FRASE

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Armas de Fogo **013


Arma de fogo é um artefato mecânico projetado para propelir projéteis sólidos a 
alta velocidade através de um cano, utilizando exclusivamente a energia termodinâmica gerada pela rápida expansão de gases resultantes da deflagração (combustão controlada) de um propelente químico condicionado. Diferente de ferramentas comuns, trata-se de um sistema mecânico fechado projetado para suportar picos de alta pressão e transformar energia química em energia cinética. O disparo depende obrigatoriamente da queima de uma substância como a pólvora. Isso exclui pneumáticos, dispositivos eletromagnéticos ou mecânicos, como balestras e arcos. A expansão dos gases ocorre dentro de uma câmara e o projétil é guiado por um cano, liso ou raiado, o que garante direção, estabilidade e aproveitamento da pressão.


Uma Breve História
A história das armas de fogo abrange séculos de evolução tecnológica, transformando profundamente a geopolítica, a guerra e a sociedade. Tudo começou com a descoberta acidental da pólvora negra na China. No Século IX, alquimistas chineses descobrem a pólvora negra. Inicialmente, ela era usada em fogos de artifício e, mais tarde, em dispositivos militares primitivos como as "lanças de fogo", tubos de bambu ou metal que lançavam chamas e estilhaços. Curiosamente, os alquimistas chineses do século IX (durante a Dinastia Tang) não estavam tentando criar uma arma, mas sim o elixir da imortalidade. Ao misturarem salitre (nitrato de potássio), enxofre e carvão vegetal, eles acabaram criando uma fórmula altamente inflamável e explosiva. Como o composto produzia fumaça e chamas, deram-lhe o nome de "huoyao", que significa literalmente "remédio de fogo". Antes de virar arma, a pólvora era colocada dentro de tubos de bambu e atirada ao fogo para explodir durante celebrações. O som alto servia para espantar "maus espíritos", dando origem aos primeiros fogos de artifício. Quando perceberam o potencial militar, prenderam esses tubos de bambu na ponta de lanças comuns. Ao serem acesas, elas funcionavam como um lança-chamas primitivo de curto alcance, arremessando fragmentos de cerâmica, ferro ou flechas contra o inimigo, causando pânico na infantaria e na cavalaria adversária. Com o tempo, os chineses substituíram o bambu por tubos de metal fundido de bronze e ferro, o que permitiu conter explosões muito maiores e deu origem aos primeiros canhões e projéteis reais.
No século XIII a pólvora chega à Europa através da Rota da Seda e de conflitos. Surgem os primeiros canhões primitivos (bombardas) e as armas de mão conhecidas como "canhões de mão" (hand cannons), que eram tubos metálicos pesados acesos manualmente com um pavio. A introdução desse conhecimento no continente europeu ocorreu principalmente por meio das rotas comerciais controladas pelo Império Mongol e por conflitos na Península Ibérica entre mouros e cristãos. Uma vez na Europa, cientistas e ferreiros locais rapidamente aprimoraram a metalurgia para conter a pressão causada pela expansão dos gases dentro do cano. As Bombardas eram armas de cerco massivas, feitas de barras de ferro forjado unidas por anéis (como barris de madeira) ou fundidas em bronze. Elas disparavam grandes pedras e, mais tarde, esferas de ferro. O papel principal das bombardas era destruir as muralhas de castelos medievais, tornando a arquitetura militar de pedra obsoleta. Os Hand Cannons ou canhões de mão foram os avós de todas as armas portáteis modernas. Consistiam em um tubo de metal fixado na ponta de uma haste de madeira. O soldado precisava de 2 ações difíceis: segurar o bastão sob o braço e apoiar a arma enquanto usava a outra mão para aproximar um pavio aceso ou uma brasa até o "ouvido", pequeno orifício de ignição na culatra. Embora revolucionárias, essas armas eram extremamente perigosas para quem as operava. Elas demoravam muito para recarregar, tinham precisão quase nula e frequentemente explodiam na cara do próprio atirador devido a falhas na metalurgia. Nessa época, o impacto psicológico era maior do que a letalidade: o barulho ensurdecedor, as chamas e a fumaça preta aterrorizavam os cavalos e quebravam a formação de exércitos de cavaleiros armados, que até então dominavam os campos de batalha.
O Mecanismo de Mecha (Matchlock), criado no século XV para facilitar o disparo, usava um gatilho com um pavio aceso até a pólvora. Foi o nascimento do arcabuz, permitindo que o atirador mirasse com as duas mãos. Essa foi a primeira grande revolução ergonômica das armas de fogo. A invenção deste mecanismo transformou o que era apenas um "tubo que explode" em uma verdadeira arma de precisão e de infantaria. Ao criar um braço mecânico em forma de pescoço de ganso (chamado de serpentina) conectado a um gatilho, os inventores resolveram o maior problema dos canhões de mão: a necessidade de olhar para o orifício de ignição para acendê-lo com uma brasa. Com a serpentina segurando firmemente o pavio aceso, uma corda tratada quimicamente para queimar lentamente, o soldado finalmente pôde apoiar a coronha da arma no ombro ou no peito e usar as 2 mãos para mirar e estabilizar o disparo. Como o atirador agora olhava para o alvo, surgiram as primeiras alças e massas de mira nas armas. O arcabuz deu origem a táticas militares famosas, como os Tercios Espanhóis, que combinavam barreiras de soldados com lanças (piqueiros) para proteger os arcabuzeiros enquanto eles faziam o lento processo de recarga. Apesar do avanço, a mecha ainda era fogo exposto. Se chovesse ou fizesse muita umidade, o pavio apagava e a pólvora na bacia de ignição (caçoleta) ficava molhada, tornando a arma inútil. Além disso, à noite, o brilho das mechas acesas denunciava a posição dos soldados, eliminando qualquer chance de um ataque surpresa. 
