sábado, 6 de outubro de 2018
Guerra Naval #
Operando no Mar - Generalidades
Estratégia Naval
Operações de Guerra Naval
Esclarecimento Marítimo
Alerta Aéreo Antecipado - AEW
Caçadores de Submarinos - Parte 1
Caçadores de Submarinos - Parte 2
Conhecendo o Navio (1)
Defesa Antiaérea de uma Força-Tarefa Naval
Defesa Contra Mísseis Antinavio
Forças Navais
Guerra Submarina
Helicópteros Navais
Mísseis e Guerra Costeira
Navegação de Submarinos
O Míssil Antinavio
O Sonar
Porta Aviões
Submarinos
Submarinos Nucleares
Deep Siren - Comunicação Submarina
Shkval - A Arma Secreta
Batalha de Latakia - Nova Fronteira na Guerra Eletrônica
Como a Argentina Quase Desmantelou a Frota Britânica
Lições de Guerra Naval no Atlântico Sul
O Poder Aéreo Argentino na Guerra das Falklands/Malvinas
domingo, 16 de setembro de 2018
Guerra na Montanha - Aspectos *
Guerra na Paz
A partir de 1945, as conflagrações assumiram uma nova sofisticação; os avanços tecnológicos tornaram o treinamento e a preparação para a guerra muito diferentes do que eram nos anos 40. Mas ficaram ainda certos cenários sobre os quais a tecnologia teve menor impacto.
Um deste cenários mais críticos é a guerra em ambiente de montanha. Desde 1945, alguns dos conflitos mais amplos como a Guerra Civil Grega dos anos 40 e a Guerra no Afeganistão mais recente, foram essencialmente operações deste tipo, enquanto outros conflitos como a Guerra da Coréia e do Vietnam protagonizaram combates em larga escala em terreno montanhoso.
Analisando a experiência acumulada pelo British Army em mais de 40 anos em conflitos localizados envolvendo terrenos muito acidentados, chega-se a conclusão que estas operações são empreitadas foram campanhas mais contra a natureza do que contra exércitos hostis. Embora armas e equipamentos tenham passado por evolução significativa ao longo dos anos, as dificuldades e desafios de operar neste terreno, bem como seus princípios básicos tem se mantido inalterados ou com poucas variações.
No aspecto exclusivamente físico, as montanhas oferecem grandes obstáculos até mesmo para os bem equipados exércitos modernos. Na Guerra da Coréia a escalada da modesta colina 800 (500 m) em 1951, na linha defendida pela 2ª Divisão de infantaria dos EUA consumiu mais de 1 hora até o cume. Ao todo mais de 237 mil sacos de areia, 385 rolos de arame farpado e 6 mil estacas de aço além de outros ítens, foram levados ao topo para completar as defesas.
Durante a guerra fronteiriça entre Índia e China entre setembro e novembro de 1962, tropas indianas levaram 5 dias para ir dos contrafortes a posições defensivas, em altitudes superiores a 4.000 m na fronteira tibetana. Todo o equipamento foi carregado pelos próprios soldados, uma vez que mulas não podem ser utilizadas nestas altitudes; além disso os animais não poderiam cruzar as pontes de cordas finas, bambus ou madeira sobre os rápidos rios não vadeáveis da região.
Estas barreiras físicas são potencializadas pelas condições meteorológicas adversas associadas a grande altitude, especialmente no inverno. Em suas operações na região de Lárisa, na Grécia em abril de 1947, o Exército Nacional grego encontrou os corpos de 120 guerrilheiros, do chamado Exército Democrático (comunista) que não haviam resistido ao frio das montanhas. Também a maioria dos 1.300 soldados do Exército Democrático mortos nas imediações de Piería em março de 1948, pereceram de frio e não em combate.
A 1ª Divisão do Marines dos EUA em sua retirada através das montanhas, do reservatório de Chosin até o mar de Hungnam na Coréia em dezembro de 1950 levou 3 dias para vencer os primeiros 22 km. A evasão de Koto-ri em 6 de dezembro levou 38 horas para vencer 18 km sobre uma espessa geleira à temperaturas de -18º C com ulcerações representando um perigo maior que o próprio inimigo, sendo o número de feridos de 4.000 desta divisão pequeno se comparado aos mais de 7.000 que sucumbiram por outras causas, principalmente congelamento. Em 1962, quando tropas indianas operavam na fronteira tibetana, a falta de aclimatação às altas altitudes causou grande número de vítimas de edema pulmonar, doença quase sempre fatal, a menos que os enfermos sejam retirados para um local de menor altitude.
As montanhas são o terreno ideal para se desdobrar dispositivos defensivos, e por este motivo, desde 1945, tem sido comumente associadas à ações de guerrilha. As tropas do Exército Democrático Greco buscaram abrigo em mais de 100 aldeias montanhosas da Tessália e parte da Macedônia no inverno de 1947 e 1948, concentrando suas bases nas serras de Grammos e Vitsi (1.200 a 2.100 m), perto da Albânia e Iugoslávia. Os guerrilheiros de Fidel Castro refugiaram-se nos 6.500 km² de Sierra Maestra, e na ilha de Chipre os bandos do EOKA, comandados pelo coronel George Grivas, em luta pela união com a Grécia, abrigavam-se nas montanhas Troodos e Kyrenia, até 1.500 m de altitude.
Essas regiões oferecem à guerrilha inúmeras oportunidades de acossar tropas regulares inimigas com tiros de tocaia ou emboscadas, principalmente quando soldados com equipamento convencional se deslocam por desfiladeiros ou vales estreitos. Depois de atacarem os guerrilheiros podem escapar como os partisans de Josip Broz Tito fizeram na Iugoslávia durante a 2ª Guerra Mundial.
O coronel Grivas afirmava que sempre era possível encontrar brechas nas linhas inimigas. Certa vez (junho de 1956) ele escapou de um "cordão" inglês nas montanhas Troodos, durante um incêndio florestal em que morreram 21 soldados ingleses; em outra ocasião (dezembro de 1956), ele escapou graças ao nevoeiro montês.
Os guerrilheiro gregos acumularam um experiência considerável combatendo as tropas alemãs de ocupação e registrando sucessos, como a destruição com auxílio dos ingleses, do importante viaduto ferroviário sobre a garganta de Gorgopotamos, em novembro de 1942. Esta experiência lhes deu base para as atividades do pós-guerra.
A sabotagem de estradas de ferro tornou-se uma prática constante, por este motivo as locomotivas passaram a ser precedidas por vagões que podiam ser destruídos. Além da colocação de minas no solo, as forças guerrilheiras gregas minavam arvores, soltavam nas encostas mulas conduzindo minas, rolavam feixes de explosivos montanha abaixo e provocavam desabamentos para obstruir caminhos. Os acessos aos seus baluartes nas montanhas Grammos e Vitsi eram bloqueados com toros de madeira e, em meados de 1949, com casamatas de concreto.
Ao mesmo tempo, no entanto, as operações comunistas demonstraram as dificuldades que a montanha pode oferecer a guerrilha. O despovoamento de aldeias montanhesas por decisão do governo e o temos de intimidação por parte dos guerrilheiros reduziram efetivamente o suprimento de alimentos e recrutas. As forças do governo dispunham dos mesmos recursos de outras tropas regulares em circunstâncias semelhantes, com uma linha normal de suprimentos que lhes garantia a provisão de alimentos e agasalhos para o frio. Os rebeldes, ao contrário, dependiam de transporte em lombos de mula, precários e vulneráveis a ataques aéreos.
A capacidade do Exército Nacional de prosseguir as operações no inverno foi um fator decisivo na derrota do Exército Democrático, bem como a exagerada confiança deste em sua capacidade de conservar os baluartes nas montanhas, tentando resistir às ofensivas. Considere ainda que embora florestas montanhosas escondam guerrilheiros, como no caso das montanhas anamitas no Vietnam, ou em Sierra Maestra e em Chipre, as encostas nuas da Grécia ou do Afeganistão fazem com que os guerrilheiros só se movimentem com segurança durante a noite.
Forças convencionais em ação nas montanhas devem observar, ainda hoje, antigos princípios básicos como a ocupação dos cumes, instalação de piquetes e pontos de controle a fim de previnir a incursão não autoriza pelos flancos e permitir melhor observação e domínio da área. Sem estes cuidados a situação pode se tornar muito perigosa. A 2ª Divisão de Infantaria dos EUA perdeu 3 mil homens, vítimas de morteiros e metralhadoras, ao serem surpreendidos no desfiladeiro de Kunuri, durante a retirada para Chongchon, na Coréia em 1950.
De igual modo, admite-se que o Exército de Libertação do Povo (chinês) perdeu muitos homens em imprudentes assaltos frontais nas gargantas do Vietnam do Norte em 1979. As tropas chinesas ignoravam a existência de outro cume na montanha Gao Bao Ling e vários picos vizinhos simplesmente não constavam em suas cartas.
Contudo armas e equipamentos modernos simplificaram muitos dos problemas na luta de montanha.Na Grécia os baluartes de Grammos e Vitsi foram conquistados com o auxílio de 2 esquadrilhas de Spitfire, e a maioria dos 3.128 mortos e 6 mil feridos do Exército Democrático nas operações de Grammos foi vítima de ataques aéreos (1948).
Depois que o restante do Exército Democrático retornou a Grammos no ano seguinte, a ofensiva do Exército Nacional foi liderada por 52 Curtiss Helldiver com artilharia aérea. Nas operações em Áden em 1950-60, o British Army usou carros blindados para disparar contra concentrações nacionalistas alojadas nas encostas fora da visão da infantaria, enquanto helicópteros estabeleciam o controle do alto das colinas.
