sábado, 10 de dezembro de 2016

Veículo de Combate de Infantaria (IFV/APC) #128


Advento do carro de combate a partir da Primeira Guerra Mundial trouxe a solução para o impasse da guerra de trincheiras, criado pelas metralhadoras. Esta nova arma imprimiu maior dinamismo às batalhas permitindo, através de sua proteção blindada que se criassem brechas nos campos de tiro saturados pelo projéteis das armas automáticas. 

O carro de combate veio para ficar, atingindo sua maturidade na Segunda Guerra Mundial e possibilitando a criação da guerra de movimento, denominada pelos alemães de blitzkrieg. Ele agrega couraça, poder de fogo e mobilidade de forma equilibrada, fazendo-o um poderoso instrumento tático. Como todo Golias, estes também não são isentos de vulnerabilidades. As armas anticarro logo começaram a aparecer na forma de fuzis anticarro, rojões e mísseis guiados (ATGMs). A infantaria inimiga logo ganhou condições de fazer frente aos carros de combate e um novo impasse tático passou a existir.

Senhores do campo aberto, os carros de combate (MBTs) passaram a deslocar-se a grandes velocidades alocando o fogo de sua arma principal onde fosse necessário, seja contra outros carros e alvos mais resistentes ou em apoio a infantaria amiga, batendo pontos fortes e facilitando a progressão desta. Porém sua blindagem, um dos grandes trunfos destes veículos, sempre apresentaram o ônus do peso e apesar dos avanços nesta área, um carro que hipoteticamente viesse a contar com proteção blindada total contra tudo o que existe apresentaria um peso que o tornaria inviável, a ainda assim nada impediria que novas contramedidas mais potentes fossem criadas.




Mesmo podendo apresentar uma ameaça devastadora a infantaria inimiga, todos os carros de combate do passado e da atualidade apresentam vulnerabilidade às seções anticarro desta mesma infantaria, contra as quais pouco podem fazer uma vez que estão dispersas e camufladas, e não se pode atingir com eficácia aquilo que não se sabe onde está. A solução encontrada para este impasse tático foi a criação da infantaria de apoio, onde utilizando o conceito de armas combinadas, a infantaria passou a acompanhar os carros principais nos campos de batalha, justamente para lhes proporcionar proteção contra a infantaria anticarro, reduzindo sua vulnerabilidade ante estas ameaças dispersas que o carro de combate principal tem dificuldade de engajar.

Porém necessário se fez conciliar a velocidade de avanço da infantaria com a dos carros de combate, claramente discrepantes. A solução para este problema foi embarcar a infantaria nos chamados táxis de batalha, veículos blindados especialmente concebidos para transportá-la e acompanhar os carros principais. Estes veículos deveriam desenvolver a mesma mobilidade de seus irmãos mais pesados e permitir que a infantaria se apresentasse onde se fizesse necessário para combater, primeiramente desembarcando e numa abordagem mais recente a partir do próprio veículo. A estes veículos denominamos na atualidade de APC (armored personal carrier - VBTP - veículo blindado de transporte de pessoal) e numa evolução deste conceito temos os IFVs (infantry fighting vehicle - VCI - veículo de combate de infantaria), que são APCs capazes de prover apoio ao combate, ou APCs potencializados.

O primeiro IFV produzido em massa foi o Spz 12-3 alemão e serviu o Bundeswehr de 1958 até os anos 80, quando deu lugar ao Marder. Tinha um canhão de 20 mm e levava uma esquadra de 5 infantes. Em 1967 a URSS desfilou o BMP-1 que surpreendeu pelo perfil muito baixo e estava armado com um canhão de 73 mm e mísseis Sagger, transportando um grupo de combate de 8 infantes e mais 3 tripulantes. Sua couraça resistia a impactos de 12,7 mm e parcialmente a 20 mm, dependendo do ângulo de contato. Seu armamento, no entanto era potente contra os APC ocidentais, com notória vantagem.



Os EUA seguiram com o M2 Bradley como seu primeiro IFV, depois de muito tempo usando o APC M113, usado até hoje no mundo inteiro. Surgiram no RU o Warrior e na Alemanha o Marder como já citado. Outros países foram se equipando com modelos próprios, como a África do Sul com o Ratel já em 1971, que foi concebido sobre rodas para avanços rápidos.

Os IFVs são veículos mais potentes que os APCs e capazes de oferecer a infantaria, além de transporte, apoio de fogo e C3I, poís portam canhões automáticos de 20 a 40 mm, mísseis anticarro e eletrônica embarcada que oferecem elevado índice de consciência situacional (o BMP russo surgiu com um canhão de 73 mm). Os APCs geralmente limitam-se ao transporte dos infantes sob a proteção de alguma couraça, e seu armamento orgânico está limitado a armas de autodefesa, principalmente contra aeronaves na forma de metralhadoras pesadas, podendo oferecer seteiras para combate embarcado. As blindagens de ambos são muito inferiores aos dos MBTs que acompanham, basta comparar os pesos de cerca de 30 toneladas nos IFVs mais pesados aos 60-70 toneladas dos MBTs. Podem oferecer ameaças a estes se dotados de ATGMs.


Concebidos para acompanhar os MBTs, ganham importância na atualidade com a intensificação dos conflitos assimétricos e urbanos, cenário ondem dispensam a presença destes. Os IFVs oferecem um bom equilíbrio entre couraça, poder de fogo e mobilidade, principalmente por serem capazes de aeromobilidade em aeronaves não extremamente pesadas, se não houver a exigência de enfrentar MBTs com seu armamento de tubo, claramente insuficiente.


Os IFVs/APCs são montados tanto sobre rodas como sobre lagartas, sendo estes último mais adequados a atuarem com os MBTs como infantaria blindada e os primeiros para comporem tropas mecanizadas, sendo mais leves. As blindagens variam muito e são fator preponderante na determinação do peso do veículo. Os modelos mais leves são capazes de resistir a disparos de infantaria 7,62 mm e alguns 12,7 mm, além de estilhaços de artilharia, podendo também alguns modelos receberem blindagem adicional modular. Os modelos CV-90 sueco e BMP-3 russo são capazes de absorver impactos frontais de 30 mm. A blindagem frontal tende a ser mais resistente, sendo a superior e inferior, além das laterais e traseira mais finas. Modelos mais baixos oferecem menor silhueta e maior facilidade de ocultação, enquanto que projetos mais recentes estão sacrificando a pouca altura em favor de uma maior distância do solo para maior proteção contra IEDs e minas terrestres, principalmente nos modelos sobre rodas. Não é função de um IFV combater MBTs, mas pode fazê-lo de forma limitada se dotados de ATGMs e atuando em apoio aos seus MBTs e em situações extremamente necessárias.


As armaduras modulares dos IFVs mais modernos permitem que ele seja configurado conforme a missão. O finlandês Patria AMV por exemplo, possui módulos de várias espessuras. Este recurso permite uma diminuição do peso, para, por exemplo, valer-se de aeromobilidade. Modelos como o russo BMP-3 contam com sistemas de proteção ativa que o protege de projéteis com velocidades de 700 m/s e os modelo israelenses contarão com contramedidas para munição APFSDS. Estes blindados também podem cruzar muitas pontes que os MBTs não podem, o que lhe garante mobilidade superior e estes.

Outro sistema presente em praticamente todos são dispersadores de fumígenos e alguns modelos contam com Flares para despistar ATGMs IR.

Alguns IFV denominados Heavy Infantry Fighting Vehicle (HIFV) são versões IFV de carros de combate principais (MBTs) e dotados da mesma blindagem, por consequência igualmente pesados. Como exemplo deste carros temos o T-15 Armata russo derivado do T-14 e o Namer baseado no chassi do Merkava IV.