No século XVI a Roda de Fogo (Wheel-lock) funcionava de forma semelhante a um isqueiro moderno, usando uma roda de aço que girava contra uma pedra de pirita para gerar faíscas. Era um sistema caro, mas permitiu a criação das primeiras pistolas práticas. Representou o ápice da engenharia mecânica da época — inclusive, muitos historiadores atribuem o rascunho de seus primeiros designs a Leonardo da Vinci. Esse sistema resolveu de vez o maior problema tático do pavio aceso: a luz que denunciava a posição do atirador à noite e o cheiro da queima. A arma agora estava sempre pronta para disparar, de forma mecânica e instantânea. Para disparar, o soldado usava uma chave externa para dar corda em uma mola interna ligada a uma roda de aço texturizada. Ao puxar o gatilho, a roda girava em alta velocidade contra um pedaço de pirita de ferro, gerando uma chuva de faíscas diretamente sobre a pólvora. Como não precisava de fogo aberto para funcionar, o mecanismo permitiu reduzir drasticamente o tamanho das armas. Nasceram assim as primeiras pistolas práticas, que podiam ser carregadas em coldres na sela dos cavalos ou até mesmo escondidas sob as roupas. A cavalaria se reinventou com essa tecnologia. Cavaleiros armados com múltiplas pistolas de roda de fogo avançavam contra as linhas inimigas, disparavam suas armas à queima-roupa e recuavam em círculos para recarregar (tática conhecida como caracole). O grande obstáculo da roda de fogo era a sua complexidade e custo. O mecanismo era composto por dezenas de peças minúsculas, molas de alta pressão e engrenagens que exigiam o trabalho de relojoeiros altamente qualificados. Se uma peça quebrasse no campo de batalha, era quase impossível consertá-la rapidamente. Por isso, enquanto a infantaria comum continuava usando o barato mosquete de mecha, a roda de fogo tornou-se um símbolo de status, utilizada apenas pela cavalaria nobre, guardas reais e para a caça aristocrática.
No século XVII surgiu o Mecanismo de Pederneira (Flintlock). Mais barato e confiável, gerava faíscas batendo uma pedra de quartzo (pederneira) contra uma peça de aço. Tornou-se o padrão militar por mais de 2 séculos, equipando o famoso mosquete. Foi desenvolvido na França no início do século pelo armeiro Marin le Bourgeoys, e foi a verdadeira virada de chave para a padronização militar global. Ao unir a eficiência de produzir faíscas sob demanda com um desenho simples e barato, a pederneira resolveu o dilema dos exércitos: era confiável o suficiente para o combate e barata o suficiente para equipar milhares de camponeses recrutados às pressas. A mecânica do sistema gerou termos usados até hoje. A pólvora era colocada em uma pequena bacia externa chamada caçoleta. Se a faísca queimasse a pólvora da caçoleta, mas falhasse em acender a carga principal dentro do cano, a arma apenas soltava uma fumaça sem disparar o projétil. Daí nasceu a famosa expressão "fogo de palha" (algo que gera expectativa, mas não prospera). O braço móvel em forma de "S" que segurava a pedra de sílex recebeu o nome de cão devido ao seu formato e ao movimento rápido de "morder" a chapa de metal. O termo em inglês para armar essa peça é cocking. O mosquete britânico padronizado mais famoso desse período foi o Land Pattern, apelidado de Brown Bess. Ele permitiu a integração em larga escala da baioneta de encaixe. Quando o mosquete errava o tiro, o que era comum pela falta de precisão do cano liso, ele se transformava instantaneamente em uma lança para deter cargas de cavalaria. Embora superior aos sistemas anteriores, disparar um mosquete de pederneira ainda exigia um protocolo rigoroso em meio ao caos da batalha: O soldado mordia o papel do cartucho para abri-lo, derramava uma pitada de pólvora na caçoleta e fechava a tampa metálica, colocava o restante da pólvora e a esfera de chumbo pela boca do cano, usava uma vareta para socar o projétil e o papel até o fundo do cano e puxava o cão para trás, mirava e puxava o gatilho.
O século XIX trouxe a Revolução Industrial e a Era Moderna. a Cápsula de Percussão dos anos 1820 substituiu as faíscas externas por um composto químico que detonava ao ser golpeado, tornando as armas imunes à chuva, e representou a morte definitiva do fogo exposto e das faíscas externas na engenharia de armamentos. Essa inovação baseou-se na descoberta de compostos químicos altamente sensíveis ao impacto, como o fulminato de mercúrio. Em vez de depender de uma pedra raspando no aço para jogar faíscas em uma caçoleta aberta, a química passou a fazer todo o trabalho de ignição de forma isolada e protegida. O sistema de percussão funcionava da seguinte forma: A pólvora e o projétil ainda eram inseridos pela boca do cano pelo sistema de antecarga. Na culatra da arma, havia uma pequena peça saliente em forma de cone perfurado, chamada ouvido ou nipple. O atirador encaixava uma pequena cápsula de cobre, semelhante a um dedal minúsculo, que continha o fulminato de mercúrio, diretamente sobre esse cone. Ao puxar o gatilho, o cão batia com força contra a cápsula de cobre. O impacto detonava instantaneamente o composto químico, enviando um jato de chama através do orifício do cone para acender a pólvora principal dentro do cano.
Esta inovação trouxe grandes impactos táticos e militares. As armas tornaram-se finalmente confiáveis sob chuva, vento ou tempestades de areia, pois a reação química acontecia de forma quase selada dentro da cápsula. Nos sistemas anteriores, como a pederneira, havia um pequeno atraso perceptível entre a faísca externa queimar a pólvora da caçoleta e a explosão interna acontecer. Com a percussão, o disparo tornou-se instantâneo, melhorando drasticamente a precisão em alvos móveis, como na caça de aves. Este sistema foi a tecnologia de transição que equipou os exércitos em conflitos massivos de meados do século XIX, como a Guerra de Secessão Americana (1861–1865) e a Guerra do Paraguai (1864–1870).
