"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Os Níveis da Guerra #



A guerra é o meio pelo qual a política impõem sua vontade em situações antagônicas e conflitantes, quando a diplomacia e a negociação se mostram impotentes.  Fazer a guerra significa impor a vontade pela força, assumindo riscos colaterais de pequena envergadura mas relativamente abundantes, como pequenas tragédias pessoais, por exemplo e outros de maior envergadura como ruína econômica e comprometimento de infraestrutura, muitas vezes em locais que não as tem de forma satisfatória. Sun Tzu disse que a guerra é o assunto mais importante do estado, e como tal deve ser tratada. Em outras palavras, evite-a ao máximo, mas se chegar a se envolver nela, faça de tudo para vence-la no menor espaço de tempo possível.

O mérito da guerra é imutável e traduz a natureza do ser humano, misturando em um único evento decisões racionais justificadas por motivos irracionais e questionáveis. Uma das facetas racionais deste evento nefasto aos seus envolvidos, é a forma como é conduzida, pois seus atores principais, os militares, se valem da organização e do planejamento minucioso para levar a cabo suas ações.

Diferentemente dos conflitos da antiguidade, a guerra moderna é um evento extremamente complexo e como tal deve ser tratado. Conduzir uma campanha nos tempos atuais significa administrar milhares de recursos de natureza diferente, no tempo e no espaço, de forma a cumprir objetivos tal qual faz uma empresa, com o diferencial que existem forças que usarão de violência extrema para que tais objetivos não se consolidem, com pouca ou nenhuma observância aos princípios que norteiam a convivência entre os homens, o que é compreensível.

Para se administrar empreitadas tão complexas, os estrategistas se viram obrigados a dividi-las em níveis, de forma a gerenciar o emprego da força de forma ótima, ou seja procurando alcançar os objetivos com o menor custo pessoal e material, no menor tempo possível.





O Nível Político

A moderna doutrina prevê que a guerra se dá em quatro níveis distintos, hierarquicamente dependentes. O primeiro nível e que engloba todos os outros é o nível político-estratégico, estando fora da esfera militar e por vezes aranhado por ela. Ele é exercido pelos chefes de estado em nível de governo, e é o encarregado de traçar os objetivos político-estratégicos, alinhavar alianças convenientes e possíveis, estabelecer diretrizes estratégicas e observar considerações de direito internacional, além de impor limitações ao emprego de meios militares e de espaço geográfico.

"A guerra é a continuação da política por outro meios" - Clausewitz

O Nível Estratégico

Formuladas as diretrizes político-estratégicas e uma vez decidido o uso da força das armas, iniciam-se as operações militares propriamente ditas, que são conduzidas em 3 níveis distintos e intimamente relacionados de forma dinâmica, com seus limites nem sempre claros, um em relação ao outro. A relação de propósito, tempo e espaço é que determinará a divisão entre eles.

O estabelecimento de metas que visem alcançar os objetivos políticos e o planejamento para alcançá-las são o cerne do nível estratégico-operacional da guerra. Neste nível se fixam os objetivos estratégicos militares, que são a adequação ao contexto militar dos objetivos políticos. Formula-se ainda a estratégia a ser adotada para atingi-los e se conduz as operações dos grandes escalões de emprego como àqueles encarregados das atividades da mobilização geral. Entre outras medidas, este nível trabalha com:
  • o estabelecimento da inter-relação dos objetivos políticos com os objetivos estratégicos,
  • as condicionantes políticas de planejamento e implicações legais do emprego das tropas,
  • a identificação dos centros de gravidade das situações a considerar,
  • os desembaraços financeiros do que será executado,
  • o momento (as condições) em que se atingirá o objetivo final,
  • os desdobramentos de meios a serem estabelecidos,
  • a definição das áreas de responsabilidade,
  • os comandos operacionais a serem acionados,
  • a viabilização de bases de operação
  • os meios físicos a serem disponibilizados,
  • a mobilização a ser desencadeada, seja operacional ou de base,
  • as principais ações estratégicas preliminares a serem iniciadas.
Planos estratégicos, pré-planejados, de vários tipos são estabelecidos e sua realização desencadeada.





O Nível Operacional

Uma vez de posse dos objetivos estratégicos, cabe ao nível operacional delinear, planejar e executar as campanhas necessárias. Definem-se os objetivos operacionais e desencadeiam-se as operações táticas necessárias, ou seja faz-se a ligação entre a estratégia e a tática. Autoriza-se e faz-se acontecer as primeiras ações e se alocam os recursos necessários para sustentá-las. Dimensionam-se as ações no tempo, no espaço e na finalidade, e principalmente aciona-se a vital máquina logística da qual qualquer força em campanha é totalmente dependente.

Neste nível os comandantes militares aliados decidem que para derrotar os nazistas e conquistar o domínio da parte ocidental da Europa, por exemplo, é importante um desembarque de grandes proporções nas costas francesas do norte. Aliviar a pressão até então suportada pelos russos, com a abertura de uma segunda frente, foi decidida lá na esfera político-estratégica. Decide-se neste nível também que o desembarque será na Normandia e não em Pas de Calais, onde será empreendida uma operação de engodo e diversão, além de conceber que paraquedistas saltariam a frente das tropas de desembarque para protege-las.

O Nível Tático

Este é o nível onde se executam as ações de combate, logísticas e de apoio em geral, sem se preocupar com a relação entre elas. É o nível onde as coisas acontecem na prática. Cada grupo de forças desencadeia suas missões táticas ou administrativas e mantém seu foco nelas, não importando o que as outras estão fazendo, cabendo aos comandantes operacionais se preocupar com isto.

O planejamento neste nível é mais mecânico, rígido e objetivo do que criativo, mais atrelado aos manuais de campanha, embora sempre sejam necessárias as iniciativas pessoais destes comandantes e suas habilidades que fazem a diferença, uma vez que no nível tático as ações são um conjunto de técnicas de combate aplicadas em uma ordem pré-definida, e a técnica tende a variar muito pouco. A competência dos comandantes é fator preponderante, já que cabe a eles orientar suas tropas, motivá-las e coordenar as diversas ações a serem executadas, em um ambiente de alta pressão inimiga, bem como criar os planos destas ações.

No nível tático, por exemplo, os paraquedistas aliados saltam na Normandia e vão em busca de suas pontes, não se importando se a infantaria que desembarcará nas praias está desencadeando suas ações, enquanto que no nível operacional os paraquedistas estão lá para proteger o desembarque. Neste caso o nível estratégico preocupa-se na consolidação da cabeça de praia, sem se ater se haverá ou não paraquedistas.




A Relação entre os Níveis da Guerra

Ao se engajar em combate, uma força aplica todo o seu poderio para alcançar o sucesso desejado, seja no combate propriamente dito ou nas ações de apoio e administrativas. Porém se o sucesso obtido nesta ou naquela operação não contribuir para consecução do objetivo estratégico, de nada o esforço, por mais memorável que seja, terá sido útil. Um sucesso tático não terá valor se não for parte de um esforço maior para vencer a guerra. De nada adiantaria os paraquedistas na Normandia conquistarem uma ponte, se ela não service para as tropas de desembarque avançarem ou de bloqueio ao contra-ataque alemão, por mais bem executada que a ação fosse. 


Um sucesso tático, por si só, não resulta em um sucesso estratégico. No Vietnam os EUA venceram muitas batalhas, aplicaram seu poder de fogo esmagador e desdobraram seu aparato militar superior, e mesmo assim perderam a guerra. Todas as ações tem que convergir para um único caminho, como os afluentes de um rio que o tornam cada vez maior, não contribuindo aqueles que não desaguam ali.

