"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

sábado, 17 de novembro de 2012

Condições Meteorológicas - Influência nas Operações Militares #




Toda operação militar está sujeita a interferência de fatores climáticos que devem ser considerados em seu planejamento. Estes fatores influenciam na visibilidade, na mobilidade terrestre e naval, nas operações aéreas, na segurança operacional, na trafegabilidade das ondas eletromagnética influenciando as comunicações rádio e operações das sensores como radares e eletroóticos, entre outros. Operações que envolvam a utilização de satélites como os sensores GPS/Glosnass e a retransmissão de comunicações por este meio também são seriamente influenciados pelas massas atmosféricas mais densas.

A mobilidade é crítica em uma operação militar, e condições meteorológicas adversas podem inviabilizar a transitabilidade em terrenos ruins, como aqueles excessivamente arenosos e moles, que facilmente se transformam em lodaçais, podendo paralisar todo um exército em marcha. O derretimento da neve prejudicou sobremaneira o avanço alemão na Rússia tornando suas precárias estradas intransitáveis, com a formação de lodaçais e impondo um fardo penoso às tropas.



Nas mesmas condições o tráfego pelo mar pode se tornar algo penoso, principalmente a tropas em travessia e não habituadas a vida embarcada. O desembarque do dia D em 1944 na Normandia, por exemplo,  foi adiado para o dia 6 de junho devido ao mau tempo, e apesar das condições deste dia não serem as melhores a tropas já estavam embarcadas a algum tempo e sofrendo de enjoos, e a espera de mais tempo seria inviabilizada pelas condições de maré e da logística de desembarcar todo o contingente e posteriormente reembarcá-los novamente.

A primeira fase para o estudo das condições meteorológicas é dispor-se das bases de dados existentes de forma ostensiva, que nos dão as características climáticas de determinada região associadas a época do ano em que se irá operar. Estes dados são lastreados no histórico do tempo ao longo dos anos e nos dão uma ideia geral das condições que iremos encontrar. A partir daí busca-se informações mais pontuais nas previsões de curto, médio e longo prazo, permitindo que se determine com maior precisão e pela elaboração de croquis, as condições de visibilidade, temperatura, emprego de fulmígenos, trafegabilidade das estradas e fora delas, emprego de sensores e meios de comunicação, navegabilidade, possibilidades de alagamento, vadeabilidade de cursos d'agua, teto operacional para aeronaves e operações de aeródromos, viabilidade de reconhecimento aéreo, possibilidade de observação terrestre e utilização de elevações, etc...




Os elementos que mais influenciam as operações são: 
  • Crepúsculos: Tanto o matutino quanto o vespertino influem na luminosidade e visibilidade e horários de operação, 
  • Fases da Lua: influem na luminosidade noturna;
  • Precipitações: Afetam a visibilidade, trafegabilidade, bem estar da tropa e segurança.
  • Ventos: sua força, altitude e direção ditam as condições de mar, rotas aéreas, emprego de fumígenos e outros;
  • Nebulosidade: Afetam a visibilidade.
  • Temperatura e Umidade:  Afetam equipamento e pessoal.
  • Marés: influenciam em operações de desembarque a partir do mar


O Crepúsculo:

Crepúsculo é a passagem do dia para a noite (crepúsculo vespertino) ou vice-versa (crepúsculo matutino). Existem 3 tipos:  O astronômico cuja visibilidade é muito reduzida e não tem utilidade prática para fins militares, o náutico que proporciona visibilidade suficiente aos movimentos terrestres com visibilidade limitadas a 400 m e uma certa proteção a observação inimiga, e o civil que proporciona luminosidade suficiente a todas a atividade diurnas. A duração dos crepúsculos depende da latitude de varia ao longo dos tempos.Enquanto que na ofensiva, a baixa luminosidade favorece a concentração de forças, a manobra e a obtenção da surpresa, na defensiva, prejudica a vigilância, impede o reconhecimento, dificulta a coordenação e controle e reduz a precisão da busca de alvos.




As Fases da Lua:


A lua influencia diretamente na visibilidade noturna. Na lua nova a visibilidade é mínima, aumenta na crescente e alcança o máximo na cheia, decrescendo na minguante. Assim, a luminosidade deve ser analisada em função do nascer e do pôr do sol e das fases da lua, que exercerão influência nas condições de observação, sigilo, emprego dos meios aéreos e de coordenação e controle das tropas. A visibilidade é função também por outros elementos meteorológicos, tais como precipitações, nebulosidade, ventos, etc.




Precipitações:

Podem trazer impedimentos ou risco ao voo, alagamentos de grande dimensão, baixa visibilidade, impedir operações administrativas necessárias a céu aberto, desconforto a tropas desdobradas no terreno com o alagamento de abrigos e hipotermia, deterioração de estradas mau ou não pavimentadas e inviabilização de tráfego "off-road"; reduzir a persistência de agentes químicos, a eficácia dos campos minados e de equipamentos em geral. O granizo pode provocar a destruição de instalações e riscos a integridade humana e material. Descargas elétricas podem incendiar depósitos de munição e combustível, afetar linhas de transmissão e tráfego eletromagnético. Enxurradas podem destruir pontes e alagar áreas habitadas, além de interromper o trânsito em trechos de estradas.




Ventos:

Sua direção e velocidade afetam o emprego de fumígenos e agentes QBN, lançamentos de tropas aerotransportadas, afetam a navegabilidade e a detecção de sons. Podem contribuir para a secagem do solo afetando positivamente a trafegabilidade. Ventos fortes podem derrubar antenas e afetar estacionamentos baseados em barracas e similares.




Nebulosidade:

Esta pode impedir a observação aérea e de elevações, a segurança do espaço aéreo, principalmente aquele usado pelos helicópteros em baixa altitude. Nuvens escuras podem significar chuva e podem limitar o visibilidade.




Temperatura e Umidade:

Estes fatores influenciam diretamente os vetores aéreos, como aeronaves, mísseis e granadas de artilharia. Afetam as pessoas e o desempenho do equipamento como motores e eletrônico se em valores extremos, afetam também as atividades a céu aberto como as de construção civil e outras de cunho administrativo como o manuseio de suprimentos nas áreas de apoio de retaguarda. Temperaturas baixas podem trazer neve e demandar o provimento de fardamento e proteções especiais, provocar hipotermia e desconforto, além de prejudicar a destreza dos soldados que ficam com extremidade geladas e são obrigados ao uso de luvas e outros acessórios. A temperatura é função da latitude e da altitude, entre outros fatores de menor importância.





Marés:

Influenciam operações costeiras como desembarques anfíbios e operações em portos menos preparados.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Escalões de Emprego das Forças Armadas #



As forças armadas são organizações grandes e complexas, que operam um grande número de sistemas operacionais, que por sua vez desempenham um variados número de tarefas diferentes. Compostas, organizadas, equipadas e treinadas para atuarem em um ambiente de guerra total, também desempenham missões de guerra limitada, incursões militares pontuais, presença militar e segurança preventiva, dissuasão militar, apoio às atividades civis, socorro humanitário, vigilância de fronteiras e repressão ao ilícito, presença militar além-fronteiras, pesquisa e desenvolvimento de tecnologia, apoio e suporte a suas próprias operações, recrutamento e treinamento de pessoal, e outras tarefas menores que se façam necessárias.

Cada força possui um organização própria, calcada em sua doutrina orgânica e estruturada a fim de atender suas necessidades específicas. A eficiência e funcionalidade dessa organização é melhor medida quando de sua necessidade de emprego, onde os militares tem que passar de seu cotidiano de cursos, palestras, situação logística e exercícios de tempos de paz para as condições operativas demandadas por situações reais de emprego. A fluidez dessa transição, juntamente com o nível de adestramento de seu pessoal e a modernidade e adequação de seus recursos e sistemas, mede a eficiência de cada força no cumprimento de suas missões, razão de suas existências.




Cada força armada deve operar de forma a nunca perder o controle de seus meios e das ações executadas por estes, que devem interagir de forma sinérgica e flexível, adequando-se as especificidades de cada situação que se apresentar, sempre buscando cumprir o que lhes foi delegado ao menor custo financeiro, pessoal e político possível, e no menor tempo a fim de restabelecer o mais rápido as condições de normalidade da vida cotidiana.

Para que possam cumprir o acima exposto, as forças armadas são organizadas em unidades militares (UM), também denominadas organizações militares (OM). Uma unidade militar é um estrutura organizacional que possui um certo grau de autonomia para atingir seus objetivos, treinada e equipada em determinada especialidade. Esta composição organizacional permite as forças armadas atingir seus objetivos táticos mais rapidamente e com maior eficiência que seriam conseguidos através de um comando centralizado.

