"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Comando e Controle (C2) - Parte 1 #



O combate é uma atividade complexa e perigosa, onde decisões erradas e inoportunas podem significar o fracasso de uma operação e a vida daqueles que dela participam. É obrigação de todo comandante militar buscar o sucesso das missões que lhes são confiadas, zelando no maior nível possível pela integridade de seus comandados e seguindo a premissa básica da guerra que é a economia de meios, que poderão fazer falta mais adiante.

Um comandante precisa manter-se informado de todos os detalhes variáveis ou não da área de operações onde atua, bem como daqueles que ali estão, sejam amigos, inimigos ou neutros. Precisa ainda tomar decisões, transmitir ordens, assegurar-se que elas serão cumpridas e readequar seus planos de acordo com a evolução da situação tática.

Os meios modernos de combate impõem uma dinâmica nunca antes experimentada aos campos de batalha, com aeronaves e mísseis deslocando-se a grandes velocidades, sensores captando toda e qualquer atividade pondo em xeque as intenções de se desenvolver ações sigilosas, carros de combate proporcionando alta flexibilidade ás ações terrestres, mísseis balísticos praticamente impossíveis de interceptar sendo lançados de submarinos que surgem do “nada” ou de plataformas terrestres altamente móveis, forças leves dotadas de grande mobilidade proporcionada pelos flexíveis vetores de asas rotativas que podem colocá-las em praticamente qualquer lugar, além de outros meios de combate que tornam a necessidade de se tomar decisões rápidas e precisas cada vez mais freqüente.



Meios de comunicações, eletrônicos e de informática, dotados de “softwares” adequados são fundamentais para que estas decisões possam ser transformadas em ordens efetivamente postas em ação, necessitando de sistemas de comando e controle (C2) e comunicações (C3) bem estruturados e dotados de tecnologia de ponta, além de serem altamente resistentes a interferência por parte do inimigo. Estes sistemas podem ainda ser designados pelo acréscimo do componente informações (C3I) que é a base para a tomada de toda e qualquer decisão.

O Comando é o exercício da autoridade sobre as forças subordinadas e o controle é o conjunto de ações que visa fazer valer as intenções do comando, sendo que este deve sempre atuar em proveito daquele e nunca o contrário. Cabe ao comandante o exercício do comando e aos seus estados-maiores o exercício do controle.

Assim uma força de incursão aérea deve poder deslocar-se por um corredor previamente definido sem correr o risco da artilharia antiaérea amiga confundi-la com forças inimigas, um submarino de ataque deve ter certeza que seu alvo não faz parte de suas próprias forças, uma tropa de infantaria deve saber o momento de efetuar uma retração para poder liberar uma área alvo para sua artilharia de apoio, um desembarque anfíbio deve se dar em uma praia segura e na ordem correta, de forma que o combate que ali se desenrolar possa contar com os meios previstos, bem como o constate fluxo de meios provindos do mar não provoque um engarrafamento monumental nas cabeças de praia.

Uma ordem de operações começa quando uma informação importante chega ao posto do comando, é avaliada e processada, e depois exposta ao comandante, já refinada e contextualizada. Este a avalia, toma sua decisão e espera que suas ordens sejam prontamente transmitidas as unidades que as executarão, sempre em tempo hábil, sob o risco de todo o processo ter sido em vão e as conseqüências graves. Devido ao estado da tecnologia atual, grande parte das ordens são totalmente automatizadas, liberando os comandos para voltarem sua atenção a análises mais importantes e específicas.




Os meios eletrônicos modernos, baseados em computadores podem filtrar uma única informação e fazê-la chegar a diferentes escalões de forma distintas, fazendo com que cada um receba apenas a parte que lhes interessas. Assim por exemplo, ao alimentar-se uma ordem de ataque aéreo no sistema, os pilotos a recebem e podem planejar sua missão, os mecânicos também a recebem e podem começar a preparar as aeronaves antes mesmo de qualquer contato com os pilotos ou destes emitirem suas orientações, o pessoal dos suprimentos podem começar a abastecer as aeronaves designadas com o combustível necessário e as armas de que fará uso, que em última instância serão designadas pelo pilotos, o controle de tráfego aéreo poderá liberar os corredores para a incursão, alertando a antiaérea e a aviação de caça amiga seja para evitar fratricídio, seja para proporcionar escolta as forças atacantes.


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Busca de alvos na artilharia de campanha do Exército Brasileiro: um começo



 
Cezar Augusto Rodrigues Lima Junior
Capitão de artilharia
1. INTRODUÇÃO
           
A história da busca de alvos remonta a própria origem dos conflitos armados, quando eram levantados pontos sensíveis que deveriam ser neutralizados para facilitar o sucesso nas empreitadas belicosas. A maneira como se atacava esses “alvos” sofreu considerável evolução com o advento da neurobalística e posteriormente da pirobalística. Passou-se a lançar engenhos cada vez mais destruidores e precisos e os fogos também passaram a ser mais profundos.

