"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Áreas Estratégicas #




Uma campanha militar se baseia em 2 pilares estratégicos: Debilitar a capacidade de resposta do inimigo, seja por ação militar direta contra suas forças ou pela frustração de sua logística, atuando junto a fornecedores, unidades, e rotas; e pela ocupação e domínio de suas áreas estratégicas, privando-lhe de estruturas vitais como usinas de energia e fornecimento de combustíveis, por exemplo. Ocupar um terreno, por exemplo por onde passa uma estrada importante ao seu suprimento pode inviabilizar a manobra das unidades que estão do outro lado.

A contra ofensiva das Ardenas em 1944 visava privar as forças aliadas do porto de Antuérpia, importante para dar fôlego ao avanço das forças de Eisenhower, assim como o desembarque na Normandia tinha como seu objetivo imediato conquistar o porto de Cherbourg. Identificar estas áreas é de vital importância a estratégia militar. Sejam áreas próprias que devem ser defendidas, ou inimigas que devem ser conquistadas. A conquista de uma área importante pode abreviar uma campanha, evitar a perda de muitas vidas e economizar recursos valiosos.

Áreas estratégicas, na conotação militar, são àqueles espaços que demonstram maior importância para a atividade militar, e cuja perda ou privação de seu domínio trás enormes prejuízos a esta atividade. Toda campanha militar visa o domínio destas áreas, que podem estar em território nacional e tem que ser preservadas, ou em território além-fronteiras que devem ser conquistados ou cedidos ao uso, que em última análise é a razão de ser da campanha. Cabe às forças engajadas de cada lado manterem o domínio nestas áreas, se não for possível na totalidade do território, pois é a partir delas que qualquer reação a uma ocupação deverá se iniciar.

Assim temos, só para tomar como exemplo, os canais do Panamá e Suez por onde passa grande parte do comércio mundial; Os estreitos de Gibraltar e Ormuz, este último importante rota de petroleiros; os cabos Horn e da Boa Esperança, também passagens importante de navios; Os terminais portuários de Roterdã para a Europa, Santos para o Brasil e de Xangai para a China. Em um nível mais pontual temos as elevações que abrigam estações de radar e se prestam a observação, os túneis que atravessam grandes elevações, os aeroportos e troncos ferroviários, áreas industriais de base e interesse militar, entre outras.


Outras áreas são estratégicas por constituírem grandes obstáculos, como a grande depressão de Qattara na Líbia que afunilou a manobra durante a II Guerra, o deserto do Saara, o gelo polar ártico que impede o uso de bases navais russas no norte, a floresta amazônica de estradas escassas que condiciona sua transposição ao uso de vias fluviais, as grandes cordilheiras e outros, que não necessitam serem defendidos pois já os fazem por seus próprios meios.

Também podemos considerar áreas estratégicas espaço não físicos, como a pré-disposição de um país fornecedor de armas em continuar a fazê-lo, a capacidade de acesso a informações vitais, por exemplo.

O planejamento militar de uma nação visa a preservar estas áreas, priorizando sua defesa em detrimento de outras, pois sua interdição pode significar o derrota. Os tempos modernos atribuem grande importância aos centros urbanos, onde estão a principais indústrias e centros de comando e comunicações.

Áreas Estratégicas de Interesse Militar

São consideradas áreas estratégicas de interesse militar:
* Regiões de fronteiras, por onde possam entrar e sair drogas, armas e outros materiais      não autorizados;
*   Pontos de acesso a área de operações e de interesse;
* Aquartelamentos e bases militares, principalmente aqueles de maior importância a proficiência operacional das forças-armadas;
* Centros de comando, controle e comunicações que servem às forças-armadas;
* Centros de pesquisa e tecnologia de interesse militar;
* Centros industriais, tanto de importância militar como de industria de base;
* Capitais e centros de governo, estruturas e instalações de comando e controle de forças militares;
* Estradas, nós rodoviários e ferroviários, portos e aeroportos, e outros terminais que possibilitem mobilidade ás forças operativas;
* Centros de produção e distribuição de energia e de tratamento de água;
* Refinarias, plataformas petrolíferas e centros de distribuição de combustível;
* Grandes aglomerações urbanas;
* Gargantas, istmos, canais, elevações, túneis, viadutos e pontes, rios e deltas, áreas oceânicas e outros acidentes geográficos que possam ser úteis e necessários a operação das forças-armadas.
* Outras áreas que se revelem importantes a operação de forças militares de acordo com o contexto de cada situação.

Basicamente, todas as operações militares se dão na defesa ou conquista destas áreas estratégicas, ou ainda sobre algum fator localizado dentro delas. Cabe aos planejadores das forças-armadas sua identificação e formulação de suas hipóteses de emprego em ações dentro destas áreas.



sábado, 4 de maio de 2013

O Moderno Combate Blindado #



O combate terrestre moderno, quando travado em terreno favorável e livre de grandes obstáculos, é invariavelmente dominado pelo elemento blindado. Forças blindadas caracterizam-se pelo combate ofensivo, onde se procura impor ao inimigo um ritmo intenso e pouquíssimo tempo para reagir e pensar, protagonizados por carros de combate capazes de suportar um atrito extremo, manobrando com grande ímpeto em ações simultâneas em toda a extensão de uma área de combate. 