Estas diversas unidades das forças armadas por sua vez, são hierarquizadas respondendo ao comando ou comandando outras unidades. A esta hierarquia operacional, denominamos escalões de emprego. Quanto menor o escalão de emprego de cada unidade, maior o nível de especialidade tática que ela desempenha. Assim por exemplo, temos um batalhão dotado da especialidade de infantaria, que comanda subunidades operativas e logísticas, que por sua vez são integradas por fuzileiros, radio-operadores, motoristas, guarnições de morteiros e metralhadoras, e assim por diante.

A designação dos diversos escalões de emprego varia de uma força para outra ou dentro da própria força. Assim um escalão pode ser denominado batalhão ou regimento, e em outra força um regimento pode ser o agrupamento de dois ou mais batalhões. Há a necessidade de conhecimento específico e maior vivência sobre o tema militar a fim de melhor identificar o escalão que está sendo tratado.




Ao menor escalão de emprego, que pode ser constituído por um único integrante, dá-se a designação de equipe. Assim podemos ter uma equipe de combate constituída pela guarnição que opera uma metralhadora, geralmente de dois integrantes, ou por um destacamento de operadores de forças especiais, também de dois integrantes. Cada escalão também é comandado por um militar com patente compatível. Assim uma equipe poderá ser comandada por um cabo ou mesmo um soldado raso.

Ao agrupamento de duas ou mais equipes podemos denominar esquadra. Assim temos uma esquadra constituída por quatro ou cinco integrantes e comandada por um cabo ou sargento. Há de se observar que esquadra, no contexto naval, designa um escalão de altíssimo nível, englobando toda uma frota naval completa e comandada por um almirante de quatro estrelas. Em algumas situações podemos denominar a esquadra de seção.




Ao agrupamento de duas esquadras temos o denominado esquadrão ou grupo de combate (GC). Este passa a ser integrado por sete ou nove integrantes e comandado por um sargento. Podemos, dependendo da situação também denominar este escalão de seção. Na forca aérea denominamos esquadrão a um grupo de algumas aeronaves (de 4 a 8), que no exército teria sua equivalência em uma companhia. Ainda no exército temos o termo esquadrão empregado em equivalência a uma companhia, mais especificamente nas unidades de cavalaria.

Ao agrupamento de dois ou três grupos de combate ou esquadrões temos o escalão pelotão, com constituição de 25 a 35 integrantes e comandado por um oficial de baixa patente (Tenente).

Até o nível pelotão, a constituição é simples e os integrantes tendem a pertencer a mesma especialidade militar, variando-se suas qualificações particulares, tendo por exemplo em um pelotão de infantaria todos os componente como fuzileiros, mas temos aqueles com qualificação como operador de metralhadora ou atirador de elite. Podem ainda aí, ter outras qualificações como as de radio-operador (comunicante) e motorista (material bélico).




Ao agrupamento de 2 ou 3 pelotões mais outras seções de apoio  denominamos na infantaria de companhia, na cavalaria de esquadrão e na artilharia de bateria. O termo pelotão não é empregado na artilharia, cuja bateria é constituída pela sua linha de fogo e seções de apoio, sendo a linha de fogo constituída por peças ou unidades de tiro. O escalão companhia geralmente é comandado por um capitão ou na falta deste por um primeiro-tenente. A este escalão, já capaz de operar com certa autonomia, por possui elementos especializados em comando e controle, além elementos provedores de apoio logístico como ressuprimento de munição e cozinha própria, denominamos de subunidade. Companhia podem agregar de 80 a 250 integrantes.

Ao agrupamento de 2 a 4 companhias operativas mais uma companhia de comando e serviços e outra companhia de apoio, por exemplo, denominamos de batalhão na infantaria e engenharia, regimento na cavalaria com seus esquadrões, sendo na artilharia denominado grupo o agrupamento de baterias. Aos batalhões, regimentos e grupos é dada a denominação de unidade e seu comando é exercido por um coronel, tenente-coronel ou na falta destes por um major. Este escalão de status unidade é dotado de grande autonomia administrativa e operacional. Algumas companhia independentes, não vinculadas a batalhões, são também denominadas unidades. Este escalão  agrega de 300 e 1000 integrantes.




Os batalhões geralmente agregam elementos de uma mesma arma, pois temos batalhões de engenharia, comunicações e infantaria, batalhões logísticos agregando elementos do serviço de saúde, de intendência e material bélico, regimentos ou batalhões de cavalaria e grupos de artilharia. Ao agrupamento de batalhões que de uma mesma arma denominava-se tempos atrás de regimentos e de forma mais moderna de brigadas. Brigadas são compostas por elementos de quase todas as armas e comandadas por um oficial general. Por exemplo em um brigada de infantaria do Exército Brasileiro podemos ter 2 ou 3 batalhões de infantaria, um regimento de cavalaria ou carros de combate, 1 grupo de artilharia, 1 batalhão logístico, 1 companhia de comunicações e outra de engenharia de combate, uma bateria de artilharia antiaérea, um pelotão de polícia do Exército. Uma brigada pode agregar de 2000 e 5000 integrantes. A partir do escalão brigada as OM são denominadas grande-unidades (GU).

Subindo ao próximo escalão temos a divisão de exército com composição variável, composta por 2 ou mais brigadas de infantaria ou cavalaria (armas base), grupos ou brigadas de artilharia, batalhões independentes de engenharia e comunicações, unidades logísticas mais especializadas e outras que se façam necessárias. O comando da divisão passa a um general de 3 estrelas ou general de divisão. Uma divisão agrega de 10.000 a 25.000 integrantes.

O próximo escalão é o de exército ou corpo de exército, sendo o comando delegado a generais de 4 estrelas ou generais de exército. Sua composição com 2 ou mais divisões e outras unidades e grande-unidades. agregam um número grande de integrantes (+ de 30.000).

A partir daí temos os grupamentos ou grupos de exércitos  e grupos de teatro de operações, que podem agregar elementos de marinha a força aérea, além de outros paramilitares e civis.

O acima descrito é basicamente a organização das forças terrestres, sendo que Marinhas e Forças-Aérea possuem escalões semelhantes. Na Marinha por exemplo temos cada navio como uma unidade independente equivalente a um batalhão no Exército. Na Força-aérea temos as bases aéreas que abrigam os diversos esquadrões independentes, fornecendo a estes o apoio logístico-administrativo, sem no entanto estarem necessariamente subordinados a estas.

domingo, 4 de novembro de 2012

Estratégia Militar #



baseado no MC C 124-1 Estratégia do EB

Introdução

A guerra é a forma de se resolver um conflito pelo uso da força, em momentos que a política e a diplomacia não podem mais produzir resultados satisfatórios. De importância vital, a guerra deve ser tratada com prioridade máxima, pois dela pode depender a sobrevivência tanto de uma população como do próprio estado. Suas consequências podem ser muito graves, pois dependendo de sua intensidade, a acompanham a fome, a doença, a ruína econômica, podendo chegar, em casos extremos, a destruição de um povo inteiro. Mais comumente resulta na deposição de governos indesejáveis e na mudança da ordem política regional, porém os efeitos nocivos junto a população sempre estão presentes, razão pela qual deve ser evitada a todo custo.  Uma vez envolvida em um conflito militar, uma nação deve envidar todos os esforços para decidi-lo a seu favor, no menor intervalo de tempo possível, e com o menor custo, seja econômico-financeiro ou político e humano.

Uma vez configurada uma condição de guerra, não há tempo suficiente para se preparar para ela partindo de bases incipientes, sendo necessário que uma estrutura militar, industrial e de qualificação humana e tecnológica seja mantida em caráter permanente em tempos de paz. Planos de mobilização industriais-militares, adestramento de efetivos e doutrinas estratégico-tático-operacionais devem ser criteriosamente planejados e praticados constantemente. Estudos acadêmicos de alto nível devem ser uma constante nas academias e institutos militares, atualizando a ciência militar a realidade sempre em mutação na geopolítica mundial. É importante que uma transição da condição de paz para a de conflito se dê da forma mais fluída e natural possível.



A Estratégia

Uma guerra sem estratégia é uma forma primitiva de se envolver em um conflito armado, e só praticada por povos primitivos e sem cultura de planejamento, onde esforços são duplicados e não coordenados, resultando em total falta de sinergia e uma receita ao desastre.

A estratégia envolve a composição e orientação das forças, suas disposição territorial e suas linhas de comunicação bem como seu adestramento, o planejamento tecnológico e industrial e os planos de mobilização, a doutrina de emprego, os meios nacionais e os planos de toda ordem, as alianças supra-nacionais e demais fatores que possam influir  na condição política dos conflitos, sempre tendo como pano de fundo a potenciais ameaças que o país poderá vir a enfrentar e seus objetivos nacionais.