Grande salto tecnológico foi dado com o aprimoramento do tiro indireto, visto que os fogos passaram a ser feitos de locais protegidos das vistas do inimigo, bem atrás da linha de frente. A própria evolução da artilharia de campanha levou a um consequente aprimoramento da busca por alvos. Passando pelos informes da inteligência, olhos do observador, emprego de observadores aéreos e posterior utilização de radares e veículos aéreos não tripulados, a maneira como são levantados objetivos para artilharia deu impressionante salto no século XX.

Hoje os países mais avançados militarmente já trabalham com conceitos que abrangem não mais apenas a artilharia de campanha, mas integram diversas atividades permitindo ao comando possuir uma visão sistêmica do combate na área de busca de alvos. Um desses conceitos é o ISTAR (Intelligence Surveillance Target Acquisiton and Reconnaissance), que é o processo que integra a inteligência, vigilância, aquisição de alvos e reconhecimento de uma maneira que permite ao comandante possuir uma consciência situacional do campo de batalha para poder tomar melhores decisões.


A figura 1 exemplifica a complexidade do controle que o comando deve ter sobre os aspectos relativos ao sistema operacional apoio de fogo no campo de batalha.


 Figura 1 - Consciência situacional no sistema apoio de fogo (Fonte: Cel Emílio Monteiro e Cap Cezar)

Dentro desse contexto, o papel da artilharia de campanha é definido com o conceito STA “Surveillance and Target Acquisition”(Vigilância e Aquisição de Alvos). Essa tarefa é cumprida por unidades que empregam na sua generalidade radares de tiro e de vigilância terrestre, bem como sensores acústicos e aeronaves remotamente pilotadas.

O Exército Brasileiro aprovou em portaria de 28 de novembro de 1978 o Manual de Campanha C 6-121 – A BUSCA DE ALVOS NA ARTILHARIA DE CAMPANHA, contudo até hoje pouco foi feito relativo a esse tema. As nossas artilharias divisionárias não possuem suas baterias de busca de alvos previstas na doutrina e, por conseguinte, ficam dificultadas de realizar suas principais missões que são realizar fogos de contrabateria e aprofundar o combate.

O presente artigo tem por objetivo apresentar uma solução para o preenchimento dessa lacuna. Foram utilizadas como fontes de consulta manuais de campanha brasileiros e estrangeiros e artigos da internet. Serão apresentados alguns materiais utilizados mundialmente na busca de alvos, as organizações de unidades STA de alguns países, uma proposta para organização da especialidade na artilharia de campanha e, por fim, uma breve conclusão.


2. BUSCA DE ALVOS NA ARTILHARIA DE CAMPANHA ESTRANGEIRA
            Diversos países empregam tecnologias modernas na atividade de busca de alvos além de organizarem suas unidades de maneira similar, fato comum entre os países integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

O Reino Unido possui duas unidades de artilharia nível regimento responsáveis pelo levantamento de objetivos. O 5th Regiment Royal Artillery tem por tarefa operar radares de tiro e sensores acústicos, bem como fornecer equipes de “observadores especiais” para as tropas da manobra designadas no campo de batalha. Devido às características especiais dos seus meios e apesar de possuir uma organização de regimento, suas baterias são empregadas de forma descentralizada, visando atender às necessidades específicas da manobra e possuindo para isso uma organização flexível e modular.

32nd Regiment Royal Artillery é a unidade responsável por operar aeronaves remotamente pilotadas sendo equipado com o SANT (Sistema Aéreo Não Tripulado) Hermes 450 e Watchkeeper 450 possuindo para a execução dessa tarefa 8 baterias espalhadas pelos territórios britânicos.

Ambas as unidades foram regimentos de artilharia mobiliados com obuseiros no passado que, com a modernização do exército britânico, foram transformadas em unidades STA.

O exército australiano possui o 20th Surveillance and Target Acquisition Regiment (Royal Australian Artillery) que ,diferentemente do modelo britânico, emprega uma organização mista de baterias. Possui uma fração de comando, uma bateria similar a nossa bateria de comando, e duas baterias de busca de alvos, uma que emprega radares de tiro, de vigilância do campo de batalha e sensores acústicos, e outra que emprega aeronaves remotamente pilotadas.

De uma maneira geral os exércitos dividem a busca de alvos na artilharia de campanha em frações de radares e sensores acústicos e frações de aeronaves remotamente pilotadas, como também fazem os exércitos italiano e alemão.

Um caso a ser estudado separadamente é o dos Estados Unidos. A capacidade tecnológica que este país possui é tamanha que todos os seus sistemas de combate atuam de forma perfeitamente integrada enviando dados para o escalão decisório e, por conseguinte, permitindo que o comando tenha um real conhecimento de tudo que acontece no campo de batalha.

Parte desse sucesso pode ser creditada a uma excelente capacidade de comando e controle, material humano altamente especializado e equipamentos militares de última geração que, aliados à presença permanente de suas tropas em combate, permitem que os Estados Unidos sejam polo difusor de conhecimentos e doutrina militar. 

