"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Aviação do Exército - Possibilidades #


A não linearidade dos combates modernos veio a enaltecer o papel da aviação orgânica das forças terrestres, que desempenham um papel de grande importância na atualidade, seja como burros de carga, plataformas de fogo, olhos de tudo veem ou táxis de campo de batalha. Seja apoiando operações com linhas de contato definidas ou totalmente dispersas, a flexibilidade proporcionada pela aviação do exército constitui fator imprescindível aos comandantes modernos.

A aviação orgânica dos exércitos permite as estes a ampliação da área de interesse para a manobra terrestre, sem depender da disponibilidade dos meios da força aérea, nem sempre presentes. Possuir meios aéreos próprios permite aos exércitos flexibilidade e prontidão em suas respostas a demanda dos combates modernos.



Os meios aéreos de um exército constituem-se em fator multiplicador do poder de combate, podendo atuar em profundidade dentro de área de operações, possibilitando um grande número de opções táticas aos comandantes militares, desembarcando tropas e as recolhendo em pontos capitais afastados, efetuando bloqueios e combatendo em pontos chave inacessíveis a forças que se deslocam por terra, antecipando sua ocupação ao inimigo. Áreas com características restritivas de mobilidade como selvas tropicais, áreas montanhosas ou regiões com grande extensões alagadiças demandam o apoio de meios aéreos para o rápido deslocamento de tropas e outros meios e recursos. A infiltração e exfiltração de forças especiais e pequenos contingente cumprindo missões especiais de grande importância são missões especialmente adequadas a aviação do exército.

Outra possibilidade tática dos meios aéreos de grande valor para a força terrestre é a capacidade de observação a partir do alto, dispensando a necessidade de posse de elevações que podem estar em poder do inimigo, permitindo a avaliação da situação tática em tempo real, e a constate vigilância dos meios aéreos os torna aptos a prover alerta antecipado ao esforço principal do inimigo, com grande antecedência. Comandar do alto é de grande valia para qualquer comandante militar e a capacidade se estabelecer postos de comando aeromóveis traz grandes facilidades a esta função, fazendo com que os comandantes possam deslocar-se enquanto dirigem uma manobra, simplificando as ligações de combate e inteligência eletrônica.



De posse de uma mobilidade sem igual, as forças aéreas de um exército podem de uma forma rápida redirecionar a pressão sobre o inimigo a partir de uma nova possibilidade tática decorrente da evolução do combate, aproveitando os erros do inimigo ou corrigindo os reveses da própria força, flexibilizando a manobra.  Atuando como artilharia aérea pode prover apoio de fogo a tropas em dificuldades ou que solicitem seu apoio a fim de facilitar o cumprimento de sua missão, bem como engajar forças inimigas a partir do alto, como colunas blindadas ou não em avanço.

Outra função muito útil é a capacidade de reorganizar rapidamente os meios de apoio ao combate, como morteiros e artilharia, radares de vigilância e equipamentos leves de engenharia. Auxiliar na transposição de grandes cursos d`água, transpondo tropas para a outra margem para assegurar a cabeça de ponte necessária a esta operação, que de outra forma teria que ser feita pelo vulnerável método de transposição com barcos. Além destas tarefas pode ainda atuar na suplementação do apoio logístico a forças mais afastadas e de paraquedistas por exemplo, que podem estar isoladas em território inimigo, e ainda reforçando eixos de suprimento interrompidos pelo inimigo até que possam atuar por conta própria. Pode ainda prover ressuprimento imediato a tropas sob pressão e que necessitem de munição urgente.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Operações em Áreas Fortificadas



Áreas fortificadas são áreas que se caracterizam por um grande número de trabalhos de engenharia de combate efetuados no terreno em largura e profundidade, de forma organizada e com seus dispositivos proporcionando proteção mútua uns aos outros, com finalidade defensiva.