A estratégia deverá considerar todo o espaço geográfico próximo ou mais distante que possa influir nos conflitos, as relações e alianças internacionais, as tecnologias próprias ou alheias existentes, como por exemplo a existência de armas nucleares e outras tecnologias sensíveis como a espacial, a capacidade de manter um conflito ao longo da linha do tempo, a disponibilidade de recursos naturais e outros fatores relevantes.

A estratégia militar moderna depende do poderio e importância de cada nação, sendo a do conflito direto e conquista do território inimigo e consequente destruição de suas forças ultrapassada e em desuso.




As nações mais poderosas buscam sempre a paralisia estratégica do inimigo, evitando-se o confronto direto sempre que possível. Estas nações lançam mão da guerra por procuração, armando grupos políticos antagônicos aos regime que desejam destruir. Se tiverem que entrar em ação, lançam mão do poder aéreo superior, do bombardeio estratégico a partir de bombardeiros de alta tecnologia e submarinos com mísseis de cruzeiro de alta precisão, do bloqueio ostensivo das áreas de interesse e da interdição em larga escala da capacidade logística do inimigo, seja por ações em campo ou por ações político-diplomáticas junto ao resto do mundo. 

Algumas possuem ainda a opção nuclear que tem um peso muito grande tanto nas decisões próprias quanto nas do inimigo, porém o seu emprego pode trazer sérios desdobramentos, sejam físicos ou políticos, e deve ser cuidadosamente avaliado.

As nações menos poderosas tendem a buscas a estratégia da resistência, procurando provocar ao inimigo a possibilidade de desgastes inaceitáveis  estes e desencorajando-os a se envolverem nos conflitos. Guerra de guerrilha com alto custo humano, conflitos de alta duração e custos político inaceitáveis fazem parte desta linha de ação.




A Ação Militar

Qualquer que seja o objetivo da um conflito armado, este limita as ações a serem tomadas, dependendo do custo político que cada ação pode acarretar, porém não invalida nenhuma ação que vise debilitar a capacidade combativa do oponente, mesmo que esta não venha a ser empregada por este ou aquele motivo.

Os objetivos de um conflito armado podem ser: a rendição incondicional, A conquista de uma faixa de território, a substituição de um regime ou governo, a conquista de recursos diversos, a destruição de determinados objetivos de importância estratégica, a destruição de ameaças, o apoio a aliados, a implantação de ideologias, a defesa territorial, a conquista da independência, entre outros.

A estratégia específica de um determinado conflito deverá buscar o centro de gravidade do poder do oponente, e em torno dele deverá ser construída. O centro de gravidade é o objetivo que, se conquistado, fará o inimigo perder totalmente o controle de suas ações. Cabe aos planejadores militares a identificação deste.

Ao comandante militar das operações deverá ser dado um objetivo, deixando-se bem claro a este seus limites, de forma a evitar que qualquer ônus político, econômico, psicossocial ou militar excessivamente nocivo se configure e traga consequências indesejáveis ou inadimissíveis. A política nacional poderá impor restrições quanto a intensidade e extensão da violência, o ritmo das operações, a privação do uso de espaços geográficos restritos, o emprego de armas estratégicas, os bloqueios navais e outros.

Estando claros os objetivos do conflito que se configura e as restrições impostas pela política nacional, os planejadores militares passam a delinear a ação militar propriamente dita, através da concepção de um esboço do plano de operações. A fim de atingir o objetivo político da operação, estes devem estabelecer:
  1. Definição dos objetivos estratégicos essenciais para se chegar no objetivo político;
  2. Consideração dos dificultadores para se chegar a estes objetivos estratégicos;
  3. Definição das ações estratégicas a serem implementadas
  4. Definição e disponibilização dos meios militares a serem utilizados na operação.
Objetivos estratégicos são aqueles sem os quais o objetivo político da operação não poderá ser atingido. Uma operação se dá buscando um objetivo principal (objetivo político) e para atingi-lo um pequeno número de objetivos estratégicos terão de ser cumpridos. Como exemplo podemos citar a ação israelense contra as bases egípcias na guerra do seis dias, quando em menos de 2 horas toda a aviação de combate do país africano foi neutralizada




Para cumprir os objetivos estratégicos os planejadores devem prever as dificuldades a serem contornadas e tomar as medidas necessárias a sua implementação. Usando o exemplo anterior a principal dificuldade era a manutenção do sigilo, sendo portando necessário determinar o momento em que toda a aviação estava em terra, a implementação de ações visando a neutralização da rede de alerta antecipado (radares), o treinamento das equipe de terra a fim de que fizessem as aeronaves retornar ao combate no menor tempo possível, e outras.

Definidos os objetivos estratégicos e elencadas os dificultadores para atingi-los, passa-se para a fase da definição das ações estratégicas. Cada operação demandará um conjunto de ações estratégicas diferentes, porém podemos listar algumas mais comumente utilizadas em todos os conflitos:

  • A primeira ação estratégica de qualquer conflito é a busca de inteligência. Os planejadores devem lançar mão de todos os meios que tiverem a disposição na busca de informações relevantes. Satélites e aeronaves de reconhecimento, uso intensivo de sistemas de ESM, infiltração de forças especiais e uso de tropas de outros meios já desdobrados no terreno, espiões e informantes, informações de arquivo e disponíveis em meios ostensivos, desertores e prisioneiros, analistas e peritos. Toda a informação que possa ser reunida embasará o plano de ação, e este será mais realista a medida que os subsídios colhidos forem os mais sólidos e concretos possíveis. Durante a operação deverá ser mantida vigilância constante de todo teatro de operações, fluxo constante de informações de campo para os centros de inteligência e realinhamento de plano frente às novas realidades.
  • O isolamento do teatro de operações de todas as formas possíveis impedirá a chegada de novos recursos ao adversário. O bloqueio de suas fontes de suprimento através de medidas militares ou diplomáticas, a interdição do espaço aéreo adjacente às áreas de interesse, bloqueios navais e terrestres, interferência eletrônica nas comunicações e meios de vigilância e controle, ocupação militar de áreas importantes e outros.
  • Ações de bombardeio estratégico visando neutralizar:
    • Sistemas de alerta antecipado (radares), 
    • Sistemas de defesa antiaérea, 
    • Sistemas de ameaça direta como os mísseis balísticos táticos e seus sistemas de suporte, sistemas de artilharia e MLRS, bombardeiros estratégicos e mísseis de cruzeiro.
    • Grandes fontes de suporte logístico como refinarias e depósitos de combustível, usinas e subestações de força,
    • Entroncamento rodo e ferroviários, portos e aeródromos,
    • Centros de poder e decisão, comando e controle, procurando impedir qualquer tipo de comando e coordenação, frustrando a coordenação de esforços e semeando a confusão e o caos entre as forças inimigas,
    • Sistemas de comunicações que servem ao comando e controle de forças, estações civis de rádio e TV, torres e antenas de retransmissão de todos os tipos,
    • Pontes, túneis, viadutos e outros pontos de estrangulamento de tráfego que se mostrem importantes,
    • Bases militares de todos os tipos, aéreas, navais e submarinas; bases de forças terrestres e de apoio logístico.
    • Áreas industriais e de pesquisa militar, usinas siderurgicas e metalúrgicas, industria eletrônica de defesa, industria naval e nuclear, outras indústrias importantes.
    • Outros alvos que se revelem importantes.
  • Ocupação militar de áreas de fronteira, áreas de concentração estratégica, bases militares de todos os tipos em território nacional ou além-fronteiras, áreas de desdobramento logístico, sitios de transmissão e retransmissão de comunicações, espaços aéreos e marítimos importantes, usinas e represas, industrias, canais, pontes, túneis, viadutos, elevações, fontes de água e combustível, e outras áreas adjacentes que se façam importantes.

