"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A Manobra Americana no Vietnam #



Guerra na Paz

Os três primeiros anos de envolvimento americano no Vietnam foram tão decisivos quantos cheios de hesitação. Foi necessário todo esse tempo para que a máquina de guerra americana funcionasse a todo vapor e aperfeiçoasse as suas táticas. Mas então veio a ofensiva norte-vietnamita do Tet (Ano Novo Lunar) de 1968 e o início do recuo das forças americanas, que não conseguiram se adaptar com rapidez suficiente às necessidades da guerra na selva, e tiveram que pagar um alto preço por isso.

Na verdade, a situação não deveria ter causado maior impacto nos comandantes americanos responsáveis pela criação, equipamento e treinamento do ESV (Exército sul-vietnamita), que tinham acompanhado suas operações e visto de perto seus êxitos e fracassos. Já em 1963 os sul-vietnamitas mostraram sua incapacidade de empreender uma manobra efetiva de cerco e aniquilamento. Naquela ocasião os vietcongues escaparam sem grandes dificuldades às "malhas da rede", após castigar duramente , repedidas vezes, os sul-vietnamitas que os atacaram.

Os americanos também haviam adquirido ampla compreensão teórica da luta anti-insurrecional durante a guinada estratégica do governo Kennedy. No âmbito da nova doutrina de "reação flexível", o Pentágono realizara uma série de estudos e cursos de treinamento organizados a partir da experiência britânica na Malásia e da francesa na indochina (nome do Vietnam no período colonial).

Analisando as lições da indochina, os americanos chegaram a conclusão de que veículos terrestres franceses, inclusive os blindados, ficavam retidos nas estradas, tornando-se vulneráveis à emboscadas. Por isso decidiram enviar aos Vietnam um vasto parque de helicópteros, cerca de 4.000, quase cem vezes mais que os 42 aparelhos dos franceses. Só que estes helicópteros também ficaram retidos em seus campos de pouso e a escassez de blindados, veículos de enorme valia para deslocamentos em terreno irregular e combates a curta distância, representou uma séria falha na logística americana, que só começou a ser corrigida em 1968.

Outra lição da Indochina foi bem assimilada, tendo em vista o exemplo de Dien Bien Phu: a importância de assegurar suprimentos e proteção pelo ar às bases fortificadas. Foi esse um dos pontos-chave da atuação militar dos EUA no Vietnam.



Em geral, uma base de apoio consistia num perímetro circular de trincheiras individuais, destinadas a abrigar uma companhia de infantaria que podia cobrir com suas armas várias centenas de metros em terreno aberto. Essa área ficava cercadas por minas e arame farpado. Os alcances de tiro e prováveis trilhas de aproximação eram observados cuidadosamente.A potência de fogo imediata da companhia consistia em fuzis de assalto, lança-granadas, metralhadoras, foguetes anticarro e morteiros. Por si mesmas, estas armas podiam normalmente deter qualquer ataque, mas havia muito mais.

Em geral, o armamento da base de apoio incluía uma ou mais baterias de artilharia pesada (por exemplo, obuseiros de 105 mm e de 155 mm), que podiam cobrir um raio de 15 km; em certos casos, peças de artilharia mais potentes alcançavam 30 km e a proximidade das bases permitia que seus arsenais se somasse na defesa de um perímetro ameaçado.



Além disso, havia os fartos recursos proporcionados pela aviação, tais como foguetes aéreos colocados em helicópteros Huey, aparelhos de carga equipados com lança-chamas e mini-canhões; Cessna A-37 e outras aeronaves de baixa velocidade; aviões mais velozes, como o Douglas A-4 e o Fairchild F-105. Atuavam ainda o helicóptero experimental Chinook CH-47 ou "couraçado aéreo", o bombardeiro F-111 TFX; e acima de tudo a confiável "fortaleza voadora" B-52, que podia se aproximar a alta velocidade sem ser ouvida e devastar 1 km² com seus 40.000 kg de bombas metálicas (com 3 aparelhos voando juntos em arco).



Por um momento, o Pentágono acreditou que essa enorme capacidade de fogo bastaria para ganhar a guerra. Em diversas ocasiões, centenas de vietcongues foram abatidos em ataques noturnos por apenas alguma dúzias de soldados. Tais êxitos entusiasmavam os militares americanos partidários do body count, a estratégia da contagem de corpos como prova material de que a guerrilha estava sendo dizimada.

De fato, algumas bases de apoio nada sofreram enquanto foram defendidas por tropas dos EUA, e de qualquer modo poderiam ser rapidamente reconstruídas. O que os estrategistas não perceberam é que, nesses combates, era o vietcongue que definia seu próprio body count. Os guerrilheiros norte-vietnamitas só atacavam quando sabiam quantas vidas poderiam sacrificar sem perder a guerra. Surgiu desse modo uma situação de equilíbrio, na qual sua incapacidade para atingir as bases dos americanos era compensada pela extrema dificuldade destes em se apoderar das bases adversárias. Os ataques a "santuários" da guerrilha no Laos e no Camboja eram fonte de problemas políticos e mesmo com uma potência de fogo imensamente superior subsistiam obstáculos táticos.

A unidade fundamental de manobra dos EUA no Vietnam era a companhia de infantaria, com força nominal de uns 180 homens, mas que na prática não operava com mais de 120. Essas companhias encontravam grande dificuldade em mover-se na selva: seguindo em coluna por uma trilha, os soldados cobriam mais de 1 km de terreno. Isso tornava a "reação flexível" um objetivo remoto. Ainda menos viável eram a prática de cerco e aniquilamento, a ponto de um estrategista americano declarar: " a selva zomba de nossas manobras".



A Blindagem Vegetal

Quando os guerrilheiros eram encontrados  numa incursão americana, a luta ficava bem mais equilibrada. Em geral, a vegetação fazia mais do que esconder os vietcongues entrincheirados. Os projéteis mais leves fracassavam na penetração das casamatas ou dos grossos troncos de árvore, enquanto os obuses de 105 mm explodiam na mata fechada, cobrindo o solo de estilhaços, mas raramente ferindo vietcongues. A utilização de peças de maior calibre  era dificultada pela curta distância entre os combatentes, de algumas dezenas de metros. Por vezes, para abrir espaço à artilharia, os soldados americanos recuavam deliberadamente, mas isso criava oportunidades para contra-ataques.

Outra dificuldade era o fato de, em suas incursões, as colunas dos EUA avançarem a pé e não em veículos blindados, tornando-se vulneráveis ao fogo inimigo em terreno aberto. Imobilizados, os soldados não conseguiam aplicar a tática de "atirar e manobrar" preconizada em seu manual, com vistas a um assalto final.

Na verdade, os americanos logo verificaram que, sem o uso de blindados, tais assaltos finais cobravam um elevado preço em vidas e que, numa guerra de atrito, essas perdas eram inaceitáveis. "Cada vez que faço um homem manobrar", declarou um sargento americano, "ele leva um tiro. Ao diabo com a manobra".