Outra característica presente em muitos IFVs e APCs, principalmente devido ao seu baixo peso é a flutuabilidade que lhe permite capacidade anfíbia em águas interiores. Esta característica é especialmente interessante naqueles veículos que atuam na cavalaria mecanizada, fazendo as pontas de lança de forças maiores e encarregadas de assegurar a outras margem dos rios para que as forças que vem depois possam realizar a travessia dos cursos d'agua através de pontes lançadas pela engenharia de combate de forma segura. A tração sobre rodas dá aos veículos assim equipados a capacidade de deslocamento a grandes distâncias por estradas, enquanto que aqueles sobre lagartas dependem de pranchas ou transporte ferroviário para deslocamentos estratégicos. Já em terrenos muitos difíceis a propulsão a lagarta se faz superior aquela sobre rodas, porém estes sempre são a distâncias mais curtas.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A Evolução Recente da Infantaria *127


baseado no C7-1

A infantaria moderna consolidou seu modo de combate com o advento das últimas tecnologias que surgiram a partir da Primeira Guerra Mundial. As formações rígidas, herdadas das antigas falanges gregas e baseadas no fogo contínuo e nas formações em linha, deram lugar a moderna forma de combate baseadas na combinação de fogo e movimento denominada manobra.

Já nos idos da revolução francesa a infantaria passou a libertar-se das rígidas formações geométricas de outrora e dos intervalos para mudança de formação, adquirindo maior flexibilidade, evolução esta catalizada pelo surgimento do fuzil moderno, carregado pela culatra, com maior alcance e precisão, e maior cadência de tiro. Intervalos entre as formações passaram a existir, batidos pelo fogo de armas mais potentes.

O início do século XX consagrou as novas práticas de combate, lastreadas pelos avanços da revolução industrial, e permitiu a infantaria já dotada dos fuzis em substituição aos ultrapassados mosquetes e arcabuzes e das metralhadoras que passaram a prover volume de fogo ao campo de batalha, firmar-se no seu papel de núcleo e base de qualquer força terrestre.

As primeiras metralhadoras, inicialmente pesadas e entregues a artilharia, foram evoluindo e tornando-se mais leves e práticas, forçando o infante a procurar abrigo junto ao solo. Companhias de armas automáticas foram criadas e a guerra entrou no impasse da guerra de trincheiras, característica da Primeira Grande Guerra.




Apoiada pelas outras armas, a infantaria passa a atuar com o apoio das bocas de fogo da artilharia e com a proteção dos carros de combate da cavalaria, formando com essa um binômio usado com sucesso até os dias atuais, recuperando a impulsão perdida com o advento das metralhadoras. Com maior impulsão surgem os obstáculos artificiais que potencializam os naturais, como os campos minados, o que leva ao surgimento da engenharia de combate como forma de não frear a recém conquistada recuperação da impulsão em combate.

A guerra civil espanhola já faz uso intenso da motorização e a Segunda Guerra Mundial disponibiliza ao infante proteção blindada, permitindo a estes acompanharem os carros de combate, proporcionando-os proteção contra a infantaria inimiga, desembarcando quando já bem próximos desta. Os tempos contemporâneos também trouxeram a aviação que potencializou a infantaria com fogos de apoio e mobilidade nunca antes experimentada.




As lições da grande guerra da segunda década do século XX consolidaram o batalhão como unidade tática padrão da infantaria e organizaram os homens em torno das metralhadoras, formando as esquadras e grupos de combate, que por sua vez integram os pelotões e estes suas companhias. As esquadras atuam pelo conceito do fogo e movimento e proteção mútua, enquanto uma progride a outra a cobre pelo fogo, em movimentos alternados, formando os grupos de combate (GCs). Esta organização mostrou-se eficaz e se mantem atualmente.

Interessante se faz dizer que os avanços táticos ao longo dos tempos são frutos do avanço técnico das armas, pois são suas possibilidades que permitem as novas práticas de combate. Os avanços implementados já no início da Primeira Guerra Mundial podem ser listados como: O fogo passou a restringir o movimento, o combate esquemático deu lugar ao flexível fazendo uso do abrigo e da dispersão, a organização do terreno passou a ter grande valor com a construção de posições fortificadas e o infante aproveitando-o de acordo com suas características dando-lhe um aspecto de esvaziamento, os dispositivos passaram a ser desdobrados em profundidade para melhor a absorção do choque inimigo e a ênfase da defensiva sobre a ofensiva, em parte obrigada pela impasse das trincheiras.




Já na Segunda Guerra Mundial passou-se a buscar os pontos fracos do dispositivo e a infiltração que permite o assédio aos flancos e a retaguarda, menos defendidos, colocando-se dessa forma em posição vantajosa e dando a ofensiva sua importância perdida. Com comunicações mais eficientes, a infantaria passou atuar de forma combinada com a cavalaria, a artilharia e a engenharia de combate, potencializando o poder de cada uma.

A Guerra russo-japonesa deu início às operações noturnas como forma de superar o devastador fogo das metralhadoras. Os meios aéreos e mecanizados permitiram a partir da Segunda Grande Guerra as manobras de envolvimento, potencializadas pela introdução do helicóptero, que teve sua primeira guerra de peso no Vietnam. 




O grau de urbanização alcançado no Século XX tornou os centros urbanos cenário para as guerras de resistência, onde o carro de combate passa a ter papel secundário e infantaria cresce no seu grau de importância, atuando como protagonista das operações. O combate em localidade se mostra como um grande problema aos comandantes militares e a flexibilidade do infante vem de encontro a mais este desafio, pois só ele pode efetuar a varredura das edificações, casa por casa, rua por rua. O carro de combate, senhor do campo aberto, atua também neste cenário, porém como arma de apoio, assim como a artilharia, a engenharia de combate e os helicópteros. As forças irregulares, cada vez mais presentes nas batalhas modernas, atuam muitas vezes mescladas à população civil e cabe a infantaria fazer esta distinção e atuar seletivamente.



O combate embarcado, onde carros especialmente construídos (IFVs) permitem a infantaria atuar protegida pela couraça e ao mesmo tempo acompanhar os carros de combate, valendo-se de proteção mútua com armas potentes orgânicas em seus veículos, passaram a povoar as forças de choque dos exércitos do século XXI, modernizando o conceito de armas combinadas e tornando a infantaria blindada ainda mais eficaz. A infantaria também aprendeu a lançar-se a partir do mar, já nos meados do século passado, através do aperfeiçoamento das técnicas de assalto anfíbio e dotando as marinhas de guerra de poder para estabelecer cabeças de praia amplas e seguras, para que tropas mais numerosas possam desembarcar com tranquilidade. A infantaria conquistou os céus, e através de assaltos aeroterrestres possou a posicionar-se em qualquer ponto dentro de território inimigo, garantindo o domínio de pontos sensíveis até que tropas por terra venham ao seu encontro, em operações de junção.



A tecnologia disponível a partir da última metade do século XX passou a oferecer recursos nunca antes disponíveis, como a capacidade de combater à noite de forma inquestionável e as novas proteções de kevlar que oferecem proteção eficiente sem o ônus das pesadas armaduras dos soldados de outrora. Os desenvolvimentos da tecnologia digital passaram a oferecer a capacidade de NCW a cada um dos infantes, permitindo um grau de comando e controle, assim como de consciência situacional excepcional. Um general, sentado em sua poltrona em seu QG permanente, pode visualizar o que uma esquadra está vendo em combate do outro lado mundo em tempo real, assim como a disposição de seus pelotões e companhias, intervindo se necessário como se lá estivesse. O helicóptero veio para lhe oferecer mobilidade sem igual, permitindo-lhe posicionar-se pontualmente em longas distâncias e tempos curtos, transpondo facilmente obstáculos, combater e em seguida ser recolhida e mudar de posição dando dinamismo ao espaço de batalha.