Assim podemos ter por exemplo, campos minados para proteção anticarro com minas antipessoal para evitar que sapadores desarmem as minas anticarro. Este campo por sua vez pode ter ao fundo posições de metralhadoras dentro de espaldões protegidos por sacos de areia alvejando qualquer indivíduo que ouse tentar seu desarme. Adjacente a este campo podem ser montados fossos anticarro, ou ainda ser desdobrado imediatamente na margem oposta de um curso d’ água de grande porte. A retaguarda podem ser posicionadas baterias de artilharia de alcance superior para fogo de contrabateria, afim de impedir que a artilharia inimiga provoque a abertura de uma brecha neste campo “a bala”.

Raramente se desdobra uma posição constituída por um único elemento.



Estas áreas proporcionam aos defensores proteção eficaz com grande economia de forças, pois qualquer tentativa de rompimento se constitui num grande esforço de engenharia de combate feito sob fogo cerrado com duvidosas chances de sucesso, dependendo é claro dos meios do invasor e da sofisticação da posição defensiva. 

Fortificações de campanha podem ter caráter permanente contando com casamatas de concreto e instalações sofisticadas ou disporem apenas de meios de campanha para rápido abandono em caso de rompimento. Devem contar com postos de vigilância, malha viária para rápida alocação de tropas, comunicações eficazes e reservas altamente moveis localizadas em posições centrais com acesso rápido aos pontos onde se fizer necessária. 

Todos os elementos de uma posição fortificada devem contar com meios de cobertura mútua, seja no combate ao seu rompimento, seja no seu deslocamento interno. É de suma importância que estas áreas sejam desdobradas de tal forma que seu cerco seja pouco provável, pois o rompimento de suas linhas de comunicações pode resultar no isolamento de suas forças com conseqüente comprometimento do poder de combate por falta de munição e víveres, pessoal e equipamento caso não seja possível seu ressuprimento.



As forças em geral tendem a evitar combater nestas áreas, sendo elas especialmente adequadas a proteção de áreas de retaguarda e desdobramento logístico. Quando o combate é inevitável, as forças tendem a fixar estas posições com forças menores, dirigindo o esforço principal para áreas mais distantes e decisivas. A forma mais adequada de engajar estas áreas é através de um cerco e incisões pelos flancos e retaguarda.

O ataque a uma área fortificada geralmente obriga o inimigo a emassar-se e constituir-se em alvo de grandes proporções, adequado, por exemplo a ataques aéreos pela aviação dos defensores. Este ataque demanda esforços de grande proporções provocando o enfraquecimento dos atacantes e tornando-os vulneráveis a contra-ataques. Por outro lado o inimigo pode bater estas áreas com sua artilharia ou aviação de ataque e bombardeio, ou ainda desbordá-las e preocupar-se com elas no futuro.

Estas posições permitem economia de forças nas áreas avançadas, disponibilizando  reservas proporcionalmente maiores para contra-ataques por forças altamente móveis e agressivas.

Vale lembrar que as grande fortificações estáticas de segunda grande guerra, como a linha Maginot ou a muralha do atlantico tornaram-se obsoletas com o advento da táticas e armas de guerra de movimento.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Fogos de Artilharia de Campanha #



O combate terrestre é um bem orquestrado conjunto de ações, que quando desencadeado, transforma-se numa caótica disputa aparentemente desorganizada e sem qualquer coordenação. Aqueles que conhecem, pelo mínimo que seja, como os militares se comportam sabem que nada se faz sem que um plano tenha sido concebido, seja ele um plano relâmpago ou bem elaborado, procurando cercar de todas as formas os meandros de qualquer operação, antecipando suas conseqüências e reduzindo o risco, além de buscar o meio mais rápido de alcançar seus objetivos.

Um dos fatores predominantes em qualquer campo de batalha é o uso do fogo, que aliado a manobra, constituem-se no binômio onipresente em qualquer combate moderno. O fogo é usado de forma direta pelas armas-base (infantaria e cavalaria) com seus fuzis, metralhadoras e carros de combate; que o endereçam a seus alvos enquanto se movem pelo terreno, em movimentos programados quase sempre contando com a cobertura de suas forças.



Porém a arma terrestre que emprega o fogo como seu argumento final é a poderosa artilharia de campanha, capaz de desdobrá-lo em largas frentes e grandes profundidades, podendo sem mudar de posição, realocá-los a vários quilômetros de distância e em seguida buscar um novo alvo muito longe deste último.