Em 1967, os americanos tinham criado um novo manual tático, segundo o qual a infantaria " desblindada" deixava de ser uma força de assalto, assumindo o papel de simples patrulha de reconhecimento. Ela deveria avançar até uma área onde existissem bases inimigas, envolver-se em troca de fogo e identificar alvos a serem destruídos pelo armamento pesado. Tal tipo de ação era complementado pela atividade dos esclarecedores, grupos de infantaria leve especializados em infiltrar-se secretamente através das linhas do inimigo. Esses peritos deviam orientar o fogo de artilharia contra alvos promissores, recuando em seguida. Nos ares, o mesmo faziam os Loaches (Light Observation Helicopters - helicópteros leves de observação), capazes de localizar o inimigo e fustigá-lo a seguir com seus próprios minicanhões, sendo auxiliados por helicópteros de ataque ou por forças terrestres. Só que o ruído dos motores alertava os guerrilheiros e mais uma vez havia alto body count sem danos consideráveis a suas forças.

O que as novas as novas táticas americanas não poderiam fazer era substituir o papel da infantaria, isto é, acercar-se do inimigo e destruir suas formações num combate corpo a corpo. Ao reservar a função destrutiva à potência de fogo, o US Army parecia aceitar a derrota numa guerra impopular e oficialmente definida como "limitada".


quinta-feira, 30 de março de 2017

Aviação do Exército - Aspectos Táticos #



A via aérea permite aos comandantes táticos posicionar tropas leves a grandes distâncias de suas posições ou linhas de contato em tempo reduzido, transpondo áreas hostis, inserindo frações por brechas e corredores não defendidos através do território dominado pelo inimigo, a fim de ocuparem pontos sensíveis e posições de importância tática, inatingíveis por terra.

O domínio destes locais pode refletir em valiosa ferramenta tática e apresentam grande efeito multiplicador à manobra, pois a partir deles pode-se, por exemplo, assegurar sua posse para permitir a passagem de tropas mais convencionais como pontes e pontos de estrangulamento de tráfego e bloquear a retirada de forças inimigas em movimento retrógrado.

A guerra moderna, como a conhecemos hoje, é fruto dos ensinamentos colhidos no desastre tático que aconteceu na Primeira Guerra Mundial. Posições nitidamente definidas, delineadas por trincheiras, conferiam ao conflito uma imobilidade tática total, fazendo-o estender-se por um tempo longo sem que qualquer dos contendores alcançassem progressos, a um custo humano inaceitável. Fruto tanto da falta de tecnologia quanto de doutrina adequada, a realidade desta guerra serviu para que mudanças significativas viessem a ser implementadas nos conflitos posteriores. A Segunda Grande Guerra, através do conceito alemão da “blitzkrieg”, é o melhor exemplo a ser citado, onde se fez largo uso de manobras aeroterrestres, sendo a inexistência da asa rotativa neste período um grande limitador destas manobras.

Operações aeroterrestres são aquelas em que se usam unidades pára-quedistas, geralmente saltando de aeronaves de asa fixa para o posicionamento de tropas no solo. A tropas deixam as aeronaves em pleno ar à grande altura, e a partir deste momento não podem mais retornar a ela. Se a área de aterragem apresentar uma condição desfavorável às tropas que ali saltaram, ou se a missão vier a fracassar, não existe a possibilidade de que sejam prontamente recolhidas ou a operação possa ser abortada. Na Segunda Grande Guerra estas operações foram implementadas em grande escala, com divisões inteiras sendo lançadas do ar simultaneamente. Um grande inconveniente que se observou nestas ações foi a dispersão alcançada pelos pára-quedistas, com unidades fragmentadas que demandavam um tempo precioso para se reunir e alcançar uma condição tática satisfatória.




A mobilidade tática proporcionada pelas aeronaves de asas rotativas, vieram para complementar, senão substituir, a maior parte das operações aeroterrestres praticadas até então, em situações onde o uso de pára-quedistas era imprescindível. Denominadas de aeromóveis, envolvimento vertical ou operações de assalto aéreo, a manobra de posicionar tropas com o uso de helicópteros viabilizou-se tão logo esta tecnologia surgiu de forma mais amadurecida durante a Guerra da Coréia, atingindo sua capacidade plena na Guerra do Vietnam, onde foi usada em larga escala. Embora os exércitos modernos continuem a manter seus efetivos pára-quedistas, eles foram reduzidos e passaram a ser empregados dentro deste novo conceito em complemento às aeronaves convencionais, nas missões de perna mais curta devido ao alcance limitados dos helicópteros. Parte das vantagens do helicóptero, antes do seu aparecimento, era alcançada com o uso de planadores, que podiam manter coesas as frações e seu equipamento.

De cunho ofensivo, estas operações podem ser usadas tanto em manobras ofensivas quanto defensivas, que modernamente se dão também valendo-se da iniciativa, fundamental na guerra moderna. Livres de frentes e linhas de contato, tropas aeromóveis forçam o inimigo a dispersar seus efetivos a fim de manter presença em todos os locais mais vulneráveis ao seu assédio, enfraquecendo as demais tropas, minando a aplicação do princípio tático da massa. O uso do meio aeromóvel acentuou a flexibilidade deste tipo de manobra.

Em comparação ao assalto pára-quedista, o aeromóvel é mais facilmente detectado devido a assinatura acústica destes meios. Os pára-quedistas podem lançar uma grande quantidade de meios a partir de cargueiros aéreos como os C-130, C-17 ou KC-390; porém necessitarão dos meios helimóveis para a evacuação de feridos. Uma força pura de helicópteros pode desempenhar a mesma missão em alcances mais curtos e continuar a apoiar a força nos locais de operações com suporte de fogo, suporte logístico e embarques e desembarques sucessivos com exfiltrações e infiltrações em seqüência. Aeronaves convencionais necessitam de locais de pouso apropriados para efetuarem manobras semelhantes, enquanto que os helicópteros tem poucas restrições quanto ao terreno, podendo pousarem até em cima da laje de habitações e fazerem uso da técnica do rapel.

Denominado envolvimento vertical, a manobra que agrega helicópteros e infantaria leve consiste em embarcar e desembarcar tropas de forma sucessiva ou não em locais diversos e por vezes inacessíveis por terra. Estas tropas estão submetidas a grandes restrições quanto ao peso do equipamento transportado, sendo sua operacionalidade muito mais perecível que o das tropas aeroterrestres que são dimensionadas para sustentarem combate de forma independente por cerca de 72 horas, enquanto aquelas o fazem por período de até 48 horas. Artilharia de 105 mm e morteiros de 120 mm podem acompanhar estas tropas usando dos mesmos meios, embora helicópteros mais pesados possam deslocar obuseiros de até 155 mm.




Em 1946 os fuzileiros norte-americanos viram nas recém-nascidas bombas nucleares um grande limitador a suas manobras de assalto anfíbio, devido a necessidade de concentrar grande quantidade de navios e outros meios em cabeças de praia restritas, e viram no helicóptero uma maneira de dispersar seus meios em áreas maiores, reduzindo a vulnerabilidade de suas tropas. As primeiras experiências na Coréia usaram o helicóptero nas missões de ligação e observação, evacuação aeromédica e ressuprimento, sendo o primeiro uso tático no assalto a colina 884 com o desembarque de 224 fuzileiros e 8 toneladas de suprimentos em 65 voos durante 4 horas. Em 1954 realizou-se um assalto com um batalhão inteiro. 

