FRASE

quarta-feira, 17 de abril de 2019

O Bombardeio Aerotático - Parte 2 *163


O Bombardeio Aerotático - Parte 1

A missão de uma aeronave de ataque é acertar seu alvo, porém essa é uma empreitada perigosa e perdas ocorrerão, pois evitar perdas, apesar de importante, não é a prioridade em uma situação de combate. Perdas, em se tratando de aeronaves de combate são caras e devem ser mantidas dentro de níveis toleráveis, pois sua reposição nem sempre é possível.

No cumprimento de sua missão a aeronave tem que penetrar as defesas inimigas na ida e na volta, localizar e engajar seu alvo com uma pontaria precisa e liberar suas armas. Os métodos de penetração de defesas variam de acordo com cada situação, sendo aquele considerado mais difícil o de uma guerra no cenário europeu entre as forças da OTAN e a Rússia ou em um cenário asiático contra a China. Porém este cenário é improvável, não impossível, e o mais comum e provável é a ocorrência de guerra limitadas em partes localizadas do globo.

Desdobrar redes de defesa amplas e multicamadas é por demais oneroso para a esmagadora maioria dos países do mundo, mesmo aqueles mais bem equipados. O mais provável é que existam aquilo que podemos denominar de pontos fortes em torno de alvos de alto valor como usinas de força e centros de C3, vias de acesso, instalações militares e industriais. Existirão ainda áreas medianamente defendidas e grandes vazios antiaéreos e áreas de sombra-radar. Um planejamento cuidadoso busca traçar as rotas de ataque por estas áreas mais "confortáveis" aliados a medidas dissimuladoras, evitando os pontos fortes, porém ao custo de um maior consumo de combustível. Rotas que serpenteiam o terreno ainda mantém as aeronaves por mais tempo sobre território inimigo aumentando sua vulnerabilidade, e esta prática requer um cuidadoso balanceamento entre combustível transportado e carga de munição.

O perfil de missão escolhido se torna muito importante, pois voando alto gasta-se menos combustível e cruza-se a velocidades maiores, porém a aeronave poderá ser "vista" pelos radares hostis a distâncias maiores, e a menos que as altitudes sejam extremas, os SAMs de longo alcance encontrarão seus alvos em alcances ótimos de seus parâmetros de combate. Alturas muito elevadas ainda prejudicam a precisão do bombardeio.




Alturas médias oferecem uma situação mais razoável entre o consumo de combustível, velocidade de cruzeiro, precisão do bombardeio e imunidade a muitos sistemas de armas antiaéreas. Alturas médias ainda oferecem uma grande distância de detectabilidade, mas permitem uma localização precisa do alvo pelos radares de mapeamento de terreno. A penetração a baixa altitude mantém a aeronave por mais tempo incógnita com baixo tempo de exposição, deixando apenas alguns segundos para a aquisição de alvo pelos sistemas antiaéreos (AAAé) e consequente disparo; porém dificulta a navegação, localização do alvo e construção de uma pontaria eficaz. Este perfil ainda exigem equipamento especial (NVG e FLIR por exemplo) para missões noturnas ou sob mau tempo, além de consumir muito combustível, diminuindo o raio de combate.

O perfil mais usual é o de alturas médias, variando de trajetórias altas em áreas mais seguras, o uso de defesas ativas e passivas em áreas mais perigosas com níveis de penetração mais baixos e lançamento de armas a grande distância do alvo onde as defesas não são tão densas, porém isso exigem armas de tecnologia mais avançadas, capazes de encontrarem seus alvos. Defesas debilitadas favorecem este tipo de missão e uma campanha prévia de supressão de defesas pode ser uma opção, ou ainda uma força de vanguarda voando alguns quilômetros a frente apenas para dar cabo destas defesas. Estas táticas são incertas em um cenário de alta intensidade e as dúvidas do que realmente acontecerá nestas condições permanece.

Devido aos custos mais razoáveis e a intensificação da penetração ultra baixa, as defesas de curto alcance e baixa altura estão se tornando mais numerosas, e a penetração a média altitude contra defesas não muito fracas exigem um grande esforço de apoio. Caças de escolta que varrem a área a frente e criam barreiras de segurança e aeronaves especializadas em guerra eletrônica podem ser usadas com grande eficiência se disponíveis, embora principalmente estas últimas não estejam disponíveis a maioria das forças. Uma alternativa que tem se mostrado cada vez mais popular é o projeto de aeronaves dotadas de capacidades furtivas. Velocidades subsônicas e perfis que dispersam a radiação emitida pelas defesas AAAé, entre outras características, garantem uma maior capacidade de sobrevivência estas aeronaves.

Em altitude ultra baixa as aeronaves voam praticamente invisível às defesas, porém requerem instrumentação muito precisa, pois qualquer falha pode resultar em choque contra o terreno. O perfil mais usado é o hi-lo-lo-hi, ou seja aproximação em alta altitude e velocidade econômica com descida nas áreas mais críticas a altitudes baixas e velocidade subsônica alta, com volta igualmente na mesma altitude e velocidade supersônica se estiver se esquivado de caças de defesa aérea, e lógico, se o combustível permitir. Voos a velocidade supersônicas e baixa altitude causam problemas auditivos nas tropas, danificam equipamentos eletrônicos sensíveis e podem virar veículos leves através da onda de choque formada, causando transtornos marginais ao inimigo.

A navegação é tanto mais complexa quanto menor for a altitude. De forma elementar se voa em linha reta, valendo-se de uma bússola, um mapa reticulado e perícia de navegação, porém isto só é possível durante o dia, com tempo bom e defesas débeis, situação improvável. Sistemas de navegação/ataque, com o inserção de rotas planejadas que evitem as defesas, confundam o inimigo em relação ao alvo escolhido, e ofereçam a melhor linha de aproximação e a melhor rota de fuga são o desejável nestas aeronaves.

A carga de trabalho nestas missões é elevada e a presença de uma tripulação de dois integrantes é recomendável. Manter a aeronave longe do terreno circundante a fim de evitar choques, estar atento a posicionamento de AAAé a frente e a caças inimigos e SAMs de todos os lados, manter o curso planejado e identificar pontos de referência de navegação e desvio, desviando de pontos fortes e zonas de mau tempo, exigem muito de um único tripulante. Sistemas de navegação/ataque capazes podem facilitar a vida de um piloto solitário ou mesmo de uma dupla. Estes sistemas podem contar com um INS ajustado antes da decolagem e com pequena margem de erro, um doppler que fornece a velocidade exata em relação ao solo, já que a velocidade do ar pode ser diferente; mapas digitais acoplados a localizadores GPS fornecem navegação precisa e velocidade real tal qual o doppler, podendo substituí-lo, navegação automatizada ligada ao mapa digital, HMDs e HUDs evitam que o piloto olhe para dentro da cabine e se em altitude muito baixa e navegando de forma manual se mostram muito úteis. Qualquer auxílio a navegação é sempre bem vindo, podendo a tecnologia disponível variar da elementar a mais sofisticada.

Condições de visibilidade degradada como os períodos noturnos ou as condições climáticas adversas podem inibir em muito a eficiência da AAAé apontada óticamente e estas últimas dos sistemas SAMs com guiagem a IR. Aeronaves com sistemas sofisticados de navegação/ataque superam facilmente estas condições. A operação de ECMs também pode ser necessária, o que ressalta a necessidade de um segundo tripulante. 

Nesta condições onde a vista humana não mais é eficiente, temos os sistemas FLIR, que apresentam em uma tela uma imagem de alta qualidade do terreno a frente captando as variações de temperatura, dando ao piloto uma visão monocromática como se fosse diurna, com campo de visão mais estreito. Condições climáticas podem degradar o desempenho do FLIR, sendo mais indicado para a vencer a escuridão.