Durante as operações em Radfan (Iêmen, maio de 1964). por exemplo, homens do comando 45 foram lançado no alto do pico "Cap Badge" de onde puderam dominar as encostas, eliminando os franco-atiradores que detinham o avanço de baixo.
No Vietnam, os helicópteros foram o fator decisivo na solução de problemas logísticos. A Força-Tarefa Remagen, da 1ª Brigada da 5ª Divisão de Infantaria Mecanizada dos EUA, conseguiu manter-se na zona montanhosa desmilitarizada durante os 47 dias da Operação Montana Mauler (março e abril de 1969) graças a pesados helicópteros cargueiros Chinook, com dispositivo especial para deslizar a carga até o solo e assim dispensar a aterrissagem. O progresso em terra firme foi auxiliado por 2 veículos blindados que estendiam pontes (AVLBs) sobre rios onde elas não existiam ou haviam sido destruídas.
Equipamento avançado e potência aérea não oferecem necessariamente todas as soluções. Em 1962, os Fairchild Packet da Força Aérea Indiana não podiam voar lenta ou suficientemente baixo para atingir uma confinada zona na fronteira tibetana, nas poucas horas do dia em que a área não estava encoberta pelas nuvens. Helicópteros só podiam aterrizar um lugares razoavelmente planos e firmes, e mesmo para pairar sobre a superfície eles necessitavam de uma área desobstruída. O desempenho do helicóptero também é afetado pela altitude. A 900 m. um helicóptero requer um ângulo de 20º para se aproximar da área de arerrissagem; já em altitudes superiores a 1.500 m é necessário acesso quase completamente plano.
Helicópteros e aviões também são afetados pela turbulência e correntes de ar existentes em montanhas. Durante a operação Mare`s Nest em Chipre (encerrada em janeiro de 1959), a turbulência atmosférica impediu que helicópteros Sycamore e Whirlwind da RAF pairassem sobre os picos e os soldados não conseguiram descer usando cordas. Em consequência, apenas 2 postos de observação foram estabelecidos.
Também o poderio aéreo nem sempre tem o efeito militar desejado. Em Cuba, as florestas de Sierra Maestra eram de tal forma densas e úmidas, que as bombas, mesmo as de napalm, lançadas pela aviação do governo raramente produziam muitos efeitos além de 45 m do ponto de impacto. O bombardeio das encostas florestais de Aberdare, no Quênia, durante o surgimento dos Mau Mau nos anos 50, revelou-se de eficiência tão duvidosa que foi abandonado como uma medida contraproducente.
Durante a operação Lam Son 719, no Laos em fevereiro-abril de 1971, forças dos EUA e do Vietnam do Sul fizeram o uso extensivo de helicópteros, mas poucas áreas eram adequadas a aterrissagem na área montanhosa; e a chuva, a neblina e as constantes nuvens baixas durante as monções, obrigavam pilotos dos aviões de apoio terrestre a manter altitudes baixa. Em consequência, as baterias antiaéreas do ENV puderam impedir. em muitos casos, um apoio aéreo eficiente. Os americanos e sul-vietnamitas perderam 108 helicópteros e 7 aviões.
Para os guerrilheiros Mujahidins do Afeganistão, era assustadora a aproximação do Mi-24 soviéticos com lança-foguetes, canhão giratório de 1.000 projéteis por minuto, mísseis e bombas. este helicóptero pode aniquilar uma aldeia inteira em pouco tempo, mas até mesmo ele não é invulnerável ao fogo do solo, e acredita-se que os afegão conseguiram derrubar cerca de 4 aparelhos deste tipo, durante a incursão soviética no vale Panjshir em agosto-setembro de 1981. Nem mesmo a maciça superioridade soviética em equipamento e potência de fogo consegui derrotar os guerrilheiros, embora a URSS tenha tido, talvez, apenas o objetivo de controlar só as principais cidades e estardas afegãs.
Para o soldado soviético, no entanto, o padrão da guerra de montanha não é muito diferente da experiência do soldado inglês que esteve no Afeganistão, 1 século antes. Um soviético anotou em seu diário: " Houve um duro combate e podíamos ver os Mujahidins, a cavalo, atacando nossas posições de artilharia e disparando contra nossos aviões. Estávamos ficando desesperados ". Outro escreveu à família: " Que lugar horrível, quase sempre congelado ou então insuportavelmente quente, e ainda não sei quando sairemos daqui". estes papeis foram encontrados nos bolsos de 2 soldados mortos pelos guerrilheiros, após um a emboscada bem sucedida na província de Baglan, ao norte de Cabul em meados de 1981.
Durante as operações em Radfan (Iêmen, maio de 1964). por exemplo, homens do comando 45 foram lançado no alto do pico "Cap Badge" de onde puderam dominar as encostas, eliminando os franco-atiradores que detinham o avanço de baixo.
No Vietnam, os helicópteros foram o fator decisivo na solução de problemas logísticos. A Força-Tarefa Remagen, da 1ª Brigada da 5ª Divisão de Infantaria Mecanizada dos EUA, conseguiu manter-se na zona montanhosa desmilitarizada durante os 47 dias da Operação Montana Mauler (março e abril de 1969) graças a pesados helicópteros cargueiros Chinook, com dispositivo especial para deslizar a carga até o solo e assim dispensar a aterrissagem. O progresso em terra firme foi auxiliado por 2 veículos blindados que estendiam pontes (AVLBs) sobre rios onde elas não existiam ou haviam sido destruídas.
Equipamento avançado e potência aérea não oferecem necessariamente todas as soluções. Em 1962, os Fairchild Packet da Força Aérea Indiana não podiam voar lenta ou suficientemente baixo para atingir uma confinada zona na fronteira tibetana, nas poucas horas do dia em que a área não estava encoberta pelas nuvens. Helicópteros só podiam aterrizar um lugares razoavelmente planos e firmes, e mesmo para pairar sobre a superfície eles necessitavam de uma área desobstruída. O desempenho do helicóptero também é afetado pela altitude. A 900 m. um helicóptero requer um ângulo de 20º para se aproximar da área de arerrissagem; já em altitudes superiores a 1.500 m é necessário acesso quase completamente plano.
Helicópteros e aviões também são afetados pela turbulência e correntes de ar existentes em montanhas. Durante a operação Mare`s Nest em Chipre (encerrada em janeiro de 1959), a turbulência atmosférica impediu que helicópteros Sycamore e Whirlwind da RAF pairassem sobre os picos e os soldados não conseguiram descer usando cordas. Em consequência, apenas 2 postos de observação foram estabelecidos.
Também o poderio aéreo nem sempre tem o efeito militar desejado. Em Cuba, as florestas de Sierra Maestra eram de tal forma densas e úmidas, que as bombas, mesmo as de napalm, lançadas pela aviação do governo raramente produziam muitos efeitos além de 45 m do ponto de impacto. O bombardeio das encostas florestais de Aberdare, no Quênia, durante o surgimento dos Mau Mau nos anos 50, revelou-se de eficiência tão duvidosa que foi abandonado como uma medida contraproducente.
Durante a operação Lam Son 719, no Laos em fevereiro-abril de 1971, forças dos EUA e do Vietnam do Sul fizeram o uso extensivo de helicópteros, mas poucas áreas eram adequadas a aterrissagem na área montanhosa; e a chuva, a neblina e as constantes nuvens baixas durante as monções, obrigavam pilotos dos aviões de apoio terrestre a manter altitudes baixa. Em consequência, as baterias antiaéreas do ENV puderam impedir. em muitos casos, um apoio aéreo eficiente. Os americanos e sul-vietnamitas perderam 108 helicópteros e 7 aviões.
Para os guerrilheiros Mujahidins do Afeganistão, era assustadora a aproximação do Mi-24 soviéticos com lança-foguetes, canhão giratório de 1.000 projéteis por minuto, mísseis e bombas. este helicóptero pode aniquilar uma aldeia inteira em pouco tempo, mas até mesmo ele não é invulnerável ao fogo do solo, e acredita-se que os afegão conseguiram derrubar cerca de 4 aparelhos deste tipo, durante a incursão soviética no vale Panjshir em agosto-setembro de 1981. Nem mesmo a maciça superioridade soviética em equipamento e potência de fogo consegui derrotar os guerrilheiros, embora a URSS tenha tido, talvez, apenas o objetivo de controlar só as principais cidades e estardas afegãs.
Para o soldado soviético, no entanto, o padrão da guerra de montanha não é muito diferente da experiência do soldado inglês que esteve no Afeganistão, 1 século antes. Um soviético anotou em seu diário: " Houve um duro combate e podíamos ver os Mujahidins, a cavalo, atacando nossas posições de artilharia e disparando contra nossos aviões. Estávamos ficando desesperados ". Outro escreveu à família: " Que lugar horrível, quase sempre congelado ou então insuportavelmente quente, e ainda não sei quando sairemos daqui". estes papeis foram encontrados nos bolsos de 2 soldados mortos pelos guerrilheiros, após um a emboscada bem sucedida na província de Baglan, ao norte de Cabul em meados de 1981.
