"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Manobrando Ofensivamente #


A ocupação de uma posição de combate, seja por uma pequena fração ou uma força de maior porte, deve se pautar pela técnica e boa doutrina militar. Seja de cunho ofensivo ou não, a doutrina moderna prega a agressividade tática como premissa fundamental para o sucesso, onde a inciativa do combate deve ser uma constante, mesmo quando o objetivo for a defesa e não a conquista de posições dominadas pelo inimigo. 

Quem toma a iniciativa do combate escolhe onde e quando vai combater, com que meios e artimanhas. Somente a ofensiva leva a resultados decisivos, sendo a guerra moderna pautada pela máxima do "choque e poder". Manter a liberdade de ação é condição "sine qua non" para o pleno exercício da tática e premissa importante para que se possa implementar o planejamento feito.

Um fundamento tático importante é o do permanente contato com o inimigo, pois na guerra não existe período de férias, e manter o oponente ocupado evita que tome iniciativas e implemente ações surpresa. O principal dividendo tático deste contato constante é saber o que o inimigo está fazendo, que movimentos realiza e como seu dispositivo vai se arranjando no terreno, além de não deixar passar desapercebido seus meios de combate. Esta vigilância "de atrito" permite testar a próprias forças e as do oponente, testando e identificando deficiências que possam servir de oportunidades táticas, que devem ser aproveitadas de pronto. Patrulhas de reconhecimento e ações de reconhecimento em força são instrumentos adequados a manutenção do contato e da consciência tática. 

A exploração das deficiências do inimigo, que devem ser constantemente buscadas, permite que através de manobras de flanco e desbordamento de pontos fortes se chegue a resultados decisivos com o menor esforço e dispêndio de meios de combate, que podem ser limitados. A neutralização de postos de comando e a interrupção de linhas de comunicação entre forças combatentes e tropas de apoio logístico trazem grande ganho operacional.



Outro fundamento tático importante ao se ocupar uma posição de combate é o domínio de seus pontos capitais, como vias de acesso e posições de observação, aqueles que potencializem a segurança e impeçam as vistas, permitam instalar posições de fogo e campos de tiro vantajosos, além é claro daquelas que contribuem de forma mais decisiva para que a manobra possa fluir com maior eficácia. Ao ocupar o terreno o comandante dirige sua manobra a fim de preservar o domínio sobre estas posições chaves.

Ao manobrar, o comandante deve também buscar a neutralização da capacidade de reação do inimigo através de debilitação de seus meios multiplicadores do poder de combate, como o bombardeio prévio de depósitos de munição e combustível, destruição de equipamento importante e a implementação de imobilidade tática do oponente com a negação de pontes e pontos de passagem obrigatória. Deve-se ainda "martelar" o moral inimigo privando-lhe de reabastecimento e sono, frustando suas comunicações com guerra eletrônica e lançando sobre ele toda a sorte de ações de guerra psicológica que se façam adequadas.

A manobra deve ser constante e a imobilidade reservada ao inimigo. A progressão deve ser coberta pelo fogo, cabendo a artilharia fazer a ponta de lança à impulsão da arma-base. Ataques devem ser avassaladores e implementados com força superior, evitando-se ações cujo desfecho possa ser duvidoso. A moderna doutrina reza que a arma-base manobra a fim de consolidar o "estrago" feito pela artilharia, arma que assume vital importância na manobra moderna em apoio àquela que cerra sobre o inimigo, evitando seus pontos fortes e destruindo-o pelo assalto em engajamentos decisivos.

A coordenação de fogos, priorizando as ameaças mais importantes, deve mostrar o seu valor. A artilharia deve atuar de forma violenta e constante procurando em um primeiro momento uma intensiva campanha de contrabateria a fim de reduzir a real ameaça da artilharia inimiga. A superioridade de fogos permite aos elementos de manobra liberdade de ação e minimização de baixas. Unidades de artilharia bem treinadas atiram com precisão e economia de meios, obtendo eficiência máxima, exigindo ressuprimento adequado e "queimando" grande quantidade de munição.


A impulsão do avanço deve ser mantida o quanto possível e não deve arrefecer enquanto os objetivos imediatos não forem conquistados, e uma vez conquistados devem ser consolidados de forma agressiva e imediata. O comandante deve se lançar em combate de forma a obter resultados certos e no menor tempo possível, evitando longos combates de desgaste e perdas pesadas. Ações que não permitam cumprir um plano inicial em sua íntegra devem ser replanejadas, e unidades que estejam avançando com mais facilidade não devem se deter para alinhar com unidades mais lentas, aproveitando seu êxito para conquistar o máximo de terreno, sem no entanto expor seus flancos de forma perigosa. Unidades mais lentas devem procurar garantir os flancos daquelas mais avançadas. Posições inimigas mais "duras" devem ser ultrapassadas e quando a situação tática impor um redução de ritmo, como por exemplo a saturação da estrutura logística, os pontos capitais devem ser consolidados e o contato mantido com reconhecimentos agressivos.

O poder de combate superior deve ser reservado aos centros de gravidade táticos, normalmente melhor defendidos e coração das áreas de operações. Nesta fase se combate como a milênios, fixando-se o inimigo proporcionando-lhe desgaste, manobrando-se pelos flancos a procura e brechas e no momento adequado cerrando-se sobre ele e provocando sua derrocada. Ao se apresentarem sinais nítidos de debilidade do inimigo, as forças em manobra implementam movimentos de perseguição e aproveitamento do êxito. Linhas de ação menos promissoras devem ser aliviadas em proveito das mais promissoras, reservas colocadas em ação sejam no reforço ao avanço ou consolidação de pontos capitais.

As unidades são responsáveis por sua própria segurança e pelas outras unidades que lhes forem designadas. O escalão superior deve asseguram a segurança relativa de todas e desdobra-las de forma a que assegurem segurança mútua. Estejam estacionadas, em marcha ou engajadas, preservar a segurança de uma unidade é preservar seu poder de combate. 


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Emprego Tático do Carro de Combate #



O carro de combate é a essência da cavalaria moderna, termo este que não deriva da palavra “cavalo” como muitos pensam, e sim da capacidade de uma tropa combater em condições de superioridade, como o faziam aqueles que entravam em combate montados, seja em cavalos, camelos ou elefantes.