Trabalhando em íntimo contato com as armas-base, a artilharia de campanha quase sempre executa seus fogos em proveito e a pedido destas, atirando por sobre suas cabeças e alvejando com precisão áreas imediatamente a frente das tropas amigas.

Postada quilômetros a retaguarda das linhas de contato, a artilharia tem por característica manter um constante volume de fogo para que as armas-base possam avançar por sobre uma resistência debilitada e desorganizada, facilitando sobremaneira o trabalho destas. A artilharia de campanha, sempre a retaguarda, precede com seus fogos o avanço das armas-base, para que estas possam atravessar ruínas dos dispositivos defensivos, alvejando com seu armamento os alvos que sobrarem.



Denominado apoio de fogo, a missão da artilharia de campanha conta com um bem estruturado sistema de controle e coordenação de suas missões de tiro, que devem ser sincronizadas com a manobra geral e coordenadas pelo seu sistema de observação e cálculo.

Sob os aspecto tático os fogos da artilharia de campanha, que é o nome que se atribui ao conjunto de tiros destinados a uma finalidade comum, se classificam em fogos de apoio, de contrabateria e aprofundamento do combate.


Fogos de apoio: 

São os fogos desencadeados em proveito das unidades em contato direto com o inimigo, em alvos próximos que possam ameaçar a forças amigas, e cuja finalidade é minimizar o risco e o esforço destas unidades no cumprimento de suas missões. Estas missões tem como alvos tropas inimigas, radares de campo, colunas de carros de combate em contato com forças amigas, armas anticarro, e outras.

Fogos de contrabateria: 

São os fogos que tem por alvos os sistemas de artilharia e apoio de fogo do inimigo, e devido a localização destes sistemas devem ser executados por material de maior alcance, normalmente alocados as unidade de artilharia de escalões superiores. Os alvos dos fogos de contrabateria são os morteiros, artilharia de tubo e de foguetes inimigos.

Fogos de aprofundamento: 

São os fogos efetuados bem a retaguarda do dispositivo inimigo e visam provocar desorganização nos sistemas de comando e controle, depósitos de combustível e munição e outras instalações logísticas, inviabilizar área do campo de batalha e de retaguarda ao movimento inimigo e outros alvos que não envolvam os combates junto as linhas de contato. Exigem normalmente material de grande alcance.



domingo, 22 de setembro de 2013

Operações Anfíbias #




Uma operação anfíbia é caracterizada pelo desembarque de força terrestre em litoral defendido, ou o seu embarque a partir deste mesmo litoral, fazendo a operação inversa. 

Inclui desde os planos iniciais e permonerizados, o embarque coordenados de tropas e equipamentos em ordem inversa da que serão desembarcados, os ensaios e treianmentos que visam refinar o processo operacional , a travessia até a cabeça de praia a ser ocupada, o desembarque das tropas de assalto e meios de apoio e suprimentos, e o apoio à força de desembarque até o término da operação. 



Forças de todos os tipos e características podem integrar este tipo de operação. A partir de um grupo-tarefa naval uma força de combate terrestre e seus meios de suporte ao combate devem ocupar uma cabeça de praia com poder suficiente para lá se manter com seus próprios meios, em profundidade adequada e assegurar que forças subsequentes possam desembarcar em segurança, contando com apoio intensivo de aviação de combate, de transporte de assalto e de asas rotativas. Devem ser eficientemente coordenadas e possuirem relações de comando bem definidas e adequadamente integradas por meios de ligação modernos e eficazes.

O controle da área marítima e espaço aéreo que influencia na operação deve ser assegurado, e as forças inimigas que defendem os locais de desembarque devem ser convenientemente debilitadas através bombardeios e outras manobras adequadas. A forca de desembarque deve contar com superioridade significativa sobre estas forças de defesa. As áreas escolhidas para desembarque devem oferecer condições para desdobramento do dispositivo defensivo que assegure a integridade a força desembarcada, além de suficiente vias de acesso para fora desta área a fim de que se possa dar sequência as operações subsequentes. Após o desembarque inicial, a força-tarefa anfíbia deve ter condições de prestar apoio tático e logístico contínuo as forças desembarcadas;