No Vietnam os assaltos começaram com a chegada dos primeiros aparelhos e as perdas sofridas logo no início levaram a adoção de unidades armadas de escolta. Devido ao terreno difícil para a progressão por terra, o helicóptero revelou-se ideal para o posicionamento de tropas de forma rápida e eficaz. A cavalaria aérea norte-americana foi concebida para atuar em guerras convencionais em ações de retardamento, emboscadas, mobilidade da infantaria e apoio de fogo; mas a primeira oportunidade de emprego real se deu no sudeste asiático, transpondo selvas e atuando na contra-insurgência.


Tentou-se inicialmente a escolta com asas fixas o que se mostrou inadequado, chegando-se ao conceito de uma aeronave com metralhadoras e foguetes disparados pelo piloto e metralhadoras laterais complementares, disparadas por atiradores dedicados. Blindagem adicional mostrou-se necessária o que resultou no aumento de peso e necessidade de maior potência, além de velocidade e autonomia compatível com as aeronaves escoltadas. Os primeiros modelos usados (UH-1) não podiam servir de escolta e transporte ao mesmo tempo. A mobilidade aérea multiplicou por 6 a disponibilidade das tropas e permitiu que o poder de fogo andasse de mãos dadas com a capacidade de manobra em terrenos como o do sudeste asiático.

Conflitos de alta intensidade requerem superioridade aérea para que o uso de helicópteros não se dê de forma limitada. Lentos e vulneráveis a aeronaves de alto desempenho, devem voar em espaços que ofereçam segurança relativa. Tanto egípcios como israelenses fizeram amplo uso destas aeronaves na guerra do Yom Kippur, onde consolidou-se sua capacidade de infiltração de tropas armadas de armas leves e potentes como ATGWs e SAMs portáteis e mostrou sua vulnerabilidade a caça inimiga.



Foram realizados vários assaltos de helicópteros, incluindo uma emboscada audaciosa contra um comboio bem dentro Egito feita pelos Israelenses. Comandos egípcios Al Saaqa foram transportados por helicópteros Mi-8 atrás das linhas inimigas no Sinai para atacar reforços, durante o ataque inicial, e para tomar pontos estratégicos como o Passo de Mitla e Gidi, e nesta operação 14 helicópteros foram derrubados pela Força Aérea Israelense e os outros comandos foram cercados antes de atingir o objetivo ou chegar reforços. Os primeiros comandos egípcios foram treinados por assessores alemães e faziam raids contra as defesas israelenses no Sinai. Em 1969 estes raids ocorriam todas as noites e eram muito temidos por Israel, sendo responsáveis pelo deslocamento de tropas adicionais para defesa de pontos. A Força Aérea Israelense também usou helicópteros para infiltrar comandos atrás das linhas atrás da localização de mísseis SAM e alerta de seu lançamento para os pilotos de caça. Pelo menos dois helicópteros foram derrubados nestas missões. Pára-quedistas sírios os usaram para capturar o monte Hermon e comandos foram usados para atacar blindados com mísseis Sagger pela retaguarda.

Em 25 de Abril de 1982, os britânicos recuperaram as Geórgia do Sul dos argentinos. Precedido de um consistente fogo naval, realizaram um assalto aeromóvel com 120 fuzileiros navais, que rapidamente dominaram a guarnição Argentina de poucas dezenas de homens.

Os russos iniciaram operações com forças aeromóveis na década de 1970 com suas Forças de Assalto Aéreo, unidades do porte de uma Brigada. No Afeganistão realizaram ataques de surpresa de forma independente em locais remotos ou de difícil acesso ou apoiando outras forças, atuando em ações de controle de terreno dominante ou junções de estrada. A vantagem russa no ar se manteve até aparecer o míssil Stinger.

Os russos desenvolveram várias táticas. Na preparação do assalto as armas leves entram por último e saem primeiro. As naves de assalto pousam e decolam juntas para não dar alerta e usam a rota mais segura. Zonas de pouso de reserva são sempre consideradas. Devem ficar por tempo mínimo no solo, pouco mais de um minuto. As de ataque cobrem a subida e o cominho de volta. O helicóptero permitia pousar direto ou próximo do alvo, geralmente com supressão anterior de artilharia ou ataque aéreo antes do desembarque. Os helicópteros de ataque continuavam a circular a zona de pouso depois do ataque. As tropas eram equipadas para atuar por 3 ou 4 dias, e levavam cada um 2 a 3 recargas para a armas individuais, 4 granadas, 1 RPG-18 para cada dois soldados, 5 granadas fumígenas, 5 flares, 200g de blocos de TNT, 4 projeteis de morteiro de 82 mm ou uma caixa de munição de lança-granadas automático AGS-17, ração e 2-3 cantis com um peso total de 35-40kg. Este peso podia diminuir se fosse garantido o ressuprimento.

Outra limitação do helicóptero é a operação em grandes altitudes. Os Mi-8MT russos podem levar normalmente mais de 25 soldados, mas operando em uma altitudes de 2 mil metros ficam limitados a 6 soldados carregados e apenas 4 ou 5 quando operando entre 3 mil a 4 mil metros. Acima destas altitudes sua operação, devido ao ar rarefeito, fica seriamente comprometida.

Depois do Vietnã o assalto aéreo foi realizado com mais freqüência para infiltração e exfiltração de forças especiais e CSAR, com os grandes assaltos aeromóveis sendo raros. No Iraque, depois de três anos de operações foram 40 helicópteros perdidos sendo metade para fogo inimigo. Uma aeronave derrubada significa CSAR a caminho. Os inimigos costumam fazer emboscada para os helicópteros e não se interessam apenas no piloto derrubado. Esta prática era muito usada no Vietnã quando os vietnamitas percebiam que havia baixas em terra.

Operar helicópteros em frentes de combate tem seu preço. De 167 helicópteros usados na invasão do Panamá em 1989, 45 foram atingidos com quatro derrubados. Todos eram helicópteros leves AH-6 ou OH-58 sendo que um bateu em fios de alta tensão. Um UH-60 não teve condições de ser reparado. No Vietnã o número total de perdas foi alto, 2.281 helicópteros perdidos sendo cerca da metade em acidentes, mas em número de horas de voo foi um para 6.629 horas, bem menor que o esperado.



Entre as vantagens do assalto aéreo temos:


  • Velocidade, mobilidade e manobrabilidade superior;
  • Flexibilidade - pode ser usado continuamente após o assalto e não apenas durante ele;
  • Surpresa e despistamento - as aeronaves decolam de zonas muito distantes  das zonas de pouso, podem usar o terreno para ocultação e ficam pouco tempo expostas sobre a área de trânsito;
  • Tem capacidade orgânica de evacuação aeromédica (EVAM), SAR e resgate. Levam os feridos de volta após desembarcar outras tropas ou cargas;
  • Tem poder de fogo orgânico, seja da própria aeronave ou de helicópteros de escolta;
  • As zonas de pouso não se limitam a frentes e pode desembarcar sem tocar o solo (rappel);
  • Complicam o problema de defesa do inimigo. A área a ser defendida é imensamente maior. Nos deslocamentos de terra ou mar os dispositivos de defesa podem mais facilmente ser desdobrados nos eixos de progressão prováveis. No assalto aéreo é bem provável de se encontrar as defesas dispersas e menos densas e o inimigo precisará de sistemas avançados para agir com eficiência.
  • Nos desembarques anfíbios, eles podem começar um dia antes do no dia D com a inserção de precursores e com desembarques "secos" onde a aeronave toca o solo e não desembarca tropas. O objetivo é dispersar as tropas inimigas na procura de tropas que não existem.



