"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Mísseis Superfície-Ar (SAMs) #



Os mísseis superfície-ar (SAM – surface-to-air-missile) são um sistema de armas destinado a destruir aeronaves e outros alvos “voadores”, a partir de lançamentos feitos da superfície, seja de bases em terra, veículos, reparos móveis, do ombro de seus operadores ou a bordo de navios de guerra. Eles dominam, na maior parte dos exércitos o papel de defesa antiaérea, sendo complementados pelo armamento de tubo que hoje já desempenham papel secundário de defesa de ponto.

Os primeiros projetos começaram seu desenvolvimento durante a Segunda Guerra Mundial, porém sem ter neste conflito seu emprego efetivo, sendo que foi a década de 1950 que viu nascer os primeiros sistemas operacionais, protagonizado por armas de grande porte. Estes anos ainda não permitiam o emprego de sistemas diretores compactos, o que inviabilizava os sistemas menores existentes na atualidade. Em paralelo aos terrestres, os sistemas navais seguiram os mesmos passos. Os primeiros sistemas SAM operacionais foram o norte-americano Nike Ajax (1954) e o Berkut S-25 (SA-1 Guild) soviético (1955).





Os “Flaks” alemães abateram os bombardeiros americanos B-17 Flying Fortress à média de 2.805 disparos para cada aeronave, um número considerado insuficiente pelos defensores. Esta baixa média levou aos primeiros estudos para desenvolvimento de projéteis de tecnologia de autopropulsão para abater alvos voadores. A baixa eficiência das armas de tubo também se deu aos claramente débeis sistemas de pontaria usados, baseados no olho humano. O B-29 Superfortress chegou tarde demais para ser empregado na Europa, porém contra eles os lançadores alemães seriam inúteis, devido a sua altitude de operação, cerca de 9.700 metros no seu teto máximo. Sistemas de tubo (7.600 metros para os Flaks 88 mm alemães) para serem minimamente efetivos nestas novas altitudes seriam excessivamente onerosos com conseqüente cadência de tiro menor.



Em 1941 foi solicitado a Werner Von Braun o estudo de um projétil para atingir até 18.000 metros. Braun sugeriu um projétil foguete tripulado, que não despertou interesse na Luftwaffe e atrasou desenvolvimentos poteciais por dois anos. A base de Peenemunde  produziu a partir de 1940, os foguetes Feuerlilie, Wasserfall e Henschel Hs 117, sem que nenhum deles experimentasse um desenvolvimento real até 1943, quando começaram os bombardeios aliados. Novos projetos como o Enzian, Rheintocher e Taifun (não guiado) foram aparecendo a medida que a situação começou a se deteriorar.

Os projetos Feuerlilie, Schmetterling e Enzian seriam impulsionados até o nível dos bombardeiros e voariam de encontro a eles à baixas velocidades como aeronaves. Um segundo grupo incluindo os projetos Wasserfall e Rheintocher eram de alta velocidade (supersônicos) que procuravam seus alvos de baixo para cima. Ambos obedeciam comandos de rádio orientados pelo olho humano ou comparando retornos em uma tela de radar. Estes sistemas experimentaram empenhos simultâneos e não chegaram a condição operacional em tempo, ademais disputas internas entre militares antagônicos contribuíram para o atraso destes desenvolvimentos. Os britânicos desenvolveram os “Z Battery”, que eram foguetes não orientados, mas devido a contarem com a superioridade aérea sobre seu território, estes sistemas não eram tão importantes.


Com o afundamento de navios aliados em 1943 por bombas Henschel Hs 293 e mísseis Fritz X, o interesse dos aliados pelos SAMs mudou. Com a liberação “stand-off” destas armas, fora do alcance das AAé dos navios, além do pequeno tamanho destes projéteis e a conseqüente dificuldade de interceptá-los a luz vermelha acendeu. A US Navy lançou um programa para desenvolver um projétil movido a ramjet para atingir 16 km a uma altitude de até 9 km operacional depois de 16 anos de desenvolvimento, como RIM-8 Talos. Os ataques “kamikaze” incentivaram os britânicos Fairey Stooge e Brakemine.

O pós-guerra assistiu o desenvolvimento de projetos SAM em todo o mundo. O US Army iniciou em 1944 o projeto Nike, resultando no Nike Ajax operacional em 1954, e em 1958 uma versão muito modificada com ogiva nuclear chamada Nike Hercules para lidar com formações de bombardeiros. A US Army Air Force lançou projeto Thumper em 1946, que combinado com outro projeto, o Wizard, resultou no dispendioso e pouco confiável CIM-10 Bomarc de mais de 500 km.

Em 1947 a Contraves desenvolveu o Oerlikon RSD58 com guiagem “beam riding” disponível já em 1952, porém com desempenho limitado devido a sua incapacidade de guiar-se ao “ponto futuro” onde o alvo estará. Várias forças o testaram, mas nenhuma venda operacional foi feita.


A URSS também seguiu o mesmo rumo e em 1951 iniciou o desenvolvimento do S-25 Berkut (SA-1) que entrou em serviço em 1955 depois de um programa apressado, e até 1956 todo o sistema defensivo de Moscou estava operacional. Era um sistema estático, e um sistema semimóvel, menor, surgiu ainda em 1957 com os S-75 Dvina (SA-2) que foi um grande sucesso e permaneceu em operação na Rússia até o ano 2000, além de vários outros países.

Os britânicos iniciaram alguns desenvolvimentos bem sucedidos, mas o fim da guerra diminuiu seu ritmo. O advento da “Guerra Fria” resultou nos sistemas Bristol Bloodhound para a RAF e no English Eletric Thunderbird para o Royal Army, em 1958 e 1959, e em 1961 a Royal Navy botou em serviço o Sea Slug.



A Guerra do Vietnam trouxe os SAMs ao enfrentamento real de aeronaves de alto desempenho, onde os mísseis soviéticos enfrentaram os mais avançados caças e bombardeiros americanos, servindo como um avançado campo de provas para as grandes potências. Cerca de 7.650 SAMs soviéticos foram fornecidos aos norte-vietnamitas, operados por artilheiros locais e técnicos da URSS, com 5.800 lançamentos e 205 aeronaves abatidas. A USAF reagiu com o ataque direto aos sítio SAMs com resultados desanimadores. Foi então que se criaram unidades especializadas “Wild Weasel” com mísseis ARM, novas táticas, coleta de inteligência eletrônica (Elint) e ECM que mudaram radicalmente a situação. O emprego dos B-52 em ambientes saturados de SAMs inicialmente não foi bom, com 3 aeronaves perdidas e várias outras avariadas em uma única missão. O aperfeiçoamento da tática e da tecnologia mudou o cenário, sendo que os defensores usaram quase todo seu estoque de mísseis para atingirem apenas mais 2 B-52 em várias missões, depois que a USAF aprendeu a lição.

Estes sistemas SAMs de primeira geração possuíam mobilidade limitada, devido ao seu tamanho, com tempo de entrada em posição demasiado longo para aqueles não fixos. Devido a ameaça que estes sistemas representaram e sua eficácia demonstrada, os vôos de alta velocidade e altitude passaram a enfrentar um grau de risco altíssimo, obrigando os bombardeiros a voarem abaixo dos horizontes-radar dos sistemas. Projetos como o F-111, TSR-2 e Panavia Tornado surgiram para suprir esta demanda. Com seus alvos voando baixo em curtas e rápidas aparições, os SAMs evoluíram rapidamente na década de 1960 para modelos menores, com conseqüente reflexo em seus níveis de mobilidade. Ao longo desta década a maioria das forças armadas já contavam com projéteis de curto alcance montados em plataformas móveis, blindadas ou não, que podiam acompanhar as forças que protegiam. Dentre os modelos existentes podemos citar o 2K12 Kub (SA-6), o 9K33 Osa (SA-8), o MIM-23 Hawk, O BAC Rapier, o Euromissile (Aerospatiale/MBB) Roland e Thomson CSF Matra Crotale.