A invenção do cartucho metálico, reunindo projétil, a carga de projeção e a espoleta em uma única peça, permitiu carregar a arma pela culatra e não mais pela boca. A união do cartucho metálico integrado com o sistema de retrocarga, foi sem dúvida o salto tecnológico mais disruptivo do século XIX. Ele encerrou uma era de mais de 500 anos em que os soldados precisavam socar pólvora e bala pela boca do cano. Essa inovação resolveu os 2 maiores problemas das armas de fogo até então que eram a lentidão extrema para recarregar e o vazamento de gases pela culatra. O grande segredo do cartucho metálico não era apenas juntar os 3 elementos em um único corpo rígido, mas sim a sua capacidade de obturar (selar) a culatra. No momento do disparo, a enorme pressão dos gases faz com que as paredes de latão do cartucho se expandam temporariamente, colando-se às paredes da câmara da arma. Isso impede que os gases quentes escapem para trás na direção do rosto do atirador, direcionando 100% da energia para empurrar o projétil para a frente. Um soldado treinado com um mosquete de antecarga disparava de 2 a 3 vezes por minuto. Com um fuzil de retrocarga e cartucho metálico, esse número saltou para 10 a 15 disparos por minuto. Antes, o soldado era obrigado a ficar de pé para conseguir usar a vareta e socar o projétil até o fundo do cano, tornando-se um alvo fácil. Com a retrocarga, o atirador podia recarregar deitado, protegido atrás de trincheiras ou rochas. A munição passou a ser resistente à água e ao transporte rústico. Os soldados não precisavam mais carregar polvorinhos e sacos de esferas de chumbo separados; a munição vinha pronta em caixas. Essa tecnologia decidiu guerras rapidamente. Na Guerra Austro-Prussiana em 1866, os prussianos usavam o fuzil de agulha Dreyse, um dos pioneiros da retrocarga, massacrando as linhas austríacas que ainda usavam fuzis carregados pela boca. Pouco depois, surgiram sistemas lendários como o fuzil Mauser de ferrolho e as carabinas de alavanca Winchester, as famosas armas que "conquistaram o Velho Oeste".
Surgem os revólveres de ação dupla como os de Samuel Colt, e no fim do século, as primeiras metralhadoras como a Maxim e a pólvora sem fumaça. A combinação de armas que podiam disparar várias vezes sem recarga mecânica manual com a física da pólvora química mudou completamente a escala dos conflitos mundiais. Embora Samuel Colt tenha ficado famoso pelo revólver de ação simples, onde era preciso puxar o cão com o polegar antes de cada disparo, como o lendário Colt Single Action Army de 1873, o final do século XIX consolidou os mecanismos de ação dupla. Neste sistema, o ato de puxar o gatilho executa 2 funções automáticas: puxa o cão para trás e gira o tambor, liberando o disparo em seguida. Isso deu aos soldados e policiais uma velocidade de resposta imediata em combates de curta distância. 
Até a década de 1880, usava-se a pólvora negra tradicional. Ela gerava uma cortina de fumaça branca densa após poucos disparos, o que cegava os próprios atiradores e revelava suas posições no campo de batalha. Em 1884, o químico francês Paul Vieille inventou a Poudre B, a primeira pólvora sem fumaça à base de nitrocelulose. Ela trouxe 3 vantagens avassaladoras: O campo de batalha permanecia limpo e com visibilidade total. Muito mais energia gerada com menos volume de propelente, permitindo que os projéteis voassem a velocidades supersônicas. Os projéteis puderam se tornar menores, mais leves e muito mais velozes, permitindo que os soldados carregassem muito mais munição. Aproveitando a energia gerada por essa nova pólvora potente, Sir Hiram Maxim criou em 1884 a Metralhadora Maxim, a primeira arma totalmente automática da história. Ao contrário de armas mecânicas anteriores, como a metralhadora Gatling, que exigia que o operador girasse uma manivela manual, a Maxim usava a energia do próprio recuo do disparo para ejetar o estojo vazio, alimentar a câmara com um novo cartucho vindo de uma fita de lona e disparar novamente. Ela era capaz de disparar mais de 600 tpm, o equivalente ao poder de fogo de uma companhia inteira de fuzileiros equipados com armas de ferrolho.
O século XX trouxe a automação e os materiais sintéticos, consolidando os fuzis de assalto como o AK-47 e o M16, e a introdução de polímeros, plásticos de alta resistência na fabricação, popularizados pela Glock nos anos 1980. Foram 2 grandes viradas conceituais: a mudança no papel do fuzil de infantaria e a revolução química que substituiu o aço e a madeira por plásticos de engenharia espacial. Até a 2ª Guerra Mundial, os exércitos usavam fuzis de ferrolho longos e pesados, como o Mauser Karabiner 98k ou o Mosin-Nagant, projetados para disparar cartuchos grandes a distâncias de até 1.000 metros. Contudo, estudos militares provaram que a maioria dos combates reais acontecia a menos de 300 metros. Para resolver isso, os alemães criaram em 1944 o StG 44 (Sturmgewehr 44), o primeiro fuzil de assalto do mundo. Ele introduziu o conceito de cartucho intermediário, menor e menos potente que o de um fuzil tradicional, mas muito mais letal que o de uma pistola. Essa fórmula serviu de base para as 2 armas mais icônicas da Guerra Fria e da atualidade: O AK-47 da URSS, projetado por Mikhail Kalashnikov, tornou-se a arma mais fabricada da história devido à sua simplicidade industrial e resistência lendária a lama, areia e falta de manutenção. O M16/AR-15 dos EUA foi projetado por Eugene Stoner, revolucionou o mercado ao usar alumínio aeronáutico e plásticos em vez de madeira, priorizando a alta precisão tecnológica, leveza e modularidade. 
Até a década de 1980, acreditava-se que uma pistola militar confiável precisava ser inteiramente de aço ou alumínio fundido. Em 1982, o engenheiro austríaco Gaston Glock rompeu esse paradigma ao vencer uma licitação do exército austríaco com a Glock 17. A Glock introduziu uma armação feita de polímero de alta resistência, um tipo de plástico reforçado com nylon e fibra de vidro. No início, a arma sofreu preconceito e gerou mitos falsos, como o de que passaria indetectada por raios-X de aeroportos, o que é mentira, pois o cano e o ferrolho continuam sendo de aço espesso. As vantagens dos materiais sintéticos logo silenciaram os críticos: Tornou o porte diário muito mais confortável para policiais e civis. O polímero não enferruja com o suor ou a maresia e não deforma com impactos. O plástico de engenharia possui uma leve flexibilidade microscópica que ajuda a dissipar a energia do disparo, tornando o tiro mais controlável.

