"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

sábado, 18 de agosto de 2012

Combate em Ambientes Urbanos #




O Combate em ambientes urbanos está cada vez mais presente nos conflitos modernos, e as forças armadas tem orientado seu treinamento cada vez mais para este ambiente. Diferentemente do combate em campo aberto, esta modalidade de combate apresenta dificultadores adicionais. É a forma de combate mais difícil de ser implementada na atualidade. Os defensores estão muito familiarizados com o terreno e podem organizar um sem número de emboscadas e posições defensivas.

Devido as cidades concentrarem hoje a maior parte da população, sua importância de faz sentir. Nelas estão os centros políticos, industriais, de comunicações, de armazenamento, usinas de energia e reservatórios de água, meios de transporte, centros de saúde, de comando e controle. Manter os centros urbanos a margem do combate dá ao inimigo uma fonte de recursos inestimável e que invariavelmente pesa muito no desfecho das operações.


  • População Civil


Nas cidades encontramos um grande número de pessoas que não desejam se envolver nos combates e invariavelmente são envolvidos por ele. Temos civis de toda ordem, mulheres, crianças e idosos. O uso de civis como escudos humanos é frequente, quando são colocados próximos a alvos importantes, inviabilizando seu bombardeio e usados como propaganda a favor dos defensores. O soldados deparam-se com um grande número de milicias armadas e gangues de criminosos, que oferecem perigo real. Os defensores muitas vezes se misturam com população civil ficando difícil saber quem é quem.


  • Ambiente de Combate


Veículos blindados tem pouco espaço para manobrar, devendo restringir-se às ruas e avenidas cercadas de edificações, e frequentemente entulho. As edificações mais altas abrigam observadores e franco atiradores. Escombros prestam-se facilmente a instalação de posições defensivas, o posicionamento de armas anticarro e antiaéreas. Os defensores dominam bem o terreno, e conhecem subterrâneos como túneis de metrô e galerias de esgoto, podendo deslocar-se por elas rapidamente e surgir em locais inesperados. Os campos de tiro são restritos, tanto para fuzileiros como para os carros de combate, a fumaça e o fogo podem estar em todo lugar dificultando ainda mais a obervação e o tiro. As comunicações podem encontrar um grande número de obstáculos físicos a sua propagação. O apoio da artilharia é perigoso as tropas amigas pois os impactos podem se dar muito próximos a estas.




  • Apoio Aéreo


O fogo aéreo fica restrito pelas edificações, que dificultam a designação de alvos e observação, e presença de civis, que tem suas moradias destruídas e suas vidas postas em risco. Fiação elétrica dificultam a extração de tropas e ressuprimento através de helicópteros e paraquedas. Armas antiaéreas podem ser posicionadas na cobertura dos prédios mais altos. Helicópteros são vulneráveis a mísseis antiaéreos portáteis e armas anticarro, como ficou demonstrado em Mogadíscio em 1993, quando dois Black Hawk foram derrubados e três danificados. Armas leves também oferecem perigo aos helicópteros operando a baixa altura.

  • Questões humanitárias


Os soldados frequentemente deparam-se com tragédias humanitárias em meios as operações, e o ímpeto natural de dar assistência a estas pessoas pode prejudicar o foco das operações.




Operando no Ambiente Urbano:

Cuidados adicionais devem ser tomados quando se opera em ambiente urbano. Devido ao grande número de baixa potenciais neste tipo de combate, não se deve iniciar estas operações sem que se tenha efetivo e meios substancialmente superiores, pois o desgaste do combate pode rapidamente esgotar a força invasora antes de alcançados os objetivos, acarretando em derrotas de nível estratégico.

O isolamento total da cidade deve ser buscado logo no primeiro momento, privando os defensores de ressuprimento e entrada de reforços, seja por meios terrestres, navais ou aéreos. Disto pode depender o desfecho de toda a operação.




Uma maneira moderna de operar nos ambientes urbanos é através do chamado "enxameamento", onde se evita o combate linear rua por rua e se vale de uma prática já provada pelo Exército Israelense. Pequenas unidades são infiltradas verticalmente ou por terra mas discretamente, em locais estratégicos previamente definidos, com o apoio maciço de atiradores nos pontos mais altos, em estreita ligação com as forças nas ruas, orientando e cobrindo-as. Num movimento aparentemente aleatório, estas unidades se movimentam em ziguezague atacando em pontos não esperados, debilitando o defensor, desaparecendo em seguida e reaparecendo em outros locais, confundindo os defensores e inviabilizando seu entrincheiramento, atacando de dentro para fora. Esta prática exigem total coordenação entre os meios de combate, alta eficiências dos meios de C2 e eficaz uso dos sistemas de comunicações. Quando o defensor estiver altamente desorganizado se inicia, com auxilio de blindados o movimento a partir das bordas do perímetro. Deve se evitar o movimento através das ruas, passando-se de parade em parede com o uso de explosivos, evitando-se dessa forma a exposição aos atiradores do inimigo e as armadilhas colocadas em vias de acesso óbvio. Edifícios devem ser tomados de cima para baixo, através de tropas ali colocadas por helicópteros.