O surgimento dos mísseis “Sea Skimming” (antinavio) no final dos anos 1960 e 1970 fez surgir outros projetos de médio e curto alcance visando a defesa antinavio, como o Sea Cat britânico que foi concebido para substituir os Bofors 40 mm nos navios da Royal Navy, tornando-se o primeiro SAM operacional de defesa de ponto. O RIM-7 Sea Sparrow dos EUA também se proliferou rapidamente, entre outros.


A medida que as aeronaves voavam mais baixo e modelos mais compactos tornaram-se possíveis, chegou-se ao ponto de modelos portáteis se tornarem viáveis. Denominados MANPADS, o primeiro modelo foi um sistema da Royal Navy conhecido como Holman Projector, usado como uma arma de último recurso em navios menores. Os alemães também produziram uma arma conhecida domo Fliegerfaust, que não entrou em operação. Estes ainda durante a guerra. O desempenho destas armas não se comparava ao de seus alvos a jato do pós-guerra, e se mostraram pouco efetivos.

A década de 1960 trouxe o FIM-43 Redeye dos EUA, o 9K32 Strela-2 (SA-7) dos soviéticos e o Blowpipe britânico. A miniaturização da eletrônica da década de 1980 produziu o FIM-92 Stinger dos EUA, o 9K34 Strela-3 (SA-14) e o Starstreak britânico, com desempenho drasticamente melhorado. Estes mísseis relegaram a artilharia de tubo a papéis secundários como a defesa de aeródromos e navios, estes especialmente contra mísseis de cruzeiro. Na década de 1990 mesmo este papéis estavam sendo ocupados pelos MANPADS como o General Dynamics (Raytheon) RIM-116. Todos eles valendo-se da guiagem IR que dispensa acompanhamento e sistemas diretores.



Características

Os mísseis SAMs enquadram-se e 3 categorias principais: Sistemas pesados e de longo alcance, geralmente instalados em sítios fixos ou em condições semimóveis; sistemas montados em veículos com alta mobilidade, de médio alcance e capazes de disparar em movimento e acompanhar forças mecanizadas em marcha e sistemas portáteis ou MANPADS.


Os SAMs de longo alcance modernos estão representados nos sistemas MIM-104 Patriot dos EUA e S-300 dos russos, este com alcance bem superior ao primeiro, ambos com boa mobilidade em contraste aos antigos Nike Hercules e S-75. Seus alcances giram na ordem dos 80 km aos 300 km ou mais, notadamente superiores aos seus antecessores principalmente devido aos combustíveis de nova geração e sistemas eletrônicos cada vez menores e mais capazes. O sistema S-400 russo pode alcançar até 400 km. O projeto David’s Sling de Israel veio para substituir no exército judeu o MIM-104 Patriot e MIM-23 Hawk e se propõem a interceptar mísseis balísticos táticos em baixa altitude. É um veículo de vários estágios e combustível sólido e interceptador com características de supermanobrabilidade.

Os engenhos de médio alcance Rapier e 2k12 Kub (SA-6) foi concebidos para serem altamente móveis, prontos para disparo imediato e em movimento, montados em viaturas e capazes de acompanhar composições altamente móveis de blindados. A década de 1990 deu menos importância a esta categoria, onde o foco mudou para a guerra assimétrica e os sistemas MANPADS.

Estes sistemas de mísseis portáteis e lançados do ombro do atirador ou de reparos leves provaram-se em batalha durante a década de 1970.  Possuem alcances da ordem de 3 km e são eficazes contra helicópteros de ataque e aeronaves em vôo baixo. Uma de suas qualidades é forçar aeronaves de asas fixa voarem fora de seu envelope, com conseqüente “downground” em seu desempenho. Alguns sistemas são montados em veículos como o Avenger, preenchendo o nicho anteriormente ocupado pelos sistemas médios.



Os SAMs montados em plataformas navais, além da ameaça aérea, devem contrapor os sistemas antinavio “sea skimming”, e muitos são especialmente concebidos para esta finalidade. São de fácil montagem, tanto em navios grandes como em muito pequenos. Navios altamente especializados na operação de SAMs e na guerra antiaérea como os norte-americanos que operam com o sistema Aegis, como por exemplo a classe Ticonderoga e Arleigh Burke, e a classe russa Kirov que opera o S-300PMU, equipam as marinhas mais poderosas. Alguns navios estão armados com 3 tipos para defesa milticamadas.

Os SAMs utilizam basicamente 2 tipos de sistemas de orientação. O principal deles é a orientação por radar, seja na vigilância e detecção, seja na orientação, sistema este usado na maioria dos mísseis. Alguns usam o controle via rádio e os modelos mais avançados possuem radar orgânico para orientação final. Durante a década de 60 usava-se o radar semi-ativo (SARH), onde o emissor ficava no chão e o equipameto do míssil apenas encarregava-se de receber o sinal refletido e corrigir sua trajetória.

O sistemas MANPADS usam a orientação IR e IIR com os mísseis apenas lançados na direção do alvo. Operam no envelope “dispare e esqueça”, e em contraponto aos sistemas SARH não necessitam de sistemas de acompanhamento. Existem sistemas mistos, mas estes são pouco usados. Alguns sistemas usam uma variação da técnica SARH, com iluminação laser no lugar do radar, sendo pequenos e de reação muito rápida, além de altamente precisos. O sistema mais conhecido de orientação por comando (rádio) é o Rapier, que inicialmente tinha acompanhamento puramente ótico com alta precisão.



Os sistemas SAMs contam ainda com dispositivos IFF para diferenciar alvos inimigos de aeronaves amigas, a exceção dos MANPADS onde o alvo é identificado visualmente e sua existência não é tão importante, sendo que a maioria não os possui.

Os sistemas de longo alcance usam radares para detecção de seus alvos, e em alguns sistemas podem entregar para um radar de rastreamento o endereçamento do SAM até seu destino. Os sistemas de alcance menor tendem a ter detecção visual, podendo também se valer dos radares de vigilância, principalmente os mais recentes. Existem também os sistemas híbridos como o MIM-72 Chaparral disparado oticamente, mas com um radar de alerta antecipado e guiagem final a IR. 



Modelos de Mísseis SAM
  • Segunda Guerra Mundial
    • Enzian - Alemanha
    • Wasserfall - Alemanha
    • Rheintochter - Alemanha
    • Funryu - Japão

