"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

sábado, 27 de abril de 2013

Táticas de Ataque ao Solo #




Adaptação do C-44-1 do EB

As aeronaves de ataque ao solo utilizam-se, no cumprimento de suas missões de bombardeio, de diversas táticas e procedimentos para se aproximar de seus alvos e desferir seu golpe mortal. Estes procedimentos visam alcançar o máximo de eficiência tática no sentido de surpreender as defesas, obter o máximo de segurança para a aeronave e sua tripulação aos mesmo tempo que se procura inflingir os danos planejados ao inimigo.

No estudo da tática de ataque que adotarão, entre outros fatores, os pilotos devem:
  • estudar com detalhes a localização de seu aeródromo em relação ao alvo,
  • a altitude de penetração que proporcione maior segurança e surpresa e ao mesmo tempo atenda os requisitos técnicos do voo,
  • a formação que devem adotar
  • os tipos de aeronaves que comporão a força de ataque,
  • a existência e características das baterias antiaéreas,
  • a presença de aeronaves AEW e caças de defesa aérea,
  • os pontos de reabastecimento em voo,
  • os aeródromos alternativos para pousos de emergência
  • as características do terreno que proporcionem cobertura e representem perigo de colisão,
  • as táticas e procedimentos adotados pelo inimigo;


AERONAVES DE ASA FIXA


As aeronaves de asa voam suas missões de acordo com os objetivos a atingir, o seu desempenho em combate, o número possível de surtidas diárias, seus sistemas de armas e o sistema de defesa do inimigo. Além disso, combinam ainda o uso de CHAFF e FLARES, dispositivos passivos com o intuito de defender as aeronaves atacantes do acompanhamento de radares e do engajamento de mísseis guiados por infravermelho.

Os horários mais utilizados para as missões de ataque são o nascer e o pôr do sol, nas rotas leste-oeste, com o sol nas costas da aeronave atacante. Tal medida visa dificultar a observação visual, podendo ser eficiente contra mísseis portáteis que necessitam de um determinado ângulo de tiro em relação ao sol para disparar. Além disso, ao amanhecer os pilotos inimigos estão mais descansados e suas Aeronaves reparadas, com tanques plenos e totalmente armadas.

O número de aeronaves atacantes varia de acordo com a capacidade das Aeronaves e a missão a cumprir. Atualmente, a unidade tática básica, isto é, aquele número mínimo de Aeronaves capazes de cumprir uma determinada missão, é a esquadrilha, composta por 4 (quatro) Aeronaves. Há estudos para a diminuição deste número à medida que os novos projetos se refinam tecnologicamente. Um exemplo disto é o F - 117 NIGHTHAWK, que realiza seus ataques sozinho. Contudo, em relação a Aeronaves convencionais, dificilmente haverá uma atacante.





O ataque a baixa altura é um tipo de incursão executada praticamente por todas as forças  aéreas. Nela, as aeronaves voam muito baixo, chegando a voar a 50 m de altura, junto a copa das árvores, aproveitando-se das dobras do terreno, como vales e ravinas, para se furtar à detecção e aos caças inimigos, obtendo, deste modo, o máximo de surpresa possível numa situação de equilíbrio aéreo. A navegação é feita até um ponto nítido no terreno, conhecido como ponto inicial (Pl), situado entre 3 (três) e 5 (cinco) min de vôo (cerca de 45 a 75 km) do objetivo. A partir do Pl, as aeronaves atacantes aproam diretamente para a área do alvo.





O ataque a média altura é de privilégio de poucas forças aéreas, pois são necessárias duas condições básicas para sua execução.

  • A primeira delas é de ordem tática: a certeza da obtenção e manutenção da superioridade aérea, não mais contando o inimigo com seus esquadrões de interceptação ou artilharia antiaérea de média altura.
  • A segunda diz respeito ao grau tecnológico das aeronaves atacantes que necessitam de computadores de bordo aptos a realizarem os cálculos de tiro continuamente (função CCIP -” CALCULED CONTINUOUS IMPACT POINT) e aparelhos de pontaria adequados. Normalmente, os ataques a média altura têm sua eficácia aumentada pelo uso de bombas inteligentes. Em média, o mergulho é iniciado a uma altura de 4.500 m (podendo estar a alturas maiores), ficando a recuperação a, no mínimo, 3.000 m, com o intuito de fugir do envelope de emprego da artilharia antiaérea de baixa altura. Esta tática de ataque foi utilizada com sucesso nos ataques aéreos a BAGDÁ na Guerra do GOLFO.



O ataque “STAND - OFF” é uma tática de ataque que está se tornando objeto de aperfeiçoamento constante por diversas forças aéreas. Nesta situação, a aeronave atacante realiza o lançamento de seu armamento fora do envelope de emprego da artilharia antiaérea, como forma de minimizar o engajamento de suas aeronaves, evitando assim perda de pilotos e conseqüente influência negativa na opinião pública de seus países.



Porém, este tipo de ataque requer aviônicos sofisticados para navegação, localização dos alvos e direcionamento dos sistemas de armas. 



Estes, constituem-se de mísseis superfície-ar, de alcance cada vez maior, e bombas guiadas que são lançadas cada vez mais longe e de qualquer posição que a aeronave se encontre, não necessariamente em ângulo de mergulho, após uma penetração a baixa altura. Isto permite uma exposição mínima dos atacantes e melhor aproveitamento do terreno para sua evasão.


Os ataques com defasagem entre aeronaves no momento do ataque é utilizada com o intuito de evitar que uma determinada aeronave adentre o envelope de fragmentação das bombas lançadas pela aeronave antecessora.

Deste modo, a defasagem pode acontecer de três maneiras:

  • Defasagem lateral: Nesta situação, as aeronaves atacantes estarão dispostas lateralmente, numa distância variável, de acordo com o envelope de fragmentação das bombas utilizada.
  • Defasagem em altura: Tal qual a anterior, a defasagem aqui é feita por uma diferença de altura entre as aeronaves atacantes, onde a primeira ataca na altura mais baixa possível.
  • Defasagem temporal: Nesta modalidade, as aeronaves estão atacando vindas de uma mesma direção, havendo uma diferença de 25 a 30 segundos entre duas aeronaves subsequentes.

