"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

sábado, 20 de abril de 2013

A Ameaça Aérea #



A ameaça aérea está presente em todos os teatros de operações, é extremamente poderosa e representa hoje o maior perigo que todas as forças em operação tem de enfrentar, pois podem vetorar um variado portfólio de armas de todos os tipos e atacar qualquer tipo de alvo, desde submarinos e forças terrestres até alvos estratégicos e outras aeronaves.

Define-se ameaça aérea a todo vetor aeroespacial cuja finalidade é alvejar objetivos militares, sejam eles terrestres, marítimos de superfície e submarinos, e outros meios aéreos. Pode ser materializada tanto por aeronaves de caça e ataque, de patrulha marítima, helicópteros militares, aeronaves sem piloto, mísseis de cruzeiro e balísticos, satélites e outros. Estes vetores podem atuar ativamente através da liberação de seus petardos destrutivos, como passivamente buscando informações por exemplo.




Já na Primeira Guerra Mundial, praticamente no mesmo período do surgimento do avião, a ameaça aérea passou a integrar a lista de preocupações dos militares. A Segunda Guerra Mundial marcou sua maturidade e testemunhou seu emprego maciço em todas as frentes como na campanha do pacífico, nos bombardeios aliados levados ao interior do território alemão, bem como nas outras frentes de combate. Neste conflito também tivemos a estréia dos primeiros mísseis de cruzeiro representados pelas bombas V-1 e os primeiros balísticos representados pelas V-2, ambas sobre Londres. Na Guerra da Coréia apareceram os primeiros helicópteros e aeronave a jato foram empregadas em maior número. A Guerra do Vietnam marcou o uso intensivo do helicóptero e tal qual a Segunda Guerra Mundial fez uso intensivo dos bombardeiros estratégicos. Também nesta grande guerra se deram os primeiros e únicos bombardeios nucleares até o momento, quando o Japão foi alvo de duas bombas sobre Hiroshima e Nagasaki.




Nas guerras contra o Iraque se fez uso intensivo de mísseis de cruzeiro e balísticos, lançados de submarinos, naves de superfície e lançadores terrestres, bem como de aeronaves de bombardeio estratégico com características "Stealth". Neste período a tecnologia atingiu níveis consideráveis, permitindo precisão de lançamento nunca antes alcançada, tornando os vetores aéreos ainda mais letais e perigosos.

Devido ao perigo que representam, é muito importante que as características dos vetores aéreos presentes em um ambiente operacional sejam minuciosamente estudados, bem como suas táticas de combate e técnicas de emprego, seu armamento, através de cuidadosas análises de inteligência para que a ameaça que representam seja devidamente prevenida e enfrentada com sucesso.

O espectro de atuação de cada meio aéreo potencialmente hostil deve ser bem conhecido por quem se propõem enfrentá-los. Cada vetor aéreo opera em uma faixa do espaço aéreo bem definida, e as armas que vão enfrentá-lo devem ser capazes de atuam com eficiência dentro deste envelope.




Altitudes Orbitais

A faixa mais alta do espaço aéreo é aquela geralmente utilizada pelos satélites que orbitam o planeta e cumpre várias aplicações militares importantes. Situa-se na altitude de 1.000 km ou mais, região onde a atmosfera praticamente inexiste e aqueles que lá orbitam sustentam-se por força centrífuga, não necessitando de asas ou configurações aerodinâmicas, descrevendo velocidade muito altas (27.000 km/h por exemplo para a estação espacial internacional), diminuindo a medida que a altitude aumenta. Esta região já é considerada trans-atmosférica ou espacial, e na atualidade estão sendo feitas pesquisas para a viabilização de veículos, principalmente transportes, que operem neste ambiente que permite um deslocamento muito rápido a qualquer parte do planeta em cerca de 2 horas de voo. Além dos satélites operam nesta faixa os mísseis balísticos, já na forma de suas ogivas.



A interceptação nesta faixa do espaço aéreo é muito difícil, devido a grande altitude e velocidades desenvolvidas, e requer sistemas de armas na forma de mísseis hipersônicos de altíssimo nível tecnológico para ter alguma chance de sucesso. Como exemplo deste tipo de arma temos o míssil Thaad norte-americano que desenvolve velocidades de 10.000 km/h em seu impulso inicial, e de 24.000 km/h a 36.000 km/h em ambiente exoatmosférico, e alcança até  cerca de 250 km de altitude e destina-se a interceptação de mísseis balísticos por impacto cinético, sem o uso de explosivos, em altitudes relativamente baixas, sendo insuficiente para a interceptação de satélites.

Os satélites orbitam em faixas variadas, sendo os modelos destinados a comunicações aqueles que estão no limite superior das órbitas artificiais terrestres. Descrevem suas trajetórias a cerca de 36.000 km de altitude na chamada órbita geoestacionária, pois para um observador terrestre ele está parado no espaço. Sua órbita acompanha o movimento de rotação da terra, e permite as antenas na superfície estarem constantemente apontadas para ele, sem necessidade de movimentar-se. Destinam-se a retransmissão de telefonia, sinais de TV e todo o tipo de comunicação a grandes distâncias. São largamente difundidos para uso civil e militar.

Os satélites meteorológicos orbitam ou em órbita geoestacionária tal qual os de comunicações, ou em órbita polar, em altitudes muito mais baixas. Dados meteorológicos podem ser obtidos atualmente pelo simples acesso a internet, porém para informações de grande precisão ainda se fazem necessário aos militares o acesso a estes satélites, principalmente para o planejamento de operações aéreas.



Os satélites de sensoreamento são aqueles que representam a maior ameaça em tempos de conflito, pois são eles que realizam a coleta de informações sobre o inimigo através da fotografia, monitoramento de sinais de comunicação, mapeamento de terreno, detecção de radiação e outros. Utilizam-se de sensores óticos, infravermelhos, radares de diversos tipos e outros. Poucos países os possuem, porém existem modelos comerciais que vendem seus dados a quem os desejar. O Brasil possui em parceria com a China o modelo CBERS.

Os satélites de navegação giram em órbita média, como os do sistemas GPS a cerca de 20.000 km de altitude, e permitem orientação a navegação de todos os tipos de veículos, para uso civil e militar. Este sistema permite grande precisão na navegação, permitindo que vetores aeroespaciais desloquem-se a grandes distâncias com altíssimo grau de precisão, mesmo com mau tempo.




Grande Altura

A faixa que vai desde os 15 km até os limites da atmosfera denomina-se de grande altura. Nesta faixa podem atuam aeronaves como os modelos U-2 e SR-71 norte americanos hoje suplantadas pelos satélites de sensoreamento, por exemplo, e mísseis balísticos de curto e médio alcance, muito difíceis de interceptar e que podem carregar ogivas nucleares, químicas e biológicas, além das convencionais. Pode ser utilizada para bombardeio, mas é no reconhecimento estratégico que tem sua grande utilização. Existem projetos para veículos não tripulados para atuação nesta faixa do espaço aéreo.




