FRASE

domingo, 24 de maio de 2015

Operação Ópera/Babilônia *101



O Ataque a Usina Nuclear de Saddam

Original: http://aeromagazine.uol.com.br/artigo/ataque-cirurgico-a-usina-nuclear-de-saddam_854.html#ixzz3b4el0b8Q

Eu estava nadando na piscina quando ouvi explosões e vi fumaça subindo do outro lado do rio. E o inferno explodiu, com cada canhão da cidade atirando. Mas era tarde demais”, relembrou o britânico Duncan Kirby, em 2006, à BBC News. Era 7 de junho de 1981 e Kirby, aos 21 anos, foi um dos trabalhadores ocidentais que testemunharam o ataque aéreo israelense que arrasou a usina nuclear de Osirak, em Bagdá. Ali se encerrava a possibilidade do regime de Saddam Hussein produzir uma bomba atômica. Quase na mesma hora em que o jovem percebia que algo de excepcional estava acontecendo, a tensão se dissipava entre os pilotos que sobrevoavam o leito do rio Tigre com pós-combustores acionados. 

Ao ouvir a chamada hesitante: “Eshkol Quatro... Quatro, tudo em ordem”, o comandante da esquadrilha Ze’ev Raz, a bordo de seu F-16A Fighting Falcon, informou aliviado ao comando: “Charlie completo”. Em código, era a melhor notícia possível: “Missão cumprida sem baixas”. O resultado final, os oito pilotos só saberiam depois de pousar na base de Etzion, no deserto do Sinai, então ocupado por Israel.

Maioria dos pilotos reunidos em Etzion, logo após o pouso do ataque ao reator planejado em minúcias e executado com precisão quase absoluta, o ataque entrou para a história da aviação pela ousadia, marcando a primeira grande operação do caça General Dynamics F-16 Fighting Falcon – a estreia ocorrera dois meses antes, também com Israel, no abate a tiros de canhão de um helicóptero Mil Mi-8 sírio, no Vale do Bekaa. 

Duramente criticado pelas Nações Unidas, o bombardeio cirúrgico surpreendeu o mundo. Conhecido como Operação Ópera ou Operação Babilônia, a ação volta à memória três décadas depois, enquanto crescem as tensões no Oriente Médio em meio a informações, ainda desencontradas, de que Israel teria promovido um ataque aéreo em território sírio, além da desconfiança de que o programa atômico do Irã esconde o desenvolvimento de ogivas nucleares a serem lançadas por mísseis capazes de atingir Tel-Aviv.



ESCOLHAS

Os obstáculos para a operação eram imensos: a distância (mais de 2.000 km entre ida e volta), a necessidade de sobrevoar território hostil (Jordânia ou Arábia Saudita) e um alvo bem defendido. Além dos MiG-23 iraquianos, o reator era defendido por baterias antiaéreas quádruplas (ZSU-23-4 Shilka) de 23 mm, duplas de 57 mm (ZSU-57-2 Obyekt500) e cinco baterias com 60 mísseis terra-ar SA-6, capazes de abater um avião entre 30 e 12.000 m de altitude.

Antes da definição pelo F-16A Netz (Falcão, em hebraico), a Hel Ha-Avir, a Força Aérea de Israel, examinou com cuidado as aeronaves de seu inventário, o tipo mais adequado de armamento e os parâmetros da missão. Os caça- -bombardeiros mais numerosos eram o pequeno e leve McDonnell Douglas A-4 Skyhawk, veterano do Vietnã, e o IAF Kfir, uma evolução local do Mirage III. Ambos não possuíam alcance suficiente e seus radares e visores estavam ultrapassados. Os candidatos naturais eram o McDonnell Douglas F-15 Eagle e o McDonnell Douglas F-4E Phanton II. O F-15 Eagle era então o caça mais moderno do mundo. Além de possuir capacidade ar-solo, seu radar doppler não sofria interferência do solo em voos ultrabaixos.

Porém, os EUA não haviam fornecido tanques suplementares de combustível e a confiança em seus dois motores em uma missão de longa duração não empolgava. O Phantom parecia ser o eleito. Modernizado e capaz de lançar bombas guiadas, à seu desfavor tinha o alto consumo de combustível e os dois tripulantes, o que dificultaria ainda mais uma eventual operação de resgate. Havia restado o F-16, recém-incorporado, nunca testado em combate intenso e com apenas um motor, uma desvantagem em caso de avaria por fogo inimigo. A seu favor, tinha o pequeno tamanho, grande agilidade e aviônica avançada.

Ao final, a escolha se deu mais em função do tipo de armamento: bombas de queda livre Mk.84 de 2.039 lb (925 kg). Ainda que a Hel Ha-Avir possuísse em seu arsenal bombas guiadas laser, naquele tempo a confiança nelas não era grande. A opção por bombas “burras” se deu por mera precaução. Os pilotos estavam acostumados com elas e a suíte eletrônica avançada do F-16 se “encarregaria” de indicar o melhor momento para o lançamento – se os parâmetros (velocidade, altitude e ângulo de ataque) inseridos no computador fossem seguidos. As estimativas indicavam que apenas oito bombas dariam conta do recado. Por precaução, o comando optou por oito caças carregando duas bombas cada um. Seis F-15 Eagle fariam a escolta.



FALCÃO HEBREU

O F-16 havia caído do céu para Israel. Encomendados pelo Irã no final do regime do xá Reza Pahlevi, deixaram de ser entregues quando os aiatolás assumiram o poder, em 1979. Encalhados, os 75 caças pintados no padrão camuflagem de deserto acabaram oferecidos pelos americanos ao brigadeiro David Ivri, então comandante da Hel Ha-Avir, durante uma visita à base americana de Edwards. Impressionados com o desempenho do F-16A nos dogfights simulados, os novos caças chegaram à base de Ramat Davi, perto da fronteira com a Síria, em julho de 1980, onde formaram três esquadrões.

Menos de um mês depois, as equipagens foram transferidas para ensaios no deserto do Negev. Em outubro, quando o ataque foi decidido, o perfil da missão já estava delineado. Até uma réplica em escala reduzida do reator foi construída, a fim de adestrar pilotos. Uma série de teste indicou que, apesar da chegada em voo rasante, as bombas deveriam ser lançadas de ângulos entre 30 e 40 graus para que pudessem penetrar a espessa cúpula de concreto do reator. As espoletas foram preparadas para detonar após a passagem do último avião, o que possibilitaria a filmagem do alvo e evitaria que os últimos a passar fossem atingidos por destroços.



Os pilotos escolhidos foram o coronel Ze’ev Raz (no comando da esquadrilha), Amir Nachumi (comandante de outro dos esquadrões de F-16), Amós Yadlin, Dubi Yoffe, Hagay Katz, Israel Shapir, Iftach Spector (o piloto mais velho, de 41 anos) e Ilan Ramon (tenente, o único com posto abaixo de major, seguindo o critério israelense de sempre levar um novato. Em 2003, como coronel, Ramon foi o primeiro astronauta do país, morrendo no acidente com o ônibus espacial Columbia).

Cercados de sigilo, os F-16 decolaram de Etzion às 15h55 (12h55 pelo horário de Greenwich) excedendo em mais de 1.100 quilos o peso máximo de decolagem (16.100 quilos) recomendado. Nem em testes do fabricante o F-16 voou tão pesado. Cada avião carregava, além do par de bombas sob as asas, dois mísseis Sidewinder nas pontas das asas, dois tanques subalares de combustível de 370 galões, um tanque ventral de 300 galões e lançadores de chaff e flare na fuselagem.


Após a ignição das turbinas e o acerto nos sistemas de navegação, houve um novo abastecimento com motores ligados para complementar os cerca de 140 litros de combustível gastos em solo. Em condições normais, os F-16A tiravam as rodas do chão após uma corrida de meros 600 metros. De tão pesados, os caças tiveram que usar os 1.700 metros de extensão da pista de Etzion. A esquadrilha se dividiu em dois grupos distantes 4.000 metros entre si, com espaçamento lateral de 600 metros. Dois F-15 acompanhavam a formação, cobrindo a retaguarda, enquanto duas duplas de F-15 cobriam os flancos, prontos para intervir contra os MiG-23 iraquianos ou até os F-15 da Arábia Saudita. 