  • Veículo blindados


Carros de combate (CC) são úteis por fornecem apoio de fogo em locais onde a artilharia enfrenta severas limitações, mas devem ser empregados em conjunto com infantaria, pois devido a restrição de mobilidade nestes ambientes, ficam altamente vulneráveis. Veículos transportadores de infantaria devem acompanhar os CC. Deve-se evitar ruas estreitas e formações em coluna, pois a imobilização do primeiro e último veículo, imobiliza toda a coluna. Veículos blindados devem operar sempre em avenidas largas, onde possam ter certa liberdade de manobra.

Também apresentam limitações quanto ao ângulo que suas armas podem elevar, muitas vezes ficando impotentes de atirarem em andares mais elevados, dependendo da distância. O acompanhamento de armas antiaéreas de tiro rápido pode amenizar este problema.


  • Helicópteros

São muitos úteis nestas operações, sendo usados para infiltrar tropas em áreas diversas e no alto das edificações, evacuar feridos e ressuprir as forças, proporcionar apoio de fogo, efetuar missões de vigilância e reconhecimento, além de proporcionar excelente posição em tarefas de comando e controle, podendo inclusive transmitir e retransmitir imagens do combate para os postos de comando.

São vulneráveis ao fogo de armas portáteis, mísseis anticarro e antiaéreos, armas não guiadas anticarro e devem ser usados com planejamento e prudência quando em baixas altitudes. Linhas de distribuição elétricas também representam perigo.


  • Aeronaves de Asa Fixa

Menos adequadas que os helicópteros, podem ser usadas para fogo de apoio, desde que dotados de munição de precisão, a fim de evitar o fogo a alvos indesejados. Podem ainda ser usados na interdição de alvos grandes e proporcionar observação aérea em altitudes maiores. Aeronaves especializadas podem prover eficientes centros de C2.


  • Artilharia

Mesmo com as limitações impostas pelo ambiente, não se pode prescindir dela. Posicionada fora do perímetro da cidade, pode bater alvos bem definidos e prover apoio aos escalões de ataque quando a situação assim o permitir. Seu uso indiscriminado pode resultar e excessiva destruição e baixas civis, grande número de escombros que dificultam o avanço de blindados e servem de abrigo aos defensores. E existência de edifícios altos interfere na trajetória dos projéteis e dificulta a observação do tiro, fator este que não pode ser desconsiderado.


  • Infantaria

A infantaria é quem realmente decide o combate urbano, fazendo a limpeza de casa em casa, desalojando aqueles que ali estiverem. Devem ser eficientemente coordenadas e se operando em pequenas frações tomar muito cuidado para não serem isoladas. Devem carregar potente apoio de fogo orgânico e possuirem alto grau de iniciativa e eficiente ligação com o comando e tropas adjacentes. As técnicas de movimentação de infantaria serão explicitadas em página própria de Combate em Ambientes Fechados (CQB - Close Quarter Combat). Deve usar armas curtas de grande cadência de fogo. Armas longas são desnecessárias pois os alvos são de curta distância e dificultam a mobilidade em ambientes restritos.


  • Comando e Controle

Uma perfeita integração dos meios de comando e controle e as tropas em operação é fundamental, pois além do acompanhamento e cumprimentos dos objetivos, tem-se que tomar máximo cuidado para que pequenas frações não sejam isoladas e neutralizadas. Meios de inteligência devem atuar constantemente juntos aos meios de C2 a fim de proporcionarem quadros de situação constantemente atualizados e realistas.





quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Controlador Aéreo Avançado #





Controlador Aéreo Avançado (Forward Air Controllers - FAC) é uma tropa especialmente treinada para guiar o fogo de aeronaves táticas em missões de apoio aéreo aproximado. Operando contra tropas inimigas, muitas vezes em contato com as forças amigas, os pilotos tem dificuldade de identificar quem é quem, e as chaces de fratricídio são grandes.

A função do FAC é detectar, localizar e identificar alvos visualmente em terra, orientando as aeronaves contra estes alvos, de forma a maximizar sua eficiência e minimizar riscos operacionais. Estas tropas, normalmente compostas por soldados das forças especiais da própria força aérea ou mesmo pilotos experientes, altamente treinados, especialmente nesta função, operam juntos as forças em terra e em contato com seus comandantes, tendo pleno conhecimentos das intenções destes e de todos os detalhes das linhas de contato que os batalhões tem a disposição. O FAC também pode ser um observador de artilharia e coordenar fogos da artilharia terrestre e naval.

O FAC não opera sozinho, mas em equipe, portando armamento para autodefesa e equipamento de comunicações para ligação com os batalhões e com as aeronaves e satélites, bem como equipamento especializado em observação como terminais táticos, telêmetros, e equipamento óticos diversos. Todos este equipamento não pode ser carregado por uma única pessoa, daí a razão de operar em equipe. Pode operar em terra ou aeroembarcado em aeronaves lentas que permitam a observação, e devem ter contato direto também com as demais aeronaves de C2 e AEW operando na área.



Pode cooordenar missões como o pouso de assalto de helicópteros e paraquedistas, lançamento de carga aérea e ressuprimento. O número de FAC é variável em cada situação, seu treinamento é caro, mas dependendo da situação pode-se ter até um por companhia. São alvos de alto valor para os franco-atiradores inimigos, e altamente vulneráveis devido a suas constantes emissões rádio.