Sistemas Modernos

  • África do Sul
    • Umkhonto
    • Marlin
  • Alemanha
    • Roland
    • IDAS
    • LFK NG
  • China
    • TY-90
    • HQ-2
    • HQ-7
    • HQ-61
    • HQ-6
    • HQ-64
    • HQ-16
    • HQ-17
    • FL-3000N
    • KS-1/HQ-12
    • FM-3000
    • Sky Dragon 12
    • Sky Dragon 50
    • DK-10
    • FK-3
    • HQ-9
    • HQ-22
    • HN-5
    • QW-1
    • QW-2
    • QW-3
    • FN-6
    • KS-1 
  • Coréia do Norte
    • KN-06
  • Coréia do Sul
    • Chiron
    • KM-SAM
  • EUA
    • FIM-43 Redeye
    • FIM-92 Stinger
    • MIM-3 Nike Ajax
    • MIM-14 Nike-Hercules
    • CIM-10 BOMARC
    • MIM-14 Nike Hercules
    • MIM-23 Hawk
    • MIM-72 Chaparral
    • MIM-104 Patriot
    • RIM-24 Tartar
    • RIM-2 Terrier
    • RIM-8 Talos
    • RIM-7 Sea Sparrow
    • RIM-50 Typhon
    • RIM-66 Standard (SM-1MR/SM-2MR)
    • RIM-67 Standard (SM-1ER/SM-2ER)
    • RIM-113
    • RIM-116 
    • RIM-161 (SM-3)
    • RIM-162 ESSM
    • RIM-174 Standard ERAM (SM-6)
    • THAAD
  • França
    • Masurca
    • AS-20
    • Roland
    • Crotale
    • Mistral
    • MICA
    • PARS 3 LR
  • Grécia
    • Aris AA
  • Índia
    • Akash
    • Barak 8
    • Maitri
    • Trishul
    • Pradyumna 
    • Ashwin 
    • PDV 
  • Iran
    • Bavar 373
    • Fajr
    • Mehrab
    • Shahin
    • Shalamche
    • Misagh-1
    • Misagh-2
    • Qaem
    • Taer-I
    • Taer-II A, B e S
    • Sayyad-1
    • Sayyad-1A
    • Sayyad-2
    • Sayyad-3
    • Sayyad-4
    • Shahab Thaqeb
    • SM-1
    • Ya Zahra
    • Herz-e-nohom
    • Raad
    • Iraq
    • Al Arq
    • Al Hurriyah
  • Israel
    • Arrow 2
    • Arrow 3
    • Barak 1
    • Barak 8
    • David's Sling
    • Iron Dome
    • SPYDER
  • Itália
    • Aspide
  • Iugoslávia
    • R-25 Vulkan
  • Japão
    • Type 91
    • Type 03 Chu-SAM
    • Type 81 Tan-SAM
    • Type 93 "Closed Arrow" SAM
    • Type 11 Tan-SAM Kai II
  • Noruega
    • NASAMS
    • NASAMS 2
  • Paquistão
    • Anza I, II, III
  • Polônia
    • GROM
  • Reino Unido
    • Thunderbird
    • Blowpipe
    • Bristol Bloodhound
    • English Electric Thunderbird
    • Javelin
    • Rapier
    • Sea Cat
    • Sea Slug
    • Sea Dart
    • Sea Wolf
    • Starstreak/laser
    • Starburst/laser
    • CAMM
  • Romênia
    • CA-94
    • CA-95
  • Rússia
    • 2K11 Krug/SA-4 "Ganef"
    • 2K12 Kub/SA-6 "Gainful"
    • 2K22 Tunguska/SA-19 "Grison"/SA-N-11
    • Kashtan CIWS (naval gun-missile system including SA-19/SA-N-11)
    • 9K33 Osa/SA-8 "Gecko"/SA-N-4
    • 9K31 Strela-1/SA-9 "Gaskin"
    • 9K32 Strela-2, a.k.a. SA-7 Grail
    • 9K34 Strela-3/SA-14 "Gremlin"/SA-N-8
    • 9K38 Igla/SA-16 "Gimlet"/SA-18 "Grouse"/SA-24 "Grinch"/SA-N-10/SA-N-14
    • 9K333 Verba
    • 9K35 Strela-10/SA-13 "Gopher"
    • 9K37 Buk/SA-11 "Gadfly"/SA-17 "Grizzly"/SA-N-7/SA-N-12
    • Pantsir-S1/SA-22 "Greyhound"
    • 9K330 Tor/SA-15 "Gauntlet"/SA-N-9
    • 42S6 Morfey
    • S-25 Berkut/SA-1 "Guild"
    • S-75 Dvina/SA-2 "Guideline"/SA-N-2
    • S-125 Neva/Pechora/SA-3 "Goa"/SA-N-1
    • S-200 Angara/Vega/Dubna/SA-5 "Gammon"
    • S-300/SA-10 "Grumble"/SA-12 "Gladiator/Giant"/SA-20 "Gargoyle"/SA-N-6
    • S-350 (50R6) Vityaz
    • S-400 Triumf/SA-21 "Growler"
    • S-500 55R6M "Triumfator-M."
    • Strela 2/SA-7 "Grail"/SA-N-5
    • M-11 Shtorm/SA-N-3 "Goblet"
  • Suécia
    • RBS-70
    • RBS-23
  • Suíça
    • RSA
    • RSD-58
  • Tailândia
    • DTI-1G
  • Taiwan
    • Antelope
    • Sky Bow
  • Turquia
    • Atilgan PMADS
    • Zipkin PMADS
    • HiSAR
  • Multinationacionais
    • Aster  - França/Itália
    • RIM-116 EUA/Alemanha
    • Roland - França / Alemanha
    • MEADS - EUA/ Alemanha / Itália

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A Manobra Americana no Vietnam #



Guerra na Paz

Os três primeiros anos de envolvimento americano no Vietnam foram tão decisivos quantos cheios de hesitação. Foi necessário todo esse tempo para que a máquina de guerra americana funcionasse a todo vapor e aperfeiçoasse as suas táticas. Mas então veio a ofensiva norte-vietnamita do Tet (Ano Novo Lunar) de 1968 e o início do recuo das forças americanas, que não conseguiram se adaptar com rapidez suficiente às necessidades da guerra na selva, e tiveram que pagar um alto preço por isso.

Na verdade, a situação não deveria ter causado maior impacto nos comandantes americanos responsáveis pela criação, equipamento e treinamento do ESV (Exército sul-vietnamita), que tinham acompanhado suas operações e visto de perto seus êxitos e fracassos. Já em 1963 os sul-vietnamitas mostraram sua incapacidade de empreender uma manobra efetiva de cerco e aniquilamento. Naquela ocasião os vietcongues escaparam sem grandes dificuldades às "malhas da rede", após castigar duramente , repedidas vezes, os sul-vietnamitas que os atacaram.

Os americanos também haviam adquirido ampla compreensão teórica da luta anti-insurrecional durante a guinada estratégica do governo Kennedy. No âmbito da nova doutrina de "reação flexível", o Pentágono realizara uma série de estudos e cursos de treinamento organizados a partir da experiência britânica na Malásia e da francesa na indochina (nome do Vietnam no período colonial).

Analisando as lições da indochina, os americanos chegaram a conclusão de que veículos terrestres franceses, inclusive os blindados, ficavam retidos nas estradas, tornando-se vulneráveis à emboscadas. Por isso decidiram enviar aos Vietnam um vasto parque de helicópteros, cerca de 4.000, quase cem vezes mais que os 42 aparelhos dos franceses. Só que estes helicópteros também ficaram retidos em seus campos de pouso e a escassez de blindados, veículos de enorme valia para deslocamentos em terreno irregular e combates a curta distância, representou uma séria falha na logística americana, que só começou a ser corrigida em 1968.

Outra lição da Indochina foi bem assimilada, tendo em vista o exemplo de Dien Bien Phu: a importância de assegurar suprimentos e proteção pelo ar às bases fortificadas. Foi esse um dos pontos-chave da atuação militar dos EUA no Vietnam.



Em geral, uma base de apoio consistia num perímetro circular de trincheiras individuais, destinadas a abrigar uma companhia de infantaria que podia cobrir com suas armas várias centenas de metros em terreno aberto. Essa área ficava cercadas por minas e arame farpado. Os alcances de tiro e prováveis trilhas de aproximação eram observados cuidadosamente.A potência de fogo imediata da companhia consistia em fuzis de assalto, lança-granadas, metralhadoras, foguetes anticarro e morteiros. Por si mesmas, estas armas podiam normalmente deter qualquer ataque, mas havia muito mais.

Em geral, o armamento da base de apoio incluía uma ou mais baterias de artilharia pesada (por exemplo, obuseiros de 105 mm e de 155 mm), que podiam cobrir um raio de 15 km; em certos casos, peças de artilharia mais potentes alcançavam 30 km e a proximidade das bases permitia que seus arsenais se somasse na defesa de um perímetro ameaçado.



Além disso, havia os fartos recursos proporcionados pela aviação, tais como foguetes aéreos colocados em helicópteros Huey, aparelhos de carga equipados com lança-chamas e mini-canhões; Cessna A-37 e outras aeronaves de baixa velocidade; aviões mais velozes, como o Douglas A-4 e o Fairchild F-105. Atuavam ainda o helicóptero experimental Chinook CH-47 ou "couraçado aéreo", o bombardeiro F-111 TFX; e acima de tudo a confiável "fortaleza voadora" B-52, que podia se aproximar a alta velocidade sem ser ouvida e devastar 1 km² com seus 40.000 kg de bombas metálicas (com 3 aparelhos voando juntos em arco).