Um sétimo F-15 biplace sobrevoava a Arábia servindo como piquete de rádio. No ar também estavam um avião-radar Northrop Grumman Hawkeye E-2C, um Boeing 707 monitorando as comunicações na região, um Lockheed Hércules KC-130 de reabastecimento e helicópteros Sikorsky CH-53 de resgate. Os CH-53 decolaram uma hora antes para que pudessem estar próximos de Bagdá no momento do ataque. O tempo estava claro, mas acima de 30.000 pés (9.000 metros) esteiras de condensação denunciariam a esquadrilha. Entre os pilotos, a expectativa era de duas baixas entre os F-16.



OS BASTIDORES DO ATAQUE

Acordo de cooperação nuclear assinado com a França desencadeou a ação. Em 1981, o Iraque estava formalmente em guerra com Israel há 33 anos, ou seja, desde 1948, quando o estado judeu foi criado. Porém, com a Guerra dos Seis Dias, em 1967, as atenções da Hel Ha-Avir ficam centradas nos adversários fronteiriços: Egito, Síria, Líbano e Jordânia. Distante mais de 1.000 km, a capital Bagdá só voltou a ser um alvo potencial a partir de 1976, quando um acordo de cooperação nuclear assinado com a França incluiu a construção de um reator nuclear classe Osiris – para supostos fins pacíficos – e a venda de urânio enriquecido. O reator foi batizado de Osirak pelos franceses (da junção das palavras Osiris e Irak) e de Tammuz 1 pelos iraquianos – havia um reator menor, o Tammuz 2.

Com ajuda dos Estados Unidos, o governo de Israel ainda tentou convencer a França de que o cancelamento do programa de cooperação nuclear seria a melhor opção. Um ataque ao reator começou a ser cogitado em 1979. O alto comando israelense acreditava que a ação deveria ocorrer antes da entrada em operação do reator. Caso contrário, haveria o risco de uma contaminação radiativa colocar em risco milhares de vidas civis.



O Mossad informou ao primeiro-ministro Menachem Begin que o reator deveria entrar em operação entre julho e setembro de 1981. Em junho de 1980, o físico egípcio Yehia El-Mashad, responsável pelo programa iraquiano, foi encontrado morto a pauladas em Paris. Explosões danificaram as instalações de empresas italianas e francesas suspeitas de participação no programa. Em seguida, cartas com ameaças foram enviadas para técnicos e fornecedores. Mesmo assim, as obras prosseguiram.

A esperança estava nas eleições francesas, caso o governo que sucedesse Valéry Giscard d’Estaing mudasse de ideia e cancelasse o acordo. Ao assumir a presidência, em 1981, François Mitterrand desapontou os israelenses ao anunciar que novas transferências de tecnologia nuclear deixariam de ocorrer, mas que os contratos vigentes seriam respeitados. Era o sinal para o ataque.

Como se os obstáculos não fossem enormes, em setembro de 1980, o regime de Saddam Hussein cancelou os acordos que delimitavam a fronteira com o Irã, na região do Shat-El-Arab, provocando a Guerra Irã-Iraque (1980-1988). Se houvesse um ataque israelense, ocorreria diante de barreiras antiaéreas e interceptadores.



Em 30 de setembro, dois McDonnell Douglas F-4E Phanton II iranianos carregando bombas e foguetes praticam o primeiro ataque aéreo da história a um reator nuclear. Apesar do pânico, só prédios próximos foram atingidos. Logo as defesas foram melhoradas e as paredes das instalações, reforçadas. Para Israel, não havia tempo a perder. O primeiro carregamento de 12,5 kg de urânio enriquecido já estava estocado no Iraque.

Fotos de satélite obtidas dos americanos indicavam que o reator deveria começar a funcionar em junho de 1981 (mais tarde franceses afirmaram que Osirak só entraria em funcionamento no final daquele ano). Após sucessivos adiamentos e hesitações – havia opositores ao ataque na cúpula do governo –, a data escolhida foi 7 de junho de 1981, um domingo, quando os trabalhadores franceses e italianos estariam de folga, o que se revelou um engano. No Iraque, trabalhadores ocidentais folgavam às sextas-feiras, de acordo com a tradição muçulmana. Dez soldados iraquianos morreram no ataque, junto com o técnico francês Damien Chaussepied, de 25 anos.

ATAQUES CONTRA TUNÍSIA E SÍRIA

Menos famosas, outras operações cirúrgicas da Hel Ha-Avir serviram para mostrar que Israel não tolera provocações dos inimigos. Em 1º de outubro de 1985, o quartel-general da Organização para Libertação da Palestina (OLP), nas proximidades de Túnis, capital da Tunísia, foi atacado com bombas guiadas. Foi uma resposta a um atentado da OLP no Chipre, seis dias antes, que resultou em três turistas israelenses executados.

Batizada de Operação Perna de Pau, a ação foi conduzida por oito F-15 Eagle que voaram baixo sobre o Mediterrâneo por mais de 4.600 quilômetros, entre ida e volta. Um 707 reabasteceu os caças sobre o mar. Como resultado, 56 militantes palestinos e 15 civis tunisianos foram mortos. O líder da OLP, Yasser Arafat escapou por pouco. Ele estava em sua caminhada matinal. O ataque durou seis minutos e arrasou as instalações palestinas, situadas em um conjunto de prédios próximos da praia.

Bem mais ousada e complexa, a Operação Pomar (Orchard) ainda está repleta de lacunas. No amanhecer de 6 de setembro de 2007, oito F-15I Ra’am (Trovão) guiados por GPS e sistemas Lantirn (Low Altitude Navigation and Targeting Infrared for Night) despejaram mísseis Maverick e bombas guiadas Paveway, de 500 libras, contra instalações na região síria de Deir ez-Zor, no noroeste do país. Aprimoramento local do F-15E Strike Eagle, os F-15I desta vez foram escoltados por F-16, sobrevoando o Mediterrâneo até a costa da Turquia, onde viraram para leste ao longo da fronteira, voltando para o sul em direção ao alvo. Uma aeronave de contramedidas eletrônicas embaralhou as comunicações das defesas aéreas para evitar uma reação, enquanto um radar sírio era destruído preliminarmente. Um helicóptero CH-53 foi acionado para cuidar de eventuais resgates.

Dias depois, autoridades turcas encontraram tanques subalares sem identificação alijados sobre as províncias de Hatay e Gazeantep. As bombas Paveway teriam sido orientadas do solo por uma unidade de reconhecimento (Sayeret Shaldag) do exército israelense equipada com designadores laser. Os soldados estavam infiltrados no interior da Síria há dias. As instalações bombardeadas estariam estocando material nuclear ou mísseis de longo alcance, porém até hoje os detalhes e as razões não foram oficialmente revelados.

LONGO RASANTE

A partir de Etzion, a rota foi traçada para aproveitar as elevações do terreno, a fim de evitar radares jordanianos e árabes. Em caso de falha de motor, os 14 pilotos deveriam fazer uma subida brusca até 150 metros para a ejeção. Caso fosse captado pelo radar antes de cair, o caça apareceria só uma vez nas telas árabes e passaria apenas como um eco. O silêncio de rádio era total. Curva lenta ao sul, a esquadrilha se agrupa e segue a 90 metros do solo até o Golfo de Ácaba. Ali, com a proteção dos morros circundantes, evitam os radares. Sobre o mar, reza a lenda que sobrevoaram o iate do rei Hussein, da Jordânia, antes de entrar no espaço aéreo saudita. O trajeto incluía passar por 40 quilômetros de desfiladeiros, em um zigue-zague arriscado de sete minutos até o deserto. Naquele trecho, o perigo estava em uma interceptação por caças sauditas da base aérea de Tabuk.