No capítulo seguinte abordaremos, de maneira resumida, algumas características que tornam o país norte-americano referência no assunto busca de alvos.


3. A BUSCA DE ALVOS NO EXÉRCITO DOS ESTADOS UNIDOS
3.1 TARGET ACQUISITION BATTERY
 

            O FM 6-121 (US Army, 1990) (Field Manual 6-121 - Tactics, Techniques, and Procedures for Field Artillery Target Acquisition), em seu primeiro capítulo, define a importância da aquisição de alvos pela artilharia de campanha: “Field Artillery target acquisition plays a key role in the targeting process. Without accurate targeting data, indirect fire weapons (such as mortars, cannons, rockets, and naval guns) are of limited value”.

            Para cumprir esse “papel chave”, o exército dos Estados Unidos emprega baterias de aquisição de alvos nas suas grandes unidades em apoio às divisões, mas também nos grupos que integram os times de combate das diversas brigadas. A localização de alvos nessas organizações militares é feita empregando dois tipos de radares: os Weapons-locating Radars (Radares de localização de armas) e os Moving-target-locating Radars(Radares de localização de alvos-móveis).

            Os radares de localização de armas, também conhecidos como radares de contrabateria/morteiro, detectam e localizam trajetórias de morteiros, artilharias e foguetes inimigos rápido o suficiente para o imediato engajamento da contrabateria amiga. Também podem ser utilizados para realizar correções de tiros da artilharia amiga.

Figura 2 - AN-TPQ 37 Radar de localização de armas (Fonte: Wikipédia)

Os radares de localização de alvos-móveis, também denominados radares de vigilância terrestre, detectam, identificam, localizam e rastreiam objetivos terrestres. Eles permitem que a aquisição de alvos móveis em território inimigo. Além de veículos e tropas a pé, também é capaz de detectar helicópteros e aeronaves de asa fixa que estejam voando a velocidades e altitudes baixas.

Figura 3 – MSTAR – Man-portable Surveillance and Target Acquisition Radar (Reino Unido) (Fonte: Wikipédia)

O papel das baterias de aquisição de alvos é detectar, identificar e localizar forças inimigas na área de operações da divisão ou na área de interesse com suficiente precisão para a execução do ataque por unidades amigas. Para cumprir essa missão, sua organização é composta pelos seguintes elementos: comando, pelotão de vigilância, seção de processamento de alvos e um pelotão de radares.


3.2 SISTEMAS DE AERONAVES NÃO TRIPULADAS
            Os UAS Unmanned Aircraft Systems são componentes do conceito ISTAR no Exército dos Estados Unidos. Podem ser definidos em português como Sistemas de Aeronaves Não Tripuladas. 

A figura 5, tirada doU.S. Army RoadMap for UAS 2010-2035, expõe quais são os elementos que compõe esse sistema:


 Figura 5 - Elementos componentes de um UAS (Fonte: U.S. Army RoadMap for UAS 2010-2035)

            Os UAS são utilizados por todos os ramos do exército estadunidense e em diversos tipos de missões. Dentro desse conceito, os sistemas são divididos em cinco níveis ou grupos:
- Grupo I: de pequeno porte, normalmente lançados pelas mãos do operador, são utilizados em proveito de pequenas frações e na segurança de instalações. Operam a um teto de 1200 pés e possuem limitado controle e autonomia. Transportam radares de abertura sintética, sensores eletro-óticos e infravermelhos.

Figura 6 - RAVEN UAS – Grupo I (Fonte: Wikipédia)

- Grupo II: de tamanho médio, normalmente lançados por catapulta, apoiam o nível brigada e atendem aos requisitos ISTAR nesse nível, podendo apoiar escalões superiores de maneira limitada. Operam a até 3500 pés e possuem uma capacidade de carga maior que os sistemas do Grupo I, transportando telêmetros e designadores laser. 

Também transportam radares de abertura sintética, sensores eletro-óticos e infravermelhos. Exigem uma capacidade logística maior em relação ao Grupo I.

Figura 7 - Shadow 200 UAS - Grupo II (Fonte: Wikipédia)

- Grupo III: são sistemas maiores que os do grupo I e II. Operam a altitudes médias e possuem de médio a longo alcance. Seu “payload” (carga-útil) inclui um indicador de alvos móveis, detector de explosivos, detector de agentes QBN, telêmetro e designador laser etc. Também transportam radares de abertura sintética, sensores eletro-óticos e infravermelhos. Alguns podem carregar armas. Podem decolar de pistas não pavimentadas.

- Grupo IV: sistemas grandes que operam de grandes altitudes, tendo alcance e duração de voos maiores que os grupos anteriores. Seus “payloads” incluem sensores eletro-óticos e infravermelhos, radares, “lasers”, relay de comunicações, SIGINT (signals intelligence), Sistema de Identificação Automatizada (SAI) e armas. Podem carregar mais armas que o Grupo III sem sacrificar a sua autonomia. Necessitam pistas pavimentadas para decolagem e pouso e possuem logística similar a de aeronaves pilotadas.