Os radares de desvio de terreno fornecem uma imagem dos obstáculos a frente e alertam o piloto sobre o momento de desviá-los, e o radar de seguimento de terreno acoplado ao computador de voo pode desviá-los automaticamente, onde se pode programar a altura desejada. Estes sistemas ainda oferecem um nível variado de conforto de voo: rígido, médio ou suave. O voo rígido mantem um nível de voo constante com variações abruptas se o terreno assim se comportar, usado somente em áreas hostis; As demais seleções são para ambientes menos perigosos e oferecem transições de níveis de voo mais suaves. Em voos  mais automatizados cabe ao piloto e seu assistente, se houver, a monitoração dos sistemas e a intervenção quando necessário.

Voos de penetração profunda exigem que o sistema de navegação seja atualizado regularmente, de forma a obter precisão de bombardeio logo na primeira passada. Pode-se alimentar no plano de voo varreduras de radar em ponto pré-determinados que atualiza o sistema de navegação e corrige a posição real da aeronave. Sistemas GPS de alta precisão podem dispensar esta prática com atualizações livres de emissões.




A penetração no sistema de defesa inimigo também deve contar com meios que potencializem a segurança e capacidade de sobrevivência da aeronave. Contramedidas eletrônicas (ECM) são os meios mais eficazes de obter este intento. A mais comum ECM usada são os receptores de alerta radar (RWR), que são dispositivos passivos que alertam o piloto quando um radar hostil está emitindo, permitindo que ações de contra-emissão sejam tomadas. Em sua versão mais elementar o RWR emite um alerta sonoro e uma indicação visual da direção da direção aproximada da emissão. No outro lado do nível de complexidade dos RWR, eles detectam uma multiplicidade de emissões e as classificam identificando a fonte emissora, fornecendo alcance e função e ainda alertando quanto ao nível de ameaça, com os dados exibidos em mostradores, e em áreas muito congestionadas são exibidos apenas aqueles que representam ameaças mais imediatas. RWRs inteligentes podem até tomar medidas ativas como o lançamento automático de chaffs, se assim for determinado. ECMs ativas também são usadas como os chaffs  e os flares, os ruídos interferentes e as interferências dissimuladoras. Estes dispositivos podem ser montados em módulos nos cabides externos, que ocupam o lugar das armas ou acondicionados na fuselagem da aeronave se houver espaço. ECMs baseadas em software são mais flexíveis e modernas, permitindo que sejam programadas sempre que novas ameaças surjam. ECMs mais antigas são baseadas em hardware e rígidas, não se adaptando a novas situações.

Uma vez penetradas as defesas, o próximo passo é adquirir o alvo em tempo hábil e efetuar um bombardeio preciso na primeira passada. Se for necessário fazer uma segunda passada as defesas estarão alertas e as chances de efetuá-la com sucesso caem drasticamente, além de que pode não haver combustível suficiente. A aquisição do alvo poderá ser visual no modo mais elementar, passando por dispositivos eletro-ópticos como o FLIR ou por TV, o radar de mapeamento de terreno e o bombardeio cego deslocado até o uso do radar de abertura sintética (SAR). Um sistema da navegação ultra preciso baseado no uso do GPS, pode efetuar um bombardeio computadorizado totalmente automatizado quando a aeronave atingir o ponto calculado para a liberação das armas. Os alvos podem ser precisamente localizados (fixos) ou não (alvos móveis), podendo ainda haver alvos de ocasião descobertos durante a incursão e possíveis de serem batidos.

Aquisição visual de alvos só é possível de dia e com tempo bom, porém um jato a alta velocidade e baixa altitude só pode detectar dessa forma alvos muito grandes. Esta prática depende da aeronave abandonar a proteção do solo momentaneamente e subir para visualizar melhor a área, expondo-se. Dependendo da intensidade defensiva esta prática pode ser viável ou suicida. O FLIR apresenta uma imagem na tela, montada a partir das variações de temperatura do terreno abaixo, no tamanho daquilo que o piloto veria visualmente, e ampliada se desejado. É monocromática e de boa definição em tempo bom, sendo mais usado a noite, transformando-a em dia, mas também pode penetrar fumaça e poeira. Meios de TV ou FLIR podem ser montados na ponta dos projéteis e visualizados no interior da cabine, exigindo altos níveis de contraste, sendo os sensores IIR os mais modernos e eficazes. O radar de mapeamento de terreno cria na cabine uma imagem da área a frente e abaixo, permitindo a identificação do alvo, porém ângulos acentuados de varredura criam uma distorção e requerem um computador que a corrija e apresente uma imagem mais realista. O bombardeio cego deslocado é efetuado visando um alvo auxiliar bem destacado no terreno, visualmente ou pelo radar, em altitude e velocidade pré-calculadas, e a partir dele as bombas são lançadas em trajetória ascendente de cerca de 30° e posteriormente descem em trajetória balística (cerca de 5 km a até 900 m de altitude) como se projéteis de artilharia fossem. Este método permite máximo mascaramento pelo terreno e tão logo a carga seja liberada a aeronave pode reverter sua trajetória e retornar a segurança da baixa altura. Se não existir nenhum ponto de identificação destacado pode-se valer de um ponto deslocado alimentado no computador pelo eco do radar, fornecendo coordenadas precisas. O radar de abertura sintética (SAR), inicialmente desenvolvido para reconhecimento, produz imagens próximas à fotografia, permitindo efetuar pontaria e detecção, e muitas vezes identificação de alvos desconhecidos até então.




A precisão do lançamento da carga de armas, com exceção das orientadas, também é muito problemático. As características balísticas da arma, a velocidade e altura da aeronave, o vetor velocidade da aeronave a ser assumido pela cargas liberadas e os ventos transversais, todos influem no desenho da trajetória. A equação de pontaria, se manual exige perícia do piloto para compensar todas estas forças e lançar as armas no momento correto, sendo que um pequeno retardo do operador produzirá um erro grosseiro. Nas aeronaves mais modernas esta liberação é automática com o ponto de lançamento e impacto previamente calculado pelo computador balístico, levando em consideração todas estas variáveis. Seja qual for a modalidade de bombardeio, se de despejo, de mergulho, de arremesso, de mergulho ou arremesso de mergulho em baixo ângulo; os dados são introduzidos no computador durante o planejamento da missão, e quando julgar conveniente o piloto pressiona o botão que libera o bombardeio, sendo o lançamento em si decido a partir daí eletronicamente ou quando determinada distância for atingida. A função do piloto é de apenas autorizar o lançamento, além é claro de pilotar a aeronave.

Existem dois métodos usados para a liberação da carga de armas: o CCIP e o CCRP. o CCIP significa cálculo contínuo do ponto de impacto e CCRP cálculo contínuo do ponto de lançamento. Existem ainda as CCIP/IP e CCRP/IP: IP significa ponto incial da corrida de lançamento. Ao voar em baixo nível sobre o uma ou mais áreas de impacto selecionadas, o piloto poderá lançar sua carga em um alvo inopinado, ou seja, não conhecido anteriormente. Os métodos de lançamento IP colocam imediatamente uma arma pré-selecionada disponível para uso quando as áreas escolhidas estiverem sendo sobrevoadas. Tão logo este ponto for atingido o computador mostra uma mira no HUD ou HMD com o ponto de impacto, levando em consideração velocidade, altura e tipo de arma, inclusive o canhão. O CCRP é usado para liberação de bombas a granel, e tão logo o IP seja atingido, as armas são ativadas e liberadas no momento exato. 