  • Desgaste do inimigo através de constante assédio a suas forças, procurando desorganizá-las, impedi-las de se deslocarem, cansa-las, impor-lhes a fadiga, baixar o seu moral, impedi-las de receberem ressuprimento de comida/combustível/munição/água/pessoal e outros, cortar suas rotas de fuga, impedi-las de se comunicarem e obterem informações.
  • Promover intensa guerra psicológica junto as tropas inimigas através de transmissões e panfletos disseminados por todos os meios disponíveis; junto a população local procurando conquistar sua simpatia através de propaganda e ações de assistência, procurando sua dissociação do governo local
  • Manobrar no sentido de confundir a compreensão do inimigo em relação as intenções do atacante. Ao realizar manobras diversionárias o inimigo se obriga a dividir suas forças, desorganizar seu dispositivo e sobrecarregar seus meios de suporte logístico, pois não tem como saber a intenção do atacante e não pode negligenciar uma manobra que pode ser real. Na Operação Overlord (a invasão da Normandia) o descontrole (involuntário) por motivos diversos nos lançamentos das divisões aeroterrestres aliadas confundiu completamente a reação dos alemães e deu tempo aos americanos e britânicos para realizar as manobras de desembarque.
  • Uma vez conseguida a condição de superioridade estratégica através de ações como as aqui citadas parte-se para o combate direto procurando a neutralização, destruição ou captura das forças inimigas, momento em que elas se encontram debilitadas física e moralmente. A todos estes esforços denominamos de multiplicadores do poder de combate.


Uma vez esboçado o plano geral de ação, parte-se para a fase de ajuste, quando se confronta o que se pretende fazer com os meios disponíveis, condicionantes políticas e situação geográfica, suprimindo ações de difícil execução e/ou criando outras que venham o tona durante esta fase. Nesta fase avalia-se a viabilidade da operação, podendo-se chegar a conclusão que a missão não poderá ser realizada ou que necessite de ajustes ou outras linhas de ação.

Objetivos Militares


Os objetivos militares devem ser escolhidos de forma coerente e dentro da realidade da situação. Estes jamais poderão ser maiores que o objetivo político da guerra. O número de restrições políticas ao estabelecimentos dos objetivos militares geográficos ou não diminui a medida que a importância dos objetivos da guerra aumenta.

Conflitos Modernos, Principais #



Abaixo listamos os principais conflitos do séculos XX e XXI, dado sua importância como ação militar, evitando citar conflitos menores e mais localizados sem muita importância ao propósito deste blog. Outros serão acrescentados com o tempo.

sábado, 3 de novembro de 2012

Explosivos Termobáricos #


Os explosivos termobáricos, mais conhecidos como "bombas ar/combustível", são armas que produzem uma onda de choque, com uma duração significativamente mais longa do que as produzidas por explosivos condensados. Isso é útil em aplicações militares, onde esta maior duração aumenta o número de vítimas e causa mais danos às estruturas. 

Há muitas variantes diferentes de armas termobáricas que podem ser montadas à mão, como lançadores tipo RPGs e armas antitanque.

Os explosivos termobáricos cortam o oxigênio do ar circundante, enquanto a maioria dos explosivos convencionais consistem de uma pré-mistura de combustível oxidante (por exemplo, a pólvora contém combustível de 25% e 75% oxidante). Assim, numa comparação de peso são significativamente mais energéticos do que os explosivos condensados. Sua dependência de oxigênio atmosférico torna-os impróprios para utilização subaquática, em altitudes elevadas ou em condições atmosféricas adversas. No entanto, eles tem vantagens significativas quando usados dentro de ambientes confinados, tais como túneis, cavernas e bunkers.



O termo termobárico é derivado das palavras gregas para "calor" e "pressão": thermobarikos. Outros termos utilizados para esta família de armas são armas termobáricas de alto impulso, armas de calor e pressão, bombas de vácuo, ou explosivos ar-combustível.

Em contraste com explosivos condensados, onde a oxidação em uma região confinada produz uma frente de rajada, essencialmente, a arma termobárica cria a partir de um ponto inicial uma grande explosão que acelera uma onda de choque produzindo frentes de pressão dentro da mistura de combustível e oxidante e, em seguida, no ar circundante.

Os explosivos termobáricos criam após as explosões uma nuvem de vapor, que incluem a dispersão de poeira inflamável ​​e gotículas. Em épocas anteriores eram mais frequentemente encontrados em fábricas de farinha e em seus recipientes de armazenamento, e mais tarde em minas de carvão. Na atualidade encontramo-los mais comumente em navios petroleiros e refinarias vazias, como em Buncefield, no Reino Unido, onde a onda de choque acordou pessoas que moravam a cerce de 150 km a partir do centro da explosão.


O sistema da arma termobárica consiste de um recipiente cheio de uma substância combustível, no centro da qual existe um pequeno explosivo convencional chamado de "carga de dispersão". Os combustíveis são escolhidos com base em sua oxidação, que podem ser de metais em pó, tais como alumínio ou magnésio, ou materiais orgânicos, possivelmente com um oxidante auto-contido parcial. O desenvolvimento mais recente envolve o uso de nanocombustiveis.

O rendimento efetivo de uma bomba termobárica requer a combinação mais apropriada de uma série de fatores, entre eles o quão bem o combustível é disperso, a rapidez com que se mistura com a atmosfera envolvente do início da ignição e sua posição em relação ao recipiente de combustível. 

Existem projetos que permitem que o combustível seja contido por tempo suficiente para que se aqueça bem acima de sua temperatura de auto-ignição, de modo que, mesmo com a refrigeração durante a expansão do recipiente, resulta em ignição rápida uma vez que a mistura está dentro dos limites de inflamabilidade convencionais.

Em confinamento, uma série de ondas de choque reflexivas são geradas, mantendo uma bola de fogo que pode se estender de 10 a 50 segundos. Além disso existe o resfriamento dos gases e a pressão cai drasticamente, levando a um vácuo parcial, poderoso o suficiente para causar danos físicos a pessoas e estruturas. Este efeito tem dado origem a "bomba de vácuo".

A sobrepressão dentro da detonação pode chegar a 430 psi e a temperatura pode pode alcançar de 2.500° a 3.000° celsius. Fora da nuvem a onda de choque viaja a mais a 3,2 km/s.

Em um estudo feito em 01 de fevereiro de 2000 pela Agência de Inteligência de Defesa dos EUA diz que: A explosão contra alvos vivos é única e desagradável .... O que mata é a onda de pressão, e mais importante, a rarefação subsequente "vácuo", que rompe os pulmões .... Se o combustível deflagrar, mas não detonar, as vítimas serão severamente queimadas e provavelmente também inalem o combustível em chamas. 

Uma vez que os combustíveis mais comuns utilizados, são o óxido de etileno e óxido de propileno, que são altamente tóxicos, uma vez detonados devem ser tão letais para o as pessoas dentro da nuvem como a maioria dos agentes químicos.


De acordo com um estudo separado da Agência Central de Inteligência dos EUA "o efeito de uma explosão dentro de espaços confinados é imensa. Aqueles perto do ponto de ignição simplesmente desaparecem. Aqueles na orla são propensos a sofrer muitos ferimentos internos, e, portanto, invisíveis, incluindo o estouro do tímpano e órgãos do ouvido interno, concussões graves, pulmões e orgãos internos, e, possivelmente, a cegueira". 

De acordo ainda com o documento especula-se que "o choque e ondas de pressão causam um mínimo de dano ao tecido cerebral ... é possível que muitas das vítimas de tal arma ainda que inconscientes pela explosão, possam sofrer por alguns segundos ou minutos, enquanto sufocam."

Uma nova plataforma portátil de lançamento de uma arma termobárica foi desenvolvida pelos russos a RPO-A um lança foguete, que foi amplamente desenvolvido, ficando conhecida por ter sido usado na Chechênia.

As forças armadas russas desenvolveram variantes de munição termobáricas para várias de suas armas, como a granada TGB-7V termobáricas com um raio de letalidade de 10 metros, que pode ser iniciado a partir de um RPG-7. A GM-94 de 43 mm um lançador de granadas que é projetado principalmente para disparar granadas termobáricas para o combate próximo. Com a granada pesando 250 gramas sendo 160 gramas de mistura explosiva, o seu raio de letalidade é de 3 metros. A RPO-A é uma RPG projetado para disparar foguetes termobáricos. O RPO-M, por exemplo, tem um ogiva termobárica com semelhante capacidade destrutiva a um projétil de artilharia de 152 mm de alto poder explosivo de fragmentação. A RPG-27 e RPG-26, respectivamente tem a variante mais potente, com sua ogiva que pode atingir uma área de 10 metros de letalidade e produzindo os mesmos efeitos de cerca de 6 kg de TNT.  O RMG é um derivado do RPG-26 que usa uma ogiva em tandem, em que a ogiva principal produz uma abertura para a carga principal entrar e detonar no interior.

Existem muitas outras munições de origem russa com variantes termobáricas, o foguete S-8 de 80 mm tem as varienate termobáricas S-8DM e S-8DF. O S-8 de 122 mm, possui o foguete e o S-13D e S-13DF. Ogiva do S-13DF pesa apenas 32 kg, mas seu poder é equivalente a 40 kg de TNT. A variante KAB-500-OD da KAB500KR tem uma ogiva termobárica de 250 kg . As bombas ODAB-500PM e ODAB-500PMV tem uma ogiva de 190 kg. A KAB-1500S guiada por GLONASS possui uma ogiva de 1.500 kg, e produz uma bola de fogo com um raio de 150 metros, sendo sua zona de letalidade de raio de 500 metros.