- Grupo V: sistemas que operam em ambiente de altas altitudes e possuem maiores autonomia, alcance e velocidade. São tipicamente utilizados para vigilância de vastas áreas e para realização de ataques especializados. Sua carga-útil é similar a do Grupo IV acrescentando a capacidade de levar suprimentos. Normalmente operam sem a necessidade de visada direta para o voo (BLOS – Beyond line-of-sight), mas a perda de sinal de satélite pode fazer com que seja necessária a operação com visada direta (LOS).

Figura 8 - MQ-1C ERMP (Multi Propósito Alcance Estendido) (Fonte: Wikipédia)

Os UAS são empregados em todos os escalões, contudo os sistemas de maior alcance, já a partir do Grupo II, são empregados em sua maioria nas unidades de aviação e batalhões de inteligência. A visão de futuro deles é que os SUAS (Small Unmanned Aircraft Systems), sistemas de Grupo I, forneçam capacidade de reconhecimento ao restante das unidades de combate.


 Figura 9 - SUAS nas HBCT (Heavy Brigade Combat Team) (Fonte: U.S. Army RoadMap for UAS 2010-2035)

            Um exemplo do pessoal necessário para operar um sistema Grupo II, como o Shadow 200 está exposto na figura 10.


 Figura 10 - Pessoal necessário para operação do SANT Grupo II Shadow 200 (Fonte: U.S. Army RoadMap for UAS 2010-2035)

Pode-se constatar que todas as unidades que compõe a brigada pesada exposta possuem SUAS na sua organização. Já as unidades de aviação, por operarem UAS de categorias superiores a II inclusive, necessitam uma organização mais dedicada à missão, sendo que para isso incluem seções de operações, de lançamento, de controle de solo, de manutenção e reparos etc. O organograma das subunidades que operam o MQ-1C “Grey Eagle” demonstra a complexidade da operação deste tipo de aeronave e quantidade de homens empregada (128 especialistas).


 Figura 11 - MQ-1C ERMP – Subunidade de Aviação (Fonte: U.S. Army RoadMap for UAS 2010-2035)

Já a companhia de reconhecimento aéreo que opera os SANT Hunter possui uma organização menor, devido também a menor capacidade do sistema (47homens).


 Figura 12 - Hunter Aerial Reconaissance Company (Fonte: U.S. Army RoadMap for UAS 2010-2035)

No futuro serão empregados NANO UAS que permitirão às pequenas frações e tropas especiais possuírem a capacidade de reconhecimento “over the Hill” e “around the corner”, de modo que antes da entrada em uma edificação, por exemplo, uma equipe tática poderá enviar esses NANO UAS e ter um real conhecimento do que se passa por trás das paredes antes que os soldados adentrem essas estruturas.


Figura 13 - Operação de um NANO UAS (Fonte: U.S. Army RoadMap for UAS 2010-2035)


4. PROPOSTA PARA ORGANIZAÇÃO DA BUSCA DE ALVOS NA ARTILHARIA DE CAMPANHA DO EXÉRCITO BRASILEIRO

            Observando todas as informações expostas nos itens anteriores, é possível propor, de maneira simples, uma organização para iniciarmos o subsistema busca de alvos na artilharia de campanha do Exército Brasileiro.

Cabe ressaltar que vivemos uma realidade diferente da estadunidense, pois este país possui Forças Armadas extremamente superiores e com recursos financeiros muito maiores que o Brasil. Por conta disso, devemos buscar uma solução mais afeta à nossa realidade.

4.1 A BUSCA DE ALVOS NO BRASIL: UMA PROPOSTA

            A doutrina brasileira prevê a bateria de busca de alvos como orgânica das artilharias divisionárias. O Exército Brasileiro passa por um processo de transformação no qual alguns tipos de organizações serão criadas e outras suprimidas. Por conseguinte, a bateria de busca de alvos não deve então se restringir a uma organização existente hoje, mas sim na maneira como podem ser mais bem cumpridas as missões.

            Foi visto que os equipamentos básicos para dotarmos o nosso subsistema busca de alvos são os radares de localização de alvos, radares e sistemas de vigilância do campo de batalha e os sistemas de aeronaves não tripuladas. 

Dentro desses materiais, nota-se uma grande diferença de emprego dos radares e sistemas de vigilância dos SANT. Isso é evidenciado na organização das diversas unidades STA ao redor do mundo. Os SANT e os radares geralmente são empregados em frações diferentes.

A ideia então é possuirmos uma bateria de busca de alvos mobiliada com radares realizando a vigilância do campo de batalha e rastreando trajetórias de armas inimigas e outra bateria contando apenas com sistemas de aeronaves não tripuladas. 

Ao exemplo do exército australiano, poderíamos possuir um grupo de busca de alvos com uma bateria de radares e outra de SANT ou poderíamos possuir duas unidades distintas, um grupo somente com SANT e um grupo somente com radares, como é o caso do exército britânico.

