"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

domingo, 18 de novembro de 2012

Mísseis e Guerra Costeira #




Cpt WAYNE P. HUGHES Jr. - USN

Após o desmoronamento da União Soviética, a estratégia americana foi totalmente reformulada, os gastos com a defesa voltaram a crescer, foi dada prioridade às operações conjuntas e combinadas e a expressão do dia no Departamento de Defesa passou a ser “uma revolução nas questões militares.” Quando a União Soviética desmoronou, foram ouvidas profecias de que haveria uma grande explosão de paz, muito embora o desmembramento de um grande Estado raramente tenha sido o caminho para levar à estabilidade em outros. O que ocorreu em seguida era previsível: após a dissolução dos vínculos da bipolaridade Soviético-Americana, outras nações fragmentaram-se à medida em que ressentimentos há muito tempo reprimidos vieram à tona. 

Nos círculos políticos americanos a opinião mais comum é que em decorrência disto as operações navais mudaram radicalmente. Indubitavelmente isto é verdadeiro no que refere-se às missões e às orientações. Mas seria mais correto dizer que a tônica das operações navais americanas simplesmente voltou às suas origens, na medida em que passou a ser dada mais atenção às regiões costeiras do mundo.





As operações atuais, tão diversas como as recentes guerras em torno do Kuwait, a interdição do tráfego marítimo no Adriático, o esforço no sentido de estabilizar países como o Panamá e o Haiti e as atividades para interromper o tráfico de drogas e a entrada de imigrantes ilegais no Caribe, todas ocorreram em águas costeiras. A importância política para os Estados Unidos está expressa num conceito denominado guerra costeira conjunta, que prevê operações meticulosamente planejadas por comandantes conjuntos que realizam operações delongo alcance nos “mares estreitos” de todo o mundo.

Num sentido mais profundo, a Marinha americana nunca deixou as costas. A Marinha de águas azuis que mantínhamos em tese para enfrentar a União Soviética foi na realidade empregada incessantemente, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em situações semelhantes às mencionadas acima. As ações realizadas entre a Marinha americana e as forças da República Popular da China em 1966 foram apenas a última de uma série de demonstrações que remonta a quarenta anos atrás, ou mais, e lembram-nos o mar picado percorrido pelas lanchas-patrulha de Taiwan de outrora. Podemos verificar em qualquer compêndio sobre batalhas navais, digamos na História da Guerra no Mar, de Helmut Pemsel, que as batalhas navais, grandes e pequenas, foram travadas, quase que sem nenhuma exceção, nas proximidades de terra.



Neste excelente livro, Como Lutam as Marinhas, Frank Uhlig demonstra que a mesma coisa aplica-se a toda a história da Marinha americana. Até que ponto as Marinhas influenciaram diretamente e foram influenciadas pelos acontecimentos ocorridos em águas costeiras foi competentemente demonstrado por um Oficial do Exército britânico, Charles E. Callwell, no auge da Pax Britannica. O seu livro, Operações Militares e a Supremacia Marítima, publicado pela primeira vez em 1905, foi recentemente republicado pela gráfica do Naval Institute devido à sua pertinência para as atuais operações navais americanas. Um escritor poderia pegar as questões contidas nos capítulos de Callwell, exatamente como surgiram há quase um século, e descrever de maneira abrangente a atual guerra costeira, simplesmente utilizando os exemplos do envolvimento da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais americanos em todo o mundo, desde 1950. 

A expressão “A base do propósito está em terra” não pode ser expressa de maneira mais vigorosa. As táticas utilizadas nos combates noturnos nas Ilhas Salomão, foram desenvolvidas pelos táticos navais americanos numa campanha de um ano de duração, que mostra de maneira perfeita o fenômeno supostamente novo, a guerra costeira conjunta. Uma força naval moderna lutando contra forças em terra, é mais adequado para as atuais circunstâncias do que era antes para exemplificar um ataque contra fortificações costeiras russas, chinesas ou iranianas. 

A atual era da moderna guerra de mísseis poderia ter sido prevista e surgiu independentemente do cenário político. Por outro lado, a importância fundamental dos mísseis na guerra costeira não recebeu a atenção que agora merece. Com uma única exceção, O ataque argentino com Exocet contra o Atlantic Conveyor, em Março de 1982, todos os ataques com mísseis a navios mercantes ou de guerra ocorridos na história naval foram realizados em águas costeiras. Alvos terrestres cada vez maiores também têm sido atacados por navios de guerra. Em Fevereiro de 1991, os ataques com mísseis de cruzeiro Tomahawk lançados de navios desempenharam um papel fundamental na vitória na Operação Tempestade no Deserto. Até mesmo antes, os navios começaram a enfrentar ataques com mísseis lançados de terra. Um marco ocorreu durante a Guerra do Atlântico Sul em Junho de 1982, quando um Exocet pôs fora de ação por 36 horas o contratorpedeiro Glamorgan, da Royal Navy, e causou 30 baixas.





O surgimento da guerra de mísseis em águas restritas é uma realidade. Os ataques com mísseis terra-mar somaram-se aos já usuais ataques realizados por aeronaves indo para o mar, ou vindo dele, para diminuir a diferença existente entre o combate no mar e em terra. Os engajamentos navais modernos mais instrutivos, travados para obter o controle de regiões costeiras, tem sido realizados entre forças terrestres, navais e aéreas atuando de maneira conjunta, com mísseis constituindo as principais armas. Talvez as Marinhas de todo o mundo não devam mais falar de táticas “navais”. É mais razoável pensar em termos de táticas costeiras que incluam navios de guerra.

Cerca de 450 navios foram atingidos por mísseis de cruzeiro ar-superfície, ou por mísseis de cruzeiro anti-navio, desde a primeira salva lançada pelo contratorpedeiro israelense Eilat em 1967. Estas estatísticas são instrutivas. Nos últimos anos as minas têm sido prejudiciais, os submarinos têm sido influentes e ambos têm reprimido as operações de uma maneira desproporcional às quantidades envolvidas e aos danos que causaram. 