O FAC tem como funções básicas:

  • Assessorar os comandantes em terra quanto ao uso do poder aéreo, tal qual faz um oficial de ligação de artilharia, visualizando oportunidades e limitações deste em cada situação específica.
  • Orientar a missão das aeronaves de apoio aéreo, transmitindo-lhes detalhes do alvo e as intenções dos comandantes terrestres.
  • Usar os vários meios disponíveis a fim de determinar as posições dos alvos de forma precisa e clara, marcando-os, se possível, para melhor visualização pelas aeronaves.
  • Auxiliar os pilotos quando do disparo das armas, em coordenação com outros meios.
  • Avaliar os efeitos dos ataques e pedir sua repetição se for necessário.
  • Contribuir com os serviços de informações das tropas, repassando as informações que coletar a fim detalhar seus quadros de situação.
  • Auxiliar nas missões de resgate de pilotos abatidos (CSAR)


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Ataque Aéreo #



As missões de ataque à superfície são a componente ofensiva da aviação de combate. Poderosa e invariavelmente temida por aqueles que estão no solo, rios e mares, a aviação de ataque é uma das maiores ameaças presentes nos modernos TO, desde os tempos da Segunda Grande Guerra. O meio aéreo proporciona aos que lá operam uma excelente condição de observação, busca de alvos e inteligência, além de um magnífico campo de tiro para as letais e cada vez mais precisas munições aéreas.

As missões de ataque aéreo são classificadas em três modalidades distintas, de acordo com a sua finalidade e os alvos que buscam. Estas modalidades são o Bombardeio Estratégico, a Interdição de Campo de Batalha e o Apoio Aéreo Aproximado (CAS -Close Air Suport), esta conhecida no Brasil como missões de Cobertura. Dependendo da situação, estas missões eminentemente ofensivas, poderão contar com a escolta de caças interceptadores a fim de garantir sua segurança.





  • Bombardeio Estratégico

O Bombardeio Estratégico visa atacar a capacidade do inimigo de sustentar a guerra, assediando suas áreas industriais e infraestrutura logística de alto escalão, usinas de energia e grandes depósitos de combustível e munição. Frequentemente considerada uma campanha independente, as missões de Bombardeio Estratégico  não interagem com as forças de superfície e valem do melhor que a aviação militar tem a disposição, pois demandam missões de longa duração a distâncias consideráveis, exigindo aeronaves com grande autonomia e capacidade de carga, podendo se utilizar de mísseis balísticos e de cruzeiro, com ogivas nucleares ou não.

É a primeira fase de uma campanha aérea e se inicia bem antes das forças terrestres entrarem em ação, operando initerruptamente até o fim da campanha, porém sua atuação isolada não garante o resultado final, visto que as forças aéreas não são capazes de ocupar o terreno, e seu resultado pode demorar para ser sentido na frente de batalha se o enfrentamento for contra um oponente bem preparado. Exemplos de Bombardeio Estratégico temos nas incursões aliadas contra a Alemanha Nazista onde bombardeiros Lancaster e B-17 a assediavam constantemente. No Vietnam temos as devastadoras missões Rolling Thunder e seus B-52, também heranças da Segunda Guerra.

veja: O Raid aéreo israelense na Guerra dos Seis Dias
veja: Operaçao Black Buck






  • Interdição Aérea


As missões de Interdição Aéreo ou Interdição de Campo de Batalha (Air Interdiction - AI) visam destruir, atrasar ou inviabilizar as forças inimigas que estão a frente da linha de contato, procurando assedia-las antes que entrem em contato com as forças amigas. São conduzidas contras alvos de alto valor nas áreas de retaguarda do inimigo, aprofundando o combate e impedindo que inimigo intensifique a pressão nas linhas de contato, através da destruição de seus depósitos de munição e combustível, pontes, estradas e linhas ferroviárias, comboios logísticos e centros de comando e controle, além das vitais redes de comunicação e outros alvos de alto valor.

Estas missões, por se darem além da linha de contato não necessitam de coordenação com as forças em terra, e como o Bombardeio Estratégico podem ser conduzidas livremente pela força aérea. Seus resultados não são imediatos e seu planejamento ocorre com certa antecedência, geralmente seguindo um plano geral de fogos de alto escalão.



  • Apoio Aéreo Aproximado


As missões de Apoio Aéreo Aproximado (Close Air Support - CAS), são executadas em proveito das forças de superfície, e executados em total coordenação com estas, sendo seus efeitos imediatos. Estas missões visam complementar as ações de apoio de fogo às forças terrestres executadas por meios orgânicos como artilharia de campanha e morteiros. A proximidade destes bombardeios com as forças amigas requer cuidados especiais como o uso da controladores aéreos avançados (FAC), em terra ou aeroembarcados, a fim de prover fogo preciso e minimizar a ocorrência de fratricídio.