Cobrindo grandes distâncias em pequenos espaços de tempo, as forças blindadas valem-se do altíssimo poder de fogo de seus carros de combate  proporcionado por seu armamento de tubo. Capazes de disparar projéteis a grandes pressões e consequente devastador poder de penetração, procuram pelos pontos mais vulneráveis do dispositivo inimigo a fim de penetrar em seus flancos e pontos menos protegidos.

O carro de combate moderno é uma arma altamente letal, capaz de acertar seu objetivo tanto parado como em movimento, sempre no primeiro disparo e com pouquíssima probabilidade de erro, graças aos seus  computadores balísticos que orientam o disparo preciso de projéteis devastadores capazes de penetrar blindagens espessas.




Caracterizado pelo conceito das armas combinadas, onde uma ponta de lança blindada avança apoiada por elementos multiplicadores de seu poder de combate, o carro de combate demanda contramedidas pesadas para ser detido. Assim se faz necessário a presença da engenharia de combate demovendo os obstáculos ao avanço, a cobertura proporcionada pela aviação de apoio e pela artilharia de campanha "amaciando" o terreno por onde os blindados passarão, a cobertura aérea proporcionada pela artilharia antiaérea que os acompanha em um nível mais próximo e pela aviação de superioridade aérea que procura formar um "guarda-chuvas" defensivo em torno deles, a infantaria blindada que lhes seve de guarda-costas impedindo que elementos pouco visíveis (infantaria inimiga) os aborde e ataquem seus pontos vulneráveis. Toda esta atividade deverá ser convenientemente suprida e assistida por adequada capacidade logística, provendo combustível e munição onde forem necessários e nas quantidade requeridas.




Todo este sistema de combate é extremamente dependente de comunicações eficientes e seguras, proporcionando capacidade de comando e controle para direcionar estas forças combinadas para onde forem mais necessárias e de forma sinérgica. Não menos importantes são os serviços de inteligência e busca de alvos, que fornecem os subsídios a operação destas forças, provendo em tempo real as informações de onde está o inimigo e que tipo de ameaça se irá enfrentar.




Esta manobra deverá caracterizar-se pelo ímpeto e pela iniciativa, em ações conduzidas com audácia e flexibilidade, aplicando seu poder de fogo de forma violenta e precisa frente as ameaças que vão se configurando no decorrer da manobra, que deve ser coordenada e sincronizada no tempo e no espaço.

O contínuo movimento caracteriza uma condição de baixa vulnerabilidade e alto fator de incerteza as defesas inimigas, evitando que estas retomem a iniciativa das operações. A presença das ações de guerra eletrônica limitando as comunicações, exigem rapidez e uma evolução constante da situação tática, onde as capacidades de liderança dos comandantes de campo serão fundamentais, pois as ligações com o escalão superior poderão estar prejudicadas.




Cabe as forças blindadas a função de encontrar o inimigo e estabelecer o contato com ele, fixando-o, manobrando a fim de penetrar seu flanco, desordenando seu sistemas de comando e controle, apoio ao combate e logístico, deixando o seu dispositivo mais vulnerável a ação da infantaria que vem logo atrás para ocupar o terreno e estabelecer seu domínio.




O uso de forças blindadas está diretamente relacionado a presença e uso de malha rodoviária. Embora os veículos sejam concebidos para serem usados em condições "off-road", as condições meteorológicas podem restringir seriamente a mobilidade destes e dos imprescindíveis veículos de apoio logístico, normalmente deslocando-se sobre rodas. Outro fator fundamental a mobilidade blindada, além da rede de estradas, é o domínio dos pontos de travessia de cursos d´agua (pontes) em condições  de suportarem o peso dos carros de combate, que em alguns modelos pode chegar a 70 toneladas. A indisponibilidade destes pontos de travessia demanda esforços de engenharia para tal, operação complexa e de alto risco.

As unidades operadoras de carros de combate normalmente são empregadas como ponta de lança de ataques de suas grandes unidades, utilizando-se das universais características destes que são o alto poder de fogo aliado a forte proteção blindada instalados sobre um chassi que permite ao conjunto altíssima mobilidade. São capazes de avançar sobre o dispositivo inimigo sob apoio, enfrentando outros carros de combate inimigos e penetrando em profundidade sobre seu dispositivo, desorganizando sua defesa e abrindo brechas para a infantaria aplicar seu poder de combate. Em outras situações as forças de carros de combate podem permanecer em reserva para emprego imediato a disposição do comando para aproveitar situações que se configurem, reforçar pontos sob pressão mais intensa e prover a segurança de flanco e retaguarda, sempre pronta a lançar contra-ataques e mudar seu perfil operacional.



O combate moderno ser caracteriza pela continuidade das operações, não mais existindo pausas pela chegada da noite. Manter pressão constante sobre o inimigo é necessário de forma a impedir que se reorganize ou entre em manobra de retirada, que deve sempre ser contida. Recursos tecnológicos que permitam o combate noturno são fundamentais para se habilitar a tal condição.