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Historia Militar,
Operações e o Terreno
domingo, 2 de setembro de 2018
O Sistema Artilharia de Campanha #
São estes a linha de fogo (LF), o observador avançador (OA) e a central de tiro (C Tir). A artilharia age em proveito da arma-base e posiciona-se a retaguarda desta pronta para atender seus pedidos de fogo. Esta distância depende do alcance do material disponível, que não é empregado no seu limite quando do posicionamento das baterias, pois esta prática sacrificaria a flexibilidade do tiro que tem como uma de suas características a capacidade de ser transportado rapidamente de um ponto a outro sem que os obuses tenham que trocar de posição. Vale lembrar que sempre que existir o risco de fogo de contrabateria deve-se trocar de posição imediatamente após a missão de tiro ter sido concluída.
Uma bateria de artilharia posiciona-se alguns quilômetros à retaguarda da tropa apoiada, geralmente protegida por uma massa de cobertura (elevação) quando esta existir, e dispara seus projéteis em trajetória balística nos alvos que lhes forem designados, muitas vezes por cima das cabeças dos combatentes que estão em contato direto com o inimigo.
Devido a esta distância, é impraticável que as baterias possam visualizar seus alvos, cabendo esta função ao observador avançado. Este acompanha ou não os pelotões da tropa apoiada e em contato com seus comandantes, elabora os pedidos de tiro com base nas necessidades táticas destes. Estes pedidos são transmitidos à central de tiro, que os transforma em elementos de tiro (deriva e elevação), que por sua vez são alimentados nos aparelhos de pontaria das baterias para que as missões de tiro possam ser desencadeadas. Estes pedidos de tiro são transmitidos tradicionalmente via rádio ou telefone, e mais recentemente via link de dados, o que denota a importância de um eficiente sistema de comunicações que apoie o trabalho dos operadores do tiro. Podemos considerar estas ligações de direção de tiro (comunicações) como um quarto operador do sistema de artilharia de campanha.
Uma bateria de artilharia posiciona-se alguns quilômetros à retaguarda da tropa apoiada, geralmente protegida por uma massa de cobertura (elevação) quando esta existir, e dispara seus projéteis em trajetória balística nos alvos que lhes forem designados, muitas vezes por cima das cabeças dos combatentes que estão em contato direto com o inimigo.
Devido a esta distância, é impraticável que as baterias possam visualizar seus alvos, cabendo esta função ao observador avançado. Este acompanha ou não os pelotões da tropa apoiada e em contato com seus comandantes, elabora os pedidos de tiro com base nas necessidades táticas destes. Estes pedidos são transmitidos à central de tiro, que os transforma em elementos de tiro (deriva e elevação), que por sua vez são alimentados nos aparelhos de pontaria das baterias para que as missões de tiro possam ser desencadeadas. Estes pedidos de tiro são transmitidos tradicionalmente via rádio ou telefone, e mais recentemente via link de dados, o que denota a importância de um eficiente sistema de comunicações que apoie o trabalho dos operadores do tiro. Podemos considerar estas ligações de direção de tiro (comunicações) como um quarto operador do sistema de artilharia de campanha.
Uma missão de tiro inicia-se com um pedido de tiro vindo do OA, de um componente da arma-base, da artilharia divisionária, do comando do escalão superior ou outro ator que necessite de apoio de fogo. São repassados neste pedido as coordenadas do alvo no caso de outros "clientes", e em se tratando do OA, cuja posição no terreno é conhecida pela C Tir, do ângulo do alvo em relação ao norte partindo da sua posição e a distância que o alvo encontra-se deste. Utilizando-se de meios modernos esta posição pode ser determinada automaticamente por dados de GPS transmitidos via data-link, e o pedido é inserido automaticamente no computador do coordenador de fogos, seja da artilharia divisionária ou de exército (central de tiro de alto escalão cuja função é administrar a distribuição às diversas linhas de fogo, os pedidos de tiro vindo de inúmeras fontes) ou do próprio grupo de artilharia, dependendo da vinculação operacional em que se esteja inserido.
De posse das coordenadas do alvo, informadas ou calculadas a partir da posição do OA, a C Tir mede a distância do alvo ao centro de bateria obtendo o alcance a ser utilizado, e consultando tabelas de tiro pré-calculadas para cada alcance obtém a alça (ângulo de tiro) a ser alimentando na peça de artilharia, assim como determina a carga necessária (quantidade de carga de projeção - pólvora a ser utilizada). Mede também o ângulo horizontal (deriva) em relação ao ponto de referência que está sendo utilizado para a pontaria da bateria. Calcula ainda o ângulo de sítio que é negativo se a bateria estiver em um plano mais alto que o alvo e positivo em caso contrário. Podemos visualizar o ângulo de sítio imaginando um triângulo-retângulo no plano vertical e cujas extremidades da hipotenusa sejas as posições do alvo e do centro de bateria. O ângulo formado pela hipotenusa e o plano horizontal é o ângulo de sítio. Este ângulo de sítio é somado a alça anteriormente calculada pela tabela de tiro, resultando na elevação a ser alimentada no aparelho de pontaria da bateria.
Este elementos de tiro (elevação e deriva) são informados ao comandante de linha de fogo (CLF) que os utiliza para efetuar a pontaria das peças. Utilizando-se de meios modernos todo este processo pode ser automático, visto que as peças, o alvo e o OA tem suas posições determinadas por GPS e são de conhecimento do computador balístico. Este pode apontar a peça ou auxiliar na sua pontaria. O OA informa ainda as características do alvo para que a C Tir determine a modalidade de tiro e o tipo de munição a ser usada, bem como a especificação da espoleta para aquela missão, e o número de disparos a ser desencadeado por cada peça.
O CLF após apontar sua bateria e comandar que as peças sejam carregadas autoriza o disparo de acordo com a modalidade de tiro. O tiro, após cumprir sua trajetória balística e ser informado ao OA seu desencadeamento, impacta na área do alvo, é observado pelo OA que comanda a C Tir sua correção, para a esquerda ou direita, mais longo ou mais curto até que satisfaça as especificações de letalidade e precisão, quando é desencadeado na sua forma final de eficácia.
Todo este processo pode se dar por comandos manuais ou de forma altamente automatizada, dependendo da tecnologia disponível. Modernamente utiliza-se localizadores GPS, binóculos com telêmetros eletrônicos para a determinação de distâncias, computadores de coordenação de fogos e balísticos que calculam de forma rápida e precisa os elementos de tiro, tudo interligado por enlaces de dados (NCW). Os alvos são alimentados a partir de uma infinidade de fontes nos computadores de coordenação de fogos, selecionados e priorizados em centrais especialmente dedicadas como as centrais das artilharias divisionárias e de exército, e autorizados conforme sua prioridade.
Uma vez que a linha de fogo está sob a comando do CLF, cabe ao comandante da bateria a tarefa de reconhecimento de rotas e posições de troca, de forma que a bateria conta com um plano de emprego constantemente atualizado. Neste reconhecimento o oficial comandante leva em consideração as facilidades de acesso e espaço para desdobramento, resistência do terreno e sua capacidade de suportar o desdobramento da bateria, cobertura e ocultação, contaminação, distâncias e tempo para as percorrer, obstáculos e forças inimigas. Uma equipe, que pode contar com o CLF, pode chegar a nova posição e apontar a bateria, mesmo ela não estando lá ainda.
Uma vez que a linha de fogo está sob a comando do CLF, cabe ao comandante da bateria a tarefa de reconhecimento de rotas e posições de troca, de forma que a bateria conta com um plano de emprego constantemente atualizado. Neste reconhecimento o oficial comandante leva em consideração as facilidades de acesso e espaço para desdobramento, resistência do terreno e sua capacidade de suportar o desdobramento da bateria, cobertura e ocultação, contaminação, distâncias e tempo para as percorrer, obstáculos e forças inimigas. Uma equipe, que pode contar com o CLF, pode chegar a nova posição e apontar a bateria, mesmo ela não estando lá ainda.
Um sistema completo de artilharia de campanha envolve ainda elementos de busca de alvos mais sofisticados que podem incluir meios aéreos como drones, operadores de topografia e meteorologia, componentes logísticos e de comando e controle tático. Se houver tempo de realizar um trabalho de topografia, as baterias contarão com elementos de tiro bem mais precisos. Esta descrição procura apenas explicitar de forma simplificada o funcionamento do sistema de observação e fogo, que são o mínimo para que o tiro se realize.
sábado, 18 de agosto de 2018
Controle do fogo de infantaria #
O Combate de infantaria é um empreitada dinâmica,
perigosa e violenta, e o combatente deve reagir a ele de forma a preservar a
integridade física sua e de seus companheiros, e ao mesmo tempo saber aplicar
sobre o inimigo a fração de poder militar que lhe compete em tempo real. O
poder militar é aplicado em combate através do fogo, que deve ser desencadeado
pelo indivíduo obedecendo a critérios internalizados na mente
do soldado através de seu treinamento, maximizando seus efeitos e evitando
colocar-se em situação de vulnerabilidade, através de regras pré-definidas, consagradas pela doutrina, porém sem tolher a iniciativa de cada um que deve
ser incentivada. O treinamento constante e adequado elucidará, na mente do
combatente, a diferença entre a desejável iniciativa e o excesso dela que pode resultar em imprudência.