Por um momento, o Pentágono acreditou que essa enorme capacidade de fogo bastaria para ganhar a guerra. Em diversas ocasiões, centenas de vietcongues foram abatidos em ataques noturnos por apenas alguma dúzias de soldados. Tais êxitos entusiasmavam os militares americanos partidários do body count, a estratégia da contagem de corpos como prova material de que a guerrilha estava sendo dizimada.

De fato, algumas bases de apoio nada sofreram enquanto foram defendidas por tropas dos EUA, e de qualquer modo poderiam ser rapidamente reconstruídas. O que os estrategistas não perceberam é que, nesses combates, era o vietcongue que definia seu próprio body count. Os guerrilheiros norte-vietnamitas só atacavam quando sabiam quantas vidas poderiam sacrificar sem perder a guerra. Surgiu desse modo uma situação de equilíbrio, na qual sua incapacidade para atingir as bases dos americanos era compensada pela extrema dificuldade destes em se apoderar das bases adversárias. Os ataques a "santuários" da guerrilha no Laos e no Camboja eram fonte de problemas políticos e mesmo com uma potência de fogo imensamente superior subsistiam obstáculos táticos.

A unidade fundamental de manobra dos EUA no Vietnam era a companhia de infantaria, com força nominal de uns 180 homens, mas que na prática não operava com mais de 120. Essas companhias encontravam grande dificuldade em mover-se na selva: seguindo em coluna por uma trilha, os soldados cobriam mais de 1 km de terreno. Isso tornava a "reação flexível" um objetivo remoto. Ainda menos viável eram a prática de cerco e aniquilamento, a ponto de um estrategista americano declarar: " a selva zomba de nossas manobras".



A Blindagem Vegetal

Quando os guerrilheiros eram encontrados  numa incursão americana, a luta ficava bem mais equilibrada. Em geral, a vegetação fazia mais do que esconder os vietcongues entrincheirados. Os projéteis mais leves fracassavam na penetração das casamatas ou dos grossos troncos de árvore, enquanto os obuses de 105 mm explodiam na mata fechada, cobrindo o solo de estilhaços, mas raramente ferindo vietcongues. A utilização de peças de maior calibre  era dificultada pela curta distância entre os combatentes, de algumas dezenas de metros. Por vezes, para abrir espaço à artilharia, os soldados americanos recuavam deliberadamente, mas isso criava oportunidades para contra-ataques.

Outra dificuldade era o fato de, em suas incursões, as colunas dos EUA avançarem a pé e não em veículos blindados, tornando-se vulneráveis ao fogo inimigo em terreno aberto. Imobilizados, os soldados não conseguiam aplicar a tática de "atirar e manobrar" preconizada em seu manual, com vistas a um assalto final.

Na verdade, os americanos logo verificaram que, sem o uso de blindados, tais assaltos finais cobravam um elevado preço em vidas e que, numa guerra de atrito, essas perdas eram inaceitáveis. "Cada vez que faço um homem manobrar", declarou um sargento americano, "ele leva um tiro. Ao diabo com a manobra".

Em 1967, os americanos tinham criado um novo manual tático, segundo o qual a infantaria " desblindada" deixava de ser uma força de assalto, assumindo o papel de simples patrulha de reconhecimento. Ela deveria avançar até uma área onde existissem bases inimigas, envolver-se em troca de fogo e identificar alvos a serem destruídos pelo armamento pesado. Tal tipo de ação era complementado pela atividade dos esclarecedores, grupos de infantaria leve especializados em infiltrar-se secretamente através das linhas do inimigo. Esses peritos deviam orientar o fogo de artilharia contra alvos promissores, recuando em seguida. Nos ares, o mesmo faziam os Loaches (Light Observation Helicopters - helicópteros leves de observação), capazes de localizar o inimigo e fustigá-lo a seguir com seus próprios minicanhões, sendo auxiliados por helicópteros de ataque ou por forças terrestres. Só que o ruído dos motores alertava os guerrilheiros e mais uma vez havia alto body count sem danos consideráveis a suas forças.

O que as novas as novas táticas americanas não poderiam fazer era substituir o papel da infantaria, isto é, acercar-se do inimigo e destruir suas formações num combate corpo a corpo. Ao reservar a função destrutiva à potência de fogo, o US Army parecia aceitar a derrota numa guerra impopular e oficialmente definida como "limitada".


quinta-feira, 30 de março de 2017

Aviação do Exército - Aspectos Táticos #



A via aérea permite aos comandantes táticos posicionar tropas leves a grandes distâncias de suas posições ou linhas de contato em tempo reduzido, transpondo áreas hostis, inserindo frações por brechas e corredores não defendidos através do território dominado pelo inimigo, a fim de ocuparem pontos sensíveis e posições de importância tática, inatingíveis por terra.

O domínio destes locais pode refletir em valiosa ferramenta tática e apresentam grande efeito multiplicador à manobra, pois a partir deles pode-se, por exemplo, assegurar sua posse para permitir a passagem de tropas mais convencionais como pontes e pontos de estrangulamento de tráfego e bloquear a retirada de forças inimigas em movimento retrógrado.

A guerra moderna, como a conhecemos hoje, é fruto dos ensinamentos colhidos no desastre tático que aconteceu na Primeira Guerra Mundial. Posições nitidamente definidas, delineadas por trincheiras, conferiam ao conflito uma imobilidade tática total, fazendo-o estender-se por um tempo longo sem que qualquer dos contendores alcançassem progressos, a um custo humano inaceitável. Fruto tanto da falta de tecnologia quanto de doutrina adequada, a realidade desta guerra serviu para que mudanças significativas viessem a ser implementadas nos conflitos posteriores. A Segunda Grande Guerra, através do conceito alemão da “blitzkrieg”, é o melhor exemplo a ser citado, onde se fez largo uso de manobras aeroterrestres, sendo a inexistência da asa rotativa neste período um grande limitador destas manobras.

Operações aeroterrestres são aquelas em que se usam unidades pára-quedistas, geralmente saltando de aeronaves de asa fixa para o posicionamento de tropas no solo. A tropas deixam as aeronaves em pleno ar à grande altura, e a partir deste momento não podem mais retornar a ela. Se a área de aterragem apresentar uma condição desfavorável às tropas que ali saltaram, ou se a missão vier a fracassar, não existe a possibilidade de que sejam prontamente recolhidas ou a operação possa ser abortada. Na Segunda Grande Guerra estas operações foram implementadas em grande escala, com divisões inteiras sendo lançadas do ar simultaneamente. Um grande inconveniente que se observou nestas ações foi a dispersão alcançada pelos pára-quedistas, com unidades fragmentadas que demandavam um tempo precioso para se reunir e alcançar uma condição tática satisfatória.




A mobilidade tática proporcionada pelas aeronaves de asas rotativas, vieram para complementar, senão substituir, a maior parte das operações aeroterrestres praticadas até então, em situações onde o uso de pára-quedistas era imprescindível. Denominadas de aeromóveis, envolvimento vertical ou operações de assalto aéreo, a manobra de posicionar tropas com o uso de helicópteros viabilizou-se tão logo esta tecnologia surgiu de forma mais amadurecida durante a Guerra da Coréia, atingindo sua capacidade plena na Guerra do Vietnam, onde foi usada em larga escala. Embora os exércitos modernos continuem a manter seus efetivos pára-quedistas, eles foram reduzidos e passaram a ser empregados dentro deste novo conceito em complemento às aeronaves convencionais, nas missões de perna mais curta devido ao alcance limitados dos helicópteros. Parte das vantagens do helicóptero, antes do seu aparecimento, era alcançada com o uso de planadores, que podiam manter coesas as frações e seu equipamento.

De cunho ofensivo, estas operações podem ser usadas tanto em manobras ofensivas quanto defensivas, que modernamente se dão também valendo-se da iniciativa, fundamental na guerra moderna. Livres de frentes e linhas de contato, tropas aeromóveis forçam o inimigo a dispersar seus efetivos a fim de manter presença em todos os locais mais vulneráveis ao seu assédio, enfraquecendo as demais tropas, minando a aplicação do princípio tático da massa. O uso do meio aeromóvel acentuou a flexibilidade deste tipo de manobra.