O nível operacional situa-se justamente como uma ponte entre a estratégia as ações táticas. Ele escolhe quais batalhas serão empreendidas, cabendo aos comandantes táticos conceber a melhor forma de vencê-las. O comandante operacional é o comandante do teatro de operações, e sob suas ordens todas as esquadras navais, forças aéreas designadas e exércitos de campo deste teatro atuarão; onde, como e quando seu comando decidir, sob comando único, escolhendo em que condições oferecerão combate ou o recusarão.

A estratégia determinará quais ações de grande vulto, militares ou não, deverão ser postas em prática para a consecução dos objetivos políticos, porém ela deverá adaptar-se à realidade que moldarão as operações. Uma estratégia concebida à margem do contexto do possível se mostrará inútil e resultará em consequências nefastas, desperdiçará recursos e levará à ruína do todo.

A estratégia proverá os recursos e ativará o apoio político aos operadores militares, e o comandante operacional avaliará o que lhe foi disponibilizado, buscará mais se julgar insuficiente e proporá a adequação dos objetivos se concluir que são intangíveis. Cabe a estratégia ainda, baseada nas diretrizes políticas, impor as restrições que se façam necessárias aos seus operadores.

Enquanto os comandantes táticos lutam as batalhas, os operacionais olham além delas e preveem seu resultado, antecipando-os, baseados no seu desenrolar, e reconfiguram seus planos se as coisas não correrem como o planejado; exploram em proveito dos objetivos estratégicos, êxitos não previstos e os canalizam em favor daqueles, abreviando ações que não se façam mais necessárias e implementando outras, requeridas pela nova situação criada.

Embora exista uma hierarquia clara entre os citados níveis, não existe uma linha divisória bem definida entre eles. Ações táticas empregando técnicas de combate consagradas, seguem um plano com vistas a cumprir o planejamento das campanhas, que por sua vez são o componente de um conjunto maior de ações que visam a cumprir objetivos estratégicos, que nada mais são que a expressão militar dos objetivos políticos.

Planos e ações elaborados e executados com desempenho acima do esperado por um determinado nível, poderão superar desempenhos medianos em outro, porém operadores incapazes ou incompetentes quase sempre pesarão negativamente sobre todo o esforço. Inabilidade tática não é corrigida por planos de ação bem concebidos, e ações operacionais de sucesso são inúteis se a estratégia for falha.




A Campanha

A campanha é a ferramenta pela qual o comandante operacional ou de teatro busca alcançar seus objetivos. Todas as campanhas e seus desdobramentos deverão ser coordenadas, convergentes aos objetivos e neles focalizadas, cabendo a elas pavimentar o caminho da vitória final. O desfecho de um embate só tem significado no contexto da campanha que o originou, e o sentido desta só pode ser visualizado no contexto maior dos objetivos estratégicos. Elas podem durar poucos dias ou até anos, englobar grandes contingentes ou apenas unidades restritas, mobilizar todo o alto escalão de comando chegando até os níveis políticos ou contar com apenas alguns comandantes de teatro. São empreendidas em sequência ou simultaneamente e buscam na maior parte das vezes um único objetivo.

Devido aos imponderáveis da guerra, o desenrolar de uma campanha é incerto, mutável e fluído, exigindo do comandante correções constantes de rumo. O primeiro princípio que se deve observar na condução de uma campanha depois de seu objetivo é o da economia. Qualquer ação que não contribua para o objetivo deve ser evitada. O objetivo operacional pode mudar durante a campanha, devido a insucessos, custos inaceitáveis, conquistas imprevistas, etc... porém o objetivo estratégico deve ser mantido em foco. Quanto mais limitado for o conflito, mais difícil será explicitar os objetivos a serem alcançados, e por consequência elencar as condições e serem transpostas para se atingi-lo.

Uma campanha deve ser planejada do fim para o início, partindo dos objetivos estratégicos, e daí definir as ações táticas necessárias. A melhor forma de derrotar o inimigo é neutralizando aquilo que de mais crítico ele possui para implementar sua reação, seu centro de gravidade operacional. Este fator pode não estar disponível para neutralização imediata, e as condições para tal deverão ser construídas. A partir daí se lista "o que", "como" e "quando", sempre procurando não explicitar a verdadeira intenção do que se pretende, de forma a não induzir o inimigo a reforçar suas defesas ao verdadeiro intento, desencadeando a ação no tempo adequado, da forma mais rápida e fluida possível. Quando se desembarcou na Normandia, se montou uma operação de grande vulto para que os alemães acreditassem que o desembarque se daria em Pas de Calais, isto evitou que tropas la dispostas fossem deslocadas para o objetivo real.



domingo, 10 de janeiro de 2016

O Pelotão de Infantaria #



O pelotão é a unidade tática básica da infantaria e base para a formação das companhias. Sua organização pode variar de uma força para outra, porém as variações não são significativas. Mesmo em unidades de infantaria de uma mesma força a composição do pelotão pode mudar de acordo com as singularidades de cada tropa. Um fator determinante da composição de cada tipo de tropa é a capacidade dos veículos que a transportam, pois procura-se acomodar cada "grupo" de forma coesa em um mesmo veículo, seja ele um helicóptero, viatura blindada ou outro qualquer.

No Exército Brasileiro, o pelotão de infantaria é formado por 3 grupos de combate (GC) e 1 grupo de comando e 1 grupo de armas de apoio. No US Army a denominação do GC é de esquadrão (squad), e a organização do pelotão é muito semelhante, totalizando no modelo aqui descrito 42 integrantes.  Uma das capacidades principais do pelotão de infantaria é a de organizar-se como força-tarefa tática, com seus elementos orgânicos e outros agregados em reforço de acordo com cada missão, dando ao comandante de companhia um fração de tropa altamente flexível e poderosa, que pode cumprir tarefas de forma autônoma como parte do esforço desta e do batalhão. A arma do combatente de infantaria é o fuzil de assalto, e a exceção dos metralhadores é dotação comum a todos eles. 




O Grupo de Comando

O grupo de comando (platoon headquarters - PLT HQ no US Army) do pelotão tem por missão prover comando e controle (C2) aos demais. Este grupo atua ainda nas funções de ligação com sua companhia, com os elementos que fornecem apoio de fogo e apoio logístico. Tipicamente é formado por um oficial subalterno ou tenente líder de pelotão, um sargento antigo adjunto ao líder que atua como subcomandante e um sargento ou cabo operador de sistemas de comunicação ou radioperador (RTO no US Army). Conta ainda com um sargento "caçador" (Sniper) e um cabo observador auxiliar deste. Esta equipe agrega a função de observador avançado (OA) dos grupos de morteiros e são os encarregados da ajustagem do tiro destes. Um sexto integrante é um sargento paramédico ou enfermeiro, e ainda, se for o caso, um motorista.



O Líder de Pelotão

O líder do pelotão deve comandar com base no exemplo, com a autoridade que lhe é de direito, assumindo a responsabilidade global pelas ações de seus subordinados, agindo de forma decisiva nas ações e na manutenção da disciplina. Quando em combate sua atuação deverá ser no sentido da atribuição de missões específicas a cada um, sempre dando espaço a iniciativa de seus comandados.