            O mais importante é que essas subunidades tenham mobilidade, flexibilidade de emprego e principalmente independência para poderem atuar isoladamente no campo de batalha, caso sejam cedidas em apoio a algum escalão da Força Terrestre Componente.


 Figura 14 - Exemplo de organograma de um GBA (Fonte: Cap Cezar)

             Seguindo a visão de um grupo com baterias mistas, raciocinando que cada subunidade deve ser capaz de atuar de forma independente do grupo e utilizando como exemplo as subunidades estadunidenses, a organização de cada subunidade poderia ser feita da seguinte maneira:
- Bateria de Comando: contando com uma seção de comando, seção de administração, seção de reconhecimento e segurança, seção de inteligência, seção de comando e controle e guerra eletrônica e uma seção de manutenção.
- Bateria de Aquisição de Alvos: seção de comando (comando e controle, manutenção e trens da subunidade), seção de processamento de alvos, seção de vigilância, seção de radares, seção de manutenção de eletrônicos.

- Bateria SANT: seção de comando (comando e controle, manutenção e trens da subunidade), seção de controle de solo e operações, seção de lançamento e recuperação de aeronaves, seção de processamento de alvos e seção de manutenção SANT.

            No caso da Bateria SANT é importante ressaltar que os sistemas que a mobiliariam seriam os de Grupo II, de acordo com a classificação estadunidense aqui exposta, e ela se assemelharia a duas Companhias de Reconhecimento Aéreo Hunter somadas. O motivo de basearmos essa estrutura nos sistemas de Grupo II é que este se adéqua mais as missões STA da artilharia de campanha, mas próximas ao nível tático.

            As missões ISTAR e demais missões que empregassem sistemas de Grupo III em diante seriam mais bem cumpridas caso fossem criadas unidades de aviação a semelhança das unidades ERMP do exército dos Estados Unidos. Elas pertenceriam à Aviação do Exército e seu foco seria no âmbito estratégico/estratégico-operacional.


 4.2 O EMPREGO DA BUSCA DE ALVOS EM OPERAÇÕES DE NÃO GUERRA
            Os meios de busca de alvos como radares de vigilância terrestre e sistemas de aeronaves não tripuladas possuem características que lhes permitem ser empregados não só no combate, mas também na vigilância das fronteiras, operações de resgate em calamidades, proteção de instalações, segurança pública etc.


Figura 15- SANT orientando a chegada do resgate em uma calamidade (Fonte: U.S. Army RoadMap for UAS 2010-2035)

O Brasil possui milhares de quilômetros de fronteiras terrestres que atravessam florestas, montanhas, rios e campos, sendo praticamente inviável a vigilância de toda essa extensão com a presença humana. Os criminosos transnacionais utilizam o país como rota e destino de drogas e armas, bem como de pirataria de produtos industrializados, animais e plantas.

O Exército, pela Lei Complementar Nº 136 de 25/08/2010, no seu Art. 16-A, é responsável por ações preventivas e repressivas na faixa de fronteira terrestre do território nacional, realizando com frequência inúmeras operações para conter diversos tipos de delito nessas regiões. Uma maneira eficiente de vigiar essas fronteiras é empregando sistemas aéreos não tripulados com sensores de monitoramento e rastreamento, bem como radares de vigilância terrestre espalhados em pontos críticos do território, como nas fronteiras secas.

Se possuíssemos unidades de busca de alvos, essas organizações poderiam muito bem empregar os seus meios nessas missões, aumentando o controle e a eficiência das operações. O uso das aeronaves e sensores também seria muito útil para realização da vigilância de instalações estratégicas para a nação, como de usinas nucleares, parques industriais e prédios públicos importantes.

Um exemplo do uso de SANT na vigilância das fronteiras seria o deslocamento desses sistemas para os Pelotões Especiais de Fronteira e aproveitando-se das suas pistas de pouso, realizar o reconhecimento de fronteira à distância, ou simplesmente apoiar as operações desse tipo de missão com “olhos no céu”. Isso aumentaria a eficiência e a segurança das tarefas executadas nessas unidades.


 
Figura 16 - Campo de pouso e decolagem de SANT nos EUA (Fonte: U.S. Army RoadMap for UAS 2010-2035)

Além disso, com a aproximação de grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, e a responsabilidade de coordenação e segurança recém-assumida pelas Forças Armadas através da Portaria nº 221 do Ministério da Defesa, publicada no DOU de 21/08/2012, a Força Terrestre necessita estar preparada para enfrentar as ameaças que podem advir desse tipo de empreitada, principalmente as terroristas. Dessa forma, a capacidade de vigilância aproximada que os SANT e sensores permitem, também seria de vital importância para o sucesso da missão.

            Podemos ressaltar que as operações de resgate em calamidades que costumeiramente contam com a participação das Forças Armadas, seriam mais bem coordenadas com a utilização de SANT, pois permitiriam ao comando ter uma real situação dos danos infligidos, bem como iniciar a busca por vítimas sem ter que enviar homens para áreas onde não há feridos, podendo assim concentrar melhor os esforços e poupar as aeronaves de asas rotativas para que façam apenas transporte de feridos e evitar a exposição de meios humanos de resgate a situações perigosas.