A operação se inicia com uma bem planejada preparação de fogos navais e aerotáticos a fim de debilitar as forças defensoras, seguida de um deslocamento inicial de meios blindados lançados a partir dos navios de assalto anfíbio a fim de fazerem os primeiros contatos com o inimigo. Estas primeiras vagas de desembarque são acompanhadas por tropas deslocadas de helicópteros e transportes de assalto a fim de assegurarem pontos capitais mais afastados do litoral e garantirem sua integridade até que as forças mais potentes ali cheguem. Após os blindados anfíbios, lanchões trazem os blindados mais pesados, mais tropas e os primeiros meios logísticos. Por fim firam estabelecidas condições para que navios de maior porte possam desembarcar sua carga diretamente nas praias, proporcionando uma maior velocidades às operações.

A progressão ao interior deve ser feita na maior velocidade possível, sem perder o ímpeto inicial. Esta progressão devem ser balanceada com a capacidade dos meios disponíveis em assegurar a segurança das vanguardas e não estrangular a "cauda" logística.



Estas  operações são caracterizadas por 5 fases: planejamento, embarque, ensaio, travessia e assalto. O planejamento ocorre durante toda a operação, porém com intensidade maior nos períodos que antecedem ao desembarque. Estas fases acontecem de foram sobreposta e cada qual predomina em determinados períodos da operação. Deve-se dispensar especial atenção a defesa antiaérea, pois o assédio de aeronaves inimigas, seja de apoio aerotático como de desembarque certamente se farão presentes como a principal ameaça.

Os fogos de apoio são inicialmente proporcionados pelos meios navais e aéreos, sendo o fogo dos meios orgânicos possível apenas após as primeiras fases do desembarque quando unidades de apoio já estiverem em terra e áreas para seu desdobramento disponíveis. Estes fogos devem ser minuciosamente coordenados. Operações de características também são amplamente empregadas por forças especialmente adestradas, buscando informações, destruindo alvos pontuais e checando as condições de abicagem dos grandes meios anfíbios, entre outras.



Estão operações são consideradas concluídas quando quando os objetivos estabelecidos são atingidos, geralmente com a consolidação da cabeça de praia.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O Tiro de Artilharia #



A Artilharia de Campanha é caracterizada pela sua grande potência de fogo. Partindo de posições relativamente distantes das linhas de contato, os fogos de artilharia cruzam o espaço aéreo dos campos de batalha em busca de seus alvos, batendo áreas poucos metros a frente da infantaria amiga e com trajetórias por sobre suas cabeças, que conta com o indispensável apoio da arma que é a responsável pela maioria das baixas em combate e facilitadora do trabalho das armas-base.

A artilharia não cerra sobre o inimigo, mas aloca seus fogos em profundidade junto às suas fileiras, desorganizado seu dispositivo e enfraquecendo seu poder combativo, proporcionando tanto a cavalaria como a infantaria oponentes mais fáceis de serem suplantados. Dotada de alta flexibilidade em alcance e direção, os fogos de artilharia são deslocados quase que instantaneamente de um alvo a outro a partir de posições dispersas e temporárias.


A arma do fogo apoia os elementos de combate neutralizando ou destruindo os alvos que lhes são designados, aprofunda o combate com fogos de contrabateria (contra a artilharia inimiga) e de isolamento (aqueles que restringem a mobilidade inimiga), desarticulando instalações a serviço do inimigo e frustando sua manobra.

Estes efeitos de combate são conseguidos através do impacto de uma considerável quantidade de projéteis (granadas de artilharia) atingindo seus alvos no tempo adequado com a munição (granadas e espoletas de vários tipos) apropriada.


A técnica de tiro de artilharia, eficazmente aplicada a direção de tiro junto às baterias de obuses e lançadores múltiplos de foguetes é que assegura os efeitos desejados da arma junto aos seus alvos. Estas baterias, convenientemente inseridas em grandes malhas de tiro de várias delas e integradas por comandos de grande escalão são capazes de efeitos devastadores, pois podem concentrar de forma imediata o impacto de um grande número de bocas de fogo em um só alvo, e no momento seguinte direcionar o fogo de cada uma a alvos distintos, voltando seus impactos a reunir-se, parcial ou totalmente onde forem necessários, sem que qualquer das baterias, separadas por quilômetros, precise mudar de posição, embora o façam a fim de evitar a contrabateria inimiga.