Seus princípios  e características permanecem, no entanto inalterados. Combater em qualquer terreno e sob quaisquer condições meteorológicas, tendo o indivíduo como núcleo de sua força, onde se sobressai a competência individual e o adestramento, a capacidade de liderança e a fortaleza moral. A capacidade de fazer fogo de uma distância de onde se pode ver as expressões faciais do inimigo, em seguida movimentar-se e fazer fogo novamente, são exclusividades desta arma, base dos exércitos de todo o mundo.  




domingo, 20 de novembro de 2016

Helicópteros Navais #125



A década de 1950 confirmou a tendência do uso de aeronaves de asas fixa embarcadas cada vez maiores e mais pesadas. A aviação embarcada da Segunda Grande Guerra com suas aeronaves leves ficara para trás. Frente a este fato, a maioria das marinhas de guerra do mundo se viu impossibilitada de contar com navios aeródromos dedicados, mesmo em um futuro previsível de longo prazo. O desenvolvimento do helicóptero naval veio de encontro aos anseios destas frotas com recursos limitados, e constituí-se até os dias de hoje no componente de aviação naval de todas as marinhas, sejam as mais modestas como componente único, seja nas mais abastadas fazendo parceria com as aeronaves de asa fixa.

Equipados com vasta gama de equipamentos, eles podem ser operados em quase todos os tipos de navios, mesmo aqueles que não dispõem de aparelhos de parada e catapultas, bastando-lhes uma plataforma de pouso e um hangar de manutenção, viável de serem instalados em fragatas, destróieres e outros navios que as marinhas possuem. Os pioneiros foram os ingleses com seu limitado Wasp para ASW, capaz apenas de transportar um torpedo controlado pelo navio, sem qualquer tipo de sensores ou sistemas dedicados. Foram logo seguidos por franceses e italianos, tendo os norte-americanos demorado mais a adotar o conceito, talvez pelo fato de possuírem grandes navios-aeródromo e terem se envolvido no mal sucedido programa DASH e confiados no limitado míssil ASROC., adotando no inicio dos anos 1970 o Sea Sprite. O tempo mostrou a validade deste conceito, sendo que grande escoltas capazes de operar até 3 deles foram construídos por japoneses e canadenses.




Tal como no combate terrestre, o moderno helicóptero naval embarcado é um meio de combate de altíssimo valor. Todas as belonaves de superfície da atualidade são configuradas para operá-lo, ou em algumas de menor capacidade pelo menos para recebê-lo.

Eles são operados a partir dos navios-aeródromos (porta-aviões), sejam eles de apoio anfíbio ou de núcleo da frota em quantidades maiores, e em número de uma até três unidades em fragatas e destróieres, navios de patrulha e outros navios de apoio. Também existem belonaves especialmente configuradas para operarem com porta-helicópteros que também dão conta de um maior número deles.

Os helicópteros navais embarcados devem ser plataformas versáteis e capazes de operação em mais de um tipo de missão, pois freqüentemente operam sozinhos devido a limitação de espaço dos conveses de voo (convoo) da maioria de seus navios plataforma. Recentemente, devido aos avanços da tecnologia, estão se tornando cada vez mais uma realidade a presença de veículos aéreos não tripulados que podem ser aeronaves de asas rotativas, que, devido a não necessitarem de embarcar tripulantes, podem ter tamanhos menores e operarem em quantidades maiores que uma ou duas unidades nos mesmos convoos que seus similares tripulados operam.




Os helicópteros são um componente significativo no poder de combate de um navio moderno, sendo uma extensão de seus sensores e sistemas de armas. São construídos desde modelos mais leves como os Super Lynx europeu aos mais pesados como os Seahawk norte-america e NH-90, também europeu, e seu tamanho determina a quantidade de sistemas que poderá operar, bem como em que plataforma poderá ser embarcado, e em que quantidade. Podem, devido a sua alta velocidade em relação à velocidade do navio, serem lançados para identificar contatos além-horizonte com rapidez e engajarem em combate de forma autônoma ou integrada ao seu navio-mãe ou a outro componente da frota.




Dentre suas tarefas mais usuais, eles executam a busca e o ataque anti-submarino. Durante uma operação desta natureza, podem permanecer no convoo em condições de responderem imediatamente a um contato qualquer dos sensores do navio, podendo voar rapidamente até suas proximidades para identificação mais apurada, empreender localizações mais precisas e colocar suas armas dentro do alcance operacional delas. Podem ainda em cenários de contato inimigo iminente, voarem a frente da frota, executando a varredura das águas adjacentes e proporcionando segurança aos navios de superfície.

No combate a meios de superfície, podem voar em missões de esclarecimento além do horizonte (OTH), realizando vigilância e reconhecimento, localizando meios inimigos e fornecendo guiagem de meio curso à mísseis antinavio lançados dos navios amigos, ou mesmo atacando alvos com mísseis e torpedos orgânicos, além de atuar na designação e aquisição de alvos para mísseis de cruzeiro, seja contra alvos navais ou terrestres.




No combate terrestre a partir do mar, podem transportar tropas dos navios até posições no litoral, fornecer apoio de fogo se devidamente equipados e proporcionar observação, seja de esclarecimento ou para controle de fogo de artilharia naval. Podem ainda, no apoio ao combate anfíbio, servirem de mulas de carga entre o navio e as posições de terra, abastecendo as tropas com munições e outros suprimentos.

Podem atuar ainda em proveito da segurança dos meios de superfície, posicionado em grande altitude, fornecer alerta aéreo antecipado (AEW) ampliando o horizonte-radar das belonaves, detectando a presença de aeronaves ou mísseis hostis. Outra missão usual é a transferência de carga entre navios, ou ainda portarem sistemas de engodo a mísseis antinavio inimigos que voam rente a superfície, atraindo-os como se fossem o próprio navio, que passando por baixo das aeronaves imunes a eles, acabam perdendo-se no mar.




Completando suas possibilidades pode lançar minas ou participar de sua varredura, efetuar evacuação aeromédica (EVAM), empreender operações de guerra eletrônica (EW) como a triangulação de emissores e retransmissão de comunicações, realizar busca e salvamento (SAR) e busca e salvamento de combate; em busca, por exemplo, de pilotos abatidos (CSAR), além de combater outras aeronaves de vôo lento. Em operações de baixa intensidade pode apoiar a abordagem de navios como escolta de lanchas de abordagem e outros helicópteros, ou transportando comandos, devendo ser equipados com metralhadoras e foguetes.




Estas capacidades estão presentes em diferentes helicópteros em variadas configurações, sendo improvável que uma única aeronave agregue todas elas ao mesmo tempo.

Desde a década de 1960 que este tipo de aeronave tem se mostrado presente em todos os conflitos com componente naval, atuando ativamente em episódios como a guerra do Vietnam, das Falklands-Malvinas, no Golfo-Pérsico e Guerra-Fria por exemplo.




Os modernos helicópteros navais são equipados com toda uma gama de sistemas defensivos que lhe garante um capacidade ótima de sobrevivência em combate, como blindagens de baixo peso, sensores alerta-radar(RWR) e alerta contra mísseis (MAWS), chaffs e contramedidas contra guiagem infravermelha (FLARES). Alguns podem carregar ainda mísseis ar-ar IR para combate contra outros helicópteros. Dentre os sensores que esta aeronave pode transportar temos dos radares de abertura sintética (SAR), o FLIR e outros eletroópticos, radares de vigilância e complexos sistemas de ESM que lhe permitem o desempenho das variadas missões já mencionadas. Para ASW ele pode transportar sonares de profundidade variável, MAD e sonobóias.