Média Altura

A faixa que vai desdo 3 até 15 km denomina-se de média altura e largamente utilizada pela maioria das aeronaves de asa fixa, salvo aquelas que voam baixo para se utilizar da proteção do terreno. Nesta faixa atuam as aeronaves de alerta antecipado (AEW) dotadas de potentes radares, que além de proverem alerta antecipado, atuam como centros de comando e controle e guerra eletrônica, vetorando aeronaves de ataque e interceptação e controlando o tráfego aéreo. Atuam ainda no acionamento de baterias antiaéreas informando a presença de aeronaves hostis. 




Tal qual as aeronaves AEW, atuam nesta faixa as aeronaves de alarme terrestre com radares de varredura lateral para busca de superfície. Aeronaves de superioridade aérea, de bombardeio estratégico e interdição do campo de batalha. Para atuar nestas altitudes as aeronaves de ataque e bombardeio devem possuir sistemas de pontaria precisos e/ou armas de precisão, bem como um nível de segurança proporcionado por escoltas e meios orgânicos que proporcionem riscos mínimos, pois são altamente visíveis aos sistemas de alerta do inimigo. Aeronaves de transporte se utilizam desta faixa desde os 3 aos 10 km, despendendo dos modelos empregados, e podem infiltrar forças especiais em salto livre a grandes altitudes com suporte de de respiração por aparelhos, normalmente a noite.




Baixa Altura

A faixa de baixa altura vai do solo até cerca de 3 km, e é onde se concentra a maior parte da ameaça aérea. Nesta faixa atuam os helicópteros em geral, as aeronaves de apoio aéreo aproximado, e os bombardeiros estratégicos que buscam a proteção do terreno em penetração a baixa altura com radares de seguimento do terreno. As missões de supressão de defesas antiaéreas também são realizadas nesta faixa, bem como o reconhecimento armado.




Helicópteros, tanto da aviação do exército como das outras forças são grandes usuários desta faixa. Saltos operacionais de forças aeroterrestres e de suprimento pelo ar são realizados nesta faixa, muitas vezes por aeronaves lentas de silhueta ampla, muito vulneráveis. Aeronaves de guerra eletrônica realizam suas missões nesta faixa, especialmente contra sistemas antiaéreos através de interferência eletrônica em radares e de comunicações. Veículos não tripulados estão cada vez mais presentes nos campos de batalha modernos e sua maioria atua a baixa altura. Eles transportam mísseis ar-terra e antitanque, coletam informações para artilharia e para o reconhecimento tático. São baratos, acessíveis, difíceis de ver e podem desempenhar múltiplas missões.




Outro vetor cada vez mais presente nos teatros de operações modernos são os mísseis de cruzeiro que voam rente ao terreno, tal qual uma aeronave de penetração, utilizando-se de sistemas de navegação de seguimento de terreno e GPS, e endereçado a alvos de coordenadas conhecidas, podendo ser disparados de qualquer tipo de plataforma. Podem ser abatidos por armas antiaéreas de tubo, porém são pequenos e difíceis de detectar. Sua taxa de sucesso na atualidade é de 85%. Como exemplo destes sistemas temos o Tomahawk norte-americano, e em desenvolvimento no Brasil o AV/MT-300 para 300 km.




Conclusão

Cada vez mais presente e letal, a ameaça aérea é sem dúvida nenhuma o maior perigo que uma força em combate enfrenta na atualidade, e sua ameaça deve ser prioridade no planejamento da defesa e segurança desta força. Em tempos de paz a ameaça aérea também está presente, como ficou evidente no atentado do 11 de setembro contra o Pentágono e Torres Gêmeas em Nova York, utilizando-se de voo comerciais e humilhando as defesas da nação mais poderosa do mundo. No Brasil a prevenção a ameaça aérea vem sendo negligenciada a anos e esforços neste sentido vem sendo implementados nos últimos meses para corrigir importante deficiência.



domingo, 14 de abril de 2013

Comunicações Militares #




Comunicações militares são o conjunto de meios e procedimentos que visam proporcionar aos diversos escalões e elementos presentes em um ambiente de operações, as ligações necessárias para o exercício das atividades de comando e controle, sem as quais qualquer força perde suas capacidades de coordenação em combate, ficando acéfala, inflexível e restrita a seguir os planos previamente estabelecidos sem quaisquer adaptações.

Operações militares são atividades complexas e de alto risco, envolvendo interesses grandes e sensíveis, que exigem grande capacidade de planejamento, comando, controle e coordenação. Estas atividades exigem operações combinadas de forças aéreas, terrestres, navais, agências civis e de outras nacionalidades. Estas forças de natureza diversa e que respondem a cadeias de comando distintas devem agir harmonicamente, potencializando suas capacidades. Meios modernos de combate possuem grande mobilidade e se deslocam a grandes velocidades, seguindo planejamentos centralizados por comandos únicos, cuja execução deve ser descentralizada e sincronizada, seguindo decisões rápidas baseadas em informações que fluem constantemente através das diferentes cadeias de comando, fruto de uma constante e fluida reconfiguração da situação, que exigem correções de rumo e readequações nos planos originais a todo momento.

Para tanto sistemas de comunicações confiáveis de alta capacidade de tráfego são necessários, permitindo a transmissão de mensagens  em tempo real e de forma segura, pois as atividades de inteligência do inimigo estão sempre a espreita procurando saber tudo o que vai acontecer.



Os comandantes precisam saber a todo momento o que está acontecendo com o inimigo, as alterações no clima e no terreno, a situação de suas próprias forças e outros fatores que possam afetar as operações; sempre em tempo real para que possam decidir de forma efetiva alterações de conduta necessárias e que se façam efetivas e oportunas, colocando suas forças sempre expostas ao menor risco e em melhores condições de alcançar seus objetivos com o menor custo possível.

Todo sistema de comando e controle (C2) tem sua efetividade diretamente dependente da eficácia do sistema de comunicações que lhes serve, o que faz deste sistema um alvo prioritário ao assédio inimigo que busca informações através das atividades de guerra eletrônica. A guerra eletrônica, através das medidas de apoio eletrônico (MAE/ESM) buscam interceptar, monitorar registrar, localizar e analisar os sistemas de comunicações amigos; assim como nos momentos que julgam adequados, através das contra-medidas eletrônicas (CME/ECM) interferir e induzir ao erro as operações de nossos sistemas, e em algumas situações destruí-los fisicamente. Dificultar as atividades de comando e controle e mesmo neutralizá-las, faz parte constante dos interesses do inimigo e sua capacidade de empreender tais ações devem ser sempre considerada e prevenida.