Mesmo tendo a última palavra nas decisões, deverá aconselhar-se sempre com seu sargento adjunto e conhecer todas a facetas operacionais do emprego de seu grupo. São atribuições do líder:
  • Acionar o pelotão no cumprimento das missões que lhes são atribuídas pelo escalão superior, levando-o de encontro com os objetivos deste;
  • Orientar a manobra do pelotão;
  • Sincronizar seus GCs para que manobrem de forma harmônica;
  • Antecipar as ações que o pelotão deverá executar;
  • Solicitar os apoios que forem necessários;
  • Fornecer aos GCs total suporte de C2;
  • Planejar e implementar a segurança de seu pelotão;
  • Orientar o desdobramento das armas do pelotão;
  • Elaborar relatórios aos seus superiores;
  • Posicionar-se da forma mais adequada quando em ação;
  • Atribuir tarefas e objetivos claros, concisos e realizáveis aos seus GCs;
  • Inteirar-se e entender a missão de sua companhia e batalhão.

O líder deverá sempre estar ciente da situação em que está inserido. Deverá conhecer a situação das tropas amigas, inimigas e neutras; bem como as condições do terreno. Deverá visualizar a situação a ser configurada depois do cumprimento de sua missão e tomar as medidas necessárias para ligar o presente ao futuro esperado, sempre avaliando os riscos envolvidos e tomando as medidas para minimizá-los. 


O Adjunto de Pelotão

O adjunto do pelotão (PSG no US Army) é o auxiliar direto do líder, segundo em comando e conhecedor da tática operacional e todas as armas orgânicas e de apoio. Sua função é assessorar o líder no planejamento e zelar junto aos GCs pelo cumprimento de suas ordens. Suas funções básicas são:
  • Supervisionar o pelotão a fim de garantir seu apronto, com checagens pré-combate e inspeções;
  • Estar apto a assumir a liderança do pelotão, se necessário;
  • Posicionar-se da melhor forma para exercer as tarefas de C2, seja junto a base de fogo ou aos elementos de assalto;
  • Zelar pelo apoio logístico do pelotão, gerenciando inclusive a carga de combate;
  • Zelar pelo apoio médico aos soldados sinistrados, com evacuação de feridos e mortos, controlando as baixas e emitindo relatórios com vistas a reposição de pessoal;
  • Operar os sistemas digitais de C2 do pelotão;
  • Inteirar-se e entender a missão de sua companhia e batalhão, tal qual o líder.

O Rádio-Operador do Pelotão

O rádio-operador (RTO no US Army) é o operador da comunicação do pelotão com o comando de sua companhia, e deve manter o líder e seu adjunto cientes da condição de seus sistemas. Deve ter afinidade com todos os procedimentos de radiotelefonia e emissão de relatórios, pedidos de apoio de fogo e antenas de campo de todos os tipos, além de gerenciar o uso de baterias. Deve ainda conhecer os protocolos de comunicação (frequências e sinais de chamada) de sua companhia e batalhão e dar ciência deles a todos os membros do pelotão, assim como auxiliar na operação dos sistemas eletrônicos de C2.

O Observador Avançado do Pelotão/ "Caçador"

O Sargento "caçador" atua como o observador avançado (OA) do pelotão (FO no US Army), e apoiado pelo Operador de rádio é o responsável pelo planejamento e execução dos fogos de apoio (indiretos), incluindo os morteiros da companhia e do batalhão, artilharia de campanha e outros fogos colocados a disposição. Deve saber localizar e designar alvos, chamar os fogos de apoio e ajustá-los. Deve conhecer a missão do pelotão e os conceitos operacionais afins, bem como a doutrina de fogos de apoio. dentre suas funções específicas destacamos:
  • Manter ciente as equipes de coordenação de apoio de fogo da companhia e do batalhão sobre a localização do pelotão e suas necessidades de apoio de fogo;
  • Manter atualizados mapas e croquis do terreno;
  • Chamar e ajustar fogos de apoio;
  • Operar como equipe junto ao operador de rádio;
  • Selecionar alvos em potencial e informar sua localização ás equipes de coordenação de apoio de fogo;
  • Escolher e preparar os postos de observação (POs) e viabilizar suas rotas de acesso;
  • Operar os terminais digitais de contato com as equipes de coordeção de apoio de fogo;
  • Atuar como atirador de precisão.

O Paramédico do Pelotão

O paramédico do pelotão atua junto ao sargento adjunto no apoio médico ao pelotão, sempre interagindo com as equipes médicas da companhia e do batalhão. Deve zelar pela saúde preventiva dos integrantes do pelotão, e trabalhar no tratamento e evacuação de feridos. Cabe a ele ainda aconselhar o adjunto em assuntos afins, gerenciar o suprimento médico (classe VIII) e elaborar os relatórios médicos solicitados.

A Esquadra

A esquadra (Fire Team no US Army) é o núcleo do pelotão, e constituída para lutar como uma equipe monolítica. Podem atuar de forma auto-suficiente no combate direto ao inimigo, dentro é claro do envelope de combate do pelotão. É comumente constituída por 4 elementos: Um fuzileiro-metralhador (AR no US Army) que fornece volume de fogo a esquadra e é a base de fogo direto desta, alocando fogos contínuos sobre pequenas áreas; o fuzileiro-atirador que bate alvos ponto de curto alcance com disparos de precisão e fornece segurança e inteligência aos demais; um fuzileiro-granadeiro que pode bater pequenas áreas com fogos indiretos explosivos (HE) de curto alcance, inclusive em ângulos mortos; Um cabo líder de esquadra (TL no US Army) que fornece o C2 desta e complementa a ação do fuzileiro-atirador. O binômio metralhador-granadeiro é a base de fogo da esquadra.



O Fuzileiro-Atirador

Cabe ao fuzileiro atirador o fogo de precisão da esquadra. Ele prove segurança ao núcleo de fogo da esquadra e trabalha como observador na busca de alvos para o este. São suas atribuições:


  • Efetuar fogo certeiro com seu fuzil e ser especialista em seu emprego, além de saber operar todas as armas da esquadra e poder substituir seus pares, atuando constantemente na segurança de sua equipe;
  • Ser capaz ocupar posições rapidamente de onde possa fazer fogo com eficácia, de dia ou à noite, utilizando os princípios de coberta e abrigo, fortificá-la e camuflá-la;
  • Ter habilidade de transpor obstáculos como campos minados, arame farpado, fossos e paredes, apoiar a lida com prisioneiros, feridos e equipes de demolição; 
  • Repassar ao seu líder toda a informação relevante que adquirir em ação ou que possa ser útil ao esforço da equipe;
  • Atuar em prol da saúde da equipe aplicando medidas de segurança médico-sanitárias ao seu alcance. bem como ter conhecimento de medicina básica de combate;
  • Estar ciente da missão de sua esquadra, pelotão e companhia.


O Fuzileiro-Granadeiro

O granadeiro prove a esquadra fogo de trajetória alta para bate ângulos mortos e forçar o inimigo a abandonar seu abrigo. Todos os soldados podem portar granadas de mão, mas o granadeiro é o único a poder lançar granadas a distâncias maiores (cerca de 300 a 400 m), pode ainda alvejar veículos levemente blindados, desdobrar barreiras de fumaça e iluminar ponto específicos do terreno. Deve ser especialista em seu lançador de granadas e suas munições, sabendo seus limites de segurança. e estar apto a desempenhar todas as funções dos outro integrantes da esquadra. Compõem o núcleo de fogo da esquadra com o metralhador.




O Fuzileiro-Metralhador

O metralhador fornece volume de fogo direto a esquadra e é o componente senior do núcleo de fogo da esquadra. Pode endereçar seus projéteis a qualquer tipo de alvo, menos àqueles abrigados ou providos de armadura. Deve poder ainda substituir qualquer outro integrante da esquadra. Devido a natureza de seu armamento de emprego coletivo, poderá portar uma pistola para defesa pessoal.