Estas missões devem apoiar a manobra terrestre ou naval, atuando como artilharia de ação rápida, permitindo as tropas manobrarem livremente, frequentemente sob o comando destas. Podem ser usadas para abrir brechas, manter o inimigo de "cabeça abaixada", aliviar as pressão sobre as forças amigas, retardar o avanço do inimigo em contato próximo, impedir sua manobra e outros. São executadas tanto por aeronaves de primeira linha (caças de alto desempenho) como por outras especificamente desenvolvidas para esse fim, como Caças Super-Tucano e A-10, helicópteros de ataque e aeronaves de pilotagem remota. Seus alvos primordiais são as tropas inimigas como infantaria e carros de combate, e uma prática frequente é manter as aeronaves voando próximas as linhas de contato, sendo acionadas por solicitação das tropas de superfície.




A algum tempo estas aeronaves prescidiam de cobertura aérea para operam, sendo frequentemente alvos do fogo terrestre e aéreo. Nos dias atuais, sua vulnerabilidade diminuiu, pois podem lançar armas guiadas a distâncias seguras, de dia ou à noite, sob quaisquer condições meteorológicas e mesmo contra alvos móveis como carros blindados e lanchas de alto desempenho. Sistemas de C2 modernos também facilitaram esta tarefa. A letalidade destes sistemas aéreos cresce de forma mais rápida que a capacidade das forças terrestres em se defender. Terrenos urbanos e alvos furtivos ainda apresentam problemas para este tipo de missão.

As aeronaves, em missão de apoio aéreo aproximado devem ser capazes de abater posições de defesa antiaéreas pois representam uma ameaça real, fustigar as forças de combate, debilitar as estruturas de apoio logístico que acompanham as tropas, fazer fogo anticarro e contra-artilharia, sendo que estes alvos podem ser móveis e demandarem munição especializada, fazer reconhecimento armado portando armas para todos os tipos de alvos possíveis de ser encontrados, interceptar helicópteros e UAVs, além de fazer patrulhas de combate aéreo (CAP) acima das tropas caso possuam capacidade para tal (multifuncionais) e efetuar reconhecimento tático.



domingo, 12 de agosto de 2012

Reconhecimento e Vigilância #



O reconhecimento e a vigilância constituem-se nas mais importantes tarefas executadas por forças em combate e estão intimamente relacionados à segurança destas, condição fundamental a sua integridade e consequente eficiência em combate. A vigilância é a prática que permite ao comandante manter-se atualizado do que acontece ao seu redor, e o reconhecimento a ação que visa aprimorar o nível de conhecimento sobre determinada situação. Complementam-se mutuamente e não podem ser separados.

Operadores em combate executam operações de reconhecimento constantemente, seja qual for a missão que devem cumprir, pois deste reconhecimento virão as decisões mais realistas à situação. A vigilância garante aos comandantes que não serão surpreendidos pelo inimigo, sendo o reconhecimento, mesmo que com outras finalidades, uma forma de vigilância. Sabendo que ameaças estão ou podem se fazer presentes, as unidades em combate podem tomar as medidas necessárias a garantir sua segurança, planejando a segurança de sua posição como defesa imediata e/ou lançando operações ofensivas contra unidades inimigas que representem grande ameaça, como por exemplo baterias MLRS.



Numa situação hipotética um comandante de infantaria envia uma patrulha para reconhecer um possível alvo, sobre o qual pretende lançar uma operação de conquista (um ataque). Esta patrulha de reconhecimento deverá avaliar o dispositivo inimigo, seus números e equipamento, porém evitando ao máximo envolver-se com este (engajar-se em combate). Ao realizar sua missão, detecta que o inimigo está na iminência de atacá-los (a unidade que enviou a patrulha), posicionando-se no terreno de forma habilmente furtiva, de uma maneira que as sentinelas não poderiam detectar. Ao perceber a armadilha que se forma, os batedores alertam seu comandante que toma as providências adequadas e evita a surpresa de ações inimigas às suas tropas. Este pequeno exemplo ilustra como uma operação de reconhecimento de cunho ofensivo, contribuiu para o dispositivo de vigilância desta unidade que tinha como missão garantir a segurança dos infantes.

Ao empreender operação que vise exclusivamente a segurança de uma área (uma operação de vigilância), uma unidade em combate pode atuar de forma ofensiva, agindo preventivamente contra ameaças potenciais e recolhendo informes que poderão subsidiar planos do escalão superior, executando operações de reconhecimento involuntárias que podem ser de grande valia.

O reconhecimento é uma ação conduzida de modo a colher subsídios de inteligência sobre o inimigo e a área de operações, podendo ser realizado por todos os meios, terrestres, aéreos e navais. É orientado para colher informes sobre as tropas e unidades inimigas, os acidentes capitais do terreno e suas características, os pontos sensíveis, localidades, rotas, áreas específicas ou zonas de atuação. Buscam sempre os informes necessários a missão a qual devem subsidiar, porém repassam ao seu comando qualquer informação que for considerada relevante, o que deve ser feito em tempo real e na forma de fatos, isentando-se de opniões subjetivas.