Em comparação ao assalto pára-quedista, o aeromóvel é mais facilmente detectado devido a assinatura acústica destes meios. Os pára-quedistas podem lançar uma grande quantidade de meios a partir de cargueiros aéreos como os C-130, C-17 ou KC-390; porém necessitarão dos meios helimóveis para a evacuação de feridos. Uma força pura de helicópteros pode desempenhar a mesma missão em alcances mais curtos e continuar a apoiar a força nos locais de operações com suporte de fogo, suporte logístico e embarques e desembarques sucessivos com exfiltrações e infiltrações em seqüência. Aeronaves convencionais necessitam de locais de pouso apropriados para efetuarem manobras semelhantes, enquanto que os helicópteros tem poucas restrições quanto ao terreno, podendo pousarem até em cima da laje de habitações e fazerem uso da técnica do rapel.

Denominado envolvimento vertical, a manobra que agrega helicópteros e infantaria leve consiste em embarcar e desembarcar tropas de forma sucessiva ou não em locais diversos e por vezes inacessíveis por terra. Estas tropas estão submetidas a grandes restrições quanto ao peso do equipamento transportado, sendo sua operacionalidade muito mais perecível que o das tropas aeroterrestres que são dimensionadas para sustentarem combate de forma independente por cerca de 72 horas, enquanto aquelas o fazem por período de até 48 horas. Artilharia de 105 mm e morteiros de 120 mm podem acompanhar estas tropas usando dos mesmos meios, embora helicópteros mais pesados possam deslocar obuseiros de até 155 mm.




Em 1946 os fuzileiros norte-americanos viram nas recém-nascidas bombas nucleares um grande limitador a suas manobras de assalto anfíbio, devido a necessidade de concentrar grande quantidade de navios e outros meios em cabeças de praia restritas, e viram no helicóptero uma maneira de dispersar seus meios em áreas maiores, reduzindo a vulnerabilidade de suas tropas. As primeiras experiências na Coréia usaram o helicóptero nas missões de ligação e observação, evacuação aeromédica e ressuprimento, sendo o primeiro uso tático no assalto a colina 884 com o desembarque de 224 fuzileiros e 8 toneladas de suprimentos em 65 voos durante 4 horas. Em 1954 realizou-se um assalto com um batalhão inteiro. 

No Vietnam os assaltos começaram com a chegada dos primeiros aparelhos e as perdas sofridas logo no início levaram a adoção de unidades armadas de escolta. Devido ao terreno difícil para a progressão por terra, o helicóptero revelou-se ideal para o posicionamento de tropas de forma rápida e eficaz. A cavalaria aérea norte-americana foi concebida para atuar em guerras convencionais em ações de retardamento, emboscadas, mobilidade da infantaria e apoio de fogo; mas a primeira oportunidade de emprego real se deu no sudeste asiático, transpondo selvas e atuando na contra-insurgência.


Tentou-se inicialmente a escolta com asas fixas o que se mostrou inadequado, chegando-se ao conceito de uma aeronave com metralhadoras e foguetes disparados pelo piloto e metralhadoras laterais complementares, disparadas por atiradores dedicados. Blindagem adicional mostrou-se necessária o que resultou no aumento de peso e necessidade de maior potência, além de velocidade e autonomia compatível com as aeronaves escoltadas. Os primeiros modelos usados (UH-1) não podiam servir de escolta e transporte ao mesmo tempo. A mobilidade aérea multiplicou por 6 a disponibilidade das tropas e permitiu que o poder de fogo andasse de mãos dadas com a capacidade de manobra em terrenos como o do sudeste asiático.

Conflitos de alta intensidade requerem superioridade aérea para que o uso de helicópteros não se dê de forma limitada. Lentos e vulneráveis a aeronaves de alto desempenho, devem voar em espaços que ofereçam segurança relativa. Tanto egípcios como israelenses fizeram amplo uso destas aeronaves na guerra do Yom Kippur, onde consolidou-se sua capacidade de infiltração de tropas armadas de armas leves e potentes como ATGWs e SAMs portáteis e mostrou sua vulnerabilidade a caça inimiga.



Foram realizados vários assaltos de helicópteros, incluindo uma emboscada audaciosa contra um comboio bem dentro Egito feita pelos Israelenses. Comandos egípcios Al Saaqa foram transportados por helicópteros Mi-8 atrás das linhas inimigas no Sinai para atacar reforços, durante o ataque inicial, e para tomar pontos estratégicos como o Passo de Mitla e Gidi, e nesta operação 14 helicópteros foram derrubados pela Força Aérea Israelense e os outros comandos foram cercados antes de atingir o objetivo ou chegar reforços. Os primeiros comandos egípcios foram treinados por assessores alemães e faziam raids contra as defesas israelenses no Sinai. Em 1969 estes raids ocorriam todas as noites e eram muito temidos por Israel, sendo responsáveis pelo deslocamento de tropas adicionais para defesa de pontos. A Força Aérea Israelense também usou helicópteros para infiltrar comandos atrás das linhas atrás da localização de mísseis SAM e alerta de seu lançamento para os pilotos de caça. Pelo menos dois helicópteros foram derrubados nestas missões. Pára-quedistas sírios os usaram para capturar o monte Hermon e comandos foram usados para atacar blindados com mísseis Sagger pela retaguarda.

Em 25 de Abril de 1982, os britânicos recuperaram as Geórgia do Sul dos argentinos. Precedido de um consistente fogo naval, realizaram um assalto aeromóvel com 120 fuzileiros navais, que rapidamente dominaram a guarnição Argentina de poucas dezenas de homens.

Os russos iniciaram operações com forças aeromóveis na década de 1970 com suas Forças de Assalto Aéreo, unidades do porte de uma Brigada. No Afeganistão realizaram ataques de surpresa de forma independente em locais remotos ou de difícil acesso ou apoiando outras forças, atuando em ações de controle de terreno dominante ou junções de estrada. A vantagem russa no ar se manteve até aparecer o míssil Stinger.

Os russos desenvolveram várias táticas. Na preparação do assalto as armas leves entram por último e saem primeiro. As naves de assalto pousam e decolam juntas para não dar alerta e usam a rota mais segura. Zonas de pouso de reserva são sempre consideradas. Devem ficar por tempo mínimo no solo, pouco mais de um minuto. As de ataque cobrem a subida e o cominho de volta. O helicóptero permitia pousar direto ou próximo do alvo, geralmente com supressão anterior de artilharia ou ataque aéreo antes do desembarque. Os helicópteros de ataque continuavam a circular a zona de pouso depois do ataque. As tropas eram equipadas para atuar por 3 ou 4 dias, e levavam cada um 2 a 3 recargas para a armas individuais, 4 granadas, 1 RPG-18 para cada dois soldados, 5 granadas fumígenas, 5 flares, 200g de blocos de TNT, 4 projeteis de morteiro de 82 mm ou uma caixa de munição de lança-granadas automático AGS-17, ração e 2-3 cantis com um peso total de 35-40kg. Este peso podia diminuir se fosse garantido o ressuprimento.

Outra limitação do helicóptero é a operação em grandes altitudes. Os Mi-8MT russos podem levar normalmente mais de 25 soldados, mas operando em uma altitudes de 2 mil metros ficam limitados a 6 soldados carregados e apenas 4 ou 5 quando operando entre 3 mil a 4 mil metros. Acima destas altitudes sua operação, devido ao ar rarefeito, fica seriamente comprometida.

Depois do Vietnã o assalto aéreo foi realizado com mais freqüência para infiltração e exfiltração de forças especiais e CSAR, com os grandes assaltos aeromóveis sendo raros. No Iraque, depois de três anos de operações foram 40 helicópteros perdidos sendo metade para fogo inimigo. Uma aeronave derrubada significa CSAR a caminho. Os inimigos costumam fazer emboscada para os helicópteros e não se interessam apenas no piloto derrubado. Esta prática era muito usada no Vietnã quando os vietnamitas percebiam que havia baixas em terra.