Aeronaves de ataque podem desempenhar desde missões de apoio cerrado (close air support - CAS) até interdição de longo alcance, além das missões antinavio. O apoio cerrado/ interdição do campo de batalha é uma missão a muito baixa altura e próximo às tropas amigas, com penetração em espaço aéreo hostil e alvos encobertos por fumaça e poeira, além das dificuldades normais de visualização. Jatos rápidos necessitam do auxílio de controladores aéreos avançados (FACs), que podem estar no solo ou em aeronaves mais lentas como helicópteros, para vetorá-las. Estas equipes podem estar equipadas com designadores laser para iluminar o alvo, tendo o receptor laser no nariz da aeronave lendo seu reflexo e precisando o momento de liberação das armas. A corrida de ataque inicia-se a retaguarda das linhas de contato e tão logo as armas seja liberadas a aeronave pode evadir-se. Geralmente operam em pares e desejavelmente com outras aeronaves amigas na área confundindo e saturando as defesas. Nestas missões se priorizam primeiramente os sistemas AAAé e depois os veículos blindados, posições de tropas e outros alvos a pedido das tropas. Um jato rápido tem poucas chances de alvejar um veículo blindado, somente se estiver a sua frente e mesmo assim o tempo de aquisição é curto, a exceção é o A-10 da USAF construído para isso e que voa de forma mais lenta.



Atrás das linhas de contato está a zona de interdição por onde se extende a cauda logística do combate. A zona de batalha é definida pelo alcance da artilharia de campanha, a grosso modo cerca de 30 km. Os suprimentos de combustível, munição e tropas em reforço ocupam essa zona recuada e constituem-se nos alvos mais valiosos, trafegando sobre rodovias congestionadas, passando por pontes e estreitos, os pontos de choque. Em seguida vem as ferrovias, principalmente seus entroncamentos, alvos de mais de uma esquadrilha por vez usando armas de saturação de área como as bombas de cacho. 

Mais a retaguarda estão os grandes centros de comunicação, áreas de desdobramento logístico e bases aéreas, alvos das aeronaves de interdição profunda e mais capazes, pois ali estão as melhores defesas. Estas missões são preferencialmente executadas a noite ou em tempo adverso, quando as defesas estão menos capazes. Bases aéreas são alvos fortemente defendidos e o bombardeio de despejo com sobrevoo é muito perigoso, sendo preferidas armas guiadas de longo alcance, a aeronave ainda tem que subir para localizar o alvo e e orientar-se. Armas dotadas de GPS podem abreviar esta parte de tornar a missão mais segura. Se a opção for a primeira a solução é ter 2 ou 4 bombardeiros de despejo com bombas configuradas para explodir no ar, mantendo as cabeças abaixadas, enquanto outras bombas vindo de diversas direções caem em rápida sucessão.




Ataque a pontes e outros alvos pequenos requerem armas de precisão. Ataques noturnos são preferidos, pois os deslocamentos se dão a noite na maior parte. Uma ponte destruída no entardecer será de maior valia que uma destruída pela manhã, pois os reparos temporários demorarão mais e os veículos de suprimento teriam que trafegar de dia. Neste caso as LGBs são as favoritas. Uma aproximação a baixa altura até um IP, de onde a aeronave subiria para adquirir o alvo e lançar as bombas com pontaria pelo radar, retorna a baixa altitude e a bomba segue o laser emitido do solo ou de outra aeronave. O procedimento parece simples mas requer treinamento apurado.

Uma das missões mais clássicas no quesito penetração profunda é a supressão de defesas. Mísseis anti-radiação podem ser conduzidos pela própria aeronave atacante ou por outras que a acompanham a sua frente, voando mais alto para adquirir seus alvos, e se (os radares) eles forem desligados para esquivar-se dos mísseis a missão terá sido cumprida, mesmo sem impacto.

Outra missão clássica é o ataque anti-navio, também a baixa altura com subidas rápidas para aquisição de alvos, em caso negativo voa-se baixo mais um pouco e repete o procedimento até que o navio seja localizado. Estas missões são lançadas contra alvos conhecidos, porém móveis, ou contra áreas onde provavelmente haverá alvos. Se o alvo é encontrado suas coordenadas são alimentadas na memória do míssil e este é disparado para voo rente a superfície, geralmente valendo-se de INS com orientação radar ativo ou IR final. A aquisição do alvo poderá ser feita por uma aeronave, enquanto o lançamento é feito por outra que cruza numa direção diferente, com dados passados por link, dificultando as defesas do navio. Alvos que contam com porta aviões e caças capazes exigem mísseis de altíssimo desempenho, pois a aproximação é muito perigosa.




terça-feira, 16 de abril de 2019

O Bombardeio Aerotático - Parte 1 *162



O bombardeio aerotático, também conhecido como ataque ao solo é um conjunto de missões distintas realizada pelas chamadas aeronaves de caça e bombardeio, ou caça-bombardeiros. Estas missões podem ser executadas por uma variedade grande de aeronaves de diferentes tipos: existem os aviões de ataque ao solo especialmente concebidos como o AMX ítalo-brasileiro, o F-15E norte-americano e o Panavia Tornado IDS europeu; as chamadas aeronaves multifuncionais que estão em alta ultimamente devido a necessidade das forças aéreas tornarem-se mais "enxutas" como os F-35 e F-18E/F norte-americano, o Dassault Rafale francês e o Saab GripenA/B/C/D/E/F suecos; as aeronaves leves de combate a insurreição como o Embraer Super Tucano e o Bronco norte-americano usado na Guerra do Vietnam; os bombardeiros estratégicos Tupolev Tu-160 Russo e os Boeing B-52 e o Rockwell B-1 Lancer norte-americanos; além de outras aeronaves adaptadas para a função como o cargueiro/ataque AC-130 norte-americano e aeronaves de patrulha marítima como o P-3 Orion também dos EUA e outros. treinadores avançados também podem cumprir missões de ataque ao solo, porém com capacidades limitadas.

Seja qual for o vetor, o papel de artilharia aérea poderá ser desempenhado com maior o menor eficiência de acordo com a adequação do modelo utilizado com a natureza da missão, que envolve um grande número de fatores diferentes a serem considerados, e a escolha do tipo de aeronave que irá cumpri-la deverá considerar sua capacidade de sobrevivência no ambiente da missão e sua competência para aquele tipo de tarefa.




Este tipo de missão é desempenhado da forma mais eficiente pelas aeronaves especificamente projetadas, porém esta condição é privilégio de poucas forças aéreas mais abastadas, e como nunca se luta a guerra para a qual a aeronave foi projetada, a solução mais sensata para a maioria das forças é possuir um número maior de aeronaves com múltiplas capacidades. No combate real o inesperado é a regra e luta-se com o que se tem nas condições que se apresentarem, sem tempo para novos desenvolvimentos, que são melhor efetivados em tempos de paz.

Na atualidade então, cada vez mais, a tendência é ter aeronaves que possam penetrar defesas relativamente fáceis até um ponto em que o alvo possa ser adquirido e sua carga bélica lançada, esta sim especializada, com a evasão imediata da aeronave para espaço mais seguros; possibilitando a destruição de uma variedade grande de alvos com um único vetor.

Existe uma variedade muito grande de munição ar-solo destinadas a acertar alvos de diferentes naturezas, que são variações de alguns poucos modelos-base. Quanto mais padronizada forem estas armas, mais fáceis se tornam a estocagem e classificação, o manuseio, o treinamento e menor são os custos. Devido a variedade se torna difícil manter todos os modelos disponíveis em todas as bases aéreas, e embora as aeronaves possam estar capacitadas a usar todos eles, as unidades tendem a especialização.

Outro fator sempre considerado é o alcance e capacidade de carga de cada tipo de aeronave, que define a distância das bases das áreas de alvos e a capacidade de sobrevivência nos ambientes a operar, além da capacidade de operar em pistas danificadas e/ou curtas. A questão do alcance vem sendo superada pela capacidade de reabastecimento em voo, porém ainda limitada pela condições fisiológicas da tripulação, que também vem sendo superada pelo uso cada vez maior de aeronaves de pilotagem remota.