Vimos até mesmo bombas antiquadas serem lançadas sobre navios. Apesar disto, os indícios incontestáveis revelam que os mísseis de todos os tipos, lançados de terra, do mar, do ar e de debaixo d’água (e, de certo modo, do espaço) dominam a guerra moderna no mar. Mesmo sem considerar as ogivas nucleares, químicas ou biológicas, estamos na era dos mísseis.




sábado, 17 de novembro de 2012

Condições Meteorológicas - Influência nas Operações Militares #




Toda operação militar está sujeita a interferência de fatores climáticos que devem ser considerados em seu planejamento. Estes fatores influenciam na visibilidade, na mobilidade terrestre e naval, nas operações aéreas, na segurança operacional, na trafegabilidade das ondas eletromagnética influenciando as comunicações rádio e operações das sensores como radares e eletroóticos, entre outros. Operações que envolvam a utilização de satélites como os sensores GPS/Glosnass e a retransmissão de comunicações por este meio também são seriamente influenciados pelas massas atmosféricas mais densas.

A mobilidade é crítica em uma operação militar, e condições meteorológicas adversas podem inviabilizar a transitabilidade em terrenos ruins, como aqueles excessivamente arenosos e moles, que facilmente se transformam em lodaçais, podendo paralisar todo um exército em marcha. O derretimento da neve prejudicou sobremaneira o avanço alemão na Rússia tornando suas precárias estradas intransitáveis, com a formação de lodaçais e impondo um fardo penoso às tropas.



Nas mesmas condições o tráfego pelo mar pode se tornar algo penoso, principalmente a tropas em travessia e não habituadas a vida embarcada. O desembarque do dia D em 1944 na Normandia, por exemplo,  foi adiado para o dia 6 de junho devido ao mau tempo, e apesar das condições deste dia não serem as melhores a tropas já estavam embarcadas a algum tempo e sofrendo de enjoos, e a espera de mais tempo seria inviabilizada pelas condições de maré e da logística de desembarcar todo o contingente e posteriormente reembarcá-los novamente.

A primeira fase para o estudo das condições meteorológicas é dispor-se das bases de dados existentes de forma ostensiva, que nos dão as características climáticas de determinada região associadas a época do ano em que se irá operar. Estes dados são lastreados no histórico do tempo ao longo dos anos e nos dão uma ideia geral das condições que iremos encontrar. A partir daí busca-se informações mais pontuais nas previsões de curto, médio e longo prazo, permitindo que se determine com maior precisão e pela elaboração de croquis, as condições de visibilidade, temperatura, emprego de fulmígenos, trafegabilidade das estradas e fora delas, emprego de sensores e meios de comunicação, navegabilidade, possibilidades de alagamento, vadeabilidade de cursos d'agua, teto operacional para aeronaves e operações de aeródromos, viabilidade de reconhecimento aéreo, possibilidade de observação terrestre e utilização de elevações, etc...




Os elementos que mais influenciam as operações são: 
  • Crepúsculos: Tanto o matutino quanto o vespertino influem na luminosidade e visibilidade e horários de operação, 
  • Fases da Lua: influem na luminosidade noturna;
  • Precipitações: Afetam a visibilidade, trafegabilidade, bem estar da tropa e segurança.
  • Ventos: sua força, altitude e direção ditam as condições de mar, rotas aéreas, emprego de fumígenos e outros;
  • Nebulosidade: Afetam a visibilidade.
  • Temperatura e Umidade:  Afetam equipamento e pessoal.
  • Marés: influenciam em operações de desembarque a partir do mar


O Crepúsculo:

Crepúsculo é a passagem do dia para a noite (crepúsculo vespertino) ou vice-versa (crepúsculo matutino). Existem 3 tipos:  O astronômico cuja visibilidade é muito reduzida e não tem utilidade prática para fins militares, o náutico que proporciona visibilidade suficiente aos movimentos terrestres com visibilidade limitadas a 400 m e uma certa proteção a observação inimiga, e o civil que proporciona luminosidade suficiente a todas a atividade diurnas. A duração dos crepúsculos depende da latitude de varia ao longo dos tempos.Enquanto que na ofensiva, a baixa luminosidade favorece a concentração de forças, a manobra e a obtenção da surpresa, na defensiva, prejudica a vigilância, impede o reconhecimento, dificulta a coordenação e controle e reduz a precisão da busca de alvos.




As Fases da Lua:


A lua influencia diretamente na visibilidade noturna. Na lua nova a visibilidade é mínima, aumenta na crescente e alcança o máximo na cheia, decrescendo na minguante. Assim, a luminosidade deve ser analisada em função do nascer e do pôr do sol e das fases da lua, que exercerão influência nas condições de observação, sigilo, emprego dos meios aéreos e de coordenação e controle das tropas. A visibilidade é função também por outros elementos meteorológicos, tais como precipitações, nebulosidade, ventos, etc.




Precipitações:

Podem trazer impedimentos ou risco ao voo, alagamentos de grande dimensão, baixa visibilidade, impedir operações administrativas necessárias a céu aberto, desconforto a tropas desdobradas no terreno com o alagamento de abrigos e hipotermia, deterioração de estradas mau ou não pavimentadas e inviabilização de tráfego "off-road"; reduzir a persistência de agentes químicos, a eficácia dos campos minados e de equipamentos em geral. O granizo pode provocar a destruição de instalações e riscos a integridade humana e material. Descargas elétricas podem incendiar depósitos de munição e combustível, afetar linhas de transmissão e tráfego eletromagnético. Enxurradas podem destruir pontes e alagar áreas habitadas, além de interromper o trânsito em trechos de estradas.




Ventos:

Sua direção e velocidade afetam o emprego de fumígenos e agentes QBN, lançamentos de tropas aerotransportadas, afetam a navegabilidade e a detecção de sons. Podem contribuir para a secagem do solo afetando positivamente a trafegabilidade. Ventos fortes podem derrubar antenas e afetar estacionamentos baseados em barracas e similares.




Nebulosidade:

Esta pode impedir a observação aérea e de elevações, a segurança do espaço aéreo, principalmente aquele usado pelos helicópteros em baixa altitude. Nuvens escuras podem significar chuva e podem limitar o visibilidade.