Entre as desvantagens temos:


  • Limitação de carga (peso e volume). As embarcações de desembarque e veículos terrestres podem carregar um volume e peso muito superior aos helicópteros incluindo tanques pesados. São mais eficientes a longo prazo após o desembarque inicial e por isso não são descartados;
  • Dependente das condições ambientais. Os helicópteros tem problemas para voar com mal tempo e a noite exigem equipamentos especiais de visão noturna;
  • Vulnerabilidade. Os helicópteros são extremamente frágeis a danos de combate se comparados com veículos que possuem blindagem;
  • Precisam reabastecer com frequência muito maior e em locais próprios. Um ponto de reabastecimento é um modo de diminuir esta necessidade de viagens até a base;
  • Necessidade de supressão de defesas aéreas (artilharia antiaérea, mísseis superfície-ar e armas leves). Por ser vulnerável os helicópteros precisam de um preparo da região a ser sobrevoada para eliminar as defesas especializadas e os armamentos normais encontrados no campo de batalha;
  • Disponibilidade. Devido a complexidade mecânica dos helicópteros, sua disponibilidade é menor que a de outros veículos e embarcações. Estes outros têm condições de operarem normalmente com equipamentos danificados;
  • Navegação. Devido a alta velocidade de trânsito, os helicópteros têm o problema de navegação mais complexo e intenso sendo necessário maior treinamento e equipamentos especializados
  • O consumo de combustível dos helicópteros é muito maior do que os outros veículos o que aumenta os problemas logísticos.

Entre as missões dos helicópteros durante um assalto temos:


  • Assalto - transporta tropas e equipamentos até os pontos de desembarque;
  • Logística de combate - transporte de munição, combustível, víveres e outras cargas;
  • Mobilidade. Permite que as tropas se desloquem mais rápido aos pontos onde sejam necessárias;
  • Escolta - É feito por helicópteros armados ou especializados ou por aeronaves de asa fixa. Devem defender inimigos tanto no solo quanto no ar;
  • Apoio aéreo aproximado. É feito por helicópteros armados ou por aeronaves de asa fixa;
  • Evacuação médica - EVAM;
  • Busca e salvamento - SAR;
  • Reconhecimento visual e armado;
  • Controle aéreo para operações de assalto aéreo;
  • C3 para operações de assalto de perna longa.

terça-feira, 28 de março de 2017

Operações em Áreas de Selva Tropical #



Generalidades

As regiões de selva tropical e equatorial, presentes na faixa intertropical do planeta, possuem aspectos peculiares quanto às operações militares, devido a suas características únicas de clima, vegetação e desenvolvimento sócio-econômico.

Estão presentes nas Américas, desde o sul do México, passando pelo norte da América do Sul e ilhas do Caribe, com sua maior extensão em território brasileiro; no centro do continente africano na região sub-saariana do Congo e vizinhanças; no sudeste asiático continental, incluindo as ilhas da Indonésia e norte da Austrália e num grande número de ilhas do Pacífico, e outras regiões menores, totalizando só no Brasil mais de 5 milhões de quilômetros quadrados.

São áreas de clima muito úmido e quente, com débeis índices demográficos e de desenvolvimento humano e econômico. Carecem de redes rodoferroviárias, e as existentes precariamente conservadas, sendo as vias hidrográficas abundantes e utilizadas como principal meio de comunicações destas regiões.

Inserido neste meio existem ainda áreas de mata alagada, de selva propriamente dita, savanas e regiões montanhosas quentes. Não se pode separar a selva de terra firme da malha hidroviária que a permeia, constituindo este conjunto um só ambiente operacional, unidas pela mata de várzea. A vegetação é constituída de árvores de grande porte, cujas copas entrelaçam-se e criam em seu interior um ambiente sombrio sem a incidência direta de raios solares, a exceção das raras clareiras criadas pela queda de árvores mortas. Próximo aos rios existe a floresta que se inunda periodicamente formando várzeas. Os rios podem ser caudalosos com través médio de 5 km, podendo atingir 20 km em alguns pontos e centenas próximos ao mar, com locais mais rasos que impedem a navegação irrestrita quando longe do leito principal, podendo ainda apresentarem regiões de corredeiras.




Influência do Ambiente nas Operações Militares

As rotinas de observação e vigilância são prejudicadas pela ausência de elevações que dominem o terreno e pela densa mata que não permite olhar a alguns poucos metros. Estabelecer campos de tiro procedendo sua "limpeza" pode denunciar a presença de armas e atiradores, sendo estes mais eficazes junto aos desimpedidos cursos d'água e clareiras. A observação aérea é ineficaz e o relevo não se revela para estes, uma vez que a vegetação mostra um falso terreno plano. Satélites de alta definição de amplo espectro, no entanto, não tem seus campos de observação barrados pelas árvores. Granadas fumígenas podem não ultrapassar a cobertura e a adoção de túneis de tiro são a técnica mais eficaz de criar corredores de fogo.

A mata proporciona abundância de cobertura a observação, e abrigos devido a dobras do terreno e grandes árvores. A construção de abrigos abaixo do nível do solo é difícil devido a presença de raízes entrelaçadas. Os obstáculos são abundantes, como os grandes rios em operações de grande vulto e a mata fechada, que proporciona corredores de deslocamento a pequenas frações apenas. Cabe salientar que estes mesmos grandes rios podem tanto ser obstáculos como vias que facilitam o deslocamento, dependendo das circunstâncias. A mata esconde pântanos e escarpas, além de grandes troncos caídos. Chuvas constantes e diárias potencializam os obstáculos e tornam estradas de chão pegajosas e difíceis de transpor.



O deslocamento a pé está sujeito a grande número de espinhos e plantas hostis e em locais onde existem árvores caídas, normalmente mais de uma, elas podem se constituir em grandes obstáculos. Além das altas temperaturas, a pluviosidade é intensa com tempestades fortes e rápidas podendo as condições climáticas mudar em questão de minutos. A mobilidade motorizada é extremamente difícil, sendo o barco e a aeronave os meios mais adequados.

utilização de equipamento rádio demanda a utilização de grandes antenas, com intensa atenuação de sinais através da mata, e devido a cobertura vegetal a luminosidade da lua é praticamente imperceptível. Para indivíduos treinados a selva oferece grande variedade de recursos e alimentação, porém mostra-se hostil àqueles não ambientados ou treinados apenas em outros ambientes, estando todos sujeitos a cortes e infecções constantes e ao assédio de animais como mosquitos, cobras e vespas, entre outros, que podem transmitir doenças tropicais.




Operações de grandes escalões de tropa encontram maior dificuldade neste ambiente, estando as pequenas frações mais conformadas à realidade deste terreno e sua severa resistência à mobilidade. O grande número de obstáculos naturais é potencializado pelas condições meteorológicas adversas com precipitações constantes, que prejudica sobretudo a mobilidade nas estradas não pavimentadas que são a maioria, tornando a argila destas vias pegajosa em níveis que chegam a paralisar o movimento de veículos.