Ao empregar seu poder de fogo, o infante deverá procurar
fazê-lo seguindo as diretrizes de seu comandante imediato, tendo consciência de
onde estão ou estarão seus companheiros e minimizando sua exposição,
maximizando a segurança de todos. A prioridade de fogo deverá visar a ameaça
mais imediata e perigosa, através do emprego da arma mais adequada à situação e
sem dispensar excesso de munição sobre um alvo inutilmente. O emprego combinado
de 2 ou mais armas sobre um mesmo alvo poderá ser o mais adequado em
determinadas situações, onde a massificação dos disparos trará efeitos
superiores e resultados mais satisfatórios. Deve-se ter ainda em mente a
disponibilidade de munição e um plano de contingência para o caso desta
escassear. Cabe a todos e especialmente ao líder zelar por estas práticas em
observação aos princípios da massa, proteção e economia de meios.
O líder controlará os fogos de seus subordinados,
seja através de diretrizes temporárias, que podem ser de ordem tática, técnica
ou legal, sempre dentro das Regras de Engajamento da situação. Algumas razões
para este controle são a quantidade limitada de munição, a disciplina de
segurança do local em questão e a disciplina de sigilo da operação, entre
outros.
Os fogos podem ser de efeito massificado ou de precisão,
e a situação tática ditará qual deles usar. A metralhadora e as granadas são os
responsáveis pelo maior volume dos fogos, a aos fuzis caberá a função de cobertura. Aos alvos mais “difíceis” reserva-se o fogo dos lança-rojões, e
quando assim o exigir a complexidade da situação ou pela insuficiência das
armas orgânicas, solicita-se o apoio dos morteiros, artilharia de campanha e
naval, carros de combate e aviação de apoio. Os fogos de precisão são
geralmente reservados aos atiradores com fuzis especiais e seus aparelhos de
pontaria mais apurados, e na ausência destes aos fuzileiros com fuzis padrão. Um grupamento qualquer, operando no terreno, tem um ganho significativo em sua segurança se cobertos pelo fogo de 1 ou 2 atiradores de precisão posicionados em um lugar elevado a retaguarda deles.
O combate requer superioridade de fogos, que é obtida
através da massificação deles em pontos críticos, através do emprego combinado
dos meios disponíveis, na busca de resultados decisivos. Ao entrar em combate,
deve-se fazê-lo com violência e objetivo, a fim de se alcançar resultados
decisivos em tempo mínimo, poupando meios e reduzindo os riscos. Os fogos devem
ser aplicados sempre em parceria com a manobra, atirando para poder manobrar e
manobrando para posicionar-se nos melhores locais para fazer fogo. Na busca da
superioridade de fogos os fuzileiros atiram em setores predefinidos para cada
um, com campos de tiro sobrepostos, apoiando-se mutuamente, combinando armas de
tiro tenso e curvo, sempre focando em pontos mais vulneráveis, com munição de
natureza variada de acordo com a situação tática. Alvos podem ser pontuais ou
de área, com cada um demandando a arma e munição mais adequadas.
Ao líder de infantaria caberá a avaliação dos fogos de
preparação, que devem ser requisitados sempre que disponíveis e adequados, de
forma a oferecer ao infante um alvo já debilitado. A artilharia de campanha, os
morteiros orgânicos, os carros de combate e a aviação tática estão ali para
isso, e devem ser usados. Seja no ataque ou na defesa, estes fogos de apoio
contribuem significativamente par reduzir os riscos e facilitar a sua manobra e
eficácia.
Os fogos de apoio devem ser inicialmente intensos,
prontamente ajustados e cronometrados para que cessem no tempo previsto. Seus
efeitos tendem a diminuir com o tempo pois o inimigo adapta-se a eles. Grandes
volumes entregues em tempo curto causam danos e choque máximos. Fogos longos
retardam o avanço e podem permitir ao inimigo reposicionar-se, recuperar-se e
reagir.
Os primeiros fogos devem ser concentrados de forma a
permitir o movimento, e para tal são definidos setores de fogo e corredores de
manobra, sempre procurando o centro de gravidade tático do momento. Neste
momento procura-se alcançar posições ocultas e cobertas, maximizando a proteção
da tropa, e ao mesmo tempo permitindo a instalação de boas bases de fogo. A
avaliação feita a partir daí definem as capacidades e intenções inimigas, a
partir da observação própria e de elementos de vigilância e reconhecimento. Por
fim, empenha-se junto ao inimigo o esforço decisivo com ações sincronizadas
entre os meios orgânicos e de apoio para aplicar o poder de combate necessário
a um desfecho favorável, rápido e procurando manter a integridade da tropa. Uma unidade que sofreu pouco atrito estará pronta para o próximo embate antes de outra mais "cansada".
Toda manobra, seja qual for seu porte contará com um
plano de fogo que levará em conta a situação tática e a natureza dos alvos, a
munição e os meios disponíveis, a necessidade de fogos não orgânicos e sua
duração, o uso de fumígenos e munição especial e os meios de comunicação.
Prioriza-se os alvos que representem maior ameaça e os mais próximos, levando
em conta o alcance útil de cada uma das armas disponíveis. Fogos excessivos
desperdiçam munição que pode fazer falta mais tarde. O uso de marcadores de
alvo (eletrônicos, IR, traçantes) é útil em situações de visibilidade limitada.
Os líderes e os operadores devem conhecer as
possibilidades e efeitos de cada tipo de arma e munição, de forma a melhor
avaliar seus efeitos sobre o alvo. Por exemplo: um ATGW com ogiva HEAT não pode
perfurar a blindagem frontal de um MBT moderno, mas pode sim danificar seu trem
de rolamento e imobilizar o veículo; metralhadoras médias são efetivas contras
veículos não blindados até 1000 m e lança-rojões até 450 m. O fogo deve ser
desencadeado o mais cedo possível, com as armas de maior alcance disparando
primeiro e forçando o inimigo a reagir o quanto antes, desembarcando e
impedindo que sigam seus planos. Deve-se usar cada sistema de armas dentro de
seu alcance efetivo, escalonando a profundidade do fogo, debilitando o inimigo
a medida que se aproxima, evitando que o combate aproximado seja contra um oponente organizado.
Ao fazer fogo os combatentes devem procurar manter o
mínimo de exposição, e quando o fizerem procurar os momentos em que o fogo de
cobertura estiver ativo, sempre fazendo com fogo efetivo, sem hesitações.
Dobras do terreno, sejam naturais ou preparadas, oferecem abrigo natural; e
engajamento pelos flancos e retaguarda, disparo de múltiplas posições e
disparos curtos e inesperados reduzem a exposição.
Saber onde está seu companheiro, sua tropa amiga, evita o
fogo amigo, bem como conhecer os planos de ataque e manter comunicações
constantes. Aos líderes cabe esta tarefa de coordenar seus comandados a fim de
evitar acidentes, orientando-os e sabendo onde estão cada uma de suas
subunidades. O campo de batalha moderno é multidimensional e muitas vezes não
existe “front” definido, exigindo uma coordenação espacial mais apurada de cada
elemento.
Durante progressões sob condições de visibilidade limitada pode-se
usar marcações térmicas ou por IR para sinalizar o progresso de cada fração,
evitando que frações adjacentes disparem umas contra as outras. Luzes químicas
podem ser ligadas em seqüência para marcar um corredor já percorrido, porém
deve-se assegurar que estas marcações não possam ser vistas pelo inimigo, por
exemplo, se ele dispuser de capacidade de visão noturna infravermelha.
Nevoeiro denso, chuva, tempestades de areia e o uso de
fumígenos pelo inimigo podem reduzir significativamente a capacidade do líder
de controlar os fogos diretos dos seus. Nesta condições deve-se fazer o
uso máximo do equipamento disponível como miras térmicas e sistemas de visão
noturna que permitem aos esquadrões manterem o contato com o inimigo como se o
engajamento fosse em dia claro.
Nada se faz sem um plano, e nele se considera todos os
ativos disponíveis, sempre com medidas alternativas para o caso de equipamento
ou pessoal ter sido colocado fora de combate. Capacidades redundantes e
ocorrências mais prováveis devem ser a diretriz principal, como por exemplo,
setores de fogo alternativos para o caso de elementos ficarem incapacitados.
O combate se vence pelo fogo bem administrado e efetivo, quebrando o poder de combate do inimigo e preservando a integridade dos meios a disposição e do pessoal que integra a tropa própria e aliada.
domingo, 12 de agosto de 2018
O Míssil Antirradiação (ARM) #
O Míssil antirradiação (ARM) é um projétil destinado a
neutralizar sistemas emissores de radiação como radares de vigilância e
diretores de tiro a fim de inviabilizar a operacionalidade de baterias
antiaéreas, através da busca da radiação emitida pelo alvo, operando desta
forma sensores passivos de busca. É um equipamento complexo e difícil de
desenvolver, porém de altíssimo valor militar e tecnicamente destina-se a
realizar as missões de supressão de defesas (SEAD).
Contrapor a ameaça aérea é uma das grandes prioridades de
qualquer força armada, pois ela representa a ponta de lança de qualquer ação
militar e seu poder de destruição é verdadeiramente devastador. Na guerra
moderna as forças em combate tem como missão inicial a conquista
da supremacia aérea, que nada mais é que o domínio do espaço aéreo para
que os meios aéreos próprios ou aliados possam voar suas missões de combate em
relativa segurança (superioridade aérea) ou mesmo em segurança absoluta
(supremacia aérea).