As comunicações militares devem ser capazes de operar em tempo integral sob pena de interrupção nas operações por falta de ligação de comando. Ligações do todo o tipo podem ser necessárias, como as terra-ar a fim permitir que aeronaves apoiem as tropas em terra, ligações entre a tropa apoiada e os meios de apoio de fogo permitem sua coordenação e efetividade,  ligações entre as tropas em geral e os meios de apoio logístico permitem o suporte em tempo real, correções de rumo e alterações de ordens são possíveis graças a ligação entre comandantes e as tropas em manobra, satélites permitem a ligação a grandes distâncias ao nível global bem como contribuem para o sigilos de ligações locais, meios computacionais e criptografia digital contribuem para a precisão e agilidade das ligações bem como para a segurança.



Estes sistemas devem permitir que as ligações sejam rápidas sem tempos de espera, pois assim é a guerra moderna que não admite intervalos, que podem fazer a diferença entre a vida e a morte. Rapidez tanto na transmissão quanto no desdobramento devem ser buscadas. As ligações devem alcançar a tropa o lado, a tropa em apoio, a tropa na retaguarda e a tropas em bases distantes e no país de origem, as forças no ar e no mar, situação que requer grande amplitude nas ligações e diversidade de meios empregados.

Sistemas de comunicações não são um monobloco e devem ser flexíveis o suficiente para que possam ser integrados a outros sistemas aliados. Assim uma unidade estabelece o seu, que se liga ao do escalão superior, que se liga ao de outras forças, que se liga também em todos os níveis os de outras nacionalidades operando em conjunto, que se liga a bases recuadas muitas vezes a milhares de quilômetros de distância. Estes sistemas utilizam-se de equipamentos de procedência diversas e protocolos diferentes que devem ser capazes de se comunicar entre si, fator que deve ser previsto em qualquer operação.

As comunicações devem ser mantidas a qualquer custo pois delas dependem a continuidade das operações. Devem ser desdobradas em profundidade e ter seu espectro de linhas e frequências bem definidos e planejados de forma a evitar interferências e ligações desnecessárias. Estes sistemas devem ser confiáveis e sempre que possíveis redundantes, de forma a diminuir sua vulnerabilidade a interrupção.

Os meios de comunicações devem seguir um planejamento centralizado e operar de forma integrada de forma a potencializar sua efetividade, reduzindo suas vulnerabilidades . A  capacidade operativa de um sistema integrado é maior que a soma das capacidades de cada sistema operando isoladamente. Quanto menor forem as distâncias, mais eficientes tendem a ser as ligações. Postos de retransmissão  e outros intermediários devem ser evitados sempre que possível.




As comunicações devem ser seguras, pois o inimigo sempre estará vigilante procurando interferir passiva ou ativamente nelas. Equipamento adequado, mensagens criptografadas, disciplina na operação, utilização de senhas e mensagem cifrada, entre outra práticas devem ser buscadas, sempre seguindo a um plano geral de exploração.

O desdobramento dos sistemas de comunicações devem seguir ás prioridades de ligação e ser expandidos paulatinamente a medidas que o tempo permita. Sistemas prioritários devem ser desdobrados antes de sistemas auxiliares ou de prioridade mais baixa. Economia de meios e simplicidade devem ser buscados sempre.



Guerra Centrada em Redes (NCW)

A guerra centrada em redes é a última palavra em sistemas de comunicações militares. Ela prevê que todos os atores presentes em um teatro de operações estejam constantemente ligados, por meios cibernéticos de forma a proporcionar a todos, comando a tropa uma consciência situacional constante e em tempo real.

A seguir descrevemos um sistema simplificado que visa a ilustrar o conceito:

Todos os atores em operação carregam consigo um microcomputador dotado de ligação wi-fi com seu comandante imediato. Cada um desses atores carrega ainda consigo um localizador GPS, câmeras de vídeo e outros sistemas como microfones ou detectores de radiação, por exemplo. Um soldado da infantaria teria uma câmera acoplada ao seu fuzil, de forma que o comandante do pelotão poderia, através da ligação wi-fi, visualizar todas sobre seu controle, bem como sua localização exata proporcionada pelo GPS dos operadores.

Este comandante de pelotão seria capaz de visualizar além das câmeras, um mapa dinâmico mostrando cada um dos integrantes de seu pelotão sobreposto a um mapa do terreno, além de informações adicionais sobre o terreno em questão, fornecidas por um computador central que fossem pertinentes a situação atual. Isto lhe permitiria tomar decisões em tempo real sobre a situação. Cada um dos soldados poderia inserir no sistema informações adicionais que viesse a visualizar, como posições de metralhadoras, mísseis anticarro e outras com que se deparasse. Esta informações apareceriam instantaneamente no terminal do comandante de pelotão e nos escalões superiores se estes assim o desejassem.



Cada comandante superior teriam acesso a todas as informações que seus subordinados tivessem desde um quadro geral da situação como as imagens da câmera de um soldado em particular, e assim sucessivamente. A medidas que os escalões subissem de nível sistemas computacionais agregariam estas informações de forma inteligível de forma a não sobrecarregar os terminais dos comandantes de batalhão, brigada, etc...

Aeronaves de apoio aproximado saberiam exatamente onde está a tropa amiga em tempo real, seus pares e o inimigo, posição esta fornecida por radares em terra e pelos radares de outras aeronaves. Baterias de artilharia teriam sua posição plotada em suas pranchetas eletrônicas instantaneamente, bem como a de seus alvos,  podendo fazer fogo instantaneamente mesmo em movimento ou imediatamente após este cessar, pois suas soluções de tiro seriam recalculadas a todo momento, podendo inclusive cada peça operar independentemente ou em conjunto coma bateria.

Comandantes de companhia teriam em seus postos de comandos terminais com mapa dinâmicos mostrando os movimentos de seus comandados em tempo real, as informações que estes inserissem no sistema e aquelas previamente conhecidas, tudo integrado.



Aviação do exército, aviação de apoio aproximado da força aérea, forças navais, forças de intercepctadores aéreos e sistemas de AEW, forças de infantaria e cavalaria, sistemas logísticos e de retaguarda, tropas de engenharia e postos de comando, todos teriam suas posições e capacidade constantemente processadas por um sistema central e sistemas menores e redundantes, de forma que cada informação esteja disponível a quem estiver autorizado a acessá-la.

Assim, por exemplo, cada fuzil pode contar quantos disparos fez e informar ao sistema, de forma que as redes de suprimento podem estimar qual tropa precisa de reabastecimento de munição a cada momento.