            Dois importantes projetos do Exército poderiam utilizar essa capacidade de busca de alvos. O SISFRON, que visa à vigilância das fronteiras brasileiras, e o PROTEGER, que tem por objetivo a segurança de instalações estratégicas para o país. De fato, as discussões do sistema apoio de fogo no Fórum de Doutrina Militar Terrestre do Departamento de Educação e Cultura do Exército, já haviam levantado a possibilidade de uma unidade de busca de alvos da artilharia de campanha integrar esses projetos.

            Por fim, se possuirmos unidades de busca de alvos, como o grupo de busca de alvos, poderemos empregá-las nessas atividades supracitadas tendo assim maior êxito nesse tipo de operações de não guerra.

domingo, 2 de março de 2014

Caçadores de Submarinos - Parte 2 #


Parte 1

Os sistemas submarinos mais importantes do mundo são os submarinos lançadores de mísseis nucleares (SSB/SSBN), e são eles que absorvem a maior parte da atividades de ASW. Estas naves transportam de 12 a 24 mísseis. Eles deslocan-se rapidamente a suas áreas de patrulha e utilizam ao máximo as características variáveis dos oceanos para evitar sua descoberta.

Os SSBN lançam seus mortíferos vetores nucleares (SLBM) a profundidades de cerca de 90 m de profundidade, podendo ser em sequència com intervalos de alguns minutos ou simultaneamente, dependendo da nave. Suas precisão é inferior a dos mísseis baseados em terra devido a incertezas na localização exata do submarino lançador, embora o advento da tecnologia GPS deva ter minorado este problema.

O rastreamento de um SSBN é dificílimo e em muitos casos impossível, o que os torna armas extremamente perigosos e de grande capacidade de retaliação. O aumento no alcance do mísseis transportados também permite estabelecer áreas de patrulha mais afastadas dos alvos, permanecendo em alguns casos nas próprias águas territoriais. Atualmente somente os EUA, a Rússia, a França, o Reino Unido e a China continenal possuem estas naves, sendo que a três últimas em número reduzido.Uma maneira prática e relativamente fácil de avaliar as tensões que podem envolver o uso de submarinos lançadores de mísseis balísticos é vigiar o que o outro lado mantém estacionado.



A  questão da acústica

O deslocamento de um submarino provoca uma série de alterações  possíveis de serem detectadas em seu entorno, que são usadas pelos especialistas para detectar sua presença. Procura-se explorar, descobrir e aperfeiçoar cada vez mais os métodos de detectá-las a fim de prover uma localização mais rápida e precisa destas naves em meio às inconstantes condições oceânicas.

O ruído hidrodinâmico é a primeira caraterística que ele provoca, resultante do atrito da água com o casco, durante seu deslocamento. Este ruído é acentuado pelas protuberâncias e orifícios do casco como os turcos e furos de inundação, domos e portas de acesso a periscópios, antenas, e armas. Cabos de reboque de VDS também vibram e provocam ruídos. Nos submarinos nucleares, mais ruidosos que os SSK, temos fontes de ruído em partes não balanceadas das turbinas e cavitação de fluidos que circulam no circuíto fechado. A hélice propulsora que pode ser mais que uma, provoca turbilhonamento na ponta das pás provocando bolhas e um som sibilante que se propaga em sentido horizontal, sendo acentuado com o aumento da velocidade. Em baixas velocidades este ruído é usado  para identificação do próprio submarino, pois a frequência do ruído é a frequência natural das próprias hélices. Duas hélices aumentam estes efeitos.



Efeitos Magnéticos

Os cascos submarinos são grandes massas magnéticas que causam anomalias ao atravessar as linhas de força do campo magnético terrestre. Sensores aerotransportados denominados MAD (detector de anomalias magnéticas) podem captar estas anomalias em áreas específicas, onde já se identificou a presença dos submersíveis, não sendo adequados para busca em grandes áreas. Estes navios também criam campos elétricos e magnéticos através de seus componentes, como os processos eletroquímicos de suas baterias, que podem ser transmitidos pela água e captados por bobinas colocadas no fundo do mar ou em outros veículos.
O deslocamento de um submarino também provoca uma esteira que pode ser percebido por um sonar ativo. A turbulência das hélices pode subir a superfície causando variações no padrão das ondas, perceptíveis por radares OTH. Esta turbulência também provoca a subida de água mais fria que se mistura com a água mais quente da superfície, provocando um diferencial de temperatura que pode ser captado por sensores infravermelhos em satélites ou aeronaves. O movimento próximo a superfície provoca um ligeira elevação na superfície que pode ser captada com satélites com radar-altímetro.