As cargas máximas que um bombardeiro tático pode carregar nada tem a ver com o que realmente carregam em combate, pois elas podem degradar severamente seu desempenho. Aeronaves capazes de Mach 2 se tornam subsônicas, seus tetos de voo se reduzem pela metade e suas capacidades de evasão do assédio das defesas inimigas ficam fortemente prejudicadas. Missões em alcances limites sempre serão necessárias, demandando o uso de tanques externos e proteção extra garante o retorno em segurança à base, com pods eletrônicos e mísseis de autodefesa frequentemente instalados; cargas extras que reduzem ainda mais a carga útil. No final das contas a carga transportada será metade da carga máxima, e o raio operacional reduzido pelo atrito aerodinâmico e peso da carga extra. Metade do combustível transportado externamente é usado para vencer a resistência extra e a outra metade para levar a aeronave até seu raio operacional normal.

A variedade de armamento transportada é grande e pode ser agrupada em canhões, bombas comuns, bombas inteligentes, foguetes, armas teleguiadas, armas antipista e armas de saturação de área.


O Armamento Transportado





O Canhão Aéreo

A primeira arma a equipar uma aeronave de ataque (nem todas) é o canhão, que normalmente é aquele mesmo desenvolvido para o combate aéreo, podendo disparar munições perfurantes e explosivas, que pode ser do tipo revólver ou gatling (canos rotativos), com as vantagens e desvantagens de cada um.




Como exemplo do tipo gatling temos o norte-americano M61A Vulcan de 6 canos, antigo e confiável, pode disparar cerca de 100 vezes em 1 segundo, demorando 3/10 de segundo para atingir sua cadência máxima. Pesa cerca de 310 kg sem munição e 420 kg totalmente municiado com seus projéteis de 20 mm, de 100 g com velocidade inicial de 1.036 m/s. É uma arma volumosa devido aos seus canos e não pode manter fogo por muito tempo, pois a munição acaba logo.

O Aden de 25 mm é uma arma do tipo revólver é bem menos volumoso que o Vulcan, pesa 197 kg e comporta 200 projéteis. Dois deles podem ser instalados onde se instala um Vulcan, e disparam 1.700 tpm, projéteis de 180 g a 1.050 m/s, podendo penetrar 50 mm de blindagem a 1.000 m. O Vulcan é mais certeiro, enquanto o Aden é mais potente.

Sem outro modelo com que possa ser comparado, o GAU-8 de 30 mm do A-10 é uma arma gigantesca que ocupa boa parte da fuselagem da aeronave, que foi construída em torno dele. este destruidor de tanques de 7 canos dispara projéteis de urânio exaurido de 430 g a 988 m/s, transferindo grande quantidade de energia cinética a seus alvos. Mede 6,06 m e pesa 1.828 kg, dispara seus projéteis a taxa teórica de 4.200 tpm, contando com uma reserva de 1.350 tiros. Leva 0,5 s para se armar e produz vibrações que dificultam em muito sua pontaria. É uma arma precisa e confiável.

Com exceção do GAU-8, o canhão aéreo é uma arma de curto alcance, não efetiva a mais que 900 m. Sua pontaria requer que a aeronave esteja apontada para o alvo, em baixa altura, à baixa velocidade que a torna vulnerável. Sua existência em aeronaves de ataque é de valor questionável, pois considerando que ela esteja voando a 880 km/h (244 m/s) e supondo que um alvo possa ser visto, em condições de combate, a 1.500 m, o piloto contará com cerca de 5 segundos para alinhar a mira e abrir fogo, sendo viáveis apenas os alvos que estiverem próximos a linha de voo da aeronave. Por que então um jato veloz e dispendioso deve se ariscar desta maneira, se os resultados serão duvidosos? É uma arma secundária e de uso como último recurso.

A Bomba Aérea

A bomba aérea é a arma de ataque ao solo mais utilizada, empregada contra uma grande variedade de alvos. São construídas mais comumente nos portes de 250 lb (113 kg) a 2000 lb (907 kg), sendo pesos nominais e na prática pesem bem mais. São simples e baratas, porém colocá-las no alvo é mais difícil do que parece.




No momento em que são liberadas da aeronave uma variedade de forças passam a atuar sobre ela. A primeira é sua velocidade, herdada da aeronave lançadora; depois vem o atrito aerodinâmico, a gravidade e os ventos transversais. O lançamento se dá pela explosão de cartuchos ejetores que a levam para longe da turbulência da aeronave, seu vetor de velocidade a levará para frente, a gravidade para baixo, que associada ao vetor imprimir-lhe-á trajetória balística, que será abreviada pelo arrasto aerodinâmico, que será desviada de seu curso pelos ventos transversais, em uma intensidade que dependerá a força do vento e do tempo de voo.

Lançar uma bomba é uma empreitada perigosa. A posição do alvo deverá ser alimentada no computador balístico com antecedência, e se a aquisição for visual o piloto é forçado a reduzir sua velocidade de forma a poder ver o alvo a uma distância suficiente para os procedimentos de lançamento. Contra um alvo pesadamente defendido este procedimento não é recomendável e nem aceitável. Nestas áreas de defesas densas os ataques tem que ser a baixa altura, com sistemas de navegação/ataque precisos e rotas de aproximação pré-planejadas.




Liberar uma bomba em voo rápido e nivelado, a baixa altitude trás as suas complicações. A aeronave não pode estar tão baixa que a bomba não tenha tempo de se armar, como ocorreu com os inexperientes aviadores da FAA nas Falklands/Malvinas em bombardeio naval, porém elas não devem se armar muito cedo, pois podem colidir em voo, detonarem e atingirem a aeronave lançadora, que também poderá ser atingida pela detonação no solo, se muito próxima. Quando as bombas são liberadas, o arrasto faz sua velocidade diminuir gradualmente, a gravidade as separa verticalmente do plano de voo em cerca de 5 m no primeiro segundo (9,8 m/s²), com a bomba voando em formação cerrada com a aeronave. Uma bomba lançada a 1.100 km/h é capaz de produzir sustentação própria o que força a redução da velocidade de lançamento, e o calor gerado pelo voo supersônico pode danificar a espoleta. Estes problemas foram superados com o advento das bombas retardadas, com a Snakeye norte-americana, que possuem freio aerodinâmicos que possibilitam que a aeronave a deixe para trás rapidamente. O sistema francês da Matra utiliza paraquedas e permite lançamentos a velocidades entre 700 e 1000 km/h em alturas de 30 m, com retardos de 17 s, caso a altitude seja menor.

As bombas funcionam com uma combinação de impacto, explosão e fragmentação e podem assediar um grande número de alvos, mas sua eficiência se reduz a medida que cai fora de seu ponto de impacto pretendido.



As Bombas Antipista

Esta é uma arma especializada na destruição de pistas, e seu modelo mais conhecido é a Matra Durandal francesa. Ela pesa 440 lb (200 kg), o que possibilita que muitas sejam levadas. Simples e acessível, é lançada a baixa altura, freada bruscamente por um paraquedas que a leva a um ângulo suficiente para evitar o ricochete na superfície resistente, quando então é acelerada por um foguete a uma velocidade que permite que sua cabeça dura e pontuda penetre o concreto e detone dentro do buraco. A pista é perfurada, o concreto é despedaçado e espalhado a boa distância, criando uma cratera difícil de ser reparada.




As Bombas de Cacho (CBU -Cluster Bomb unit)

As bombas de cacho ou múltiplas consistem em um porta bombas que abriga um grande número de bombas menores (pequenas), que se abre em um determinado ponto da trajetória de queda e espalham sua carga por uma grande área, minimizando a imprecisão do lançamento e aumentando a possibilidade de destruição do alvo com um lançamento único. Existem tipos para emprego contra blindados, tropas disposta no terreno, viaturas de transporte ou depósitos de suprimento e combustível/munição. Um exemplo é a Hutling BL755 britânica que mede 2,45 m; pesa 582 lb (264 kg); e tem 147 submunições antiblindagem que são ejetadas a diferentes velocidades, produzindo um padrão regular no solo. A detonação é por impacto e a fragmentação produz efeitos secundários contra alvos leves. Seu lançamento exige observância a limites, tando inferiores como superiores: A velocidade da aeronave determina o grau de espalhamento pela linha de voo, a altura dará o seu padrão ótimo de espalhamento específico, abaixo da altura ideal o espalhamento lateral será reduzido, e acima as bombas cairão formando um buraco no centro.