As possibilidades de sistemas como o explicitado acima de forma genérica é claro, são incontáveis e as possibilidade de comando e controle decorrentes de tal fluxo de informações, trazem ao campo de batalha uma nova perspectiva na gestão operacional e administrativa do combate moderno. 


sábado, 13 de abril de 2013

Guerra Assimétrica #




Gen Ex CARLOS ALBERTO PINTO SILVA
EXÉRCITO BRASILEIRO


Guerra Assimétrica não é somente a guerra do fraco contra o forte: é a introdução de um elemento de ruptura, tecnológico, estratégico ou tático, um elemento que muda a ideia preconcebida; é a utilização de um ponto fraco do adversário. 

Não existe, pois, conflito armado assimétrico somente pela desigualdade entre os adversários, senão quando os adversários adotam formas de combate diferentes em sua concepção e desenvolvimento. Em termos operacionais, então, a assimetria(entendida como desbalanceamento) “deriva-se de uma força empregando novas capacidades, que o oponente não percebe, nem compreende, nem espera: capacidades convencionais que sobrepujam as do adversário ou que representam novos métodos de ataque e defesa”. 

É a guerra da infantaria realmente leve, que possa se mover para mais longe e mais rapidamente por terra que o inimigo, que tenha um repertório tático completo (não apenas manter o contato e solicitar apoio de fogo), que possa lutar com suas próprias armas (ao invés de depender de armas de apoio) e que se mantenha com o mínimo de apoio logístico. 

A convicção moral e a eficiência militar convencional sozinhas não nos permitirão compreender e combater a ameaça que ataca a sociedade e as suas estruturas operacionais. Portanto, é essencial uma definição diferente de nível de adestramento e unidades com pessoal treinado e equipado para adaptação a novas tarefas operacionais inopinadas.

Derrotar estas novas ameaças exige a adequação de nossos sistemas decisórios para operações e a reorganização de nossas estruturas para as necessidades da Inteligência (obtenção e consolidação). Requer equipes híbridas de pensadores, cientistas e profissionais militares escolhidos, trabalhando juntos sob pressão. Depende de combinar a atuação das diversas agências de inteligência, com acesso ao ambiente operacional, considerando isto como assunto de interesse nacional.



REFLEXÕES SOBRE O EMPREGO DA FORÇA TERRESTRE NA GUERRA ASSIMÉTRICA . 

  1. Não existe inimigo emassado, contra o qual possamos aplicar todo o poder de combate que a FTer pode dispor. A FTer não poderá ser empregada para romper um inexistente desdobramento inimigo, destruir ou neutralizar forças inimigas e dominar um terreno chave, materializando objetivos em um determinado espaço geográfico. 
  2. O emprego do fogo em massa, ou a ação contundente, rápida e profunda das formações blindadas perdem protagonismo. 
  3. A atuação da FTer será fundamental na luta contra um inimigo que empregue o procedimento do tipo guerrilha, contudo contra a subversão e o terrorismo seu papel haverá de ser de apoio às atividades das Forças de Segurança Pública. 
  4. Devemos considerar a possibilidade de que a FTer, além de ter as capacidades militares clássicas, deve adquirir outras, mais “civis”, que a permita adaptar-se à conjuntura da Guerra de Quarta Geração ou Assimétrica. 
  5. Na conjuntura da Guerra de Quarta Geração ou Assimétrica, trata-se de resolver situações sociais e culturais complexas em um ambiente hostil, as quais requerem uma preparação e métodos de execução diferentes dos que tradicionalmente têm sido empregados. 
  6. Combate e Manobra: Isolar o inimigo eletronicamente e fisicamente. - Realizar patrulhas, infiltrações, emboscadas, cercos etc. - Máximo protagonismo de armas inteligentes de precisão. 
  7. Defesa Aérea:   A utilização pelos terroristas de aeronaves (e mísseis) que explodem contra um objetivo de alto valor psicológico, nos leva à necessidade de estabelecer normas para Defesa Aérea que estabeleçam as formas de localização, acompanhamento, controle e, se for o caso, derrubada dessas armas. 
  8. Apoio de Fogo:   No combate assimétrico, as ações de fogo haverão de ser: de precisão, seletivas, e, fundamentalmente, efetuadas de plataformas aéreas, tripuladas ou não, utilizando projéteis guiados.
  9. Inteligência de Combate:   Potencializar todos os órgãos de informações, tanto civis como militares, com maior protagonismo da contra-inteligência, inteligência cultural e atividades de obtenção através de fontes humanas e de sinais.
  10. Comunicações:  Com três componentes: Comando e Controle, Informações Públicas e Operações Psicológicas. Guerra Eletrônica Segurança das Comunicações e Dissimulação 
  11. Mobilidade, contramobilidade e proteção:   As atividades associadas à mobilidade, contramobilidade e proteção têm escassas possibilidades de emprego no conflito assimétrico. Assim, as ações se concentram, fundamentalmente, no flanqueamento de obstáculos, constituídos por massas de minas em pontos de passagem obrigatórios e em zonas semeadas por armadilhas explosivas, e no desbloqueio de ruas, pontes, túneis, etc. O trabalho da FTer não será normalmente em apoio a sua própria manobra, senão em benefício da população civil mediante a construção e reconstrução da infra-estrutura danificada ou destruída pela ação do inimigo. 




CONCLUSÃO

O Exército deverá antecipar os prováveis conflitos do milênio, por meio de análise de trabalhos publicados e de estudos prospectivos. Em função desses prováveis conflitos – tipologia e características – serão estabelecidas e desenvolvidas as doutrinas e as tecnologias pertinentes.

A preparação para a defesa da soberania deve receber a mais alta prioridade, mesmo que, dentro das hipóteses consideradas, seja estimada como remota, pois a eficiência alcançada é a base para o desenvolvimento de qualquer outra preparação específica. 

As missões de combate, tal como estão concebidas, não garantem o êxito das operações em um conflito assimétrico. Conflitos assimétricos passarão a ser a norma e não a exceção. 

Na Guerra de Quarta Geração, o Estado perde o monopólio sobre a guerra. Em todo o mundo os militares se encontram combatendo oponentes não estatais. Quase em toda a parte o Estado está perdendo. 

A Guerra de Quarta Geração ou Assimétrica representa duas vertentes importantes: como protagonistas, desenvolvendo essa Guerra (Força de Resistência) ou como uma Força Convencional, combatendo uma Força que empregue este tipo de ação militar. 

Para estas duas opções se faz necessária a devida preparação, aí incluída a Doutrina que orientará para o preparo e o emprego de nossas Forças. Tem-se ainda que pensar na adaptação desses conceitos para a realidade de cada força. 