A campanha inicia-se com ações aéreas suportadas por
intenso apoio de EW a fim de neutralizar a aviação de defesa aérea inimiga,
seja em combates ar-ar abatendo os caças no ar, ou bombardeando bases aéreas
com sua infraestrutura de alerta e detecção, bem como a aviação que se encontra
em terra. Esta ação inicial pode se dar de duas formas: a primeira em condição
de surpresa total com a maioria das aeronaves em terra e cujo protagonista será
o bombardeio das bases e suas defesas de ponto, ou uma condição em que o
inimigo esteja esperando o ataque, e neste caso, com uma parcela significativa
de seu elemento de alerta voando em patrulhas de combate aéreo (CAP). Um
exemplo clássico da primeira condição foi materializado na Guerra dos Seis Dias em 1967, onde a aviação de Israel destruiu em terra a quase totalidade da
aviação egípcia.
Uma vez alcançada esta condição de liberdade operacional,
onde a aviação de defesa aérea do inimigo não representa mais uma ameaça
significativa, ou mesmo quando o alerta aéreo inimigo está relaxado e a defesa
baseada em terra é o meio de reação mais imediato, os atacantes aéreos tem que
se preocupar com os sistemas de defesa aérea localizados em torno das bases
aéreas em momentos iniciais, e posteriormente numa segunda fase da campanha em
pontos sensíveis como parques industriais, bases militares, usinas de energia e
outros alvos ganham importância, e estão cobertos por redes antiaéreas baseada
em terra.
Estes sistemas de defesa antiaérea, geralmente baseados
em SAMs de médio e longo alcance e canhões de tiro rápido, tem seus
disparos endereçados por sistema de radar. Sejam radares de vigilância e alerta
antecipado ou diretores de tiro, neutralizar a capacidade destes sistemas
significa colocar as armas propriamente ditas (SAMs) em condição de “cegueira”
operacional, impedindo que sejam disparadas com efetividade.
O míssil antirradiação (ARM) visa alcançar estas antenas
de sistemas RADAR e colocá-los foram de combate antes que qualquer
ação de defesa aérea possa ser implementada, uma vez que é guiado através da
radiação emitida por estas antenas, não alertando o inimigo sobre sua
aproximação, salvo de for captado pelo próprio RADAR. São utilizados por
aeronaves que voam a frente dos escalões de bombardeio propriamente ditos, e
disparados a fim de criar um corredor livre de alerta aéreo para que o “grosso”
destes possam alcançar em relativa segurança seus alvos no solo, que poderão
inclusive ser as próprias baterias antiaéreas.
Estes mísseis são construídos para seguir a radiação
inimiga, e portanto não são eficazes contra qualquer outro tipo de alvo. As
antenas deste sistemas-ameaça são alvos pouco resistentes, de forma que os
mísseis não precisam carregar uma carga explosiva muito potente, sendo que até
um impacto sem explosão pode ser suficiente para colocar o sistema inoperante.
Aeronaves que portam ARMs geralmente levam também outros petardos para destruir
fisicamente o restante do sistema, depois da antena do alerta estar
neutralizada.
Muitas vezes os operadores dos sistemas de alerta ao
simplesmente "desconfiarem" da aproximação destes mísseis, os
desligam para evitar “impacto”, cegando seus “seekers”, fazendo com que o
sistema de defesa fique inoperante e míssil mesmo assim cumpra sua missão, pois
neutralizou o sistema. Outra forma de contramedida é a instalação de chamarizes
(mais de uma) nas imediações do radar atacado que transmitam na mesma RF do
RADAR-alvo. Os chamarizes emitem pulsos em intermitência com o radar
verdadeiro, fazendo com que o foco do míssil comece a vagar não selecionando
qualquer um deles. Modelos mais sofisticados tem a capacidade de “memorizar” a
posição do alvo captada antes de seu desligamento, fazendo que voo se dê a um
ponto provável.
Os primeiros ARMs como o AGM-45 Shrike usado na Guerra
das Falklands/Malvinas não possuíam a capacidade de acertar seu alvos se o
RADAR desligasse suas antenas. Modelos posteriores com o AGM-78 Standard e
AGM-88 Harm passaram a contar com sistemas INS que permitem a
memorização da posição do alvo e seu curso até lá. O modelo europeu ALARM possui
um paraquedas que permite que desça lentamente até que o RADAR volte a ser
ligado, quando volta a acender seu motor.
Possuem modos diversos de operação, podendo ter seu alvo
designado por “travamento” através do RWR da aeronave, por inserção
de coordenadas em sua memória de forma manual valendo-se de seu GPS e INS.
Podem ainda ser lançados sem alvo definido esperando-se que o adquiria durante
o voo num engajamento de oportunidade (Stand-Alone).
Na década de 2010 A FAB solicitou aos EUA a compra de um
lote de mísseis AGM-88 Harm, o qual foi negado sob a alegação de que não era
interessante (para eles) a introdução deste tipo de arma no cenário
latino-americano. Em resposta o DCTA partiu para o desenvolvimento de um modelo
nacional, hoje denominado MAR-1 e já operacional. É um projeto ainda envolto em
mistério mas sabe-se que é capaz de detectar radares de baixa potência como o
Skyguard a 500 km de distância, possui um ogiva de 90 Kg e alcance
desconhecido, especulado em torno de 60 km. Sua velocidade é próxima a do som e
dimensões similares ao ALARM, porém menor que este, pesando 266 kg.
domingo, 5 de agosto de 2018
Os Soldados de "Omaha Beach" *
No dia 06 de junho de 1944, 34 mil soldados norte-americanos
embarcaram em uma missão decisiva. Em média eles tinham 22 anos e muitos
acreditavam que não conseguiriam voltar. A Europa estava ocupada pelos nazistas, e os Exércitos Aliados lançaram a maior operação anfíbia da história, visando a
reconquista deste território, contra um litoral fortemente defendido pelas
forças alemãs. A "Operação Overlord" iniciou-se com um lançamento em massa de cerca de 3 divisões aeroterrestres e o assalto anfíbio à 5 praias denominadas "Utah", "Omaha", "Sword", "Gold" e "Juno", nome este código para efeito militar. Aos paraquedistas cabia proteger os anfíbios quanto a chegada de reforços, e aos anfíbios a consolidação de uma cabeça de praia para possibilitar que o "grosso" das tropas aliadas pudessem desembarcar em segurança. Era uma chance única e não podia dar errado.
Mas para cada um dos soldados americanos que desembarcou em "Omaha Beach", só o fato de chegar em terra já era uma conquista, pois foi uma corrida pela sobrevivência. Esta batalha épica de 12 horas pelas conquista de uma cabeça de praia na mais "difícil" das 5 escolhidas, marcou esta grande operação de retomada da Europa Ocidental, que mesmo minuciosamente planejada apresentou muitas falhas, tal sua magnitude e a dificuldade de se implementar um assalto sem precedentes.
Mas para cada um dos soldados americanos que desembarcou em "Omaha Beach", só o fato de chegar em terra já era uma conquista, pois foi uma corrida pela sobrevivência. Esta batalha épica de 12 horas pelas conquista de uma cabeça de praia na mais "difícil" das 5 escolhidas, marcou esta grande operação de retomada da Europa Ocidental, que mesmo minuciosamente planejada apresentou muitas falhas, tal sua magnitude e a dificuldade de se implementar um assalto sem precedentes.
Fatores surpreendentes e artimanhas extraordinárias marcaram
esta operação que tantas vidas custaram aos exércitos envolvidos. Não foram
apenas homens e armas, mas truques de ilusionismo e invenções bizarras como
carros de combate adaptados como viaturas anfíbias de forma improvisada,
paraquedistas falsos que explodiam e mensagens passadas através de
pombos-correio. Fatores como a previsão do tempo ou a fivela do arnês dos paraquedas
influenciaram significativamente o que estava por vir. Mesmo em um episódio
onde defesas engenhosas a estratégias clássicas de defesa espalhadas ao
largo de 300 metros de areia exposta, o desfecho dependeu de liderança e
bravura, onde a determinação de homens, que vendo seus colegas tombarem sob o
incessante fogos de morteiros e automáticas alemães, lograram por conquistar
seu objetivo a duras penas.
Após 5 anos do início da 2ª Guerra Mundial o futuro da Europa
estava ameaçado. O Nazistas de Hitler ocuparam todo o continente e os Estados
Unidos e a Inglaterra encabeçavam uma luta de oposição aos invasores,
juntamente com seus aliados. Eram 06:00 AM ao largo do litoral norte francês, e
uma primeira onda de 8 companhias do US Army posicionava-se para desembarcar em
“Omaha Beach” e iniciar uma das mais memoráveis batalhas de todos os tempos.
Centenas de homens apreensivos aguardavam, cientes de enfrentariam uma empreitada
difícil e que muitos não voltariam. Era o batismo de fogo da maioria e o
silêncio imperava dentro dos lanchões de desembarque, pois todos sabiam o que
iriam enfrentar.
Um contingente de 1.200 militares alemães defendiam esta
praia, equipados com a mais rápida metralhadora do mundo, a excepcional MG 42, que
possuía uma cadência 2x maior que a Browning dos assaltantes. Seus tiros não podem ser ouvidos
individualmente e seu som assemelha-se a um tecido sendo rasgado. Seu ferrolho
dotado de cilindros deslizantes lhe proporcionava uma cadência de 1.500 tpm a
880 m/s, disparando 50 tiros em 2,5 s e requerendo troca de cano a cada 400
disparos para evitar superaquecimento. 5 destas armas começaram a atingir
incessantemente os lanchões, antes que qualquer soldado saísse deles, com 125
projéteis chegando a cada segundo. O sucesso do desembarque dependia do
silenciamento delas, o mais rápido possível. Este foi um grave erro de
planejamento: um veículo blindado e especialmente adaptado para o desembarque, para
neutralizar as MG 42 deveria fazer a ponta de lança do assalto, e ainda deveria ter acontecido intensa preparação por parte da artilharia naval, o que não aconteceu, pois confiou-se nos bombardeios aéreos. Esqueceram que nuvens não estão nem aí para planos militares. Mergulhadores de combate poderiam ter minado os obstáculos anti-desembarque, para que os carros de combate pudessem fazer a vanguarda.