Forças blindadas operam com excelência, como já foi dito em terreno providos com malha viária, porém podem operar com eficiência fora dela em terrenos relativamente planos e que propiciem poucos obstáculos. Regiões de selva, de montanha, pantanosas e similares são totalmente inviáveis ao emprego deste tipo de força. Combates em ambientes urbanos são limitados devidos a pobreza dos campos de tiro e observação e a vulnerabilidade inerente que as ruas proporcionam aos carros de combate, que operam em apoio a infantaria.





sábado, 27 de abril de 2013

Táticas de Ataque ao Solo #




Adaptação do C-44-1 do EB

As aeronaves de ataque ao solo utilizam-se, no cumprimento de suas missões de bombardeio, de diversas táticas e procedimentos para se aproximar de seus alvos e desferir seu golpe mortal. Estes procedimentos visam alcançar o máximo de eficiência tática no sentido de surpreender as defesas, obter o máximo de segurança para a aeronave e sua tripulação aos mesmo tempo que se procura inflingir os danos planejados ao inimigo.

No estudo da tática de ataque que adotarão, entre outros fatores, os pilotos devem:
  • estudar com detalhes a localização de seu aeródromo em relação ao alvo,
  • a altitude de penetração que proporcione maior segurança e surpresa e ao mesmo tempo atenda os requisitos técnicos do voo,
  • a formação que devem adotar
  • os tipos de aeronaves que comporão a força de ataque,
  • a existência e características das baterias antiaéreas,
  • a presença de aeronaves AEW e caças de defesa aérea,
  • os pontos de reabastecimento em voo,
  • os aeródromos alternativos para pousos de emergência
  • as características do terreno que proporcionem cobertura e representem perigo de colisão,
  • as táticas e procedimentos adotados pelo inimigo;


AERONAVES DE ASA FIXA


As aeronaves de asa voam suas missões de acordo com os objetivos a atingir, o seu desempenho em combate, o número possível de surtidas diárias, seus sistemas de armas e o sistema de defesa do inimigo. Além disso, combinam ainda o uso de CHAFF e FLARES, dispositivos passivos com o intuito de defender as aeronaves atacantes do acompanhamento de radares e do engajamento de mísseis guiados por infravermelho.

Os horários mais utilizados para as missões de ataque são o nascer e o pôr do sol, nas rotas leste-oeste, com o sol nas costas da aeronave atacante. Tal medida visa dificultar a observação visual, podendo ser eficiente contra mísseis portáteis que necessitam de um determinado ângulo de tiro em relação ao sol para disparar. Além disso, ao amanhecer os pilotos inimigos estão mais descansados e suas Aeronaves reparadas, com tanques plenos e totalmente armadas.

O número de aeronaves atacantes varia de acordo com a capacidade das Aeronaves e a missão a cumprir. Atualmente, a unidade tática básica, isto é, aquele número mínimo de Aeronaves capazes de cumprir uma determinada missão, é a esquadrilha, composta por 4 (quatro) Aeronaves. Há estudos para a diminuição deste número à medida que os novos projetos se refinam tecnologicamente. Um exemplo disto é o F - 117 NIGHTHAWK, que realiza seus ataques sozinho. Contudo, em relação a Aeronaves convencionais, dificilmente haverá uma atacante.





O ataque a baixa altura é um tipo de incursão executada praticamente por todas as forças  aéreas. Nela, as aeronaves voam muito baixo, chegando a voar a 50 m de altura, junto a copa das árvores, aproveitando-se das dobras do terreno, como vales e ravinas, para se furtar à detecção e aos caças inimigos, obtendo, deste modo, o máximo de surpresa possível numa situação de equilíbrio aéreo. A navegação é feita até um ponto nítido no terreno, conhecido como ponto inicial (Pl), situado entre 3 (três) e 5 (cinco) min de vôo (cerca de 45 a 75 km) do objetivo. A partir do Pl, as aeronaves atacantes aproam diretamente para a área do alvo.





O ataque a média altura é de privilégio de poucas forças aéreas, pois são necessárias duas condições básicas para sua execução.

  • A primeira delas é de ordem tática: a certeza da obtenção e manutenção da superioridade aérea, não mais contando o inimigo com seus esquadrões de interceptação ou artilharia antiaérea de média altura.
  • A segunda diz respeito ao grau tecnológico das aeronaves atacantes que necessitam de computadores de bordo aptos a realizarem os cálculos de tiro continuamente (função CCIP -” CALCULED CONTINUOUS IMPACT POINT) e aparelhos de pontaria adequados. Normalmente, os ataques a média altura têm sua eficácia aumentada pelo uso de bombas inteligentes. Em média, o mergulho é iniciado a uma altura de 4.500 m (podendo estar a alturas maiores), ficando a recuperação a, no mínimo, 3.000 m, com o intuito de fugir do envelope de emprego da artilharia antiaérea de baixa altura. Esta tática de ataque foi utilizada com sucesso nos ataques aéreos a BAGDÁ na Guerra do GOLFO.



O ataque “STAND - OFF” é uma tática de ataque que está se tornando objeto de aperfeiçoamento constante por diversas forças aéreas. Nesta situação, a aeronave atacante realiza o lançamento de seu armamento fora do envelope de emprego da artilharia antiaérea, como forma de minimizar o engajamento de suas aeronaves, evitando assim perda de pilotos e conseqüente influência negativa na opinião pública de seus países.



Porém, este tipo de ataque requer aviônicos sofisticados para navegação, localização dos alvos e direcionamento dos sistemas de armas. 