Classificação das Armas de Fogo

Portabilidade

De acordo com sua portabilidade, as  armas de fogo são classificadas em armas leves ou pesadas. Armas leves são aquelas que possuem peso e volume relativamente reduzidos e podem ser transportadas geralmente por um único homem ou uma pequena equipe. Tecnicamente, possuem calibre inferior ou igual a .50 polegadas (12,7 mm) e disparam projéteis com efeitos predominantemente cinéticos, sem ogivas explosivas de fragmentação em massa. Incluem pistolas, revólveres, carabinas, fuzis e metralhadoras de porte individual ou de grupo. Diferem das armas pesadas, que são grandes e exigem plataformas de apoio, veículos, tripulações fixas ou embarcações para serem operadas ou transportadas, ou disparam projéteis com ogivas pesadas. As armas leves podem ser de porte, portáteis e não portáteis. Armas de porte são aquelas que podem ser guardadas em coldres e transportadas junto ao corpo do operador com revólveres e pistolas, armas portáteis são aquelas que exigem o uso de ambas as mãos e, em geral, apoio no ombro para um disparo preciso; podem ser transportadas por um único indivíduo como espingardas, carabinas, fuzis e rifles, e as não portáteis são aquelas que exigem uma pequena guarnição, como as metralhadoras que operam sobre tripé ou outro tipo de suporte, como as metralhadoras de 12,7 mm (.50).

Modo de Carregamento
Quanto ao modo de carregamento as armas são classificadas em armas de antecarga e armas de retrocarga. Nas armas de antecarga, ou de carregamento "pela boca", a carga de projeção e o projétil são inseridos manualmente pela extremidade anterior do cano (a boca da arma). São armas historicamente mais antigas como mosquetes, arcabuzes e as tradicionais espingardas de pica-pau. Nas armas de retrocarga, a alimentação pode ser feita diretamente na câmara, como em espingardas de caça de alma lisa, através de um tambor giratório como nos revólveres ou por meio de carregadores, pentes e magazines, comuns em pistolas e fuzis. As metralhadoras de fita também são armas de retrocarga, sistema este que caracteriza todas as armas mais modernas.
Funcionamento e Forma de Carregamento
Quanto ao funcionamento e forma de carregamento, as armas de fogo são classificadas pela forma como a nova munição entra na câmara. Essa dinâmica se divide entre a ação puramente mecânica do atirador e o aproveitamento da energia do próprio disparo (gases ou recuo).
Nas armas de repetição ou de carregamento por ação do operador, o ciclo de alimentação depende exclusivamente da força física do operador para cada disparo efetuado. O sistema não aproveita a energia do tiro anterior para se recarregar. Após o disparo, o atirador precisa acionar manualmente um mecanismo que pode ser uma alavanca, uma bomba ou um ferrolho. Esse movimento faz o mecanismo ejetar o estojo deflagrado e, no movimento de retorno, puxar um novo cartucho do carregador ou depósito para dentro da câmara, deixando o gatilho pronto para o próximo tiro. Exemplo destas armas são os revólveres e espingardas de vários tipos.
Nas armas semiautomáticas realizam o ciclo de ejeção e recarga sozinhas, mas exigem que o gatilho seja liberado e pressionado novamente para cada novo disparo. Quando o tiro acontece, a expansão dos gases ou o recuo da própria arma empurra o ferrolho para trás. Esse movimento automático ejeta a cápsula vazia e arma o percussor/cão. Uma mola empurra o ferrolho de volta para frente, coletando um novo cartucho do carregado, inserindo-o na câmara. Apesar do ciclo se completar, a arma não dispara novamente até que o atirador solte o gatilho e o aperte outra vez. Exemplo destas armas temos as pistolas modernas e fuzis configurados desta forma.
As armas automáticas utilizam o mesmo princípio de reaproveitamento de energia das semiautomáticas, com a diferença de que continuam disparando continuamente enquanto o gatilho estiver pressionado e houver munição no carregador. O mecanismo interno é projetado para que, ao final do ciclo de recarga do ferrolho, o percussor seja liberado imediatamente para atingir a espoleta do novo cartucho inserido, sem a necessidade de o atirador soltar o gatilho. como exemplo temos os fuzis militares, as submetralhadoras e metralhadoras. Os fuzis de assalto podem ser operados nos modos semi e automatico, além das rajadas de 3 tiros, muito usada.
Sistemas de Ignição
Quanto ao sistema de ignição as armas podem ser de pederneira, espoleta existente no ouvido ou por espoleta encontrada no estojo, forma que define o método químico-mecânico utilizado para acender a carga de projeção principal e gerar o disparo.
As armas de pederneira (Flintlock) eram populares do século XVII ao início do século XIX, este sistema eliminou a necessidade de mechas acesas para disparar a arma. O cão (ou martelo) da arma prende uma lasca de pedra dura chamada pederneira (um tipo de quartzo). Ao puxar o gatilho, o cão cai e raspa a pedra contra uma peça de aço (frizzen), gerando faíscas. Essas faíscas caem em uma pequena bandeja externa que contém uma porção de pólvora fina. A queima dessa pólvora externa passa por um pequeno canal (fouvete) e incendeia a pólvora principal dentro do cano. Era um sistema lento, muito sensível à chuva e ao vento, se a pólvora da bandeja molhasse, a arma não disparava. Não é mais usado.
A espoleta existente no ouvido ou de percussão por cápsula foi inventada no início do século XIX. Este sistema revolucionou as armas, tornando-as confiáveis sob qualquer clima. O termo "ouvido" refere-se à pequena chaminé ou canal saliente na culatra da arma. Em vez de pólvora solta em uma bandeja, utiliza-se uma pequena cápsula de metal, geralmente de cobre, contendo um composto químico altamente sensível ao impacto como o fulminato de mercúrio. Essa cápsula (espoleta) é colocada manualmente sobre o "ouvido" da arma. Quando o cão bate diretamente na espoleta, ela deflagra, projetando uma chama forte para dentro do cano através do ouvido, acendendo a carga principal. Foi o sistema usado na Guerra Civil Americana. Permitiu a criação dos primeiros revólveres práticos como os de antecarga da Colt.
A deflagração por espoleta encontrada no estojo ou de cartucho integrado É o sistema moderno universalmente usado hoje. Em meados do século XIX, a espoleta, a pólvora e o projétil foram unidos em uma única peça de metal: o cartucho. A espoleta fica incrustada de forma fixa na base (culatra) do próprio estojo de metal. O percussor da arma atinge diretamente a base do cartucho, detonando a espoleta internamente e iniciando a queima da pólvora que já está compactada ali dentro. Apresenta vedação perfeita contra gases, velocidade de recarga absurdamente maior e proteção total da munição contra umidade.
Calibres
    Quanto ao calibre as armas de fogo seguem 2 sistemas distintos, para armas de cano liso e armas de cano raiado. 
    O número do calibre nas armas de cano liso (12, 20, 28, 36) representa em quantas esferas idênticas você divide uma libra de chumbo puro (453,6 gramas) para que uma única esfera dessas se encaixe perfeitamente no diâmetro interno do cano. Se você dividir 1 libra de chumbo em 12 esferas iguais, cada esfera será grande e pesada. Se você dividir a mesma libra em 20 esferas, cada esfera será menor. Portanto, quanto menor o número do calibre liso, maior é o diâmetro do cano. O calibre conhecido no Brasil como "36" é, na verdade, uma designação comercial internacional chamada .410. Ele é a única exceção popular nas espingardas porque a sua medição não é por peso, mas sim em milésimos de polegada (o cano mede 0,410 polegadas de diâmetro). Na tabela europeia e brasileira, convencionou-se chamá-lo de 36 de forma aproximada, mas se fôssemos fazer pela regra real do chumbo, ele seria algo próximo de um calibre 67. Salientamos que este conceito não se aplica aos canhões de carros de combate de alma lisa, que segue a definição a seguir, porém se as raias.
    Nas armas raiadas o calibre nominal varia conforme o sistema métrico adotado pelo país de origem ou fabricante: O Sistema Métrico Mundial utiliza a medição real em milímetros, frequentemente acompanhada pelo comprimento do estojo para evitar confusões. como exemplos temos o 9x19mm (9mm de diâmetro de projétil por 19mm de comprimento de estojo - pistola beretta) e o 7.62x51mm (fuzil Fal). No sistema anglo-americano se utiliza pontos decimais para indicar centésimos ou milésimos de polegada. O ponto final substitui o zero. como exemplos temos o .38 SPL (38 centésimos de polegada), .40 S&W (40 centésimos), .357 Magnum (357 milésimos). O calibre .380 ACP e o 9mm possuem exatamente o mesmo diâmetro de projétil (aproximadamente 9mm ou .355 polegadas), mudando apenas a quantidade de pólvora e o tamanho do estojo.
    As raias são os sulcos (cavidades) e cheios (saliências) esculpidos na parte interna do cano (alma). Ao ser forçado a passar por essas ranhuras sob alta pressão, o projétil de metal macio (chumbo ou cobre) "copia" o desenho helicoidal e começa a girar rapidamente. Esse movimento de rotação (efeito giroscópico) impede que o projétil capote ou caia de lado no ar, garantindo que ele viaje em uma trajetória muito mais reta, estável e precisa até o alvo, exatamente como uma bola de futebol americano lançada em espiral, devido ao centro de gravidade do projétil ficar no centro como resultante da rotação imprimida pelas raias.
    Tipos de Armas de Fogo