Observadores avançados e oficiais de ligação atuam juntos às armas-base a fim de atenderem as necessidades de apoio de fogo destas e traduzirem estas necessidades em comando de tiro válidos. Estes observadores atuam também isolados em posições de observação cuidadosamente escolhidas a fim de orientarem os cálculos das centrais de tiro e observarem os impactos, corrigindo através de orientações a estas centrais a trajetória dos projéteis e seus pontos de impacto no terreno a fim de obter eficiência máxima.



O tiro de artilharia pode atender um grande número de demandas podendo destruir ou neutralizar através de impactos de alto explosivo com sopro e estilhaçamento de granada de metal. Estes impactos poderão ser detonados pelo contato com o alvo ou através do tempo voo, com arrebentamentos em altitude, dependendo do efeito desejado. Podem espalhar fumaça ou munições especiais (como as ogivas químicas, biológicas e mesmo nucleares), buscar alvos móveis como carros de combate ou atingir comboios ao longo de uma estrada. Causam efeitos de inquietação, impedindo ao inimigo  momentos de relaxamento e provocando sua fadiga, de iluminação do campo de batalha, de propaganda e balizamento, de sinalização e interdição do terreno, impedindo sua utilização.

De natureza eminentemente técnica, a execução do tiro de artilharia requer profissionais altamente treinados seja em sua observação, cálculo ou linha de fogo.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Áreas Estratégicas #




Uma campanha militar se baseia em 2 pilares estratégicos: Debilitar a capacidade de resposta do inimigo, seja por ação militar direta contra suas forças ou pela frustração de sua logística, atuando junto a fornecedores, unidades, e rotas; e pela ocupação e domínio de suas áreas estratégicas, privando-lhe de estruturas vitais como usinas de energia e fornecimento de combustíveis, por exemplo. Ocupar um terreno, por exemplo por onde passa uma estrada importante ao seu suprimento pode inviabilizar a manobra das unidades que estão do outro lado.

A contra ofensiva das Ardenas em 1944 visava privar as forças aliadas do porto de Antuérpia, importante para dar fôlego ao avanço das forças de Eisenhower, assim como o desembarque na Normandia tinha como seu objetivo imediato conquistar o porto de Cherbourg. Identificar estas áreas é de vital importância a estratégia militar. Sejam áreas próprias que devem ser defendidas, ou inimigas que devem ser conquistadas. A conquista de uma área importante pode abreviar uma campanha, evitar a perda de muitas vidas e economizar recursos valiosos.

Áreas estratégicas, na conotação militar, são àqueles espaços que demonstram maior importância para a atividade militar, e cuja perda ou privação de seu domínio trás enormes prejuízos a esta atividade. Toda campanha militar visa o domínio destas áreas, que podem estar em território nacional e tem que ser preservadas, ou em território além-fronteiras que devem ser conquistados ou cedidos ao uso, que em última análise é a razão de ser da campanha. Cabe às forças engajadas de cada lado manterem o domínio nestas áreas, se não for possível na totalidade do território, pois é a partir delas que qualquer reação a uma ocupação deverá se iniciar.

Assim temos, só para tomar como exemplo, os canais do Panamá e Suez por onde passa grande parte do comércio mundial; Os estreitos de Gibraltar e Ormuz, este último importante rota de petroleiros; os cabos Horn e da Boa Esperança, também passagens importante de navios; Os terminais portuários de Roterdã para a Europa, Santos para o Brasil e de Xangai para a China. Em um nível mais pontual temos as elevações que abrigam estações de radar e se prestam a observação, os túneis que atravessam grandes elevações, os aeroportos e troncos ferroviários, áreas industriais de base e interesse militar, entre outras.