Os locais de maior valor militar são os entroncamentos de rios que oferecem controle sobre estes, e as vilas e povoados, com campos de pouso e atracadouros. Suas instalações podem ser de grande valor e para eles convergem trilhas e passam as estradas que existem. Na selva as operações ribeirinhas são uma constante militar.  A umidade proporciona grande estresse sobre equipamento inadequado como armamento, aeronaves e veículos em geral. Outros locais importantes são os escassos nós rodoviários, pontos de passagem de balsas, pontes e vaus, além de clareiras que favorecem o reagrupamento e a operação de baterias de tiro e helicópteros e o ressuprimento aéreo. As elevações, tão úteis em terreno convencional, são pouco relevantes no ambiente de selva devido a cobertura vegetal.

Devido as características únicas deste ambiente, as operações assumem características de guerra irregular ou guerrilha, pois dispor tropas emassadas não se dá da mesma forma que em terreno convencional. Apesar dos dispositivos militares procurarem sempre valorizar as características de ligação entre as unidades, operar na selva demanda sempre a incursão de pequenas frações em áreas muito grandes e dispersas, dificultando o apoio mútuo entre estas. O apoio aéreo e fluvial é fundamental. A segurança das tropas neste ambiente tem na dispersão seu maior trunfo, e a ameaça poderá vir de qualquer direção. A manobra deve primar pela simplicidade e fundamentar-se na habilidade do combatente, e não em seu equipamento. A surpresa pode ser facilmente obtida pelo atacantes e a oportunidade por vezes é uma das formas mais comuns de combate, pois a obtenção de informações é dificultada pelo ambiente singular.




Operações Estratégicas

O acesso à área de selva se dá a partir de bases que podem ser poucas e precárias e demandarão grandes obras de infraestrutura, com necessidade de provimento de serviços diversos e suprimentos vindos de longe, onerando terminais e fazendo uso de elevado número de meios logísticos. O estabelecimento de infraestrutura adequada a grandes efetivos pode ser necessário e custoso. Como já foi dito o deslocamento até estas áreas quase sempre se dará por vias aéreas e fluviais, tanto de tropas quanto de suprimentos. 

Estas áreas de acesso quase sempre serão as maiores cidades que estejam próximas ao coração do dispositivo do inimigo, com seus terminais, e a manobra inicial será a conquista e ocupação destas localidades e suas vias de acesso e comunicação com as áreas exteriores de onde virá o suporte às operações. Devido as grandes distâncias envolvidas e a natureza do combate moderno o domínio do espaço aéreo é vital. O combate se dará por forças assimétricas em ambiente urbanos e ribeirinhos, de selva densa e campos abertos, com forças não mecanizadas apoiadas por unidades aéreas em busca dos pontos capitais já citados. 

A partir destas áreas "pontos-forte" se desdobrarão as ações descentralizadas que poderão ser longas e desgastantes. A progressão se dará com patrulhas de combate de efetivos dotados de grande poder de fogo e apoiados pela aviação de asas rotativas em apoio próximo e pela aviação de ataque para alvos que exijam maior potência, estabelecendo bases de combate a medida que se progride, sempre procurando o isolamento do dispositivo inimigo de suas vias de suprimento de forma a forçar sua rendição com a anulação de seu poder de combate.



terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Armas Nucleares #



As armas nucleares são constantemente citadas pela grande imprensa, não raro envolvidas em manchetes sensacionalistas escritas por quem entende muito pouco do assunto. Hiroshima e Nagazaki são constantemente citadas por serem até hoje as 2 únicas oportunidades de emprego real destas armas, ignorando que mais de 2.000 detonações já foram feitas para se testar e tabular parâmetros, que permitiram a construção de modelos que capazes de simular o desempenho de armas ainda não usadas, bem como avaliar seus efeitos junto ao ambiente onde são detonadas.

O poder destas armas reside na liberação da energia que une o núcleo dos átomos de elementos pesados como o urânio e o plutônio, que foram usados nestas primeiras e únicas 2 detonações feitas na Segunda Guerra Mundial contra o Japão. As primeiras bombas, denominadas de bombas de fissão nuclear, funcionam seguindo o princípio de que o núcleo de um átomo instável, quando atingido por um nêutron, libera uma quantidade muito grande de energia.

A quantidade de nêutrons de um núcleo determina sua estabilidade. Sua equivalência com o número de prótons torna os núcleos mais estáveis, e sua falta faz com que os prótons fiquem muito próximos uns dos outros, resultando em uma força de repulsão muito grande, tal qual os polos de um imã, causando seu rompimento. O excesso de nêutrons causa uma força contrária, tal qual sua falta, e também resulta no rompimento do núcleo. Este rompimento libera novos nêutrons que excitam outros átomos que também se rompem e assim sucessivamente causando uma reação em cadeia ou reação nuclear. Uma reação nuclear controlada e de baixa escala se presta a produção de energia e é realizada em usinas nucleares, e uma descontrolada resulta em uma explosão nuclear.




Estes minerais, quando em seu estado natural não atendem os requisitos de instabilidade requeridos, estando estabilizados por outros átomos, e seu uso como material explosivo ou somente físsil, requer que sejam purificados ou como comumente se fala, "enriquecidos", sendo este processo complexo e muito caro, realizados por máquinas especialmente construídas, denominadas ultracentrífugas.

A potência de uma bomba nuclear é dita em megatons (Mt), sendo convencionado que uma unidade destas equivale a potência que seria liberada pela detonação um milhão de toneladas do explosivo TNT ou 4,184 petajoules. Esta energia se fosse convertida em kW/h supriria os EUA em 2007 por 3,27 dias. Também se usa a unidade kiloton (kt) que equivale a uma mil toneladas deste explosivo. A maior bomba não nuclear conhecida, a FOAB termobárica russa produz uma detonação de 44 toneladas de TNT ou 0,3% da potência da bomba de Hiroshima que era de 15 kt, que apresentou um raio de destruição total de 1,6 km e foi detonada a 580 metros, sendo considerada ineficiente. A B53, talvez a maior bomba já construída nos EUA, liberava uma potência de 9 Mt (600 vezes a bomba de Hiroshima) e podia causar uma destruição total num raio de 5 km.

As chamadas "bombas atômicas" são petardos que recorrem a energia nuclear para liberar sua potência explosiva. Este termo é inadequado, visto que bombas convencionais também tem seu poder explosivo que parte dos átomos, sendo o termo "bomba nuclear" mais adequado, visto que a potência liberada tem sua origem na fissão ou desintegração do núcleo atômico.




Tipos de Armas Nucleares

Existem basicamente 2 tipos de armas nucleares: as bombas de fissão e as bombas de fusão. As bombas de fissão (bomba-A) são núcleos de material pesado devidamente processado (enriquecido), normalmente urânio ou plutônio, que são montados no interior de um invólucro de alto explosivo de detonação dirigida que ao ser detonado provoca uma grande pressão sobre o núcleo principal. Esta pressão submete este núcleo a um estresse extremamente elevado fazendo-o atingir uma massa crítica (a mesma massa em um volume muito pequeno) desencadeando desta forma uma reação em cadeia. É uma combinação de bombas de natureza diferentes. As bombas de fusão são também conhecidas com "bombas de hidrogênio" (bomba-H) e funcionam de forma diferente que as de fissão. Uma pequena bomba de fissão detona no interior desta e proporciona condições de temperatura e pressão necessárias a fusão de um isótopo instável do hidrogênio. Uma pequena bomba de fusão também pode iniciar uma bomba de fissão.