O Líder de Esquadra

As atribuições do líder já foram citadas e são invariáveis qualquer que seja o escalão. Ele deve receber suas ordens as cumprir com total liberdade de ação tendo sua iniciativa valorizada. Deve ter a capacidade de pensar rápido e agir demonstrando atitude, imediatismo e precisão, inerentes ao combate de infantaria. O líder ainda complementa a missão do atirador.

Os movimentos da esquadra devem seguir a tradicional prática da infantaria de mover-se rapidamente de um ponto a outro quando o companheiro estiver fazendo fogo, e ao chegar lá fazer fogo para que este possa mover-se. Atirar e manobrar. Todo cuidado deve ser tomado para não se atravessar a linha de fogo dos companheiros.

O Grupo de Combate (GC) ou Esquadrão

O grupo de combate (Squad no US Army)  é formado por 2 esquadras mais um sargento Líder (SL no US Army). Quando embarcados cabem em um IFV ou helicóptero de manobra. É a célula base que o comandante de pelotão usa para manobrar. O sargento comandante de GC tem 2 equipes (esquadras) a disposição e as usa em conjunto; enquanto uma atira a outra manobra.















O líder de GC desempenha as tarefas de líder já citadas, deve ser capaz de substituir o adjunto de pelotão desempenhando todas as suas tarefas e solicitar e ajustar apoio de fogo.

O Atirador de Precisão Designado

Um GC pode ser reforçado por um atirador designado (SDM no US Army) pelo comandante do pelotão, quando for necessário. Este atirador deve estar especialmente treinado em fogo de precisão. Não são franco-atiradores e nem operam nos alcances limite destes, e muito menos de forma autônoma, mas como componentes do GC e sob as ordens de seu líder. Usam armas disponíveis na unidade com mira ótica reforçada.




Ele deve ser escolhido por suas habilidades de tiro, maturidade, experiência, confiabilidade e bom senso. Sua função é a de alvejar alvos de alto valor como oficiais, radio-operadores, metralhadores, atiradores de precisão, operadores de lançadores de rojão e outros. Devem ter a capacidade de alvejar alvos fugazes e expostos por curtos períodos de tempo, em frestas e fendas, parado e em movimento. Pode-se designar um atirador por esquadra no lugar do fuzileiro-atirador, criando-se duas equipes equilibradas e altamente flexíveis, capazes de atingir alvos em distâncias superiores às usuais.

Estes atiradores devem receber treinamento especial no uso de miras telescópicas, tiro de veículos, tiro em movimento, tiro noturno, tiro de engajamento rápido, tiro em combate aproximado (close combat), tiro em até 600 metros, posições de tiro não usuais e tiro de alvo em movimento a longa distância.

O emprego destes atiradores é particularmente indicado em situações onde a precisão é mais importantes que o volume de fogo, como em situações de contra-insurgência, em áreas urbanos a fim de não alvejar civis, em alcances fechados de necessidade imediata, quando o inimigo também os está empregando, situações diversionárias, vigilância de setores e corredores específicos, entre outras.

O Grupo de Armas de Apoio


O grupo de armas de apoio é formado por 2 equipes de metralhadoras médias e 2 equipes de fogo pesado com lançadores de rojões de grande calibre, mais um líder de equipe.



Os Metralhadores

As equipes de metralhadoras médias são compostas cada uma por um metralhador e um metralhador assistente que portam armas de maior potência que as metralhadoras ligeiras que equipam as esquadras, com alcances de até 1.000 metros, fornecendo fogo de supressão de médio alcance. Ao metralhador e seu assistente cabem colocar uma metralhadora média em ação, cuidar de sua manutenção, conhecer sua doutrina de emprego e seu comportamento balístico. Devem ainda assistir seu líder quanto ao emprego da arma, bem com estar apto a substituí-lo, além de conhecer a missão de seu pelotão e companhia. Ao assistente cabe estar apto a assumir o controle da arma se necessário, controlar o fornecimento de munição e trabalhar na designação de alvos ao metralhador sênior.




Os Operadores de Lançadores de Rojões

As equipes de lançadores de rojões são compostas por 1 atirador e 1 assistente. Estas equipes podem operar lançadores de foguetes (rojões) como o AT-4 ou Carl Gustav, ou ainda mísseis leve como Javelin. Elas fornecem ao pelotão uma significativa capacidade anticarro, bem como poder de fogo contra posições fortificadas, em alcances médios. Cabe aos membros da equipe as mesmas funções das equipe de metralhadores, e ao assistente em especial, o gerenciamento no fornecimento de munição. A estas equipes poderão ser alocados mísseis anticarro de maior potência se assim for necessário.

O Líder do Grupo de Armas de Apoio

O líder deste grupo é o substituto natural do adjunto do pelotão e deve conhecer todas as suas atribuições. As demais funções do lider são as mesma já elencadas. Cabe a eles aconselhar diretamente o líder do pelotão quanto ao plano de fogo deste grupo, o gerenciamento do fornecimento de munição do pelotão em auxílio ao sargento adjunto e ao planejamento de emprego das armas de seu grupo.


domingo, 3 de janeiro de 2016

Fundamentos do Combate de Infantaria #



A infantaria é uma tropa que pode combater qualquer tipo de missão, em qualquer ambiente. Suas ações lastreadas no combate aproximado (close combat), geram nos combatentes grande estresse psicológico, devido à extrema violência do contato próximo, com proximidade corpo-a-corpo em muitas ocasiões e visualização dos semblantes inimigos, além dos efeitos físicos que os embates geram nos combatentes feridos e mortos, sejam ele amigos ou não. Ao engajar-se em um combate, deve-se fazê-lo de forma insensível e implacável, sob pena de permitir ao inimigo conquistar a iniciativa e o comando da situação, exigindo ao extremo as qualidades físicas e mentais dos soldados. É a necessidade de se estar preparado para este tipo de situação-limite que norteia o treinamento do combatente, sobretudo do combatente de infantaria, treinamento este muitas vezes incompreendido por aqueles que nada sabem sobre o ofício das armas.

De todos os ramos da atividade militar, a infantaria é única devido a sua proficiência combativa estar centrada na ação do indivíduo. Enquanto outros ramos da organização militar se concentram na operação de sistemas e plataformas de armas, a infantaria tem como base a ação individual atuando em prol de uma equipe, sendo os indivíduos e não suas armas o centro de sua atuação. Esta característica enfatiza a disciplina individual, a iniciativa responsável e a capacidade de liderança como fatores determinantes ao sucesso destes combatentes.

Embora o campo de batalha possa ser alcançado por uma variedade grande de meios, é através da mobilidade a pé que o soldado de infantaria luta no final das contas. Atirar e manobrar é a premissa básica deste tipo de combate, pois nem o movimento e nem o fogo, quando empregados isoladamente, produzem resultados decisivos. Combatentes de infantaria tem que alocar grande volume fogo certeiro, em curtos intervalos de tempo e em qualquer direção, ao mesmo tempo em que se move para onde for necessário, quantas vezes a situação exigir, transpondo condições das mais diversas e singulares. Esta realidade impõem aos combatentes e comandantes, 3 limitações distintas:
  • Coordenar a linha de avanço de forma a manter a coesão e não criar vulnerabilidades;
  • Dimensionar a carga individual de cada soldado, de forma a ter sempre disponível seu equipamento e munição suficiente sem no entanto comprometer sua capacidade física e poder de combate e;
  • Preservar as condições físicas e morais dos combatentes, sempre vulneráveis aos efeitos dos fogos direto e indireto, e maltratos do ambiente e das duras condições de combate.