Temperatura e Umidade:

Estes fatores influenciam diretamente os vetores aéreos, como aeronaves, mísseis e granadas de artilharia. Afetam as pessoas e o desempenho do equipamento como motores e eletrônico se em valores extremos, afetam também as atividades a céu aberto como as de construção civil e outras de cunho administrativo como o manuseio de suprimentos nas áreas de apoio de retaguarda. Temperaturas baixas podem trazer neve e demandar o provimento de fardamento e proteções especiais, provocar hipotermia e desconforto, além de prejudicar a destreza dos soldados que ficam com extremidade geladas e são obrigados ao uso de luvas e outros acessórios. A temperatura é função da latitude e da altitude, entre outros fatores de menor importância.





Marés:

Influenciam operações costeiras como desembarques anfíbios e operações em portos menos preparados.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Escalões de Emprego das Forças Armadas #



As forças armadas são organizações grandes e complexas, que operam um grande número de sistemas operacionais, que por sua vez desempenham um variados número de tarefas diferentes. Compostas, organizadas, equipadas e treinadas para atuarem em um ambiente de guerra total, também desempenham missões de guerra limitada, incursões militares pontuais, presença militar e segurança preventiva, dissuasão militar, apoio às atividades civis, socorro humanitário, vigilância de fronteiras e repressão ao ilícito, presença militar além-fronteiras, pesquisa e desenvolvimento de tecnologia, apoio e suporte a suas próprias operações, recrutamento e treinamento de pessoal, e outras tarefas menores que se façam necessárias.

Cada força possui um organização própria, calcada em sua doutrina orgânica e estruturada a fim de atender suas necessidades específicas. A eficiência e funcionalidade dessa organização é melhor medida quando de sua necessidade de emprego, onde os militares tem que passar de seu cotidiano de cursos, palestras, situação logística e exercícios de tempos de paz para as condições operativas demandadas por situações reais de emprego. A fluidez dessa transição, juntamente com o nível de adestramento de seu pessoal e a modernidade e adequação de seus recursos e sistemas, mede a eficiência de cada força no cumprimento de suas missões, razão de suas existências.




Cada força armada deve operar de forma a nunca perder o controle de seus meios e das ações executadas por estes, que devem interagir de forma sinérgica e flexível, adequando-se as especificidades de cada situação que se apresentar, sempre buscando cumprir o que lhes foi delegado ao menor custo financeiro, pessoal e político possível, e no menor tempo a fim de restabelecer o mais rápido as condições de normalidade da vida cotidiana.

Para que possam cumprir o acima exposto, as forças armadas são organizadas em unidades militares (UM), também denominadas organizações militares (OM). Uma unidade militar é um estrutura organizacional que possui um certo grau de autonomia para atingir seus objetivos, treinada e equipada em determinada especialidade. Esta composição organizacional permite as forças armadas atingir seus objetivos táticos mais rapidamente e com maior eficiência que seriam conseguidos através de um comando centralizado.

Estas diversas unidades das forças armadas por sua vez, são hierarquizadas respondendo ao comando ou comandando outras unidades. A esta hierarquia operacional, denominamos escalões de emprego. Quanto menor o escalão de emprego de cada unidade, maior o nível de especialidade tática que ela desempenha. Assim por exemplo, temos um batalhão dotado da especialidade de infantaria, que comanda subunidades operativas e logísticas, que por sua vez são integradas por fuzileiros, radio-operadores, motoristas, guarnições de morteiros e metralhadoras, e assim por diante.

A designação dos diversos escalões de emprego varia de uma força para outra ou dentro da própria força. Assim um escalão pode ser denominado batalhão ou regimento, e em outra força um regimento pode ser o agrupamento de dois ou mais batalhões. Há a necessidade de conhecimento específico e maior vivência sobre o tema militar a fim de melhor identificar o escalão que está sendo tratado.




Ao menor escalão de emprego, que pode ser constituído por um único integrante, dá-se a designação de equipe. Assim podemos ter uma equipe de combate constituída pela guarnição que opera uma metralhadora, geralmente de dois integrantes, ou por um destacamento de operadores de forças especiais, também de dois integrantes. Cada escalão também é comandado por um militar com patente compatível. Assim uma equipe poderá ser comandada por um cabo ou mesmo um soldado raso.

Ao agrupamento de duas ou mais equipes podemos denominar esquadra. Assim temos uma esquadra constituída por quatro ou cinco integrantes e comandada por um cabo ou sargento. Há de se observar que esquadra, no contexto naval, designa um escalão de altíssimo nível, englobando toda uma frota naval completa e comandada por um almirante de quatro estrelas. Em algumas situações podemos denominar a esquadra de seção.




Ao agrupamento de duas esquadras temos o denominado esquadrão ou grupo de combate (GC). Este passa a ser integrado por sete ou nove integrantes e comandado por um sargento. Podemos, dependendo da situação também denominar este escalão de seção. Na forca aérea denominamos esquadrão a um grupo de algumas aeronaves (de 4 a 8), que no exército teria sua equivalência em uma companhia. Ainda no exército temos o termo esquadrão empregado em equivalência a uma companhia, mais especificamente nas unidades de cavalaria.

Ao agrupamento de dois ou três grupos de combate ou esquadrões temos o escalão pelotão, com constituição de 25 a 35 integrantes e comandado por um oficial de baixa patente (Tenente).

Até o nível pelotão, a constituição é simples e os integrantes tendem a pertencer a mesma especialidade militar, variando-se suas qualificações particulares, tendo por exemplo em um pelotão de infantaria todos os componente como fuzileiros, mas temos aqueles com qualificação como operador de metralhadora ou atirador de elite. Podem ainda aí, ter outras qualificações como as de radio-operador (comunicante) e motorista (material bélico).