A velocidade de 360 nós (667 km/h) tinha de ser mantida por economia. Com o combustível baixando, após a passagem pela rodovia entre Tabuk e a Jordânia, os tanques das asas (110 quilos cada) foram descartados ao longo dos 60 quilômetros seguintes. Ainda nos testes, os pilotos descobriram que nem os americanos descartavam os tanques em voo enquanto carregavam bombas. Havia o temor, logo descartado, de que o esforço comprometesse a estrutura das asas.



DOIS MINUTOS EM BAGDÁ

Ao cruzar a fronteira iraquiana, o coronel Ze’ev Raz lança o código: “Zebra”. A 10 minutos do alvo, a chamada “Duna Amarela” indicava o sobrevoo do lago salgado Bahr al-Milh, próximo do rio Eufrates. Chuvas recentes haviam inundado uma ilhota que serviria de ponto de referência, o que criou algum nervosismo. A velocidade aumenta para 390 nós (722 km/h) e os radares são acionados. Os F-16 se agrupam em quatro elementos. A velocidade sobe para 480 nós (889 km/h). Os F-15 acionam os pós-combustores, sobem para 6.600 metros em três patrulhas de combate. Uma dupla passa a vigiar as decolagens nas bases de Al-Taqaddum e Habbaniya, ao norte, outra fica com Ubaydah Bin Al Jarrah, a beira do rio Tigre, e a última fica acima dos F-16, de olho nas bases de Rasheed, Muthenna e no aeroporto internacional de Bagdá, mais próximas do reator.

A investida começa a cerca de 20 quilômetros do alvo, às 18h35, no rumo sul-norte, quando o domo de concreto já pode ser avistado no horizonte. Os pilotos acionam os pós-combustores, sobem vertiginosamente a 2.100 metros. “Eu olhava à direita e via Bagdá, à esquerda, o reator”, contou à BBC, em 2006, o então coronel da reserva Ze’ev Raz. A seguir, Raz reduziu o manete de potência e, girando em torno do eixo, mergulhou em ângulo de 35 graus a cerca de 1.100 quilômetros por hora, com o Osirak na mira. Entre 1.300 e 1.100 metros de altitude os F-16 lançam sua Mk 84 com intervalos de cinco segundos cada. As câmeras e a fonia captam o esforço físico dos pilotos na recuperação do mergulho para o voo nivelado. Tiros esparsos de antiaérea surgem na frente do último elemento, mas não há uma reação organizada, muito menos SA-6 e MiGs. A IFF (Identificação Amigo-Inimigo) é ligada para não confundir os F-15. A ação inteira dura cerca de dois minutos.

Das dezesseis bombas, oito abrem rombos na cúpula do reator, outras atingem o pátio e instalações próximas. Duas erram o alvo, sendo que uma não explode. Veterano da esquadrilha e cauda da formação, Iftach Spector revelou em sua autobiografia que sofreu um blecaute provocado pela força G durante a subida brusca, “despertando” tarde demais: “Vi Tammuz à minha frente, mas fora de alcance, e joguei as bombas em cima do que podia, no pátio do reator atômico”. Mais tarde foi descoberto que, meia hora antes, os soldados da guarnição antiaérea do reator haviam desligado o radar e abandonado os postos para um lanche no final do dia. Alguns relatos afirmam que o Mossad, o serviço secreto israelense, instalou uma baliza de navegação nas proximidades para auxiliar os jatos.

A volta é uma corrida cuidadosa com pouco combustível. Ainda no Iraque a esquadrilha abre a formação e sobe a 40.000 pés (12.000 metros), onde enfrenta vento de proa. Com combustível suficiente, os F-15 sobem a 41.000 pés para garantir a cobertura. Para evitar o vento, os F-16 arriscam descer a 38.000 pés (11.500 metros), onde deixam esteiras de condensação. Com todos inteiros, o pouso em Etzion é uma celebração. Cada F-16 contava com apenas 1.000 libras (450 quilos) de combustível. “Ninguém pensou que todos iriam retornar”, afirmou Ze’ev Raz. “Estávamos maravilhados por todos termos pousado sem um arranhão sequer”. Qualquer possibilidade de uma bomba nuclear iraquiana havia se transformado em escombros.

AS AERONAVES DA OPERAÇÃO ÓPERA



F-16A “NETZ”
  • Aeronave Air Force F-16A Netz ‘243’ pilotada pelo coronel Ilan Ramon durante a Operação Ópera
  • Fabricante: General Dynamics (hoje, Lockheed Martin)
  • Tipo: multifunção (caça e caça-bombardeiro)
  • Primeiro voo: 20 de janeiro de 1974 (protótipo YF-16)
  • Entrada em serviço operacional (F-16A): em 22 de janeiro de 1979, na 388ª Ala de Caças Táticos (388th TFW), na base aérea de Hill, em Utah
  • Dimensões: envergadura: 10,01 m, com mísseis nas pontas das asas; comprimento: 14,52 m; altura: 5,01 m; área alar, 27,87 m²
  • Pesos: 6.733 kg, vazio; 14.969 kg, total
  • Propulsão: um Pratt & Whitney F100-PW-200 com 10.885 kg de empuxo
  • Desempenho: 1.445 km/h (Mach 1,2) ao nível do mar; razão inicial de subida, 18.288 m/min.; teto operacional 18.300 m
  • Alcance: 3.890 km, alcance máximo em missão interceptação, com combustível externo; 1.200 km, alcance máximo em missão interceptação só sem combustível interno; 546 km, com seis bombas Mk 82 de 500 libras (227 kg)
  • Radar: Westinghouse AN/APG-66 de pulso doppler, com cerca de 150 km de alcance
  • Armamento: um canhão de seis canos M61 Vulcan de 20 mm, com 511 projéteis, no lado esquerdo da fuselagem, próximo da raiz da asa, e nove cabides para até 6.895 kg de bombas, mísseis (Sidewinder), tanques combustível e casulos de interferência eletrônica



GENERAL DYNAMICS F-16A FIGHTING FALCON

  • Função: voar baixo sobre o deserto, a partir de uma base no Sinai, atravessando a Arábia Saudita, evitando os radares jordanianos e sauditas
  • Armamento empregado: mísseis guiados por calor Sidewinder de curto alcance nas pontas das asas, para autodefesa, e duas bombas 2.000 libras (907 quilos)


MCDONNELL DOUGLAS F-15 EAGLE

  • Função: escoltar a esquadrilha de F-16 durante o trajeto. A maior preocupação eram os caças soviéticos MiG-23 do Iraque
  • Armamento: mísseis Shafrir guiados por calor e Sparrow, por radar semiativo


SIKORSKY CH-53

  • Função: resgatar no solo qualquer piloto que fosse abatido ou tivesse que ejetar devido a problemas técnicos. Com grande alcance e capazes de transportar equipagens numerosas, supõe-se que levava equipes de combate e médicos militares
  • Armamento: metralhadoras leves instaladas nas portas e janelas


BOEING 707

  • Função: monitorar as comunicações entre os caças, os eventuais interceptadores inimigos e o tráfego aéreo



LOCKHEED HERCULES KC-130

  • Função: avião de reabastecimento que ficou no ar de prontidão, caso faltasse combustível, o que não ocorreu



NORTHROP GRUMMAN HAWKEYE E-2C

  • Função: oferecer cobertura de radar durante a volta de Bagdá, alertando os F-15 sobre inimigos, fossem eles iraquianos, sauditas ou jordanianos
  • Um Sikorsky CH-53 israelense. Aeronave voou infiltrada até próximo de Bagdá, onde entraria em ação para resgatar pilotos abatidos


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Operações de Contra-Insurgência #099



As operações de contra-insurgência são aquelas dirigidas contra forças irregulares (não governamentais) que ameaçam a soberania de um governo estabelecido. A forma de combate adotada por estas forças é invariavelmente a tática da guerrilha, pois geralmente são forças potencialmente mais fracas que as governamentais e fazem uso do combate assimétrico sem linha de contato definida, usando métodos como a sabotagem e a dispersão, atacando e fugindo, levando as forças governamentais a campanhas de desgaste, longas e cujo principal alvo é o moral destas.  Faz parte também da estratégia destas forças a conquista do apoio da população, pois dela dependem para esconde-se e fazer funcionar seu suporte logístico.

