"Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana a si mesma e prepara a sua própria queda".
Rui Barbosa

terça-feira, 27 de março de 2018

Planejamento Estratégico #




Um governo, ao conduzir uma situação de crise deve seguir uma escala de percepções e ações que permita reagir aos acontecimentos sempre na medida adequada, evitando-se o uso desnecessário de medidas retaliatórias, que possam radicalizar a crise ou mostrar uma reação insuficiente, que demonstre fraqueza e omissão, encorajando a escalada dos fatores adversos. Os analistas dos serviços de inteligência devem estar atentos a fim de recomendarem aos seus “tomadores de decisão”, quais as medidas mais adequadas a serem adotadas em cada tipo de crise, evitando-se a surpresa estratégica.

O planejamento de emprego das expressões do poder de uma nação deve ser constantemente revisto em face a evolução da tecnologia existente e a disponível, a capacidade industrial e seu nível de aprestamento, e a configuração de ameaças possíveis, prováveis e eminentes. A situação política internacional que afete a nação, com suas alianças e antagonismos deve servir de norte a este planejamento.

As medidas a serem adotadas em situação de crise deverão ser diretamente proporcionais a discrepância do poder relativo entre os antagonistas e a importância do objetivo a ser perseguido, bem como a liberdade de ação de cada um. Empreender uma ação militar contra a Coréia do Norte por parte dos EUA, por exemplo, é totalmente diferente de tomar tal atitude em relação a Cuba, primeiro porque a primeira é supostamente uma potência nuclear, e segundo porque está sob a esfera de influência da China. Quando o Iraque invadiu o Kwait a resposta se deu prontamente, porém quando a Rússia invadiu a Criméia a reação foi bem diferente.

Nos cenários de grande liberdade de ação pode-se optar pela ação militar diretamente, resolvendo a crise rapidamente. Quando o poder militar inimigo é considerável, geralmente opta-se pelas retaliações e ações militares mais comedidas e de pequena envergadura. Neste caso podem ocorrer atritos localizados, porém evita-se um engajamento total, principalmente se houver a posse de armas nucleares pelo inimigo.

A estratégia da dissuasão é muito usada quando a capacidade de retaliação contra o inimigo é grande, e este evita o confronto, ou quando ambos são fortes e o confronto resultaria em grandes prejuízos a ambos. Esta estratégia foi muito usada na Guerra Fria e sua filosofia baseava-se na certeza da destruição mútua, pois as capacidades nucleares de ambos eram muitas vezes superiores às realmente necessárias. Ambos os lados sabiam que não haveria vencedores, o que garantia, desta forma que ninguém desse o primeiro tiro. Quando se trata de armas nucleares é uma estratégia perigosa e um pequeno erro ou acidente pode resultar em conseqüências severas. A dissuasão também é usada pelo mais forte contra o mais fraco, pois a simples ameaça de uso de um poder avassalador pode fazer este a aceitar as condições impostas.

Quando o objetivo não é vital e o poder militar não é supremo, procura-se intimidar através de estratégias de pressão. Neste caso também evita-se o confronto direto mesmo o poder militar sendo muito superior, se a liberdade de ação for pequena. A crise dos mísseis cubanos é um exemplo de pressão, pois apesar da URSS ser dona de grande poder militar, recuou seus navios diante de um adversário igualmente poderoso cuidando de seu “quintal”. Neste caso ações no campo diplomático e da propaganda são mais eficientes, como as demonstrações de força e os desdobramentos e retóricas das chancelarias.

Os conflitos propriamente ditos são usados quando o objetivo tende a ser muito importante, e mesmo o poder militar estando aquém do desejável, ele preocupa o inimigo.  Neste caso países poderosos aplicam poder militar avassalador como os EUA em sua invasão ao Iraque e os Nazistas em sua invasão a Polônia, com conflitos sendo decididos em tempos reduzidos. Conflitos de longa duração são desgastantes e muito caros, e tendem a ser evitados na atualidade, porém se o objetivo for muito importante e o poder militar fraco, de ambos os lados, estes tendem a acontecer. As guerras do Oriente Médio, ainda não resolvidas, são um exemplo deste conflitos de desgaste. Este tipo de conflito é geralmente norteado pela estratégia da resistência. Esta estratégia visa degradar moralmente um inimigo mais poderoso, inflingindo-lhes baixas não decisivas, mas que gradativamente diminuem sua vontade de lutar. A FNLV (Viet Cong) o EVN usaram esta estratégia no conflito do Vietnam, e apesar da inferioridade militar, venceram o conflito.