Os infantes enfrentam situações que exigem de seus líderes a rápida compreensão da situação tática e conseqüente tomada de decisão oportuna. O combate pode-se dar ofensivamente para conquistar terreno e subjugar o adversário, e defensivamente para negar o terreno e proteger forças amigas, que modernamente é feito de forma ofensiva a fim de preservar a iniciativa e o comando das ações. Seja qual for a situação o infante sempre está atacando ou se preparando para atacar. Ataque e defesa são operações de amplo espectro e diferenciadas apenas nos escalões mais altos, sendo indiferentes aos pelotões e pequenas frações.



Princípios Táticos da Infantaria

O combate da infantaria está centrado na manobra e vantagem tática, na combinação efetiva de seus meios de combate, na capacidade de liderança e tomada efetiva de decisões, no poder combativo de cada unidade ou fração e no entendimento correto da situação tática.

A manobra tática como já descrito é a aplicação do poder de combate. Movimentar-se a fim de alcançar posições efetivas ao fogo das armas e atirar para possibilitar o movimento são a base da manobra de infantaria. Fogo sem movimento não produz resultados decisivos e movimento sem fogo torna os combatentes vulneráveis com resultados potencialmente desastrosos.

A vantagem tática consiste no aproveitamento de todos os fatores presentes em cada situação; valendo-se sempre que possível de facilitadores do terreno e do clima, treinamento e tecnologias superiores, surpresa nas ações engajando o inimigo quando está despreparado, eficiente escopo defensivo e de segurança, conhecimento dos dispositivos e pontos fortes e fracos do inimigo, poder de fogo superior, organização, disciplina e moral elevados. Impor ao inimigo problemas inesperados e insolúveis, evitando-se procedimentos óbvios e previsíveis.

A combinação de meios de combate como tipos de armas e munições, apoio de unidades externas como operadores de engenharia de combate e alocação de fogos de artilharia e morteiros, solicitação de apoio aéreo aproximado e apoio a mobilidade por helicópteros, entre outras; valendo-se do conceito sempre eficaz das armas combinadas.

Liderança é a capacidade de incutir em seus subordinados com convencimento o que fazer e o porquê de fazê-lo, deixando o como a critério deles e do seu treinamento. O líder deve ter autoridade reconhecida pelos seus subordinados e liderar pelo exemplo. A tomada de decisões deve ser feita seja no tanto no planejamento das ações como na preparação, execução e avaliação delas. O líder deve exercer o comando e o controle das ações de sua equipe, com avaliações precisas e decisões oportunas, além de eficiente gestão de riscos.

O comando e o controle de um pequeno efetivo de infantaria em combate se dá em torno das funções de combate. Estas funções são o equivalente de pequeno escalão dos sistemas operacionais. São elas as funções de Inteligência, Manobra, Apoio de fogo, Proteção, Suporte logístico e Comando e controle (C2). A cada uma desta funções são alocados pessoal, organização, informação e processos para que se efetivem na prática. Cabe aos comandantes conduzir operações e adestramento em torno das funções de combate.

A Inteligência envolve as tarefas que tratam da compreensão do inimigo, as considerações sobre o terreno e o clima, e as influências dos combate junto a população civil e vice-versa. Envolve ainda as tarefas de vigilância e reconhecimento.

A Manobra é a função que trata da movimentação dos combatentes antes durante e depois do combate, associando a esta o fogo necessário a sua segurança e a degradação do poder combatente inimigo, mobilidade e contra-mobilidade. Através da manobra se alcança o choque, a surpresa e a dominância da situação.

O Apoio de fogo envolve as tarefas de pedido e coordenação de fogos indiretos providos pelo escalão superior. Incluir ainda as funções de sincronização e integração com outras funções de combate.

A Proteção é a função de combate que visa implementar ações de preservação dos combatentes e seus meios, a fim de manter a segurança da tropa e integridade do poder de combate. Incluir as tarefas de prevenção ao fratricídio, defesa antiaérea e antimíssil, prevenção de ações subterrâneas hostis como sabotagens e atentados, ações de sobrevivência, contra-informação, apoio médico-sanitário e atos de segurança direta.

O Suporte logístico é o conjunto de tarefas que visem a sustentação em condições operacionais da tropa através de serviços do suprimento de munição, equipamento, víveres e outros itens necessários; manutenção do equipamento; mobilidade; serviços como o banho e a lavanderia; correspondência; recursos humanos; gestão financeira; serviços de engenharia em geral; apoio religioso; apoio aos serviços de saúde e manuseio de material explosivo a ser destruído. Estes serviços garante a permanência da tropa em operação e geralmente são providos pelo escalão superior em sua maior parte.

As tarefas de C2 envolvem a execução da autoridade e direção. É através das C2 que o comandante integra as outras funções de combate, gerenciando informações relevantes, valendo-se de redes de computadores e sistemas de comunicações, e fazendo chegar a tropa subordinada as ordens e orientações.

Poder de combate é o nível de efetividade que uma unidade operacional pode aplicar sobre o inimigo. É a eficácia da capacidade de lutar. Os líderes da infantaria valem-se das tarefas de planejar, preparar, executar e avaliar para gerar poder de combate. O comandante tático deverá aplicá-lo aos seu objetivo a fim de cumprir sua missão, combinando movimento, poder de fogo e proteção para atingir este objetivo. O entendimento de cada situação, única em combate, é vital a superação do objetivo. Ao planejar cada ação, o líder deverá entender seu propósito e como seu objetivo está inserido no objetivo do escalão superior.

O Combate Aproximado

Um combate aproximado é caracterizado pelo perigo, sacrifício físico, incerteza e oportunidade. Para enfrentá-lo o soldado deverá ter coragem, tenacidade física, equilíbrio mental e flexibilidade.

A coragem é a capacidade de vencer o medo, normal nestas situações, e enfrentar o perigo, sempre presente. Ela é resultante de condicionamento mental forjado em treinamentos contínuos e realistas, conhecimento das técnicas e práticas de combate, entusiasmo, orgulho e crença na causa que defende. A tenacidade física é resultante de condicionamento físico constante e permite ao soldado enfrentar o cansaço e a fadiga muscular. Equilíbrio mental reflete o nível de maturidade que o soldado atingiu. Ele fornece os meios psicológicos para que o soldado coloque a razão como dominante aos efeitos emocionais da situação e tenha capacidade de fazer com competência o que precisa ser feito para cumprir a missão. Avaliar a situação diante da incerteza relativa e tomar decisões dentro do razoável valendo-se das informações disponível é o que se espera. Flexibilidade é a capacidade de lidar com o acaso. O acaso é imprevisível, acontece aos dois lados que se enfrentam, e tem que ser tratado com decisões lógicas e que contribuam para o cumprimento da missão.




domingo, 27 de dezembro de 2015

Emprego das Armas da Infantaria #



As armas de infantaria são empregadas de forma direta, sem a necessidade de recorrer a uma cadeia de emprego, nem autorização de escalões superiores. É o combatente individual que decide o que fazer com ela, seguindo as linhas gerais determinadas pelo seu comandante de grupo ou pelotão, pois o inimigo se encontra diretamente depois do aparelho de pontaria que cada soldado tem a sua disposição. Cada tipo de arma a disposição do infante tem um propósito específico e seu emprego, a cargo do comandante da fração empregada, dão a infantaria seu letal poder de fogo. Conhecer as possibilidades de cada uma, bem como das munições disponíveis, é de suma importância ao seu emprego eficaz.

Existem 5 tipos de armas usadas universalmente pelas pequenas frações de infantaria: Os fuzis de assalto e suas irmãs mais velhas e poderosas, as metralhadoras; as granadas de mão ou de fuzil, estas disparadas a partir de lançadores específicos, os lançadores de rojões e os morteiros. Contrariando o exposto no parágrafo anterior, os morteiros são o único tipo de arma de pequenas frações que requerem uma cadeia de emprego. Não são empregados no escalão grupo de combate e pelotão e não serão discutidos aqui.