Uma variante desta arma é o espalhador de munição como o JP 233 britânico para ataques a bases aéreas. Conduzidos em duplas pelos Tornados da RAF, eles liberam 30 munições para abertura de crateras como a Durandal e 215 munições de queda retardada com impacto reduzido, após o qual se mantem erguidas sobre pernas de aço. Devido ao entulho formado são difíceis de serem vistas e se o forem, são perigosas de se aproximar, destruindo tratores que tentem reparar as crateras com ativação por sensores de proximidade, podendo ainda detonarem por temporização com efeitos de fragmentação consideráveis. Um Tornado pode lançar 60 abridoras de crateras e 430 minas.




O Foguete

Para lançar as armas descritas até agora, a aeronaves fatalmente tem que ultrapassar o alvo após o seu uso, tornando-a vulnerável ao fogo que vem de terra. O foguete que agora descrevemos é a primeira arma "stand-off" (atire sem se expor) deste artigo. Simples e barato, é carregado em pods e disparado em sequência criando um efeito de metralha. Um exemplo é o SNEB de 68 mm, estabilizado por rotação, conta com ogivas múltiplas para empregos específicos, podendo ser disparados a velocidades de 2.160 km/h, acima da velocidade da aeronave lançadora, em alcances que variam de 1.000 a 4.000 m. Por ser uma arma não dirigida, força a aeronave adotar uma linha de voo em direção ao alvo para ser disparado, tornando sua trajetória futura previsível e vulnerável, embora menos que quando dispara seu canhão. Com precisão mediana, permanece em serviço devido ao seu custo e praticidade.




A Bomba Dirigida (Inteligente)

A bomba dirigida nada mais é que uma bomba comum como as já descritas, dotadas de um kit de orientação que lhe confere alta probabilidade de atingir o alvo, sem que a aeronave precise adotar sua linha de voo, nem precise se aproximar tanto do alvo. É o segundo nível na escala "stand-off", depois do foguete não guiado. Seu funcionamento segue um princípio simples: um feixe de laser é projetado sobre o alvo de longa distância, a partir da própria aeronave lançadora, de outra aeronave ou de uma tropa em solo, com seu reflexo visualizado pelo sensor do kit de guiagem, e uma vez captado, fará com que o dispositivo de orientação a guiem até o alvo iluminado através de atuadores aerodinâmicos.

Este kit é relativamente acessível e simples, mas requer que a bomba seja lançada na trajetória correta, não possui propulsão e deve ser lançada com energia suficiente para atingir seu objetivo. É altamente precisa e pode ser usada contra uma variedade de alvos críticos. 

Armas mais capazes e caras seguem o mesmo princípio, porém aumentando a sofisticação e consequentemente eficácia do bombardeio. Como exemplo citamos a GBU-15 norte-americana, um kit capaz de vetorar uma bomba comum de 2.000 lb (907 kg) usando de sensoreamento por TV e IR. Após o lançamento ela segue uma trajetória baseada em dados fornecidos pela aeronave lançadora, que já deu meia volta. Seu sensores transmitirão até a cabine da aeronave as imagens da área a frente da trajetória da bomba e após identificado o alvo o oficial de bombardeio acionará o rastreador para orientação terminal automática, efetuando correções manuais se necessárias, ou ainda a dirigirá manualmente via link de dados. Pode alcançar ate´28 km, dependendo da altitude de lançamento.

Subindo o próximo degrau da escala temos a AGM-130, uma versão da GBU-15 mais poderosa e com o triplo do alcance, proporcionado por um foguete propulsor.




O Míssil Ar-Superfície

O conceito de míssil é o de uma bomba autopropulsada e orientada a partir de seus meios próprios, em conjunto ou não com a aeronave lançadora. Longe de ser uma adaptação das bombas existentes, os mísseis são engenhos especificamente projetados. O AGM-65 Maverick é um míssil orientandos a laser ou TV em suas versões mais antigas, e IIR em suas variantes mais modernas. Muito compacto (220 kg), alcança até 16 km quando lançado a baixa altura, embora as condições atmosféricas limite este alcance. Usado contra grande variedade de alvos em apoio cerrado, o piloto alinha a aeronave com o alvo que é mostrado em uma tela na aeronave, tal qual a GBU-15, seleciona-o e atira, dando meia volta em seguida. Existem ainda armas não explosivas de energia cinética e hipervelocidade podem ser usadas contra veículos blindados.

O míssil antirradiação (ARM) é uma variação do míssil ar-solo que se orienta pela radiação emitida pelos radares das antiaéreas. Como exemplo citamos o AGM-88 Harm também dos EUA. O míssil segue o feixe de radiação, e mesmo que o radar seja desligado, a missão é considerada cumprida, pois a finalidade é cegar as baterias que ameaçam as forças em ataque. Ele também pode ser pré-programado e lançado na direção de vários radares que estejam desligados, e caso algum deles comece a irradiar, o míssil o engajará. Cruza a Mach 2 e pode atingir até 18 km. O Alarm europeu age da mesma forma, porém subindo a 12.000 m e descendo por paraquedas com o motor desligado, entrando em ação quando algum dos radares for ativado. Alguns modelos possuem navegação INS e são lançados na direção conhecida de radares que saíram do ar em curso estável. O uso do IIR Maverick + ARM é uma combinação eficiente, pois o primeiro pode captar o calor emanado pela antena do radar desligado.




O Míssil Antinavio

Os mísseis antinavio são os maiores mísseis transportados por aeronaves táticas. Navios são alvos grandes e demandam ogivas igualmente grandes para neutraliza-los,  bem como o alcance deve ser longo, o que requer motores grandes, muito combustível e orientação de meio curso como a por INS com outra forma de orientação terminal. Pesam por volta dos 550 kg, cruzam a velocidades subsônica alta ou supersônica, impulsionados por foguetes ou turbojatos, e atingem 70 km ou mais, com aquisição do alvo e lançamento a baixa altura. O Brahmos indiano atinge por volta de 290 km e cruza a Mach 2,9. O alvo deve ser adquirido pela aeronave lançadora ou outra plataforma que repassa seus dados por data-link a esta, que os alimenta no sistema de guiagem do míssil, que após lançado faz uma aproximação às cegas a baixíssima altura para evitar detecção, ligando seus radar ativo na fase terminal do voo, denunciando-se ao alvo quando é tarde demais. Existem modelos menores como o Penguin norueguês, que orienta-se por IR e não releva sua presença ao alvo, mas não pode ser lançado em meio ao nevoeiro. O modelo AGM-84 Harpoon faz uma subida final para ataque em mergulho e o Sea Eagle britânico pode sobrevoar um barco à frente e atacar o que está atrás, sendo o mais popular o AM-39 Exocet francês, devido ao seus resultados nos conflitos das Falklands/Malvinas em 1982 e no Golfo Pérsico. Não é necessário que o míssil destrua o navio, mas inicie um incêndio em seu paiol ou depósitos de combustível para por o navio fora e ação.

Existem ainda outras munições mais recentemente desenvolvidas, porém as aqui descritas servem para ilustrar o universo do bombardeio aéreo tático.