Ao agrupamento de 2 ou 3 pelotões mais outras seções de apoio  denominamos na infantaria de companhia, na cavalaria de esquadrão e na artilharia de bateria. O termo pelotão não é empregado na artilharia, cuja bateria é constituída pela sua linha de fogo e seções de apoio, sendo a linha de fogo constituída por peças ou unidades de tiro. O escalão companhia geralmente é comandado por um capitão ou na falta deste por um primeiro-tenente. A este escalão, já capaz de operar com certa autonomia, por possui elementos especializados em comando e controle, além elementos provedores de apoio logístico como ressuprimento de munição e cozinha própria, denominamos de subunidade. Companhia podem agregar de 80 a 250 integrantes.

Ao agrupamento de 2 a 4 companhias operativas mais uma companhia de comando e serviços e outra companhia de apoio, por exemplo, denominamos de batalhão na infantaria e engenharia, regimento na cavalaria com seus esquadrões, sendo na artilharia denominado grupo o agrupamento de baterias. Aos batalhões, regimentos e grupos é dada a denominação de unidade e seu comando é exercido por um coronel, tenente-coronel ou na falta destes por um major. Este escalão de status unidade é dotado de grande autonomia administrativa e operacional. Algumas companhia independentes, não vinculadas a batalhões, são também denominadas unidades. Este escalão  agrega de 300 e 1000 integrantes.




Os batalhões geralmente agregam elementos de uma mesma arma, pois temos batalhões de engenharia, comunicações e infantaria, batalhões logísticos agregando elementos do serviço de saúde, de intendência e material bélico, regimentos ou batalhões de cavalaria e grupos de artilharia. Ao agrupamento de batalhões que de uma mesma arma denominava-se tempos atrás de regimentos e de forma mais moderna de brigadas. Brigadas são compostas por elementos de quase todas as armas e comandadas por um oficial general. Por exemplo em um brigada de infantaria do Exército Brasileiro podemos ter 2 ou 3 batalhões de infantaria, um regimento de cavalaria ou carros de combate, 1 grupo de artilharia, 1 batalhão logístico, 1 companhia de comunicações e outra de engenharia de combate, uma bateria de artilharia antiaérea, um pelotão de polícia do Exército. Uma brigada pode agregar de 2000 e 5000 integrantes. A partir do escalão brigada as OM são denominadas grande-unidades (GU).

Subindo ao próximo escalão temos a divisão de exército com composição variável, composta por 2 ou mais brigadas de infantaria ou cavalaria (armas base), grupos ou brigadas de artilharia, batalhões independentes de engenharia e comunicações, unidades logísticas mais especializadas e outras que se façam necessárias. O comando da divisão passa a um general de 3 estrelas ou general de divisão. Uma divisão agrega de 10.000 a 25.000 integrantes.

O próximo escalão é o de exército ou corpo de exército, sendo o comando delegado a generais de 4 estrelas ou generais de exército. Sua composição com 2 ou mais divisões e outras unidades e grande-unidades. agregam um número grande de integrantes (+ de 30.000).

A partir daí temos os grupamentos ou grupos de exércitos  e grupos de teatro de operações, que podem agregar elementos de marinha a força aérea, além de outros paramilitares e civis.

O acima descrito é basicamente a organização das forças terrestres, sendo que Marinhas e Forças-Aérea possuem escalões semelhantes. Na Marinha por exemplo temos cada navio como uma unidade independente equivalente a um batalhão no Exército. Na Força-aérea temos as bases aéreas que abrigam os diversos esquadrões independentes, fornecendo a estes o apoio logístico-administrativo, sem no entanto estarem necessariamente subordinados a estas.

domingo, 4 de novembro de 2012

Estratégia Militar #



baseado no MC C 124-1 Estratégia do EB

Introdução

A guerra é a forma de se resolver um conflito pelo uso da força, em momentos que a política e a diplomacia não podem mais produzir resultados satisfatórios. De importância vital, a guerra deve ser tratada com prioridade máxima, pois dela pode depender a sobrevivência tanto de uma população como do próprio estado. Suas consequências podem ser muito graves, pois dependendo de sua intensidade, a acompanham a fome, a doença, a ruína econômica, podendo chegar, em casos extremos, a destruição de um povo inteiro. Mais comumente resulta na deposição de governos indesejáveis e na mudança da ordem política regional, porém os efeitos nocivos junto a população sempre estão presentes, razão pela qual deve ser evitada a todo custo.  Uma vez envolvida em um conflito militar, uma nação deve envidar todos os esforços para decidi-lo a seu favor, no menor intervalo de tempo possível, e com o menor custo, seja econômico-financeiro ou político e humano.

Uma vez configurada uma condição de guerra, não há tempo suficiente para se preparar para ela partindo de bases incipientes, sendo necessário que uma estrutura militar, industrial e de qualificação humana e tecnológica seja mantida em caráter permanente em tempos de paz. Planos de mobilização industriais-militares, adestramento de efetivos e doutrinas estratégico-tático-operacionais devem ser criteriosamente planejados e praticados constantemente. Estudos acadêmicos de alto nível devem ser uma constante nas academias e institutos militares, atualizando a ciência militar a realidade sempre em mutação na geopolítica mundial. É importante que uma transição da condição de paz para a de conflito se dê da forma mais fluída e natural possível.



A Estratégia

Uma guerra sem estratégia é uma forma primitiva de se envolver em um conflito armado, e só praticada por povos primitivos e sem cultura de planejamento, onde esforços são duplicados e não coordenados, resultando em total falta de sinergia e uma receita ao desastre.

A estratégia envolve a composição e orientação das forças, suas disposição territorial e suas linhas de comunicação bem como seu adestramento, o planejamento tecnológico e industrial e os planos de mobilização, a doutrina de emprego, os meios nacionais e os planos de toda ordem, as alianças supra-nacionais e demais fatores que possam influir  na condição política dos conflitos, sempre tendo como pano de fundo a potenciais ameaças que o país poderá vir a enfrentar e seus objetivos nacionais.

A estratégia deverá considerar todo o espaço geográfico próximo ou mais distante que possa influir nos conflitos, as relações e alianças internacionais, as tecnologias próprias ou alheias existentes, como por exemplo a existência de armas nucleares e outras tecnologias sensíveis como a espacial, a capacidade de manter um conflito ao longo da linha do tempo, a disponibilidade de recursos naturais e outros fatores relevantes.