A operação dos sonares a partir do helicóptero pode ser dar sem problemas em modo ativo sem denunciar a posição dos meios de superfície, podendo dar pistas falsas sobre estas posições.

Outras capacidades que uma aeronave deste tipo deve ter para operar com proficiência sobre o ambiente marítimo são: sistema de pouso automático e enganchado, proteção contra a corrosão marítima, capacidade de absorver com tranqüilidade os choques contra o convés durante pousos e decolagens decorrente do balanço do navio, sistema de flutuação, capacidade de ser reabastecido em vôo pelo navio, ter rotores e cauda dobráveis para reduzir seu tamanho a facilitar sua hangaragem, amplo espaço para tropas e equipamentos, possuir guincho de carga. Outra característica desejável mas não essencial é ser bimotor para o caso de falha de uma das turbinas.

Para operar helicópteros os navios devem ter hangar se o mesmo for orgânico e convoo, que devem ser amplos o bastante para o modelo de aeronave utilizado. Quanto mais ao centro e mais baixo forem, menor será o balanço neste ponto. Deve ter a capacidade de pouso enganchado para momentos em que o mar está alterado, paiol para o armamento da aeronave e suprimento de combustível.



domingo, 7 de agosto de 2016

O Franco-Atirador (Sniper) #123


O franco-atirador ou "sniper" é o caçador dos campos de batalha. Sua função é o abate de alvos de valor significativo, como oficiais e outros cuja perda provoquem prejuízos ao inimigo maiores que a perda de um simples combatente. Para a maior parte dos combatente a batalha é algo impessoal, um confronto contra uma equipe adversária, mas para o franco-atirador é um confronto "um contra um". Seu grau de eficiência pode ser descrito pela frase: "um tiro, um abate". Pode atuar como observador avançado para artilharia e controlador aéreo avançado, além de coletar informações em campo.

Sua aproximação se dá de forma incógnita, empregado um variedade de técnicas de camuflagem e movimentação furtiva, muitas vezes seguida de uma espera que pode durar horas ou dias, até que o momento adequado permita levar sua missão a cabo. Pode permanecer imóvel pelo tempo que se fizer necessário, ignorando adversidades meteorológicas, sem fazer o mais leve movimento, sempre em busca do anonimato tático. Após o disparo, que se faz a distâncias consideravelmente longas, pode continuar imóvel aguardando o momento de deixar o local em que se encontra sem ser notado, como o cair da noite. O atirador de elite como é conhecido, pode ter diferentes níveis de treinamento podendo ser um elemento de atuação isolada e treinamento super apurado, ou um apoiador para a infantaria e treinamento mais genérico.

Cabe ao caçador distinguir entre muitos quem é o comandante, o mensageiro, o rádio-operador e outros. O abate de cachorros e seus tratadores também é muito usado, uma vez que estes são usado para localizar suas posições. Outros alvos são comandantes de blindados e helicópteros, observadores avançados e outros caçadores e guarnições de armas coletivas.




Durante a Segunda Guerra Mundial, algumas da exigências do British Army para escolha de seus caçadores era, entre outras, inteligência acima da média, vigor físico destacado, aptidão para permanecer isolado por períodos longos e pontaria inquestionável; características mais presentes nos homens oriundos do meio rural. Com o fim da guerra esta modalidade de combate foi deixada de lado pela maioria dos exércitos. Os ingleses, no entanto, logo perceberam o erro devido às escaramuças dos guerrilheiros no seu vasto império, e estes combatentes de elite tiveram seu lugar assegurado em suas fileiras. A Guerra da Coréia e do Vietnam mostraram sua importância.

Uma das atribuições do franco-atirador é impor um pressão psicológica ao inimigo. Estar em uma área onde a presença deles é reconhecida ou pelo menos provável, faz-se pensar duas vezes antes de fazer qualquer movimento, mesmo na segurança de uma base. Se alguém for periodicamente atingido esta tensão se acentuará em demasia. Seus alvos são de alto valor, determinados por uma observação cuidadosa, não desperdiçando seu tempo com alvos de menor importância. Seu treinamento enfatiza a observação e a capacidade para determinar o que interessa de fato.




Uma segunda função deste combatente é servir de vanguarda ao avanço da infantaria, abatendo aqueles elementos inimigos que constituem obstáculos ao avanço, como por exemplo as guarnições de metralhadoras que podem deter o avanço de frações inteiras. Uma boa prática para estes combatentes é atuar em duplas, com um indivíduo atuando como observador e portando uma arma automática para autodefesa.

A arma do atirador de precisão é especialmente destinada podendo ser um simples fuzil melhorado e dotado de aparelho de pontaria mais apurado, geral mente usado no apoio a frações de infantaria; até armas especialmente constituídas atirando a distâncias que alcançam 2 km ou mais. O fuzil padrão da infantaria é uma arma produzida em série e eficiente para o combate a distâncias de 100 ou 200 m, porém não atende as demandas de alcance e precisão a distâncias mais longas. O moderno fuzil do franco atirador é uma arma de culatra móvel, cano pesado, coronha e peças de apoio ajustáveis, assim como o gatilho. Seu aparelho de pontaria possui mira telescópica dotada de zoom e telêmetro para medir distâncias e determinar alcances, munição selecionada de alta precisão e seu calibre pode chegar aos outrora usados para tiro antiaéreo de 12,7 mm, padrão de armas ocidentais. Possui bipé, redutor de clarão do disparo e silenciador de boca. Funcionamento de repetição é preferência devido a sua maior precisão, sendo que o semi-automático evita o movimento manual do ferrolho, facilitando a ocultação e discrição.




Indivíduos fumantes, que usam óculos que pode oferecer reflexos, ou ainda que não estejam em saúde perfeita são prontamente desqualificados para esta função, pois uma pequena tosse pode revelar sua posição. O altíssimo nível de concentração exigido pode gerar estresse e diminuir sua eficácia, sendo que estes soldados devem atuar preferencialmente em sistema de revezamento. O treinamento nesta função é útil também para o soldado comum, que pode atuar em seu pelotão com mais eficácia e elevar o nível geral das fileiras de infantaria.

Este soldado desfruta de um nível de liberdade não alcançado pelos demais, pois pode ir onde quiser  a fazer o que bem entender, é claro, dentro dos limites de sua missão. Sua capacidade e perícia influem diretamente na vida e na segurança de seus companheiros, e apesar do alto risco de se atuar sozinho ou no máximo com a companhia de um observador/designador de alvos, ele desfruta de ampla autonomia.





sexta-feira, 25 de março de 2016

Minas Terrestres #122



A mina terrestre é um dispositivo explosivo, de acionamento passivo geralmente pela vítima, instalada em grupos de forma a constituir obstáculo à passagem de tropas a pé ou veículos, blindados ou não, ou ainda de forma combinada com a presença de ambos os tipos. Apresentam baixo custo, longa vida útil e demandam pequeno emprego de mão de obra para serem instaladas; razão pela qual se proliferaram muito em todos os conflitos do século XX, principalmente aqueles de baixa intensidade, tornando-se um grande problema para a população civil, mesmo após o fim das hostilidades, pois o custo de sua remoção tem se mostrado excessivamente alto.

Seus primeiros usos estavam relacionados a escavação de túneis sob posições inimigas, com a posterior detonação destas posições que de outro modo apresentavam grande dificuldade de transposição. Desde a antiguidade as minas, construídas de forma artesanal até então, são empregadas no conflitos e fazem parte da história destes, porém foi na Primeira Guerra Mundial que a guerra de minas, como a conhecemos hoje, surgiu, com a escavação de túneis sob as trincheiras em impasse, que eram minados e detonados em acionamento programado para acontecer imediatamente antes do avanço. Esta situação persistiu até o aparecimento do carro de combate no final da guerra.