Ataques a qualquer tempo e durante a noite são utilizados procurando se furtar cada vez mais ao engajamento por meios aéreos e antiaéreos. As aeronaves atacantes passaram a buscar a escuridão da noite e as condições meteorológicas adversas para aumentar sua amplitude de atuação. Já na década de 60, durante a Guerra do VIETNÃ, as aeronaves norte-americanas A6 “lntruder” realizavam missões de ataque ao solo desta maneira. Contudo, a atuação sob estas condições depende da sofisticação dos aviônicos de bordo e de acurado adestramento das equipagens de combate.


No ataque a qualquer tempo ou em condições meteorológicas adversas, uma aeronave atacante terá que, primeiramente, navegar praticamente por instrumentos. Isto inclui o uso de sistemas que se complementam tais como de navegação inercial, GPS, radar-altímetro (que permite a obtenção constante da altura de vôo), radar topográfico (que permite a realização do mapeamento do terreno) e o uso de cartas digitalizadas que permitam a introdução de missões pré-planejadas nos computadores de bordo. Além disso há a questão da localização e pontaria para o alvo, que poderão ser feitas por um radar de bordo de alta resolução, sensores infravermelho e laser.

O ataque noturno requer, além das condicionantes anteriormente expostas, o uso intensivo de sensores infravermelho que gerem uma imagem térmica do alvo, como é o caso do FLIR (Forward Looking lnfra-Red), permitido assim, que o piloto “veja” sua rota de navegação e o alvo a atacar com um grau de nitidez considerável.



A supressão de Defesas Antiaéreas é uma das modalidades de ataque ao solo. As defesas antiaéreas constituem-se um alvo de grande valor para a aviação. Num objetivo defendido por artilharia antiaérea, a missão de supressão certamente antecederá o ataque propriamente dito. Para a execução deste tipo de missão, o inimigo aéreo utilizará, em primeiro lugar, mísseis antiradiação contra os radares antiaéreos. Para este ataque, podem ser utilizadas bombas incendiárias e de feixe, valendo-se da surpresa proporcionada pelas primeiras e do tamanho da área atingida, proporcionada pelas segundas. Muitas forças aéreas possuem esquadrões especializados neste tipo de missão.

O ataque de diferentes direções visa confundir as defesas antiaéreas, inclusive com a utilização de fintas. As Aeronaves atacantes podem vir de diferentes direções simultaneamente e, de acordo o objetivo, utilizar-se de armamento diferenciado com suas respectivas técnicas de ataque. Tomemos como exemplo uma ação contra uma base aérea, onde existem pontos-chave como pista, pátio de estacionamento, hangares e estação de radar, batidos por diferentes formações.


AERONAVES DE ASA ROTATIVA

Os helicópteros são vetores de combate extremamente versáteis, presentes em qualquer conflito moderno. Fruto disto, seguem-se algumas de suas táticas:

Influência do terreno: Geralmente, o terreno não se constitui num problema para o helicóptero. Quando do planejamento de uma missão, o terreno será explorado em todos os seus aspectos que provejam cobertura e surpresa para aproximação do alvo. Elevações, vales, ravinas, vegetação e outras dobras naturais constituem-se em cobertura ideal. Linhas de transmissão de alta tensão ou outros tipos de cabos suspensos constituem-se em sério obstáculo. Obstáculos naturais ou artificiais influenciam nas técnicas e táticas a serem utilizadas, além do ângulo e distâncias ideais para a utilização do armamento. Por exemplo, se o terreno obriga o helicópteros a se expor por um determinado período, sua tripulação terá de adotar procedimentos específicos, enquanto estiver descoberto.

Perfis de voo: Estes utilizam-se do terreno, vegetação e outros objetos para minimizar ao máximo a detecção, melhorando a probabilidade de sobrevivência do helicóptero. São divididos da seguinte maneira:


O voo a baixa altura é realizado numa altura pré-selecionada que minimize a chance de detecção ou observação entre o ponto de partida até o ponto de destino da aeronave. O padrão de voo obedece a uma velocidade e altura constantes de 30 a 150 m, podendo ser sempre empregadas em missões e em ambientes de grande ameaça.

O voo de contorno é executado a baixa altura com o helicóptero seguindo o contorno do terreno, muito próximo ao mesmo. É caracterizado pela variação de velocidade e altura, determinadas pela topografia natural, vegetação e obstáculos.

    O voo de combate também conhecido como “NOE (Nap of the Earth) flight”, é executado tão próximo do solo quanto permitido pela vegetação e obstáculos, geralmente seguindo o contorno do terreno. O piloto utiliza-se de rotas irregulares e desenfiadas, dentro de um corredor pré-planejado, tirando o máximo proveito da cobertura do terreno.

    No voo desenfiado o helicóptero de ataque permanece oculto por elevações ou vegetação, num determinado ponto, à espera de veículos que se desloquem por um eixo previamente conhecido. No momento de sua passagem, eles realizam o engajamento, obtendo a máxima surpresa possível, ao elevar-se de sua posição.

    domingo, 21 de abril de 2013

    A Vantagem das Aeronaves ‘Stealth’ em Operações de Bombardeio


    penetration 1

    Publicado no site Poder Aéreo em 02/02/20120 por Alexandre Galante
    No gráfico acima, uma operação típica de ataque de penetração com bombardeiros B-1B. A primeira barreira é o AWACS inimigo que poderá detectar os bombardeiros e alertar as defesas. Se conseguirem passar pelo AWACS sem alertá-lo, os B-1B ainda terão que passar pelos radares terrestres e de direção de tiro dos mísseis antiaéreos (SAM). Fatalmente alguns bombardeiros serão abatidos.
    No gráfico abaixo, o mesmo cenário tático, mas com bombardeiros “stealth” B-2. Graças à sua baixíssima RCS, o alcance dos radares inimigos fica bastante diminuído, possibilitando aos B-2 evadirem-se do AWACS e penetrarem nos buracos criados nas defesas. Os B-2 passam entre os SAM para atingirem seus alvos.
    penetration 2