A derrota militar destas forças consiste em ações que visem restabelecer o funcionamento com segurança dos órgãos que compõem o estado estabelecido em áreas sob controle destas forças, incluindo ações de apoio ao governo local a fim de torná-lo autossustentável e possa construir um ambiente favorável à conquista da confiança e apoio da população local.

Estas forças podem se fazer presentes mesmo dentro de um cenário de guerra convencional através de milícias que apóiam este ou aquele lado, e que atuam em proveito deste, mesmo que sob controle próprio. A ação destas forças podem ampliar ou complementar de forma significativa as operações das forças constituídas.




A tropa mais adequada a este tipo de operação são as forças de operações especiais, amplamente apoiadas por forças aeromóveis e estruturas de inteligência eficientes, tendo sempre como foco o apoio da população local.

Estas forças são motivadas por razões político-ideológicas, étnicas, religiosas e com menor incidência econômicas e procuram a derrubada do poder constituído e o estabelecimento de uma nova ordem política e social. Podem contar com o apoio externo ou não, estatal ou não de estados com ideologias afins. Dentre as formas de apoio que podem acontecer temos o alinhamento ideológico e disseminação do proselitismo insurgente; apoio político; assistência financeira; auxílio militar, incluindo assessoria técnica, treinamento e provisão de equipamentos, armas e munições; concessão de uso do território para treinamento e homizio; apoio operacional a ações específicas; e envolvimento direto em ações armadas e operações de combate.

A legitimidade do Estado e o apoio da população constituem os pilares da contra-insurgência. A formulação de políticas públicas integradas, que atendam às demandas políticas, econômicas e sociais da população local, são importantes para enfraquecer o apelo extremista dos insurgentes à luta armada. Tal condição é fundamental para isolá-los e frustrar seu esforço armado.

São requisitos fundamentais ao combate de contra-insurgência:
  • Políticas de melhoria das condições de vida da população local, buscando saciar seus anseios e reivindicações, focando sempre na satisfação de suas necessidades básicas;
  • Colaboração interagências, com unidade de esforços;
  • Privação aos insurgentes de apoio interno e externo e de seus locais de homízio;
  • Intenso uso de operações de inteligência, informação, assistência a população civil, operações especiais e tipo polícia;
  • Uso limitado de força letal a fim de prevenir efeitos colaterais indesejados;
  • Uso de forças locais de segurança, ênfase na conduta ética e ações legítimas junto a população.


O uso puro e simples da força, sem a observância do que foi dito anteriormente tem-se mostrado contraproducente, afetando a legitimidade do poder e prejudicando o fluxo de informações oriundo da população, fomentando um ambiente de insegurança e instabilidade. A falta de apoio da população local pode também resultar na falta de apoio da comunidade internacional. Este cenário é propícios aos insurgentes que exploram esta brecha e procuram trazer a população para o seu lado.

Uma campanha bem sucedida desta natureza requer amplo esforço de inteligência, muito antes do início das operações propriamente ditas, sua continuidade durante, e um esforço da consolidação da situação mesmo depois das ações militares cessarem, pois devido a incerteza quanto a constituição e efetivos dos insurgentes, deve-se prevenir a sua volta. Forças de operações especiais, altamente treinadas, deverão conduzir as ações mais pontuais contra os insurgente e as forças convencionais caberá as operações tipo polícia, com a coleta de dados e interação com a população. Patrulhamento ostensivo proporcionando segurança aos locais e isolamento dos insurgentes, deve ser praticado todo o tempo.
Informações são fundamentais a qualquer tipo de operação, que são conduzidas com maior precisão e eficácia. Uma busca eficaz de inteligência deve obedecer à seguinte prioridade:
  • alvos do sistema logístico, incluindo interdição do apoio externo;
  • alvos de valor psicológico, incluindo as lideranças; e
  • eliminação seletiva de alvos, neutralização de grupos armados e/ou captura de seus apoios civis.
As forças militares devem também serem empregadas em tarefas de ajuda humanitária e programas assistenciais pormenorizadamente elaborados. Quanto maior o nível de colaboração entre militares e civis no interior da área conflituosa, maiores serão as chances de êxito da campanha de Contra-insurgência.
Na Contra-insurgência, a missão das forças militares (convencionais e de operações especiais) é definida pela ação de pacificar. Na prática, significa erradicar a ameaça proveniente das forças irregulares, sobretudo, seu braço armado, isolando-as de seus apoios locais, desmantelando sua infra-estrutura e neutralizando seu poder de combate.

Para desarticular as forças irregulares, é necessário atender a dois pré-requisitos básicos: vencer a guerra da informação e conquistar o apoio da população.


Munição de Urânio Empobrecido #098



Denomina-se urânio empobrecido (DU “depleted uranium”) ao isótopo 238 do urânio, resultante do processamento ou enriquecimento deste elemento para obtenção do isótopo 235 usado em reatores a armas nucleares. Também chamado de urânio exaurido ou urânio esgotado é de difícil fissão, possuindo menos de 1/3 do urânio 235 existente no urânio natural, este tendo em sua composição cerca de 99,27% do isótopo 238.

Emite em torno de 60% da radiação emitida pelo urânio natural e devido a sua alta densidade (cerca de 19.050 kg/m3 – 67% superior ao chumbo) é muito apreciado para aplicações militares e civis. Pode ser usado como lastro de aeronaves, escudo contra a radiação, projéteis de energia cinética e blindagens, assim como em reatores e armas nucleares, porém com eficiência inferior ao seu irmão 235.

Seu uso em aplicações diversas é controverso devido a radiação que emite. Embora possua um grau de toxicidade inferior ao arsênico e o mercúrio, possui uma meia vida de bilhões de anos e não existem pesquisas conclusivas a respeito de seus malefícios, embora se saiba que causa danos neurológicos, mutagênicos e leucogênicos, sendo seus efeitos sentidos pelos veteranos da Guerra do Golfo que apresentaram defeitos congênitos em seus filhos devido a exposição nesta guerra.



Seu uso militar se deu a partir da década de 70 para fazer frente às blindagens soviéticas, devido a sua característica de dureza e relativa abundância. É mais frágil e menos denso que o carbeto de tungstênio (o tungstênio é importado da China), tendo sido usado em todos os conflitos da OTAN desde então, que possui grandes estoques, além de Israel em ataques a Gaza. A munição tipo APFSDS (flecha) é um projétil desprovido de carga explosiva e que atinge seu alvo (blindagens de carros de combate extremamente duras) a 1.150 m/s e a penetra por energia cinética através do calor proveniente do impacto que a derrete a 1800 graus Celsius, pulverizando tudo o que há lá dentro, inclusive munição e combustível. O urànio possui ainda propriedades pirofágicas;

Imerso em grande controvérsia, dado que se pulveriza ao impacto de seus projéteis e forma nuvens de partículas ligeiramente radiativas que contamina grandes áreas, verificou-se (a ONU) que a munição norte-americana contém plutônio, e provém de usinas de reprocessamento, apresentando radiatividade mais alta.

domingo, 15 de março de 2015

Operações de Junção #097



As operações de junção são realizadas quando duas forças terrestres amigas estão em marcha visando o contato entre elas. Podem ser realizadas entre uma força que está em movimento e outra estacionária ou entre duas forças em movimento convergente.

Estes contatos podem ocorrer como parte de uma operação aeroterrestre ou aeromóvel, contato de duas forças através de desembarque anfíbio, na substituição de uma força que esta isolada, pelo reforço de uma força de infiltração numa manobra ofensiva, numa manobra de ruptura ao cerco de uma força amiga, no auxílio a uma força dividida, no encontro com forças guerrilheiras amigas ou ainda na convergência de forças independentes.