Em setembro de 2007 a Rússia explodiu com sucesso a maior arma termobárica já feita. Seu resultado teria sido maior do que a menor arma nuclear já produzida. A Rússia a nomeou como o "Pai de Todas as Bombas" em resposta aos Estados Unidos que desenvolveram a MOAB, cuja alcunha é a "Mãe de Todas as Bombas", e que anteriormente detinha o prêmio da mais poderosa arma não-nuclear da história. A bomba contém uma ogiva de 6.400 kg, carregando combustível líquido como o óxido de etileno, misturado com nanopartículas energéticas, tais como alumínio, em torno de uma carga de dispersão alto-explosiva.

O uso militar da bomba termobárica foi adimitido pela então União Soviética na guerra do Afeganistão no início dos anos 1980. Relatos não confirmados sugerem que forças militares russas utilizaram armas termobáricas na Batalha de Grozny (na primeira e segunda guerras da Chechênia) para atacar combatentes chechenos, sendo utilizado lança foguetes portáteis.

Durante a crise dos reféns de 2004 da escola de Beslan, foi relatado o uso de armas termobáricas pelas Forças Armadas Russas no seu esforço para retomar a escola. O sistema usado pode ter sido a RPO-A, TGB-7V, RShG-1 ou a RShG-2 durante o ataque inicial a escola. Cerca de três a nove armas RPO-A foram encontradas mais tarde nas posições da Spetsnaz. O Governo russo admitiu mais tarde o uso da RPO-A durante a crise.

De acordo com Ministério da Defesa do Reino Unido, as forças militares britânicas também usaram armas termobáricas em seus mísseis AGM-114N Hellfire, transportado por helicópteros Apache e UAVs, contra o Talibã na guerra no Afeganistão.

Os militares americanos também usaram armas termobáricas no Afeganistão. Em 03 de março de 2002, uma bomba de 910 kg guiada a laser foi usado pelo exército americano contra complexos de cavernas em que Al-Qaeda e o Talebã se refugiaram na região de Gardez no Afeganistão. Os fuzileiros navais americanos também utilizaram armas termobáricas durante a primeira e a segunda Batalha de Fallujah.

O uso não militar com explosivos de ar combustível foram feitos por guerrilheiros após atentados contra quartéis em 1983, na cidade de Beirute, no Líbano, utilizando um mecanismo explosivo com gás, provavelmente, propano, butano ou acetileno. O explosivo utilizado no atentado de 1993 ao World Trade Center incorporou o princípio da arma termobárica, usando três tanques de gás de hidrogênio engarrafado para melhorar a explosão e como ignitor uma descarga elétrica em um combustível sólido, com base no princípio termobárico. Um sistema parecido foi usado para atacar a boate Sari no atentado de 2002 em Bali, Indonésia.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Míssil de Cruzeiro #




Um míssil de cruzeiro é um projétil capaz de levar uma carga explosiva a distâncias muito grandes com grande precisão, seguindo uma trajetória não balística, ou seja, voando como uma aeronave convencional, a uma velocidade constante e baixíssima altura, o que o torna extremamente fugaz a detecção e acompanhamento pelos radares de vigilância aérea. Podem ser supersônicos ou não e como todo míssil são sacrificados logo na primeira missão, sendo usados apenas como armas e não como UAVs.

Os primeiros mísseis de cruzeiro da história foram as bombas voadoras V-1 alemãs, dotadas de orientação giroscópica e propulsão a jato. Era impreciso e seu efeito militar foi muito pequeno, tendo sido mais eficiente por seu efeito psicológico.



Sua constituição é formada por fuselagem, sistema de orientação, carga útil, e sistema de propulsão. Pequenas asas e empenagem provém sustentação e controle de voo. A ogiva pode ser convencional ou nuclear, podendo carregar submunições ou outra que se deseje. São impulsionados por propulsão a jato tipo turbofan ou ramjet, dependendo da velocidade projetada.



São orientados por alguns sistemas diferentes conforme o projeto, como os sistemas inerciais baseados em giroscópios, o sistema GLONASS/GPS baseado em sistemas de satélites e o Sistema Tercom que compara o terreno através de imagens-radar com dados 3D do mesmo terreno previamente armazenados em sua memória. Este sistema carece de reconhecimento prévio por satélite. Outras formas de direcionamento podem ser integradas como imageadores térmicos para guiagem terminal contra alvos em movimento.Podem ser lançados de bombardeiros, veículos terrestres, navios e submarinos, e são uma das armas mais eficazes para bombardeio estratégico da atualidade, pois reúnem potencia de fogo (ogivas de 300 a 500 kg de HE) a precisão apurada, podendo atingir alvos em movimento do tamanho de um caminhão.


Os modelos mais famosos são o Tomahawk norte-americano, que alcança até 2.500 km a velocidade subsônica, transportando uma ogiva de 450 kg de HE ou uma nuclear de até 200 kt; e o Kh-55 russo com desempenho similar. Um desenvolvimento recente é o modelo supersônico russo-indiano Brahmos que alcança 290 km a velocidades de Mach 2.8 transportando 300 kg de HE, que tem despertado o interesse internacional.




Mísseis de Cruzeiro - Modelos

  • Hipersônicos
    • BrahMos (Índia/Rússia)
  • Supersônicos
    •  BrahMos (Índia/Rússia)
    •  C-101 (China)
    •  C-301 (China)
    •  C-803 (China)
    •  C-805 (China)
    •  KD-88 (China)
    •  P-800 Oniks  (Rússia)
    •  Kh-31 (Rússia)
    •  3M-54 Klub  (Rússia)
    •  Air-Sol Moyenne Portée (França)
    •  P-500 Bazalt  (Rússia)
    •  P-700 Granit  (Rússia)
    •  P-270 Moskit  (Rússia)
    •  YJ-91 (China)
  • Subsônicos de longo alcance
    •  AGM-86 ALCM (EUA)
    •  AGM-129 ACM (EUA)
    •  BGM-109 Tomahawk (EUA/Grã-Bretanha)
    •  Nirbhay (Índia)
    •  CJ-10 (China)
    •  DH-10 (China)
    •  Hyunmoo III (Coréia do Sul)
    •  Kh-55 (Rússia)
  • Subsônicos de médio alcance
    •  AGM-158 JASSM (EUA)
    •  Babur (Paquistão)
    •  KD-63 (China)
    •  Raad ALCM (Paquistão)
    •  SOM (Turquia)
    •  Storm Shadow (França/Grã-Bretanha/Itália)
    •  Taurus KEPD 350 (Alemanha/Suécia)
  • Subsônicos de curto alcance
    •  C-801 (China)
    •  C-802 (China)
    •  C-602 (China)
    •  Delilah (Israel)
    •  Kh-35 (Rússia)
    •  Nasr-1 (Irã)
    •  Naval Strike Missile (Noruega)
    •  RBS-15 (Suécia)
    •  Silkworm (China)
    •  Type 80 ASM (Japão)
    •  Type 88 SSM (Japão)
    •  Type 90 SSM (Japão)
    •  Type 91 ASM (Japão)
    •  Type 93 ASM (Japão)

sábado, 27 de outubro de 2012

Defesa Antimísseis de Teatro de Operações #


Um Conceito de Operações Combinadas:

Tratamento de Guerra Anti-Submarino para a
Defesa Antimísseis de Teatro de Operações

JAMES J. WIRTZ

O presente artigo descreve de modo resumido como a filosofia que orienta as operações de guerra anti-submarino (ASW) da Marinha dos EUA pode ser utilizada para organizar uma campanha de defesa antimísseis de teatro de operações (TMD). Trata a TMD como uma operação fundamentalmente combinada e descreve como essa filosofia de ASW pode integrar capacidades das respectivas forças singulares em uma defesa extremamente eficaz contra a ameaça dos mísseis balísticos. 

Para sustentar este argumento, o artigo apresenta, em rápidas pinceladas, os fundamentos das operações ASW e os aplica ao problema de localizar e destruir mísseis móveis antes que eles possam ser lançados. Em seguida, explica por que cada uma das Forças deve desempenhar um papel em uma estratégia TMD inspirada pela ASW. Sugere, também, qual comandante-em-chefe (CINC) deve assumir a responsabilidade, ao menos em tempo de paz, pela promoção do esforço TMD. O artigo se conclui com algumas observações sobre o papel de idéias na guerra combinada.