Operar helicópteros em frentes de combate tem seu preço. De 167 helicópteros usados na invasão do Panamá em 1989, 45 foram atingidos com quatro derrubados. Todos eram helicópteros leves AH-6 ou OH-58 sendo que um bateu em fios de alta tensão. Um UH-60 não teve condições de ser reparado. No Vietnã o número total de perdas foi alto, 2.281 helicópteros perdidos sendo cerca da metade em acidentes, mas em número de horas de voo foi um para 6.629 horas, bem menor que o esperado.



Entre as vantagens do assalto aéreo temos:


  • Velocidade, mobilidade e manobrabilidade superior;
  • Flexibilidade - pode ser usado continuamente após o assalto e não apenas durante ele;
  • Surpresa e despistamento - as aeronaves decolam de zonas muito distantes  das zonas de pouso, podem usar o terreno para ocultação e ficam pouco tempo expostas sobre a área de trânsito;
  • Tem capacidade orgânica de evacuação aeromédica (EVAM), SAR e resgate. Levam os feridos de volta após desembarcar outras tropas ou cargas;
  • Tem poder de fogo orgânico, seja da própria aeronave ou de helicópteros de escolta;
  • As zonas de pouso não se limitam a frentes e pode desembarcar sem tocar o solo (rappel);
  • Complicam o problema de defesa do inimigo. A área a ser defendida é imensamente maior. Nos deslocamentos de terra ou mar os dispositivos de defesa podem mais facilmente ser desdobrados nos eixos de progressão prováveis. No assalto aéreo é bem provável de se encontrar as defesas dispersas e menos densas e o inimigo precisará de sistemas avançados para agir com eficiência.
  • Nos desembarques anfíbios, eles podem começar um dia antes do no dia D com a inserção de precursores e com desembarques "secos" onde a aeronave toca o solo e não desembarca tropas. O objetivo é dispersar as tropas inimigas na procura de tropas que não existem.



Entre as desvantagens temos:


  • Limitação de carga (peso e volume). As embarcações de desembarque e veículos terrestres podem carregar um volume e peso muito superior aos helicópteros incluindo tanques pesados. São mais eficientes a longo prazo após o desembarque inicial e por isso não são descartados;
  • Dependente das condições ambientais. Os helicópteros tem problemas para voar com mal tempo e a noite exigem equipamentos especiais de visão noturna;
  • Vulnerabilidade. Os helicópteros são extremamente frágeis a danos de combate se comparados com veículos que possuem blindagem;
  • Precisam reabastecer com frequência muito maior e em locais próprios. Um ponto de reabastecimento é um modo de diminuir esta necessidade de viagens até a base;
  • Necessidade de supressão de defesas aéreas (artilharia antiaérea, mísseis superfície-ar e armas leves). Por ser vulnerável os helicópteros precisam de um preparo da região a ser sobrevoada para eliminar as defesas especializadas e os armamentos normais encontrados no campo de batalha;
  • Disponibilidade. Devido a complexidade mecânica dos helicópteros, sua disponibilidade é menor que a de outros veículos e embarcações. Estes outros têm condições de operarem normalmente com equipamentos danificados;
  • Navegação. Devido a alta velocidade de trânsito, os helicópteros têm o problema de navegação mais complexo e intenso sendo necessário maior treinamento e equipamentos especializados
  • O consumo de combustível dos helicópteros é muito maior do que os outros veículos o que aumenta os problemas logísticos.

Entre as missões dos helicópteros durante um assalto temos:


  • Assalto - transporta tropas e equipamentos até os pontos de desembarque;
  • Logística de combate - transporte de munição, combustível, víveres e outras cargas;
  • Mobilidade. Permite que as tropas se desloquem mais rápido aos pontos onde sejam necessárias;
  • Escolta - É feito por helicópteros armados ou especializados ou por aeronaves de asa fixa. Devem defender inimigos tanto no solo quanto no ar;
  • Apoio aéreo aproximado. É feito por helicópteros armados ou por aeronaves de asa fixa;
  • Evacuação médica - EVAM;
  • Busca e salvamento - SAR;
  • Reconhecimento visual e armado;
  • Controle aéreo para operações de assalto aéreo;
  • C3 para operações de assalto de perna longa.

terça-feira, 28 de março de 2017

Operações em Áreas de Selva Tropical #



Generalidades

As regiões de selva tropical e equatorial, presentes na faixa intertropical do planeta, possuem aspectos peculiares quanto às operações militares, devido a suas características únicas de clima, vegetação e desenvolvimento sócio-econômico.

Estão presentes nas Américas, desde o sul do México, passando pelo norte da América do Sul e ilhas do Caribe, com sua maior extensão em território brasileiro; no centro do continente africano na região sub-saariana do Congo e vizinhanças; no sudeste asiático continental, incluindo as ilhas da Indonésia e norte da Austrália e num grande número de ilhas do Pacífico, e outras regiões menores, totalizando só no Brasil mais de 5 milhões de quilômetros quadrados.

São áreas de clima muito úmido e quente, com débeis índices demográficos e de desenvolvimento humano e econômico. Carecem de redes rodoferroviárias, e as existentes precariamente conservadas, sendo as vias hidrográficas abundantes e utilizadas como principal meio de comunicações destas regiões.

Inserido neste meio existem ainda áreas de mata alagada, de selva propriamente dita, savanas e regiões montanhosas quentes. Não se pode separar a selva de terra firme da malha hidroviária que a permeia, constituindo este conjunto um só ambiente operacional, unidas pela mata de várzea. A vegetação é constituída de árvores de grande porte, cujas copas entrelaçam-se e criam em seu interior um ambiente sombrio sem a incidência direta de raios solares, a exceção das raras clareiras criadas pela queda de árvores mortas. Próximo aos rios existe a floresta que se inunda periodicamente formando várzeas. Os rios podem ser caudalosos com través médio de 5 km, podendo atingir 20 km em alguns pontos e centenas próximos ao mar, com locais mais rasos que impedem a navegação irrestrita quando longe do leito principal, podendo ainda apresentarem regiões de corredeiras.




Influência do Ambiente nas Operações Militares

As rotinas de observação e vigilância são prejudicadas pela ausência de elevações que dominem o terreno e pela densa mata que não permite olhar a alguns poucos metros. Estabelecer campos de tiro procedendo sua "limpeza" pode denunciar a presença de armas e atiradores, sendo estes mais eficazes junto aos desimpedidos cursos d'água e clareiras. A observação aérea é ineficaz e o relevo não se revela para estes, uma vez que a vegetação mostra um falso terreno plano. Satélites de alta definição de amplo espectro, no entanto, não tem seus campos de observação barrados pelas árvores. Granadas fumígenas podem não ultrapassar a cobertura e a adoção de túneis de tiro são a técnica mais eficaz de criar corredores de fogo.

A mata proporciona abundância de cobertura a observação, e abrigos devido a dobras do terreno e grandes árvores. A construção de abrigos abaixo do nível do solo é difícil devido a presença de raízes entrelaçadas. Os obstáculos são abundantes, como os grandes rios em operações de grande vulto e a mata fechada, que proporciona corredores de deslocamento a pequenas frações apenas. Cabe salientar que estes mesmos grandes rios podem tanto ser obstáculos como vias que facilitam o deslocamento, dependendo das circunstâncias. A mata esconde pântanos e escarpas, além de grandes troncos caídos. Chuvas constantes e diárias potencializam os obstáculos e tornam estradas de chão pegajosas e difíceis de transpor.



O deslocamento a pé está sujeito a grande número de espinhos e plantas hostis e em locais onde existem árvores caídas, normalmente mais de uma, elas podem se constituir em grandes obstáculos. Além das altas temperaturas, a pluviosidade é intensa com tempestades fortes e rápidas podendo as condições climáticas mudar em questão de minutos. A mobilidade motorizada é extremamente difícil, sendo o barco e a aeronave os meios mais adequados.

utilização de equipamento rádio demanda a utilização de grandes antenas, com intensa atenuação de sinais através da mata, e devido a cobertura vegetal a luminosidade da lua é praticamente imperceptível. Para indivíduos treinados a selva oferece grande variedade de recursos e alimentação, porém mostra-se hostil àqueles não ambientados ou treinados apenas em outros ambientes, estando todos sujeitos a cortes e infecções constantes e ao assédio de animais como mosquitos, cobras e vespas, entre outros, que podem transmitir doenças tropicais.