Outras áreas são estratégicas por constituírem grandes obstáculos, como a grande depressão de Qattara na Líbia que afunilou a manobra durante a II Guerra, o deserto do Saara, o gelo polar ártico que impede o uso de bases navais russas no norte, a floresta amazônica de estradas escassas que condiciona sua transposição ao uso de vias fluviais, as grandes cordilheiras e outros, que não necessitam serem defendidos pois já os fazem por seus próprios meios.

Também podemos considerar áreas estratégicas espaço não físicos, como a pré-disposição de um país fornecedor de armas em continuar a fazê-lo, a capacidade de acesso a informações vitais, por exemplo.

O planejamento militar de uma nação visa a preservar estas áreas, priorizando sua defesa em detrimento de outras, pois sua interdição pode significar o derrota. Os tempos modernos atribuem grande importância aos centros urbanos, onde estão a principais indústrias e centros de comando e comunicações.

Áreas Estratégicas de Interesse Militar

São consideradas áreas estratégicas de interesse militar:
* Regiões de fronteiras, por onde possam entrar e sair drogas, armas e outros materiais      não autorizados;
*   Pontos de acesso a área de operações e de interesse;
* Aquartelamentos e bases militares, principalmente aqueles de maior importância a proficiência operacional das forças-armadas;
* Centros de comando, controle e comunicações que servem às forças-armadas;
* Centros de pesquisa e tecnologia de interesse militar;
* Centros industriais, tanto de importância militar como de industria de base;
* Capitais e centros de governo, estruturas e instalações de comando e controle de forças militares;
* Estradas, nós rodoviários e ferroviários, portos e aeroportos, e outros terminais que possibilitem mobilidade ás forças operativas;
* Centros de produção e distribuição de energia e de tratamento de água;
* Refinarias, plataformas petrolíferas e centros de distribuição de combustível;
* Grandes aglomerações urbanas;
* Gargantas, istmos, canais, elevações, túneis, viadutos e pontes, rios e deltas, áreas oceânicas e outros acidentes geográficos que possam ser úteis e necessários a operação das forças-armadas.
* Outras áreas que se revelem importantes a operação de forças militares de acordo com o contexto de cada situação.

Basicamente, todas as operações militares se dão na defesa ou conquista destas áreas estratégicas, ou ainda sobre algum fator localizado dentro delas. Cabe aos planejadores das forças-armadas sua identificação e formulação de suas hipóteses de emprego em ações dentro destas áreas.



sábado, 4 de maio de 2013

O Moderno Combate Blindado #



O combate terrestre moderno, quando travado em terreno favorável e livre de grandes obstáculos, é invariavelmente dominado pelo elemento blindado. Forças blindadas caracterizam-se pelo combate ofensivo, onde se procura impor ao inimigo um ritmo intenso e pouquíssimo tempo para reagir e pensar, protagonizados por carros de combate capazes de suportar um atrito extremo, manobrando com grande ímpeto em ações simultâneas em toda a extensão de uma área de combate. 




Cobrindo grandes distâncias em pequenos espaços de tempo, as forças blindadas valem-se do altíssimo poder de fogo de seus carros de combate  proporcionado por seu armamento de tubo. Capazes de disparar projéteis a grandes pressões e consequente devastador poder de penetração, procuram pelos pontos mais vulneráveis do dispositivo inimigo a fim de penetrar em seus flancos e pontos menos protegidos.

O carro de combate moderno é uma arma altamente letal, capaz de acertar seu objetivo tanto parado como em movimento, sempre no primeiro disparo e com pouquíssima probabilidade de erro, graças aos seus  computadores balísticos que orientam o disparo preciso de projéteis devastadores capazes de penetrar blindagens espessas.




Caracterizado pelo conceito das armas combinadas, onde uma ponta de lança blindada avança apoiada por elementos multiplicadores de seu poder de combate, o carro de combate demanda contramedidas pesadas para ser detido. Assim se faz necessário a presença da engenharia de combate demovendo os obstáculos ao avanço, a cobertura proporcionada pela aviação de apoio e pela artilharia de campanha "amaciando" o terreno por onde os blindados passarão, a cobertura aérea proporcionada pela artilharia antiaérea que os acompanha em um nível mais próximo e pela aviação de superioridade aérea que procura formar um "guarda-chuvas" defensivo em torno deles, a infantaria blindada que lhes seve de guarda-costas impedindo que elementos pouco visíveis (infantaria inimiga) os aborde e ataquem seus pontos vulneráveis. Toda esta atividade deverá ser convenientemente suprida e assistida por adequada capacidade logística, provendo combustível e munição onde forem necessários e nas quantidade requeridas.