O mar estava desfavorável, com forte balanço e água entrado
no interior dos lanchões. A US Navy, no intuito de aumentar o moral dos
soldados, lhes serviu uma refeição pesada algumas horas antes. Esta refeição
aliada ao balanço constante da embarcação, dentro da qual os soldados tiveram
que esperar alguma horas, acabou por enausear boa parte da tropa, debilitando
sua capacidade de combate. Às 06:40 AM os soldados já desembarcavam. Com frio,
molhados, enuseados, carregando cerca de 50 kg de equipamento e sob o assédio
da MG 42. Assim que a rampa abaixava o fogo alemão era para ali dirigido,
abatendo os assaltantes como que num matadouro. Para fugirem do fogo mortal que
ali se abatera muitos soldados começaram a pular pela lateral, caindo dentro da
água com cerca de 3 m de profundidade, prática esta que foi advertida para que
não fosse implementada. Sua carga de equipamentos e a profundidade fez com que
muitos se afogassem. Muito entraram na guerra para não disparar um único tiro,
morrendo ali mesmo. Muitos se livraram do equipamento, da jaqueta molhada e da
munição e conseguiram voltar a superfície. Aqueles que voltavam a superfície
reencontravam a saraivada de projéteis de 7,92 mm, que eram mortais até 30 cm
sob a água. A resistência da água é tão grande que um projétil destes para
totalmente em menos de um metros de trajetória subaquática. Manter esta
distância vital pode ter, involuntariamente, salvado a vida de muitos. Dos
cerca de 1.450 homens da primeira leva, estima-se que cerca de 450 morreram nos
primeiros momentos. Toda esta carnificina ocorreu ainda dentro da água, sem que
os homens sequer chegassem a praia, a parte mais difícil. Atravessar os 300
metros de praia repleta de obstáculos e sob o fogo incessante era o desafio que
estava por vir. Cavalos de frisa e estacas, arame farpado e campos minados eram
os principais meios de retardamento, expondo as vítimas para as MG 42 e os obuses. Após estes obstáculos vinham as dunas e
seria a partir daí que a luta ficaria mais equilibrada.
Colocar carros de combate na praia antes da infantaria teria
evitado o desastre inicial, porém os estrategistas consideraram que as
embarcações que os transportariam eram muito vulneráveis. Blindados Sherman
denominados “tanques DD” foram construídos especialmente, e nada mais eram que
este carro de combate montado dentro de uma saia de lona que o fazia flutuar e
com propulsores, e seria abaixada assim que chegasse a praia. Era uma adaptação
de tempos de guerra e não um veículo dedicado, porém apresentou-se promissora
nos testes realizados. O plano era colocar um “tanque DD” a cada 45 metros, apoiando a infantaria, totalizando 32 veículos. O problema é que eles foram
testados em lagos e não em um mar revolto e agitado. As ondas no Canal da
Mancha tinham quase 2 m de altura, e o tempo mostrava-se adverso já há dias.
Porém a concentração no sul da Grã-Bretanha para o desembarque era difícil de
ser ocultada, e os aliados não podiam esperar mais, sob o risco de serem
descobertos. A 3.200 km dalí, dias antes, navios meteorológicos indicaram o dia
06 como climaticamente mais favorável, e este dia seria único e não poderia ser
adiado. A decisão foi tomada, o tempo melhorou, mas o mar continuou agitado. A
5 km da praia a embarcação dedicada lançou seus “tanques DD” e as ondas altas e a
pressão da água cobraram seu preço. Os blindados começaram a afundar e dos 29
lançados, 27 não chegaram a praia, deixando a infantaria por conta própria.
Alguns soldados, principalmente motoristas afundaram com seus veículos.
No topo das dunas 14 “bankers” de concreto infernizavam a
vida dos norte-americanos que chegavam a praia, com suas automáticas. As guarnições de defesa estavam
ali há meses e tanto soldados quanto oficiais não acreditavam que o assalto
ocorresse na Normandia, tal qual o alto comando. Eram instalações confortáveis
e com boa comida. Esta sensação de que o ataque não seria ali deveu-se a um bem
orquestrado plano de engodo e dissimulação. Foi criado uma força de invasão
falsa próximo à Pas de Calais, no ponto onde o Canal da Mancha é mais estreito,
fazendo com que os alemães concentrassem suas forças neste ponto, a cerca de
300 km do intencionado. Depois de 2 semanas do desembarque os nazistas ainda acreditavam em um desembarque em Calais. Infláveis simulando veículos e aeronaves, instalações
falsas, pesado tráfego de comunicações e a participação do Gen George Patton deram
credibilidade ao embuste, arquitetado por um ilusionista profissional. O
Marechal de Campo Erwin Rommel, no entanto, não negligenciou as defesas deste
setor e reforçou as defesas. Na manhã do dia D os defensores alemães,
habituados a uma rotina de um dia depois do outro, depararam-se com uma frota
monumental na linha do horizonte.
Para os soldados assaltantes não havia outra alternativa
senão enfrentar o fogo das metralhadoras, morteiros e artilharia. Mas os comandantes aliados sabiam o tipo de apoio de fogo de que os alemães dispunham, e foi
planejado neutralizar estas armas antes do assalto. Haviam cerca de 30 armas
anticarro, 17 morteiros e mais de 20 obuseiros, dispostos dentro de abrigos
(“bunkers”) de concreto em “Omaha”. Cerca de 4 horas antes do assalto,
bombardeiros aliados decolaram para neutralizar estas ameaças, com mais de 400
aeronaves carregando seus mais de 13.000 petardos, que seriam lançados sobre as
defesas na maior missão de preparação de campo de batalha da guerra com
bombardeio de precisão, dentro do possível com a tecnológica da época. A USAAF
acreditava na capacidade e precisão apurada de seus meios. Porém as nuvens
estavam densas e os bombardeiros dependiam do radar, uma novidade na época com
sua confiabilidade pouco testada. A Marinha não confiava no radar e temia que
as bombas atingissem seus próprios navios. Por conseqüência os bombardeiros
receberam ordens para atrasar em até 30 segundos a liberação de suas cargas.
Voando a 3.000 m de altura e 240 km/h um atraso de alguns segundos pode mudar
tudo. Apenas 5 s significa que a bomba em queda livre cairá 400 m depois do
programado, e 30 s o impacto se dará 2,5 km depois. De forma inacreditável a
totalidade do bombardeio atingiu o “nada”, deixando as posições alemãs intactas,
constituindo uma das maiores falhas de C2 nos plano aliados.
Os soldados perceberam que a paralisia onde estavam, a
despeito do fogo inclemente, era uma sentença de morte e começaram a progredir
em direção às dunas. Depois de uma hora de desembarque a operação parecia um
desastre. A 6 km dali Rangers implementavam a missão mais perigosa do dia. Neutralizar algumas bocas de fogo posicionadas no alto de
rochedos, que ameaçavam diretamente os navios ao largo, repletos de soldados.
Por todo o litoral haviam armas de grosso calibre posicionadas, constituindo
ameaça direta tanto a praia como à frota. Neste rochedo denominado Poinet Du
Hoc de 45 m, onde 5 grandes bocas de fogo de 155 mm Skoda, capturadas aos
tchecos, ameaçavam tudo num raio de 24 km, incluindo “Omaha”, “Utah” e os meios
de desembarque. O ataque a uma colina íngreme, fazendo uso da escalada por
cordas, é uma das mais difíceis empreitadas que um infante pode enfrentar.
Durante meses este assalto foi praticado, com ganchos lançados por morteiros,
porém nos exercícios não havia o fogo das metralhadoras e as cordas estavam
secas. Ao desembarcarem, os Rangers tinham que atravessar a praia e chegar ao
pé do rochedo sob fogo intenso. Ao alcançarem o rochedo, devolveram o fogo e
prepararam seus ganchos-morteiros, cujo lançamento da maioria não atingiu o
topo devido ao peso extra das cordas molhadas. Alguns ganchos foram lançados com
sucesso, devido a suas cordas secas, permitiram que a escalada fosse realizada.
Os soldados que conseguiram subir deram continuidade a batalha, com alguns
perecendo e outros logrando avanços. Ao chegar no objetivo, os soldados
descobriram que ao canhões não estavam lá, e eram apenas postes telegráficos
adequadamente dispostos, simulando uma posição de armas. Frustrados descobriram
que se prepararam por meses para nada. Na verdade os canhões foram removidos para posições mais a retaguarda 2 dias antes, por ordem de Rommel, e destruídos na sequência dos acontecimentos, de forma que mesmo assim eles estavam lá.
As 08:30 AM a situação projetava um desastre total nesta
praia. Na retaguarda alemã, no entanto, a resistência francesa dava sua cota de
apoio ao desembarque. Nos meses que antecederam o desembarque os franceses
envidaram um serviço de espionagem, enviado a Londres por vários meios suas
observações sobre o dispositivo defensivo alemão. Era um trabalho arriscado e
perigoso. Foram usados inclusive os serviços de pombos-correio. Próximos ao dia
D os franceses intensificaram ações de sabotagem como a interrupção de linhas
de comunicações por fio alemãs e a explosão de composições ferroviárias. Os
alemães passaram a atiram em pombos, e membros da resistência foram capturados
e executados. Porém os estragos foram feitos e as tropas alemãs na praia
encontraram dificuldades em pedir reforços. Já faziam 3 horas que o desembarque
havia começado e os sobreviventes estavam presos a um quebra-mar 240 m praia
adentro, não haviam mais oficiais e sargentos suficientes e a liderança estava prejudicada,
com cada indivíduo cuidando de sobreviver. A sua retaguarda a maré começa a
subir.