A força de junção, denominação dada a força móvel quando em junção a uma força estacionária, realiza uma manobra ofensiva procurando o contato físico junto a esta e com objetivo de ocupar o espaço adjacente. A força estacionária empreende uma manobra defensiva a fim de preservar o espaço que a força de junção ocupará. Coordenação e controle são fundamentais e restrições são impostas a duas forças a fim de que a ação de uma não atinja involuntariamente a outra. Quando a junção é realizada por duas forças em movimento a coordenação e o controle são vitais e ambas continuam no cumprimento de suas missões.



O planejamento se faz necessário com alto grau de apuração com troca contínua de informações entre as forças, planos elaborados, planejamentos prévios procurando a redução dos riscos inerentes a situação. O planejamento deverá, entre outras, antecipar as relações de responsabilidade de comando e estado maior, coordenação das respectivas manobras e apoio de fogo, integração dos planos de comunicações e sistemas de reconhecimento.

Toda ação militar de porte invariavelmente inclui operações desta natureza, seja na união de duas frentes, no reforço a uma tropa em dificuldades ou em outra situação qualquer como numa operação aeroterrestre, e deve ser praticada como qualquer outra que inevitavelmente ocorrerá.


Um exemplo clássico deste tipo de operação foi a operação Market-Garden quando uma força blindada britânica foi lançada a cavaleiro de uma rota cujas pontes foram ocupadas previamente por duas divisões paraquedistas americanas e uma britânica, sendo que as duas primeiras (americanas) foram transpostas conforme o planejado e a terceira sobre o Reno na cidade de Arnhem, por um erro de cálculo grotesco dos planejadores, foi bloqueada pelas forças alemãs, culminando com o fracasso da operação. Esta operação está majestosamente descrita no livro “Uma ponte longe demais” de Cornelyus Rian. Vale a pena ler.



quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Mísseis Ar-Ar (AAM) #096



Descrição

O propósito de um míssil ar-ar (AAM) é atingir uma aeronave em voo, um alvo extremamente fugaz, sendo disparado de outra aeronave em voo. São a principal arma do combate aéreo moderno e guarnecem aeronaves, tanto na função de autodefesa como na função de caças-interceptadores. Tomaram o lugar das metralhadoras aéreas da Segunda Guerra Mundial como arma principal do combate aéreo, porém não as substituíram, e hoje dividem com os modernos canhões de tiro rápido aeromontados o espaço nas asas e fuselagem das aeronaves de combate modernas. São divididos em três grupos principais:


  • SRAAM (short range air-to-air missile): São modelos de curto alcance (até cerca de 30/40 km nas gerações mais recentes), projetados para atingir o adversário dentro do alcance visual do piloto, e que se orientam através de radiação infravermelha (Calor) emitida pelo alvo.
  • BVRAAM (Beyond visual range air-to-air missile): São modelos de médio e longo alcance, projetados para atingir o inimigo além do alcance visual do piloto, com sistemas de guiagem que podem ser múltiplos e mais sofisticados.
  • AAM de defesa. São pequenos mísseis ar-ar usados para autodefesa por aeronaves pequenas como helicópteros, normalmente derivados de SAMs portáteis de infantaria, orientados a infravermelho ou laser.

O sistema de orientação por infravermelho (IR e IIR) rivaliza atualmente em importância com o radar. A radiação infravermelha (calor) assemelha-se a ondas de rádio ou de radar, com a diferença que seu comprimento de onda é sensivelmente mais curto (próxima ao comprimento de onda da luz visível), o que possibilita que a cabeça do rastreador seja menor que a antenas dos radares montados em outro mísseis. A diferença mais importante porém, é que a iluminação a partir da aeronave lançadora torna-se desnecessária, pois o alvo sempre gera sua própria radiação infravermelha, seja através dos gases de escape do motor ou do atrito da fuselagem com a atmosfera.



Os primeiros mísseis IR tinham a tendência de se dirigir para o sol, ou para seus reflexos na superfície de lagos ou estufas com vidraças quando o disparo tinha estes cenários como fundo. O desenvolvimento da tecnologia permitiu que cabeças de busca mais sensíveis fossem capazes de distinguir estes falsos alvos dos verdadeiros. Os modelos mais modernos possuem rastreadores de excepcional sensibilidade mesmo a grandes distâncias e travam em seus alvos em qualquer posição da aeronave lançadora em relação a aeronave–alvo. Os modelos mais antigos, devido a baixa sensibilidade, obrigavam a aeronave lançadora a posicionar-se atrás do alvo, procurando os gases quentes da saída do motor. Isso significava que o alvo tinha que realizar uma pequena curva para ficar fora do campo de visão do míssil e este perder a visada.

Outra forma que vem se desenvolvendo é a guiagem eletro-ótica, que não depende de sensores termais. O míssil/sensor IRST do caça faz uma varredura ótica do alvo a trava em um ponto vital da aeronave, que pode ser o cockpit, por exemplo. Como não depende somente dos sinais infravermelhos, pode ser usado contra UAVs e mísseis de cruzeiro. Nuvens podem atrapalhar este engajamento. O israelense Python V possui estas capacidades além de seus sensores IIR.



Os mísseis BVR, como aqueles que se orientam na faixa do IR, são lançados na direção do alvo através de dados fornecidos pelo radar da aeronave. Naqueles o vínculo cessa no instante do lançamento, porém nos modelos de longo alcance (BVR), o míssil pode depender da aeronave por mais tempo. Os primeiros mísseis BVR utilizavan-se de orientação por radar semi-ativo (SARH – semi-active radar homing), onde o míssil recebe a reflexão dos sinais de radar vindas do alvo e emitidos pela aeronave lançadora, obrigando o caça a se manter na condição de "iluminador" do alvo, tornando-o vulnerável pois não pode realizar manobras evasivas. Um caça emitindo radiação continuamente tem “visibilidade” semelhante a uma lanterna acesa no meio da escuridão. O míssil ao ser disparado segue a reflexão destes sinais e seu sensível receptor-radar faz com que se direcione continuamente até o alvo. Os modelos de geração mais recente com radar ativo emitem sua própria radiação e são independentes da aeronave lançadora, assumindo uma status “dispare e esqueça”, liberando o caça para manobras evasivas. Estes mísseis de longo alcance (BVR) são disparados em direção a uma posição futura provável quando lá chegarem da aeronave alvo e geralmente utilizam uma sistema de guiagem de meio curso que pode ser orientação inercial - INS, GPS ou outra, sendo que o radar assuma a orientação no curso final.

Uma forma primitiva de guiagem destes mísseis é a beam-riding, onde o míssil se mantém dentro de um estreito feixe de radar que ilumina o alvo. Embora simples em conceito, era de difícil implementação devido a fugacidade dos alvos. Quanto maior a distância, maior o cone formado por este feixe com consequente aumento da imprecisão da trajetória. Este sistema ainda é usado com eficiência em mísseis anticarro.

História



Os primeiros modelos foram desenvolvidos durante a II Guerra Mundial. Eram comandados por rádio ou cabos muito finos, ligados a aeronave lançadora. Nos anos 50, essa tecnologia evoluiu para sistemas de orientação mais avançados, que os permitiu dirigirem-se a seus alvos por seus próprios meios.

Os mísseis ar-ar surgiram a partir dos foguetes ar-ar sem orientação utilizados durante a Primeira Grande Guerra Lê Prieur, disparados eletricamente dos biplanos contra balões de observação. Durante a Segunda Guerra os alemães desenvolveram o foguete R4M não guiado e posteriormente primeiro projétil que pode ser considerado um AAM designado Ruhrstahl X-4. A pesquisa do pós-guerra levou a RAF a inroduzir em serviço o Fairey Fireflash, com resultados medíocres. Em 1956  os americanos introduziram em serviço o AIM-4 Falcon guiado a radar na USAF e o AIM-7 Sparrow (BVRAAM) e AIM-9 Sidewinder (SRAAM). Em 1957 os soviéticos introduziram em serviço o Kaliningrad K-5 (AA-1 Alkali). Nos anos 60 a fé neste engenhos foi tanta que os primeiros F-4 Phanton II americanos foram armados apenas com eles, preterindo os tradicionais canhões e metralhadoras aeromontados, o que revelou-se um erro constatado na experiência do Vietnam, logo corrigido com a reintrodução dos canhões e prática das táticas de dogfighting tradicionais, porém o míssil acabou se firmando como arma principal no combate aéreo. Na Guerra das Falklands/Malvinas, os britânicos impuseram pesadas perdas aos Mirage III argentinos com seus Harrier usando a versão L (all aspect) do AIM-9 Sidewinder americano.