Todo este sistema de combate é extremamente dependente de comunicações eficientes e seguras, proporcionando capacidade de comando e controle para direcionar estas forças combinadas para onde forem mais necessárias e de forma sinérgica. Não menos importantes são os serviços de inteligência e busca de alvos, que fornecem os subsídios a operação destas forças, provendo em tempo real as informações de onde está o inimigo e que tipo de ameaça se irá enfrentar.




Esta manobra deverá caracterizar-se pelo ímpeto e pela iniciativa, em ações conduzidas com audácia e flexibilidade, aplicando seu poder de fogo de forma violenta e precisa frente as ameaças que vão se configurando no decorrer da manobra, que deve ser coordenada e sincronizada no tempo e no espaço.

O contínuo movimento caracteriza uma condição de baixa vulnerabilidade e alto fator de incerteza as defesas inimigas, evitando que estas retomem a iniciativa das operações. A presença das ações de guerra eletrônica limitando as comunicações, exigem rapidez e uma evolução constante da situação tática, onde as capacidades de liderança dos comandantes de campo serão fundamentais, pois as ligações com o escalão superior poderão estar prejudicadas.




Cabe as forças blindadas a função de encontrar o inimigo e estabelecer o contato com ele, fixando-o, manobrando a fim de penetrar seu flanco, desordenando seu sistemas de comando e controle, apoio ao combate e logístico, deixando o seu dispositivo mais vulnerável a ação da infantaria que vem logo atrás para ocupar o terreno e estabelecer seu domínio.




O uso de forças blindadas está diretamente relacionado a presença e uso de malha rodoviária. Embora os veículos sejam concebidos para serem usados em condições "off-road", as condições meteorológicas podem restringir seriamente a mobilidade destes e dos imprescindíveis veículos de apoio logístico, normalmente deslocando-se sobre rodas. Outro fator fundamental a mobilidade blindada, além da rede de estradas, é o domínio dos pontos de travessia de cursos d´agua (pontes) em condições  de suportarem o peso dos carros de combate, que em alguns modelos pode chegar a 70 toneladas. A indisponibilidade destes pontos de travessia demanda esforços de engenharia para tal, operação complexa e de alto risco.

As unidades operadoras de carros de combate normalmente são empregadas como ponta de lança de ataques de suas grandes unidades, utilizando-se das universais características destes que são o alto poder de fogo aliado a forte proteção blindada instalados sobre um chassi que permite ao conjunto altíssima mobilidade. São capazes de avançar sobre o dispositivo inimigo sob apoio, enfrentando outros carros de combate inimigos e penetrando em profundidade sobre seu dispositivo, desorganizando sua defesa e abrindo brechas para a infantaria aplicar seu poder de combate. Em outras situações as forças de carros de combate podem permanecer em reserva para emprego imediato a disposição do comando para aproveitar situações que se configurem, reforçar pontos sob pressão mais intensa e prover a segurança de flanco e retaguarda, sempre pronta a lançar contra-ataques e mudar seu perfil operacional.



O combate moderno ser caracteriza pela continuidade das operações, não mais existindo pausas pela chegada da noite. Manter pressão constante sobre o inimigo é necessário de forma a impedir que se reorganize ou entre em manobra de retirada, que deve sempre ser contida. Recursos tecnológicos que permitam o combate noturno são fundamentais para se habilitar a tal condição.



Forças blindadas operam com excelência, como já foi dito em terreno providos com malha viária, porém podem operar com eficiência fora dela em terrenos relativamente planos e que propiciem poucos obstáculos. Regiões de selva, de montanha, pantanosas e similares são totalmente inviáveis ao emprego deste tipo de força. Combates em ambientes urbanos são limitados devidos a pobreza dos campos de tiro e observação e a vulnerabilidade inerente que as ruas proporcionam aos carros de combate, que operam em apoio a infantaria.