Pode-se analisar sob este prisma ações possíveis em áreas internas de cada país, onde, seja pela forma de operar ou pelos meios de combate utilizados, as Forças de Segurança Pública não tenham capacidade de vencer. Ou, ainda, as Operações de Paz, onde o Brasil por seus objetivos de Política Externa está cada vez mais envolvido e comprometido, gerando, para o campo militar, possibilidades de emprego em ambientes operacionais desconhecidos e de enfrentamento com inimigos dos quais não tem nenhuma informação antecipada. 

“As forças lutam como são adestradas". A doutrina deve preparar as forças singulares com uma atitude pronta para lidar eficaz e rapidamente com a incerteza. Deve possuir um conceito operacional que inclua mais do que a guerra convencional. 

As doutrinas dos Exércitos deve tratar a assimetria como uma via de dois sentidos. A assimetria nada mais é do que mudar o nível de incerteza, ou de surpresa, para um novo nível que envolve estilos, meios e até fins.

Todos os conflitos assimétricos exibem uma grande disparidade de vontade. Toda a força militar competente se adapta. A adaptação é crítica para o êxito militar, uma vez que a guerra, assimétrica ou não, trata com a incerteza. 

Fazer mudanças em técnicas e procedimentos para que sejam eficazes em toda a força exige experimentação, treinamento e disseminação. Essas ações são partes da natureza adaptável do combate. Não devemos reescrever a Doutrina dos Exércitos, apenas adaptar suas Forças para executarem a doutrina de novas maneiras.


domingo, 24 de março de 2013

A Manobra Estratégico-Operacional #



Manobra estratégico-operacional é a fase das operações onde as forças que estão prestes a entrar em combate, colocam-se em posição de vantagem em relação ao inimigo, ficando em condições de dar início ao engajamento. 

Nesta fase faz-se a alocação dos meios operacionais e logísticos para o início do contato em posição de vantagem. Entre outras, inicia-se o endereçamento de fogos de preparação pela aviação de apoio e pela artilharia, altera-se o dispositivo das forças de forma adquirir a formação mais adequada ao engajamento sempre procurando surpreender o inimigo, dá-se início às manobras diversionárias a fim de confundi-lo e dividir suas forças, aloca-se suprimentos nos locais onde serão necessários, iniciam-se as ações de guerra psicológica e eletrônica, etc...

Uma batalha se vence com um plano eficaz e bem delineado, fruto de um planejamento cuidadoso e detalhado, seguido de uma execução competente e fiel a este plano, admitindo-se variações consideradas pelos comandantes de campo, que valendo-se de fatores não considerados no plano inicial e que suas experiências pessoais considerem adequados, porém sempre buscando seguir as linhas gerais do plano inicial, considerando que os outros comandantes também o farão.




Busca-se durante esta fase alcançar condições que façam o inimigo a reagir ao plano em execução, procurando frustrar o seu planejamento e desequilibrar suas condições de reação, fazendo-o agir de forma descoordenada e ineficiente.

Uma manobra de combate pode ter duas conotações práticas, ou seja ela poder ter uma natureza ofensiva ou defensiva. 

A manobra ofensiva visa a busca de um objetivo que não está ainda sob o domínio das forças em ataque. Esta manobra deve buscar os pontos mais vulneráveis do inimigo através de ações frontais que visam fixar o inimigo em uma determinada direção, efetuar ações de flanco em seus pontos mais fracos propiciando a penetração em seu dispositivo, podendo ainda acontecer o engajamento pela retaguarda de sua frente principal. Busca-se também o isolamento da área de operações por forças como as aeromóveis, por exemplo, em pontos de estrangulamento, a fim de impedir que retraia ou receba reforços. Deve-se procurar engessar sua capacidade de manobra, restringindo sua mobilidade com bloqueios bem alocados, a divisão e isolamento de suas forças sempre que possível

O assédio pela artilharia e aviação de ataque de suas linhas de comunicações pode evitar a chegada de reforços e suprimentos. Ações violentas e decisivas nos pontos onde se tiver grande superioridade de forças buscando sua captura ou destruição, etc...




A dosagem de cada uma das ações citadas dependerá da situação e será ditada pelo plano de operações. Tropas em fuga ou retirada devem ser contidas sempre que possível, pois poderão ser reorganizadas e voltarem ao combate posteriormente, formando novas linhas defensivas. O engajamento direto com forças superiores deve ser evitado, e se este for iminente, deve-se sempre lançar mão de formas de redução do poderio inimigo, como o assédio de artilharia, escolha de locais que proporcionem vantagem às forças amigas, desdobramento de obstáculos pela engenharia, etc... Forças superiores cobram um alto preço em tempo e baixas, e devem ser tratadas com inteligência e estratégias adequadas.

A manobra defensiva visa a manutenção de áreas ou regiões que não podem ser cedidas por sua importância estratégica. Consiste no desdobramento de um dispositivo flexível constituído de obstáculos fixos e móveis, convenientemente cobertos e aproveitando-se ao máximo das facilidades oferecidas pelo terreno como rios e elevações. Deve ser organizada em profundidade, visando enfraquecer o assédio inimigo de forma gradual e constante a um custo mínimo, sempre utilizando-se de um caráter ofensivo com ações de iniciativa, visando enfraquecer os atacantes através da surpresa e da violência, valendo-se sempre que possível de contra-ataques e evitando o envolvimento em engajamentos de desgaste.

Uma defesa eficaz procura canalizar o ímpeto dos atacantes por eixos previamente definidos, procurando colocá-los diante de obstáculos e direcionando sua manobra, valendo-se das características do terreno, trocando-se espaço por tempo e lançando ações decisivas nos locais e momentos mais adequados.




A manobra, tanto a ofensiva como a defensiva, podem ser divididas em fases e o objetivo final pode ser desdobrado em objetivos menores definindo-se claramente fatores como as necessidades e possibilidades logísticas, a profundidade da operação, o tempo disponível e o necessário, as características da região de operações, e outros aspectos estratégico-tático-operacionais relevantes.

A batalha, que pode ser única ou não é o desfecho tático da manobra estratégico-operacional e consiste no choque violento de forças, valendo-se das vantagens viabilizadas pelas manobras preparatórias. Sua duração é variável e sua decisão se dá pela quebra da capacidade de combate de um dos lados. Deve-se sempre buscar batalhas rápidas e em condições de superioridade tática, evitando-se o desgaste desnecessário.

Deve-se ter sempre em mente que, na guerra, quem toma a iniciativa segue seu plano de operações e tem a surpresa do seu lado, e quem reage a iniciativa segue o plano de operações do inimigo. Deve-se sempre buscar a ação, pois a reação pode se dar em bases não planejadas e resultar em desfechos indesejáveis.




domingo, 17 de março de 2013

Forças Navais #



O mar tem importância significativa na vida das nações. Desde a antiguidade ele é usado como a principal meio de ligação e comércio entre as elas. Dele se extrai componente importante a alimentação dos povos, através da atividade pesqueira, assim como outros recursos biológicos. Do mar também são extraídos outros recursos como o petróleo e o gás natural, vital na vida moderna e fonte de riqueza para muitos países com economia pouco ou muito diversificada.