Durante a Guerra do Golfo, tornou-se crescentemente evidente que as forças dos EUA não haviam conseguido destruir os Scuds iraquianos em terra antes que eles pudessem ser lançados contra alvos em Israel e na Arábia Saudita. A despeito do grande número de surtidas dedicadas à eliminação da ameaça imposta pelos Scud, o “datum flamejante” utilizado para atacar lançadores móveis de mísseis provou-se ineficaz. Embora as aeronaves penetrassem a área de uma plataforma de mísseis apenas poucos minutos depois de um míssil ter sido lançado, as guarnições dos Scud dispunham de tempo suficiente para evadir-se apressadamente para áreas de ocultamento predeterminadas, antes da chegada de aeronaves americanas ao local.




Desde o conflito do Golfo, continua uma prioridade aprimorar a capacidade das unidades americanas de defenderem-se contra mísseis balísticos. A política de contra-proliferação da administração Clinton enfatizou a defesa antimísseis de teatro, especialmente a defesa contra mísseis armados com armas de destruição de massa (WMD). A administração tem-se concentrado no desenvolvimento de defesas ativas como, por exemplo, o aperfeiçoamento do sistema de mísseis Patriot do Exército e o aprimoramento do sistema de comando, controle, comunicações e inteligência (C3I) para enfrentar a ameaça de mísseis regionais. 

Ainda assim, defesas ativas aperfeiçoadas e C3I são apenas duas facetas de uma TMD eficaz. Para ter êxito, a TMD exige tanto defesas passivas quanto a capacidade de ataque a objetivos militares. De algum modo, as forças singulares devem melhorar o desempenho haurido contra os Scuds iraquianos durante a Guerra do Golfo, mediante a integração dos quatro elementos principais da TMD — C3I, defesas ativas, defesas passivas e ataque a objetivos militares — em uma estratégia de campanha geral.


Existe um método comprovado de destruir alvos que dependam de mobilidade e stealth para melhorar sua capacidade de sobrevivência: a guerra anti-submarino (ASW).






Muitas questões políticas complicam a contraproliferação e a TMD. Projetar um tratamento combinado de C3I e de operações de ar, terra e mar multiforças singulares, contudo, apresenta seu próprio conjunto especial de problemas militares. Em termos de organização e doutrina, a TMD é difícil por se tratar de “uma missão intrinsecamente combinada”. Como assinalam os autores do JP3-01.5, Doctrine for Joint Theater Missile Defense, “Os componentes da força combinada que apóiam os CINC e as capacidades TMD de uma força multinacional têm de ser integrados com vistas à consecução do objetivo comum de neutralizar ou destruir a capacidade dos mísseis de TO inimigos.” A obtenção dessa integração, no entanto, não é tarefa pequena. Hardware software novos, ou uma nova arma isolada, não irão solucionar milagrosamente o problema da TMD. 

O que é preciso é uma “idéia melhor” para organizar C3I multiforças singulares, defesas ativas, defesa passiva e capacidade de ataque a objetivos militares em uma estratégia de TMD eficaz. Caso se disponha a buscar esse princípio organizador em lugares inesperados, então já existe um método comprovado de destruir alvos que dependam de mobilidade e stealth para melhorar sua capacidade de sobrevivência: a guerra anti-submarino (ASW). 

Por mais estranho que isso possa soar, uma arquitetura de TMD baseada em uma filosofia de ASW propicia uma maneira de integrar as diversas capacidades das Forças em um plano coerente para impedir que mísseis balísticos inimigos alcancem seus alvos. Aplicar princípios ASW à TMD também representa um desenvolvimento inédito na guerra combinada. Pode-se obter estratégia combinada mediante o uso do tratamento que uma força singular dedica à solução de um problema específico como princípio integrador em uma operação multiforças. Neste caso, um tratamento de ASW permite que cada uma das Forças integrem o que melhor fazem a uma campanha combinada geral.

Para apoiar este argumento, o presente artigo esboça ligeiramente os fundamentos das operações ASW e os aplica ao problema de localizar e destruir mísseis móveis antes que possam ser lançados. Explica, em seguida, por que cada uma das forças singulares deve desempenhar um papel em uma estratégia TMD inspirada na ASW. Também sugere qual dos CINCs deve assumir, ao menos em tempo de paz, a responsabilidade pela promoção do esforço TMD. E conclui com algumas observações sobre o papel das idéias na guerra combinada.



Guerra Anti-Submarino



À primeira vista, parece mais fácil achar uma agulha em um palheiro do que localizar um submarino nas vastas extensões do oceano. Mas a Marinha dos EUA pode detectar, rastrear, selecionar como alvo e destruir submarinos em operação em oceano aberto. Em teoria, a mesma filosofia de ASW utilizada para organizar e conduzir ataques contra submarinos deveria mostrar-se eficaz contra lançadores de mísseis que também dependem de mobilidade e stealth para melhorar sua capacidade de sobrevivência antes e após o lançamento.

Os procedimentos da ASW são com freqüência divididos em cinco categorias: 
  1. Coleta e análise contínuas de informações;
  2. Monitoramento contínuo de prováveis áreas de lançamento;
  3. Emissão de alerta quando plataformas específicas se deslocam para uma posição de lançamento;
  4. Localização de sistemas específicos e
  5. Ataque.
Organizadas sequencialmente, cada uma destas categorias representa uma fase do esforço de busca e ataque na ASW. À medida que se desloca da primeira fase para a quinta fase, não apenas se torna cada vez mais restrita a área de busca, mas torna-se mais limitado o tempo disponível para completar a tarefa prestes a ser desempenhada. Estas cinco fases bem poderiam formar os elementos centrais de um tratamento de ASW multiforças e multimissão para ataques contra mísseis balísticos de teatro de operações.


Já que uma estratégia inspirada na ASW não depende do “datum flamejante” —o real disparo de um míssil — para localizar uma arma oponente, ela se torna provavelmente o tratamento mais eficaz contra forças militares.






Coleta de Informações

As informações, elemento crítico de todo o esforço contra forças militares, podem ser obtidas através das coleta e análise ininterruptas de dados sobre todos os mísseis móveis conhecidos — a primeira fase do processo ASW.

Quando se rastreiam submarinos, o equipamento inimigo é acompanhado pelo número do casco [hull number]. Esforços similares teriam de ser envidados para rastrear transportadores-elevadores-lançadores (TEL) de mísseis. Os centros de produção, armazenamento e reparo de mísseis teriam de ser monitorados para levar a efeito a coleta dessas informações sobre o dispositivo de batalha.

Esse trabalho fundamental de informações provavelmente forneceria o benefício adicional de desmascarar instalações clandestinas na infra-estrutura de mísseis fixos inimiga. Isto deveria produzir informações sobre o efetivo, a prontidão no dia-a-dia e a capacidade máxima de emprego (emissão de alerta) dos sistemas inimigos. Ciclos de treinamento, exercícios, atividades de viaturas de apoio, entrada e saída de bases e o movimento por “pontos de estrangulamento” (estradas bem cuidadas, pontes de alta resistência, terminais ferroviários) também seriam monitorados. 

Tais esforços devem produzir uma estimativa útil da localização geral dos mísseis móveis do oponente, criando uma linha-mestra para avaliar desvios nos procedimentos operacionais padronizados do adversário. Com efeito, a fase um cria uma linha-mestra de indicadores e alerta.


À diferença de seus homólogos da Força Aérea, os aviadores navais não tendem a pensar em termos de bombardeio estratégico, mas sim em termos de destruir alvos militares específicos.







Vigilância e Monitoramento

A vigilância de todas as prováveis áreas de lançamento, o segundo passo no processo ASW, depende das informações coletadas sobre a capacidade geral dos mísseis inimigos: indicações de quando e onde buscar mísseis móveis são produzidas nas análises da primeira fase. 

Nas operações da segunda fase, sinais visuais de áreas de interesse seriam comparados regularmente, em busca de mudanças (danos a plantas, marcas deixadas por pneus ou a presença dos próprios sistemas de armas).

Similarmente, sinais acústicos, sísmicos, de radar e comunicações poderiam ser comparados ao longo do tempo. De especial importância seriam as “atividades de apoio à vida”, a cauda logística que poderia conduzir diretamente a um TEL no campo. Especial atenção seria dada a prováveis áreas de operações, e a busca de informações negativas (indicadores de que as características do terreno tornam certas áreas impróprias para operações Scud) seria utilizada para desenvolver um histórico operacional dos TELs inimigos. 

Estas informações poderiam permitir que o “rastreio” em tempo real dos TELs desdobrados fosse monitorado pelo maior tempo possível; assim, poder-se-ia ter conhecimento operacional da localização de todos os TELs em áreas de lançamento ou próximos a elas.