O combatente de cavalaria nos tempos passados combatia contra a infantaria a pé valendo-se de sua posição mais elevada ou em superioridade de altura, de onde fica mais fácil desferir um golpe de cima para baixo,  e utilizando a velocidade do animal para potencializar o choque contra aqueles, seja de suas lâminas ou do próprio corpo de sua montaria.

A cavalaria tem na mobilidade e velocidade seus grandes trunfos, de onde seus integrantes podem explorar a iniciativa do combate. Seu poder de manobra, devido a suas características intrínsecas, lhe permite imprimir flexibilidade ao combate ao reconfigurar rapidamente a disposição espacial da tropa no terreno, sempre buscando em tempo mínimo através de manobras de flanqueamento, atingir o inimigo em seus pontos mais vulneráveis, penetrando seu dispositivo e desorganizando sua composição tática.

Uma tropa de cavalaria pode, por exemplo, isolar uma frente de combate de sua cauda logística com a conseqüente degradação de seu poder combativo, manobra que exige velocidade de penetração antes que a chegada de reforços à inviabilize, e deslocamento a fim de encontrar o melhor ponto de inserção. Uma composição tática baseada no carro de combate pode solucionar uma situação de impasse, ou bater de frente com outra força de poderio semelhante em batalhas de ruptura, devido a sua capacidade de absorção de atrito e poder de fogo potente.

Os carros de combate são empregados de forma concentrada seguindo o princípio militar da massa em ações de grande vulto, ou em ações mais “suaves” em apoio ao avanço da infantaria em formações menos emassadas, desembaraçando pontos fortes. Outro uso freqüente das unidades de carros de combate é serem mantidas em reserva a fim de explorarem situações que se configurem, de forma a estarem incólumes quando o momento surgir.



Já amplamente citada, a tríade que caracteriza um carro de combate são a mobilidade, a proteção blindada e o poder de fogo.

A mobilidade consiste na capacidade de movimentar-se de forma ágil, seja para cobrir distâncias em tempos mínimos ou manobrar em terrenos menores, sejam eles difíceis ou não, a fim de evitar o fogo inimigo ou buscar o melhor posicionamento para disparar. Terrenos que tendem a imobilizar outros veículos, devem ser transpostos pelas lagartas dos blindados, e fazê-lo de forma ágil a fim de não dar tempo ao inimigo de reorganizar-se. Engajar e desengajar de combate com facilidade, fazendo uso do elemento surpresa e provocando o estresse da resistência inimiga. A mobilidade é potencializada quando apoiada pela engenharia de combate, com suas pontes de campanha e obras que visam “amaciar” obstáculos existentes, naturais ou instalados.

A couraça de um carro de combate permite absorver o fogo inimigo e conseqüentemente sobreviver em um ambiente altamente hostil, onde petardos explosivos e penetradores de couraça são amplamente empregados, para poder manobrar e atirar novamente. E por fim, depois de alcançar o inimigo ou fugir temporariamente dele e sobreviver ao seus disparos, o poder de fogo lhes confere a capacidade de fazer fogo com velocidade, precisão e projéteis capazes de causar o efeito desejado.

A potência de fogo demanda que estes veículo possuam armas de grosso e leve calibre, com munição adequada para a neutralização de alvos de diversas naturezas, bem como ser capaz de estocar internamente uma grande quantidade desta munição. O uso de carros de combate em conjunto proporciona ao grupo utilizar esse poder de fogo para proteção de seus flancos ao mesmo tempo em que manobram em ação ofensiva. 

A combinação bem empregada da manobra com o poder de fogo resulta na ação de choque, que provoca no inimigo estresse imediato em seu dispositivo e procura criar brechas por onde as colunas blindadas podem penetrar e permear sua organização no terreno. Os veículos devem agir em conjunto, na forma de unidades concisas, reunindo alto poder de fogo e impacto para sobrepujar o inimigo, de preferência utilizando-se do elemento surpresa. 

Operar estes poderosos sistemas de campo demanda sistemas de comunicação amplos e flexíveis, interligado em redes NCW nos tempos modernos, que permitem eficazes ligações de comando e controle. Os carros de combate devem possuir uma variedade de sistemas de comunicação, tanto internos quanto externos. Internamente, o ambiente barulhento e restrito dos veículos durante o combate impede que seus tripulantes possam se comunicar de forma clara utilizando apenas a voz; de forma que intercomunicadores são necessários para que haja clareza e harmonia nas comunicações entre a tripulação. Externamente, devido ao fato de que os carros de combate devem agir em grupos e também estar em constante contato com o comando na retaguarda, devem contar com equipamentos de rádio de alta capacidade.

Antes de fazer contato com o inimigo, os carros de combate são empregados à frente do dispositivo para proporcionar segurança ao grosso da tropa. Durante uma ação, realizarão manobras desbordantes e de envolvimento para dispersar e destruir contingentes inimigos separadamente. Se a manobra não for possível, deverão realizar a ruptura da posição inimiga por ação de choque e, quando esta for desbaratada, devem perseguir o inimigo e destruí-lo. Num cenário defensivo, os carros de combate atuam como reserva móvel apta a agir prontamente para conter avanços inimigos em qualquer setor do dispositivo, com vistas a sustar seu ímpeto de ataque.

Sendo assim, para cumprir as missões básicas da arma, os carros de combate podem realizar reconhecimento e vigilância de vastas áreas, realizar segurança cobrindo ou protegendo as demais forças terrestres, e engajar-se em combate, seja de natureza ofensiva ou defensiva.



O Reconhecimento de Combate

Operações militares exigem dos comandantes a utilização racional dos recursos disponíveis, a fim de poupar forças e infligir o maior dano possível ao inimigo. Esta administração tática  depende da coleta de informações de combate sobre as forças inimigas e a situação geral: Ações de reconhecimento armado visam levantar estas informações sobre o inimigo como seu efetivo, capacidades, posições e outras.

Embora frequentemente realizada pela cavalaria ligeira, mecanizada, missões de reconhecimento podem também ser realizadas por carros de combate caso o comandante assim o deseje. Essas missões têm por objetivo obter informações do inimigo e/ou da área de operações, e afetam diretamente a formulação de planos de ação.