    Armas usadas pela Aviação #



    As aeronaves de combate, por mais modernas e sofisticadas que sejam, são apenas vetores de sistemas de armas, sendo estas os verdadeiros atuadores dos campos de batalha modernos. Cabe as aeronaves militares servirem de "burros de carga" a sua carga mortal, colocando-as dentro de seus envelopes de atuação e em muitos casos apoiando seu endereçamento até os alvos. As modernas armas aéreas de nada valem sem o apoio de suas aeronaves lançadoras, assim com estas aeronaves são apenas máquinas sofisticadas e tributos à engenharia, se não dispuserem de sistemas de armas viáveis e capazes de atuar no exigente campo de batalha moderno.

    os tempos modernos colocaram a disposição da aviação de combate um variado arsenal, que equipam cada unidade de acordo com a a missão que pretendem cumprir. Armas tradicionais continuam a ser usadas como bombas de queda livre e metralhadoras, porém ao lado de moderníssimos mísseis e bombas dirigidas cada qual especificamente projetados para atingir um alvo em particular, ou que tenham características semelhantes.





    Canhões e Metralhadoras

    Canhões e metralhadoras são armas de tiro tenso utilizados pela aviação desde os seus primórdios. Permanecem em atividade desde a primeira grande guerra, e tentativas de eliminá-los tiveram que ser revistas, como no caso do caça F-4 Phantom II que teve que incorporar um canhão depois de estar em serviço. São utilizados para emprego geral contra alvos de pequenas dimensões com pouca ou nenhuma blindagem, tais como tropas desabrigadas, viaturas, depósitos de combustível e munição, e também contra outras aeronaves.



    As metralhadoras atualmente estão restritas ao uso por helicópteros que as montam lateralmente para apoio a tropas em terra e aeronaves de baixa performance que destinam-se ao combate anti-guerrilha. Geralmente são derivadas de modelos utilizados pela infantaria. São montadas nas asas ou no nariz e possuem alcance limitado obrigando a aproximação do alvo. Os Canhões aéreos as substituiram com vantagens nas aeronaves de maior performance, disponibilizando maior poder de fogo e armas especificamente projetadas. Geralmente calçam calibres de 20 a 30 mm e elevada cadência de tiro. Merece destaque o canhão Avenger de 30 mm usado no A-10 Thunderbolt especializado no fogo anticarro, sensivelmente mais volumoso e potente que os demais canhões de 30 mm.





    Mísseis e Foguetes


    Mísseis e foguetes vieram substituir os canhões e metralhadoras na maioria se usos, deixando para estes o chamado emprego geral ou que não justifique o emprego de armas mais caras e sofisticadas. São utilizados contra alvos que exijam um maior esforço para que sejam atingidos, como aeronaves que são extremamente fugazes, alvos especiais como aqueles fortemente blindados, bombardeios a grandes distâncias e fogo que exija muita precisão. os mísseis diferem dos foguetes pelo fato de poderem modificar suas trajetórias durante o voo, corrigindo sua pontaria.



    Os mísseis propiciaram as aeronaves de bombardeio a capacidade de fazê-lo a grandes distâncias e elevadas altitudes, resguardando a segurança da aeronave lançadora, além de aumentarem em muito a probabilidade de acerto em relação a sistemas convencionais. Utilizando-se de variados sistemas de guiagem como o laser, o infravermelho, o radar, os sinais de TV e os comandos por fio por exemplo. São construídos de acordo com a finalidade que se busca alcançar como os modelos anticarro, anti-radar, anti-aeronave, anti-navio, anti-submarino, anti-fortificação, de cruzeiro para bombardeio a grandes distâncias e outros.




    Os foguetes são sistemas mais baratos que os mísseis e amplamente utilizados para ataque ao solo. Utilizam-se de variados calibres como os de 70 mm, por exemplo. São disparados em salvas e tem efeitos similares a bombardeios de artilharia.

    Bombas Aéreas

    São sistemas mais potentes que os foguetes por demandarem maior peso e carga explosiva, porém mais baratos que os mísseis, não possuin propulsão prórpia e capacidade de cruzeiro. São as armas aéreas mais comuns e vem sendo empregadas desde a Primeira Guerra Mundial. São empregadas por aeronaves da asas fixa e contra diversos tipos de alvos, principalementer de grandes dimensões ou que exijam grande poder de penetração, como instalações e bunkers, e sua precisão varia de acordo com o método de lançamento, o sistema de pontaria e o tipo de bomba utilizado. Podem ser de queda livre, de feixe, freadas, incendiárias e inteligentes, entre outras.




    As bombas de queda livre foram as primeiras e são as mais simples de se produzir e operar. De variados tamanhos e poder de destruição, são empregadas contra alvos de grandes dimensões, tais como: veículos blindados, edificações, fortificações, viadutos, pontes concretadas, estradas de ferro etc, sendo liberadas em ataques a média e baixa alturas.

    As bombas de feixe ou cacho são artefatos que possuem em seu interior uma determinada quantidade de submunições, sendo arremessadas sob forma de feixe, com o intuito de saturar uma determinada área, geralmente de grandes dimensões. De acordo com o tipo, podem lançar munição de efeito instantâneo, retardado e minas terrestres. Têm, como alvos preferenciais, tropas em reunião (mesmo protegidas por vegetação ou tocas) , instalações não fortificadas (depósitos, PC etc), viaturas levemente blindadas etc. 



    As bombas freadas nada mais são que bombas de queda livre, equipadas com um dispositivo de freagem do tipo placas de arrasto, aletas ou paraquedas que se abrem no momento do lançamento. Tal recurso permite que aeronaves executem bombardeios a baixa altura, em altitudes de no mínimo 50 m, com ótima precisão e fora do envelope de fragmentação da bomba. De acordo com o tipo, podem ser empregadas contra os mais diversos tipos de alvos como: instalações fortificadas, veículos blindados, estradas de ferro, pontes, viadutos, sendo ideais contra pistas concretadas de aeródromo. 