A tropa em reconhecimento deve evitar engajar-se em combate, salvo se este engajamento for necessário ao cumprimento da missão ou a autodefesa. Esta tropa deve manter o contato uma vez adquirido, que deve ser o quanto antes, só o abandonando por ordem superior, nem que seja pela simples observação. Qualquer obstáculo encontrado deve ser esclarecido de pronto, com seus limites estabelecidos e características tabuladas, cabendo ao comandante do reconhecimento decidir quanto ao engajamento, de acordo com suas diretrizes e de seus superiores, e do tempo disponível. As unidades mais vocacionadas à esta missão na força terrestre são as de cavalaria ligeira, porém quase todas as unidades em combate tem condição de realizá-la. Submarinos são muito usados para reconhecimento marítimo, assim como aeronaves em todos os teatros.

A vigilância é a contínua e sistemática observação do espaço de batalha, com foco nos pontos de maior ameaça como estradas, pontes, áreas de lançamento e aterragem, terreno restrito e outras áreas críticas. É o principal meio para detecção de atividade inimiga, e diretamente influenciada pelas condições de visibilidade, pelas características do terreno, pela defesa antiaérea e possibilidades do equipamento de vigilância. É rotina de todas as unidades em todos os tipos de operação, e tem como grande potencializador equipamentos de alta tecnologia como NVGs, Câmeras de TV e IR, radares SAR e equipamento ESM, aeronaves RPV, radares de vigilância aérea, entre outros.



Visa proteger as unidades contra a operações de inquietação, a surpresa e a observação por parte do inimigo, preservando o sigilo das operações, condição para a manutenção da iniciativa a liberdade de ação. Cabe aos operadores dos dispositivos de vigilância o alerta antecipado e preciso sobre a atividade inimiga, de forma que o comandante possa reagir pró-ativamente em favor da superioridade tático-estratégica-operacional, dependendo do seu escalão. As sentinelas deverão estar postadas distantes da tropa a qual protegem, de forma a permitirem a esta espaço para manobrar depois do alerta dado, adotando a solução tática mais adequada. Elas mantêm-se em contínuo reconhecimento de sua área de responsabilidade, de forma agressiva e com constante fluxo de informes, mantendo o contato continuamente, só o rompendo por ordem superior. Sentinelas próximas proporcionam uma segurança mais pontual  e reagem ao contato.

Toda unidade é responsável por sua segurança, mesmo que outras a estejam protegendo. Não se justifica a adoção de medidas extremas de segurança, no entanto, que causem impacto negativo no cumprimento de suas missões. Forças de segurança devem ser suficientemente fortes para engajar-se com o inimigo pelo tempo suficiente para que as tropas protegidas possam assumir condição adequada, mantendo o engajamento apenas pelo tempo necessário à missão.


Estas forças podem agir em cobertura, engajando o inimigo pelo tempo necessário; em proteção, atuando fragmentariamente sobre ações de flanco e de contra-observação; e em vigilância, onde limita-se a ações de observação e alerta antecipado.

Estar alerta é vital e preserva o poder de combate, razão de ser das forças em campanha.


domingo, 29 de julho de 2012

Operações Ofensivas - Formas #





Operações Ofensivas - Fundamentos #

As operações ofensivas terrestres se dão de cinco formas diferentes. As primeiras duas formas são a Marcha para o combate e o Reconhecimento em força. São missões muito similares e se diferenciam a partir do contato com o inimigo. Visam manter ou restabelecer o contato com o inimigo, buscar informações sobre este e obter vantagens para operações futuras.


  • Marcha para o Combate

A marcha para o combate deve se executada de forma agressiva de forma a se apossar do objetivo antes de o inimigo possa reagir efetivamente. Deve-se lançar mão de todos os multiplicadores de combate como a aviação e tropas de reconhecimento fornecendo informações efetivas sobre o inimigo, massiva utilização de artilharia de longo alcance e aviação tática empregadas de forma a poupar as forças em avanço para que elas mantenham sua integridade a fim de serem utilizadas na consecução final dos objetivos e estarem em condições de perseguir os objetivos principais. É normalmente executada por uma força de cobertura, móvel e potente que esclarece a situação e consolida objetivos secundários a fim de evitar o retardamento do montante da tropa (grosso) que vem logo em seguida, atuando também na desorganização inicial do dispositivo inimigo instalado, já iniciada pelas forças multiplicadoras (artilharia e aviação tática). As tropas que seguem as forças de cobertura são precedidas pelas suas forças de vanguarda, potentes e móveis e altamente ofensivas e consolidam o sucesso das forças de cobertura, e protegidas em seus flanco e retaguarda, por forcas de natureza mais defensiva. A totalidade das demais forças deve ser disposta e preparada a fim atuarem prontamente com total flexibilidade se forem necessárias.





  • Reconhecimento em Força

O reconhecimento em força visa a obtenção de inteligência e deve ser conduzida por uma força relativamente potente a fim de revelar e testar o dispositivo defensivo. É mais efetiva que outras formas de reconhecimento e deve ser aplicada em pontos cuidadosamente selecionados de forma a obrigar o inimigo a reagir e mostrar seu planejamento. Deve-se empregar forças combinadas das armas-base, e como sempre, valer-se dos multiplicadores de combate como o apoio de artilharia, meios aéreos e engenharia de combate.