Estes, constituem-se de mísseis superfície-ar, de alcance cada vez maior, e bombas guiadas que são lançadas cada vez mais longe e de qualquer posição que a aeronave se encontre, não necessariamente em ângulo de mergulho, após uma penetração a baixa altura. Isto permite uma exposição mínima dos atacantes e melhor aproveitamento do terreno para sua evasão.


Os ataques com defasagem entre aeronaves no momento do ataque é utilizada com o intuito de evitar que uma determinada aeronave adentre o envelope de fragmentação das bombas lançadas pela aeronave antecessora.

Deste modo, a defasagem pode acontecer de três maneiras:

  • Defasagem lateral: Nesta situação, as aeronaves atacantes estarão dispostas lateralmente, numa distância variável, de acordo com o envelope de fragmentação das bombas utilizada.
  • Defasagem em altura: Tal qual a anterior, a defasagem aqui é feita por uma diferença de altura entre as aeronaves atacantes, onde a primeira ataca na altura mais baixa possível.
  • Defasagem temporal: Nesta modalidade, as aeronaves estão atacando vindas de uma mesma direção, havendo uma diferença de 25 a 30 segundos entre duas aeronaves subsequentes.

Ataques a qualquer tempo e durante a noite são utilizados procurando se furtar cada vez mais ao engajamento por meios aéreos e antiaéreos. As aeronaves atacantes passaram a buscar a escuridão da noite e as condições meteorológicas adversas para aumentar sua amplitude de atuação. Já na década de 60, durante a Guerra do VIETNÃ, as aeronaves norte-americanas A6 “lntruder” realizavam missões de ataque ao solo desta maneira. Contudo, a atuação sob estas condições depende da sofisticação dos aviônicos de bordo e de acurado adestramento das equipagens de combate.


No ataque a qualquer tempo ou em condições meteorológicas adversas, uma aeronave atacante terá que, primeiramente, navegar praticamente por instrumentos. Isto inclui o uso de sistemas que se complementam tais como de navegação inercial, GPS, radar-altímetro (que permite a obtenção constante da altura de vôo), radar topográfico (que permite a realização do mapeamento do terreno) e o uso de cartas digitalizadas que permitam a introdução de missões pré-planejadas nos computadores de bordo. Além disso há a questão da localização e pontaria para o alvo, que poderão ser feitas por um radar de bordo de alta resolução, sensores infravermelho e laser.

O ataque noturno requer, além das condicionantes anteriormente expostas, o uso intensivo de sensores infravermelho que gerem uma imagem térmica do alvo, como é o caso do FLIR (Forward Looking lnfra-Red), permitido assim, que o piloto “veja” sua rota de navegação e o alvo a atacar com um grau de nitidez considerável.



A supressão de Defesas Antiaéreas é uma das modalidades de ataque ao solo. As defesas antiaéreas constituem-se um alvo de grande valor para a aviação. Num objetivo defendido por artilharia antiaérea, a missão de supressão certamente antecederá o ataque propriamente dito. Para a execução deste tipo de missão, o inimigo aéreo utilizará, em primeiro lugar, mísseis antiradiação contra os radares antiaéreos. Para este ataque, podem ser utilizadas bombas incendiárias e de feixe, valendo-se da surpresa proporcionada pelas primeiras e do tamanho da área atingida, proporcionada pelas segundas. Muitas forças aéreas possuem esquadrões especializados neste tipo de missão.

O ataque de diferentes direções visa confundir as defesas antiaéreas, inclusive com a utilização de fintas. As Aeronaves atacantes podem vir de diferentes direções simultaneamente e, de acordo o objetivo, utilizar-se de armamento diferenciado com suas respectivas técnicas de ataque. Tomemos como exemplo uma ação contra uma base aérea, onde existem pontos-chave como pista, pátio de estacionamento, hangares e estação de radar, batidos por diferentes formações.


AERONAVES DE ASA ROTATIVA

Os helicópteros são vetores de combate extremamente versáteis, presentes em qualquer conflito moderno. Fruto disto, seguem-se algumas de suas táticas:

Influência do terreno: Geralmente, o terreno não se constitui num problema para o helicóptero. Quando do planejamento de uma missão, o terreno será explorado em todos os seus aspectos que provejam cobertura e surpresa para aproximação do alvo. Elevações, vales, ravinas, vegetação e outras dobras naturais constituem-se em cobertura ideal. Linhas de transmissão de alta tensão ou outros tipos de cabos suspensos constituem-se em sério obstáculo. Obstáculos naturais ou artificiais influenciam nas técnicas e táticas a serem utilizadas, além do ângulo e distâncias ideais para a utilização do armamento. Por exemplo, se o terreno obriga o helicópteros a se expor por um determinado período, sua tripulação terá de adotar procedimentos específicos, enquanto estiver descoberto.

Perfis de voo: Estes utilizam-se do terreno, vegetação e outros objetos para minimizar ao máximo a detecção, melhorando a probabilidade de sobrevivência do helicóptero. São divididos da seguinte maneira:


O voo a baixa altura é realizado numa altura pré-selecionada que minimize a chance de detecção ou observação entre o ponto de partida até o ponto de destino da aeronave. O padrão de voo obedece a uma velocidade e altura constantes de 30 a 150 m, podendo ser sempre empregadas em missões e em ambientes de grande ameaça.