O reconhecimento pode ser dividido em três categorias: eixo, zona e área. O reconhecimento de eixo visa à obtenção de informações sobre um determinado eixo (ex: estrada ou via de aproximação) e terrenos a ele adjacentes; o reconhecimento de zona prescreve a busca de dados sobre uma zona de operações ao longo de uma faixa de terreno; e o reconhecimento de área tem por objetivo coletar dados sobre o inimigo e o terreno dentro de um perímetro específico.

Ao contrário das missões de segurança, no reconhecimento os carros de combate devem preservar plenamente suas capacidades de manobra, orientando-se pelas posições inimigas, construções e acidentes de terreno, com o objetivo de conseguir a melhor visão e obter a maior quantidade de dados sobre as forças contrárias. Todos os dados coletados devem ser, o mais rápido possível, transmitidos aos escalões superiores para averiguação e processamento. Embora o contato com o inimigo deva ser estabelecido o quanto antes – e nunca rompido voluntariamente sem a devida autorização do comando superior – os carros de combate devem evitar o engajamento definitivo com o inimigo em missões de reconhecimento.

Os dados coletados pelos elementos atuantes numa missão de reconhecimento são prontamente utilizados pelo comandante para tomar decisões de suma importância, como a pertinência de realizar um ataque direto ou desbordar a força inimiga.



Segurança do Dispositivo

Um dispositivo de combate deve sempre preservar-se da provocação, observação e ataques-surpresa do inimigo, e para tanto deve detectar ameaças com antecipação e manobrar com rapidez para evitar armadilhas. Garantir essa capacidade é função das forças de segurança, geralmente compostas por carros de combate. Tais forças devem ser suficientemente fortes e apropriadas para garantir o tempo adequado de reação ao grosso da tropa segurada, reagindo ao inimigo de forma rápida e agressiva quando este é detectado em ação ofensiva.

As ações de segurança podem se enquadrar em três categorias, dependendo do objetivo e posicionamento de seus elementos: 

  • Cobertura: os elementos de segurança se posicionam de forma espalhada e distante da força protegida, sempre com face para o inimigo, de forma a interceptá-lo em seu curso e retardar seu avanço.
  • Proteção: os elementos de segurança se posicionam das extremidades imediatas da força protegida, seja por flanco, frente ou retaguarda, com o objetivo de proteger a força do fogo direto do inimigo fazendo uso de sua pesada blindagem protetora. É importante que uma força de proteção opere dentro do alcance de fogos da força protegida, para que ambas possam, em conjunto, maximizar a potência de fogo de reação.
  • Vigilância: os elementos de segurança montam uma série de postos de observação pela área de operações, procurando detectar a presença do inimigo tão logo ele se aproxime do perímetro.

Forças de segurança devem proporcionar alerta sobre localização e movimentos do inimigo que possam constituir ameaça ao seu dispositivo, garantindo alerta antecipado para que a força protegida possa manobrar. Seu deslocamento sempre obedece ao deslocamento da força protegida, e a segurança realiza reconhecimento contínuo e agressivo, mantendo contato com o inimigo até que o mesmo não mais constitua uma ameaça.



Operações Ofensivas

As operações ofensivas são as que mais tiram proveito do potencial dos carros de combate, valendo-se de sua blindagem, velocidade e poder de fogo. São operações que têm por objetivo o confronto e a destruição das forças inimigas, de forma parcial ou definitiva. Antes do ataque principal, uma força blindada pode realizar um reconhecimento em força, isto é, realizar uma operação de objetivo limitado com um contingente considerável, para entrar em contato com o inimigo e revelar e medir suas possibilidades. Geralmente num reconhecimento em força os carros de combates são auxiliados pela engenharia, artilharia e recebem apoio aéreo.

A ação de ataque, que visa destruir e neutralizar o inimigo, pode ser de oportunidade ou coordenada. Num ataque de oportunidade, os carros de combate se pautam pela rapidez de suas ações buscando sempre preservar a iniciativa, mirando um ponto vulnerável do dispositivo inimigo e realizando manobras de desbordamento e fixação do oponente. Já num ataque coordenado – geralmente executado contra posições defensivas inimigas – todas as forças, em conjunto com os carros de combate, são combinadas para cerrar de forma poderosa sobre o inimigo. Este tipo de ataque demanda grande planejamento e capacidade de coordenação de meios.

Após realizarem uma bem-sucedida ação de ataque – seja ela por desbordamento ou ataque frontal – os carros de combate devem prosseguir para o aproveitamento do êxito. Esta fase caracteriza-se pelo aproveitamento da incapacidade do inimigo em manter suas posições, quando a força atacante deve então enviar reforços para anular a defesa do oponente bem como sua capacidade de realizar uma retirada organizada. Um dos objetivos do aproveitamento do êxito é cortar as vias de fuga e desorganizar suas instalações de comando e controle. Por fim, os carros de combate devem realizar a perseguição ao inimigo batido. Nesta última fase das ações de ataque, deve-se cercar e destruir a formação inimiga em fuga. Completa-se a destruição da força oponente sem se preocupar com objetivos no terreno: apenas a força inimiga em si é o objetivo. Pressão deve ser mantida até a rendição ou destruição completa do adversário.



Operações Defensivas

Carros de combate estão aptos a realizar missões de defesa tanto em posição quanto em movimento. Essas missões visam proteger a força principal de ataques inimigos numa situação de desvantagem tática. Numa defesa de posição, os carros de combate passam a integrar forças de segurança em defesa avançada ou na reserva, para agir de forma decisiva quando o comando necessitar de sua atuação.

Já na defesa móvel, os carros de combate participam da defesa avançada e das forças de proteção, além da reserva. Geralmente as operações de defesa envolvem movimentos retrógrados, ou recuos. Os carros de combate são bastante adequados à realização dessas funções, pois são capazes de retardar o inimigo com seu poder de fogo combinado com mobilidade, permitindo tempo e espaço de fuga para a força principal. Esses movimentos são escalonados e possuem três classificações.

Inicialmente existe a ação retardadora, na qual os carros de combate trocam espaço por tempo, procurando atrasar o inimigo ao máximo através de ações descentralizadas em posições sucessivas e/ou alternadas. Nesse tipo de ação, a manobrabilidade do carro de combate torna-se um fator de sucesso essencial, pois visa saturar a capacidade de ataque inimiga, mantendo-o em constante contato enquanto permite a fuga da força protegida. Embora faça uso de ações descentralizadas, é necessária uma coordenação central desses esforços.