A natureza de cada tipo de arma é que determina como o infante a empregará contra cada tipo de alvo. Todas ar armas a disposição da infantaria são de fogo direto, exceção se faz aos morteiros já mencionados. O poder de cada arma de fogo direto está na capacidade de resposta imediata, sem que seja necessário que alguém a acione.

Uma arma de infantaria nada mais é que um dispositivo destinado a colocar a munição onde ela pode fazer o seu trabalho, pois são as munições as verdadeiras armas.

São empregadas pela infantaria 3 tipos distintos de munição: As de penetração, as explosivas (HE) e as de finalidades especiais. O inimigo pode se apresentar de duas formas diferentes: aquele que está lá, em local conhecido e pode ser visto, adquirido e alvejado diretamente; ou aquele que pode estar lá ou não, suspeita-se de sua presença. A este, o granadeiro procurará alvejar com granadas de HE, que são armas de saturação de ambiente, capazes de atingir a todos que estiverem em seu raio de ação, e devem ser apenas lançadas neste local, sem necessidade de mira certeira. Quando o inimigo suspeitar que será alvejado pelas granadas e tentar mudar de posição, aí o fuzileiro o acertará com a munição penetrante, no momento em que se expor.






As munições explosivas tem duas características táticas importantes: Elas não precisam atingir diretamente seus alvos para fazer sentir seus efeitos, podendo atingir alvos que não estão claramente adquiridos; e são especialmente eficazes quando empregadas contra pontos fortificados e veículos. Elas são usadas para matar o inimigo, forçá-lo a permanecer dentro da proteção de sua fortificação, forçar um veículo a mudar de direção ou buscar um posição menos vantajosa, pois somente um impacto direto irá destruí-lo ou danificá-lo de forma significativa.

As munições de penetração dependem da eficiência da arma que a dispara. Sua eficácia pode facilmente ser medida pois seus efeitos são visualizados imediatamente após seu disparo. Existem 3 tipos de munição de penetração: as perfuradoras de alvos macios, as perfurantes de armaduras e as de alto explosivo anticarro (HEAT). As primeiras são aquelas que usam a velocidade, sua massa e ângulo de impacto para penetrar alvos fáceis, como o corpo dos soldados inimigos. São de pequeno calibre, entre 5,56 mm a 14,7 mm, e disparadas de fuzis, metralhadoras e pistolas. As perfurantes de armadura são construídas em materiais mais densos como o carbeto de tungstênio, capazes de perfurar alvos mais duros como chapas metálicas, e provocam uma dissipação de energia cinética intensa no ponto que atingem, rompendo-o, sendo disparadas das mesmas armas que as primeiras. As munições anticarro são dotadas de carga moldada e concentram sua energia explosiva em um pequeno ponto das armaduras, derretendo-as. Geralmente são disparadas dos lança-rojões e como ogivas de mísseis anticarro.


As munições de emprego especial são aquelas que não se enquadram no até agora descrito e provocam efeitos incendiários, fumígenos, iluminativos, químicos, etc...

A trajetória das armas também deve ser usada em proveito do esforço de combate. Envolver o inimigo com fogo combinado de armas de trajetória alta com os de trajetória tensa pode ser muito eficaz. Quando engajados em fogo de trajetória tensa o alvo inimigo tende a se abrigar junto ao solo ou atrás de proteções que encontrem no local. Neste momento o fogo de trajetória alta pode ser empregado já que o alvo tende a estar parado e pode ser atingido pelos ângulos “mortos”, que tendem a estar descobertos. Este tipo de fogo também pode obrigar o inimigo a abrigar-se ou mover-se para fora da área, o que limita sua eficácia. Cria-se um dilema ao inimigo: se mover-se o fuzileiro o engaja com o fogo de sua arma automática e se ficar abrigado o granadeiro o força a mover-se. Este efeito combinado produz efeitos superiores ao que seria alcançado se cada uma delas atuasse individualmente.


As armas da infantaria engajam seus alvos sob 2 aspectos: o ponto e a área. O ponto é um alvo específico: um soldado, um veículo, um equipamento; e a área é um conjunto de pontos como uma formação de soldados, uma trincheira, etc... Tanto as metralhadoras como as granadas são adequadas para ambos os aspectos, sendo o fuzil mais específico para o engajamento de alvos-ponto. A taxa de fogo de cada arma, ou número de tiros por minuto, deve ser determinada pelo comandante da fração. Esta taxa será definida pela necessidade de se alcançar a superioridade de fogo e pela disponibilidade de munição.

A arma mais numerosa da infantaria é seu fuzil de assalto. O fuzileiro dispara munição penetrante, geralmente nos calibre entre o 5,56 mm ao 7,62 mm, e seu papel é alvejar o inimigo com fogo de precisão de curta distância; Não é importante o quão rápido o fuzileiro atira, mas o quão rápido ele pode adquirir o inimigo eficazmente em sua aparelho de pontaria e alvejá-lo. Um segundo papel do fuzileiro é a realização do fogo supressivo, forçando o inimigo a abrigar-se, correr, deitar, se proteger e no final das contas não poder atirar, proporcionando segurança aos metralhadores e granadeiros.


Apoiando o fogo dos fuzis, a metralhadora ligeira tem por missão proporcionar volume de fogo aos fuzileiros, proporcionando-lhes segurança mútua enquanto miram suas armas individuais. Ela satura a área do alvo com projéteis penetrantes, de trajetória tensa que pode ser ou não a mesma dos fuzis de assalto. Um pelotão de infantaria pode contar  com dois tipos de metralhadoras: uma menor e distribuída em maior número (metralhadora ligeira), disparando a mesma munição dos fuzis, na proporção de, por exemplo, 1 para cada 3 fuzis (1 por esquadra) e uma maior (metralhadora média) capaz de sustentar fogo por mais tempo e muitas vezes disparando munição mais potente (7,62 mm por exemplo) distribuídas a razão de 2 armas por pelotão (US Army). Estas são especialmente adequadas a engajar alvos como veículos, fortificações ou mesmo aeronaves. São capazes de sustentar fogo por longos períodos.

As munições explosivas (granadas) são o apoio de fogo imediato dos fuzileiros. Podem ser lançadas manualmente pelos próprios, ou pelo granadeiro, este especialmente equipado com um lançador especializado que pode ou não estar conjugado ao seu fuzil de assalto, disponibilizando uma arma de trajetória alta e tiro direto para atingir ângulos mortos.


Os lança-rojões são armas de tiro único, grande calibre e disparam granadas mais potentes. Podem ser descartáveis (AT-4) ou recarregáveis (Carl Gustav) na forma de foguetes estabilizados e de baixa velocidade, sendo pequenos canhões em recuo. São especialmente adequados a bater alvos difíceis que as armas já descritas não demonstram eficácia. Veículos levemente blindados e posições fortificadas são os alvos mais comuns. São disparados a distâncias de 100 a 1000 metros e podem engajar grupos de soldados inimigos, por exemplo em um cenário urbano, de um lado a outro da rua.