    As armas de fogo modernas são carregadas pela culatra (antearga) e percutidas por espoleta alojadas no estojo (exceção feita a obuseiros de grande calibre que não possuem estojo). Os morteiros, em sua maioria, são alimentados por antecarga.

    Descrevemos a seguir, de forma sucinta os principais tipos de armas de fogo (armas com tubo/cano) existentes e utilizadas na atualidade, e seu emprego mais comum. Incluímos também armas que não se enquadram nos conceitos acima, mas que vale a pena ser citadas por afinidade de emprego.

    Armas Individuais Curtas (Defesa e Porte)


    O Revólver

    O revólver é uma arma de fogo curta, de porte individual e de repetição, cujo princípio de funcionamento se baseia em um tambor rotativo que serve como câmaras múltiplas. Embora os modelos mais tradicionais de defesa acomodem 5 ou 6 cartuchos, a engenharia moderna disponibiliza tambores com capacidade para até 7, 8 ou mais, dependendo do calibre.

    O trancamento do sistema ocorre mecanicamente a cada giro do tambor, garantindo que a câmara alinhada com o cano permaneça perfeitamente estática e estanque no momento do disparo. Sua finalidade principal é proporcionar pronto emprego e poder de fogo rápido para autodefesa em curto alcance (efetivo até cerca de 25 metros). Por ser transportado em um coldre fixado à vestimenta, permite que o operador mantenha as mãos livres para outras tarefas até o momento do uso.

    Embora utilize uma ampla variedade de calibres, o revólver perdeu espaço no cenário militar moderno devido à sua menor capacidade de munição e cadência de tiro inferior quando comparado às pistolas semiautomáticas. Apesar disso, mantém relevância histórica e mística: o célebre General George S. Patton portou um icônico revólver Colt .45 com cabo de marfim durante a Segunda Guerra Mundial.

    Termologicamente, a palavra "revólver" deriva do movimento de revolução (rotação) de seu tambor. Por convenção balística e singularidade linguística, o substantivo aplica-se exclusivamente a essa arma curta; sistemas de armas longas ou pesadas que utilizam o mesmo princípio rotativo — como metralhadoras e canhões automatizados de tubos múltiplos (sistema Gatling) — são tecnicamente classificados como armas "tipo revólver".

    A Pistola Semiautomática

    A pistola semiautomática é uma arma de fogo curta (de porte individual), cujo carregamento e ciclagem ocorrem de forma automática aproveitando a energia do recuo do disparo (ou, em calibres menores, por ação direta dos gases/massa inercial), dispensando cilindros externos de recuo. É alimentada por um carregador tipo cofre metálico bifilar com mola e, embora o padrão histórico gire em torno de 15 cartuchos, os modelos militares modernos comportam rotineiramente entre 17 e 21 cartuchos.