As Aeronaves


Como já foi dito quase todas as aeronaves militares tem algum poder de ataque ao solo, porém vamos nos concentrar nas aeronaves dedicadas em nossa descrição. Uma aeronave de ataque ao solo típica tem 4 ou mais suportes para o transporte de cargas externas, cada um dimensionado para carregar um peso diferente e mais de uma dezena de cargas de diversos tipos, todos com coeficiente de arrasto diferenciado, que afetam diretamente o desempenho da aeronave.

A altitude de voo também afeta diretamente o desempenho. Quanto mais alto a aeronaves está, mais rarefeito o ar, o que diminui o atrito aerodinâmico e aumenta o alcance da aeronave. Quanto menor o atrito, menos combustível os motores precisam queimar para impulsionar a aeronave, porém voo em maiores altitudes só podem ser usados em áreas amigas ou neutras, ou ainda mais raramente, em altitudes tão grandes que estejam fora do alcance das defesas. Porém em áreas hostis a baixa altitude é a norma, e se a penetração exigir velocidades que demandem o uso de pós-combustor o combustível será queimado em taxas alarmantes, o que reduz em muito o alcance. Esta situação pode ser contornada com a adição de tanques externos de combustível, o que ocupa suportes que poderiam carregar bombas, a ainda faz a aeronave operar sob a lei dos retornos mais curtos, com metade do combustível do tanque adicional queimado para transportar a outra metade até o ponto onde será utilizado para aumentar o raio da missão.



Contra-medidas eletrônicas fazem parte de aeronaves mais modernas e são acondicionadas na fuselagem na fase de projeto, porém aeronaves que não contam com esta facilidade tem que carregá-las em suportes que poderiam estar carregando armas. Aeronaves como o Tornado IDS possuem suportes especializados no acondicionamento exclusivo destas cargas eletrônicas. Muitas aeronaves ainda carregam mísseis ar-ar para autodefesa, e mesmo que não ocupem suportes de cargas ar-solo contribuem para o aumento do arrasto e do peso, reduzindo a carga efetiva a ser transportada. Um exemplo desta degradação do desempenho vem da Guerra do Vietnam, quando um veterano comentou que ataque a partir de porta-aviões com aeronaves Corsair eram usualmente conduzidos a um raio máximo de 460 km, com os folhetos do fabricante citando um raio operacional de 740 km. 

O real de desempenho de uma aeronave militar só é de conhecimento do fabricante e de quem com ele opera, sendo os folhetos pouco fiéis a realidade. A velocidade máxima geralmente e descrita em condições ideais a alta altitude, desconsiderando que ele raramente operará nestas condições. A capacidade de carregar 2 bombas de 250 kg a 920 km também é de interesse acadêmico, pois nas situações reais ele vai carregar uma carga de 3.600 kg a uma distância X e terá que retornar a base com uma quantidade de combustível que torne o voo seguro, podendo ainda ter que tomar medidas evasivas na ida e fugir dos caçadores na volta.

O voo é um processo dinâmico: a aeronave muda seu perfil durante toda a missão. O desempenho varia conforme a altitude, a velocidade, a temperatura e pressão ambientes, e o peso total diminui a medida que o combustível vai sendo queimado. Numa missão típica a aeronave decolaria totalmente carregada, ganharia altitude em território amigo, estabeleceria lá em cima uma velocidade econômica de cruzeiro queimando o combustível gradualmente e se tornando mais leve até atingir território hostil, quando desceria a baixa altitude para evitar detecção pelos radares de busca e ejetaria os tanques vazios para diminuir o arrasto. A penetração a partir daí seria em alta velocidade e altitudes muito baixas, queimando muito combustível, as armas após serem liberadas sobre o alvo tornam a aeronave ainda mais leve e o atrito muito menor, com o regresso em alta velocidade mas mantendo-se ainda a baixa altura. Uma vez em território não hostil retornaria a altitude e velocidades econômicas, com peso mínimo, assim até a base. Ao longo da missão o peso, o atrito e o desempenho teriam variado radicalmente.

A seguir demonstramos uma maneira prática para efetuar comparações reais entre os diferentes modelos de aeronaves, levando em conta os dados do fabricante, porém analisando-os sob condições mais realistas.

As dimensões da aeronave são àquelas descritas, sendo declaradas comprimento, envergadura, altura, área da asa e razão de aspecto que afeta a qualidade de voo em baixa altura. A razão de aspecto é a divisão do quadrado da envergadura pela área. Ela afeta o arrasto induzido de forma inversamente proporcional, sendo menor o arrasto quanto maior a razão de aspecto, provocando sustentação maior a mesma velocidade. Asas com maior razão de aspecto possuem menores velocidades de estol.




Os pesos descritos são aproximados, pois podem ser arredondados e cada unidade de um mesmo modelo pode incorporar alguns componentes diferentes, principalmente se pertencerem a forças diferentes. Por exemplo, os AMX da FAB possuem 2 canhões DEFA de 30 mm, enquanto que os AMX da AMI possuem 1 canhão Vulcan de 20 mm. O peso limpo de decolagem refere-se a aeronave com os tanques internos ao máximo e os canhões completamente municiados. O peso máximo de decolagem é o valor do folheto, calculado pela equação peso de decolagem + capacidade máxima dos suportes, sendo impossível na prática encontrar uma combinação de armas e sistemas que o iguale, tornando-o um valor teórico. Igualmente a carga máxima externa é a soma das capacidades dos suportes para cargas ar-solo, tendo algumas aeronaves suportes específicos para eletrônicos, combustível ou mísseis ar-ar.

o número de motores e seu tipo é sempre declarado, e seu empuxo é o estático ao nível do mar, alterando-se em condições operacionais com incrementos um maior que o declarado, reduzindo-se a medida que a altitude aumentar. Turbofans são mais econômicos em cruzeiro que os turbojatos. O combustível é especificado em volume, e seu peso pela equivalência de JP-4, sendo o externo, se houver, especificado separadamente. Se a aeronave tiver capacidade de REVO seu alcance pode ser estendido indefinidamente de forma teórica, sendo fatores limitantes os fisiológicos, o lubrificante ou o oxigênio do piloto. O REVO não é possível em espaço aéreo hostil. A fração de combustível é a porcentagem de combustível interno expressa na proporção do peso limpo de decolagem. Valores de 0,27 a 0,30 expressam um aeronave de desempenho aceitável de longo alcance com combustível interno; abaixo de 0,27 significa que tende a ter falta de raio operacional e acima de 0,30 significa que carrega peso extra, não somente pelo combustível adicional, mas pela estruturas necessárias para carregá-los. Um turbofan deve ter um raio operacional maior que um turbojato, embora existam outros fatores.

As cargas são consideradas de duas formas: as por empuxo e a carga da asa. As cargas por empuxo são expressas na razão do empuxo estático ao nível do mar e do peso, dando um indicação de potência disponíveis entre diferentes modelos, embora esta varie muito entre uma decolagem carregado e o retorno com combustível mínimo e artilharia disparada. As cargas por empuxo são fornecidas para peso máximo e peso limpo de decolagem, e na diferença entre os dois existem valores relativos que servem para comparar modelos. A carga da asa é calculada sobre os 2 pesos com cargas, e expressa a capacidade de manobra do caça, porém dispositivos de alta sustentação tenham dificultado a comparação. Uma aeronave carregada não fica nada manobrável, mas voará a alta velocidade a altitudes baixas, e a resposta a rajadas é o fator mais importante. Resposta a rajadas é um fator de conforto de voo: uma baixa resposta significa que a tripulação sofre pouco com a turbulência e tem seu desempenho otimizado. Uma alta carga alar com baixa razão de aspecto produz menor resposta a rajadas, ou um voo mais suave. A carga para peso limpo de decolagem dá uma ideia grosseira da capacidade de manobra, caso tenha que lutar na volta à base.