Em seguida à ação retardadora acontece o retraimento, que é o momento em que o grosso da força rompe contato com o inimigo. Apesar disso os carros de combate nas forças de defesa continuam a manter o contato com o inimigo para proporcionar segurança e dissimulação.


Por fim, as operações defensivas resultam na retirada. Essa fase se caracteriza pelo recuo da força principal através de um planejamento bem definido, objetivando evitar um combate decisivo nas circunstâncias postas. A retirada acontece quando as forças principais e de segurança conseguem desengajar-se com sucesso do inimigo e prosseguem para uma área segura, buscando resguardar-se para futuras operações de combate em condições mais favoráveis.


terça-feira, 22 de agosto de 2017

Conhecendo o Navio (1) #


Marinha do Brasil

Quem entrar a bordo verá que o navio, além do nome, tem uma série de documentos e dimensões que o caracterizam. O nome é gravado usualmente na proa, em ambos os bordos, local chamado de bochecha, e na popa. Nos navios de guerra, usualmente, é gravado só na popa. Os navios mercantes levam, também, na popa, sob o nome, a denominação do porto de registro.

Os documentos característicos do navio mercante são, entre outros, seu registro (Provisão do Registro fornecida pelo Tribunal Marítimo); apólice de seguro obrigatório; diário de navegação; certificado de arqueação; cartão de tripulação de segurança; termos de vistoria (anual e de renovação ou certificado de segurança da navegação); certificado de segurança de equipamento; certificado de borda livre; certificado de compensação de agulhas e curva de desvio; certificado de calibração de radiogoniômetro com tabela de correção; certificado de segurança rádio; e certificado de segurança de construção.

A cor é muito importante. Antigamente, os navios eram pintados na cor preta. O costume vinha dos fenícios, que tinham facilidade em conseguir betume, e com ele pintavam os costados de seus navios. A pintura era usada, às vezes, com faixas brancas, nas linhas de bordada dos canhões. Somente no fim do século XIX, os navios de guerra abandonaram o preto pelo cinza ou azul acinzentado, cores que procuravam confundir-se com o horizonte ou com o mar das zonas em que navegavam. Entretanto, muitos navios mercantes continuam até os dias de hoje a usar, no costado, a cor preta, principalmente por questão de economia. Era comum, também, navios de guerra pintados por dentro, junto à borda, com a cor vermelha, a fim de que não causasse muita impressão a sangueira durante o combate, confundida, assim, com as anteparas.

Normalmente, as cores da chaminé, nos navios mercantes, possuem a caracterização da companhia de navegação a que pertencem.



Nas embarcações salva-vidas e nas boias salva-vidas, predomina a preocupação com a visibilidade. Essas embarcações são pintadas, normalmente, de laranja ou amarelo, de modo a serem facilmente vistas. Por esse mesmo motivo, e por convenção internacional, para caracterizar a utilização pacífica e não de guerra dos navios (cor cinza), na Antártica é utilizado o vermelho, inclusive nos costados dos navios por seu contraste com o branco do gelo.

A bandeira, na popa, identifica a nacionalidade do navio, país que sobre ele tem soberania; mas, há uma bandeira, na proa, chamada jeque (do inglês "jack") que identifica, dentro de cada nação soberana, quem tem a responsabilidade sobre o navio. Na nossa Marinha, o jeque é uma bandeira com vinte e uma estrelas - a bandeira do cruzeiro. Os navios mercantes usam no jeque a bandeira da companhia a que pertencem; porém, alguns usam a bandeira identificadora de sua companhia na mastreação.

A medida longitudinal do navio é chamada comprimento; e a sua medida transversal, é chamada boca. O calado é a medida da altura, desde a quilha até a superfície da água, quando o navio está flutuando. O pontal ou pontal moldado é a medida vertical entre o convés principal (vau do convés) e a quilha (base moldada). Existem peculiaridades em tomo dessas medidas, as quais não serão abordadas nesta publicação, por serem de caráter eminentemente técnico.

Deslocamento é a medida do peso do volume de água que o navio desloca, quando flutuando em águas tranquilas. Esse valor é o peso do navio. Os navios de guerra têm o seu tamanho avaliado pelo deslocamento, enquanto os navios mercantes são medidos pela capacidade de carregar mercadorias – a tonelagem, pois o que mais interessa são as características comerciais. A tonelagem é uma medida de volume e não de peso. A origem do nome vem de antigamente: os navios eram medidos por sua capacidade em carregar tonéis-padrão. Era a tonelagem, de tonéis.

O volume tem utilização comercial. A tonelagem bruta é o volume total do navio e de todos os seus compartimentos fechados. A tonelagem líquida é o volume que constitui a real capacidade comercial do navio. Ela é medida pela tonelagem bruta da qual se deduzem certos espaços não comerciáveis (praça de máquinas, espaços da tripulação, etc). Cada navio tem uma tonelagem oficialmente registrada, que define seu tamanho, e que é utilizada, também, para o cálculo de taxas e impostos. Em geral, essa tonelagem é a líquida, que recebe, então, o nome de tonelagem de registro. Como as formas dos navios são arqueadas, a medida dos volumes internos do navio era difícil de calcular, exigindo o emprego de artifícios especiais para obtê-la; daí o nome arqueação utilizado para designar o cálculo do volume interno dos navios.

Como já vimos, o termo tonelagem nada tem a ver com tonelada, peso. Hoje, é usado para medir a tonelagem, por se tratar de medida de volume, a arqueação, que é o volume de 100 pés cúbicos, ou seja 2,83 metros cúbicos. Diz-se, por exemplo, que o navio "x" tem 2000 de arqueação bruta(ou AB 2000).

Existe, todavia, vantagem em medir a capacidade comercial dos navios, também, pelo peso que ele é capaz de transportar, o que dá uma idéia de tamanho. Esse peso é usualmente denominado pela expressão inglesa "dead weight": - um navio de tantas toneladas "dead weight".

O deslocamento "dead weight" é a diferença entre o deslocamento máximo e o mínimo: a diferença entre o navio pronto para o serviço com o combustível, a aguada, a tripulação, os materiais de consumo e a carga paga, e o navio pronto para o serviço, mas sem combustível, sem aguada, sem materiais de consumo, sem carga e sem tripulação. Conclui-se que o deslocamento de combustível, de aguada, dos materiais de consumo, da tripulação e da carga paga, reflete-se na capacidade de carregamento total - a carga bruta.