    O disparo ocorre a cada acionamento do gatilho (mecanismo semiautomático). Embora seja tecnicamente possível modificar seu mecanismo para o fogo automático (rajada), essa configuração não é funcional ou prática devido ao forte recuo e à rápida perda de controle da arma. Sua finalidade operacional é idêntica à do revólver — o qual, etimologicamente, também já foi designado como um tipo de pistola, diferenciando-se por ser uma arma de repetição e não semiautomática.

    Utilizando calibres consagrados como o 9mm Parabellum e o .45 Auto, as pistolas tornaram-se o padrão militar absoluto no mundo. Elas representam a evolução natural sobre o revólver por serem mais compactas (pela ausência do tambor) e oferecerem maior autonomia de fogo.

    Contudo, desvantajam-se em relação ao revólver no quesito de falha da munição (nega): se o cartucho falhar na pistola, o atirador é obrigado a sanar a pane manualmente, puxando o ferrolho totalmente à retaguarda para extrair e ejetar a munição defeituosa, liberando-o em seguida para que a mola recuperadora introduza um novo cartucho na câmara e faça o trancamento. No revólver, diante da mesma falha, basta pressionar o gatilho novamente para rotacionar o tambor e alinhar uma nova munição.

    Armas Portáteis de Cano Longo


    Fuzil de Repetição

    O fuzil de repetição é uma arma de fogo longa, de cano raiado e coronha, cujo acionamento exige a intervenção manual do atirador (via ferrolho, alavanca ou outro mecanismo mecânico) para realizar o ciclo de extração, ejeção e inserção de um novo cartucho a cada disparo. Alimentado por carregadores que podem ser internos, tubulares ou destacáveis, é projetado para disparar munições de alta potência (como o 7,62×51 mm NATO, entre outras), permitindo atingir alvos com grande precisão a longas distâncias, frequentemente superiores a 600 metros.
    Essa classe de armamento foi a espinha dorsal das forças militares de quase todo o mundo do final do século XIX até a primeira metade do século XX. Com a evolução para a guerra moderna e a introdução do fuzil de assalto (que oferece tiro seletivo e maior volume de fogo), os fuzis de repetição perderam espaço no combate de infantaria padrão, mas mantêm-se em uso militar especializado como fuzis de precisão (snipers), além de ampla aplicação civil na caça de grande porte e no tiro esportivo
    Espingarda
    A espingarda, também conhecida popularmente como escopeta, é uma arma de fogo longa e de ombro, dotada predominantemente de um cano de alma lisa (embora existam versões com canos raiados para projéteis únicos). Sua principal característica é o disparo de cartuchos que espalham múltiplos projéteis esféricos (balins), criando uma área de impacto expandida, embora também possa disparar projéteis singulares (balotes). No meio civil, é amplamente utilizada para a caça e o tiro esportivo. No cenário militar e policial, destaca-se no combate em ambientes confinados (CQB) e em selva devido ao seu imenso poder de parada a curtas distâncias, onde a dispersão dos projéteis compensa parcialmente as dificuldades de visada rápida em situações de alto estresse ou sob vegetação densa. Contudo, ao contrário do mito popular, ela exige pontaria do atirador, pois a dispersão a poucos metros do cano é reduzida. Dependendo do modelo, o funcionamento pode ser de repetição manual (como o sistema pump-action ou basculante) ou semiautomático. Nos cenários modernos também está sendo usada com sucesso no combate antidrone.

    Carabina
    Carabinas englobam tanto as versões compactas e encurtadas de fuzis militares tradicionais quanto as armas longas raiadas destinadas ao uso civil. No ambiente tático e militar, essas versões compactas surgiram da necessidade de fornecer a combatentes (como tripulações de blindados, paraquedistas e forças de operações especiais) o poder de fogo de um fuzil, mas com cano reduzido e coronha rebatível ou telescópica, facilitando a mobilidade em ambientes urbanos e confinados. Já no mercado civil, o termo define armas de ombro de dimensões moderadas, frequentemente calibradas para munições de menor energia ou de pistola (como as carabinas de ação por alavanca ou semiautomáticas), sendo amplamente empregadas para defesa residencial, tiro esportivo e controle de fauna.

    O fuzil de assalto é uma arma de fogo individual de alcance intermediário cujo funcionamento se baseia, na maioria dos modelos modernos, no sistema de ação indireta dos gases de projeção (por meio de pistão ou ação direta de gases sobre o ferrolho). Ele é alimentado por carregadores destacáveis de alta capacidade (geralmente de 30 cartuchos), projetados para suprir uma cadência de tiro elevada. Diferente dos fuzis de repetição clássicos, o fuzil de assalto utiliza munições de calibres intermediários, que equilibram o peso e o recuo da arma.
    Sua finalidade principal é conferir flexibilidade tática total ao combatente de infantaria: ele proporciona um expressivo volume de fogo no modo automático para situações de supressão a curtas distâncias, ao mesmo tempo em que permite disparos precisos no modo semiautomático em alcances intermediários, engajando alvos com eficácia entre 300 e 500 metros. Alguns modelos incorporam o modo de rajada limitada (burst de dois ou três tiros), mecanismo adotado historicamente para otimizar a relação entre o consumo de munição e a probabilidade de acerto sob estresse de combate. Devido a essa versatilidade, os fuzis de assalto foram universalmente adotados e constituem a espinha dorsal de todos os exércitos modernos. Vale salientar que, embora tenha a capacidade de efetuar fogo automático, o fuzil de assalto não tem cano pesado e é por definição uma arma semi automática, pois o fogo automático como as metralhadoras efetuam resulta em superaquecimento do cano.