  • Ataque

A terceira forma é o Ataque propriamente dito, e sendo a mais potente de todas, visa destruir, derrotar ou neutralizar as forças inimigas de forma incisiva e potente, e deve ser executada com audácia e decisão. Pode ser  coordenado ou de oportunidade. Este é realizado sem preparação e quando a situação assim o favorecer, onde a rapidez e o senso de oportunidade são os fatores preponderantes. É realizado pelas forças disponíveis, onde o comando com iniciativa e audácia tira proveito de encontros inesperados ou manobras defensivas bem sucedidas, valendo-se da surpresa e desorganização momentânea do inimigo para subjugá-lo. Aquele é realizado quando se deseja cerrar sobre o inimigo a fim de subjugá-lo, dispondo para tal de tempo para se efetuar um planejamento adequado, utilizando-se de todos os multiplicadores de combate, com amplo apoio de fogo de artilharia e aviação tática.




As últimas duas formas são o Aproveitamento do êxito e a Perseguição. São, como as duas primeiras missões, bem similares e diferem pelo resultado final. O aproveitamento do êxito se dá após uma ataque bem sucedido quando os defensores tem dificuldade de manter suas posições, e as forças atacantes procuram capitalizar o sucesso com avanços contínuos, rápidos e profundos a fim maximizar as vantagens obtidas destruindo forças e dispositivos, impedindo a reorganização e capturando seus recursos.


  • Aproveitamento do Êxito

Deve ser implementado initerruptamente, podendo culminar na vitória final ou bem próximo a esta. É a operação ofensiva mais efetiva, pois a um custo muito reduzido confere resultados muito bons e causa confusão ao inimigo. Deve contar ao máximo com os multiplicadores de poder de combate e selecionar objetivos bem a retaguarda, dominando postos de comando e controle, áreas logísticas e bloqueando as rotas de fugas dos defensores, podendo até destruir significativamente as fileira inimigas. Um indicativo desta situação é a ultrapassagem de posições de artilharia e áreas logísticas importantes, além de grande quantidade de material abandonado e prisioneiros de guerra. Deve-se empregar nesta fase toda a tropa disponível, inclusive as aeromóveis e aeroterrestres a fim de bloquear retiradas e dominar pontos capitais, avançar em largas frentes, focando-se em objetivos importantes e desbordando-se de resistências de pequeno valor.



O comando deve estar alerta para impedir o fracionamento de forças resultante de esforços sem importância, principalmente se o inimigo for capaz de reagrupar-se e isolar estes contingentes. As forças mais distantes devem ser entregues a artilharia de longo alcance e aviação tática. A constituição de uma força de acompanhamento para se ocupar das forças ultrapassadas e garantir os objetivos conquistados libera as forças de vanguarda para imprimirem velocidade e profundidade a operação.


  • Perseguição


A perseguição se dá após o aproveitamento do êxito e visa cercar, capturar ou destruir as forças em retirada, senda estas os objetivos principais. As forças de vanguarda mantem uma pressão contínua sobre as forças em retirada, enquanto forças de debordamento bloqueiam sua retaguarda cortando suas rotas de fuga. Tropas aeromóveis, aeroterrestres e de infantaria naval são especialmente adequadas a este bloqueio, ocupando pontos capitais como pontes e passos.




sábado, 28 de julho de 2012

Operações Ofensivas - Fundamentos #



As operações ofensivas são aquelas desencadeadas a fim de se obter resultados decisivos, como conquistar objetivos no terreno, destruir e capturar tropas e formações, frustrar e debilitar a logística inimiga, obter informações quanto ao poder de reação das forças atritadas e empreender ações diversionárias. Caracterizadas principalmente pelo princípio da iniciativa, cabe a estas operações a função de assediar os defensores a fim de que eles reajam ao plano de operações dos atacantes, impedindo-os que sigam seu planejamento e forçando-os a desorganizar-se em prejuízo de seus objetivos.

Estas operações caracterizam-se pela exposição demasiada das forças atacantes, forçando-as a deixarem posições seguras e bem defendidas, a fim de aplicarem seu poder de combate de forma contundente às forças defensoras, razão pela qual os atacantes devem obter superioridade relativa de combate quando do engajamento, de forma intensa e violenta, a fim de decidir a situação no menor intervalo de tempo possível. Cabe ressaltar aqui a questão da violência, que deve ser aplicada na sua intensidade máxima necessária a fim de buscar o desfecho destas operações no menor espaço de tempo possível. Todo êxito obtido em operações desta natureza deve ser explorado por forças móveis a fim de evitarem a fuga das forças derrotadas, com sua consequente captura. Tropa e equipamento capturados não combatem mais e não causam problemas.

Estas operações devem ser planejadas no tempo e no espaço de forma a prevenir qualquer tipo de desdobramento decorrente delas que possam frustrar seu sucesso. Após alcançados os objetivo pretendidos, as forças atacantes deverão perseguir quaisquer outros que se apresentem e possam ser alcançados sem se expor a riscos desnecessários, tirando proveito do êxitos obtidos e maximizando a eficácia do esforço empreendido. Todas as fraquezas identificadas devem ser imediatamente exploradas, desde que não resultem em prejuízo a busca dos objetivos definidos. Fraquezas exploradas com proficiência quando da desorganização momentânea das forças inimigas evitam esforços futuros.