A velocidade máxima é informada para grande altitude (+\- 11.000 m) e o nível do mar e é dada em Mach (Mach 1 = 1 x a velocidade do som). São informadas em condições ideais e distantes da realidade operacional. Como regra geral toda aeronaves carregada é subsônica, o uso de pós-combustão oferece um alvo mais atrativo aos mísseis IR, consome combustível mais rapidamente e degrada a precisão do ataque. Quando se comparar os 2 valores deve-se considerar que a diferença da velocidade do som entre o nível do mar e a grande altitude é de +/- 163 km/h. Igualmente o teto é medido também em condições ideais e irrelevante, assim como a taxa de subida.



PARTE 2 - TÁTICA DE COMBATE DE BOMBARDEIO

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Blindados Anfíbios - para que servem *161



Para que eram necessários ? Qual é a utilidade de tanques anfíbios? Se estivermos defendendo nosso território, se estivermos em guerra eminentemente defensiva, tanques anfíbios não são realmente necessários. Podemos passar sem eles. Para deter o inimigo, é melhor ter tanques de blindagem espessa e armas poderosas - quanto mais pesadas e potentes, melhor. Se não pudermos deter o inimigo na guerra defensiva, seremos forçados a bater em retirada. E fugimos usando nossas pontes. Se o inimigo ameaçar tomá-las, podemos detoná-las e levá-lo conosco. Há pouco uso para tanques de blindagem leve e metralhadoras numa guerra defensiva. Sua capacidade de flutuar não tem utilidade alguma: na guerra defensiva não há lugar para navegar.

Porém, se estamos numa cruzada pelo domínio do mundo, quando é preciso tanger a população do planeta para campos de concentração, onde ela forme exércitos de operários - a chamada trudóvaia ármia, exército de mão de obra - , nossas necessidades são outras. Para invadir a linha inimiga, precisamos de tanques pesados, com maior blindagem e canhões mais potentes. Se acontece uma batalha, se duas unidades de tanques colidem,  precisamos dos mais poderosos tanques. Quando a linha de frente é rompida, e os tanques inimigos desbaratados, nossa tarefa muda para aproveitar o momento e avançar fundo na retaguarda inimiga, a fim de dividir suas defesas e ter acesso a suas linhas de comunicação e suprimentos, atingir a aorta e cortá-la, separando o inimigo das bases, e alcançar a capital, as regiões industriais, as fontes de petróleo e os portos. O tanque pesado não é bom para esse avanço. Devido ao peso ele quebra estradas e pontes, e ainda fia no caminho de quem o acompanha. Um tanque pesado consome muito combustível; tente abastecer milhares de tanques, caminhões de reboque e outro tanto de veículos que queiram avançar no território inimigo. Além de tudo isso, um tanque pesado é também lento e pouco ágil, retardando o deslocamento das colunas. E ainda por cima ele se desgasta rapidamente e perde o fôlego, tal como o peso-pesado numa maratona. Para um avanço rápido, tanques médios e leves são ideais. Possuem blindagem mais frágil, armas menos potentes, mas têm muito maior velocidade, facilidade de manobrar e atravessar o país. E gastam menos combustível.

Agora, nossa armada blindada está diante de um obstáculo de águas. Aqui, todos os tanques médios e pesados, bem como os leves que não foram ensinados a flutuar, perdem seu poder de agressão. Seu valor cai a zero. Precisam de uma ponte; mas o inimigo protege as pontes a as detona, quando se sente ameaçado. É preciso lutar pelas pontes. E é melhor lutar não deste lado, mas do outro lado do rio, onde ninguém nos espera. Nessa situação, o valor dos tanques anfíbios leves cresce tremendamente. Se dois, três, cinco, dez tanques atravessarem o rio à noite, e com um ataque fulminante tomarem a ponte pela retaguarda, isso pode decidir o destino da operação, ou até da própria guerra. Agora é possível levar para o território inimigo, através da ponte recém-tomada, os tanques médios e pesados, junto de artilharia, infantaria, pessoal, hospitais inteiros, toneladas de munição, combustível e peças de reserva. Agora é possível usar a ponte tomada para mandar prisioneiros, feridos de guerra e troféus para a retaguarda, além de mandar de volta para conserto a maquinaria danificada.

Se for impossível tomar a ponte, tanques anfíbios tornam-se realmente valiosos. E não havendo pontes inimigas, precisamos instalar nossas pontes temporárias, para a transporte de bens através do rio. Para isso, precisamos estabelecer uma cabeça de ponte no outro lado. A infantaria então é enviada. Sobre troncos, pranchas de madeira e jangadas infláveis, eles tentam chegar à outra margem. Enquanto isso, são alvo de metralhadoras, morteiros e rifles automáticos. Aqui, entre os que tentam nadar, imagine dez ou vinte tanques leves. Sua blindagem não sofre com balas nem bombas de fragmentos, ao passo que suas metralhadoras podem cuspir fogo, quando nenhum dos que estão nadando pode dar um único tiro.

Agora atingimos a outra margem. O mais importante a fazer é abrigar-se de algum modo, é cavar trincheiras no chão nos próximos vinte minutos ou mais, para que o contra-ataque não caia sobre nós. Assim, morteiros e metralhadoras não serão tão destrutivos, e os atiradores e soldados inimigos não serão tão letais. Nossa infantaria molhada, ferida e exausta não porta armas pesadas nem munição. Portanto nesses primeiros e terríveis minutos em território inimigo, a presença, a ajuda e o apoio de um único tanque leve, com uma única metralhadora, é mais valiosa e importante que dez truculentos tanques pesados, que seriam forçados a ficar do nosso lado do rio.

trecho do livro " O Grande Culpado - O plano de Stálin para iniciar a II Guerra Mundial" de Viktor Suvorov. Este livro revela uma estória alternativa sobre Hitler e Stálin,  e uma invasão oportuna e desinformada da URSS. Se o descrito corresponde a verdade não sei, mas o livro é muito bom, vale a pena, pois é muito interessante.

domingo, 14 de abril de 2019

Sistemas Operacionais *160



Generalidades

Ao assumir uma missão de combate, o comandante, seja de um exército ou de uma pequena fração, deverá se cercar de todos os cuidados que devem ser tomados para cumpri-la, ao menor custo pessoal e material possível e com o sucesso que se espera dele. Para tanto ele deverá, dentro de seu plano de ação, compor um força-tarefa balanceada com todos os elementos necessários, integrando elementos de combate, de apoio ao combate e de suporte logístico.

Entrar em um teatro de operações é uma tarefa que exige cautela e conhecimento, devendo o comandante ter plena ciência das ameaças que irá enfrentar, que áreas são seguras e quais são mais perigosas, qual o perfil de seus inimigos, quais as dificuldades logísticas que se apresentarão, etc...

Para enfrentar os desafios que estão pela frente, uma força em campanha deverá operar com seus elementos de forma sinérgica, coordenada e sincronizada, com cada unidade desempenhando um papel distinto no esforço de combate, todos importantes e necessários. O efetivo de uma força que efetivamente entrará em combates decisivos e planejados constitui uma parcela minoritária desta força, sendo que grande parte de seu efetivo estará empenhado em funções acessórias, porém não menos importantes que o próprio combate e na maioria delas vitais para que as forças operantes e que engajarão as forças inimigas diretamente possam atuar.

As diversas unidades sempre estarão inseridas nos chamados "Sistemas Operacionais", que não são uma estrutura de comando, mas sim um conceito que permite aos comandantes visualizarem de forma sistemática o teatro que irão atuar e cada um de seus atores, correlacionando suas funções e evitando que algum aspecto da situação seja negligenciado. A visão sistêmica da campanha em que estão engajados, permite aos comandantes coordenar o emprego oportuno de seus diversos meios no tempo, no espaço e na finalidade.

Cada força-tarefa implementa seus sistemas operacionais de forma a atender suas necessidades específicas, porém uma campanha é levada a cabo pela operação integrada e harmônica de todas as unidades componentes, com suas diferentes especialidades, e seus sistemas devem ser integrados de forma a atuar como tal, minimizando esforços e maximizando resultados.