A carga paga é, portanto, uma parcela da carga bruta. Se variarmos as parcelas de carga bruta, de acordo com as necessidades da viagem a empreender, é possível obter maior parcela de carga paga e daí melhor aproveitamento da capacidade comercial do navio.



A propulsão é outra característica importante do navio. Ela é obtida por hélice (s) - o hélice do navio, tradicionalmente, na Marinha, é no masculino - que é movimentado a motor diesel ou elétrico, a máquina alternativa, a turbina a vapor ou a gás. Para efeito de regulamentos internacionais, um navio movido a hélice ou, mais raramente, a rodas, é uma navio a propulsão mecânica.



Os navios ditos nucleares continuam sendo impulsionados pêlos mesmos hélices. Nuclear é somente a energia utilizada na produção de vapor para as turbinas que os movem; o combustível é que é nuclear. Os navios a motor diesel ou os navios a vapor, convencionais, utilizam energia obtida de combustíveis comuns: óleo diesel ou óleo combustível para caldeira ("bunker") ou uma mistura de diesel e óleo "bunker" (o "Navy Special"). As turbinas a gás utilizam combustível diesel de tipos mais leves (conhecidos como Mar-C, JP-5, etc).

Os navios a vela não são considerados de propulsão mecânica. Antigamente, da mesma forma que hoje se diz um navio "a motor ou turbina", dizia-se que um navio era "armado em galera" ("full rigged ship"), "em barca" ("bark"), "em brigue" ("brigg") ou "em escuna" ("scoon"), o que lhe caracterizava a propulsão, relacionada, assim, com a sua capacidade de utilizar o vento.

As características de combate tinham natureza e os tipos mais comuns eram: naus (navios de batalha), navios de linha (navios de linha de combate); fragatas ("frigates"); e corvetas ("courvetes"). Essa classificação tinha a ver com o número de cobertas, isto é, conveses de canhões.

Historicamente, a velocidade não tem evoluído muito, a não ser para os submarinos que, hoje, podem desenvolver cerca de quarenta nós. Os demais navios não suportam, por muito tempo, velocidades altas. Há contratorpedeiros (CT), fragatas, corvetas e navios patrulha que desenvolvem, durante um bom período, velocidades de até trinta e seis nós. Vinte e cinco nós, para muitos navios, e dezoito a quinze, para a maioria, são velocidades usuais, de cruzeiro, em navios mercantes e navios de guerra. Historicamente, não é um grande passo. Os navios a vela, particularmente os "clippers", atingiam quinze e, às vezes, dezessete nós. A desvantagem é que dependiam da intensidade e da direção do vento. Os de propulsão mecânica, à época, eram mais regulares, embora mais lentos, alcançando cerca de dez nós. Comercialmente, foi a regularidade e não a velocidade que superou os "clippers", definitivamente, e, com eles, os navios a vela. Hoje, alguns tipos de embarcações com construção e propulsão especiais têm obtido velocidades expressivas, porém, operam com restrição no raio de ação e relativamente às condições de mar. É o caso dos "hovercrafts", que se utilizam de sistema de "sustentação" ou "colchão de ar", e os que se utilizam de hidrofólios e aqua-turbo propulsores.


A velocidade é medida em milhas náuticas por hora, a milha náutica equivale ao comprimento do arco de um minuto de latitude. Com o achatamento da Terra, esse comprimento varia do Equador para os Pólos e é usado, então, como o valor padrão 1.852,4m, no sistema métrico, ou 2027 jardas, no sistema inglês, que é a medida de um minuto de latitude, na latitude de 48 graus. A velocidade de uma milha náutica por hora é um nó. A palavra nó vem da forma antiga de medir-se a velocidade, o andamento dos navios. Primitivamente, jogava-se um pedaço de madeira à água, na proa e media-se com uma ampulheta o tempo que o navio levava para que tal pedaço passasse pela popa. Com o comprimento do navio e o tempo tinha-se a velocidade. Ainda hoje, em inglês, a palavra "log" (pedaço de madeira) significa odômetro - instrumento usado para medir a velocidade do navio. Com o correr do tempo, passou-se a medir a velocidade do navio de melhor forma. Jogava-se à água, pela popa, uma barquinha, uma espécie de triângulo de madeira, com um dos lados mais pesado, que, portanto, flutuava com um ângulo para cima. O artefato era preso a um cordel, um cabo fino, cuja outra extremidade segurava-se a bordo. Uma vez lançado à água, flutuando, e com o navio afastando-se da barquinha, quem segurava o cordel ia largando o cabo e, em sincronia, contava o tempo em uma ampulheta (estando já calculada a quantidade total de areia para um tempo conhecido). O cordel era cheio de nós, colocados de forma a que, combinado com o tempo decorrido para esvaziar a ampulheta, desse a velocidade em milhas por hora. Assim, bastava ao operador lançar a barquinha à água, virar a ampulheta e largar o cordel, deixando passar os nós e contá-los até que a ampulheta ficasse com a ampola superior vazia. O total de nós dava a velocidade.



sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Mísseis Superfície-Ar (SAMs) #



Os mísseis superfície-ar (SAM – surface-to-air-missile) são um sistema de armas destinado a destruir aeronaves e outros alvos “voadores”, a partir de lançamentos feitos da superfície, seja de bases em terra, veículos, reparos móveis, do ombro de seus operadores ou a bordo de navios de guerra. Eles dominam, na maior parte dos exércitos o papel de defesa antiaérea, sendo complementados pelo armamento de tubo que hoje já desempenham papel secundário de defesa de ponto.

Os primeiros projetos começaram seu desenvolvimento durante a Segunda Guerra Mundial, porém sem ter neste conflito seu emprego efetivo, sendo que foi a década de 1950 que viu nascer os primeiros sistemas operacionais, protagonizado por armas de grande porte. Estes anos ainda não permitiam o emprego de sistemas diretores compactos, o que inviabilizava os sistemas menores existentes na atualidade. Em paralelo aos terrestres, os sistemas navais seguiram os mesmos passos. Os primeiros sistemas SAM operacionais foram o norte-americano Nike Ajax (1954) e o Berkut S-25 (SA-1 Guild) soviético (1955).