O Alerta

O alerta, o terceiro passo no processo ASW, é caracterizado por esforços intensivos voltados à execução de um rastreio mais preciso e detalhado de um sistema de armas específico. Ele ocorre tipicamente quando um TEL é detectado em uma área de lançamento, ou quando mudanças nas atividades ou nos níveis de atividade indicam estarem em andamento preparativos para o lançamento de um míssil. 

Essas informações poderiam emanar de uma variedade de fontes. As análises da primeira fase poderiam produzir indicadores de mudanças na atividade ou na localização geral de um sistema específico. A vigilância da segunda fase também poderia detectar sinais acústicos, de comunicações ou de radiação quando os TELs são colocados em condições de disparo. 

O alerta, no entanto, deve ser visto como um passo de transição nos esforços de ataque a mísseis móveis; relaciona-se com a decisão, seja das autoridades dos EUA, seja das do inimigo, de se colocarem em pé de guerra. O alerta destina-se a produzir o rastreamento detalhado de um alvo potencial, informação que permitiria a rápida condução de um ataque.





Localização de Sistemas Específicos

A decisão de se empenhar na localização (identificação do local exato do alvo) dos TELs indicados pelo alerta, que constitui a quarta fase da operação contra forças militares, será provavelmente tomada pelas Autoridades do Comando Nacional. Embora as atividades de busca relacionadas com o alerta possam exigir sobrevôos no território inimigo, a localização exigirá que aeronaves armadas ou veículos aéreos não-tripulados adentrem o espaço aéreo do oponente, o que é um ato de guerra. 

Aeronaves pilotadas que atuem na localização de TELs inimigos devem possuir meios de supressão de defesas. A localização começa de um ponto de partida identificado pelas informações coletadas e analisadas nas três fases precedentes do processo ASW; pode-se então utilizar uma ampla variedade de sensores para gerar rastreamentos oportunos e detalhados do alvo por causa dos curtos alcances envolvidos. 

A coordenação das plataformas envolvidas e a fusão (recebimento, análise e exposição) dos dados produzidos por uma variedade de sensores desempenha um papel crucial na localização do alvo.

Ao longo dos anos, a Marinha também descobriu que a prática facilita os esforços de localização. A Marinha teve sorte porque os soviéticos por muitos anos haviam oferecido oportunidades de localizar alvos reais no oceano aberto. Em outras palavras, oficiais e formuladores de política não podem esperar que as habilidades, a experiência, o hardware e as arquiteturas de comunicação (fusão) necessários à localização de um alvo possam ser improvisados instantaneamente.





O Ataque - Neutralizando dos Lançadores

O passo final no processo ASW é atacar o alvo. O ideal seria que o sistema de armas atacante tivesse seu próprio sensor de localização. A Marinha jamais executou esse último passo durante a guerra fria, mas os exercícios revelaram que a coordenação e a prática aumentavam a probabilidade de ataques bem sucedidos.

Seria também importante comprovar, após um ataque, que o sistema de armas inimigo foi, de fato, destruído. Os sistemas danificados poderiam ser reparados e subseqüentemente disparados. Isto seria especialmente importante se os mísseis móveis atacados estivessem armados com WMD.

Forças terrestres teriam de ser infiltradas em profundidade à retaguarda das linhas inimigas para inspecionar plataformas danificadas ou veículos de lançamento. Tais forças deveriam ser instruídas a localizar e remover ogivas de mísseis intactas, ou avaliar a extensão dos riscos de contaminação nuclear, biológica, ou química criados por ataques bem sucedidos a forças militares inimigas. 

Embora ogivas e sistemas de lançamento danificados não tenham valor militar, os materiais nocivos que eles contêm seriam, ainda assim, de algum valor para terroristas ou para criminosos aventureiros, interessados em lucros inesperados no mercado negro. De fato, dada a extrema sensibilidade política criada pela ameaça de ataque com WMD, os líderes políticos americanos irão provavelmente exigir certeza total quando se trata da avaliação de danos a plataformas de WMD — um tipo de certeza que historicamente exigiu a presença de forças terrestres.


Em resumo, diversos aspectos do tratamento de ASW ao ataque a forças militares inimigas tornam-no atrativo como uma moldura para a destruição de TELs antes do lançamento de mísseis. 

Um tratamento de ASW exige o monitoramento contínuo da situação e das atividades das forças militares oponentes. Isto não só produziria informações sobre a ordem de batalha e a infra-estrutura, mas também forneceria a base para indicadores e estimativas de alerta. Um tratamento de ASW também aumenta o problema defensivo a que faz frente o inimigo. Em vez de contar com a capacidade de “fogo e manobra”, os adversários devem considerar que suas forças estão sendo caçadas. 

Em uma situação em que qualquer emissão eletrônica, sísmica ou acústica perdida pode ser usada para atacar um TEL, as guarnições de mísseis se concentrariam na tarefa defensiva de proteger os seus mísseis. Talvez não poderiam ser capazes de disparar com os “caçadores” em seu rastro. Além disso, já que uma estratégia inspirada na ASW não depende do “datum flamejante” — o real disparo de um míssil — para localizar uma arma oponente, ela se torna provavelmente o tratamento mais eficaz contra forças militares. É a única estratégia que sugere ser possível localizar e destruir mísseis após terem sido eles deslocados para o campo, mas antes de que possam ser disparados.


TMD como Guerra Combinada


É improvável que qualquer uma das forças singulares possa empreender, com êxito, todos os quatro elementos — C3I, defesas ativas, defesa passiva e ataque a forças militares inimigas — incorporados na defesa antimísseis de teatro de operações. 

Para ser bem sucedido, um tratamento de ASW para a TMD teria de recorrer aos recursos disponíveis dentro de toda a comunidade de defesa e de inteligência dos EUA. De fato, o tratamento de ASW para o ataque a forças militares ressalta o fato de que a TMD é primariamente um exercício de coleta e análise de informações em tempo de paz.

A doutrina combinada existente também reconhece o importante papel desempenhado pelos meios nacionais utilizados pelo Comando Espacial dos EUA (USSPACECOM), por exemplo, em uma campanha TMD combinada.

Um tratamento de ASW poderia ajudar, contudo, a conduzir tal coleta e análise em tempo de paz mediante o desenvolvimento de um conjunto altamente específico de exigências de informações. Novos sensores também poderiam ser desenvolvidos para facilitar o monitoramento dia após dia de operações de mísseis móveis de oponentes em potencial. 

O mais importante é que o trabalho poderia começar a melhorar o C3I entre os meios nacionais de informações e os componentes das Forças que necessitarão de informações em tempo real para engajar-se na caçada aos mísseis móveis.


Ocasionalmente, [durante a guerra fria] um força singular endossava uma idéia por outro promovida, para capitalizar interesses políticos em uma estratégia ou capacidade vitoriosa — mas essa tática freqüentemente saiu pela culatra. O relutante reconhecimento pela Marinha da importância do bombardeio estratégico durante o debate sobre os B-36... não salvou o seu supernavio-aeródromo.






O Papel das Forças Singulares


Cada uma das forças singulares também tem um papel específico a desempenhar no tratamento de ASW para a TMD. Aos oficiais da Força Aérea, pela sua especialização na condução de bombardeio estratégico, deve ser atribuída a responsabilidade de identificar e selecionar como alvo a infra-estrutura que apóia as operações de mísseis móveis de um oponente. 

Para eliminar a possibilidade de operações sustentadas, a Força Aérea deve trabalhar no sentido de destruir a cauda logística e industrial que apóia a força de mísseis desdobrada pelo inimigo. A experiência da Força Aérea no gerenciamento de uma campanha aérea como um todo sugeriria ser ela a Força de escolha para lidar com os problemas associados ao C3I e à alocação de meios inerentes a um esforço de TMD maciço.

Oficiais da Marinha têm mais do que apenas especialização em operações ASW para contribuir com a TMD. À diferença de seus homólogos da Força Aérea, os aviadores navais não tendem a pensar em termos de bombardeio estratégico, mas sim em termos de destruir alvos militares específicos. Deve-se atribuir à Marinha a missão de destruir mísseis já desdobrados. 

Um grupo de batalha de navio-aeródromo da Marinha poderia também servir como um tipo de força anti-TMD de “emergência” porque o sistema Aegis da Marinha em breve apresentará capacidades limitadas contra mísseis balísticos. A aviação naval poderia conduzir ataques contra alguns sistemas militares ofensivos particularmente ameaçadores, enquanto navios equipados com o sistema Aegis protegeriam alvos altamente compensadores na costa.