Operações de grandes escalões de tropa encontram maior dificuldade neste ambiente, estando as pequenas frações mais conformadas à realidade deste terreno e sua severa resistência à mobilidade. O grande número de obstáculos naturais é potencializado pelas condições meteorológicas adversas com precipitações constantes, que prejudica sobretudo a mobilidade nas estradas não pavimentadas que são a maioria, tornando a argila destas vias pegajosa em níveis que chegam a paralisar o movimento de veículos.

Os locais de maior valor militar são os entroncamentos de rios que oferecem controle sobre estes, e as vilas e povoados, com campos de pouso e atracadouros. Suas instalações podem ser de grande valor e para eles convergem trilhas e passam as estradas que existem. Na selva as operações ribeirinhas são uma constante militar.  A umidade proporciona grande estresse sobre equipamento inadequado como armamento, aeronaves e veículos em geral. Outros locais importantes são os escassos nós rodoviários, pontos de passagem de balsas, pontes e vaus, além de clareiras que favorecem o reagrupamento e a operação de baterias de tiro e helicópteros e o ressuprimento aéreo. As elevações, tão úteis em terreno convencional, são pouco relevantes no ambiente de selva devido a cobertura vegetal.

Devido as características únicas deste ambiente, as operações assumem características de guerra irregular ou guerrilha, pois dispor tropas emassadas não se dá da mesma forma que em terreno convencional. Apesar dos dispositivos militares procurarem sempre valorizar as características de ligação entre as unidades, operar na selva demanda sempre a incursão de pequenas frações em áreas muito grandes e dispersas, dificultando o apoio mútuo entre estas. O apoio aéreo e fluvial é fundamental. A segurança das tropas neste ambiente tem na dispersão seu maior trunfo, e a ameaça poderá vir de qualquer direção. A manobra deve primar pela simplicidade e fundamentar-se na habilidade do combatente, e não em seu equipamento. A surpresa pode ser facilmente obtida pelo atacantes e a oportunidade por vezes é uma das formas mais comuns de combate, pois a obtenção de informações é dificultada pelo ambiente singular.




Operações Estratégicas

O acesso à área de selva se dá a partir de bases que podem ser poucas e precárias e demandarão grandes obras de infraestrutura, com necessidade de provimento de serviços diversos e suprimentos vindos de longe, onerando terminais e fazendo uso de elevado número de meios logísticos. O estabelecimento de infraestrutura adequada a grandes efetivos pode ser necessário e custoso. Como já foi dito o deslocamento até estas áreas quase sempre se dará por vias aéreas e fluviais, tanto de tropas quanto de suprimentos. 

Estas áreas de acesso quase sempre serão as maiores cidades que estejam próximas ao coração do dispositivo do inimigo, com seus terminais, e a manobra inicial será a conquista e ocupação destas localidades e suas vias de acesso e comunicação com as áreas exteriores de onde virá o suporte às operações. Devido as grandes distâncias envolvidas e a natureza do combate moderno o domínio do espaço aéreo é vital. O combate se dará por forças assimétricas em ambiente urbanos e ribeirinhos, de selva densa e campos abertos, com forças não mecanizadas apoiadas por unidades aéreas em busca dos pontos capitais já citados. 

A partir destas áreas "pontos-forte" se desdobrarão as ações descentralizadas que poderão ser longas e desgastantes. A progressão se dará com patrulhas de combate de efetivos dotados de grande poder de fogo e apoiados pela aviação de asas rotativas em apoio próximo e pela aviação de ataque para alvos que exijam maior potência, estabelecendo bases de combate a medida que se progride, sempre procurando o isolamento do dispositivo inimigo de suas vias de suprimento de forma a forçar sua rendição com a anulação de seu poder de combate.



terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Armas Nucleares #



As armas nucleares são constantemente citadas pela grande imprensa, não raro envolvidas em manchetes sensacionalistas escritas por quem entende muito pouco do assunto. Hiroshima e Nagazaki são constantemente citadas por serem até hoje as 2 únicas oportunidades de emprego real destas armas, ignorando que mais de 2.000 detonações já foram feitas para se testar e tabular parâmetros, que permitiram a construção de modelos que capazes de simular o desempenho de armas ainda não usadas, bem como avaliar seus efeitos junto ao ambiente onde são detonadas.

O poder destas armas reside na liberação da energia que une o núcleo dos átomos de elementos pesados como o urânio e o plutônio, que foram usados nestas primeiras e únicas 2 detonações feitas na Segunda Guerra Mundial contra o Japão. As primeiras bombas, denominadas de bombas de fissão nuclear, funcionam seguindo o princípio de que o núcleo de um átomo instável, quando atingido por um nêutron, libera uma quantidade muito grande de energia.

A quantidade de nêutrons de um núcleo determina sua estabilidade. Sua equivalência com o número de prótons torna os núcleos mais estáveis, e sua falta faz com que os prótons fiquem muito próximos uns dos outros, resultando em uma força de repulsão muito grande, tal qual os polos de um imã, causando seu rompimento. O excesso de nêutrons causa uma força contrária, tal qual sua falta, e também resulta no rompimento do núcleo. Este rompimento libera novos nêutrons que excitam outros átomos que também se rompem e assim sucessivamente causando uma reação em cadeia ou reação nuclear. Uma reação nuclear controlada e de baixa escala se presta a produção de energia e é realizada em usinas nucleares, e uma descontrolada resulta em uma explosão nuclear.




Estes minerais, quando em seu estado natural não atendem os requisitos de instabilidade requeridos, estando estabilizados por outros átomos, e seu uso como material explosivo ou somente físsil, requer que sejam purificados ou como comumente se fala, "enriquecidos", sendo este processo complexo e muito caro, realizados por máquinas especialmente construídas, denominadas ultracentrífugas.

A potência de uma bomba nuclear é dita em megatons (Mt), sendo convencionado que uma unidade destas equivale a potência que seria liberada pela detonação um milhão de toneladas do explosivo TNT ou 4,184 petajoules. Esta energia se fosse convertida em kW/h supriria os EUA em 2007 por 3,27 dias. Também se usa a unidade kiloton (kt) que equivale a uma mil toneladas deste explosivo. A maior bomba não nuclear conhecida, a FOAB termobárica russa produz uma detonação de 44 toneladas de TNT ou 0,3% da potência da bomba de Hiroshima que era de 15 kt, que apresentou um raio de destruição total de 1,6 km e foi detonada a 580 metros, sendo considerada ineficiente. A B53, talvez a maior bomba já construída nos EUA, liberava uma potência de 9 Mt (600 vezes a bomba de Hiroshima) e podia causar uma destruição total num raio de 5 km.

As chamadas "bombas atômicas" são petardos que recorrem a energia nuclear para liberar sua potência explosiva. Este termo é inadequado, visto que bombas convencionais também tem seu poder explosivo que parte dos átomos, sendo o termo "bomba nuclear" mais adequado, visto que a potência liberada tem sua origem na fissão ou desintegração do núcleo atômico.




Tipos de Armas Nucleares

Existem basicamente 2 tipos de armas nucleares: as bombas de fissão e as bombas de fusão. As bombas de fissão (bomba-A) são núcleos de material pesado devidamente processado (enriquecido), normalmente urânio ou plutônio, que são montados no interior de um invólucro de alto explosivo de detonação dirigida que ao ser detonado provoca uma grande pressão sobre o núcleo principal. Esta pressão submete este núcleo a um estresse extremamente elevado fazendo-o atingir uma massa crítica (a mesma massa em um volume muito pequeno) desencadeando desta forma uma reação em cadeia. É uma combinação de bombas de natureza diferentes. As bombas de fusão são também conhecidas com "bombas de hidrogênio" (bomba-H) e funcionam de forma diferente que as de fissão. Uma pequena bomba de fissão detona no interior desta e proporciona condições de temperatura e pressão necessárias a fusão de um isótopo instável do hidrogênio. Uma pequena bomba de fusão também pode iniciar uma bomba de fissão.