As primeiras minas modernas surgiram então como IEDs (dispositivos explosivos improvisados), quando seu utilizavam granadas de artilharia plantadas no solo e acionadas eletricamente à distância para, como manobra defensiva, deter o avanço de veículos. Usava-se também dispositivos improvisados de auto-acionamento destas granadas, que serviram de precursores das minas modernas.

A Segunda Guerra Mundial marcou a maioridade deste dispositivo bélico, quando na batalha de El Alamein as vanguardas alemãs foram mantidas a distância por campos minados extensos e estrategicamente colocados, embora estas minas tenham sido usadas desde o início da guerra até o final em todos os teatros deste conflitos, com menor importância da campanha do pacífico.

A Guerra do Vietnam usou intensivamente a mina terrestre, acentuadamente o tipo antipessoal, tornando o avanço pela restritas trilhas no interior de suas selvas e arrozais perigoso e responsável por mais de 10% das baixas deste conflito, quer seja por minas convencionais como por armadilhas improvisadas, explosivas ou não. A Guerra do Golfo, uma guerra predominantemente mecanizada, viu o emprego maciços destes dispositivos nas linhas de defesa iraquianas, que por terem sido desdobradas sem a alocação de fogos de proteção, foram facilmente superados pelas forças aliadas já preparadas para enfrentar este tipo de obstáculo.




Minas terrestres modernas são dispositivos constituídos por um invólucro, que pode ser de metal ou não, recheado por uma carga explosiva que provoca seu estilhaçamento através do acionamento por compressão ou descompressão, quando seu dispositivo acionador é deflagrado, existindo 2 tipos básicos: o antipessoal (AP) e o anticarro (AC), sendo que a mina AC não é acionada pelo peso de uma pessoa.

Cadeia de Acionamento

Uma mina, seja ela fabricada em série ou um dispositivo improvisado pode ser acionada por um grande número de formas: pressão, descompressão, ondas eletromagnéticas, ondas acústicas, tração, temporizadores, fotocélulas, gravidade, química, eletricidade, calor e outras; sendo os dois primeiros os mais usados nos dispositivos produzidos em série.

Sua detonação começa com um ação de iniciação, geralmente provocada pela vítima, quando por exemplo pisa sobre a mina e fere uma espoleta, que detona a carga principal, ou ainda detona uma pequena carga secundária que detona esta primeira. Esta pressão sobre o dispositivo acionador, pode em alguns modelos, apenas arma-lo, com sua detonação se dando no momento em que a pressão cessa. Neste caso se o agente acionador permanecer imóvel mantendo a pressão nada acontecerá. Outra forma de acionamento muito usada, neste caso em armadilhas, é a tração através de um cordão de tropeço, onde uma linha transversal à trilha, ao ser tracionada pelo pé de uma pessoa, provoca a liberação de um dispositivo de travamento que segura uma mola comprimida, golpeando esta uma espoleta e iniciando a detonação. O cordão de tropeço pode ainda esta agindo como retém da mola, e ao ser cortado dar início a detonação.




A espoleta é um dispositivo constituído por pequena quantidade explosivo altamente sensível (fulminato de mercúrio por exemplo) que ao ser golpeada pelo dispositivo acionador provoca a detonação de uma carga mais estável montada ao seu redor. O dispositivo acionador é aquele encarregado de golpear a espoleta, e pode ser uma mola, um pequeno solenóide, a mistura de produtos químicos instáveis, um ignitor elétrico ou outro assemelhado. Pode-se conseguir um grande número de variações combinando-se vários acionadores e métodos de ação de iniciação.

A carga acionada pela espoleta é uma carga menos sensível que esta, e exigem uma detonação (da espoleta) para explodir, e pode ser uma pequena carga secundária que posteriormente detonará a carga principal ou em alguns modelos que não tem carga secundária, diretamente a carga principal.

Tipos de Minas

Como já mencionado as minas podem ser anticarro ou antipessoal, existindo outras de uso menos comum. As minas antipessoal são banidas por tratados internacionais, porém continuam mantando pelo mundo, mesmo em locais onde a guerra não mais existe. Sua limpeza levará ainda muitos anos e dispenderá enormes recursos. São armas construídas para mutilar e não matar, pois um soldado ferido faz com que seus companheiros deixem de combater para prestar-lhe socorro.

As minas antipessoal são basicamente de 4 tipos diferentes, aqui classificadas de acordo com seu modo de atuação. As minas explosivas são o tipo mais comum e são construídas para atingir pés e pernas com sopro explosivo violento, e requerem pressão de cerca de 5 kg, podendo ser acionadas pelo peso de uma criança. São construídas em invólucros de plástico o que as torna difíceis de rastrear por detectores magnéticos. São enterradas e alguns modelos podem ser lançados ao ar. As minas de fragmentação são montadas acima do solo, acionadas por cordões de tropeço, podendo ainda ser montadas em cima de estacas. Possuem grande quantidade de balins metálicos e atingem todos ao redor da detonação. Existem modelos que são lançados ao ar antes da detonação. Existem ainda as minas de fragmentação direcionais que detonam seus fragmentos em uma única direção, podendo ser montada em árvores ou colocadas acima do solo e acionadas por cordão de tropeço.




As minas anticarro visam a inutilização de veículos, são bem mais potentes que as minas AP e só podem ser acionadas por eles, exigindo pressões superiores a 150 kg. Destroem completamente veículos comuns e imobilizam os blindados, mais resistentes, estourando seus pneus e rompendo suas lagartas. São enterradas ao longo de vias ou em campos minados para criar barreiras, podendo ser combinadas com minas AP a fim de dificultar sua desativação por equipes a pé. podem ser explosivas ou de penetração, estas últimas destinadas a penetrar carros blindados e causar efeitos a sua guarnição, seja de sopro, tóxicos ou fragmentação.

Existem ainda as minas anti desembarque anfíbio, que são montadas na praia e além delas; minas anti-aeroterrestres que visa inutilizar áreas de aterragem de tropas vindas do ar; minas flutuantes de contato usadas contra pontes; minas de dispersão que são lançadas em cacho por aeronaves; minas improvisadas (IEDs), as simuladas e as de exercício.




domingo, 14 de fevereiro de 2016

A Logística de Invasão *121


O Major Frederick V. Godfrey é o S4 (oficial de logística) de Brigada no Centro de Treinamento de Combate Manobra em Hohenfels, Alemanha.   Ele é graduado em Intendência Oficial Básica e Cursos Avançados e do Comando Aéreo e Staff College. É bacharel em geografia pela Universidade Estadual de Montana e mestre em história militar da Universidade Estadual de Louisiana.

A transformação do exército em uma força baseada em capacidades que podem responder imediatamente a qualquer ameaça global não pode ocorrer sem transformar primeiro os sistemas de logística que têm sido utilizados desde a 2ª Guerra Mundial.

Embora não tão popular ou amplamente estudado como táticas de combate, a logística tem sido a chave para todos os conflitos importantes desde o início da guerra moderna.  A 2ª Guerra Mundial serviu de cenário para a maior operação de logística já levada a cabo. O Dia-D sozinho demandou milhões de toneladas de suprimentos, milhares de navios, e centenas de milhares de pessoas. Para desencadear essa enorme operação logística, os planejadores usaram pontos e operações de reabastecimento com taxas de transferência, que envolveram reservas em depósitos de retaguarda, posteriormente transportados para depósitos menores mais avançados, e finalmente entregues às unidades.