Os “Flaks” alemães abateram os bombardeiros americanos B-17 Flying Fortress à média de 2.805 disparos para cada aeronave, um número considerado insuficiente pelos defensores. Esta baixa média levou aos primeiros estudos para desenvolvimento de projéteis de tecnologia de autopropulsão para abater alvos voadores. A baixa eficiência das armas de tubo também se deu aos claramente débeis sistemas de pontaria usados, baseados no olho humano. O B-29 Superfortress chegou tarde demais para ser empregado na Europa, porém contra eles os lançadores alemães seriam inúteis, devido a sua altitude de operação, cerca de 9.700 metros no seu teto máximo. Sistemas de tubo (7.600 metros para os Flaks 88 mm alemães) para serem minimamente efetivos nestas novas altitudes seriam excessivamente onerosos com conseqüente cadência de tiro menor.



Em 1941 foi solicitado a Werner Von Braun o estudo de um projétil para atingir até 18.000 metros. Braun sugeriu um projétil foguete tripulado, que não despertou interesse na Luftwaffe e atrasou desenvolvimentos poteciais por dois anos. A base de Peenemunde  produziu a partir de 1940, os foguetes Feuerlilie, Wasserfall e Henschel Hs 117, sem que nenhum deles experimentasse um desenvolvimento real até 1943, quando começaram os bombardeios aliados. Novos projetos como o Enzian, Rheintocher e Taifun (não guiado) foram aparecendo a medida que a situação começou a se deteriorar.

Os projetos Feuerlilie, Schmetterling e Enzian seriam impulsionados até o nível dos bombardeiros e voariam de encontro a eles à baixas velocidades como aeronaves. Um segundo grupo incluindo os projetos Wasserfall e Rheintocher eram de alta velocidade (supersônicos) que procuravam seus alvos de baixo para cima. Ambos obedeciam comandos de rádio orientados pelo olho humano ou comparando retornos em uma tela de radar. Estes sistemas experimentaram empenhos simultâneos e não chegaram a condição operacional em tempo, ademais disputas internas entre militares antagônicos contribuíram para o atraso destes desenvolvimentos. Os britânicos desenvolveram os “Z Battery”, que eram foguetes não orientados, mas devido a contarem com a superioridade aérea sobre seu território, estes sistemas não eram tão importantes.


Com o afundamento de navios aliados em 1943 por bombas Henschel Hs 293 e mísseis Fritz X, o interesse dos aliados pelos SAMs mudou. Com a liberação “stand-off” destas armas, fora do alcance das AAé dos navios, além do pequeno tamanho destes projéteis e a conseqüente dificuldade de interceptá-los a luz vermelha acendeu. A US Navy lançou um programa para desenvolver um projétil movido a ramjet para atingir 16 km a uma altitude de até 9 km operacional depois de 16 anos de desenvolvimento, como RIM-8 Talos. Os ataques “kamikaze” incentivaram os britânicos Fairey Stooge e Brakemine.

O pós-guerra assistiu o desenvolvimento de projetos SAM em todo o mundo. O US Army iniciou em 1944 o projeto Nike, resultando no Nike Ajax operacional em 1954, e em 1958 uma versão muito modificada com ogiva nuclear chamada Nike Hercules para lidar com formações de bombardeiros. A US Army Air Force lançou projeto Thumper em 1946, que combinado com outro projeto, o Wizard, resultou no dispendioso e pouco confiável CIM-10 Bomarc de mais de 500 km.

Em 1947 a Contraves desenvolveu o Oerlikon RSD58 com guiagem “beam riding” disponível já em 1952, porém com desempenho limitado devido a sua incapacidade de guiar-se ao “ponto futuro” onde o alvo estará. Várias forças o testaram, mas nenhuma venda operacional foi feita.


A URSS também seguiu o mesmo rumo e em 1951 iniciou o desenvolvimento do S-25 Berkut (SA-1) que entrou em serviço em 1955 depois de um programa apressado, e até 1956 todo o sistema defensivo de Moscou estava operacional. Era um sistema estático, e um sistema semimóvel, menor, surgiu ainda em 1957 com os S-75 Dvina (SA-2) que foi um grande sucesso e permaneceu em operação na Rússia até o ano 2000, além de vários outros países.

Os britânicos iniciaram alguns desenvolvimentos bem sucedidos, mas o fim da guerra diminuiu seu ritmo. O advento da “Guerra Fria” resultou nos sistemas Bristol Bloodhound para a RAF e no English Eletric Thunderbird para o Royal Army, em 1958 e 1959, e em 1961 a Royal Navy botou em serviço o Sea Slug.



A Guerra do Vietnam trouxe os SAMs ao enfrentamento real de aeronaves de alto desempenho, onde os mísseis soviéticos enfrentaram os mais avançados caças e bombardeiros americanos, servindo como um avançado campo de provas para as grandes potências. Cerca de 7.650 SAMs soviéticos foram fornecidos aos norte-vietnamitas, operados por artilheiros locais e técnicos da URSS, com 5.800 lançamentos e 205 aeronaves abatidas. A USAF reagiu com o ataque direto aos sítio SAMs com resultados desanimadores. Foi então que se criaram unidades especializadas “Wild Weasel” com mísseis ARM, novas táticas, coleta de inteligência eletrônica (Elint) e ECM que mudaram radicalmente a situação. O emprego dos B-52 em ambientes saturados de SAMs inicialmente não foi bom, com 3 aeronaves perdidas e várias outras avariadas em uma única missão. O aperfeiçoamento da tática e da tecnologia mudou o cenário, sendo que os defensores usaram quase todo seu estoque de mísseis para atingirem apenas mais 2 B-52 em várias missões, depois que a USAF aprendeu a lição.

Estes sistemas SAMs de primeira geração possuíam mobilidade limitada, devido ao seu tamanho, com tempo de entrada em posição demasiado longo para aqueles não fixos. Devido a ameaça que estes sistemas representaram e sua eficácia demonstrada, os vôos de alta velocidade e altitude passaram a enfrentar um grau de risco altíssimo, obrigando os bombardeiros a voarem abaixo dos horizontes-radar dos sistemas. Projetos como o F-111, TSR-2 e Panavia Tornado surgiram para suprir esta demanda. Com seus alvos voando baixo em curtas e rápidas aparições, os SAMs evoluíram rapidamente na década de 1960 para modelos menores, com conseqüente reflexo em seus níveis de mobilidade. Ao longo desta década a maioria das forças armadas já contavam com projéteis de curto alcance montados em plataformas móveis, blindadas ou não, que podiam acompanhar as forças que protegiam. Dentre os modelos existentes podemos citar o 2K12 Kub (SA-6), o 9K33 Osa (SA-8), o MIM-23 Hawk, O BAC Rapier, o Euromissile (Aerospatiale/MBB) Roland e Thomson CSF Matra Crotale.