    As bombas incendiárias são compridas e cilíndricas, sendo constituídas de tanques de alumínio de revestimento fino, cheio de gelatina incendiária. Embora o termo “Napalm” seja comumente utilizado para identificar este tipo de bomba, o Napalm é, na verdade, um tipo de mistura de enchimento, que foi muito utilizada na Guerra do VIETNÃ pelo exército norte-americano. São eficazes contra qualquer tipo de alvo que possa ser avariado por calor intenso, exceto os de estrutura pesada, como: depósitos de combustível, tropas em reunião, viaturas, posições de artilharia etc. São muito utilizadas em missões de supressão de defesa antiaérea, para a neutralização de UT, aproveitando-se da surpresa proporcionada pela técnica de ataque empregada de bombardeio rasante.




    As bombas inteligentes também chamadas de bombas guiadas, são usualmente bombas de queda livre, equipadas com um dispositivo de guiamento. Este, composto por um sensor que segue a reflexão de um feixe de raio laser, que ilumina um determinado alvo, modificando assim a trajetória da bomba, através de aletas de estabilização, que garantem o planeio da bomba até o alvo. O iluminador pode estar colocado na aeronave lançadora, numa acompanhante ou em terra. Tais características permitem que as bombas inteligentes possam ser empregadas contra alvos ponto com extrema precisão e serem lançadas cada vez mais longe e de qualquer posição que a aeronave se encontre, não necessariamente em ângulo de mergulho, possibilitando ainda, ataques a média altura com a mesma precisão. Existem ainda, as bombas guiadas por dispositivos optrônicos, como a TV. 



    Restrita a um menor número de forças aéreas existem ainda os mísseis e bombas nucleares, que podem ser táticas (pequena potência) ou estratégicas (alta potência), artefato com altíssimo poder de destruição e que podem ser lançadas por aeronaves em queda livre ou como componente da cabeça de guerra de mísseis balísticos e de cruzeiro.

    Torpedos

    Torpedos são armas subaquáticas que podem ser lançadas de helicópteros e aeronaves de patrulha marítima. Geralmente os modelos aero-lançados são menores que aqueles utilizados por submarinos. São empregados no combate anti-submarino, já que o fogo antinavio tende a ser mais eficaz com a utilização de mísseis, mais rápidos e de maior alcance.



    sábado, 20 de abril de 2013

    A Ameaça Aérea #



    A ameaça aérea está presente em todos os teatros de operações, é extremamente poderosa e representa hoje o maior perigo que todas as forças em operação tem de enfrentar, pois podem vetorar um variado portfólio de armas de todos os tipos e atacar qualquer tipo de alvo, desde submarinos e forças terrestres até alvos estratégicos e outras aeronaves.

    Define-se ameaça aérea a todo vetor aeroespacial cuja finalidade é alvejar objetivos militares, sejam eles terrestres, marítimos de superfície e submarinos, e outros meios aéreos. Pode ser materializada tanto por aeronaves de caça e ataque, de patrulha marítima, helicópteros militares, aeronaves sem piloto, mísseis de cruzeiro e balísticos, satélites e outros. Estes vetores podem atuar ativamente através da liberação de seus petardos destrutivos, como passivamente buscando informações por exemplo.




    Já na Primeira Guerra Mundial, praticamente no mesmo período do surgimento do avião, a ameaça aérea passou a integrar a lista de preocupações dos militares. A Segunda Guerra Mundial marcou sua maturidade e testemunhou seu emprego maciço em todas as frentes como na campanha do pacífico, nos bombardeios aliados levados ao interior do território alemão, bem como nas outras frentes de combate. Neste conflito também tivemos a estréia dos primeiros mísseis de cruzeiro representados pelas bombas V-1 e os primeiros balísticos representados pelas V-2, ambas sobre Londres. Na Guerra da Coréia apareceram os primeiros helicópteros e aeronave a jato foram empregadas em maior número. A Guerra do Vietnam marcou o uso intensivo do helicóptero e tal qual a Segunda Guerra Mundial fez uso intensivo dos bombardeiros estratégicos. Também nesta grande guerra se deram os primeiros e únicos bombardeios nucleares até o momento, quando o Japão foi alvo de duas bombas sobre Hiroshima e Nagasaki.




    Nas guerras contra o Iraque se fez uso intensivo de mísseis de cruzeiro e balísticos, lançados de submarinos, naves de superfície e lançadores terrestres, bem como de aeronaves de bombardeio estratégico com características "Stealth". Neste período a tecnologia atingiu níveis consideráveis, permitindo precisão de lançamento nunca antes alcançada, tornando os vetores aéreos ainda mais letais e perigosos.

    Devido ao perigo que representam, é muito importante que as características dos vetores aéreos presentes em um ambiente operacional sejam minuciosamente estudados, bem como suas táticas de combate e técnicas de emprego, seu armamento, através de cuidadosas análises de inteligência para que a ameaça que representam seja devidamente prevenida e enfrentada com sucesso.

    O espectro de atuação de cada meio aéreo potencialmente hostil deve ser bem conhecido por quem se propõem enfrentá-los. Cada vetor aéreo opera em uma faixa do espaço aéreo bem definida, e as armas que vão enfrentá-lo devem ser capazes de atuam com eficiência dentro deste envelope.




    Altitudes Orbitais

    A faixa mais alta do espaço aéreo é aquela geralmente utilizada pelos satélites que orbitam o planeta e cumpre várias aplicações militares importantes. Situa-se na altitude de 1.000 km ou mais, região onde a atmosfera praticamente inexiste e aqueles que lá orbitam sustentam-se por força centrífuga, não necessitando de asas ou configurações aerodinâmicas, descrevendo velocidade muito altas (27.000 km/h por exemplo para a estação espacial internacional), diminuindo a medida que a altitude aumenta. Esta região já é considerada trans-atmosférica ou espacial, e na atualidade estão sendo feitas pesquisas para a viabilização de veículos, principalmente transportes, que operem neste ambiente que permite um deslocamento muito rápido a qualquer parte do planeta em cerca de 2 horas de voo. Além dos satélites operam nesta faixa os mísseis balísticos, já na forma de suas ogivas.