Os modelos de primeira geração de mísseis de curto alcance como os Sidewinder AIM-9B e Vympel K-13 (AA-2 Atoll) tinham sensores infravermelhos de campo estreito (30 graus) e exigiam que o atacante se posiciona-se atrás do alvo. Isso significava que o alvo tinha que realizar uma pequena curva para ficar fora do campo de visão do míssil e este perder a visada. Os mísseis de segunda geração utilizavam buscadores mais eficazes com visão melhorada de 45 graus. A terceira geração introduziu os mísseis “all aspect” (AIM-9L por exemplo), permitindo o disparo de qualquer ângulo. A quarta geração entrou em serviço em 1985 com o Vympel R-73 (AA-11 Archer). Agregam muita resistência a contra-medidas infravermelhas e visada de 60 graus para cada lado alem de empuxo vetorado. A quinta geração começou a empregar imagem eletro-ótica e infravermelho com formação de imagem (IIR) que permitem que vejam pontos específicos da aeronave e não apenas pontos quentes, com processamento digital de sinais, permitindo-os distinguirem aeronaves de contra-medidas infravermelhas (Flares), além de atingir alvos pequenos como UAVs.

Contramedidas



As contramedidas mais usadas para impedir o impacto destes projéteis, além das manobras evasivas, são os flares, iscas muito quentes lançadas para despistar os mísseis IR e os Chaff, partículas de alumínio muito leves que ficam em suspensão no ar e criam uma “barreira” eletrônica confundindo o radar-guia. Filtros eletrônicos especiais em modelos mais recentes são capazes de ignorar os falsos alvos que não estejam dentro de uma temperatura específica, para mísseis IR.



Propulsão

O motor dos mísseis, na maioria dos casos é de combustível sólido com tempo de combustão longo nos modelos BVR a fim de manter a alta velocidade. Os motores Ramjet usados no MBDA Meteor estão emergindo como um tipo de propulsão que permitirá futuros mísseis de médio alcance a manter sua velocidade média superior em toda a sua trajetória. Já os AAM de curto alcance parte de acelerações muito altas no início que lhe permitem impulso para percorrer o resto de sua trajetória. A medida que a velocidade vai diminuindo, depois de cessar o empuxo do motor, sua capacidade de manobra fica prejudicada, com conseqüente eficiência diminuindo em alcances-limite.

Desempenho

Os AAM podem ser transportados por aeronaves de ataque ou aviões maiores como os patrulheiros oceânicos para autodefesa, mas são os pequenos caças de combate aéreo que os utilizam com maior eficácia. São também utilizados em caças de maior porte denominados interceptadores capazes de detectar e destruir  seus alvos a grandes distâncias. O Tornado F.2 da RAF, por exemplo, tem a missão de proteger o espaço aéreo do Mar Báltico até a Islândia, não importando as condições meteorológicas. O Míssil Phoenix da US Navy, que armava os hoje aposentados F-14 podiam destruir seus alvos a distância de até 160 km. Estes mísseis de alto desempenho precisam voar muito rápido, em torno de mach 4, o que exige estruturas de aço inoxidável e aerodinâmica especial hipersônica.



A tarefa de um AAM é relativamente fácil, pois seu alvo se destaca facilmente contra o grande espaço aéreo. Porém se tiver que ser disparado contra aeronaves de ataque voando baixo e tendo o terreno como pano de fundo, que gera um grande retorno, a situação se complica. Os modelos mais modernos conseguem cumprir este desafio com maior confiabilidade.

O alcance dos mísseis é muito relativo. Ele depende de uma gama da fatores como altitude, velocidade da aeronave, posição, e orientação da aeronave alvo. Por exemplo, o russo Vympel R-77 é anunciado com um alcance de 100 km. Isso só é possível para um alvo em alta altitude. Em baixa altitude, o alcance efetivo é reduzido em até 75-80% a 20-25 km. Se o alvo tomar medidas evasivas, ou estiver em fuga o alcance efetivo é ainda mais reduzido. O alcance efetivo de um míssil ar-ar é conhecido como a "zona de não escape", que é a distância em que o alvo não pode superar o míssil uma vez lançado. Pilotos mal treinados são conhecidos por disparar seus mísseis em alcance máximo com maus resultados. No 1998-2000 na Guerra da Eritreia-Etiópia, ambos os lados dispararam mais de uma dúzia de R-27 de médio alcance com pouco efeito. Mas, depois de uma melhor formação, os SU-27 etíopes em perseguição atacaram com seus R-73 (AA-11 Archer) com resultados mortais para as aeronaves da Eritreia.



Um míssil também está sujeito a ângulo de disparo mínimo, diante do qual não pode manobrar de forma eficaz. Para manobrar eficazmente a partir de ângulos de lançamento muito fechados a distâncias muito curtas alguns mísseis usam empuxo vetorado, que o permite posicionar-se convenientemente antes de seu motor acelerá-lo até as altas velocidades.