    Fuzil de Precisão (Sniper)
    O fuzil de precisão é uma arma de fogo de longo alcance — capaz de atingir alvos a distâncias que podem chegar a 2 mil metros em modelos específicos — projetada para realizar disparos altamente seletivos. Seu funcionamento ocorre por ação indireta dos gases de projeção (nos modelos semiautomáticos) ou por ação mecânica manual do atirador (nos modelos de ferrolho), sendo alimentado por carregadores semelhantes aos de fuzis padrão e pistolas. Geralmente, essas armas são variações de fuzis de assalto e de repetição modificados com acessórios especiais para longas distâncias — como lunetas telescópicas, canos flutuantes e bipés —, embora muitas plataformas modernas sejam construídas exclusivamente para essa finalidade. Utilizam as mesmas munições de fuzis convencionais e metralhadoras médias, embora existam munições especialmente feitas para este tipo de emprego. Na doutrina militar e de segurança, são operados por combatentes altamente qualificados, denominados "atiradores de elite" ou snipers. 

    Existem ainda os modelos pesados (antimaterial), que utilizam munição de grosso calibre, como a de 12,7 mm, voltados para disparos de alta potência contra alvos blindados ou estruturas, ou mesmo contra pessoal a distâncias muito longas. Sendo um fuzil semiautomático com cano móvel (mecanismo necessário para reduzir o recuo violento), o Barrett M82 tem uma precisão média de 1,5 a 3 MOA. Isso é excelente para acertar um veículo ou motor a 1.000 metros, mas não é tão cirúrgico para alvos humanos móveis quanto fuzis de ferrolho manual. Ele pesa cerca de 14 kg desarmado. Carregar essa arma, junto com suas munições pesadas, reduz drasticamente a mobilidade de uma equipe de atiradores em campo. Ainda assim, em conflitos modernos, atiradores de elite frequentemente utilizam o Barrett M82 contra pessoal quando o inimigo está abrigado atrás de paredes de concreto ou blindagens leves, situações nas quais o projétil .50 atravessa a barreira facilmente para neutralizar a ameaça. Embora o poder de parada do calibre .50 BMG seja devastador e letal a kms de distância, militares e forças especiais preferem fuzis de precisão específicos de calibres menores (como o .338 Lapua Magnum ou .300 Winchester Magnum) para alvos humanos.


    Submetralhadora

    A submetralhadora é uma arma de fogo automática projetada para fornecer um grande volume de fogo em curtas distâncias. Devido ao seu tamanho reduzido e peso leve, é o armamento ideal para ser portado por militares e agentes de segurança que desempenham funções que exigem mobilidade (como motoristas, tripulações de blindados e pessoal de comunicações). Sua portabilidade permite que seja conduzida de forma confortável, mantendo as mãos do operador livres para outras tarefas, ao mesmo tempo em que facilita o manuseio rápido dentro do espaço restrito de viaturas, onde o comprimento de um fuzil seria inadequado.
    Além do uso logístico, a submetralhadora é altamente eficiente no combate em ambientes confinados, como o interior de edificações e navios. Por essa razão, é uma ferramenta muito utilizada por tropas do tipo comandos e forças especiais, devido às suas características táticas únicas.
    Em termos mecânicos, a maioria das submetralhadoras funciona pelo princípio do retrocesso simples (blowback), operando a partir do recuo do estojo decorrente dos gases da quebra da pólvora. Elas são alimentadas por carregadores de alta capacidade para suprir sua elevada cadência de tiro e, por definição técnica, utilizam exclusivamente munição de pistola (como o calibre 9x19mm). As armas de tamanho reduzido que disparam munição de fuzil pertencem, na verdade, à categoria de carabinas ou fuzis de assalto compactos.
    Armas de Emprego Coletivo
    Metralhadora Média (MMG)

    A metralhadora média (MMG) é uma arma de fogo automática que proporciona grande volume de fogo supressivo em alcances intermediários e longos. Amplamente empregada como arma coletiva para o apoio de fogo de pequenas frações de tropa (tipicamente pelotões de infantaria), ela complementa os fuzis de assalto. Na verdade, a metralhadora constitui o núcleo do poder de fogo da infantaria, cabendo aos fuzileiros o tiro seletivo e a segurança da guarnição de metralhadores. Por demandar um suprimento contínuo de munição e a troca frequente do cano aquecido, seu emprego ideal requer 2 operadores: o atirador e o auxiliar.

    Geralmente dotadas de funcionamento por ação indireta dos gases de projeção e regime de tiro totalmente automático, essas armas são alimentadas por fitas de cartuchos metálicos articulados e expansíveis. Diferentes das metralhadoras leves, as médias utilizam munição de fuzil de alta potência (como o calibre 7,62mm). Graças à sua versatilidade e alcance eficaz, são frequentemente instaladas em viaturas terrestres, carros blindados, embarcações e aeronaves leves.



    Metralhadora Pesada (HMG)
    A metralhadora pesada (HMG) é uma arma de fogo automática de grosso calibre que proporciona grande volume de fogo supressivo e destrutivo em longos alcances. Amplamente empregada em funções de apoio de fogo, ela atua na defesa de posições fortificadas e como armamento antiaéreo de baixa altitude ou antiblindagem leve. Devido ao seu peso elevado, forte recuo e alta demanda de munição, seu emprego terrestre exige uma guarnição de pelo menos 2 a 3 indivíduos para o transporte, montagem em tripé e operação.
    Geralmente dotadas de funcionamento por retrocesso pela ação direta de gases sobre o ferrolho e regime de tiro totalmente automático, essas armas são alimentadas por fitas de elos metálicos desintegráveis ou articulados de capacidade expansível. Utilizam munições de alta energia, como o calibre 12,7 mm x 99 NATO (.50 BMG) ou 14,5 mm x 114 (russa). Graças ao seu poder de parada e penetração, são o armamento padrão para blindados de transporte de tropas, helicópteros, embarcações de patrulha e jipes de reconhecimento.





    Lança-Rojão

    As armas tipo lança-rojão são armas sem recuo usadas para para o lançamento de granadas (não são armas de fogo verdadeiras). São usados para fogo anticarro e antifortificação em proveito de pequenas frações de tropa, e idealmente operadas por dois indivíduos, pois sua munição tende a ser volumosa e pesada. Possuem carregamento manual tiro a tiro. Existem modelos descartáveis e reutilizáveis.