    A interceptação nesta faixa do espaço aéreo é muito difícil, devido a grande altitude e velocidades desenvolvidas, e requer sistemas de armas na forma de mísseis hipersônicos de altíssimo nível tecnológico para ter alguma chance de sucesso. Como exemplo deste tipo de arma temos o míssil Thaad norte-americano que desenvolve velocidades de 10.000 km/h em seu impulso inicial, e de 24.000 km/h a 36.000 km/h em ambiente exoatmosférico, e alcança até  cerca de 250 km de altitude e destina-se a interceptação de mísseis balísticos por impacto cinético, sem o uso de explosivos, em altitudes relativamente baixas, sendo insuficiente para a interceptação de satélites.

    Os satélites orbitam em faixas variadas, sendo os modelos destinados a comunicações aqueles que estão no limite superior das órbitas artificiais terrestres. Descrevem suas trajetórias a cerca de 36.000 km de altitude na chamada órbita geoestacionária, pois para um observador terrestre ele está parado no espaço. Sua órbita acompanha o movimento de rotação da terra, e permite as antenas na superfície estarem constantemente apontadas para ele, sem necessidade de movimentar-se. Destinam-se a retransmissão de telefonia, sinais de TV e todo o tipo de comunicação a grandes distâncias. São largamente difundidos para uso civil e militar.

    Os satélites meteorológicos orbitam ou em órbita geoestacionária tal qual os de comunicações, ou em órbita polar, em altitudes muito mais baixas. Dados meteorológicos podem ser obtidos atualmente pelo simples acesso a internet, porém para informações de grande precisão ainda se fazem necessário aos militares o acesso a estes satélites, principalmente para o planejamento de operações aéreas.



    Os satélites de sensoreamento são aqueles que representam a maior ameaça em tempos de conflito, pois são eles que realizam a coleta de informações sobre o inimigo através da fotografia, monitoramento de sinais de comunicação, mapeamento de terreno, detecção de radiação e outros. Utilizam-se de sensores óticos, infravermelhos, radares de diversos tipos e outros. Poucos países os possuem, porém existem modelos comerciais que vendem seus dados a quem os desejar. O Brasil possui em parceria com a China o modelo CBERS.

    Os satélites de navegação giram em órbita média, como os do sistemas GPS a cerca de 20.000 km de altitude, e permitem orientação a navegação de todos os tipos de veículos, para uso civil e militar. Este sistema permite grande precisão na navegação, permitindo que vetores aeroespaciais desloquem-se a grandes distâncias com altíssimo grau de precisão, mesmo com mau tempo.




    Grande Altura

    A faixa que vai desde os 15 km até os limites da atmosfera denomina-se de grande altura. Nesta faixa podem atuam aeronaves como os modelos U-2 e SR-71 norte americanos hoje suplantadas pelos satélites de sensoreamento, por exemplo, e mísseis balísticos de curto e médio alcance, muito difíceis de interceptar e que podem carregar ogivas nucleares, químicas e biológicas, além das convencionais. Pode ser utilizada para bombardeio, mas é no reconhecimento estratégico que tem sua grande utilização. Existem projetos para veículos não tripulados para atuação nesta faixa do espaço aéreo.




    Média Altura

    A faixa que vai desdo 3 até 15 km denomina-se de média altura e largamente utilizada pela maioria das aeronaves de asa fixa, salvo aquelas que voam baixo para se utilizar da proteção do terreno. Nesta faixa atuam as aeronaves de alerta antecipado (AEW) dotadas de potentes radares, que além de proverem alerta antecipado, atuam como centros de comando e controle e guerra eletrônica, vetorando aeronaves de ataque e interceptação e controlando o tráfego aéreo. Atuam ainda no acionamento de baterias antiaéreas informando a presença de aeronaves hostis. 




    Tal qual as aeronaves AEW, atuam nesta faixa as aeronaves de alarme terrestre com radares de varredura lateral para busca de superfície. Aeronaves de superioridade aérea, de bombardeio estratégico e interdição do campo de batalha. Para atuar nestas altitudes as aeronaves de ataque e bombardeio devem possuir sistemas de pontaria precisos e/ou armas de precisão, bem como um nível de segurança proporcionado por escoltas e meios orgânicos que proporcionem riscos mínimos, pois são altamente visíveis aos sistemas de alerta do inimigo. Aeronaves de transporte se utilizam desta faixa desde os 3 aos 10 km, despendendo dos modelos empregados, e podem infiltrar forças especiais em salto livre a grandes altitudes com suporte de de respiração por aparelhos, normalmente a noite.




    Baixa Altura

    A faixa de baixa altura vai do solo até cerca de 3 km, e é onde se concentra a maior parte da ameaça aérea. Nesta faixa atuam os helicópteros em geral, as aeronaves de apoio aéreo aproximado, e os bombardeiros estratégicos que buscam a proteção do terreno em penetração a baixa altura com radares de seguimento do terreno. As missões de supressão de defesas antiaéreas também são realizadas nesta faixa, bem como o reconhecimento armado.




    Helicópteros, tanto da aviação do exército como das outras forças são grandes usuários desta faixa. Saltos operacionais de forças aeroterrestres e de suprimento pelo ar são realizados nesta faixa, muitas vezes por aeronaves lentas de silhueta ampla, muito vulneráveis. Aeronaves de guerra eletrônica realizam suas missões nesta faixa, especialmente contra sistemas antiaéreos através de interferência eletrônica em radares e de comunicações. Veículos não tripulados estão cada vez mais presentes nos campos de batalha modernos e sua maioria atua a baixa altura. Eles transportam mísseis ar-terra e antitanque, coletam informações para artilharia e para o reconhecimento tático. São baratos, acessíveis, difíceis de ver e podem desempenhar múltiplas missões.




    Outro vetor cada vez mais presente nos teatros de operações modernos são os mísseis de cruzeiro que voam rente ao terreno, tal qual uma aeronave de penetração, utilizando-se de sistemas de navegação de seguimento de terreno e GPS, e endereçado a alvos de coordenadas conhecidas, podendo ser disparados de qualquer tipo de plataforma. Podem ser abatidos por armas antiaéreas de tubo, porém são pequenos e difíceis de detectar. Sua taxa de sucesso na atualidade é de 85%. Como exemplo destes sistemas temos o Tomahawk norte-americano, e em desenvolvimento no Brasil o AV/MT-300 para 300 km.