Cabe ao líder do grupo de infantaria coordenar a alocação de fogos de seus comandados e das armas de que dispõem. Ao combinar o fogo de armas de vários tipos procura-se obter um resultado superior a soma dos efeitos de cada arma se empregadas individualmente. Todo plano de fogo dos pequenos escalões de infantaria orbitam o binômio metralhador/granadeiro, e é em torno deles que os demais atuam. Cabe aos fuzileiros proporcionar segurança ao núcleo de fogo do grupo, observar o entorno fornecendo alarme e inteligência ao grupo, reforçar o fogo do metralhador e substituí-lo sem necessário, além de engajar outros alvos  enquanto o metralhador e o granadeiro concluem seu engajamento. Ao líder do grupo cabe maximizar a sua eficácia através de comandos de fogo e medidas de controle, devendo assumir também a função de atirador sempre que necessário.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A Engenharia de Combate Blindada #



DEFESANET

Eduardo Atem de Carvalho, PhD
Universidade Estadual do Norte Fluminense

Rogério Atem de Carvalho, DSc
Instituto Federal Fluminense


INTRODUÇÃO
           

Resumo
           
A Engenharia de Combate Blindada, na guerra assimétrica, deixou de ser apenas elemento orgânico da Bda Bld para ser parte integrante, combatente, das eventuais Forças-Tarefa (FT) organizadas para o cumprimento de uma dada missão. A presença de meios adequados associados à tecnologia de ponta se tornam características desta arma, que pode atuar de forma tática, mantendo os tempo de deslocamento da FT e protagonizando missões, bem como ter uso estratégico, conquistando uma dada população com sua capacidade de prover uma região com infra-estrutura que apoie sua subsistência.

A Eng Bld tem à disposição uma vasta coleção de veículos especializados, tão grande quanto existam técnicas empregadas por esta arma.

Introdução
           
A Arma de Engenharia assumiu novas atribuições na guerra moderna, porém suas antigas atribuições permanecem, sendo que a cada conflito mais e mais se espera dela e tarefas inéditas vão sendo adicionadas ao seu leque e competências, sob o ponto de vista do comando de FTs blindadas.
           
Na chamada Guerra Assimétrica, a parte dita “fraca” vai empregar todos os meios para  negar à parte “forte” o uso da potência de fogo superior e da manobra. Como consequência disto, o Teatro de Operações (TO) passou a incluir áreas urbanas, além dos espaços abertos. Mesmo assim, a força “forte” se mostrou capaz de derrotar o adversário, mas o custo em vidas de não-combatentes, decorrentes disto, acabou por gerar dramas morais e uma reação mundial contra este tipo de operação. Um dos casos mais emblemáticos do custo da retomada de áreas urbanas por forças armadas é da Batalha de Manila, na Segunda Guerra Mundial, onde o Exército Americano desalojou, após um mês de combate, os defensores japoneses, ao custo da destruição da cidade e da morte de estimados 100.000 filipinos.
           
No pós-guerra, com todos os grandes exércitos do mundo apoiando seu poder ofensivo em FT blindadas, as diversas doutrinas geralmente determinavam que as forças blindadas evitassem qualquer área urbana ao máximo, limitando-se ao desbordamento ou envolvimento destas. Mas um novo tipo de cenário surgiu, na Chechênia e no Oriente Médio, e pode ser entendido na sua plenitude no trabalho general inglês John Kiszely, onde o inimigo retraiu justamente para as áreas mais povoadas e com o passar do tempo dispersou suas forças em pequenos grupos alojados em hospitais, escolas, prédios residenciais e toda instalação contra qual o uso de armamento pesado pudesse ser classificado como crimes de guerra, em uma livre interpretação, típica da grande mídia, da Convenção de Genebra. Assim o lado dito mais “fraco” se defende e tenta anular a superioridade de potência de fogo, mobilidade e tecnologia, do lado mais “forte”.
           
Para vencer este impasse, causado pelo impedimento de usar livremente os fogos de artilharia e manobras do elemento blindado, uma nova doutrina de emprego vem surgindo, que leva em conta a necessidade de se dominar áreas urbanas, sem poder contar com emprego da Artilharia “estatística” (aquela que bate indiscriminadamente uma área, não um ponto) nem massa de blindados manobrando. Seu emprego se baseia no uso das frações da tropa, apoiadas por suas viaturas em conjunto com tropa especializada de Engenharia e apoio de fogo vindos de CCs. Sem a Eng Bld, o cenário se torna o de impasse, baixas excessivas e derrota estratégica.
           
O novo cenário apresentado para as forças convencionais, forçadas a lutar uma guerra assimétrica, tornaram imperativa a presença da Engenharia de Combate Blindada não mais como elemento orgânico da Bda Inf Bld ou Bda Cav Bld e sim como parte integrante da Força Tarefa, avançando dentro da formação da mesma, em proporção definida pela missão. Seus veículos especializados transportam o material necessário e combatentes.

Classes de Veículos Empregados pela Engenharia Blindada
           
Diversos veículos são empregados pela Engenharia de Combate, mas este trabalho só ira abordar, e superficialmente, aqueles que são geralmente encontrados nas unidades de Engenharia Blindada.



Veículos de Recuperação
           
São veículos empregados na recuperação de CC, CBTP e outras viaturas. Também são capazes de efetuar reparos em campo. Estas viaturas se encontram, geralmente, em poder das unidades particulares. Ou com a Arma de Material Bélico, no EB. Mas em outros países pode ser listado como de “Engenharia”, em geral. São projetados em comum com carros de combate aos quais prestarão assistências. A seguir alguns dos seus modelos mais comuns e entre parênteses os CC dos quais se originam: Bergepanzer (Leopards I e II), Leclerc DNG (Leclerc), BREM (T-80), M88 (M48 A2).



Lançadores de Pontes
           
Projetados para permitir o rápido lançamento de pontes metálicas, para cruzamento de vãos, fossos e obstáculos relativamente estreitos (pontes tem até 30 m de comprimento). Podem ser feitos a partir de cascos de CC ou não. Seus modelos mais comuns são: Biber e PSB-2 (Alemanha), Tagash (Israel), Titan (UK), M60 AVLB e M104 Wolverine (EUA).



Movedores de Solo e Obstáculos Naturais
          
Recentemente incorporados às FT, esses veículos podem ser adaptações de veículos civis ou cascos de CC, que receberam lâmina de “bulldozer”, retroescavadeira, etc... Existem diversos, e dentre eles: Caterpillar D9 (Israel), M-105 DEUCE e M9 ACE (EUA), Kodiak e Wiesent (Alemanha), IMR-2 (Russia), Terrier (UK).



Rompedores de Campos Minados
           
Veículos clássicos da Engenharia, os rompedores de campos minados tem entre os mais conhecidos: Patria HMBV (Finlandia), PUMA (Israel), ABV e SLUFAE (EUA).


Carro Blindado de Transporte de Engenharia
           
Aqui chamados de CBTE (Carro Blindado de Transporte de Engenharia), estes novos veículos tem sido desenvolvidos e enquanto seus conceitos não são incorporados na geração seguinte de veículos, se destacam pela natureza improvisada e adaptativa. Um exemplo pode ser o CBTP “Nagmachon” israelense, que ao centro recebeu uma torre fixa e alta, onde seteiras e sensores permitem tanto a imobilização de explosivos improvisados (IED) como a caça à franco atiradores inimigos – esta segunda função se torna importante visto que uma tática comum de tropas irregulares é fustigar, e mesmo impedir o trabalho, equipes de desarme de IED através de seus atiradores, atrasando o movimento – o que causa alto custo para o atacante, a um baixo custo para o defensor.


Engenharia Empregada para o Controle dos Tempos
           
Todo o esforço hoje empreendido em relação à Engenharia Blindada, no tocante à guerra assimétrica, visa dotá-la de meios que mantenham a FT em movimento e cumprindo suas missões, nos tempos previstos. Desta forma, ela recebe também viaturas blindadas, com capacidade de resistir ao ataque de qualquer armamento tático do adversário, as CBTE anteriormente listadas. Suas viaturas transportam combatentes de Engenharia, especializados nas missões descritas, até a proximidade dos alvos ou regiões de deslocamento que possam estar bloqueadas pelo inimigo. E oferecem o mesmo apoio dos CBTP, porém sem contar com torres automáticas de tiro, somente seus sensores e capacidade de transporte seguro.
           