Comunicações

Veja : Deep Siren

As comunicações são um grande problemas das naves submarinas, já que a radiação eletromagnética é muito atenuada pelo meio aquático. Seu principal meio de comunicação são os enlaces VLF, que necessariamente precisam de antenas externas. Em patrulha os submersível podem levar antena montadas em bóias com cabos de cerca de 500 m. Outros sistemas exigem que venham próximos a tona cerca de 3 m. As transmissões em ELF podem ser recebidas até 100 m, mas possuem qualidade muito baixa. A atualização da sistemas INS também exige que ele naveguem próximos a superfície por longos minutos. Todos estes procedimentos necessários as ligações com o resto do mundo os tornam muito vulneráveis e são alvo de constante pesquisa com vista ao seu aperfeiçõamento.

Durante a Guerra da Falklands/Malvinas os SSN ingleses, através de enlaces-rádio com os patrulheiros Nimrod baseados em Ascensão tiveram que pedir autorização a Londres para afundar o ARA Gen Belgrano, mostrando o quão são necessárias as ligações com o comando, ligações estas que podem ser rastreadas e medidas possibilitando a localização mais precisa destas naves.



domingo, 9 de fevereiro de 2014

Shkval: a Arma Secreta #



CT Felippe José Macieira Ramos- Marinha do Brasil

Em 1995, a Rússia anunciou ter desenvolvido um torpedo submarino de alta velocidade (supercavitante), sem equivalente no Ocidente, denominado Shkval (Tormenta em russo). Um protótipo do torpedo foi exibido na Exposição Internacional de Armamento, em Abu Dhabi, no mesmo ano.

Antecedentes

O desenvolvimento começou no início da década de 60, no Instituto de Pesquisa de Hidrodinâmica Aplicada (NII-24). O torpedo foi comissionado no início da década de 90, o que demonstra que já estava operacional, mesmo antes de ser revelado ao mundo.



Descrição

O VA-111 Shkval é um torpedo projetado para atingir velocidades de até 230 nós (cinco a seis vezes mais rápido do que um torpedo convencional). Emprega o fenômeno da supercavitação, que será descrito a seguir.

A propulsão do torpedo é realizada por um motor de foguete. No deslocamento, são geradas bolhas supercavitantes no seu nariz, que se estendem ao longo do corpo do projétil e formam um envelope de fina camada de gás, que envolve o torpedo e evita o contato da sua superfície metálica com o meio líquido. Como conseqüência, reduz-se significativamente o atrito, o que permite alcançar a velocidade anunciada. As bolhas supercavitantes são originadas da evaporação da água, causada pela forte diminuição da pressão na região do “nariz”. Essa diminuição de pressão é conseqüência do aumento brusco da velocidade do fluido entre o “nariz” e a superfície cilíndrica. A cavidade gasosa pode ser aumentada e estabilizada por meio da injeção de gás a baixa pressão (“ventilação”).



Seu propósito é capacitar os submarinos russos a atacar os submarinos inimigos, antes que seus torpedos guiados a fio os atinjam. Trata-se, portanto, de uma arma defensiva, de reação rápida, contra submarinos que não tenham sido previamente detectados. Esse torpedo também pode ser empregado como contramedida torpédica, forçando o submarino inimigo a realizar manobras evasivas, podendo, com isso, fazer com que os fios de guiagem de seu torpedo se partam.

O Shkval tem o alcance de 7.500 jardas e é guiado por um piloto automático programado antes de seu lançamento. Inicialmente, foi projetado para carregar uma cabeça de combate nuclear detonada por uma espoleta de tempo. O maior desafio tecnológico do Shkval e dos demais veículos supercavitantes reside na dificuldade de ser controlado em alta velocidade.



Perspectivas

Recentemente, os russos anunciaram uma nova versão do torpedo – o Shkval-E – equipado com cabeça de combate convencional e sistema de autodireção (homing), que seria lançado em alta velocidade em direção ao alvo e, nas suas proximidades, reduziria a velocidade para realizar a busca e detecção, inviáveis em alta velocidade. Esta versão de torpedo foi exposta e começou a ser comercializada na exposição de armamento IDEX 99, em Abu Dhabi.

Em 2 de abril deste ano, o Irã divulgou a realização, com êxito, de testes no Golfo Pérsico com uma nova arma, que classificou como sendo o “míssil subaquático mais veloz do mundo”. O artefato chega a alcançar a velocidade de cem metros por segundo (velocidade compatível com a do Shkval).

Algumas linhas de pesquisa nesta área também estão desenvolvendo canhões submarinos com torretas rotatórias submersas que empregam munição supercavitante, bem como projéteis supercavitantes disparados por aeronaves do sistema antiminas Rapid Airborne Mine Clearance System (RAMICS).



Conclusão

A Rússia ainda é uma potência militar e possui excelentes engenheiros que continuam pesquisando e desenvolvendo armas poderosas, tais como o Shkval esuas versões aprimoradas.

A corrida pelo desenvolvimento de novas armas continua como nos tempos da Guerra Fria, conforme se pode perceber com a quantidade de novas tecnologias e produtos de emprego militar. Os russos saíram na frente no desenvolvimento de torpedos, empregando tecnologia supercavitante. Com ela, desenvolveram uma arma que, no momento, pode lhes conferir vantagem na comparação de poderes combatentes relativos ao confronto entre submarinos.