As bombas de fusão, também chamadas de bombas termonucleares por serem detonadas a partir de condições especiais de temperatura, são armas extremamente mais potentes suas congêneres de fissão, podendo atingir até 750 vezes a potência destas. Núcleos extremamente leves de hidrogênio e hélio combinam-se para formar elementos mais pesados, libertando neste processo enormes quantidades de energia. As bombas de hidrogênio são a arma mais potente já criada pelo homem e a maior já testada foi um modelo russo de 57 Mt em 1961. Esta bomba possuía a potência de todas bombas usadas na Segunda Guerra Mundial somadas, incluindo as nucleares, multiplicada por 10.



Uma variante de bomba termonuclear é a bomba de neutrons. É um dispositivo termonuclear pequeno, de níquel ou cromo, onde os neutrons gerados pela reação de fusão não são absorvidos pela bomba, e sim liberados para o exterior. Estes neutrons de alta energia e os raios-X que os acompanham são mais penetrantes que outras forma de radiação, de forma que as barreiras para raios gama não os detém eficazmente. Esta radiação altamente penetrante atinge apenas organismos vivos, mantendo intactos as estruturas como as cidades, com nítida vantagem militar.

A detonação de dispositivos nucleares, trás consigo, além dos efeitos imediatos de calor e sopro que destroem tudo dentro de seu raio de letalidade com deslocamento de ar superaquecido provocando efeitos mecânicos e de térmicos, a liberação e dispersão de material nuclear que contamina o meio com radiação, trazendo doenças degenerativas relacionadas a esta radiação, podendo deixar as áreas onde são detonadas inabitáveis por décadas, sendo denominadas "bombas sujas".




Emprego

As bombas nucleares podem ser empregadas estrategicamente destruindo cidades inteiras, ou de forma tática através de artefatos de pequena potência, na faixa de 1/2 a 5 Kt. Estas armas são empregadas de forma muito específica, onde se utiliza apenas um de seus efeitos. Pode-se valer apenas do sopro, apenas do calor, de ambos, ou ainda de seu pulso eletromagnético com efeitos contra sistemas eletrônicos. Seu emprego entretanto esbarra em seus efeitos colaterais de contaminação. Os alvos primários destas ogivas táticas seriam as forças inimigas próximas das forças amigas, onde sua pequena potência preservaria estas e as forças lançadoras.




Ogivas nucleares, podem ser lançadas de aeronaves, mísseis balísticos ou de cruzeiro, ou através de dispositivos de queda livre. Podem partir ainda de submarinos em grandes profundidades, o que torna difícil ao defensor precisar a localização e empreender a vigilância de potenciais lançadores. Podem alvejar cidades, tropas, instalações e dispositivos militares ou submarinos em grandes profundidades, tendo sido já montadas no passado em mísseis ar-ar que atingiriam formações de bombardeiros a grandes altitudes através de seu pulso eletromagnético, além de seus efeitos mais limitados de sopro e explosão no ar rarefeito.

Armas convencionais modernas substituem com vantagens estes dispositivos táticos. Bombas de energia direta como a JSOW produzem descargas direcionadas de micro-ondas (pulso eletromagnético), bombas termobáricas produzem efeitos de 1 Kt, já tendo sido anunciados dispositivos de até 11 Kt. Elas já foram usadas contra bunkers na Chechenia e no Afeganistão.

Embora venham perdendo sua importância frente aos dispositivos convencionais e devido a seus efeitos colaterais, principalmente quanto no emprego tático, as bombas nucleares permanecem soberanas como cabeças de guerra dos grandes mísseis balísticos intercontinentais (ICBM), sejam lançados do solo ou das profundezas marítimas.



domingo, 15 de janeiro de 2017

Salto Livre Operacional - Paraquedismo Militar #


A tropa paraquedista, seja ela composta por grandes contingentes como brigadas ou divisões inteiras, ou por pequenos grupos como aqueles praticados pelas forças de operações especiais; tem como característica fundamental de seu envelope de atuação a elevada mobilidade estratégica proporcionada pelas aeronaves que a vetora. Os exércitos do mundo a utilizam nos tempos modernos como sua primeira linha de resposta devido a sua capacidade de mobilização em tempo mínimo e de se deslocar facilmente a grandes distâncias para atender às demandas que exigem pronta resposta, e taticamente para ocupar pontos sensíveis atrás das linhas inimigas até que a tropa convencional e melhor armada pratique uma operação de junção.

O salto livre operacional é uma modalidade de paraquedismo militar praticado por pequenas frações de tropas, e proporciona ao elemento paraquedista uma flexibilidade maior que o salto enganchado. Grandes contingentes saltam na modalidade de salto enganchado, que força a abertura do paraquedas assim que o indivíduo deixa a aeronave, evitando desta forma que o caos e a confusão se instalem em uma operação de grandes proporções, devido a abertura tardia dos velames.

No salto livre a abertura dos velames fica a critério de cada indivíduo, devendo ser praticado apenas por aqueles com adestramento apurado. Podendo ser lançado de grande altitude, de dia ou à noite, e com um nível de furtividade superior, proporciona ao paraquedista que se desloque planando em queda livre por grandes distâncias, visando o pouso em áreas restritas com elevado grau de precisão quando dotado de equipamentos modernos e alheio aos olhares do inimigo.  Permite ainda que a fração de tropa se reorganize no ar em torno de seu líder, desloque-se por médias distâncias ocultos aos radares e pouse em uma área restrita, que pode ser conjugado com outro processo de infiltração, como o mergulho de combate, por exemplo. 

A técnica denominada de HALO (High Altitude Low Opening - lançamento a alta altitude e abertura do velame a baixa) é uma técnica de infiltração praticada por forças de operações especiais que fazem o salto livre operacional atingir sua performance máxima, pois permite que estas tropas cruzem fronteiras em queda livre com possibilidade de detecção mínima, com aeronaves muito altas e longe das áreas de aterragem e abertura dos velames próximos ao solo. Este tipo de saldo é muito perigoso ao seus praticantes, e deve ser executado dentro da técnica que lhe é peculiar, com risco de morte àqueles que o negligenciarem.

No início do século XX acreditava-se que uma queda longa resultaria em uma velocidade elevadíssima, impedindo a respiração e levando a morte. Em 1925 um instrutor do US Army decidiu provar que quando praticada dentro de uma técnica adequada, estas quedas não ofereciam perigo. Saltando de 2.300 metros, ele atingiu a velocidade terminal após 12 segundos. A medida que a gravidade acelera o corpo do paraquedista em queda livre, a resistência do ar aumenta geometricamente com a velocidade que se estabiliza a cerca de 200 km/h e se mantem. Quanto mais alta a altitude, maior o tempo que se leva para atingir a velocidade terminal, e maior será esta velocidade que poderá se reduzir a medida que se atinge camadas mais densas de atmosfera.

Na técnica HALO  os paraquedistas enfrentam altitudes comparáveis àquelas praticadas pelos alpinistas de elite. Grandes altitudes, da ordem de 9 km apresentam características singulares como temperaturas de -40 graus Celcius e ar extremamente rarefeito, o que exige do indivíduo equipamento capaz de suportar os rigores do salto. Equipamento inadequado pode causar hipoxia, enrijecimento de extremidades e hipotermia, além de danos ao corpo e ao equipamento pelo choque com o granizo. Somente indivíduos bem adestrados e experientes estão autorizados a praticá-lo, pois exige grande nível de especialização. Saltos acima de 10.700 metros de altitude são considerados não viáveis por equipes que devem estar prontas para o combate.

Além dos conhecimentos de paraquedismo, os praticantes de salto livre operacional deverão ter capacidade de navegação a longas distâncias, equipamento adequados às condições de baixa temperatura e hipoxia e outros fenômenos meteorológicos, como o granizo que poderá danificar equipamento de má qualidade.