    Conclusão

    Cada vez mais presente e letal, a ameaça aérea é sem dúvida nenhuma o maior perigo que uma força em combate enfrenta na atualidade, e sua ameaça deve ser prioridade no planejamento da defesa e segurança desta força. Em tempos de paz a ameaça aérea também está presente, como ficou evidente no atentado do 11 de setembro contra o Pentágono e Torres Gêmeas em Nova York, utilizando-se de voo comerciais e humilhando as defesas da nação mais poderosa do mundo. No Brasil a prevenção a ameaça aérea vem sendo negligenciada a anos e esforços neste sentido vem sendo implementados nos últimos meses para corrigir importante deficiência.



    domingo, 14 de abril de 2013

    Comunicações Militares #




    Comunicações militares são o conjunto de meios e procedimentos que visam proporcionar aos diversos escalões e elementos presentes em um ambiente de operações, as ligações necessárias para o exercício das atividades de comando e controle, sem as quais qualquer força perde suas capacidades de coordenação em combate, ficando acéfala, inflexível e restrita a seguir os planos previamente estabelecidos sem quaisquer adaptações.

    Operações militares são atividades complexas e de alto risco, envolvendo interesses grandes e sensíveis, que exigem grande capacidade de planejamento, comando, controle e coordenação. Estas atividades exigem operações combinadas de forças aéreas, terrestres, navais, agências civis e de outras nacionalidades. Estas forças de natureza diversa e que respondem a cadeias de comando distintas devem agir harmonicamente, potencializando suas capacidades. Meios modernos de combate possuem grande mobilidade e se deslocam a grandes velocidades, seguindo planejamentos centralizados por comandos únicos, cuja execução deve ser descentralizada e sincronizada, seguindo decisões rápidas baseadas em informações que fluem constantemente através das diferentes cadeias de comando, fruto de uma constante e fluida reconfiguração da situação, que exigem correções de rumo e readequações nos planos originais a todo momento.

    Para tanto sistemas de comunicações confiáveis de alta capacidade de tráfego são necessários, permitindo a transmissão de mensagens  em tempo real e de forma segura, pois as atividades de inteligência do inimigo estão sempre a espreita procurando saber tudo o que vai acontecer.



    Os comandantes precisam saber a todo momento o que está acontecendo com o inimigo, as alterações no clima e no terreno, a situação de suas próprias forças e outros fatores que possam afetar as operações; sempre em tempo real para que possam decidir de forma efetiva alterações de conduta necessárias e que se façam efetivas e oportunas, colocando suas forças sempre expostas ao menor risco e em melhores condições de alcançar seus objetivos com o menor custo possível.

    Todo sistema de comando e controle (C2) tem sua efetividade diretamente dependente da eficácia do sistema de comunicações que lhes serve, o que faz deste sistema um alvo prioritário ao assédio inimigo que busca informações através das atividades de guerra eletrônica. A guerra eletrônica, através das medidas de apoio eletrônico (MAE/ESM) buscam interceptar, monitorar registrar, localizar e analisar os sistemas de comunicações amigos; assim como nos momentos que julgam adequados, através das contra-medidas eletrônicas (CME/ECM) interferir e induzir ao erro as operações de nossos sistemas, e em algumas situações destruí-los fisicamente. Dificultar as atividades de comando e controle e mesmo neutralizá-las, faz parte constante dos interesses do inimigo e sua capacidade de empreender tais ações devem ser sempre considerada e prevenida.

    As comunicações militares devem ser capazes de operar em tempo integral sob pena de interrupção nas operações por falta de ligação de comando. Ligações do todo o tipo podem ser necessárias, como as terra-ar a fim permitir que aeronaves apoiem as tropas em terra, ligações entre a tropa apoiada e os meios de apoio de fogo permitem sua coordenação e efetividade,  ligações entre as tropas em geral e os meios de apoio logístico permitem o suporte em tempo real, correções de rumo e alterações de ordens são possíveis graças a ligação entre comandantes e as tropas em manobra, satélites permitem a ligação a grandes distâncias ao nível global bem como contribuem para o sigilos de ligações locais, meios computacionais e criptografia digital contribuem para a precisão e agilidade das ligações bem como para a segurança.



    Estes sistemas devem permitir que as ligações sejam rápidas sem tempos de espera, pois assim é a guerra moderna que não admite intervalos, que podem fazer a diferença entre a vida e a morte. Rapidez tanto na transmissão quanto no desdobramento devem ser buscadas. As ligações devem alcançar a tropa o lado, a tropa em apoio, a tropa na retaguarda e a tropas em bases distantes e no país de origem, as forças no ar e no mar, situação que requer grande amplitude nas ligações e diversidade de meios empregados.

    Sistemas de comunicações não são um monobloco e devem ser flexíveis o suficiente para que possam ser integrados a outros sistemas aliados. Assim uma unidade estabelece o seu, que se liga ao do escalão superior, que se liga ao de outras forças, que se liga também em todos os níveis os de outras nacionalidades operando em conjunto, que se liga a bases recuadas muitas vezes a milhares de quilômetros de distância. Estes sistemas utilizam-se de equipamentos de procedência diversas e protocolos diferentes que devem ser capazes de se comunicar entre si, fator que deve ser previsto em qualquer operação.

    As comunicações devem ser mantidas a qualquer custo pois delas dependem a continuidade das operações. Devem ser desdobradas em profundidade e ter seu espectro de linhas e frequências bem definidos e planejados de forma a evitar interferências e ligações desnecessárias. Estes sistemas devem ser confiáveis e sempre que possíveis redundantes, de forma a diminuir sua vulnerabilidade a interrupção.

    Os meios de comunicações devem seguir um planejamento centralizado e operar de forma integrada de forma a potencializar sua efetividade, reduzindo suas vulnerabilidades . A  capacidade operativa de um sistema integrado é maior que a soma das capacidades de cada sistema operando isoladamente. Quanto menor forem as distâncias, mais eficientes tendem a ser as ligações. Postos de retransmissão  e outros intermediários devem ser evitados sempre que possível.