A manobra deve evitar o assédio aos pontos mais bem defendidos do dispositivo defensivo, procurando o rompimento de suas linhas em pontos de menor esforço, como flancos e retaguarda. Deve-se forçar sempre que possível, os defensores a abandonarem suas posições fortificadas e difíceis de penetrar, isolando-os de suas linhas de suprimento e comunicações, negando-lhe enlaces de comando e capacidade receber reforços e ressuprimento, induzindo-o a reagir em direções não previstas por eles e trazendo o combate para terreno não preparado.

Forças altamente móveis e com maior capacidade de choque e proteção ativa são as mais adequadas a este tipo de operação, pois além de serem mais resistentes ao castigo inimigo, tem maiores possibilidades de aproveitamento do êxito obtido, deslocando-se a posições profundas no dispositivo assediado, capturando tropas e equipamentos, depósitos de combustível e munição e outros recursos importantes. As brigadas mecanizadas e blindadas são as tropas mais vocacionadas a este tipo de combate, quando o terreno lhes for apropriado.

Estas operações devem ser planejadas de forma a exercer pressão contínua aos defensores, com pouca ou nenhuma pausa entre os combates, impedindo-os de se reorganizarem. Deve-se planejar cuidadosamente a substituição das unidades, de forma que todos possam dormir e descansar sempre que possível, pois estas operações podem estenderem-se por semanas a fio. Uma forma de se conseguir isto é através da alternância de funções e substituição dos escalões de ataque, empregando diferentes formas de manobra. Os elementos de comando e controle são vitais a manobra e devem ser especialmente protegidos da fadiga e falta de sono.

Operações defensivas devem ser organizadas de forma ofensiva, com ataque a dispositivos que se preparam para atacar, caracterizando contra-ataques de desorganização, busca de informações e exploradores de eventuais deficiências encontradas. 




FUNDAMENTOS DAS OPERAÇÕES OFENSIVAS

  • Iniciativa e impulsão: O atacante escolhe a hora  e o local do ataque, fazendo o inimigo reagir a uma situação não prevista por ele. Uma vez desencadeada a operação, procura-se chegar ao objetivo no menor prazo possível, impelindo-se rapidez a progressão. Deve-se fazer uso de reservas e empregar com abundância os meios de apoio de fogo, engenharia e guerra eletrônica a fim de multiplicar o poder de combate. Meios logísticos eficientes são fundamentais a manutenção do avanço.

  • Manutenção do contato, fogo e movimento:  Manter o inimigo sempre ocupado e a vista garante informações contínuas, liberdade de ação e conservação da iniciativa, evitando a surpresa. O contato com o inimigo deve ser estabelecido e mantido o mais cedo possível. Fogo e movimento (manobra) devem empregados de forma sincronizada e intensa, culminando com o assalto violento à área decisiva. Mesmo em ações defensivas a manutenção do contato com ações ofensivas deve ser continuamente buscada a fim manter o comando atualizado quanto às capacidades e intenções do inimigo, prevenindo surpresas.

  • Informações e Oportunidade: A manutenção do contato permite determinar as característica ainda não conhecidas do inimigo, como dispositivo e composição entre outras, identificando deficiências e correções a serem implementadas. Oportunidades aí identificadas devem ser exploradas, dividindo as forças defensoras, privando-as de apoio e suprimento, buscando-se sempre atacar flancos e retaguarda, sempre menos defendidos.

  • Controle de acidentes capitais: O controle de pontos capitais como armas estrategicamente posicionadas, pontes, entroncamentos rodoviários, passagens, elevações e outros podem ser de vital importância ao êxito da operação e devem ser dominados, se assim identificados, o quanto antes, seja pelo avanço ou por tropas especialmente lançadas, como forças aeromóveis e aeroterrestres, anfíbias ou de infiltração. Este controle serve também para bloquear a chegada de reforços.

  • Neutralização dos multiplicadores de combate dos defensores: Devem ser lançadas operações a fim de neutralizar ou enfraquecer os potencializadores de combate do inimigo, como o desencadeamento de fogos de contra-bateria, a inviabilização das comunicações por bombardeio e guerra eletrônica, a cobertura aérea impedindo a aviação inimiga de operar, a ação de operações especiais a fim de destruir ou neutralizar outros meios importantes, a caça e neutralização de seus meios de observação, entre outros. Atividades de contra-informação e dissimulação e guerra psicológica devem ser implementadas.

  • Concentração do poder de combate: Aplicação do poder de combate de forma massiva, no local e no momento decisivos, deve ser implementada. Todas as formas de subjugar o defensor disponíveis devem ser empregadas de forma simultânea e sincronizada, de forma que o efeito resultante seja maior que a soma dos efeitos individuais de cada meio.

  • Aproveitamento do êxito:  Ataques violentos e decisivos, praticados por forças superiores e incisivas devem ser explorados agressivamente, e todas as situações e oportunidades que surgirem devem ser convenientemente aproveitadas e potencializadas a fim de capturar ou destruir o maior número de meios inimigos possível.

terça-feira, 6 de março de 2012

Munição APFSDS #



APFSDS (Armor-Piercing, Fin-Stabilized, Discarding-Sabot): Munição perfuradora de blindagens, estabilizada por aletas e de cinta descartável.