Apesar do desenvolvimento da aviação em todos os níveis, o mar continua sendo responsável pela grande tonelagem do comércio transportada através do mundo. A simples hipótese de paralisação das atividades marítimas pela vontade imposta por outras nações, paralisaria de forma catastrófica a vida interna da maioria das nações do mundo. Toda essa atividade reflete também na atividade das pessoas contribuindo na geração de empregos. O Fato da maior parte da população mundial estar alocada a menos de 100 km do litoral é um dado significativo e traduz a influência que o mar exerce na vida da humanidade.

Cabe a cada nação a proteção de seus interesses neste meio, através da posse de meios e sistemas efetivos de vigilância e intervenção, pois as fronteiras marítimas são traçadas apenas em cartas náuticas e tratados internacionais, não se mostrando fisicamente na superfície sempre igual da vastidão marítima que cobre a maior parte do globo terrestre. É da natureza humana buscar seus interesses, muitas vezes em detrimento do direito dos outros, e a presença efetiva de meios navais efetivos e respeitados é que fazem valer a manutenção destas fronteiras de papel, bem como a garantia do livre deslocamento através de águas internacionais pelo mundo todo dos vetores marítimos do comércio internacional.




Para esta grandiosa e complexa missão se faz necessário a constituição de forças navais poderosas e balanceadas, de forma a fazer frente às diferentes ameaças que possam a se configurar. Uma nação pode ter sua atividade marítima assediada por ameaças de características muito diversas que vão desde piratas atuando em águas localizadas, até forças navais hostis de portes diferenciados procurando obter dividendos políticos ou mesmo ameaçando diretamente a sua integridade territorial.

É através do poder naval que uma nação faz valer seus interesses no mar, e este tem que ser efetivo e não apenas de vitrine, podendo atuar em áreas extensas e por períodos de tempo prolongados, adotando posturas tanto defensivas como ofensivas, impondo ao oponente um grau de risco e credibilidade significativo, que force a este mante-se resguardado em sua integridade física, sabendo que a ameaça que oferece pode ser contrabalançada por outra que pode inflingir-lhe custos consideráveis. A esquadra britânica demonstrou tal capacidade em 1982, quando viabilizou a retomada de seu arquipélago austral das Falklands/Malvinas a grande distância de seu território, tarefa que exigiu seu emprego no limite de suas possibilidades, fazendo a esquadra argentina recolher-se as suas bases diante da ameaça submarina.




Uma esquadra moderna deve possuir características de mobilidade, permanência, versatilidade e flexibilidade. A mobilidade significa a capacidade de deslocar-se por grandes distâncias em condições de responder a qualquer ameaça prontamente durante este deslocamento. A permanência implica na capacidade de operar por períodos longos e em grande áreas de locais distantes, de forma independente e continuada. A versatilidade é a capacidade de aplicar seu poder na medida da ameaça de forma a cumprir sua missão sem desperdício de meios nem causar efeitos desnecessários. A flexibilidade é a capacidade de organizar grupos operacionais adequados a cada missão.

Para alcançar esta operacionalidade desejada, uma esquadra moderna deve ser devidamente balanceada com meios diversos que possam ser combinados a fim cumprirem da forma mais efetiva as tarefa que lhes forem designadas. Navios-patrulha, fragatas e destróieres, helicópteros de diversos tamanhos, submarinos de tipos diversos, porta-aviões, aviação de patrulha, aviação de caça e bombardeio, mísseis e torpedos de variados tipos, sistemas eletrônicos variados, infantaria de marinha, navios mineiros, aeronaves de pilotagem remota, navios logísticos de todos os tipos, navios de guerra anfíbia, e outros meios de menor importância são os recursos de que as diversas marinhas lançam mão para cumprirem sua missão.

Um navio de superfície pode se posicionar em uma área conflituosa para se antepor a uma força inimiga, fazer disparos de advertência e sobrevoar seus objetivos com seus meios aéreos orgânicos. Os submarinos permanecem ocultos para disparar mísseis e torpedos, e a simples suspeita de sua presença, mesmo que não esteja lá, faz a força inimiga empenhar-se em um grande esforço para resguardar-se dessa ameaça. Porém são armas que partem diretamente para o conflito, cabendo as naves de superfície graduar o uso da força.




Uma força naval deve ser capaz de projetar seu poder sobre terra, através do bombardeio partindo do mar ou da projeção de tropas diretamente sobre o território, sejam pequenas frações cumprindo missões puntuais, sejam grandes efetivos consolidando uma cabeça de praia. Porém aproximar-se da costa é muito perigoso, pois fica-se sujeito a aviação de ataque baseada em terra e a artilharia de costa, o que faz com que as esquadras possuam capacidade de projeção a grande distâncias, sejam de seus sensores, sejam de seus meios aéreos e de desembarque. Devem ter capacidade ainda, uma vez que a cabeça-de-praia esteja segura, de aportar seus navios anfíbios diretamente junto a praia a fim de desembarcar seus recursos logísticos e o grosso de suas tropas.




Forças anfíbias, de transporte e de porta-aviões são vulneráveis e devem ser escoltadas por fragatas e destróieres, provendo-lhes segurança antisubmarino, antisuperfície e antiaérea, conferindo a estes um grau de segurança operativa aceitável. Submarinos podem navegar a frente destas forças para antecipar a presença de outros submarinos e navios inimigos. Aeronaves de patrulha e de alerta aéreo antecipado, baseadas em porta-aviões e se possível em bases terrestres podem prover o alerta de grandes distâncias localizando o inimigo antecipadamente.

Navios patrulha são meios mal armados e servem para manter a presença em águas jurisdicionais, sendo seu armamento apenas de autodefesa, não podendo engajar-se em combate com unidades mais poderosas. Alguns navios menores podem atuar contra meios mais poderosos se equipados com mísseis antinavio. Navios mercantes, vitais a manutenção da atividade econômica das nações devem ser escoltadas por navios de superfícies, quando navegando em áreas de ameaça.

Forças costeiras são efetivas na defesa de litoral, sendo lanchas rápidas e caças baseados em terra com mísseis um fator a se considerar. navios mineiros capazes de liberar áreas restritas infestadas com minas ou mesmo minar áreas para restringir os movimentos do inimigo valiosos nesta situações, principalmente liberando a saída de portos e canais e criando corredores seguros para desembarques anfíbios.

Cabe ao poder naval induzir a realização de atividades favoráveis pelos outros atores do teatro de operações marítimo, e dissuadir as desfavoráveis e aplicar seu poder quando for necessário, de forma balanceada ás ameaças que se apresentem.