A estratégia militar moderna depende do poderio e importância de cada nação, sendo a do conflito direto e conquista do território inimigo e consequente destruição de suas forças ultrapassada e em desuso.




As nações mais poderosas buscam sempre a paralisia estratégica do inimigo, evitando-se o confronto direto sempre que possível. Estas nações lançam mão da guerra por procuração, armando grupos políticos antagônicos aos regime que desejam destruir. Se tiverem que entrar em ação, lançam mão do poder aéreo superior, do bombardeio estratégico a partir de bombardeiros de alta tecnologia e submarinos com mísseis de cruzeiro de alta precisão, do bloqueio ostensivo das áreas de interesse e da interdição em larga escala da capacidade logística do inimigo, seja por ações em campo ou por ações político-diplomáticas junto ao resto do mundo. 

Algumas possuem ainda a opção nuclear que tem um peso muito grande tanto nas decisões próprias quanto nas do inimigo, porém o seu emprego pode trazer sérios desdobramentos, sejam físicos ou políticos, e deve ser cuidadosamente avaliado.

As nações menos poderosas tendem a buscas a estratégia da resistência, procurando provocar ao inimigo a possibilidade de desgastes inaceitáveis  estes e desencorajando-os a se envolverem nos conflitos. Guerra de guerrilha com alto custo humano, conflitos de alta duração e custos político inaceitáveis fazem parte desta linha de ação.




A Ação Militar

Qualquer que seja o objetivo da um conflito armado, este limita as ações a serem tomadas, dependendo do custo político que cada ação pode acarretar, porém não invalida nenhuma ação que vise debilitar a capacidade combativa do oponente, mesmo que esta não venha a ser empregada por este ou aquele motivo.

Os objetivos de um conflito armado podem ser: a rendição incondicional, A conquista de uma faixa de território, a substituição de um regime ou governo, a conquista de recursos diversos, a destruição de determinados objetivos de importância estratégica, a destruição de ameaças, o apoio a aliados, a implantação de ideologias, a defesa territorial, a conquista da independência, entre outros.

A estratégia específica de um determinado conflito deverá buscar o centro de gravidade do poder do oponente, e em torno dele deverá ser construída. O centro de gravidade é o objetivo que, se conquistado, fará o inimigo perder totalmente o controle de suas ações. Cabe aos planejadores militares a identificação deste.

Ao comandante militar das operações deverá ser dado um objetivo, deixando-se bem claro a este seus limites, de forma a evitar que qualquer ônus político, econômico, psicossocial ou militar excessivamente nocivo se configure e traga consequências indesejáveis ou inadimissíveis. A política nacional poderá impor restrições quanto a intensidade e extensão da violência, o ritmo das operações, a privação do uso de espaços geográficos restritos, o emprego de armas estratégicas, os bloqueios navais e outros.

Estando claros os objetivos do conflito que se configura e as restrições impostas pela política nacional, os planejadores militares passam a delinear a ação militar propriamente dita, através da concepção de um esboço do plano de operações. A fim de atingir o objetivo político da operação, estes devem estabelecer:
  1. Definição dos objetivos estratégicos essenciais para se chegar no objetivo político;
  2. Consideração dos dificultadores para se chegar a estes objetivos estratégicos;
  3. Definição das ações estratégicas a serem implementadas
  4. Definição e disponibilização dos meios militares a serem utilizados na operação.
Objetivos estratégicos são aqueles sem os quais o objetivo político da operação não poderá ser atingido. Uma operação se dá buscando um objetivo principal (objetivo político) e para atingi-lo um pequeno número de objetivos estratégicos terão de ser cumpridos. Como exemplo podemos citar a ação israelense contra as bases egípcias na guerra do seis dias, quando em menos de 2 horas toda a aviação de combate do país africano foi neutralizada




Para cumprir os objetivos estratégicos os planejadores devem prever as dificuldades a serem contornadas e tomar as medidas necessárias a sua implementação. Usando o exemplo anterior a principal dificuldade era a manutenção do sigilo, sendo portando necessário determinar o momento em que toda a aviação estava em terra, a implementação de ações visando a neutralização da rede de alerta antecipado (radares), o treinamento das equipe de terra a fim de que fizessem as aeronaves retornar ao combate no menor tempo possível, e outras.

Definidos os objetivos estratégicos e elencadas os dificultadores para atingi-los, passa-se para a fase da definição das ações estratégicas. Cada operação demandará um conjunto de ações estratégicas diferentes, porém podemos listar algumas mais comumente utilizadas em todos os conflitos:

  • A primeira ação estratégica de qualquer conflito é a busca de inteligência. Os planejadores devem lançar mão de todos os meios que tiverem a disposição na busca de informações relevantes. Satélites e aeronaves de reconhecimento, uso intensivo de sistemas de ESM, infiltração de forças especiais e uso de tropas de outros meios já desdobrados no terreno, espiões e informantes, informações de arquivo e disponíveis em meios ostensivos, desertores e prisioneiros, analistas e peritos. Toda a informação que possa ser reunida embasará o plano de ação, e este será mais realista a medida que os subsídios colhidos forem os mais sólidos e concretos possíveis. Durante a operação deverá ser mantida vigilância constante de todo teatro de operações, fluxo constante de informações de campo para os centros de inteligência e realinhamento de plano frente às novas realidades.
  • O isolamento do teatro de operações de todas as formas possíveis impedirá a chegada de novos recursos ao adversário. O bloqueio de suas fontes de suprimento através de medidas militares ou diplomáticas, a interdição do espaço aéreo adjacente às áreas de interesse, bloqueios navais e terrestres, interferência eletrônica nas comunicações e meios de vigilância e controle, ocupação militar de áreas importantes e outros.
  • Ações de bombardeio estratégico visando neutralizar:
    • Sistemas de alerta antecipado (radares), 
    • Sistemas de defesa antiaérea, 
    • Sistemas de ameaça direta como os mísseis balísticos táticos e seus sistemas de suporte, sistemas de artilharia e MLRS, bombardeiros estratégicos e mísseis de cruzeiro.
    • Grandes fontes de suporte logístico como refinarias e depósitos de combustível, usinas e subestações de força,
    • Entroncamento rodo e ferroviários, portos e aeródromos,
    • Centros de poder e decisão, comando e controle, procurando impedir qualquer tipo de comando e coordenação, frustrando a coordenação de esforços e semeando a confusão e o caos entre as forças inimigas,
    • Sistemas de comunicações que servem ao comando e controle de forças, estações civis de rádio e TV, torres e antenas de retransmissão de todos os tipos,
    • Pontes, túneis, viadutos e outros pontos de estrangulamento de tráfego que se mostrem importantes,
    • Bases militares de todos os tipos, aéreas, navais e submarinas; bases de forças terrestres e de apoio logístico.
    • Áreas industriais e de pesquisa militar, usinas siderurgicas e metalúrgicas, industria eletrônica de defesa, industria naval e nuclear, outras indústrias importantes.
    • Outros alvos que se revelem importantes.
  • Ocupação militar de áreas de fronteira, áreas de concentração estratégica, bases militares de todos os tipos em território nacional ou além-fronteiras, áreas de desdobramento logístico, sitios de transmissão e retransmissão de comunicações, espaços aéreos e marítimos importantes, usinas e represas, industrias, canais, pontes, túneis, viadutos, elevações, fontes de água e combustível, e outras áreas adjacentes que se façam importantes.