Modelos de mísseis ar-ar SRAAM e BVRAAM
  • Brasil
    • MAA-1A Piranha - IR de curto alcance.
    • MAA-1B Piranha - desenvolvimento da versão A.
    • A-Darter -IR de curto alcance de 5a geração (com a África do Sul ).
  • França
    • AA.20 , AA.25
    • Matra R550 Magic - de curto alcance, guiado IR.
    • Matra Magic II - IR de curto alcance.
    • Matra R530 - de médio alcance, IR ou radar-guiado.
    • Matra Super 530F / Super 530D - de médio alcance, radar-guiado.
    • MBDA MICA - de médio alcance, guiado por IR ou radar ativo.
  • Alemanha
    • Henschel Hs 298 - II Guerra Mundial, MCLOS , não entrou em serviço.
    • Ruhrstahl X-4 - II Guerra Mundial, primeiro míssil ar-ar prático, MCLOS , nunca viu o serviço ativo.
    • RZ 65 projeto do míssil desenvolvido pela Rheinmetall-Borsig em 1941. Depois de cerca de 3000 testes, revelou-se insatisfatório devido a uma precisão de apenas 15%. O projeto foi finalizado no fim da guerra.
  • Europeu
    • MBDA Meteor - de longo alcance, radar ativo ; concebido para complementar AMRAAM e MICA.
    • IRIS-T - de curto alcance a infravermelho ; substituto para o AIM-9 Sidewinder;
  • Índia
    • Astra Mk.I - de longo alcance e guiagem a radar.
    • Astra Mk.II.
  • Irã
    • Fatter - cópia de US AIM-9 Sidewinder.
    • Sedjil - cópia de US MIM-23 Hawk, convertido para ser transportado por aeronaves.
  • Iraque
    • Al Humurrabi - de longo alcance, radar semi ativo.
  • Israel
    • Rafael Shafrir - primeiro AAM israelense.
    • Rafael Shafrir 2 - melhoramento do míssil Shafrir.
    • Rafael Python 3 - míssil de médio alcance IR- all aspect.
    • Rafael Python 4 - de médio alcance IR, HMS.
    • Rafael Python 5 - melhoramento do Python 4 com buscador de imagens electro-óptico.
    • Rafael Derby - Míssil BVR- radar ativo.
  • Itália
    • Alenia Aspide - versão italiana do AIM-7 Sparrow , com base no AIM-7E.
  • Japão
    • AAM-1 - curto alcance. cópia do US AIM-9B Sidewinder.
    • AAM-2 - curto alcance. semelhante ao AIM-4D.
    • AAM-3 - curto alcance.
    • AAM-4 - médio alcance.
    • AAM-5 - curto alcance. semelhante ao IRIS-T.
  • República Popular da China
    • PL-1 - versão do Soviético Kaliningrad K-5 (AA-1 Alkali), aposentado.
    • PL-2 - versão do Soviético Vympel K-13 (AA-2 Atoll), que foi baseado no AIM-9B Sidewinder aposentado e substituído pelo PL-5 em serviço.
    • PL-3 - versão atualizada do PL-2, não entrou em serviço.
    • PL-5 - versão atualizada do PL-2, versões conhecidas incluem:
      • PL-5A - radar semi-ativo. destinou-se a substituir o PL-2, não entrou em serviço. Assemelha-se a AIM-9G na aparência.
      • PL-5B - versão IR , entrou em serviço em 1990 para substituir o PL-2 SRAAM.
      • PL-5C - Versão melhorada comparável ao AIM-9H ou AIM-9L no desempenho.
      • PL-5E - All aspect, se assemelha ao AIM-9P na aparência.
    • PL-7 - versão do francês R550 Magic, não entrou em serviço.
    • PL-8 - versão do israelense Rafael Python 3
    • PL-9 - curto alcance, comercializado para exportação.
    • PL-10 - radar semi-ativo baseado na HQ-61 SAM, muitas vezes confundida com PL-11. Não entrou em serviço.
    • PL-10 / PL-ASR - IR míssil guiado de curto alcance
    • PL-11 - de médio alcance, baseado na HQ-61C & Italian Aspide tecnologia (AIM-7). Serviço limitado com J-8-B / D / H . As versões conhecidas incluem:
      • PL-11 - radar semi-ativo, baseado no HQ-61C tecnologia SAM e Aspide, exportado como FD-60.
      • PL-11A - Melhoramento do PL-11 com maior alcance, ogiva mais eficaz.
      • PL-11B - Também conhecido como PL-11 AMR, melhoramento do PL-11.
      • LY-60 - PL-11 adotado para navios da Marinha para a defesa aérea, vendido para o Paquistão, mas não parece estar em serviço com a Marinha chinesa.
    • PL-12 (SD-10) - de médio alcance radar ativo  antimíssil.
    • TY-90 - IR projetado para helicópteros.
  • Rússia / URSS
    • Kaliningrad K-5 ( NATO AA-1 'Alkali') - beam-riding
    • Vympel K-13 (NATO AA-2 'Atoll') - IR de curto alcance ou SARH
    • Kaliningrad K-8 (NATO AA-3 'Anab') - IR ou SARH
    • Raduga K-9 (NATO AA-4) - IR ou SARH
    • Bisnovat R-4 (OTAN AA-5 'Ash') - IR ou SARH
    • Bisnovat R-40 (NATO AA-6 Acrid) - IR de longo alcance ou SARH
    • Vympel R-23 (AA-7 'Apex' NATO) - de médio alcance SARH ou IR
    • Molniya R-60 (NATO AA-8 'Aphid') - IR de curto alcance 
    • Vympel R-33 (NATO AA-9 'Amos') - de longo alcance do radar ativo
    • Vympel R-27 (NATO AA-10  'Alamo') - SARH de médio alcance ou IR
    • Vympel R-73 (NATO AA-11 "Archer ') - de curto alcance IR
    • Vympel R-77 (NATO AA-12  'Adder' ) - de médio alcance radar ativo
    • Vympel R-37 (NATO AA-13  'Arrow') - SARH longo alcance ou radar ativo
    • Novator KS-172 AAM-L - de longo alcance extremo, INS com radar ativo.
  • África do Sul 
    • A-Darter - IR (com Brasil )
    • V3 Kukri - de curto alcance IR
    • R-Darter - (BVR) míssil guiado por radar ativo
  • República da China (Taiwan) 
    • Sky Espada I (TC-1)
    • Sky Espada II (TC-2)
  • Reino Unido  
    • Fireflash - de curto alcance beam-riding
    • Firestreak - de curto alcance IR
    • Red Top - de curto alcance IR
    • Taildog / SRAAM - de curto alcance IR
    • Skyflash - de médio alcance de mísseis guiados por radar baseado no AIM-7E2.
    • AIM-132 ASRAAM - de curto alcance IR
  • Estados Unidos 
    • AIM-4 Falcon - radar (mais tarde IR) guiada
    • AIM-7 Sparrow - de médio alcance radar semi-ativo
    • AIM-9 Sidewinder - de curto alcance IR (5 gerações)
    • AIM-54 Phoenix - de longo alcance, radar semi-ativo e ativo
    • AIM-120 AMRAAM - de médio alcance, radar ativo; substitui o AIM-7 Sparrow.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Operações Aeroterrestres #095



Operações aeroterrestres são manobras realizadas pela Força Terrestre em conjunto com a Força Aérea ou outra organização que possa fornecer os meios aéreos. Podem colocar as forças em seus locais de destino através de lançamento pelo ar ou diretamente em aeródromos ou locais que permitam o pouso das aeronaves, ou ainda combinando meios aeromóveis (helicópteros). As forças terrestres envolvidas devem ser especialmente treinadas e equipadas para tal.

Ela se dá em quatro fases: preparação, deslocamento, assalto e operações subsequentes. Batalhões de infantaria paraquedistas podem normalmente ser organizados na forma de forças-tarefa contanto com elementos de apoio de artilharia, engenharia, cavalaria, comunicações, guerra eletrônica, logísticos e outros a fim de agilizar sua entrada em operação e contornar problemas de dispersão e falta de controle. Forças paraquedistas podem e são organizadas nos escalões de brigada e até divisão, com todos os elementos de uma força convencional.



A missão básica de uma força aeroterrestre é chegar em tempo mínimo em locais considerados estrategicamente importantes e não possam ser alcançados por tropas convencionais, seja por estarem distantes ou em local de difícil acesso ou mesmo no interior de área controlada pelo inimigo. Devido a sua estrutura leve, estas tropas possuem uma capacidade de permanência nos objetivos de poucos dias e devem ser substituídas logo por forças convencionais ou receberem reforço assim que possível.

Seu planejamento se dá em ordem inversa de execução e é composto de quatro planos principais, que devem ser o mais detalhados possíveis devido a complexidade e sensibilidade da operação. São eles: plano tático terrestre, plano de desembarque, plano de movimento aéreo e plano de aprestamento.

O estudo de situação é similar a uma operação terrestre convencional, acrescida das complexidades que envolvem o componente aéreo. Além deste os planejadores devem levar em consideração a condição de isolamento que a tropa poderá ser submetida, não contando com as linhas normais de suprimento, levando suprimento para o tempo previsto de permanência no local de aterragem. O planejamento do componente aéreo devem considerar os aeródromos de partida, de ressuprimento, os meios aéreos necessário que deverão ser requisitados, as zonas de aterragem e lançamento, além de data/hora, métodos e sequência de aterragem de pessoal e material.



Pode acontecer de alguns elementos componentes da força serem lançados em áreas diversas às áreas planejadas, sendo que todos os comandantes e seu pessoal devem saber as intenções de seus superiores a fim de poderem tomar as medidas necessárias a correção destes contratempos.

Uma operação aeroterrestre, devido a limitação dos meios aéreos invariavelmente se dá com o lançamento escalonado de forças, sendo que cada aeronave poderá ter que ir e voltar por diversas vezes. Normalmente estas são escalonadas em quatro escalões, sendo que cada escalão poderá ter que se submeter a lançamentos fracionados ou não. Caso isto ocorra o planejamento deverá ser minucioso de forma a não comprometer a operação devido a falta de elementos no terreno pelo tempo necessário aos novos lançamentos, ou lançamentos subsequentes.

O primeiro escalão é o escalão precursor que tem por missão preparar as zonas de lançamento e aterragem para o escalão de assalto. Normalmente estes elementos são especialmente treinados para tal. Este escalão desempenham as seguintes missões: balizamento e operação das zonas de lançamento (ZL) e zonas de pouso (ZP); orientação e controle do trafego aéreo na região da Cabeça de ponte aérea; auxílio na reorganização da tropa após a aterragem; fornecimento da segurança inicial das zonas de lançamento e das pistas de pouso para aeronaves, entre outras.



O escalão de assalto é o grosso da tropa e composto pelas forças necessárias à conquista dos objetivos do assalto e da Cabeça de ponte aérea inicial. Inclui suas reservas e tropas de apoio.