A crise precede a guerra e muitas vezes decidem o conflito sem que um único tiro seja disparado. Posicionar uma força naval com credibilidade em águas internacionais próximas ao país alvo pode induzir a uma solução negociada sem inflingir o direito internacional. A manobra de crise serve para dizer ao oponente o que se pretende fazer, e preparar as forças para um eventual envolvimento direto, nesse momento os meios navais ganham preponderância. Neste momento o submarino permanece submerso, em posição incerta, pronto para disparar, se necessário.

As quatro tarefas básicas do poder naval são: o controle de áreas marítimas, a negação do uso do mar ao inimigo, a projeção de poder sobre terra e a dissuasão a agressão.

Controlar áreas marítimas é uma tarefa clássica da aviação naval onde a patrulha constante permite a força naval saber tudo o que acontece nas áreas controladas e desloque os meios de superfície e submarinos para onde forem necessários. Este controle permite a manutenção das zonas econômicas exclusivas livre de atividades não autorizadas, a manutenção da segurança da navegação nesta áreas mantendo livres as comunicações marítimas, o alerta contra forças navais que ameacem a integridade do território que se deseja proteger, o combate a pirataria, o provimento de áreas seguras para lançar operações anfíbias e outras tarefas menores.




Como o mar é monótono e não tem acidente capitais, ele também não admite frentes de combate ou fronteiras precisas, tornando difícil seu controle absoluto, o que só pode ser conseguido por breves períodos e em pequenas áreas. Controlar uma área marítima junto ao território que se deseja proteger é o mais eficaz meio de defender este território, pois se o inimigo não desembarcar não será necessário o empenho de forças terrestres para contê-lo.

A negação do uso do mar se dá em tempos de guerra e visa colocar obstáculos tático-operacionais a forças navais inimigas, impedindo que estas controlem uma área marítima. É empregada contra forças superiores quando não se pode estabelecer o controle da área marítima. Esta caracterização por buscar o assédio e a destruição dos meios inimigos e de seu bem como de suas linhas de comunicações marítimas. Para tal tarefa o submarino de ataque vem a ser a arma por excelência.




A projeção de poder sobre terra é uma forma de guerra de crescente importância na atualidade e visa proporcionar a força naval a capacidade de intervir de diversas formas junto a territórios não dominados, ou ainda apoiar tropas amigas lá operando. Pode ser através de bombardeio naval, bombardeio aeronaval ou operações anfíbias. Se dá para alcançar os seguinte propósitos: reduzir o poder do inimigo através da destruição de instalações importantes, conquistar áreas estratégicas para uma campanha seja ela terrestre ou não, negar ao inimigo uma área capturada, apoiar operações em terra, proteger a vida humana ou resgatá-la, resgatar materiais de interesse.

Dissuadir a agressão é o resultado da credibilidade da força naval e visa manter a condição de paz, através da premissa de que uma aventura militar pode resultar em consequências duras e desagradáveis a qualquer um que se apresente, mesmo uma força mais poderosa. Se dá através da presença naval ou manobras de demonstração de força. O submarino nuclear é um importante meio de dissuasão e deve sempre ser empregado .

Aviação baseada em terra é eficiente na defesa do litoral, assim como uma força naval costeira de navios patrulha armados com mísseis antinavio. Porém aviação embarcada é o único meio que pode estar presente em qualquer lugar a qualquer hora, sem as limitações de alcance daquela, como por exemplo na defesa das plataformas de petróleo. Posta-aviões são alvos prioritários pela ameaça que representam e devem ser convenientemente defendidos por escoltas com capacidade antiaérea, antissuperfície e antisubmarino. Submarinos de ataque também podem participar desta defesa atuado bem a frente das frotas.




A ameaça aérea é hoje um dos maiores perigos que uma força naval enfrenta, como ficou demonstrados no conflito das Falklands/Malvinas. Contar apenas coma  aviação baseada em terra para defender uma força naval, significa condicionar sua atuação próxima as bases aéreas dotada de inteceptadores, limitando-a e suprimindo sua própria razão de ser, tirando dela uma de suas principais características que é a mobilidade. Aviação embarcada necessita de porta-aviões, alvos de alto valor ao inimigo e de construção cara, que tem que ser bem defendidos, por escoltas competentes.

Todos os meios navais não se sustentam por muito tempo se não  forem convenientemente apoiados por meios logísticos como navios-tanques e de transporte de suprimentos, navios oficina, navios de assistência hospitalar e outros meios de suporte ás operações. Também são igualmente importantes na projeção de poder sobre terra adequados meios anfíbios como os navios capazes de desembarcar carros de combate diretamente na praia e aqueles transportadores de plataformas de desembarque com docas inundáveis, bem como os imprescindíveis helicópteros navais que cumprem uma variada gama de missões e devem ser lançados de plataformas adequadas. 

Uma marinha balanceada e bem adestrada é necessária ao efetivo exercício do poder naval, possuindo meios oceânicos e costeiros, capazes de combinados cumprirem a missão do efetivo exercício do poder naval.



domingo, 10 de março de 2013

RADAR - Desenvolvimento e Emprego #





Fonte: Revista de Villegagnon 2009 e marinha do Brasil/DHN

O RADAR, do inglês, “RADIO DETECTION AND RANGING”, é um sensor que utiliza ondas eletromagnéticas para detecção de objetos a grandes distâncias. Capaz de operar independentemente da luz do dia, pode medir com precisão a posição e a velocidade de objetos no ar, no mar e em terra; detectar e monitorar tempestades e massas climáticas; prevenir colisões e prover alerta antecipado a longas distâncias, entre outras.

Tem origem antiga. A formulação matemática básica é encontrada nas Equações de Maxwell, apresentadas em 1871, que permitiram um estudo amplo e profundo dos fenômenos de propagação das ondas eletromagnéticas.

Os trabalhos de Maxwell foram confirmados por Hertz, em 1888. Em 1904, o alemão Hulsmeyer patenteava uma invenção denominada “Método para informar ao observador a presença de objetos metálicos com ondas eletromagnéticas”. Em 1922, Guglielmo Marconi apresentou um trabalho em que descrevia as possibilidades da rádio–detecção usando a reflexão das ondas eletromagnéticas.

Na década de 1930, com as ameaças de guerra, houve um acentuado impulso nas pesquisas em torno do RADAR. A Inglaterra tomou a dianteira, ultrapassando os Estados Unidos e, em 1936, produzia um RADAR com alcance de 35 milhas náuticas. Em 1938, foi instalada na costa leste da Inglaterra uma cadeia de estações–radar, destinadas a detectar aviões inimigos e orientar as aeronaves de defesa aérea. Esse recurso possibilitou a vitória na “Batalha da Inglaterra”. Em 1940, foi desenvolvida pela Universidade de Birmingham uma válvula capaz de produzir pulsos de elevada potência, trabalhando com comprimento de onda de 9 cm. Estava criada a Magnetron, que tornou possível a construção de equipamentos RADAR de pequeno tamanho, para instalação a bordo de navios e aeronaves.