    As comunicações devem ser seguras, pois o inimigo sempre estará vigilante procurando interferir passiva ou ativamente nelas. Equipamento adequado, mensagens criptografadas, disciplina na operação, utilização de senhas e mensagem cifrada, entre outra práticas devem ser buscadas, sempre seguindo a um plano geral de exploração.

    O desdobramento dos sistemas de comunicações devem seguir ás prioridades de ligação e ser expandidos paulatinamente a medidas que o tempo permita. Sistemas prioritários devem ser desdobrados antes de sistemas auxiliares ou de prioridade mais baixa. Economia de meios e simplicidade devem ser buscados sempre.



    Guerra Centrada em Redes (NCW)

    A guerra centrada em redes é a última palavra em sistemas de comunicações militares. Ela prevê que todos os atores presentes em um teatro de operações estejam constantemente ligados, por meios cibernéticos de forma a proporcionar a todos, comando a tropa uma consciência situacional constante e em tempo real.

    A seguir descrevemos um sistema simplificado que visa a ilustrar o conceito:

    Todos os atores em operação carregam consigo um microcomputador dotado de ligação wi-fi com seu comandante imediato. Cada um desses atores carrega ainda consigo um localizador GPS, câmeras de vídeo e outros sistemas como microfones ou detectores de radiação, por exemplo. Um soldado da infantaria teria uma câmera acoplada ao seu fuzil, de forma que o comandante do pelotão poderia, através da ligação wi-fi, visualizar todas sobre seu controle, bem como sua localização exata proporcionada pelo GPS dos operadores.

    Este comandante de pelotão seria capaz de visualizar além das câmeras, um mapa dinâmico mostrando cada um dos integrantes de seu pelotão sobreposto a um mapa do terreno, além de informações adicionais sobre o terreno em questão, fornecidas por um computador central que fossem pertinentes a situação atual. Isto lhe permitiria tomar decisões em tempo real sobre a situação. Cada um dos soldados poderia inserir no sistema informações adicionais que viesse a visualizar, como posições de metralhadoras, mísseis anticarro e outras com que se deparasse. Esta informações apareceriam instantaneamente no terminal do comandante de pelotão e nos escalões superiores se estes assim o desejassem.



    Cada comandante superior teriam acesso a todas as informações que seus subordinados tivessem desde um quadro geral da situação como as imagens da câmera de um soldado em particular, e assim sucessivamente. A medidas que os escalões subissem de nível sistemas computacionais agregariam estas informações de forma inteligível de forma a não sobrecarregar os terminais dos comandantes de batalhão, brigada, etc...

    Aeronaves de apoio aproximado saberiam exatamente onde está a tropa amiga em tempo real, seus pares e o inimigo, posição esta fornecida por radares em terra e pelos radares de outras aeronaves. Baterias de artilharia teriam sua posição plotada em suas pranchetas eletrônicas instantaneamente, bem como a de seus alvos,  podendo fazer fogo instantaneamente mesmo em movimento ou imediatamente após este cessar, pois suas soluções de tiro seriam recalculadas a todo momento, podendo inclusive cada peça operar independentemente ou em conjunto coma bateria.

    Comandantes de companhia teriam em seus postos de comandos terminais com mapa dinâmicos mostrando os movimentos de seus comandados em tempo real, as informações que estes inserissem no sistema e aquelas previamente conhecidas, tudo integrado.



    Aviação do exército, aviação de apoio aproximado da força aérea, forças navais, forças de intercepctadores aéreos e sistemas de AEW, forças de infantaria e cavalaria, sistemas logísticos e de retaguarda, tropas de engenharia e postos de comando, todos teriam suas posições e capacidade constantemente processadas por um sistema central e sistemas menores e redundantes, de forma que cada informação esteja disponível a quem estiver autorizado a acessá-la.

    Assim, por exemplo, cada fuzil pode contar quantos disparos fez e informar ao sistema, de forma que as redes de suprimento podem estimar qual tropa precisa de reabastecimento de munição a cada momento.

    As possibilidades de sistemas como o explicitado acima de forma genérica é claro, são incontáveis e as possibilidade de comando e controle decorrentes de tal fluxo de informações, trazem ao campo de batalha uma nova perspectiva na gestão operacional e administrativa do combate moderno. 


    sábado, 13 de abril de 2013

    Guerra Assimétrica #




    Gen Ex CARLOS ALBERTO PINTO SILVA
    EXÉRCITO BRASILEIRO


    Guerra Assimétrica não é somente a guerra do fraco contra o forte: é a introdução de um elemento de ruptura, tecnológico, estratégico ou tático, um elemento que muda a ideia preconcebida; é a utilização de um ponto fraco do adversário. 

    Não existe, pois, conflito armado assimétrico somente pela desigualdade entre os adversários, senão quando os adversários adotam formas de combate diferentes em sua concepção e desenvolvimento. Em termos operacionais, então, a assimetria(entendida como desbalanceamento) “deriva-se de uma força empregando novas capacidades, que o oponente não percebe, nem compreende, nem espera: capacidades convencionais que sobrepujam as do adversário ou que representam novos métodos de ataque e defesa”. 

    É a guerra da infantaria realmente leve, que possa se mover para mais longe e mais rapidamente por terra que o inimigo, que tenha um repertório tático completo (não apenas manter o contato e solicitar apoio de fogo), que possa lutar com suas próprias armas (ao invés de depender de armas de apoio) e que se mantenha com o mínimo de apoio logístico. 

    A convicção moral e a eficiência militar convencional sozinhas não nos permitirão compreender e combater a ameaça que ataca a sociedade e as suas estruturas operacionais. Portanto, é essencial uma definição diferente de nível de adestramento e unidades com pessoal treinado e equipado para adaptação a novas tarefas operacionais inopinadas.

    Derrotar estas novas ameaças exige a adequação de nossos sistemas decisórios para operações e a reorganização de nossas estruturas para as necessidades da Inteligência (obtenção e consolidação). Requer equipes híbridas de pensadores, cientistas e profissionais militares escolhidos, trabalhando juntos sob pressão. Depende de combinar a atuação das diversas agências de inteligência, com acesso ao ambiente operacional, considerando isto como assunto de interesse nacional.