O surgimento dos mísseis “Sea Skimming” (antinavio) no final dos anos 1960 e 1970 fez surgir outros projetos de médio e curto alcance visando a defesa antinavio, como o Sea Cat britânico que foi concebido para substituir os Bofors 40 mm nos navios da Royal Navy, tornando-se o primeiro SAM operacional de defesa de ponto. O RIM-7 Sea Sparrow dos EUA também se proliferou rapidamente, entre outros.


A medida que as aeronaves voavam mais baixo e modelos mais compactos tornaram-se possíveis, chegou-se ao ponto de modelos portáteis se tornarem viáveis. Denominados MANPADS, o primeiro modelo foi um sistema da Royal Navy conhecido como Holman Projector, usado como uma arma de último recurso em navios menores. Os alemães também produziram uma arma conhecida domo Fliegerfaust, que não entrou em operação. Estes ainda durante a guerra. O desempenho destas armas não se comparava ao de seus alvos a jato do pós-guerra, e se mostraram pouco efetivos.

A década de 1960 trouxe o FIM-43 Redeye dos EUA, o 9K32 Strela-2 (SA-7) dos soviéticos e o Blowpipe britânico. A miniaturização da eletrônica da década de 1980 produziu o FIM-92 Stinger dos EUA, o 9K34 Strela-3 (SA-14) e o Starstreak britânico, com desempenho drasticamente melhorado. Estes mísseis relegaram a artilharia de tubo a papéis secundários como a defesa de aeródromos e navios, estes especialmente contra mísseis de cruzeiro. Na década de 1990 mesmo este papéis estavam sendo ocupados pelos MANPADS como o General Dynamics (Raytheon) RIM-116. Todos eles valendo-se da guiagem IR que dispensa acompanhamento e sistemas diretores.



Características

Os mísseis SAMs enquadram-se e 3 categorias principais: Sistemas pesados e de longo alcance, geralmente instalados em sítios fixos ou em condições semimóveis; sistemas montados em veículos com alta mobilidade, de médio alcance e capazes de disparar em movimento e acompanhar forças mecanizadas em marcha e sistemas portáteis ou MANPADS.


Os SAMs de longo alcance modernos estão representados nos sistemas MIM-104 Patriot dos EUA e S-300 dos russos, este com alcance bem superior ao primeiro, ambos com boa mobilidade em contraste aos antigos Nike Hercules e S-75. Seus alcances giram na ordem dos 80 km aos 300 km ou mais, notadamente superiores aos seus antecessores principalmente devido aos combustíveis de nova geração e sistemas eletrônicos cada vez menores e mais capazes. O sistema S-400 russo pode alcançar até 400 km. O projeto David’s Sling de Israel veio para substituir no exército judeu o MIM-104 Patriot e MIM-23 Hawk e se propõem a interceptar mísseis balísticos táticos em baixa altitude. É um veículo de vários estágios e combustível sólido e interceptador com características de supermanobrabilidade.

Os engenhos de médio alcance Rapier e 2k12 Kub (SA-6) foi concebidos para serem altamente móveis, prontos para disparo imediato e em movimento, montados em viaturas e capazes de acompanhar composições altamente móveis de blindados. A década de 1990 deu menos importância a esta categoria, onde o foco mudou para a guerra assimétrica e os sistemas MANPADS.

Estes sistemas de mísseis portáteis e lançados do ombro do atirador ou de reparos leves provaram-se em batalha durante a década de 1970.  Possuem alcances da ordem de 3 km e são eficazes contra helicópteros de ataque e aeronaves em vôo baixo. Uma de suas qualidades é forçar aeronaves de asas fixa voarem fora de seu envelope, com conseqüente “downground” em seu desempenho. Alguns sistemas são montados em veículos como o Avenger, preenchendo o nicho anteriormente ocupado pelos sistemas médios.



Os SAMs montados em plataformas navais, além da ameaça aérea, devem contrapor os sistemas antinavio “sea skimming”, e muitos são especialmente concebidos para esta finalidade. São de fácil montagem, tanto em navios grandes como em muito pequenos. Navios altamente especializados na operação de SAMs e na guerra antiaérea como os norte-americanos que operam com o sistema Aegis, como por exemplo a classe Ticonderoga e Arleigh Burke, e a classe russa Kirov que opera o S-300PMU, equipam as marinhas mais poderosas. Alguns navios estão armados com 3 tipos para defesa milticamadas.

Os SAMs utilizam basicamente 2 tipos de sistemas de orientação. O principal deles é a orientação por radar, seja na vigilância e detecção, seja na orientação, sistema este usado na maioria dos mísseis. Alguns usam o controle via rádio e os modelos mais avançados possuem radar orgânico para orientação final. Durante a década de 60 usava-se o radar semi-ativo (SARH), onde o emissor ficava no chão e o equipameto do míssil apenas encarregava-se de receber o sinal refletido e corrigir sua trajetória.

O sistemas MANPADS usam a orientação IR e IIR com os mísseis apenas lançados na direção do alvo. Operam no envelope “dispare e esqueça”, e em contraponto aos sistemas SARH não necessitam de sistemas de acompanhamento. Existem sistemas mistos, mas estes são pouco usados. Alguns sistemas usam uma variação da técnica SARH, com iluminação laser no lugar do radar, sendo pequenos e de reação muito rápida, além de altamente precisos. O sistema mais conhecido de orientação por comando (rádio) é o Rapier, que inicialmente tinha acompanhamento puramente ótico com alta precisão.



Os sistemas SAMs contam ainda com dispositivos IFF para diferenciar alvos inimigos de aeronaves amigas, a exceção dos MANPADS onde o alvo é identificado visualmente e sua existência não é tão importante, sendo que a maioria não os possui.