Como Força que opera a única defesa ativa comprovada — o sistema de mísseis Patriot — contra mísseis balísticos, o Exército tem um papel óbvio a desempenhar na TMD. Outros têm-se apressado em identificar o sistema de Mísseis Táticos do Exército, com um alcance de 40 quilômetros e submunições antipessoal/antimaterial, bem como o helicóptero de ataque Apache, com um alcance superior a 200 quilômetros, como armas ideais de ataque a forças militares.

Menos óbvio, contudo, é o importante papel que as forças terrestres desempenham no tratamento de ASW para a TMD. As forças terrestres, notadamente as forças especiais, prefeririam exercer sua capacidade de atacar e destruir instalações e armas em profundidade à retaguarda das linhas inimigas. Mas sua maior contribuição ao esforço de TMD irá assumir provavelmente a forma menos glamourosa de “policiar o campo de batalha”.

Em outras palavras, as forças terrestres provavelmente terão de conduzir um grande número de operações após terem o que se suspeita serem plataformas de mísseis sido submetidas a ataque. Pequenos grupos podem garantir que os lançadores e mísseis danificados por ataques aéreos não tenham sido apenas temporariamente tornados inoperantes, mas antes que tenham sido destruídos de fato. 

Abrigos de armazenamento rudimentares, difíceis de serem identificados do ar, poderiam também ser localizados pelas forças terrestres que rapidamente inspecionassem uma plataforma de mísseis danificada. O que é mais importante, será preciso assegurar a posse das ogivas de WMD — sejam as já instaladas sejam as desdobradas à frente, junto às plataformas de mísseis. 

Mesmo se lançadores ou mísseis houverem sido destruídos por ataque aéreo, ogivas de mísseis operáveis podem ser ainda utilizadas por um oponente, ou podem encontrar o caminho até o mercado negro. As forças dos EUA seriam também beneficiadas por uma avaliação rápida do risco radioativo ou químico criado pelas ogivas danificadas em seguimento a um ataque bem sucedido contra forças militares inimigas.

Quem deveria ser encarregado de uma campanha TMD influenciada por uma filosofia de ASW? Várias considerações dão forma à resposta a essa questão. 

  • Primeira, a TMD é, em sua maior parte, uma atividade de inteligência de tempo de paz. 
  • Segunda, a TMD exige a coordenação contínua de capacidades ofensivas e defensivas que todas as forças singulares possuem. 
  • Terceira, a exigência de TMD não se confina a uma região específica do globo. Os CINCs regionais têm de planejar a TMD, mas pode ser mais eficiente se um comando independente preparar dispositivos de TMD constituídos de capacidades multiforças singulares C3I, de defesa ativa, de defesa passiva e de ataque a meios militares para infiltração em determinada região.
Diante de tais considerações, o Comando Estratégico dos EUA (STRATCOM) seria uma boa escolha para dirigir uma campanha TMD. O Projeto Livro de Prata (Project Silver Book) do STRATCOM, um esforço em tempo de paz no sentido de compilar uma lista de alvos militares para a TMD, poderia servir como um passo inicial em uma estratégia de TMD inspirada na ASW.

Em sua encarnação anterior como o Comando Aéreo Estratégico, o STRATCOM também tem muita experiência no planejamento de maciças campanhas aéreas multiforças que contam em parte com a coleta e a análise de informações em tempo real e em nível nacional.

Comandado alternadamente por oficiais da Força Aérea e da Marinha, o STRATCOM também reúne uma combinação única de talentos necessários para tornar realidade uma estratégia de TMD baseada em princípios ASW: 
  • histórico de planejamento de ataques combinados a forças militares inimigas; 
  • ênfase em operações aéreas de grande vulto; 
  • grande familiaridade com a ASW; 
  • coleta sustentada de informações e coleta e avaliação de informações em tempo real; 
  • familiaridade com operações de forças especiais contra alvos WMD; e 
  • tradição como o comando principal de operações nucleares dos EUA.





As Idéias e a Guerra Combinada


Quando aplicada ao problema da defesa contra mísseis de teatro de operações, uma filosofia de ASW oferece uma idéia unificadora que identifica metas e tarefas específicas. Propicia, também, a todos os interessados uma imagem de todo o processo, baseada na extensa experiência da Marinha, experiência que pode ser utilizada para avaliar o quanto iniciativas específicas de uma única Força Singular podem contribuir para uma campanha TMD global. 

Para os que se interessam em desempenhar o grande número de tarefas inter-relacionadas identificadas na Doutrina de Defesa Combinada Antimísseis de Teatro de Operações, o conceito de ASW pode oferecer um “ponto de partida”: ele especifica como se pode começar a organizar uma TMD multiforças eficaz, com as capacidades existentes. Em certo sentido, uma filosofia de ASW poderia servir como um paradigma — aqui tomamos emprestado um termo da filosofia da ciência — para a TMD:
  • ela identifica problemas-chave que estão carentes de solução,
  • especifica como se deve prosseguir no sentido de superar esses obstáculos-chave, 
  • aloca responsabilidades para resolução de partes específicas do problema e 
  • explica de que modo o desempenho de pequenas tarefas específicas pode produzir uma sinergia que supere um problema extraordinariamente complexo.
Como um paradigma para a TMD, porém, a guerra anti-submarino apresenta uma grande desvantagem: o termo se encontra para sempre ligado à Marinha como uma de suas áreas de missões tradicionais e muito importantes. 

Durante a guerra fria, uma sugestão de que uma única força singular detinha a chave da segurança americana iria provavelmente provocar a explosão de rivalidade interforças. Ocasionalmente, um força singular endossava uma idéia promovida por outra, para capitalizar interesses políticos em uma estratégia ou capacidade vitoriosa — mas essa tática freqüentemente saiu pela culatra. 

O relutante reconhecimento pela Marinha da importância do bombardeio estratégico durante o debate sobre os B-36, por exemplo, não salvou o seu supernavio-aeródromo. Assim sendo, um tratamento de ASW para a TMD poderia ser mal interpretado como um esforço de desenvolvimento de uma estratégia para uma única força singular, uma estratégia que parece permitir que uma só Força ganhe sozinha a próxima guerra.



O fato de uma idéia originar-se justamente em uma força singular não significa que deva ela ser banida para sempre do esforço de promoção de uma estratégia combinada.



Diferentemente das doutrinas de cada Força, contudo, uma filosofia de ASW não é um paradigma excludente. De modo muito similar ao que a antiga estratégia marítima usava para organizar todas as forças disponíveis à Marinha em uma campanha coerente, no caso de uma guerra ao longo do Central Front, uma filosofia de ASW também permite que cada uma das Forças contribua com o que faz de melhor para resolver o problema de uma defesa antimísseis de teatro de operações.

Em seu âmago, um tratamento de ASW para a TMD é uma estratégia combinada: seu postulado central é o de que somente se trabalharem em conjunto poderão as forças singulares defender os aliados dos EUA ou forças dos EUA baseadas no exterior da ameaça imposta por mísseis móveis.

Acresce ainda que seria um erro subestimar o impacto da rivalidade interforças e intraforça, a despeito da renovada ênfase que o Congresso faz incidir no estímulo a respostas combinadas a ameaças contra a segurança. O Projeto Livro de Prata do STRATCOM, por exemplo, foi substituído por uma nova iniciativa, o Documento de Apoio ao Planejamento de Teatro de Operações.

O Projeto Livro de Prata foi abandonado, aparentemente depois de outros CINCs objetarem ao que entendiam ser um esforço por parte do STRATCOM de monopolizar o planejamento de ataques a forças militares em apoio da TMD. Numa época de orçamentos estáveis ou minguantes, qualquer esforço no sentido de despender um esforço combinado e, neste caso, potencialmente integrado, irá provavelmente enfrentar grande resistência oriunda de alguma parte do setor de defesa.

Conclusão


Ao adotarem um paradigma de ASW para a TMD, as forças singulares estariam iniciando uma nova forma de guerra combinada. Ao invés de reinventar a roda, uma idéia usada com eficácia por uma Força poderia ser tomada emprestada para tratar de um problema complexo multiforças. 

De fato, romper o tabu contra tomar emprestadas idéias por outros utilizadas abre um inteiro domínio de possibilidades. Sempre existe o perigo de que alguns possam escolher imitar de modo cego as capacidades hauridas por outras forças singulares, mesmo sendo provável que o tamanho dos orçamentos de defesa pós-guerra fria reduziria enormemente a eficácia dessa tática orçamentária. 

Mas o fato de uma idéia originar-se justamente em uma força singular não significa que deva ela ser banida para sempre do esforço de promoção de uma estratégia combinada.