Na madrugada do desembarque, 8 horas antes do início, um
grande número de paraquedistas foi lançado à retaguarda das áreas de
desembarque a fim de protegê-los contra a chegada de reforços. Paraquedistas
falsos foram lançados em locais afastados para atrair tropas alemãs. O Marechal
de Campo Erwin Rommel ordenou a inundação de uma grande área a retaguarda das
praias, onde muitos paraquedistas saltaram. Muitos caíram na água e o drama dos
anfíbios aconteceu ali também. A dificuldade de soltar o arnês rapidamente fez
com que muitos se afogassem. Os arnês britânicos eram de fácil operação, mas os
americanos requeriam um trabalho maior. Livrar-se rapidamente do paraquedas
para alguém que está dentro da água, com 50 kg de equipamento e cujo velame
podia cair por cima era vital. Dos 13.000 paraquedistas, centenas se afogaram.
Para retomar a liderança alguns oficiais ainda embarcados,
dentre ele um general, assumiram o papel de capitães e tenentes postos fora de
combate e passaram a liderar os soldados retidos no quebra-mar. O general de brigada Normam Cota estava embarcado observando o desastroso avanço
da primeira “onda” de soldados na praia e decidiu acompanhar a segunda “onda”
de soldados, e ao chegar na praia liderou pelo exemplo, abrindo caminho a
frente e ditando palavras de motivação e de comando às tropas que lá estavam.
Era o oficial mais velho em terra. Sua liderança surpreendeu aqueles que já
estavam na praia, inclusive outros oficiais, e deu ímpeto ao ataque neste local.
A partir do quebra-mar e das dunas começaram a ser transpostos
o arame farpado e os campos minados, obstáculos este vencidos com o auxílio dos
“Torpedos Bangalore”, tubos de metal contendo explosivos que eram introduzidos
na área e abriam brechas por onde os homens passavam. Os soldados estavam
exaustos e feridos, porém seus líderes os levaram adiante mostrando a importância
do comando competente e motivador. Ao largo, os comandantes navais não tinham
autorização para apoiar com fogo o desembarque, pois tinham que proteger os
navios, ainda repleto de soldados. Considerou-se desviar estes soldados para
desembarcar em outra praia, mas notícias de que as primeiras brechas haviam
sido abertas os fez repensar. Após algumas horas de suplício veio o alívio para
a infantaria, quando a Marinha autorizou que alguns contratorpedeiros
posicionassem-se mais próximos à praia e apoiassem o desembarque com artilharia
naval. As situação começou a pender para o lado dos assaltantes.
Este relato mostra um pouco da realidade que os soldados
assaltantes enfrentaram no Dia D na praia de “Omaha”, e de como pequenos
detalhes podem ter grande influência em uma operação militar. Mostra como um
plano deve descer a detalhes aparentemente irrelevantes e que na hora da ação
podem fazer toda a diferença. Cordas molhadas ou não, atraso no tempo de
lançamento de bombas aéreas e o projeto do arnês dos paraquedas são alguns
deles. Enfatiza também o valor da liderança em combate, onde oficiais e
sargentos mais experientes podem fazer a diferença quando lideram com
determinação e competência.
Calcula-se que 2.000 americanos morreram naquele dia, com outro tanto de feridos. Ao todo, nas 5 praias 10.000 aliados perderam a vida, cerca de 4.000 alemães e 3.000 civis franceses. Foi o início da retomada da Europa pela frente ocidental.
Calcula-se que 2.000 americanos morreram naquele dia, com outro tanto de feridos. Ao todo, nas 5 praias 10.000 aliados perderam a vida, cerca de 4.000 alemães e 3.000 civis franceses. Foi o início da retomada da Europa pela frente ocidental.
quarta-feira, 27 de junho de 2018
Operações Militares - Generalidades #
A prática das armas
é uma atividade complexa, que demanda um grande número de práticas e sistemas, alguns
complexos pelo número e outros pela sofisticação, para atingir com eficiência
o objetivo, que é a busca da supremacia militar sobre o inimigo nos teatros
operativos. Estas práticas e sistemas operados pelas forças armadas e outras agências,
devem atuar de forma harmônica visando complementar-se entre si, provendo ao
todo um poder de combate efetivo e superior, multiplicando a eficiência de cada
elemento envolvido, principalmente os de linha de frente que efetivamente entram
em contato com o inimigo e estão sujeitos a um atrito superior.
Para vencer uma campanha deve-se levar o inimigo a condição de imobilidade estratégica, que é quando ele nada mais pode fazer para reverter a sua situação. Para tanto uma força se vale de ações políticas travadas em alto escalão junto a outros agentes políticos, como governos amigos por exemplo, e no campo militar através da dissuasão, da debilitação de sua capacidade militar e da ocupação de sua áreas estratégicas. Os comandantes militares, estejam eles no quartel general em solo pátrio ou em campo junto às unidades de vanguarda devem observar algumas premissas básicas quando do planeamento de suas operações e ações, presentes em quase todas as situações.
Para vencer uma campanha deve-se levar o inimigo a condição de imobilidade estratégica, que é quando ele nada mais pode fazer para reverter a sua situação. Para tanto uma força se vale de ações políticas travadas em alto escalão junto a outros agentes políticos, como governos amigos por exemplo, e no campo militar através da dissuasão, da debilitação de sua capacidade militar e da ocupação de sua áreas estratégicas. Os comandantes militares, estejam eles no quartel general em solo pátrio ou em campo junto às unidades de vanguarda devem observar algumas premissas básicas quando do planeamento de suas operações e ações, presentes em quase todas as situações.
Dissuasão Militar
Sistemas de defesa
bem concebidos e integrados, dotados de tecnologia moderna, operados por
pessoal competente e bem treinado, seguindo doutrinas efetivas e em constante
adequação, tanto na tecnologia como na evolução do pensamento, não só são capazes
de se mostrar superiores quando postos em ação, mas cumprem o papel de
dissuadir potenciais inimigos a empreenderem qualquer aventura militar contra
as nações que os possuem.
A dissuasão é o
primeiro resultado alcançado por um sistema de defesa, mesmo contra nações
militarmente superiores, pois o custo de uma empreitada militar, mesmo com a
vitória assegurada, pode se mostrar deveras oneroso a qualquer nação se confrontadas por um inimigo competente. Para
dissuadir é preciso ser capaz de implementar pronta resposta a quem desafiar, de
forma efetiva e contundente. Cada inimigo em potencial se acreditar que sua
investida será coroada com revezes inaceitáveis, procurará outros meios de resolver a situação. É preciso saber combater e
estar preparado, sob todos os aspectos operacionais ou logísticos, para colocar
em prática esta ciência.
Teatro de Operações
Sistemas de defesa
devem ter a capacidade de atuar em todos os ambientes possíveis e necessários a
defesa de sua nação, e se operando de forma expedicionária naqueles que irá encontrar. Os macro-ambientes mais óbvios e presentes em quase todas
as situações são o espaço aéreo, a superfície terrestre e as águas interiores e
marítimas, razão pela qual as forças armadas da maioria das nações são
estruturadas em 3 ramos distintos e independentes na forma de uma força aérea
capaz de mostrar seu poder de forma absoluta no controle do espaço aéreo; uma
força terrestre que agrega efetivos maiores que as demais e atua na superfície
e próximo dela conquistando, ocupando e mantendo áreas geográficas e pontos de
interesse estratégico; e uma força naval capaz de controlar ou negar o uso das
águas pelas forças inimigas. Estas três forças devem ainda ser capazes de
operar de forma integrada e em apoio mútuo.
Diversos cenários
operativos podem se fazer presentes, sejam montanhas ou praias, e as forças
devem ter a capacidade de operar em todos eles, onde quer que se façam
necessárias. Teatros no além fronteiras também podem exigir a intervenção das
forças armadas de um país, e é conveniente que se tenha alguma “expertise” nos
mais prováveis ou comuns, para que se possa constituir tropas em tempo reduzido
a partir daquelas já existentes.
Inteligência Militar
Ao se lançar em uma
missão militar a primeira atividade a ser implementada é a busca de
inteligência militar. As forças operativas devem conhecer o terreno onde terão
que atuar, suas capacidades frente aos potenciais inimigos, os sistemas de
armas e doutrina militar destes, sua forma de operar e o pensamento de seus
comandantes. Esta busca deve ser contínua, tanto na paz como na guerra, e
deve priorizar o conhecimento de tudo o que existe no meio militar a fim de
associar-se das boas idéias e tendências mais modernas, os fatores que influem
direta ou indiretamente nos teatros de operações prováveis e possíveis, as
áreas e benfeitorias mais importantes à existência da nação (áreas e pontos
sensíveis), e o aperfeiçoamento e evolução do pensamento doutrinário. Na guerra
esta busca passa a ser focada prioritariamente nas operações e problemas mais
urgentes, porém sem esquecer fatores externos de importância.