O voo de contorno é executado a baixa altura com o helicóptero seguindo o contorno do terreno, muito próximo ao mesmo. É caracterizado pela variação de velocidade e altura, determinadas pela topografia natural, vegetação e obstáculos.

    O voo de combate também conhecido como “NOE (Nap of the Earth) flight”, é executado tão próximo do solo quanto permitido pela vegetação e obstáculos, geralmente seguindo o contorno do terreno. O piloto utiliza-se de rotas irregulares e desenfiadas, dentro de um corredor pré-planejado, tirando o máximo proveito da cobertura do terreno.

    No voo desenfiado o helicóptero de ataque permanece oculto por elevações ou vegetação, num determinado ponto, à espera de veículos que se desloquem por um eixo previamente conhecido. No momento de sua passagem, eles realizam o engajamento, obtendo a máxima surpresa possível, ao elevar-se de sua posição.

    domingo, 21 de abril de 2013

    A Vantagem das Aeronaves ‘Stealth’ em Operações de Bombardeio


    penetration 1

    Publicado no site Poder Aéreo em 02/02/20120 por Alexandre Galante
    No gráfico acima, uma operação típica de ataque de penetração com bombardeiros B-1B. A primeira barreira é o AWACS inimigo que poderá detectar os bombardeiros e alertar as defesas. Se conseguirem passar pelo AWACS sem alertá-lo, os B-1B ainda terão que passar pelos radares terrestres e de direção de tiro dos mísseis antiaéreos (SAM). Fatalmente alguns bombardeiros serão abatidos.
    No gráfico abaixo, o mesmo cenário tático, mas com bombardeiros “stealth” B-2. Graças à sua baixíssima RCS, o alcance dos radares inimigos fica bastante diminuído, possibilitando aos B-2 evadirem-se do AWACS e penetrarem nos buracos criados nas defesas. Os B-2 passam entre os SAM para atingirem seus alvos.
    penetration 2

    Armas usadas pela Aviação #



    As aeronaves de combate, por mais modernas e sofisticadas que sejam, são apenas vetores de sistemas de armas, sendo estas os verdadeiros atuadores dos campos de batalha modernos. Cabe as aeronaves militares servirem de "burros de carga" a sua carga mortal, colocando-as dentro de seus envelopes de atuação e em muitos casos apoiando seu endereçamento até os alvos. As modernas armas aéreas de nada valem sem o apoio de suas aeronaves lançadoras, assim com estas aeronaves são apenas máquinas sofisticadas e tributos à engenharia, se não dispuserem de sistemas de armas viáveis e capazes de atuar no exigente campo de batalha moderno.

    os tempos modernos colocaram a disposição da aviação de combate um variado arsenal, que equipam cada unidade de acordo com a a missão que pretendem cumprir. Armas tradicionais continuam a ser usadas como bombas de queda livre e metralhadoras, porém ao lado de moderníssimos mísseis e bombas dirigidas cada qual especificamente projetados para atingir um alvo em particular, ou que tenham características semelhantes.





    Canhões e Metralhadoras

    Canhões e metralhadoras são armas de tiro tenso utilizados pela aviação desde os seus primórdios. Permanecem em atividade desde a primeira grande guerra, e tentativas de eliminá-los tiveram que ser revistas, como no caso do caça F-4 Phantom II que teve que incorporar um canhão depois de estar em serviço. São utilizados para emprego geral contra alvos de pequenas dimensões com pouca ou nenhuma blindagem, tais como tropas desabrigadas, viaturas, depósitos de combustível e munição, e também contra outras aeronaves.



    As metralhadoras atualmente estão restritas ao uso por helicópteros que as montam lateralmente para apoio a tropas em terra e aeronaves de baixa performance que destinam-se ao combate anti-guerrilha. Geralmente são derivadas de modelos utilizados pela infantaria. São montadas nas asas ou no nariz e possuem alcance limitado obrigando a aproximação do alvo. Os Canhões aéreos as substituiram com vantagens nas aeronaves de maior performance, disponibilizando maior poder de fogo e armas especificamente projetadas. Geralmente calçam calibres de 20 a 30 mm e elevada cadência de tiro. Merece destaque o canhão Avenger de 30 mm usado no A-10 Thunderbolt especializado no fogo anticarro, sensivelmente mais volumoso e potente que os demais canhões de 30 mm.





    Mísseis e Foguetes


    Mísseis e foguetes vieram substituir os canhões e metralhadoras na maioria se usos, deixando para estes o chamado emprego geral ou que não justifique o emprego de armas mais caras e sofisticadas. São utilizados contra alvos que exijam um maior esforço para que sejam atingidos, como aeronaves que são extremamente fugazes, alvos especiais como aqueles fortemente blindados, bombardeios a grandes distâncias e fogo que exija muita precisão. os mísseis diferem dos foguetes pelo fato de poderem modificar suas trajetórias durante o voo, corrigindo sua pontaria.



    Os mísseis propiciaram as aeronaves de bombardeio a capacidade de fazê-lo a grandes distâncias e elevadas altitudes, resguardando a segurança da aeronave lançadora, além de aumentarem em muito a probabilidade de acerto em relação a sistemas convencionais. Utilizando-se de variados sistemas de guiagem como o laser, o infravermelho, o radar, os sinais de TV e os comandos por fio por exemplo. São construídos de acordo com a finalidade que se busca alcançar como os modelos anticarro, anti-radar, anti-aeronave, anti-navio, anti-submarino, anti-fortificação, de cruzeiro para bombardeio a grandes distâncias e outros.