As bombas de fusão, também chamadas de bombas termonucleares por serem detonadas a partir de condições especiais de temperatura, são armas extremamente mais potentes suas congêneres de fissão, podendo atingir até 750 vezes a potência destas. Núcleos extremamente leves de hidrogênio e hélio combinam-se para formar elementos mais pesados, libertando neste processo enormes quantidades de energia. As bombas de hidrogênio são a arma mais potente já criada pelo homem e a maior já testada foi um modelo russo de 57 Mt em 1961. Esta bomba possuía a potência de todas bombas usadas na Segunda Guerra Mundial somadas, incluindo as nucleares, multiplicada por 10.



Uma variante de bomba termonuclear é a bomba de neutrons. É um dispositivo termonuclear pequeno, de níquel ou cromo, onde os neutrons gerados pela reação de fusão não são absorvidos pela bomba, e sim liberados para o exterior. Estes neutrons de alta energia e os raios-X que os acompanham são mais penetrantes que outras forma de radiação, de forma que as barreiras para raios gama não os detém eficazmente. Esta radiação altamente penetrante atinge apenas organismos vivos, mantendo intactos as estruturas como as cidades, com nítida vantagem militar.

A detonação de dispositivos nucleares, trás consigo, além dos efeitos imediatos de calor e sopro que destroem tudo dentro de seu raio de letalidade com deslocamento de ar superaquecido provocando efeitos mecânicos e de térmicos, a liberação e dispersão de material nuclear que contamina o meio com radiação, trazendo doenças degenerativas relacionadas a esta radiação, podendo deixar as áreas onde são detonadas inabitáveis por décadas, sendo denominadas "bombas sujas".




Emprego

As bombas nucleares podem ser empregadas estrategicamente destruindo cidades inteiras, ou de forma tática através de artefatos de pequena potência, na faixa de 1/2 a 5 Kt. Estas armas são empregadas de forma muito específica, onde se utiliza apenas um de seus efeitos. Pode-se valer apenas do sopro, apenas do calor, de ambos, ou ainda de seu pulso eletromagnético com efeitos contra sistemas eletrônicos. Seu emprego entretanto esbarra em seus efeitos colaterais de contaminação. Os alvos primários destas ogivas táticas seriam as forças inimigas próximas das forças amigas, onde sua pequena potência preservaria estas e as forças lançadoras.




Ogivas nucleares, podem ser lançadas de aeronaves, mísseis balísticos ou de cruzeiro, ou através de dispositivos de queda livre. Podem partir ainda de submarinos em grandes profundidades, o que torna difícil ao defensor precisar a localização e empreender a vigilância de potenciais lançadores. Podem alvejar cidades, tropas, instalações e dispositivos militares ou submarinos em grandes profundidades, tendo sido já montadas no passado em mísseis ar-ar que atingiriam formações de bombardeiros a grandes altitudes através de seu pulso eletromagnético, além de seus efeitos mais limitados de sopro e explosão no ar rarefeito.

Armas convencionais modernas substituem com vantagens estes dispositivos táticos. Bombas de energia direta como a JSOW produzem descargas direcionadas de micro-ondas (pulso eletromagnético), bombas termobáricas produzem efeitos de 1 Kt, já tendo sido anunciados dispositivos de até 11 Kt. Elas já foram usadas contra bunkers na Chechenia e no Afeganistão.

Embora venham perdendo sua importância frente aos dispositivos convencionais e devido a seus efeitos colaterais, principalmente quanto no emprego tático, as bombas nucleares permanecem soberanas como cabeças de guerra dos grandes mísseis balísticos intercontinentais (ICBM), sejam lançados do solo ou das profundezas marítimas.



domingo, 15 de janeiro de 2017

Salto Livre Operacional - Paraquedismo Militar #


A tropa paraquedista, seja ela composta por grandes contingentes como brigadas ou divisões inteiras, ou por pequenos grupos como aqueles praticados pelas forças de operações especiais; tem como característica fundamental de seu envelope de atuação a elevada mobilidade estratégica proporcionada pelas aeronaves que a vetora. Os exércitos do mundo a utilizam nos tempos modernos como sua primeira linha de resposta devido a sua capacidade de mobilização em tempo mínimo e de se deslocar facilmente a grandes distâncias para atender às demandas que exigem pronta resposta, e taticamente para ocupar pontos sensíveis atrás das linhas inimigas até que a tropa convencional e melhor armada pratique uma operação de junção.

O salto livre operacional é uma modalidade de paraquedismo militar praticado por pequenas frações de tropas, e proporciona ao elemento paraquedista uma flexibilidade maior que o salto enganchado. Grandes contingentes saltam na modalidade de salto enganchado, que força a abertura do paraquedas assim que o indivíduo deixa a aeronave, evitando desta forma que o caos e a confusão se instalem em uma operação de grandes proporções, devido a abertura tardia dos velames.

No salto livre a abertura dos velames fica a critério de cada indivíduo, devendo ser praticado apenas por aqueles com adestramento apurado. Podendo ser lançado de grande altitude, de dia ou à noite, e com um nível de furtividade superior, proporciona ao paraquedista que se desloque planando em queda livre por grandes distâncias, visando o pouso em áreas restritas com elevado grau de precisão quando dotado de equipamentos modernos e alheio aos olhares do inimigo.  Permite ainda que a fração de tropa se reorganize no ar em torno de seu líder, desloque-se por médias distâncias ocultos aos radares e pouse em uma área restrita, que pode ser conjugado com outro processo de infiltração, como o mergulho de combate, por exemplo. 

A técnica denominada de HALO (High Altitude Low Opening - lançamento a alta altitude e abertura do velame a baixa) é uma técnica de infiltração praticada por forças de operações especiais que fazem o salto livre operacional atingir sua performance máxima, pois permite que estas tropas cruzem fronteiras em queda livre com possibilidade de detecção mínima, com aeronaves muito altas e longe das áreas de aterragem e abertura dos velames próximos ao solo. Este tipo de saldo é muito perigoso ao seus praticantes, e deve ser executado dentro da técnica que lhe é peculiar, com risco de morte àqueles que o negligenciarem.

No início do século XX acreditava-se que uma queda longa resultaria em uma velocidade elevadíssima, impedindo a respiração e levando a morte. Em 1925 um instrutor do US Army decidiu provar que quando praticada dentro de uma técnica adequada, estas quedas não ofereciam perigo. Saltando de 2.300 metros, ele atingiu a velocidade terminal após 12 segundos. A medida que a gravidade acelera o corpo do paraquedista em queda livre, a resistência do ar aumenta geometricamente com a velocidade que se estabiliza a cerca de 200 km/h e se mantem. Quanto mais alta a altitude, maior o tempo que se leva para atingir a velocidade terminal, e maior será esta velocidade que poderá se reduzir a medida que se atinge camadas mais densas de atmosfera.

Na técnica HALO  os paraquedistas enfrentam altitudes comparáveis àquelas praticadas pelos alpinistas de elite. Grandes altitudes, da ordem de 9 km apresentam características singulares como temperaturas de -40 graus Celcius e ar extremamente rarefeito, o que exige do indivíduo equipamento capaz de suportar os rigores do salto. Equipamento inadequado pode causar hipoxia, enrijecimento de extremidades e hipotermia, além de danos ao corpo e ao equipamento pelo choque com o granizo. Somente indivíduos bem adestrados e experientes estão autorizados a praticá-lo, pois exige grande nível de especialização. Saltos acima de 10.700 metros de altitude são considerados não viáveis por equipes que devem estar prontas para o combate.