O acúmulo logístico no Kuwait antes da invasão do Iraque foi uma reminiscência das técnicas de logística utilizadas pelo Iº Exército dos EUA na 2ª Guerra Mundial e repetidas nas Guerras da Coréia e do Golfo de 1991. Este artigo irá olhar para o acúmulo logístico e o suporte operacional do Iº Exército no Dia-D em toda a França até a Alemanha e na logística dos campos de batalha atuais e futuros. Ele também irá examinar a validade de se transformar uma operação logística baseada na oferta, para uma operação logística em tempo real proposto na transformação dos exércitos.

Se Preparando para Guerra

Os preparativos para a invasão da França na 2ª Guerra Mundial começaram 2 anos antes da operação real. De janeiro de 1942 a junho de 1944, os Estados Unidos venderam mais de 17 milhões de toneladas de carga ao Reino Unido. Todo tipo de carga foi fornecida, de suprimentos e equipamentos gerais até 800.000 litros de plasma sanguíneo, 125 milhões de mapas, portos pré-fabricados (conhecidos como Mulberries), uma rede ferroviária de substituição, cigarros e escovas de dente.

A operação de invasão dividiu as forças aliadas em 5 forças-tarefa, sendo 3 britânicas e 2 norte-americanas. As forças de invasão desembarcaram em 6 de junho de 1944, em 5 praias na Normandia: Omaha, Utah, Gold, Juno, e Sword. Em Omaha e Utah, as duas praias americanas, 6.614 toneladas foram desembarcadas nos 3 primeiros dias, de um total de 24.850 toneladas planejadas, o que é foi um indicativo das dificuldades e inexperiência dos americanos em operações de reabastecimento na praia.

As unidades de intendência que chegaram com as forças de assalto forneceram tudo, desde suprimentos em geral até inscrições de sepulturas. Embora os norte-americanos tenham levado vários dias para estabelecer ligação com as forças britânicas, estava bem evidente até 7 de Junho que a invasão tinha sido um sucesso. Uma vez que as forças de desembarque consolidaram suas cabeças de praia da Normandia, tiveram que se organizar para receber a suprimentos, equipamentos e tropas necessários para sustentar as forças de invasão.

Problemas na Descarga

Os embarques de suprimentos para o Reino Unido para a invasão da Normandia não só tiveram que competir com outras operações de combate no teatro europeu, mas também foram restringidos pela quantidade de suprimentos que os portos britânicos comportavam. Até dezembro de 1943, embarques constantes de suprimentos fluíram para o Reino Unido. Em julho de 1944, mais de 2 milhões de toneladas tinham sido enviados, graças a capacidade das instalações portuárias para receber e processar os desembarques.

Com a proximidade da invasão da França, suprimentos e equipamentos com destino a suportá-la não mais podiam ser descarregados na mesma escala em que estavam chegando, portanto, um impasse foi criado.

Instalações de desembarque portuário foram fundamentais para a descarga rápida de suprimentos e equipamentos na França. Os portos Mulberries foram usados para receber as toneladas de suprimentos e equipamentos necessários para manter o avanço da força de invasão. Quando a quantidade de suprimentos que chegavam saturou os Mulberries disponíveis, os suprimentos excedentes foram descarregados utilizando técnicas logísticas "over-the-shore" (além do litoral).
  
A medida que as operações de abastecimento amadureciam, 56.200 toneladas de suprimentos, 20.000 veículos, e 180.000 tropas passaram a ser descarregados todos os dias nas praias de Omaha e Utah. Isso foi um pouco menos de metade dos suprimentos, quase 2/3 dos veículos, e de todas as tropas que tinham sido planejados para serem desembarcados a cada dia.

O desempenho nas praias americanas foi melhorando rapidamente a medida que uma situação tática mais favorável foi sendo conquistada e, até 11 de Junho de 1944, a totalidade da área até o Rio Aure estava sob o controle do 5º Corpo. Até a obtenção de instalações portuárias fixas em Cherbourg, Le Havre, Rouen, e Antuérpia, na Bélgica, as operações de reabastecimento consistiram inteiramente em empreitadas "over-the-shore".

Até o final de junho, mais de 289.827 toneladas de suprimentos foram descarregadas nas praias da Normandia. No entanto, ainda houve escassez de suprimentos porquê os portos britânicos não podiam carregar os navios na velocidade suficiente para suprir a exigência dos expedicionários, de forma que, até 15 de Junho, parte dos suprimentos estavam sendo enviados diretamente dos EUA para a Normandia. Na Normandia, os suprimentos inicialmente foram estocados nas docas e praias e, em seguida, nos caminhões das unidades.
  
Antes da liberação do porto de Cherbourg, suprimentos, equipamentos e tropas continuavam a ser empilhados nas praias à espera de serem transportados para a frente. No início de agosto, com a liberação do porto, grandes quantidades de suprimentos e equipamentos (mais de 20.000 toneladas por dia) puderam ser descarregados e mandados a frente em caminhões e trens.

Até setembro, as forças americanas foram apoiados em grande parte pelas praias, mas estas ficaram inutilizáveis após 1º de outubro por conta do clima. Os Portos de Le Havre, Rouen, etc.. .. estavam muito danificados, em grande parte inutilizáveis, e os portos do canal que estavam disponíveis tiveram de ser reservado prioritariamente para o uso britânico. Os EUA usaram o porto de Cherbourg, mas ele se tornou cada vez mais distante das linhas de frente. Problemas de descarga foram o segundo grande problemas desta operação logística.


Logística em Movimento

A medidas que as forças aliadas avançavam pela França, as linhas de suprimento foram se alongando tornando o reabastecimento mais difícil. Comandantes aliados passaram a experimentar frustrações por conta das restrições logísticas, que os impediu de tirar proveito de situações táticas favoráveis. De agosto a setembro de 1944, as unidades de suprimento criaram um sistema expresso de logística terrestre a aérea para transportar alimentos, combustível, munição, material de construção, suprimento médico e equipamentos. Combustível e munição foram responsáveis por metade das necessidades diárias.
  
O ressuprimento aéreo foi útil para apoiar operações aéreas e operações de reabastecimento de emergência, mas a maior parte dos suprimentos foram movidas por via terrestres rodoviária e ferroviária. A medida que a guerra transcorria, o reabastecimento aéreo melhorou notavelmente, assim como o terrestre. No entanto, o reabastecimento aéreo foi deixado para as missões de emergência, como suprir 500.000 americanos que participaram na contra-ofensiva das Ardenas. Depois de Fevereiro e Março de 1945, o transporte aéreo foi utilizado principalmente para ressuprimento médico e de combustível.
  
Os exércitos de campo acabaram por exceder as capacidades da rede de transporte para levar até eles os suprimentos necessários. Na verdade, até o final de agosto de 1944, de 90% a 95% de toda a carga descarregada ainda estavam em depósitos de praia na Normandia, a cerca de 480 km das unidades avançadas. Para lidar com esses problemas de abastecimento operacionais, passou-se a configurar um sistema de prioridades com base nos materiais que seriam mais necessários.   

A Escassez de Combustível

O combustível é a alma de um exército mecanizado. Em meados de setembro de 1944, os 1º e 3º Exércitos estavam enfrentando problemas de abastecimento críticas, não por causa da falta de combustível nos portos e cabeças de praia, mas por causa da falta de transportes para mover o combustível. Para ajudar a resolver o problema, os Aliados construíram um oleoduto para 230 km a frente. Uma vez funcionando, permitiu que caminhões o buscassem muito mais próximos das linhas de frente. No entanto, até 9 de setembro, o consumo diário ultrapassou as cotas diárias que as forças aliadas recebiam. O consumo previsto foi significativamente subestimado, com as unidades usando o combustível logo que ele chegava à linha de frente, não permitindo a formação de estoques.   O aumento das taxas de consumo e a falta de caminhões de transporte foram os maiores contribuintes para a escassez deste item. No entanto, o combustível representava apenas a metade das carências críticas no teatro europeu, sendo a munição a outra metade.