O escalão de acompanhamento não é necessário nas fases iniciais do assalto, mas deve ser lançado tão logo quanto possível. Incluirá os veículos e equipamentos adicionais das unidades do escalão de assalto e de unidades adicionais de combate, de apoio ao combate e de apoio logístico.

O escalão recuado é a parte da força não necessária na área do objetivo, e normalmente é deixado na área de partida. Desempenha funções administrativas.




O plano tático terrestre é similar a um plano de operações terrestre normal e trata da conquista do objetivo a partir da tropa já em terra. Trata da conquista da cabeça de ponte aérea até consolidação do objetivo do assalto. Além das ações propriamente ditas inclui o plano de apoio logístico terrestre em apoio a estas. A cabeça de ponte aérea é a área a ser conquistada e defendida pelos elementos aeroterrestres para servir de área de partida para a consecução do objetivo do assalto.

Os objetivos do assalto são os pontos capitais que devem ser conquistados a fim de assegurar o cumprimento da missão e a segurança da tropa. Pode-se aterrar sobre estes objetivos ou executar marcha até eles. A seleção destes objetivos visa assegurara o bloqueio das vias de acesso ao interior da área da cabeça de ponte aérea e a resistência inimiga em seu interior, defesa dos pontos necessários a junção com a tropa terrestre e zona de lançamento e aterragem.

A manobra na cabeça de ponte aérea é similar as outras manobras terrestres sendo que no plano de manobra devem constar as zonas de aterragem e lançamento, eixos de progressão e locais de reorganização. Na designação de setores para a subunidades deve-se tomar cuidado para que não tenham que combater e mais de uma direção, visto que as cabeças de ponte aéreas tendem a ser sempre perímetros circulares.




As unidades aeroterrestres devem sempre dispor de armas anticarro visto que seu apoio é minimo. As reservas tendem a ser pequenas e podem crescer a medida que a posição vai sendo reforçada, sendo que estas acompanham o escalão de assalto. Devido a precariedade de uma posição aeroterrestre, principalmente nos primeiros momentos do assalto, estas tropas devem dispor de pessoal com treinamento e capacidade física superior, além de tecnologia da melhor qualidade.

O plano de desembarque elenca as zonas de lançamento e aterragem, prioridade da chegada dos elementos a serem desembarcados, ordem e hora/local de desembarque de cada unidade, proximidade das zonas de lançamento e aterragem do objetivo e plano de reorganização.

Por ocasião do assalto, a tropa e seu material, ficam dispersos na zona de lançamento. É necessário um certo tempo, que deverá ser o menor possível, para reunir o material e reagrupar-se em unidades táticas, a fim de poder prosseguir no combate. Durante esta fase, denominada reorganização, a tropa é extremamente vulnerável. A reorganização deve ser completada sem demora para diminuir a vulnerabilidade e aproveitar o elemento surpresa. As equipes precursoras são utilizadas para auxiliar a reorganização.

Durante a reorganização, a tropa toma as medidas necessárias de segurança, providencia a reunião dos extraviados, cuida dos acidentados e termina o recolhimento dos suprimentos. Considera-se reorganizada uma unidade com 80% do efetivo em condições de prosseguir e com comunicações estabelecidas. A reorganização utiliza-se de placas de identificação e indicativas, fumígenos, acidentes do terrenos e outros meios de balizamento. 




As primeiras tropas a aterrarem, após dos destacamento precursores, devem ocupar posições no terreno que favoreçam a segurança daqueles que estão por chegar. Neste momento as tropas são extremamente vulneráveis ao assédio do inimigo. Deve-se empregar o menor efetivo necessário nas operações de segurança. Qualquer tropa inimiga encontrada na zona de aterragem deve ser imediatamente atacada pelos elementos que desembarquem mais próximo a elas.

Tão logo quanto possível devem ser postas em curso as operações de reconhecimento, visto que o planejamento foi feito através de cartas e fotos aéreas, e a veracidade das informações iniciais deve ser verificada. 

O plano de movimento aéreo é elaborado em conjunto com a força que fornecer os meios aéreos. Considera a carga útil das aeronaves, a designação das aeronaves para os grupamentos de voo e as colunas aéreas, os locais de carregamento e de partida, as rotas de voo e outras medidas para o movimento aéreo desde os aeródromos de partida. O plano de movimento aéreo prevê o quadro de repartição dos meios aéreos, o diagrama de rotas, o quadro horário de movimento aéreo e o quadro de movimento aéreo. Deve constar ainda do planejamento aéreo a necessidade de escolta ou não das forças de transporte por unidades de caça.




O plano de aprestamento engloba todas as ações pré decolagem. Cuida da reunião e preparação de pessoal e de material, deslocamento para as áreas de aprestamento final e os procedimentos para o embarque nas aeronaves. O quadro de carregamento estabelece a distribuição das unidades pelas aeronaves
disponíveis, baseado no quadro de movimento aéreo. Ao se embarcar a tropa deve-se tomar cuidado com a integridade tática desta, embarcando-se as unidades sempre que possível nas mesmas aeronaves ou elemento de aeronaves, a fim de que cada unidade ou subunidade desembarquem no mesmo local ou próximas. Deve-se tomar cuidado para que a perda de uma das aeronaves não comprometa as cadeias de comando, fogo de apoio e elementos de comunicação, dissociando-os em mais de uma aeronave. Cada elemento embarcado deve ser autossuficiente de forma que um desembarque disperso não comprometa sua operacionalidade. Uma arma deve ser embarcada com sua munição e guarnição.

As operações subsequentes são todas aquelas, que após consolidada a posição, seguem-se ao assalto inicial. Ações defensivas ou ofensivas, defesa continuada da Cabeça de ponte aérea, uma junção, uma substituição em posição, um retraimento, uma retirada ou um aumento de forças na área do objetivo para torna-la uma base para futuras operações de combate. Deve-se sempre ter um plano para um retraimento ou retirada, caso a pressão do inimigo se mostre insustentável.




Uma incursão aeroterrestre é uma incursão similar às outras porem com efetivos reduzidos e com o diferencial de pode deslocar-se a distâncias muito maiores em intervalos de tempo reduzidos, utilizando-se da via aérea, o que invariavelmente a distância de seus elementos de apoio às quais esta tropa está enquadrada. Pode se prestar a vários objetivos como dissimular outras operações, destruir ou capturar forças inimigas, promover ações de inquietação, destruir instalações ou capturar material ou tropas, obter informações ou resgatar pessoal, por exemplo.

Por ser uma força pequena a força de incursão é organizada em grupamentos ou frações apropriadas para cada tarefa específica. A reserva pode ser mantida fora da área do objetivo para ser transportada por via aérea ou pode não ser constituída. O retraimento deve ser cuidadosamente planejado e planos alternativos devem ser previstos. Algumas condições favorecem o retraimento terrestre, tais como: distância das linhas amigas relativamente curta; cobertas e abrigos favorecendo o deslocamento de pequenos grupos; forças inimigas encontram-se dispersas; força de incursão encontra-se levemente equipada; e possibilidade de apoio de guerrilheiros, simpatizantes e/ou elementos de forças especiais.

Outra missão que pode ser atribuída a uma força aeroterrestre é a de interdição de área, onde os paraquedistas aterram sobre determinada área impedindo sua utilização pelo inimigo. Esta missão geralmente faz parte de uma manobra de maior vulto pela força terrestre e termina com uma junção com o grosso destas forças.




Forças aeroterrestres frequentemente contam com apoio de fogo aéreo e naval, devido a seu fogo orgânico frequentemente estar reduzido. Sempre que possível elementos de artilharia de campanha, orgânicos ou não, devem ser postos a disposição dos paraquedistas. Artilharia orgânica deve sempre acompanhar o escalão de assalto.

O Mensageiro e o radio são os meios de comunicação mais utilizados e devem estar disponíveis na área de assalto o mais breve possível. As ligações de comando, logísticas e de operações são estabelecidas imediatamente após a instalações dos postos de comando.