Após a 2ª Guerra Mundial, o RADAR, até então de uso exclusivamente militar, passou a ser empregado em outras atividades e a ser fabricado comercialmente.



O radar pode fornecer os dados de posicionamento necessários ao desempenho de uma vasta gama de atividades que vão desde a navegação e a segurança de voo até a monitoração ou o engajamento de alvos como aeronaves, navios, viaturas, estruturas de terra, mísseis e satélites. Pode ainda ser usado no acompanhamento de tempestades e no sensoriamento remoto de grandes áreas a partir de satélites. Portanto, o radar constitui peça fundamental de vários sistemas relevantes para sociedade atual, empregado desde a defesa militar até a prevenção de acidentes em aeroportos, rodovias e hidrovias.
As principais informações fornecidas pelo radar são a distância, a direção (marcação), a altitude e a velocidade de alvos acima d’água, no ar e em terra, ou até mesmo no espaço, caso o radar seja adequado. O seu funcionamento baseia-se na reflexão das ondas eletromagnéticas nas superfícies dos objetos. Seu transmissor emite periodicamente um conjunto de ondas, denominado pulso, para a direção em que está apontada sua antena.

A antena do radar gira para que seja possível determinar a marcação do alvo, ou seja, sua direção. No instante em que a antena alinha-se com esse alvo, ela pode percebê-lo pela recepção do eco do pulso de ondas eletromagnéticas emitidas originalmente pelo radar.
Por sua vez, a distância do alvo (D) é obtida a partir da medição do período de tempo (T) que esse pulso de ondas leva para viajar até o alvo e voltar para a antena do radar, bastando aplicar a fórmula: D = T x V/2, onde D é a distância radar-alvo, T é o tempo de ida e volta do pulso e V é a velocidade das ondas eletromagnéticas.
O processo de medida da distância é praticamente instantâneo, pois essas ondas se propagam simplesmente na exorbitante velocidade da luz. Uma chave seletora dos circuitos do radar permite que a antena transmita e receba tais pulsos, bloqueando o receptor enquanto transmite e inibindo a transmissão enquanto recebe.

Os radares podem ter seu funcionamento perturbado ou mesmo impedido por meio de específicas ações de Guerra Eletrônica, denominadas Medidas de Ataque Eletrônico (MAE), executadas a partir das mais diversas plataformas como navios, aeronaves, submarinos, foguetes, mísseis, satélites, veículos terrestres e até mesmo equipamentos portáteis das tropas.



Os principais tipos de radar são:

RADAR DE BUSCA DE SUPERFÍCIE, destinado a detectar alvos de superfície e determinar com precisão suas distâncias e marcações. As ondas eletromagnéticas são emitidas na direção da superfície do mar e, por isso, o Radar de Busca de Superfície é capaz de detectar não só embarcações, mas também aeronaves voando em baixa altitude. Ademais, o Radar de Busca de Superfície pode, também, prover informações para navegação. Também pode ser usado no cenário terrestre para busca de alvos para sistemas de artilharia de campo. 

RADAR DE BUSCA AÉREA, cujas funções principais são detectar alvos aéreos e determinar suas distâncias e marcações, a longa distância, pela manutenção de uma busca de 360° em torno do emissor, até altitudes elevadas. Suas ondas eletromagnéticas são emitidas de modo a detectar alvos aéreos voando em altitudes médias e elevadas. Os Radares de Busca Aérea são de alta potência, maior do que a dos Radares de Busca de Superfície, para permitir a detecção de alvos pequenos a grandes distâncias, a fim de possibilitar alarme antecipado e garantir um tempo de reação adequado.

RADAR DE BUSCA COMBINADA, que pode comportar-se ora como sendo de busca de superfície e ora como sendo de busca aérea.

RADAR DETERMINADOR DE ALTITUDE (“THREE–COORDINATE RADAR” ou “HEIGHT–FINDING RADAR”), cuja função principal é determinar com precisão a distância, a marcação e a altitude de alvos aéreos detectados pelo Radar de Busca Aérea. Por isso, os Radares Determinadores de Altitude também são conhecidos como RADARES 3–D. Estes radares também podem ser usados pelos controladores aéreos para vetorar aeronaves da defesa aérea durante interceptação de alvos aéreos inimigos.



RADAR DE DIREÇÃO DE TIRO, cujas principais funções são a aquisição de alvos originalmente detectados e designados pelos radares de busca, e a determinação de marcações e distâncias dos referidos alvos, com elevado grau de precisão. Alguns Radares de Direção de Tiro são usados para dirigir canhões, enquanto outros são empregados para dirigir mísseis. Uma vez adquirido pelo Radar de Direção de Tiro, os movimentos do alvo passam a ser automaticamente acompanhados.

RADAR DE APROXIMAÇÃO DE AERONAVES, instalado em aeródromos para orientar o pouso de aeronaves, especialmente em condições de má visibilidade. Os Radares de Aproximação têm curto alcance e buscam apenas em um setor. São particularmente úteis para guiar o pouso de aeronaves em navios-aeródromos em condições de má visibilidade (geralmente voltado para a popa do navio-aeródromo).

RADAR DE NAVEGAÇÃO, cujas principais finalidades são a obtenção de linhas de posição (LDP) para determinação da posição do navio, na execução da navegação e a detecção e medição de distâncias e marcações para outras embarcações, a fim de evitar colisões no mar.

RADAR DE ALERTA, (RWR) sistema destinado a identificar a iluminação por radar inimigo e alerta sobre sua presença. De operação passiva é um importante meio defensivo, principalmente para aeronaves.

Além destes, os navios e aeronaves militares, orgânicas ou não, podem dotar outros tipos de RADAR, tal como o Radar de Alarme Aéreo Antecipado, conduzido pelas aeronaves AEW (“Airborne Early Warning”). As aeronaves AEW mais novas utilizam um único RADAR 3–D para executar tanto a busca, como a determinação de altitude de alvos. Os interceptadores normalmente utilizam um único equipamento RADAR, combinando busca e direção de tiro. As funções desse RADAR são detectar aeronaves inimigas e possibilitar sua interceptação e destruição.

Os navios mercantes e demais embarcações normalmente dispõem apenas de equipamentos RADAR destinados à navegação e ao acompanhamento de outros navios, de modo a evitar riscos de colisão. Nos navios de guerra menores, especialmente do porte de Contratorpedeiro para baixo, muitas vezes um único RADAR DE BUSCA DE SUPERFÍCIE desempenha também as funções de RADAR DE NAVEGAÇÃO.