Além dos conhecimentos de paraquedismo, os praticantes de salto livre operacional deverão ter capacidade de navegação a longas distâncias, equipamento adequados às condições de baixa temperatura e hipoxia e outros fenômenos meteorológicos, como o granizo que poderá danificar equipamento de má qualidade.


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Reconhecimento, Escolha e Ocupação de Posição #


A ocupação de posição é uma atividade necessária a todas as unidades militares, estejam elas buscando posicionamento tático adequado ao combate ou posicionamento administrativo para que possam desempenhar suas funções na área de operações.

Em condição de combate, a ocupação de uma posição deve cercar-se de cuidados e medidas de segurança a fim de preservar a integridade e poder de combate dos efetivos envolvidos, e ao mesmo tempo permitir que as unidades exerçam com eficiência máxima todas as funcionalidades que lhes são inerentes.

Uma unidade é considerada desdobrada no terreno, e conseguinte em condições plenas de cumprir sua missão quando está com seu material operando em um dispositivo mínimo considerado operacional e com a devida munição disponível, quando a unidade a demandar; suas ligações de comando e controle estabelecidas com um fluxo regular de ordens necessárias através de redes de comunicação orgânicas; sua rede de observação e vigilância instalada e produzindo os informes operacionais afins ou no caso de unidades de apoio a capacidade de inteirar-se tempestivamente das demandas das unidades apoiadas e, seus apêndices logísticos proporcionando o suporte mínimo necessário para que a unidade opere com eficácia.

O desdobramento de uma unidade no terreno deve considerar um grande número de aspectos para que possam cumprir sua missão com a segurança e eficiência. Devem ser observados:
  • Ciência dos planos do escalão superior que possam envolver a unidade, de forma que esta possa estar em condições de oferecer os recursos que este demandar.
  • Tamanho da área a ser ocupada, de forma a comportar todos os meios da unidade, e sua posição relativa na área de operações mais adequada a sua missão.
  • Segurança em relação ao assédio do inimigo, sua posição relativa às unidades mais capazes de absorver o choque direto, inserção na malha de defesa antiaérea do escalão superior, desenfiamento dos campos de tiro das unidades de artilharia do inimigo e cobertura de retaguarda e flancos eventualmente expostos, cobertura natural e capacidade de camuflagem e ocultação.
  • Segurança em relação a infortúnios da natureza, como avalanches, enchentes e enxurradas, deslizamentos, doenças veiculadas por mosquitos e outros meios naturais, frio e calor, presença de animais selvagens perigosos e outros.
  • Estradas e meios de ligação que permitam a unidade cumprir com suas obrigações, que suportem o tráfego necessário e existam em número suficiente, com pontes capazes e áreas de estacionamento suficientes.
  • Capacidade de trocar de posição de forma fluida e natural quando se fizer necessário, com posições nas proximidades se esta possibilidade for considerada importante, bem como a disponibilidade de rotas de fuga ou retraimento.
  • Capacidade de uso do espaço aéreo a partir do solo se esta condição for necessária; disponibilidade de acessos ao mar, rios e lagos.
  • Proximidade de vilas e cidades e os prós e contras que esta localização acarreta.
  • Disponibilidade de água e energia elétrica para as unidades que delas necessitem.
  • Capacidade, em relação a posição, de ser apoiada pelas unidades logísticas e de apoio ao combate necessárias.


O Reconhecimento

Escolhidas as possíveis áreas de desdobramento da unidade através de estudos nas cartas da área de operações, seu estado maior providencia as ações de reconhecimento da posição, onde o pessoal especialista da unidade avalia se as condições das áreas pré-selecionadas atendem as suas necessidades específicas. O reconhecimento deve ser executado por efetivos mínimos de forma a ser ágil e eficaz, envolvendo oficiais mais experientes podendo contar até com o comandante da unidade. Ações de reconhecimento devem levar em consideração a presença do inimigo na área as cercar-se de efetivos de segurança, caso se julgue necessário.

Ocupações de posição se dão em áreas pacificadas e sob controle amigo, porém em combate toda a cautela se faz necessária, pois imprevistos acontecem àqueles mais desavisados e negligentes. São verificadas a adequação da área, se seu tamanho comporta a dispositivo, a situação em relação a forças amigas e inimigas e a capacidade da unidade ali desdobrada operar conforme o esperado.

Pode-se empregar vários meios para o reconhecimento como a observação aérea, a indispensável presença no local pelo alto comando da unidade, além do estudo de arquivos e dados existentes sobre as locações consideradas.

Particularmente importante é o reconhecimento dos itinerários de acesso, a resistência das pontes e as condições das estradas,a presença de áreas minadas e propícias a emboscadas. Também deve ser considerado o volume de tráfego dos itinerários escolhidos, pois em terrenos restritos as estradas podem ser escassas e o deslocamento difícil. Uma unidade que tem seu deslocamento interrompido por problemas, como um congestionamento por exemplo, podem ter sua capacidade operativa prejudicada ou interrompida.

O reconhecimento pode ainda envolver procedimentos técnicos como a pontaria de peças, no caso da artilharia de campanha por exemplo. Pode envolver levantamentos topográficos e trabalhos de engenharia, se dando de dia ou a noite. 

Em campanha o posicionamento das unidades no terreno e em relação a suas pares, bem como em relação ao inimigo é muito importantes e pode fazer a diferença na eficácia operacional desta, principalmente quando se opera em terreno restrito e com poucas estradas e áreas aproveitáveis, tendo-se que dispensar especial atenção a disciplina de tráfego adotada vigente e a existência de congestionamentos, que podem comprometer de forma séria a operatividade de todo o sistema. O congestionamento aéreo e aquaviário também deve ser considerado.




sábado, 10 de dezembro de 2016

Veículo de Combate de Infantaria (IFV/APC) #


Advento do carro de combate a partir da Primeira Guerra Mundial trouxe a solução para o impasse da guerra de trincheiras, criado pelas metralhadoras. Esta nova arma imprimiu maior dinamismo às batalhas permitindo, através de sua proteção blindada que se criassem brechas nos campos de tiro saturados pelo projéteis das armas automáticas. 

O carro de combate veio para ficar, atingindo sua maturidade na Segunda Guerra Mundial e possibilitando a criação da guerra de movimento, denominada pelos alemães de blitzkrieg. Ele agrega couraça, poder de fogo e mobilidade de forma equilibrada, fazendo-o um poderoso instrumento tático. Como todo Golias, estes também não são isentos de vulnerabilidades. As armas anticarro logo começaram a aparecer na forma de fuzis anticarro, rojões e mísseis guiados (ATGMs). A infantaria inimiga logo ganhou condições de fazer frente aos carros de combate e um novo impasse tático passou a existir.