Todo o exército moderno que pretenda ser capaz de obter vitórias estratégicas e não apenas táticas, deve contar com uma Engenharia Bld capaz de manter reduzido o tempo de deslocamento das FT. Da mesma forma, o inimigo vai empregar todos os meios à sua disposição para forçar as FT a aumentar este tempo, causando um número constante de baixas na força atacante, visando provocar o uso pesado e indiscriminado de artilharia e outros meios de destruição, quando a FT tenta forçar a volta do movimento.
           
Como dito, nota-se o emprego de recursos de baixo custo pelo defensor, como os IED, usados de maneira a causar danos de alto valor para o atacante, como a perda de vidas e o aumento dos tempos.



Mantendo a Velocidade de Deslocamento da FT
           
Uma das características da guerra assimétrica contemporânea é a necessidade de superar obstáculos físicos durante todo o conflito. Não superados em velocidade condizente com as velocidades da Era da Informação, estes obstáculos físicos podem se transformar em alicerces para obstáculos político-estratégicos. Desta forma, as vias que poderiam ser empregadas para deslocamento da FT certamente estarão repletas de carcaças de veículos destruídos, blocos de concreto remanescentes de construções demolidas etc, entremeados com Dispositivos Explosivos Improvisados (IEDs) e minas terrestres. A remoção deste entulho e a desativação/destruição dos IEDs tem que ser feita por veículo especializado, capaz de atuar tanto como retroescavadeira, por exemplo, como também CBTP. Esse tipo de missão irá se repetir à exaustão, junto com as demais já hoje à cargo da Arma. A missão da Engenharia pode ser definida então como manter a velocidade de deslocamento da FT.



Mantendo a Velocidade de Deslocamento da Infantaria Desembarcada
           
Uma vez desembarcada e atuando em uma área densamente povoada ou nos arredores semi-destruídos de uma cidade, a Infantaria Blindada costuma ser detida pela presença de atiradores, observadores que disparam armadilhas e/ou IEDs e mesmo pela presença de bandos desorganizados do adversário.
           
Sendo esta a maior fonte de baixas do Exército da Israel, na chamada Guerra do Líbano, surgiu naquele país uma nova doutrina para emprego da Engenharia, e então as tropas passaram a contar com equipes que abrem furos em paredes de construções usando explosivos moldados para tal. Desta forma a tropa penetra em um quarteirão pela parede da primeira construção, limpa a área de combatentes inimigos e avança para destruir a parede na extremidade oposta da primeira construção, adentrando a segunda e repetindo o processo, permitindo deslocamento com segurança pelo grosso da tropa, que é composta de infantes desembarcados. Desta forma, o número de combatentes perdidos para franco-atiradores, explosivos etc, cai para um número mínimo. Este tipo de atuação, pela Eng Bld desembarcada, permite que toda a missão mantenha o cronograma, vital na guerra assimétrica.
           
O emprego desta tática porém deve ser balanceado, posto que, enquanto reduz as baixas amigas – melhorando a imagem “dentro de casa”, não será livre de questionamentos, dado que, ao passo e ao cabo de sua execução, destruirá um grande número de construções, geralmente moradias civis, no caminho até o último ponto de resistência adversária.
          
Tropas de Elite de Engenharia
           
O confronto do tipo assimétrico adquiriu tal proporção no Oriente Médio, que levou o Exército de Israel a criar uma unidade de Forças Especiais de Engenharia, o Sayeret Yahalom. Embora não exista literatura técnica suficiente disponível sobre a unidade, sabe-se que ao ser organizada na forma de um “Sayeret”, trata-se de uma unidade de elite. Diz-se que esta unidade se preparou por um longo tempo para enfrentar os cenários de um eventual confronto na Faixa de Gaza, mas obviamente, nada é confirmado. Porém, a lição que fica é que existe a necessidade de se ter uma tropa de Engenharia capaz de executar estas missões aqui descritas.



Novos Meios
           
Uma das grandes soluções tecnológicas criadas para a guerra assimétrica e posteriormente  incorporada aos exércitos regulares é o uso de VRC (Veículos Remotamente Controlados), que operados à distância permitem que atividades mais perigosas realizadas pela tropa sejam realizadas por robôs, com graus variados de sofisticação. Desde os mais simples, portáteis, que podem ser lançados manualmente por um combatente, até aqueles dotados de níveis de decisão próprios. A variedade destes equipamentos é grande, com novos fornecedores surgindo constantemente. No exército de Israel, parte do patrulhamento ao longo das cercas que separam o país da Síria e da Faixa de Gaza é realizado por pequenos robôs. Outro meio já testado na Operação “Protective Edge” foi o uso de radares portáteis, que permitem “ver” através das paredes. Em 2014 este equipamento só estava disponível para unidades de elite atuando naquela região, hoje já se discute distribui-lo para a tropa regular de Engenharia.

Engenharia Empregada Estrategicamente
           
Assim como o papel tático preponderante no campo de batalha moderno e assimétrico, as possibilidades de prestação de serviços à comunidade, através de provimento de estruturas e ações de saneamento básico, construção de moradias, abertura de estradas e ferrovias etc, se tornam um vetor estratégico da Engenharia na guerra assimétrica. Isto é materializado por um velho ditado português que diz que “a revolta começa onde acaba a estrada”. Assim sendo, a mesma Engenharia que destrói no nível tático, constrói no estratégico, colaborando para conquistar “corações e mentes”, sendo esta segunda missão incumbência da Engenharia de Construção e não à de Combate.

Seleção de Equipamentos
           
A solução clássica adotada por Israel para dotar seu Exército de blindados de Engenharia capazes de fazer parte de uma FT e ao mesmo tempo cumprir as missões da arma, tem sido a de transformar antigos CC em novos blindados de Engenharia. No Brasil, a opção recai sobre a compra de blindados alemães de Engenharia, da família Leopard, equipados com os equipamentos necessários ao cumprimento da missão. Pelo que se observa nas campanhas russas (Chechênia), norte-americanas (Iraque e Afeganistão) e israelenses (Faixa de Gaza e Líbano), operar com proteção blindada menor que a de um CC típico tornará inócua a tentativa da Engenharia Blindada de executar suas missões, e a mesma sofrerá baixas incapacitantes durante as tentativas.

Conclusões
           
A possibilidade de enfrentamento na forma de uma guerra assimétrica se tornou presente para todas as Forças Armadas do mundo, com o aumento no número dos ditos Estados Falidos, movimentos separatistas ou de afirmação nacional, grupos terroristas e associações em rede de diferentes tipos de entidades. Nesta forma de conflito observa-se que:
          
  • O lado “fraco” irá usar de todos os meios para paralisar o movimento da tropa “forte”, enquanto tenta causar baixas politicamente injustificáveis, tanto no lado “forte” quanto no seu próprio lado, de forma a causar derrota no plano estratégico, ao apresentar ao mundo a força atacante como criminosa de guerra.
  • A Engenharia Blindada assume papel primordial, ao passar a ser elemento orgânico das FT, responsável pela manutenção da indispensável velocidade de manobra e consequentemente dos tempos reduzidos, que por sua vez irão colaborar para reduzir possíveis danos político-estratégicos.
  • Existem veículos que podem ser adaptados para as novas missões requeridas da Arma de Engenharia e na falta destes, CCs não mais em uso podem servir de base para veículos especiais de Engenharia.