    Diferente de uma arma de fogo convencional, onde os gases da pólvora ficam retidos e empurram a arma contra o ombro do atirador, o lança-rojão é um tubo aberto em ambas as extremidades. Quando o projétil é disparado, parte dos gases da combustão é expelida para trás com grande força. Isso anula o recuo da arma, mas cria uma zona de perigo zoneada atrás do atirador, o que exige cuidado em ambientes fechados ou fortificados.

    É guarnecido por 2 integrantes. O atirador transporta o tubo lançador, faz a mira, o enquadramento do alvo e executa o disparo. O municiador transporta a maior parte da munição, que são pesadas, realiza o carregamento pelo setor traseiro da arma, conecta a munição ao sistema elétrico da arma se for o caso, e bate no ombro do atirador para avisar que a arma está pronta e a área de segurança traseira está limpa.

    Embora tenha sido concebida para emprego anticarro, essas armas utilizam munições variadas. As granadas do tipo HEAT usam o princípio da carga explosiva moldada (efeito Munroe) para perfurar blindagens espessas através de um jato de metal líquido. Para alvos como bunkers ou prédios, utilizam-se munições de alto explosivo (HE) ou termobáricas, que geram grande onda de choque e calor.

    Existem modelos descartáveis e reutilizáveis (não descartáveis), e cada categoria atende a uma necessidade logística e tática diferente no campo de batalha. As armas reutilizáveis consistem em um tubo lançador robusto, equipado com sistemas de mira ópticos ou eletrônicos sofisticados. O soldado mantém o lançador e apenas recarrega a munição (granada) tiro a tiro. Exemplos são o Carl Gustaf sueco de 84 mm, o RPG-7 russo de 40 mm e o Panzerfaust 3 elemão. Possuem menor custo por disparo (as granadas isoladas são mais baratas), maior precisão devido às miras ópticas calibradas e alta versatilidade para mudar o tipo de munição na hora do combate. O operador precisa carregar o peso do tubo lançador mesmo após disparar; e exige manutenção e limpeza constantes do armamento. Os modelos descartáveis vêm de fábrica pré-carregadas com uma única munição dentro de um tubo leve, geralmente feito de fibra de vidro ou plástico industrial. O soldado aponta, dispara e joga o tubo vazio fora. como exemplos temos o AT4 sueco de 84 mm, o M72 LAW norte-americano de 66 mm e o ALAC brasileiro de 84 mm. São extremamente leves, geralmente operados por um único soldado, não requerem manutenção, não ocupam espaço logístico após o uso e qualquer combatente pode carregar um a tiracolo além de seu fuzil padrão. Tem custo total mais alto por unidade e as miras integradas costumam ser mais simples, limitando o alcance efetivo em comparação aos modelos reutilizáveis.



    Lança-chamas


    O Lança-chamas é um arma que foi muito usada durante as guerras mundiais para desalojar o inimigo de seus abrigos (apesar de lançar fogo, também não são armas de fogo verdadeiras). Também em versões primitivas foi usado na antiguidade para incendiar navios e outros alvos. 

    O operador porta às costas cilindros com líquidos inflamáveis, conectados por mangueira a uma lançadeira nas mãos do operador. Estes líquidos oleosos são acondicionados em um tanque, e um gás inflamável a alta pressão em outro, que ao ser liberado exerce grande pressão sobre os líquidos, forçando-os pela lançadeira que possui um sistema de ignição. A chama é lançada a frente do operador. 

    Atualmente é pouco usado pelas forças armadas do mundo. Também foram montados em carros de combate durante a 2a guerra.


    Morteiros



    Morteiros são armas de emprego coletivo para proporcionar apoio de fogo a infantaria. Sua denominação vem do fato de efetuarem o tiro vertical (acima de 45 graus de inclinação). Possuem calibre de 60 a 160 mm, e podem ser carregados por um operador único (modelos de pequeno calibre) ou montados em viaturas, dependendo de seu tamanho. A maioria são carregados pela boca com disparo imediato, porém existem modelos de retrocarga.




    Canhão de Tiro Rápido




    Canhões automáticos são armas de grande cadência de fogo e destinam ao fogo anti-aéreo, sendo também usados para apoio de fogo a forças terrestres, como aqueles montados sobre veículos blindados de infantaria.  Funcionam de modo similar às metralhadoras e possuem variados calibres (20 mm, 35 mm, 40 mm, etc...). São utilizados por unidades antiaéreas e unidades de infantaria mecanizada, entre outras. Os modelos especificamente destinados às unidades antiaéreas normalmente possuem seus sistemas de endereçamento equipados com radares e computadores balísticos.


    Canhão Anticarro


    São armas utilizadas para proporcionar fogo anticarro a posições defensivas. Muito usados durante a 2a grande guerra, atualmente foram substituídos pelos mísseis anticarro portáteis. Possuíam calibres de 57 mm e 40 mm, por exemplo.


    Canhão de Campanha e Obuseiro



    São armas utilizadas para apoio de fogo terrestre, utilizados pelas unidades de artilharia. Possuem calibre variados (75 mm, 105 mm, 155 mm, 203 mm, etc...). São armas pesadas que proporcionam o grosso dos fogos num campo de batalha, e os responsáveis pela maioria das baixas em combate. São empregados para tiro de trajetória balística e posicionados  quilômetros de seus alvos, demandando observadores avançados para correção de tiro.

    Necessitam de guarnições múltiplas (4 a 12 operadores), dependendo do calibre, e são tracionados por viaturas tipo qualquer terreno ou montados em veículos blindados ou não. Alguns modelos são denominados obuseiros devido a suas característica de tiro, que os diferencia dos ditos canhões de campanha, porém seu emprego é idêntico. 

    São amplamente utilizados por todos os exércitos que o tem como o "todo poderoso" em uma frente de batalha. Necessitam de preparação complexa para sua operação, demandando unidades completas para entrarem em ação. Consomem grande quantidade de munição de grosso calibre e necessitam de suporte logístico pesado.




    Canhão de Carro de Combate




    São canhões especificamente destinados a armar carros de combate e construídos em vários calibres, sendo os mais usados no ocidente o de 90 mm para blindados leves, 105 e 120 mm para MBTs. Podem ser carregados manualmente ou por dispositivos automáticos, e sua principal função é o combate contra outros carros de combate.

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