O projétil APFSDS  é um tipo de munição perfurante de atuação por energia cinética que, como o próprio nome diz, não usa explosivos e causa seus efeitos através da intensa dissipação de energia decorrente de seu impacto, através de um elemento de altíssima densidade, ao qual é imprimida enorme aceleração.

É usada para atacar as armaduras mais avançadas dos blindados modernos de primeira linha e constitui na principal munição usada pelos MBTs quando em combate direto com seus pares inimigos. Estes projéteis são constituídos por um núcleo de metal muito duro como o carbeto de tungstênio ou o urânio empobrecido e subcalibrados a fim de concentrarem sobre seus alvos uma impressionante carga de energia cinética sobre uma área mínima, rompendo as armaduras através do intenso estresse decorrente, atingido cerca de 1.800 graus celcius no impacto e provocando o estilhaçamento e derretimento da armadura, pulverizando o interior dos veículos.



Quanto mais comprida for a haste penetradora, maior será sua massa e conseqüentemente a energia que transmitirá. Quanto maior for seu diâmetro, maior será seu arrasto induzido e menor a velocidade de impacto. Como uma haste longa de metal é aerodinamicamente instável, o núcleo conta com barbatanas (aletas) que lhe dão estabilidade em voo, razão pela qual também é conhecida como munição “flecha”. Podem ser disparadas de canhões de alma lisa ou raiada, estes porém imprimem ao projétil uma rotação  que ao mesmo tempo que produzem um efeito estabilizante, reduzem sensivelmente seu desempenho, pois o arrasto decorrente faz com que chegue ao alvo com velocidade reduzida e consequente impacto menos potente. Canhões de alma raiada também sofrem desgaste excessivo, sendo os da alma lisa preferidos para esta munição.

O núcleo duro é montado no interior de um invólucro (Sabot) que tem por função adequar-se ao diâmetro do cano e é descartado imediatamente depois que deixa o interior da arma, quebrando pelo estresse provocado pela intensa pressão do disparo. Nos disparos a partir de armas de alma raiada estes invólucros são dotados de obturadores de deslizamento, que permitem que o núcleo gire a uma taxa muito inferior e eles, com sensíveis ganhos aerodinâmicos, pois uma rotação muito alta sobre as aletas produz um arrasto significativo.



A capacidade de penetração de um projétil em uma armadura é uma relação direta de sua densidade, massa e velocidade (e=mc2) e a densidade e espessura do alvo. Estes projéteis requerem velocidades iniciais muito altas, o que requer pressões internas igualmente grandes, não sendo possível dispará-los de qualquer arma. Um penetrador efetivo, além de ser muito denso deverá ser dúctil suficiente para não se quebrar no impacto, e ter a capacidade de sobreviver às altas acelerações do lançamento. Por fim deverá ainda alcançar o alvo em ângulo favorável e sobreviver a contramedidas como as armaduras reativas.

O desenvolvimento de armaduras mais complexas de natureza composta e ação reativa provocaram o desenvolvimento de penetradores mais complexos, com complexas ligas de tungstênio e urânio empobrecido, ambos duros, dúcteis, muito densos e fortes. Porém cada material tem suas particularidades, como o urânio que tem propriedades pirofóricas e seus fragmentos tendem a inflamar no impacto quando em contato com o ar e incendiar combustível e munição do alvo, contribuindo para a letalidade do impacto. Apesar destas características que o tornam um pouco mais efetivo que os projéteis de tungstênio, apresenta inconvenientes sérios e controversos, devido a emissão de radiação residual (material radiativo). O tungstênio continua mais abundante e barato, sendo usado pela maioria.



O “Sabot” (invólucro descartável) usado para lançar um projétil de tungstênio não se presta ao lançamento de um projétil de urânio, mesmo que tenham exatamente a mesma forma. Os dois materiais se comportam de maneiras diferentes sob altas pressões e forças de aceleração elevadas, de modo que o “sabot” é completamente diferente em sua integridade estrutural. Estes projéteis operam a velocidades de 1.400  a 1.900 m/s, porém o comprimento da peça é mais importante do que a velocidade de impacto, embora esta seja fator significativo e uma velocidade mínima essencial. O modelo M829 dos EUA voa a 200 m/s mais rápido que o modelo M829A3 mais novo, porém possui apenas a metade do comprimento e é inadequado a penetração de armaduras compostas de última geração.


Um dos maiores desafios de engenharia ao projetar “sabots” na atualidade é a necessidade de lançar penetradores excessivamente longos (cerca de 800 mm), pois seu peso extrapola o desejado e subtrai velocidade de todo o projétil, chegado a quase a metade da massa de todo o conjunto, além do custo de materiais mais resistentes. Os fragmentos do “sabot” ao serem descartados quando deixam o tubo também viajam a velocidades muito altas em trajetórias imprevisíveis, oferecendo perigo real às tropas e veículos leves, requerendo seu disparo a observação de critérios mínimos de segurança nos primeiros 1.000 metros.