  • Desgaste do inimigo através de constante assédio a suas forças, procurando desorganizá-las, impedi-las de se deslocarem, cansa-las, impor-lhes a fadiga, baixar o seu moral, impedi-las de receberem ressuprimento de comida/combustível/munição/água/pessoal e outros, cortar suas rotas de fuga, impedi-las de se comunicarem e obterem informações.
  • Promover intensa guerra psicológica junto as tropas inimigas através de transmissões e panfletos disseminados por todos os meios disponíveis; junto a população local procurando conquistar sua simpatia através de propaganda e ações de assistência, procurando sua dissociação do governo local
  • Manobrar no sentido de confundir a compreensão do inimigo em relação as intenções do atacante. Ao realizar manobras diversionárias o inimigo se obriga a dividir suas forças, desorganizar seu dispositivo e sobrecarregar seus meios de suporte logístico, pois não tem como saber a intenção do atacante e não pode negligenciar uma manobra que pode ser real. Na Operação Overlord (a invasão da Normandia) o descontrole (involuntário) por motivos diversos nos lançamentos das divisões aeroterrestres aliadas confundiu completamente a reação dos alemães e deu tempo aos americanos e britânicos para realizar as manobras de desembarque.
  • Uma vez conseguida a condição de superioridade estratégica através de ações como as aqui citadas parte-se para o combate direto procurando a neutralização, destruição ou captura das forças inimigas, momento em que elas se encontram debilitadas física e moralmente. A todos estes esforços denominamos de multiplicadores do poder de combate.


Uma vez esboçado o plano geral de ação, parte-se para a fase de ajuste, quando se confronta o que se pretende fazer com os meios disponíveis, condicionantes políticas e situação geográfica, suprimindo ações de difícil execução e/ou criando outras que venham o tona durante esta fase. Nesta fase avalia-se a viabilidade da operação, podendo-se chegar a conclusão que a missão não poderá ser realizada ou que necessite de ajustes ou outras linhas de ação.

Objetivos Militares


Os objetivos militares devem ser escolhidos de forma coerente e dentro da realidade da situação. Estes jamais poderão ser maiores que o objetivo político da guerra. O número de restrições políticas ao estabelecimentos dos objetivos militares geográficos ou não diminui a medida que a importância dos objetivos da guerra aumenta.

Conflitos Modernos, Principais #



Abaixo listamos os principais conflitos do séculos XX e XXI, dado sua importância como ação militar, evitando citar conflitos menores e mais localizados sem muita importância ao propósito deste blog. Outros serão acrescentados com o tempo.

sábado, 3 de novembro de 2012

Explosivos Termobáricos #


Os explosivos termobáricos, mais conhecidos como "bombas ar/combustível", são armas que produzem uma onda de choque, com uma duração significativamente mais longa do que as produzidas por explosivos condensados. Isso é útil em aplicações militares, onde esta maior duração aumenta o número de vítimas e causa mais danos às estruturas. 

Há muitas variantes diferentes de armas termobáricas que podem ser montadas à mão, como lançadores tipo RPGs e armas antitanque.

Os explosivos termobáricos cortam o oxigênio do ar circundante, enquanto a maioria dos explosivos convencionais consistem de uma pré-mistura de combustível oxidante (por exemplo, a pólvora contém combustível de 25% e 75% oxidante). Assim, numa comparação de peso são significativamente mais energéticos do que os explosivos condensados. Sua dependência de oxigênio atmosférico torna-os impróprios para utilização subaquática, em altitudes elevadas ou em condições atmosféricas adversas. No entanto, eles tem vantagens significativas quando usados dentro de ambientes confinados, tais como túneis, cavernas e bunkers.



O termo termobárico é derivado das palavras gregas para "calor" e "pressão": thermobarikos. Outros termos utilizados para esta família de armas são armas termobáricas de alto impulso, armas de calor e pressão, bombas de vácuo, ou explosivos ar-combustível.

Em contraste com explosivos condensados, onde a oxidação em uma região confinada produz uma frente de rajada, essencialmente, a arma termobárica cria a partir de um ponto inicial uma grande explosão que acelera uma onda de choque produzindo frentes de pressão dentro da mistura de combustível e oxidante e, em seguida, no ar circundante.

Os explosivos termobáricos criam após as explosões uma nuvem de vapor, que incluem a dispersão de poeira inflamável ​​e gotículas. Em épocas anteriores eram mais frequentemente encontrados em fábricas de farinha e em seus recipientes de armazenamento, e mais tarde em minas de carvão. Na atualidade encontramo-los mais comumente em navios petroleiros e refinarias vazias, como em Buncefield, no Reino Unido, onde a onda de choque acordou pessoas que moravam a cerce de 150 km a partir do centro da explosão.