A Escassez de Munição

A munição é o item mais difícil de levar até o campo de batalha por causa de seus vários tipos e diferentes configurações. Munições chegam no campo de batalha em grandes quantidades, são dimensionadas e carregadas em caminhões de forma a maximizar o espaço disponível. Problemas como a falta de caminhões e as disputas sobre as taxas de consumo, aliados às taxas de produção nos EUA que não acompanhavam a demanda, agravavam os desafios habituais do reabastecimento de munição.

Em meados de setembro, as forças aliadas enfrentaram grave escassez e racionamento que começou pelos obuses de 155 mm e munição de morteiro de 81 mm. Enquanto a guerra progredia, as demandas de munição de artilharia alternavam-se de um exército para o outro, e de uma batalha para a próxima. Isso tornou difícil prever a taxa de suprimento adequada. O US Army finalmente resolveu este problema através da criação de uma taxa de alimentação necessária e uma taxa de fornecimento de combate. A taxa de alimentação necessária é a quantidade de munição que um comandante espera receber para uma operação de combate específica, enquanto a taxa de fornecimento de combate é a quantidade de munição que os sistema logístico pode fornecer.

Outros Déficits no Suprimento

Apesar do fornecimento de comida, água, material de construção e material de intendência ser menos difícil de fornecer do que combustível e munição, sua logística ainda enfrentava alguns desafios. Fornecimento de comida quente para as unidades era demorado, e era difícil servir unidades em movimento. No entanto, a comida quente era como um grande impulso moral para as forças de combate, tanto naquela época como agora.
  
O transporte limitado tornou difícil suprir a frente com materiais de construção. Era difícil justificar sua passagem, quando não havia transporte disponível suficiente para munição ou combustível.

Roupas enfrentavam desafios de concepção, problemas de produção e a escassez de transporte.  A distribuição de uniformes de inverno para as tropas foi adiada porque as unidades de linha de frente não forneceram a numeração necessária. Uniformes de inverno eram uma prioridade muito baixa até outubro. Os soldados esperavam receber equipamento de inverno suficiente para o tempo frio de dezembro e janeiro. Requisições de cobertores não incluíram as necessidades da população civil, dos prisioneiros de guerra, e das forças francesas livres. Houve um déficit de quase um milhão de cobertores no inverno de 1944.
  
A logística da Segunda Guerra Mundial foi um processo contínuo de iniciativas e experimentação, erros e acertos, para tentar enquadrar o sistema nas circunstâncias corretas. Quando apareceram os obstáculos no nível estratégico, foram superados tão rapidamente quanto os sistemas de comunicação permitiram. No nível operacional, as iniciativas de logística incluíram os portos Mulberries para servir como docas portáteis, oleodutos para mover o combustível com maior rapidez, e comboios expressos "Red Ball Express" para fluir a logística para as linhas de frente. Na cabeça de praia foi estabelecida zonas acumularem suprimentos, uma série de bases de abastecimento foi criada ao longo de uma rota principal de 300 milhas, e, simultaneamente, aeronaves, caminhões, transportes ferroviários, oleodutos foram usados para transportar suprimentos em todo o campo de batalha.

"Red Ball Express" foi o nome de código do exército para um sistema de comboios que ia de St. Lo na Normandia para Paris e, eventualmente, para a frente ao longo de fronteira nordeste da França. O percurso foi marcado com bolas vermelhas. O corpo de Transporte do Exército criou uma enorme operação de suprimento em 21 de agosto de 1944. Caminhões de abastecimento começaram a rodar em 26 de agosto e continuaram durante 82 dias. Em um dia normal, 900 veículos eram carregados na rota da bola vermelha, com motoristas orientados a observar intervalos de 55 m e uma velocidade máxima de 25 mph. Quando o programa terminou em meados de novembro de 1944, estes comboios tinham entregues 412.193 ton de alimentos, gasolina, óleos, lubrificantes, munições, e outros suprimentos essenciais.


Lições de Logística

Operações de logística militar na Segunda Guerra Mundial, na Guerra da Coréia, na Guerra do Vietnã, na Guerra do Golfo, empregaram em grande parte a mesma metodologia: garantir um porto de desembarque, construir uma base de fornecimento, e em seguida, transportar suprimentos para a frente, por qualquer meio disponível. Ainda hoje, a primeira estratégia dos comandantes é tipicamente lançar seu poder de combate ao longo de meses em um teatro de operações, conduzir operações táticas, e depois esperar que as linhas de abastecimento permaneçam abertas e capazes de manter-se com as forças de combate. No entanto, como qualquer bom planejador sabe, "a esperança não é um método."
  
A transformação da estrutura logística deve começar com a renovação dos seus sistemas, incluindo mudanças no transporte e manutenção, bem como no fornecimento de alimentos, água, combustível, munições e materiais de construção. A linha base é: Os militares precisam racionalizar seus equipamentos e necessidades de suprimento, a fim de reduzir sua cauda logística, reduzir ainda seus requisitos de suprimentos adicionais, e, ao mesmo tempo, aumentar a sustentabilidade com aquilo que já dispõem.   

Veículos Multiuso

O US Army começou a reduzir o peso dos seus sistemas de combate usando o veículo blindado leve (LAV) para aumentar a capacidade de sobrevivência das forças leves e aumentar a capacidade de manobra das forças pesadas com um decréscimo no consumo de combustível. A Indústria pode empregar o chassis do LAV para propósitos múltiplos, usando-o para os veículos de logística que irão substituir a grande variedade de veículos de carga e de transporte usado agora.

Um chassis LAV, reforçado para uma carga de 5 toneladas e uma grua para carregar e descarregar pallets padronizados e redesenhado para caber no C-130, é essencial.

A família de veículos de transporte de carga de hoje consiste em 4 tipos distintos: carga seca, os líquidos, as cargas perecíveis, e a munição. Nenhum desses veículos são muito eficientes em termos de consumo de combustível. As novas versões são complicadas de manter, devido a vários tipos diferentes de plataformas mecânicas. Eles não têm todos as mesmas capacidades de carga, e sua capacidade de sobrevivência no campo de batalha moderno é insuficiente.

Se os mesmos chassis de peso médio forem utilizados para os veículos de carga e veículos de combate, o número de mecanismos necessários para repará-los será reduzido. Tais veículos poderiam manter-se junto as forças de combate, mantendo um pequeno grau de auto-proteção. Um LAV equipado com uma plataforma de carga ou um tanque de 3.000 litros de combustível ou água montado no palete poderia movê-lo em qualquer lugar no campo de batalha.

Este sistema também pode ser equipado com uma arma que proporcionaria um alto volume de fogo direto a partir de dentro da cabina do veículo.

O Suprimento de Alimentos

A transformação das rações e a forma como elas e a água são fornecidos iria reduzir o número de pessoal necessário para apoiar as forças de combate, diminuir o número de veículos de carga necessários, e reduzir a demanda de logística global no campo de batalha.
  
O caminho para redefinir as rações de campo é combinar refeições, prontas para comer (MRE) e rações de bandeja, num grupo unificados como uma "super MRE." As super-MRE seriam embalados, aquecidas e preparadas de forma muito parecida com as MREs atuais, mas teriam um valor nutricional, variedade e sabor de rações preparadas.
  
Os super MREs eliminariam a necessidade de cozinheiros, fornecimento de rações quentes para unidades de combate que estão à frente, além de reduzir a necessidade de transporte de grandes quantidades de suprimentos perecíveis no campo de batalha.   Ao mesmo tempo, uma super-MRE poderia garantir que até mesmo os soldados na parte mais remota do campo de batalha recebam uma refeição quente.
  