    Os foguetes são sistemas mais baratos que os mísseis e amplamente utilizados para ataque ao solo. Utilizam-se de variados calibres como os de 70 mm, por exemplo. São disparados em salvas e tem efeitos similares a bombardeios de artilharia.

    Bombas Aéreas

    São sistemas mais potentes que os foguetes por demandarem maior peso e carga explosiva, porém mais baratos que os mísseis, não possuin propulsão prórpia e capacidade de cruzeiro. São as armas aéreas mais comuns e vem sendo empregadas desde a Primeira Guerra Mundial. São empregadas por aeronaves da asas fixa e contra diversos tipos de alvos, principalementer de grandes dimensões ou que exijam grande poder de penetração, como instalações e bunkers, e sua precisão varia de acordo com o método de lançamento, o sistema de pontaria e o tipo de bomba utilizado. Podem ser de queda livre, de feixe, freadas, incendiárias e inteligentes, entre outras.




    As bombas de queda livre foram as primeiras e são as mais simples de se produzir e operar. De variados tamanhos e poder de destruição, são empregadas contra alvos de grandes dimensões, tais como: veículos blindados, edificações, fortificações, viadutos, pontes concretadas, estradas de ferro etc, sendo liberadas em ataques a média e baixa alturas.

    As bombas de feixe ou cacho são artefatos que possuem em seu interior uma determinada quantidade de submunições, sendo arremessadas sob forma de feixe, com o intuito de saturar uma determinada área, geralmente de grandes dimensões. De acordo com o tipo, podem lançar munição de efeito instantâneo, retardado e minas terrestres. Têm, como alvos preferenciais, tropas em reunião (mesmo protegidas por vegetação ou tocas) , instalações não fortificadas (depósitos, PC etc), viaturas levemente blindadas etc. 



    As bombas freadas nada mais são que bombas de queda livre, equipadas com um dispositivo de freagem do tipo placas de arrasto, aletas ou paraquedas que se abrem no momento do lançamento. Tal recurso permite que aeronaves executem bombardeios a baixa altura, em altitudes de no mínimo 50 m, com ótima precisão e fora do envelope de fragmentação da bomba. De acordo com o tipo, podem ser empregadas contra os mais diversos tipos de alvos como: instalações fortificadas, veículos blindados, estradas de ferro, pontes, viadutos, sendo ideais contra pistas concretadas de aeródromo. 




    As bombas incendiárias são compridas e cilíndricas, sendo constituídas de tanques de alumínio de revestimento fino, cheio de gelatina incendiária. Embora o termo “Napalm” seja comumente utilizado para identificar este tipo de bomba, o Napalm é, na verdade, um tipo de mistura de enchimento, que foi muito utilizada na Guerra do VIETNÃ pelo exército norte-americano. São eficazes contra qualquer tipo de alvo que possa ser avariado por calor intenso, exceto os de estrutura pesada, como: depósitos de combustível, tropas em reunião, viaturas, posições de artilharia etc. São muito utilizadas em missões de supressão de defesa antiaérea, para a neutralização de UT, aproveitando-se da surpresa proporcionada pela técnica de ataque empregada de bombardeio rasante.




    As bombas inteligentes também chamadas de bombas guiadas, são usualmente bombas de queda livre, equipadas com um dispositivo de guiamento. Este, composto por um sensor que segue a reflexão de um feixe de raio laser, que ilumina um determinado alvo, modificando assim a trajetória da bomba, através de aletas de estabilização, que garantem o planeio da bomba até o alvo. O iluminador pode estar colocado na aeronave lançadora, numa acompanhante ou em terra. Tais características permitem que as bombas inteligentes possam ser empregadas contra alvos ponto com extrema precisão e serem lançadas cada vez mais longe e de qualquer posição que a aeronave se encontre, não necessariamente em ângulo de mergulho, possibilitando ainda, ataques a média altura com a mesma precisão. Existem ainda, as bombas guiadas por dispositivos optrônicos, como a TV. 



    Restrita a um menor número de forças aéreas existem ainda os mísseis e bombas nucleares, que podem ser táticas (pequena potência) ou estratégicas (alta potência), artefato com altíssimo poder de destruição e que podem ser lançadas por aeronaves em queda livre ou como componente da cabeça de guerra de mísseis balísticos e de cruzeiro.

    Torpedos

    Torpedos são armas subaquáticas que podem ser lançadas de helicópteros e aeronaves de patrulha marítima. Geralmente os modelos aero-lançados são menores que aqueles utilizados por submarinos. São empregados no combate anti-submarino, já que o fogo antinavio tende a ser mais eficaz com a utilização de mísseis, mais rápidos e de maior alcance.



    sábado, 20 de abril de 2013

    A Ameaça Aérea #



    A ameaça aérea está presente em todos os teatros de operações, é extremamente poderosa e representa hoje o maior perigo que todas as forças em operação tem de enfrentar, pois podem vetorar um variado portfólio de armas de todos os tipos e atacar qualquer tipo de alvo, desde submarinos e forças terrestres até alvos estratégicos e outras aeronaves.