Os sistemas de longo alcance usam radares para detecção de seus alvos, e em alguns sistemas podem entregar para um radar de rastreamento o endereçamento do SAM até seu destino. Os sistemas de alcance menor tendem a ter detecção visual, podendo também se valer dos radares de vigilância, principalmente os mais recentes. Existem também os sistemas híbridos como o MIM-72 Chaparral disparado oticamente, mas com um radar de alerta antecipado e guiagem final a IR. 



Modelos de Mísseis SAM
  • Segunda Guerra Mundial
    • Enzian - Alemanha
    • Wasserfall - Alemanha
    • Rheintochter - Alemanha
    • Funryu - Japão

Sistemas Modernos

  • África do Sul
    • Umkhonto
    • Marlin
  • Alemanha
    • Roland
    • IDAS
    • LFK NG
  • China
    • TY-90
    • HQ-2
    • HQ-7
    • HQ-61
    • HQ-6
    • HQ-64
    • HQ-16
    • HQ-17
    • FL-3000N
    • KS-1/HQ-12
    • FM-3000
    • Sky Dragon 12
    • Sky Dragon 50
    • DK-10
    • FK-3
    • HQ-9
    • HQ-22
    • HN-5
    • QW-1
    • QW-2
    • QW-3
    • FN-6
    • KS-1 
  • Coréia do Norte
    • KN-06
  • Coréia do Sul
    • Chiron
    • KM-SAM
  • EUA
    • FIM-43 Redeye
    • FIM-92 Stinger
    • MIM-3 Nike Ajax
    • MIM-14 Nike-Hercules
    • CIM-10 BOMARC
    • MIM-14 Nike Hercules
    • MIM-23 Hawk
    • MIM-72 Chaparral
    • MIM-104 Patriot
    • RIM-24 Tartar
    • RIM-2 Terrier
    • RIM-8 Talos
    • RIM-7 Sea Sparrow
    • RIM-50 Typhon
    • RIM-66 Standard (SM-1MR/SM-2MR)
    • RIM-67 Standard (SM-1ER/SM-2ER)
    • RIM-113
    • RIM-116 
    • RIM-161 (SM-3)
    • RIM-162 ESSM
    • RIM-174 Standard ERAM (SM-6)
    • THAAD
  • França
    • Masurca
    • AS-20
    • Roland
    • Crotale
    • Mistral
    • MICA
    • PARS 3 LR
  • Grécia
    • Aris AA
  • Índia
    • Akash
    • Barak 8
    • Maitri
    • Trishul
    • Pradyumna 
    • Ashwin 
    • PDV 
  • Iran
    • Bavar 373
    • Fajr
    • Mehrab
    • Shahin
    • Shalamche
    • Misagh-1
    • Misagh-2
    • Qaem
    • Taer-I
    • Taer-II A, B e S
    • Sayyad-1
    • Sayyad-1A
    • Sayyad-2
    • Sayyad-3
    • Sayyad-4
    • Shahab Thaqeb
    • SM-1
    • Ya Zahra
    • Herz-e-nohom
    • Raad
    • Iraq
    • Al Arq
    • Al Hurriyah
  • Israel
    • Arrow 2
    • Arrow 3
    • Barak 1
    • Barak 8
    • David's Sling
    • Iron Dome
    • SPYDER
  • Itália
    • Aspide
  • Iugoslávia
    • R-25 Vulkan
  • Japão
    • Type 91
    • Type 03 Chu-SAM
    • Type 81 Tan-SAM
    • Type 93 "Closed Arrow" SAM
    • Type 11 Tan-SAM Kai II
  • Noruega
    • NASAMS
    • NASAMS 2
  • Paquistão
    • Anza I, II, III
  • Polônia
    • GROM
  • Reino Unido
    • Thunderbird
    • Blowpipe
    • Bristol Bloodhound
    • English Electric Thunderbird
    • Javelin
    • Rapier
    • Sea Cat
    • Sea Slug
    • Sea Dart
    • Sea Wolf
    • Starstreak/laser
    • Starburst/laser
    • CAMM
  • Romênia
    • CA-94
    • CA-95
  • Rússia
    • 2K11 Krug/SA-4 "Ganef"
    • 2K12 Kub/SA-6 "Gainful"
    • 2K22 Tunguska/SA-19 "Grison"/SA-N-11
    • Kashtan CIWS (naval gun-missile system including SA-19/SA-N-11)
    • 9K33 Osa/SA-8 "Gecko"/SA-N-4
    • 9K31 Strela-1/SA-9 "Gaskin"
    • 9K32 Strela-2, a.k.a. SA-7 Grail
    • 9K34 Strela-3/SA-14 "Gremlin"/SA-N-8
    • 9K38 Igla/SA-16 "Gimlet"/SA-18 "Grouse"/SA-24 "Grinch"/SA-N-10/SA-N-14
    • 9K333 Verba
    • 9K35 Strela-10/SA-13 "Gopher"
    • 9K37 Buk/SA-11 "Gadfly"/SA-17 "Grizzly"/SA-N-7/SA-N-12
    • Pantsir-S1/SA-22 "Greyhound"
    • 9K330 Tor/SA-15 "Gauntlet"/SA-N-9
    • 42S6 Morfey
    • S-25 Berkut/SA-1 "Guild"
    • S-75 Dvina/SA-2 "Guideline"/SA-N-2
    • S-125 Neva/Pechora/SA-3 "Goa"/SA-N-1
    • S-200 Angara/Vega/Dubna/SA-5 "Gammon"
    • S-300/SA-10 "Grumble"/SA-12 "Gladiator/Giant"/SA-20 "Gargoyle"/SA-N-6
    • S-350 (50R6) Vityaz
    • S-400 Triumf/SA-21 "Growler"
    • S-500 55R6M "Triumfator-M."
    • Strela 2/SA-7 "Grail"/SA-N-5
    • M-11 Shtorm/SA-N-3 "Goblet"
  • Suécia
    • RBS-70
    • RBS-23
  • Suíça
    • RSA
    • RSD-58
  • Tailândia
    • DTI-1G
  • Taiwan
    • Antelope
    • Sky Bow
  • Turquia
    • Atilgan PMADS
    • Zipkin PMADS
    • HiSAR
  • Multinationacionais
    • Aster  - França/Itália
    • RIM-116 EUA/Alemanha
    • Roland - França / Alemanha
    • MEADS - EUA/ Alemanha / Itália