O sistema da arma termobárica consiste de um recipiente cheio de uma substância combustível, no centro da qual existe um pequeno explosivo convencional chamado de "carga de dispersão". Os combustíveis são escolhidos com base em sua oxidação, que podem ser de metais em pó, tais como alumínio ou magnésio, ou materiais orgânicos, possivelmente com um oxidante auto-contido parcial. O desenvolvimento mais recente envolve o uso de nanocombustiveis.

O rendimento efetivo de uma bomba termobárica requer a combinação mais apropriada de uma série de fatores, entre eles o quão bem o combustível é disperso, a rapidez com que se mistura com a atmosfera envolvente do início da ignição e sua posição em relação ao recipiente de combustível. 

Existem projetos que permitem que o combustível seja contido por tempo suficiente para que se aqueça bem acima de sua temperatura de auto-ignição, de modo que, mesmo com a refrigeração durante a expansão do recipiente, resulta em ignição rápida uma vez que a mistura está dentro dos limites de inflamabilidade convencionais.

Em confinamento, uma série de ondas de choque reflexivas são geradas, mantendo uma bola de fogo que pode se estender de 10 a 50 segundos. Além disso existe o resfriamento dos gases e a pressão cai drasticamente, levando a um vácuo parcial, poderoso o suficiente para causar danos físicos a pessoas e estruturas. Este efeito tem dado origem a "bomba de vácuo".

A sobrepressão dentro da detonação pode chegar a 430 psi e a temperatura pode pode alcançar de 2.500° a 3.000° celsius. Fora da nuvem a onda de choque viaja a mais a 3,2 km/s.

Em um estudo feito em 01 de fevereiro de 2000 pela Agência de Inteligência de Defesa dos EUA diz que: A explosão contra alvos vivos é única e desagradável .... O que mata é a onda de pressão, e mais importante, a rarefação subsequente "vácuo", que rompe os pulmões .... Se o combustível deflagrar, mas não detonar, as vítimas serão severamente queimadas e provavelmente também inalem o combustível em chamas. 

Uma vez que os combustíveis mais comuns utilizados, são o óxido de etileno e óxido de propileno, que são altamente tóxicos, uma vez detonados devem ser tão letais para o as pessoas dentro da nuvem como a maioria dos agentes químicos.


De acordo com um estudo separado da Agência Central de Inteligência dos EUA "o efeito de uma explosão dentro de espaços confinados é imensa. Aqueles perto do ponto de ignição simplesmente desaparecem. Aqueles na orla são propensos a sofrer muitos ferimentos internos, e, portanto, invisíveis, incluindo o estouro do tímpano e órgãos do ouvido interno, concussões graves, pulmões e orgãos internos, e, possivelmente, a cegueira". 

De acordo ainda com o documento especula-se que "o choque e ondas de pressão causam um mínimo de dano ao tecido cerebral ... é possível que muitas das vítimas de tal arma ainda que inconscientes pela explosão, possam sofrer por alguns segundos ou minutos, enquanto sufocam."

Uma nova plataforma portátil de lançamento de uma arma termobárica foi desenvolvida pelos russos a RPO-A um lança foguete, que foi amplamente desenvolvido, ficando conhecida por ter sido usado na Chechênia.

As forças armadas russas desenvolveram variantes de munição termobáricas para várias de suas armas, como a granada TGB-7V termobáricas com um raio de letalidade de 10 metros, que pode ser iniciado a partir de um RPG-7. A GM-94 de 43 mm um lançador de granadas que é projetado principalmente para disparar granadas termobáricas para o combate próximo. Com a granada pesando 250 gramas sendo 160 gramas de mistura explosiva, o seu raio de letalidade é de 3 metros. A RPO-A é uma RPG projetado para disparar foguetes termobáricos. O RPO-M, por exemplo, tem um ogiva termobárica com semelhante capacidade destrutiva a um projétil de artilharia de 152 mm de alto poder explosivo de fragmentação. A RPG-27 e RPG-26, respectivamente tem a variante mais potente, com sua ogiva que pode atingir uma área de 10 metros de letalidade e produzindo os mesmos efeitos de cerca de 6 kg de TNT.  O RMG é um derivado do RPG-26 que usa uma ogiva em tandem, em que a ogiva principal produz uma abertura para a carga principal entrar e detonar no interior.

Existem muitas outras munições de origem russa com variantes termobáricas, o foguete S-8 de 80 mm tem as varienate termobáricas S-8DM e S-8DF. O S-8 de 122 mm, possui o foguete e o S-13D e S-13DF. Ogiva do S-13DF pesa apenas 32 kg, mas seu poder é equivalente a 40 kg de TNT. A variante KAB-500-OD da KAB500KR tem uma ogiva termobárica de 250 kg . As bombas ODAB-500PM e ODAB-500PMV tem uma ogiva de 190 kg. A KAB-1500S guiada por GLONASS possui uma ogiva de 1.500 kg, e produz uma bola de fogo com um raio de 150 metros, sendo sua zona de letalidade de raio de 500 metros.

Em setembro de 2007 a Rússia explodiu com sucesso a maior arma termobárica já feita. Seu resultado teria sido maior do que a menor arma nuclear já produzida. A Rússia a nomeou como o "Pai de Todas as Bombas" em resposta aos Estados Unidos que desenvolveram a MOAB, cuja alcunha é a "Mãe de Todas as Bombas", e que anteriormente detinha o prêmio da mais poderosa arma não-nuclear da história. A bomba contém uma ogiva de 6.400 kg, carregando combustível líquido como o óxido de etileno, misturado com nanopartículas energéticas, tais como alumínio, em torno de uma carga de dispersão alto-explosiva.

O uso militar da bomba termobárica foi adimitido pela então União Soviética na guerra do Afeganistão no início dos anos 1980. Relatos não confirmados sugerem que forças militares russas utilizaram armas termobáricas na Batalha de Grozny (na primeira e segunda guerras da Chechênia) para atacar combatentes chechenos, sendo utilizado lança foguetes portáteis.

