidades que se criam. Altos graus de incerteza tendem a reter uma maior porção da força em reserva.

Operações de apoio são àquelas que desempenham o papel de multiplicadoras de força, com a finalidade de criar e preservar as condições favoráveis ao sucesso das operações decisivas, economizando seu esforço. Elas incluem ações de natureza letal e não-letal, administradas ao longo da AO, afetando a capacidades inimiga e suas forças, ou influenciando suas decisões. Nestas ações todos os elementos do poder de combate são usados para neutralizar ou reduzir as capacidades inimigas, podendo acontecer antes, concomitantemente ou depois do começo da operação decisiva. Envolvem qualquer combinação de forças julgada adequada e se dão por toda a AO. Elementos capazes de desempenhar operações de apoio nunca posicionam-se como reserva e estão em atividade constante, salvo se não se fizerem necessários.

Alguns operações de apoio, especialmente àquelas que acontecem simultaneamente com a operação decisiva, são ações de economia de forças. Se a força disponível não permitir simultaneidade entre as operações decisivas e de apoio, o comando de campo decidirá sua seqüência. Embora não sejam o  mesmo tipo de operação, uma operação de apoio pode ser tão próspera quanto uma operação decisiva. Operações de segurança são um exemplo de operações de apoio. Elas permitem às forças engajadas nas operações decisivas tempo e espaço para reagirem a atividades inimigas, dificultam àquelas a coleta de informações, e as protegem da observação e fogos inimigos.

Operações de suporte tem propósito de sustentar o poder de combate. Elas permitem que  operações de apoio e decisivas sejam desencadadas, provendo apoio de serviço de combate, segurança de bases e áreas de retaguarda, controle de movimento, administração do terreno, e desenvolvimento de infra-estrutura.

Apoio de serviço de combate são as ações que cercam atividades em todos os níveis, gerando e sustentando o poder de combate. Provêem as capacidades essenciais e executam as funções, atividades, e tarefas necessárias ao suporte de todas as forças no teatro.

Segurança de bases e áreas de retaguarda incluem medidas destinadas a permitir que unidades militares e instalações se protejam de ações projetadas para prejudicar a suas efetividade, pelo inimigo ou por civis. Incluem defesa anti-aérea, segurança de perímetro, segurança de comunicações e informações, escolta de comboios, proteção NBC, operações de contra-informação e outras.

Controle de movimento inclui o planejamento e ações que visem o controle do movimento de pessoal e veículos, tráfego aéreo e naval, unidades militares, tráfego logístico e trânsito local, dentro e fora de uma AO. O controle de movimento deve manter LCs abertas de forma a evitar "gargalos" de trânsito de qualquer nível que venham a prejudicar às operações. O apoio de nação anfitriã é crítico no controle de movimento.

Administração de terreno é o planejamento que inclui alocação e designação de áreas de reunião e estacionamento para unidades e atividades.

Desenvolvimento de infra-estrutura constitui na construção de instalações fixas e permanentes no apoio às forças militares, e inclui controle de danos de área e consertos em geral, preservação de estradas e vias e outras obras necessárias.

Estas operações são inseparáveis e indispensáveis para operações decisivas e de apoio, porém raramente são decisivas. Acontecem ao longo da AO, e não só nas áreas de retaguarda, e seu fracasso normalmente resulta no fracasso da missão. As operações de suporte determinam como forças rápidas se reconstituem e como forças distantes podem explorar o sucesso. A nível operacional, elas focalizam-se em preparar a próxima fase da campanha ou operação principal. A nível tático, subscrevem o tempo da operação global; elas asseguram a habilidade para se tirar proveito de qualquer oportunidade.

Esforço principal é a atividade designada como a tarefa mais importante do momento. Ele pode ser uma operação decisiva, de apoio ou de suporte conforme as circunstâncias, e pode ser alternado a todo momento.Uma operação de apoio pode ser o esforço principal antes da execução da operação decisiva, porém a operação decisiva se torna o esforço principal quando em execução.

Assimetria é a diversidade em organização, equipamento, doutrina, capacidade e valores entre as diversas forças aliadas, sendo que estas devem ser empregadas de acordo com sua vocação e na forma que se sintam mais "à vontade", tirando proveito das vulnerabilidades inimigas e preservando sua liberdade de ação. É muito significativa, talvez decisiva, quando o grau de diversidade existente cria nítidas vantagens exploráveis, que podem ser extremamente letais quando o inimigo não está preparado para fazer frente a elas, e tendem a perder importância ao longo do tempo a medida que o inimigo vai se adaptando.