    Define-se ameaça aérea a todo vetor aeroespacial cuja finalidade é alvejar objetivos militares, sejam eles terrestres, marítimos de superfície e submarinos, e outros meios aéreos. Pode ser materializada tanto por aeronaves de caça e ataque, de patrulha marítima, helicópteros militares, aeronaves sem piloto, mísseis de cruzeiro e balísticos, satélites e outros. Estes vetores podem atuar ativamente através da liberação de seus petardos destrutivos, como passivamente buscando informações por exemplo.




    Já na Primeira Guerra Mundial, praticamente no mesmo período do surgimento do avião, a ameaça aérea passou a integrar a lista de preocupações dos militares. A Segunda Guerra Mundial marcou sua maturidade e testemunhou seu emprego maciço em todas as frentes como na campanha do pacífico, nos bombardeios aliados levados ao interior do território alemão, bem como nas outras frentes de combate. Neste conflito também tivemos a estréia dos primeiros mísseis de cruzeiro representados pelas bombas V-1 e os primeiros balísticos representados pelas V-2, ambas sobre Londres. Na Guerra da Coréia apareceram os primeiros helicópteros e aeronave a jato foram empregadas em maior número. A Guerra do Vietnam marcou o uso intensivo do helicóptero e tal qual a Segunda Guerra Mundial fez uso intensivo dos bombardeiros estratégicos. Também nesta grande guerra se deram os primeiros e únicos bombardeios nucleares até o momento, quando o Japão foi alvo de duas bombas sobre Hiroshima e Nagasaki.




    Nas guerras contra o Iraque se fez uso intensivo de mísseis de cruzeiro e balísticos, lançados de submarinos, naves de superfície e lançadores terrestres, bem como de aeronaves de bombardeio estratégico com características "Stealth". Neste período a tecnologia atingiu níveis consideráveis, permitindo precisão de lançamento nunca antes alcançada, tornando os vetores aéreos ainda mais letais e perigosos.

    Devido ao perigo que representam, é muito importante que as características dos vetores aéreos presentes em um ambiente operacional sejam minuciosamente estudados, bem como suas táticas de combate e técnicas de emprego, seu armamento, através de cuidadosas análises de inteligência para que a ameaça que representam seja devidamente prevenida e enfrentada com sucesso.

    O espectro de atuação de cada meio aéreo potencialmente hostil deve ser bem conhecido por quem se propõem enfrentá-los. Cada vetor aéreo opera em uma faixa do espaço aéreo bem definida, e as armas que vão enfrentá-lo devem ser capazes de atuam com eficiência dentro deste envelope.




    Altitudes Orbitais

    A faixa mais alta do espaço aéreo é aquela geralmente utilizada pelos satélites que orbitam o planeta e cumpre várias aplicações militares importantes. Situa-se na altitude de 1.000 km ou mais, região onde a atmosfera praticamente inexiste e aqueles que lá orbitam sustentam-se por força centrífuga, não necessitando de asas ou configurações aerodinâmicas, descrevendo velocidade muito altas (27.000 km/h por exemplo para a estação espacial internacional), diminuindo a medida que a altitude aumenta. Esta região já é considerada trans-atmosférica ou espacial, e na atualidade estão sendo feitas pesquisas para a viabilização de veículos, principalmente transportes, que operem neste ambiente que permite um deslocamento muito rápido a qualquer parte do planeta em cerca de 2 horas de voo. Além dos satélites operam nesta faixa os mísseis balísticos, já na forma de suas ogivas.



    A interceptação nesta faixa do espaço aéreo é muito difícil, devido a grande altitude e velocidades desenvolvidas, e requer sistemas de armas na forma de mísseis hipersônicos de altíssimo nível tecnológico para ter alguma chance de sucesso. Como exemplo deste tipo de arma temos o míssil Thaad norte-americano que desenvolve velocidades de 10.000 km/h em seu impulso inicial, e de 24.000 km/h a 36.000 km/h em ambiente exoatmosférico, e alcança até  cerca de 250 km de altitude e destina-se a interceptação de mísseis balísticos por impacto cinético, sem o uso de explosivos, em altitudes relativamente baixas, sendo insuficiente para a interceptação de satélites.

    Os satélites orbitam em faixas variadas, sendo os modelos destinados a comunicações aqueles que estão no limite superior das órbitas artificiais terrestres. Descrevem suas trajetórias a cerca de 36.000 km de altitude na chamada órbita geoestacionária, pois para um observador terrestre ele está parado no espaço. Sua órbita acompanha o movimento de rotação da terra, e permite as antenas na superfície estarem constantemente apontadas para ele, sem necessidade de movimentar-se. Destinam-se a retransmissão de telefonia, sinais de TV e todo o tipo de comunicação a grandes distâncias. São largamente difundidos para uso civil e militar.

    Os satélites meteorológicos orbitam ou em órbita geoestacionária tal qual os de comunicações, ou em órbita polar, em altitudes muito mais baixas. Dados meteorológicos podem ser obtidos atualmente pelo simples acesso a internet, porém para informações de grande precisão ainda se fazem necessário aos militares o acesso a estes satélites, principalmente para o planejamento de operações aéreas.