Durante a crise dos reféns de 2004 da escola de Beslan, foi relatado o uso de armas termobáricas pelas Forças Armadas Russas no seu esforço para retomar a escola. O sistema usado pode ter sido a RPO-A, TGB-7V, RShG-1 ou a RShG-2 durante o ataque inicial a escola. Cerca de três a nove armas RPO-A foram encontradas mais tarde nas posições da Spetsnaz. O Governo russo admitiu mais tarde o uso da RPO-A durante a crise.

De acordo com Ministério da Defesa do Reino Unido, as forças militares britânicas também usaram armas termobáricas em seus mísseis AGM-114N Hellfire, transportado por helicópteros Apache e UAVs, contra o Talibã na guerra no Afeganistão.

Os militares americanos também usaram armas termobáricas no Afeganistão. Em 03 de março de 2002, uma bomba de 910 kg guiada a laser foi usado pelo exército americano contra complexos de cavernas em que Al-Qaeda e o Talebã se refugiaram na região de Gardez no Afeganistão. Os fuzileiros navais americanos também utilizaram armas termobáricas durante a primeira e a segunda Batalha de Fallujah.

O uso não militar com explosivos de ar combustível foram feitos por guerrilheiros após atentados contra quartéis em 1983, na cidade de Beirute, no Líbano, utilizando um mecanismo explosivo com gás, provavelmente, propano, butano ou acetileno. O explosivo utilizado no atentado de 1993 ao World Trade Center incorporou o princípio da arma termobárica, usando três tanques de gás de hidrogênio engarrafado para melhorar a explosão e como ignitor uma descarga elétrica em um combustível sólido, com base no princípio termobárico. Um sistema parecido foi usado para atacar a boate Sari no atentado de 2002 em Bali, Indonésia.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Míssil de Cruzeiro #




Um míssil de cruzeiro é um projétil capaz de levar uma carga explosiva a distâncias muito grandes com grande precisão, seguindo uma trajetória não balística, ou seja, voando como uma aeronave convencional, a uma velocidade constante e baixíssima altura, o que o torna extremamente fugaz a detecção e acompanhamento pelos radares de vigilância aérea. Podem ser supersônicos ou não e como todo míssil são sacrificados logo na primeira missão, sendo usados apenas como armas e não como UAVs.

Os primeiros mísseis de cruzeiro da história foram as bombas voadoras V-1 alemãs, dotadas de orientação giroscópica e propulsão a jato. Era impreciso e seu efeito militar foi muito pequeno, tendo sido mais eficiente por seu efeito psicológico.



Sua constituição é formada por fuselagem, sistema de orientação, carga útil, e sistema de propulsão. Pequenas asas e empenagem provém sustentação e controle de voo. A ogiva pode ser convencional ou nuclear, podendo carregar submunições ou outra que se deseje. São impulsionados por propulsão a jato tipo turbofan ou ramjet, dependendo da velocidade projetada.



São orientados por alguns sistemas diferentes conforme o projeto, como os sistemas inerciais baseados em giroscópios, o sistema GLONASS/GPS baseado em sistemas de satélites e o Sistema Tercom que compara o terreno através de imagens-radar com dados 3D do mesmo terreno previamente armazenados em sua memória. Este sistema carece de reconhecimento prévio por satélite. Outras formas de direcionamento podem ser integradas como imageadores térmicos para guiagem terminal contra alvos em movimento.Podem ser lançados de bombardeiros, veículos terrestres, navios e submarinos, e são uma das armas mais eficazes para bombardeio estratégico da atualidade, pois reúnem potencia de fogo (ogivas de 300 a 500 kg de HE) a precisão apurada, podendo atingir alvos em movimento do tamanho de um caminhão.


Os modelos mais famosos são o Tomahawk norte-americano, que alcança até 2.500 km a velocidade subsônica, transportando uma ogiva de 450 kg de HE ou uma nuclear de até 200 kt; e o Kh-55 russo com desempenho similar. Um desenvolvimento recente é o modelo supersônico russo-indiano Brahmos que alcança 290 km a velocidades de Mach 2.8 transportando 300 kg de HE, que tem despertado o interesse internacional.




Mísseis de Cruzeiro - Modelos

  • Hipersônicos
    • BrahMos (Índia/Rússia)
  • Supersônicos
    •  BrahMos (Índia/Rússia)
    •  C-101 (China)
    •  C-301 (China)
    •  C-803 (China)
    •  C-805 (China)
    •  KD-88 (China)
    •  P-800 Oniks  (Rússia)
    •  Kh-31 (Rússia)
    •  3M-54 Klub  (Rússia)
    •  Air-Sol Moyenne Portée (França)
    •  P-500 Bazalt  (Rússia)
    •  P-700 Granit  (Rússia)
    •  P-270 Moskit  (Rússia)
    •  YJ-91 (China)
  • Subsônicos de longo alcance
    •  AGM-86 ALCM (EUA)
    •  AGM-129 ACM (EUA)
    •  BGM-109 Tomahawk (EUA/Grã-Bretanha)
    •  Nirbhay (Índia)
    •  CJ-10 (China)
    •  DH-10 (China)
    •  Hyunmoo III (Coréia do Sul)
    •  Kh-55 (Rússia)
  • Subsônicos de médio alcance
    •  AGM-158 JASSM (EUA)
    •  Babur (Paquistão)
    •  KD-63 (China)
    •  Raad ALCM (Paquistão)
    •  SOM (Turquia)
    •  Storm Shadow (França/Grã-Bretanha/Itália)
    •  Taurus KEPD 350 (Alemanha/Suécia)
  • Subsônicos de curto alcance
    •  C-801 (China)
    •  C-802 (China)
    •  C-602 (China)
    •  Delilah (Israel)
    •  Kh-35 (Rússia)
    •  Nasr-1 (Irã)
    •  Naval Strike Missile (Noruega)
    •  RBS-15 (Suécia)
    •  Silkworm (China)
    •  Type 80 ASM (Japão)
    •  Type 88 SSM (Japão)
    •  Type 90 SSM (Japão)
    •  Type 91 ASM (Japão)
    •  Type 93 ASM (Japão)