A água é outro desafio para especialistas em logística. A purificação de água e seu transporte a granel em todo o campo de batalha é difícil e demorado. Além disso, é difícil fornecer água para os soldados que estão nas áreas mais remotas do teatro. Três conceitos para o futuro fornecimento de água poderiam reduzir os problemas inerentes ao seu reabastecimento:

O primeiro é um sistema de produção de água já em desenvolvimento, que extrai água do sistema de combustível de um veículo, a purifica, e a armazena em um tanque separado. Isto não só irá aumentar a eficiência do combustível através da remoção de águas residuais, mas também irá fornecer aos soldados em combate na frente com os sistemas de água em seus veículos individuais.

O segundo método de fornecimento de água a unidades de combate é equipar cada pelotão com uma pequena, unidade de osmose reversa de purificação de água montado no veículo com um tanque de armazenamento de 100 a 200 litros.

O terceiro método é a compra de mais tanques de água a granel que montar em paletes 463L. Atualmente, a distribuição de água a granel é limitado a bolsas de água de 3.000 litros transportados em reboques. Estes sacos podem estar cheios ou vazios, quando rebocados, e não podem ser facilmente desmontados e recuperados. Os tanques rígidos poderiam ser preenchido com qualquer quantidade de água, deixados em qualquer lugar no campo de batalha, e pegos quando vazios. Estes tanques, o que seria semelhante ao novo sistema de cremalheira depósito de água "Hipopótamo", proporcionaria distribuição de água mais flexível. A tecnologia moderna pode substituir os tanques de metal por tanques plásticos compósitos, o que reduziria o peso do tanque, minimizaria o acúmulo de mofo, e eliminaria a ferrugem no tanque.

Outras inovações potenciais quanto à água variam de um sistema de hidratação corporal ativado a energia solar que se encaixam dentro de uma jaqueta. O dispositivo iria resfriar água em climas quentes e fornecer água morna em climas frios, proporcionando conforto e segurança do usuário.

  
O Suprimento de Combustível

O combustível é o outro quesito que coloca uma enorme pressão sobre ambas: as forças de combate e as forças de logística que tem que entregá-lo. Até que a tecnologia propicie um motor movido a hidrogênio viável, o petróleo continuará a ser o principal combustível para alimentar os veículos militares. Portanto, veículos militares devem ser mais leves e mais eficientes quanto ao consumo de combustível. A indústria pode ajudar com a consecução destes objetivos, equipando a nova geração de veículos de combate e de apoio ao combate com uma célula de combustível simples de manter, seja apenas ela ou uma combinação com o motor convencional.
  
Outra inovação para o manuseio de combustível no campo de batalha é o sistema de manipulação de carga (LHS) Modular Fuel Farm (LMFF). Composto por dez tanques de 2.500 litros e uma bomba. Tal como os hipopótamos, os tanques LMFF pode ser transportados cheios, parcialmente cheios, ou vazios. Ao usar 2 racks e um tanque no caminhão e um no reboque de carga paletizada o sistema LHS pode transportar até 5.000 litros a granel por viagem.


Carga Volumosa

Materiais de construção tais como madeira, sacos de areia e arame farpado exercem uma pressão considerável sobre os sistemas de transporte, porque eles são volumosos, tem grandes dimensões e difíceis de carregar. O maior problema com este tipo de carga é que vem em muitas formas e tamanhos diferentes, o que torna difícil estabelecer um padrão de carga.

O primeiro passo para reabastecimento mais eficiente de materiais de construção é o desenvolvimento de pacotes padrão que seriam utilizadas em todo o Exército. Estes materiais poderiam ser divididos e configurados em conjuntos de letras e numerados como são na maioria das unidades de combate da ativa. Todos os pacotes seriam montados e configurados para fins específicos, como a defesa do pelotão ou o corte de estradas, por exemplo.
  
Estes pacotes configurados e rotulados seriam enviado dos EUA para um teatro de operações, onde as forças de combate à frente poderiam encomendá-los, citando a letra e número adequado de configuração que necessitam. Em Kits pré-montados, materiais de construção podem ser trazidos para o teatro rapidamente.  

O LMFF é móvel quando está cheio, a meia carga, ou vazio, o que diminui seu tempo de desdobramento e recuperação.

Transformando a Munição

A última classe de suprimento que precisa ser repensada é a munição. O primeiro dos 2 grandes problemas é que muitos tipos diferentes de munições que são necessários no campo de batalha. Tendo tanta variedade, torna-se difícil seu fornecimento de forma ótima durante o combate. O segundo problema é determinar o quanto de munição deve se levar para a frente, sem se pecar pelo excesso ou a pela falta. Em demasiada comprometeria os meios de transporte, e a devolução de munição desnecessária seria um fardo adicional. A escassez seria uma ameaça grave ao poder de combate das unidades durante o combate.
  
Há muitos tamanhos e tipos de munições diferentes no inventário do US Army. Para reduzir a demanda global de munição de grosso calibre (calibre .50 acima), por exemplo, a tecnologia deve combinar munição de calibres semelhantes para alguns tipos intercambiáveis. Por exemplo, munição de artilharia poderia ser intercambiável com a dos carros de combate e dos morteiros pesados, reduzindo pelo menos 6 tipos de munição para um. Mísseis, foguetes e munição de morteiros menores poderiam ser combinados em outro tipo. Um kit de conversão padrão poderia acompanhar os 2 tipos de munição para que eles pudessem ser usados rapidamente para qualquer fim necessário.
  
A maior vantagem de uma revolução no desenvolvimento das munições é a menor necessidade de transportar vários tipos de munições no campo de batalha. Só munições de alta utilização fluiriam em caminhões de reabastecimento, que iriam ficar carregados enquanto seja necessário para as forças de combate. Isso ajudaria a manter as forças de combate abastecidas e permitir-lhes mobilidade no campo de batalha. A única reconfiguração necessária da munição teria lugar no posto de tiro.

Capacidades logísticas eficazes fornecem a base que os operadores do combate precisam para manter a persistência e decisão. Portanto, uma transformação de operações de combate não pode ser realizada sem primeiramente ocorrer uma transformação nas operações de logística.

Como os militares dos EUA atualmente se movem de uma força baseada em plataformas para uma força baseada em capacidades, logística irá desempenhar um papel fundamental na determinação do sucesso ou fracasso dessa transformação. A transformação logística real, vai exigir novos equipamentos, novas técnicas de planejamento, e uma arquitetura da informação logística que suporte a força de combate.
  
Informações em tempo real que permitem as requisições de abastecimento e monitoramento das fábrica para o campo de batalha é fundamental para o sucesso de qualquer inovação de equipamentos. Sem um sistema de controle para complementar o aparelho de transferência, o sistema de logística continuará sendo uma operação complicada. Informações em tempo real eliminariam muitos dos problemas vividos durante a Segunda Guerra Mundial, quando se levou meses para responder a requisição de mudanças a partir da frente.

Como iniciativas recentes de transformações têm enfatizado, sistemas de logística com base em capacidades de sucesso devem ser sistemas "sense-and-respond" (sentir e responder) que compreendem 2 ingredientes-chave: informação e capacidade.

Infelizmente, tanto a arquitetura da informação e da capacidade baseada em equipamentos e sistemas necessários para a transformação logística ainda estão em fase de desenvolvimento. Sem ambos os ingredientes, os comandantes em breve perderão a confiança na capacidade de logística para fornecimenros "just-in-time". Até que uma rede de informação global e um sistema de logística baseado em recursos sejam implementados e validados, a sustentação logística continuará a ser uma operação "just-in-case".