Caçadores de Submarinos - Parte 1 #



Fonte: Caçadores de Submarinos - Guias de Armas de Guerra

Mais do que qualquer outra época, os oceanos tem hoje uma decisiva importância militar. Isto é devido, principalmente, devido ao grande número de submarinos com mísseis balísticos (SSBN) que as potências militares mantêm nos mares, com armas nucleares capazes de destruírem países inteiros. Como a detecção de um submarino é algo ainda muito impreciso, os SSBN são um meio de intimidação perfeito, pois são capazes de sobreviver, devido a sua localização incerta aos ataques nucleares de grande intensidade. Equipados com mísseis balístico lançados de submarinos (SLBM) com ogivas de reentrada manobráveis, possuem altíssima precisão e capacidade de atingir seus alvos logo no primeiro ataque. A introdução em grande escala de mísseis cruzadores com ogivas nucleares  (SLCM) para ataques de superfície a antinavio os torna ainda mais mortíferos.

Os submarinos de ataque com  propulsão nuclear (SSN) representam um perigo um perigo ainda maior para outros submarinos e meios de superfície por poderem viajar grandes distâncias a grande velocidades, sendo muito difíceis de serem localizados e engajados com expectativa de êxito. Submarinos modernos, em alguns casos podem ser mais rápidos que torpedos tradicionais lançados contra eles, excetuando-se é claro os moderníssimos torpedos  de supercavitação, disponível para poucos.



O poderio dos SSN ficou demonstrado no conflito das Falklands/Malvinas em 1982, quando uma flotilha de 5 SSN britânicos manteve toda a armada argentina próxima a seus portos durante a maior parte da guerra, depois da desastrada incursão do cruzador General Belgrano que resultou em seu torpedeamento pelo SSN Conqueror.

No entanto, apesar da supremacia dos SSN, os modernos submarinos diesel-elétricos (SSK) possuem ainda importância e constituem ameaça em águas mais próximas da costa, tanto aos meios de superfície com aos próprios SSNs, por serem mais silenciosos que estes, além de existirem em muito maior número devivo a seu custo mais acessível a maioria das marinhas.



Para combate as ameaças que vem do fundo do mar, as marinhas de todo o mundo tem empenhado cada vez mais recursos em meios de guerra antisubmarina (ASW), destinando-os a 5 áreas principais:

  • Vigilância: satélites de monitoramento, meios de detecção posicionados no fundo do oceano em locais de passagem obrigatória, acompanhamento permanente por outros submarinos principalmento do SSBN, espiões que vigiam os atracadouros e informam quando cada nave sai ou chega ali, e outros.
  • Submarinos: São ainda o meios antisubmarino mais eficaz neste tido de combate.
  • Patrulha Marítima por meios aéreos: Cada vez mais caras e sofisticadas, patrulham permanentemente as costas procurando por submarinos e fornecendo alerta antecipado a movimentação de outras naves de guerra que possam estar nas proximidades.
  • Aeronaves baseadas em navios: Com capacidades mais modestas que as anteriores devido ao seu menor tamanho, podem ser de asa fixa ou rotativa.
  • Sistemas combinados de plataformas eletrônicas, que produzem um quantidade brutal de informações, exigindo um processamento de dados de altíssima velocidade.
Os problemas enfrentados pelas diversas nações, no entanto podem se configurar de maneira das mais diversas. Fatores geográficos colocam questões distintas a cada uma. Os EUA por exemplo, operando no âmbito da OTAN precisa de meios ASW capazes de defender comboios de ressuprimento ao continente europeu, tal qual aconteceu na Segunda Guerra Mundial, além de descobrir o paradeiro dos SSBN inimigos. A Rússia, por sua vez, não depende tanto de sua marinha para a defesa de seu território, e seu principal problema é defender seus próprios SSBN e achar o paradeiro dos do inimigo. Para alcançar mar aberto, os submarinos russos tem que passar por estreitos como o estreito GIRU (groelândia-Islândia-Reino Unido), e os estreito de bósforo e Dardanelos na Turquia.



Até pouco tempo, a ASW resumia-se a perseguições táticas, pois apenas os torpedos representavam ameaça real. na segunda grande guerra eles alcançavam meros 10 km, o que determinava a distância que devia-se descobrir a presença do inimigo. esta quadro logo mudou com o advento de 3 fatores: Os torpedos começaram a ir mais longe. O Mk 48 dos EUA, por exemplo, alcançavam 48 km; os submarinos passaram a ser equopados com mísseis cruzadores com função antisubmarino e posteriormente com ogivas nucleares, tendo como exemplo o SS-N-21 russo com alcance de 3000 km; os SLBM passaram a ter alcance suficiente para que seus lançadores (SSBN) não precisassem deixar suas águas territoriais. Enquanto na Segunda Guerra Mundial a ASW se dava em uma circunferência de 30 ou 40 km, hoje todo o oceano tem que ser coberto.