    Os satélites de sensoreamento são aqueles que representam a maior ameaça em tempos de conflito, pois são eles que realizam a coleta de informações sobre o inimigo através da fotografia, monitoramento de sinais de comunicação, mapeamento de terreno, detecção de radiação e outros. Utilizam-se de sensores óticos, infravermelhos, radares de diversos tipos e outros. Poucos países os possuem, porém existem modelos comerciais que vendem seus dados a quem os desejar. O Brasil possui em parceria com a China o modelo CBERS.

    Os satélites de navegação giram em órbita média, como os do sistemas GPS a cerca de 20.000 km de altitude, e permitem orientação a navegação de todos os tipos de veículos, para uso civil e militar. Este sistema permite grande precisão na navegação, permitindo que vetores aeroespaciais desloquem-se a grandes distâncias com altíssimo grau de precisão, mesmo com mau tempo.




    Grande Altura

    A faixa que vai desde os 15 km até os limites da atmosfera denomina-se de grande altura. Nesta faixa podem atuam aeronaves como os modelos U-2 e SR-71 norte americanos hoje suplantadas pelos satélites de sensoreamento, por exemplo, e mísseis balísticos de curto e médio alcance, muito difíceis de interceptar e que podem carregar ogivas nucleares, químicas e biológicas, além das convencionais. Pode ser utilizada para bombardeio, mas é no reconhecimento estratégico que tem sua grande utilização. Existem projetos para veículos não tripulados para atuação nesta faixa do espaço aéreo.




    Média Altura

    A faixa que vai desdo 3 até 15 km denomina-se de média altura e largamente utilizada pela maioria das aeronaves de asa fixa, salvo aquelas que voam baixo para se utilizar da proteção do terreno. Nesta faixa atuam as aeronaves de alerta antecipado (AEW) dotadas de potentes radares, que além de proverem alerta antecipado, atuam como centros de comando e controle e guerra eletrônica, vetorando aeronaves de ataque e interceptação e controlando o tráfego aéreo. Atuam ainda no acionamento de baterias antiaéreas informando a presença de aeronaves hostis. 




    Tal qual as aeronaves AEW, atuam nesta faixa as aeronaves de alarme terrestre com radares de varredura lateral para busca de superfície. Aeronaves de superioridade aérea, de bombardeio estratégico e interdição do campo de batalha. Para atuar nestas altitudes as aeronaves de ataque e bombardeio devem possuir sistemas de pontaria precisos e/ou armas de precisão, bem como um nível de segurança proporcionado por escoltas e meios orgânicos que proporcionem riscos mínimos, pois são altamente visíveis aos sistemas de alerta do inimigo. Aeronaves de transporte se utilizam desta faixa desde os 3 aos 10 km, despendendo dos modelos empregados, e podem infiltrar forças especiais em salto livre a grandes altitudes com suporte de de respiração por aparelhos, normalmente a noite.




    Baixa Altura

    A faixa de baixa altura vai do solo até cerca de 3 km, e é onde se concentra a maior parte da ameaça aérea. Nesta faixa atuam os helicópteros em geral, as aeronaves de apoio aéreo aproximado, e os bombardeiros estratégicos que buscam a proteção do terreno em penetração a baixa altura com radares de seguimento do terreno. As missões de supressão de defesas antiaéreas também são realizadas nesta faixa, bem como o reconhecimento armado.




    Helicópteros, tanto da aviação do exército como das outras forças são grandes usuários desta faixa. Saltos operacionais de forças aeroterrestres e de suprimento pelo ar são realizados nesta faixa, muitas vezes por aeronaves lentas de silhueta ampla, muito vulneráveis. Aeronaves de guerra eletrônica realizam suas missões nesta faixa, especialmente contra sistemas antiaéreos através de interferência eletrônica em radares e de comunicações. Veículos não tripulados estão cada vez mais presentes nos campos de batalha modernos e sua maioria atua a baixa altura. Eles transportam mísseis ar-terra e antitanque, coletam informações para artilharia e para o reconhecimento tático. São baratos, acessíveis, difíceis de ver e podem desempenhar múltiplas missões.




    Outro vetor cada vez mais presente nos teatros de operações modernos são os mísseis de cruzeiro que voam rente ao terreno, tal qual uma aeronave de penetração, utilizando-se de sistemas de navegação de seguimento de terreno e GPS, e endereçado a alvos de coordenadas conhecidas, podendo ser disparados de qualquer tipo de plataforma. Podem ser abatidos por armas antiaéreas de tubo, porém são pequenos e difíceis de detectar. Sua taxa de sucesso na atualidade é de 85%. Como exemplo destes sistemas temos o Tomahawk norte-americano, e em desenvolvimento no Brasil o AV/MT-300 para 300 km.




    Conclusão

    Cada vez mais presente e letal, a ameaça aérea é sem dúvida nenhuma o maior perigo que uma força em combate enfrenta na atualidade, e sua ameaça deve ser prioridade no planejamento da defesa e segurança desta força. Em tempos de paz a ameaça aérea também está presente, como ficou evidente no atentado do 11 de setembro contra o Pentágono e Torres Gêmeas em Nova York, utilizando-se de voo comerciais e humilhando as defesas da nação mais poderosa do mundo. No Brasil a prevenção a ameaça aérea vem sendo negligenciada a anos e esforços neste sentido vem sendo implementados nos últimos meses para corrigir importante deficiência.