    REFLEXÕES SOBRE O EMPREGO DA FORÇA TERRESTRE NA GUERRA ASSIMÉTRICA . 

    1. Não existe inimigo emassado, contra o qual possamos aplicar todo o poder de combate que a FTer pode dispor. A FTer não poderá ser empregada para romper um inexistente desdobramento inimigo, destruir ou neutralizar forças inimigas e dominar um terreno chave, materializando objetivos em um determinado espaço geográfico. 
    2. O emprego do fogo em massa, ou a ação contundente, rápida e profunda das formações blindadas perdem protagonismo. 
    3. A atuação da FTer será fundamental na luta contra um inimigo que empregue o procedimento do tipo guerrilha, contudo contra a subversão e o terrorismo seu papel haverá de ser de apoio às atividades das Forças de Segurança Pública. 
    4. Devemos considerar a possibilidade de que a FTer, além de ter as capacidades militares clássicas, deve adquirir outras, mais “civis”, que a permita adaptar-se à conjuntura da Guerra de Quarta Geração ou Assimétrica. 
    5. Na conjuntura da Guerra de Quarta Geração ou Assimétrica, trata-se de resolver situações sociais e culturais complexas em um ambiente hostil, as quais requerem uma preparação e métodos de execução diferentes dos que tradicionalmente têm sido empregados. 
    6. Combate e Manobra: Isolar o inimigo eletronicamente e fisicamente. - Realizar patrulhas, infiltrações, emboscadas, cercos etc. - Máximo protagonismo de armas inteligentes de precisão. 
    7. Defesa Aérea:   A utilização pelos terroristas de aeronaves (e mísseis) que explodem contra um objetivo de alto valor psicológico, nos leva à necessidade de estabelecer normas para Defesa Aérea que estabeleçam as formas de localização, acompanhamento, controle e, se for o caso, derrubada dessas armas. 
    8. Apoio de Fogo:   No combate assimétrico, as ações de fogo haverão de ser: de precisão, seletivas, e, fundamentalmente, efetuadas de plataformas aéreas, tripuladas ou não, utilizando projéteis guiados.
    9. Inteligência de Combate:   Potencializar todos os órgãos de informações, tanto civis como militares, com maior protagonismo da contra-inteligência, inteligência cultural e atividades de obtenção através de fontes humanas e de sinais.
    10. Comunicações:  Com três componentes: Comando e Controle, Informações Públicas e Operações Psicológicas. Guerra Eletrônica Segurança das Comunicações e Dissimulação 
    11. Mobilidade, contramobilidade e proteção:   As atividades associadas à mobilidade, contramobilidade e proteção têm escassas possibilidades de emprego no conflito assimétrico. Assim, as ações se concentram, fundamentalmente, no flanqueamento de obstáculos, constituídos por massas de minas em pontos de passagem obrigatórios e em zonas semeadas por armadilhas explosivas, e no desbloqueio de ruas, pontes, túneis, etc. O trabalho da FTer não será normalmente em apoio a sua própria manobra, senão em benefício da população civil mediante a construção e reconstrução da infra-estrutura danificada ou destruída pela ação do inimigo. 




    CONCLUSÃO

    O Exército deverá antecipar os prováveis conflitos do milênio, por meio de análise de trabalhos publicados e de estudos prospectivos. Em função desses prováveis conflitos – tipologia e características – serão estabelecidas e desenvolvidas as doutrinas e as tecnologias pertinentes.

    A preparação para a defesa da soberania deve receber a mais alta prioridade, mesmo que, dentro das hipóteses consideradas, seja estimada como remota, pois a eficiência alcançada é a base para o desenvolvimento de qualquer outra preparação específica. 

    As missões de combate, tal como estão concebidas, não garantem o êxito das operações em um conflito assimétrico. Conflitos assimétricos passarão a ser a norma e não a exceção. 

    Na Guerra de Quarta Geração, o Estado perde o monopólio sobre a guerra. Em todo o mundo os militares se encontram combatendo oponentes não estatais. Quase em toda a parte o Estado está perdendo. 

    A Guerra de Quarta Geração ou Assimétrica representa duas vertentes importantes: como protagonistas, desenvolvendo essa Guerra (Força de Resistência) ou como uma Força Convencional, combatendo uma Força que empregue este tipo de ação militar. 

    Para estas duas opções se faz necessária a devida preparação, aí incluída a Doutrina que orientará para o preparo e o emprego de nossas Forças. Tem-se ainda que pensar na adaptação desses conceitos para a realidade de cada força. 

    Pode-se analisar sob este prisma ações possíveis em áreas internas de cada país, onde, seja pela forma de operar ou pelos meios de combate utilizados, as Forças de Segurança Pública não tenham capacidade de vencer. Ou, ainda, as Operações de Paz, onde o Brasil por seus objetivos de Política Externa está cada vez mais envolvido e comprometido, gerando, para o campo militar, possibilidades de emprego em ambientes operacionais desconhecidos e de enfrentamento com inimigos dos quais não tem nenhuma informação antecipada. 

    “As forças lutam como são adestradas". A doutrina deve preparar as forças singulares com uma atitude pronta para lidar eficaz e rapidamente com a incerteza. Deve possuir um conceito operacional que inclua mais do que a guerra convencional. 

    As doutrinas dos Exércitos deve tratar a assimetria como uma via de dois sentidos. A assimetria nada mais é do que mudar o nível de incerteza, ou de surpresa, para um novo nível que envolve estilos, meios e até fins.

    Todos os conflitos assimétricos exibem uma grande disparidade de vontade. Toda a força militar competente se adapta. A adaptação é crítica para o êxito militar, uma vez que a guerra, assimétrica ou não, trata com a incerteza. 

    Fazer mudanças em técnicas e procedimentos para que sejam eficazes em toda a força exige experimentação, treinamento e disseminação. Essas ações são partes da natureza adaptável do combate. Não devemos reescrever a Doutrina dos Exércitos, apenas adaptar suas Forças para executarem a doutrina de novas maneiras.