Meios Operativos
A empreitada
militar demanda meios tecnologicamente modernos e capazes de fazer frente aos inimigos,
operado por pessoal treinado dentro de uma doutrina validada pela prática
constante e a experiência das operações passadas, e que seja adequada às
ameaças que se apresentam, sempre levando em consideração as características do
meio onde se irá operar e em número compatível. Cada força ou agência deverá
estruturar suas unidades para atuar em seu ambiente específico, sempre se
utilizando dos subsídios oferecidos pela inteligência militar.
Suporte Logístico
Sistemas de defesa
complexos demandam estruturas logísticas complexas, como parques industriais e
centros de pesquisa que lhes dêem suporte. Estruturas de apoio a mobilidade
como portos, aeroportos e estradas para poderem se deslocar rapidamente são
essenciais a sua eficiência. Fornecimento de insumos variados como combustível,
munição e alimentação, entre outros, também são condições essenciais. Estes suprimentos
podem chegar a milhões de itens vindos da indústria, e matéria prima para que
esta possam manufaturá-los na escala adequada também deve ser garantida. Todo esse suporte é vital
a operação das forças e alvo valioso ao inimigo. As guerras são vencidas pela
logística, e a inviabilização desta é uma das principais linhas de ação em
combate.
Sistemas logísticos
eficientes devem ser planejados de forma que as forças estejam sempre bem
supridas e possam desempenhar suas missões com eficiência. Avanços muito
rápidos podem forçar a capacidade de colunas logísticas mal dimensionadas e
depósitos de suprimentos devem sempre ser alocados próximos às vanguardas.
Deve-se procurar proporcionar conforto a tropa de forma a manter alto seu
moral, proporcionando-lhes serviços de banho, boa comida, contato com seus
lares, descanso e lazer. Deve-se procurar ainda manter um padrão alto de
condições sanitárias e de saúde geral, bem como um efetivo apoio médico a feridos
e indivíduos com saúde debilitada.
Tropas capturadas
devem sempre ser mantidas em cativeiro e longe dos seus, para que não sejam
libertadas, de forma a evitar que retornem ao combate. Salvados de guerra devem
ser destruídos ou deslocados a locais seguros para que o inimigo não volte a
utilizá-los, e qualquer achado que mereça atenção especial devem imediatamente
ser comunicado aos superiores, pois pode fornecer informações importantes
Bases de Operação
Uma operação militar começa a partir de uma base segura. Nenhuma unidade militar pode se lançar em combate se não tiver para onde voltar, assim como uma pessoa sai para seus afazeres diários e retorna a sua casa. Bases militares, sejam permanentes ou temporárias, são de onde se lança o suporte a qualquer tipo de operação.
Uma operação militar começa a partir de uma base segura. Nenhuma unidade militar pode se lançar em combate se não tiver para onde voltar, assim como uma pessoa sai para seus afazeres diários e retorna a sua casa. Bases militares, sejam permanentes ou temporárias, são de onde se lança o suporte a qualquer tipo de operação.
As bases militares
devem localizar-se a distância que permita que suas unidades acessem as áreas
de operações em curto espaço de tempo, porém devem ficar longe destas o
suficiente para que sua segurança não fique comprometida, assim bases aéreas e
navais podem ficar mais a retaguarda, enquanto que bases da força terrestre
ficam mais próximas das linhas de frente.
Comando e Controle (C2)
Estabelecidos
dentro destas bases, os quartéis-generais dos grandes comandos dirigem suas
unidades, apoiados por uma grande equipe de comando e controle, processando
informações vindas de múltiplas fontes e adequando os planos iniciais à
dinâmica das operações. Uma prática sempre presente a qualquer comando militar
é a de lançar a todo momento missões no sentido de buscar informações a
respeito da situação, seja por unidades especializadas na coleta de
informações, seja pelas demais unidades, pois todos podem ser fontes deste
insumo vital.
Sejam as áreas de
retaguarda ou as áreas onde se localizam as tropas de vanguarda, estas devem
contar com efetivo controle do espaço aéreo pelas unidades da força aérea e
pelas baterias antiaéreas que trabalham de forma integrada com aquela,
proporcionando segurança às tropas amigas contra a mortífera e sempre presente
ameaça aérea. Uma missão militar que não conta com segurança nesta área esta
fadada ao fracasso. Toda missão militar (exceto as especiais ou de pequeno
vulto) se inicia com uma campanha visando garantir a superioridade aérea e a
supremacia da operação do espectro eletromagnético, pois dele depende a
operação de sensores (amigos e inimigos) e da vital malha de comunicações de
campanha.
Comunicações
Seguras
A partir de um
ambiente onde se tenha comunicações seguras e proteção efetiva contra a ameaça
proporcionada pela aviação de ataque inimiga, pode-se lançar missões efetivas
contra o inimigo, impondo-lhe uma guerra ofensiva e forçando-o a reagir em vez
de agir. As comunicações são a arma do comando, e sem elas não existe sinergia entre as unidades, passando estas a agir individualmente com resultados degradados pela falta de coordenação. Para que sejam eficientes deve-se contar com modernos equipamentos que operem em faixas mais finas e possam mudar de frequência constantemente, que disponham de softwares poderosos nas tarefas de encriptação e decriptação de dados, devendo ter a mobilidade das demais unidades e resistir ao assédio da interferência inimiga. Devem ser confiáveis e comportar o volume de tráfego desejado.
Criando Segurança
Operacional
Unidades de
artilharia inimigas devem ser identificadas, evitadas, neutralizadas e
destruídas, pois constituem perigosa ameaça às forças amigas, bem como unidades de caça e bombardeio que devem ser postas foram de ação o quanto antes. Unidades de
artilharia amigas devem ser intensivamente empregadas, precedendo o avanço das
forças de vanguarda, "amaciando" o terreno por onde estas irão
operar, e enfraquecendo suas estruturas de retaguarda, bem como contrapondo a artilharia
inimiga. O bombardeio de alvos que constituem ameaça direta às forças amigas pode ser feito também pela aviação de apoio, seja pelos helicópteros orgânicos da força terrestre ou pela força aérea e aviação naval, aeronaves que trazem grande potencial a manobra terrestre e devem sempre estar presentes. Da mesma forma fortificações de vários tipos proporcionam segurança e podem dirigir o avanço inimigo, canalizando itinerários e impedindo o acesso do inimigo a locais não desejados. A engenharia de combate tem grande potencial neste quesito, construindo obstáculos e lançando campos minados.
Interditando o
Teatro de Operações
Unidades navais e
terrestres podem então bloquear águas e terrenos importantes, se lançar em
profundidade no território de operações buscando o contato com unidades
inimigas, sempre precedidas pelo desejável e sempre bem vindo apoio da aviação
de ataque amiga, que procura minimizar o poderio do inimigo, seja alvejando
diretamente suas unidades de choque, seja frustrando seu sistema logístico,
privando-as de combustível e munição, reforços e recompletamento.
O contato com o inimigo é importante e deve ser buscado de forma contínua, mantendo-o ocupado, evitando surpresas e criando um fluxo de informações a respeito deste, para que os comandantes possam adequar seus planos e procedimentos.
Frustrando o C2
inimigo
Outra linha de ação
sempre empregada e de grande efetividade é a de neutralização de tudo aquilo
que contribua para a cadeia de comando e controle do inimigo. O bombardeio
sistemático de postos de comando e redes de comunicação, ou seu assédio por
forças especiais contribui para inviabilizar um emprego efetivo de suas
unidades, que se privadas de um comando único e sistematizado, podem começar a
agir de forma autônoma e com perda de eficiência. Ações de guerra eletrônica
também são efetivas nesta área, tendo como alvo suas comunicações.
Manobrando
A manobra se dá
pelo fogo e pelo movimento, movimentando-se par alcançar as melhores posições
de fogo, fazendo fogo para viabilizar o movimento. Deve-se visar os pontos que
apresentem a melhor relação custo-benefício, ou seja aqueles que sejam mais
fáceis de suplantar e produzam um ganho estratégico superior, evitando
objetivos intermediários que pouco ou nada contribuam para atingir o objetivo
final. Deve-se buscar flancos e retaguardas, por estes sempre apresentarem uma
dificuldade menor que atacar pela porta da frente.
Estradas e outras
infra-estruturas de mobilidade devem sempre ser buscadas, pois delas dependem a
velocidade das forças em operação, bem como da efetividade dos meios de apoio
logístico, extremamente importantes para a operacionalidade de qualquer força
militar. Aeroportos, bases aéreas, portos, ferrovias e rodovias, entroncamentos
rodoviários e ferroviários, canais e outras estruturas afins devem ter seu
domínio assegurado.
Vencendo a Campanha e a Guerra
A guerra se faz
unindo preparo e prestreza, maximizando oportunidades e reduzindo riscos.
Surpresa e intensidade (operações violentas e decisivas) devem ser
buscadas de forma a não permitir a reorganização do inimigo. Ações devem ser
continuadas e sem intervalos, dia e noite, unindo iniciativa, choque e poder.
Meios tecnológicos modernos e treinamento em alto nível fazem a diferença. Toda
campanha deve ser iniciada de forma que seja resolvida no menor espaço de tempo
possível, pois são caras e desgastantes, tanto material como no aspecto humano.
A guerra é vital ao estado, e dela pode depender a sua sobrevivência. Deve ser
evitada a todo custo, e se materializada vencida sem hesitações.
Fundamentos das Operações Militares
Fundamentos das Operações Militares
"O melhor general é aquele que vence a batalha sem disparar um único tiro"
Sun Tzu
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