Senhores do campo aberto, os carros de combate (MBTs) passaram a deslocar-se a grandes velocidades alocando o fogo de sua arma principal onde fosse necessário, seja contra outros carros e alvos mais resistentes ou em apoio a infantaria amiga, batendo pontos fortes e facilitando a progressão desta. Porém sua blindagem, um dos grandes trunfos destes veículos, sempre apresentaram o ônus do peso e apesar dos avanços nesta área, um carro que hipoteticamente viesse a contar com proteção blindada total contra tudo o que existe apresentaria um peso que o tornaria inviável, a ainda assim nada impediria que novas contramedidas mais potentes fossem criadas.




Mesmo podendo apresentar uma ameaça devastadora a infantaria inimiga, todos os carros de combate do passado e da atualidade apresentam vulnerabilidade às seções anticarro desta mesma infantaria, contra as quais pouco podem fazer uma vez que estão dispersas e camufladas, e não se pode atingir com eficácia aquilo que não se sabe onde está. A solução encontrada para este impasse tático foi a criação da infantaria de apoio, onde utilizando o conceito de armas combinadas, a infantaria passou a acompanhar os carros principais nos campos de batalha, justamente para lhes proporcionar proteção contra a infantaria anticarro, reduzindo sua vulnerabilidade ante estas ameaças dispersas que o carro de combate principal tem dificuldade de engajar.

Porém necessário se fez conciliar a velocidade de avanço da infantaria com a dos carros de combate, claramente discrepantes. A solução para este problema foi embarcar a infantaria nos chamados táxis de batalha, veículos blindados especialmente concebidos para transportá-la e acompanhar os carros principais. Estes veículos deveriam desenvolver a mesma mobilidade de seus irmãos mais pesados e permitir que a infantaria se apresentasse onde se fizesse necessário para combater, primeiramente desembarcando e numa abordagem mais recente a partir do próprio veículo. A estes veículos denominamos na atualidade de APC (armored personal carrier - VBTP - veículo blindado de transporte de pessoal) e numa evolução deste conceito temos os IFVs (infantry fighting vehicle - VCI - veículo de combate de infantaria), que são APCs capazes de prover apoio ao combate, ou APCs potencializados.

O primeiro IFV produzido em massa foi o Spz 12-3 alemão e serviu o Bundeswehr de 1958 até os anos 80, quando deu lugar ao Marder. Tinha um canhão de 20 mm e levava uma esquadra de 5 infantes. Em 1967 a URSS desfilou o BMP-1 que surpreendeu pelo perfil muito baixo e estava armado com um canhão de 73 mm e mísseis Sagger, transportando um grupo de combate de 8 infantes e mais 3 tripulantes. Sua couraça resistia a impactos de 12,7 mm e parcialmente a 20 mm, dependendo do ângulo de contato. Seu armamento, no entanto era potente contra os APC ocidentais, com notória vantagem.



Os EUA seguiram com o M2 Bradley como seu primeiro IFV, depois de muito tempo usando o APC M113, usado até hoje no mundo inteiro. Surgiram no RU o Warrior e na Alemanha o Marder como já citado. Outros países foram se equipando com modelos próprios, como a África do Sul com o Ratel já em 1971, que foi concebido sobre rodas para avanços rápidos.

Os IFVs são veículos mais potentes que os APCs e capazes de oferecer a infantaria, além de transporte, apoio de fogo e C3I, poís portam canhões automáticos de 20 a 40 mm, mísseis anticarro e eletrônica embarcada que oferecem elevado índice de consciência situacional (o BMP russo surgiu com um canhão de 73 mm). Os APCs geralmente limitam-se ao transporte dos infantes sob a proteção de alguma couraça, e seu armamento orgânico está limitado a armas de autodefesa, principalmente contra aeronaves na forma de metralhadoras pesadas, podendo oferecer seteiras para combate embarcado. As blindagens de ambos são muito inferiores aos dos MBTs que acompanham, basta comparar os pesos de cerca de 30 toneladas nos IFVs mais pesados aos 60-70 toneladas dos MBTs. Podem oferecer ameaças a estes se dotados de ATGMs.


Concebidos para acompanhar os MBTs, ganham importância na atualidade com a intensificação dos conflitos assimétricos e urbanos, cenário ondem dispensam a presença destes. Os IFVs oferecem um bom equilíbrio entre couraça, poder de fogo e mobilidade, principalmente por serem capazes de aeromobilidade em aeronaves não extremamente pesadas, se não houver a exigência de enfrentar MBTs com seu armamento de tubo, claramente insuficiente.


Os IFVs/APCs são montados tanto sobre rodas como sobre lagartas, sendo estes último mais adequados a atuarem com os MBTs como infantaria blindada e os primeiros para comporem tropas mecanizadas, sendo mais leves. As blindagens variam muito e são fator preponderante na determinação do peso do veículo. Os modelos mais leves são capazes de resistir a disparos de infantaria 7,62 mm e alguns 12,7 mm, além de estilhaços de artilharia, podendo também alguns modelos receberem blindagem adicional modular. Os modelos CV-90 sueco e BMP-3 russo são capazes de absorver impactos frontais de 30 mm. A blindagem frontal tende a ser mais resistente, sendo a superior e inferior, além das laterais e traseira mais finas. Modelos mais baixos oferecem menor silhueta e maior facilidade de ocultação, enquanto que projetos mais recentes estão sacrificando a pouca altura em favor de uma maior distância do solo para maior proteção contra IEDs e minas terrestres, principalmente nos modelos sobre rodas. Não é função de um IFV combater MBTs, mas pode fazê-lo de forma limitada se dotados de ATGMs e atuando em apoio aos seus MBTs e em situações extremamente necessárias.


As armaduras modulares dos IFVs mais modernos permitem que ele seja configurado conforme a missão. O finlandês Patria AMV por exemplo, possui módulos de várias espessuras. Este recurso permite uma diminuição do peso, para, por exemplo, valer-se de aeromobilidade. Modelos como o russo BMP-3 contam com sistemas de proteção ativa que o protege de projéteis com velocidades de 700 m/s e os modelo israelenses contarão com contramedidas para munição APFSDS. Estes blindados também podem cruzar muitas pontes que os MBTs não podem, o que lhe garante mobilidade superior e estes.

Outro sistema presente em praticamente todos são dispersadores de fumígenos e alguns modelos contam com Flares para despistar ATGMs IR.

Alguns IFV denominados Heavy Infantry Fighting Vehicle (HIFV) são versões IFV de carros de combate principais (MBTs) e dotados da mesma blindagem, por consequência igualmente pesados. Como exemplo deste carros temos o T-15 Armata russo derivado do T-14 e o Namer baseado no chassi do Merkava IV.

Outra característica presente em muitos IFVs e APCs, principalmente devido ao seu baixo peso é a flutuabilidade que lhe permite capacidade anfíbia em águas interiores. Esta característica é especialmente interessante naqueles veículos que atuam na cavalaria mecanizada, fazendo as pontas de lança de forças maiores e encarregadas de assegurar a outras margem dos rios para que as forças que vem depois possam realizar a travessia dos cursos d'agua através de pontes lançadas pela engenharia de combate de forma segura. A tração sobre rodas dá aos veículos assim equipados a capacidade de deslocamento a grandes distâncias por estradas, enquanto que aqueles sobre lagartas dependem de pranchas ou transporte ferroviário para deslocamentos estratégicos. Já em terrenos muitos difíceis a propulsão a lagarta se faz superior aquela sobre rodas, porém estes sempre são a distâncias mais curtas.