Os Sistemas Operacionais

A título de exemplo apresentamos aqui um modelo de sistemas operacionais em número de 6: Comando e Controle/Comunicações (C2/C3); Inteligência, Manobra, Apoio ao Combate; Segurança e Proteção e Apoio logístico. Esses sistemas se prestam a nortear um planejamento tanto no nível tático como no estratégico-operacional das operações, e sua compreensão facilita o emprego do conceito de armas combinadas de forma eficaz.
  • Comando e Controle (C2/C3)
  • Inteligência Militar (I)
  • Manobra
  • Apoio ao Combate
  • Segurança e Proteção
  • Apoio Logístico.


Esse sistema permite aos comandantes de todos os escalões e diferentes unidades visualizar o campo de batalha, apreender a situação e dirigir as ações militares necessárias à vitória, seja pelo plano de ação ou pelas correções de rumo. Também estabelece as ligações necessárias ao exercício do comando, as comunicações entre os diversos postos de comando (PC); entre os comandantes e seus estados-maiores, quando eles deixam a área do PC, Entre o comando e a tropa e entre as unidades, seja para coordenação ou solicitação de apoio. As comunicações (C3) são o elemento vital para o exercício do comando e controle em combate. Integram este elemento todos os indivíduos e seções envolvidos diretamente nesta função específica (C2) de todas as unidades, as de comunicações e os comandantes das diversas unidades e subunidades. Este elemento é vital a qualquer operação, pois unidades bem treinadas e equipadas de nada valem se não souberem o que fazer.



É fundamental para o planejamento eficaz e para a segurança das tropas. As operações de inteligência são esforços organizados para coleta, análise e difusão de informações precisas e oportunas sobre a área de operações e o inimigo. Para fornecer uma visão precisa do campo de batalha, exige direção centralizada, ação simultânea em todos os níveis de comando e difusão oportuna das informações pela cadeia de comando. O comandante, em todos os escalões e unidades, dirige as atividades de inteligência. Esse sistema acha-se intimamente ligado ao de comando e controle e na prática é exercido pelas unidades especializadas nesta função, as seções de inteligência das diversas unidades com participação efetiva da totalidade das forças amigas, pois qualquer integrante destas pode fornecer, a qualquer momento, subsídios importantes ao exercício desta atividade, mesmo um indivíduo que não tenha como função a coleta de informações. Cabe ao sistema inteligência subsidiar as decisões do sistema C2.



  • Manobra: 
A manobra é uma ação estratégica-militar, um princípio de guerra e um elemento fundamental do poder de combate. Resumidamente, consiste na combinação de fogo e movimento para posicionar-se, no campo de batalha, de maneira vantajosa em relação ao inimigo. Ela cria as condições para a conquista dos objetivos táticos, estratégico-operacionais ou estratégicos. Todos os sistemas trabalham para facilitar, orientar e apoiar a manobra, mas sua relação mais imediata é com os sistemas de apoio ao combate, de comando e controle, de proteção e logístico. Este sistema é exercido na sua essência pelas armas-base nos exércitos e pelos diversos tipos de navios de guerra que atuam em combate direto. As forças aéreas não manobram, elas apoiam as forças de superfície, e quando atuam apenas no espaço aéreo é para garantir sua segurança, que é uma função de proteção.



  • Apoio ao combate:
O Apoio ao combate consiste em todas as ações que agem como facilitadoras das ações de manobra. Envolve as ações de mobilidade e contra-mobilidade proporcionadas pelas tropas de engenharia e pelas unidades de transportes civis e militares, as ações de apoio de fogo pela artilharia de campanha, artilharia naval e aviação tática, e guerra eletrônica ofensiva (ECMs ativas) geralmente desencadeadas por unidades especializadas ou de comunicações. 

As operações de mobilidade preservam a liberdade de manobra das forças amigas. Incluem a abertura de trilhas e brechas nos obstáculos inimigos, a melhoria da circulação no campo de batalha, a construção de meios para a transposição de cursos de água e obstáculos, e as medidas para controle de tráfego e circulação e a utilização da Aviação do Exército nas funções de aeromobilidade. As medidas de contramobilidade visam a impedir ou dificultar a mobilidade do inimigo. Podem incluir as unidades de manobra e fogos, interditando o campo de batalha; a construção de obstáculos como campos minados e o emprego de fumígenos. Atuam neste subsistema a engenharia de combate, a artilharia de campanha, a aviação do exército e a aviação aerotática.

A sincronização dos fogos com a manobra é crucial para o sucesso das operações. O subsistema de apoio de fogo realiza a sincronização do fogo orgânico, do aéreo e do naval com a manobra idealizada. O subsistema de apoio de fogo está ligado diretamente aos de manobra, inteligência, logística e comando e controle, e proporciona ao comandante a capacidade de tirar o máximo proveito da aplicação de fogos em toda a profundidade do campo de batalha. Envolve a artilharia orgânica das armas-base (morteiros), a artilharia de campanha, aviação do exército, a aviação aerotática e os bombardeiros estratégicos, e a artilharia naval. Os fogos de profundidade e bombardeios estratégicos, que visem a debilitar a capacidade de combate do inimigo e visem a desorganização de seus sistemas logísticos e infraestrutura, como a destruição de usinas, estações, sistemas de comunicações, fábricas e outros, também fazem parte deste sistema.

A ações de guerra eletrônica, normalmente operadas pelas tropas de comunicações das diversas forças, apóia o combate degradando a utilização, pelo inimigo (ECMs), de seus meios eletrônicos, reduzindo a eficácia de seus sistemas de aquisição de detecção de alvos, comunicações e informações eletrônicas (MAGE).



  • Segurança e Proteção:

O sistema de segurança e proteção visa proporcionar as forças em combate um "guarda-chuvas/escudo" protetor às ações do inimigo, evitando que este logre êxito em suas escaramuças e frustração do nosso planejamento. Participam do sistemas de proteção e segurança todas as tropas presentes no teatro de operações e no além teatro que trabalhem para esta finalidade. Destacam-se neste sistema as unidades de artilharia antiaérea terrestres e navais, a aviação de caça e interceptação e defesa aérea, as tropas de engenharia nas ações que envolvam fortificações de combate, simulação e dissimulação, dispersão e prevenção de fenômenos naturais. Ações de artilharia de campanha a bombardeio aéreo preventivos também apoiam o sistema de segurança e proteção.

O subsistema de defesa antiaérea coordena todos os elementos envolvidos no combate a ameaça aérea inimiga, embora a parte mais significativa fique a cargo das unidades de artilharia antiaérea e aviação de defesa aérea. Também estabelece a coordenação com a Força Aérea e a Aviação do Exército, estabelecendo medidas de controle do espaço aéreo e coletando, analisando e difundindo informações sobre a ameaça aérea. Sua atuação também ajuda a prevenir a ocorrência de baixas e danos provocados pelo fogo amigo terrestre ou aéreo.
Este sistema incorpora técnicas especializadas e se estrutura para cumprir as funções logísticas. Organiza-se em torno das atividades funcionais, respeitando a interpenetrabilidade entre elas e a melhor funcionalidade e especialização em cada escalão. Apoia-se no máximo aproveitamento da infraestrutura local e dos meios civis existentes e mobilizáveis. Orienta-se, fundamentalmente, para o apoio ao pessoal e ao material dos elementos de combate e de apoio ao combate.  Deve integrar-se perfeitamente ao sistema de manobra. Aplica-se em todo o espectro das operações militares e em todos os escalões. É essencial para o funcionamento das organizações militares em situações de paz ou de combate e precisa operar ininterruptamente. A frustração dos sistemas logísticos pelo inimigo tem sido, ao longo da história, o principal fator que determina a vitória ou derrota em uma campanha.