A estratégia da resistência consiste em manter-se operacional, mesmo com meios limitados, estrategicamente manter-se na defensiva evitando-se o dispêndio de recursos que não existem em ações de grande vulto e taticamente na ofensiva com constante fustigação das fileiras inimigas através de ações de guerrilha. Isto obriga o inimigo a dispersas forças e facilita a ação dos atacantes.

Quando o objetivo é importante e os meios limitados, bem como a liberdade de ação pequena, adota-se a estratégia das ações sucessivas, onde uma série de ações em todos os campos de atuação possíveis complementam-se, buscando-se um objetivo final e importante a partir da conquista de objetivos menores e aparentemente não muito importantes. Ações políticas, diplomáticas, psicológicas e militares, aplicadas sucessivamente, em intensidades diferentes, servem de apoio umas às outras. A busca de objetivos aparentemente não importantes, não despertará no inimigo um grande empenho em sua retomada; ações militares pontuais, rápidas e violentas consolidarão estes objetivos que servirão de trampolim para o objetivo final. Esta estratégia combina a ação direta (militar), o conflito violento, a pressão indireta, e a estratégia de resistência. As ações políticas, de natureza diplomática e psicológicas se mostrarão dominantes nesta modalidade estratégica. Esta forma tende a ser a mais usada na gestão de crises que envolvam o confronto direto entre forças não hegemônicas, sendo uma empreitada longa e vence aquele que tiver maior resiliência.


sexta-feira, 23 de março de 2018

Política, Estratégia e Poder #




Os estados, através de seus governos buscam a consolidação de seus interesses nacionais. Quanto mais rico e evoluído o estado for, maior e mais complexa será esta teia de interesses, e por consequência a constituição dos instrumentos e a formulação de políticas para perseguir estes interesses. O estado mais poderoso da atualidade são os EUA, que por exemplo, mantém bases militares no mundo todo, pois seus interesses se estendem sobre todo o globo, sejam econômicos ou de segurança.

Estes interesses podem ser legítimos ou não, e por vezes podem se sobrepor aos interesses de outros estados, gerando os conflitos. Podemos citar o expansionismo nazista, principalmente sobre o território russo que era visto como um espaço vital para que a pretensa Grande Alemanha pudesse ser suprida com sua crescente necessidade de recursos naturais.

As nações do mundo, no intuito de defender os interesses nacionais de cada estado de uma forma harmônica entre todos, criaram a Organização das Nações Unidas (ONU), órgão supranacional que agrega vários sub-órgãos subordinados que cuidam de áreas específicas, como a UNESCO, o UNICEF, Conselho de Segurança, a OMC, etc... Estas organizações atuam criando mecanismos legais que se aplicam aos países signatários, que funcionam como leis internacionais e na maior parte das vezes são capazes de resolver os conflitos que não raro surgem nas relações entre as nações do mundo.

Estes mecanismos, entre outras funções, procuram disciplinar o uso do mar que é considerado um território internacional, impor políticas quanto as armas de destruição em massa como as nucleares por exemplo, auxiliar a zonas de calamidade e desarranjo social, traçar políticas no sentido da preservação do meio ambiente global, resolver e minimizar no menor espaço de tempo possível as situações de conflito armado e outras situações que representem a quebra da normalidade ou constituam ameaças internacionais, disciplinar o comércio internacional, preservar o patrimônio cultural e outras questões necessárias.

Segundo a ONU, existem cerca de 194 países no mundo, detentores de diferentes realidades econômicas, sócio-culturais, de recursos naturais e de localização geo-política. A disparidade destas realidades é muito grande, seja no tamanho de seus territórios ou seus pesos sócio-econômicos. Cada qual, teoricamente, guardião sua soberania e garantidor da própria segurança. Como esta condição, tal qual afirmada, está bem longe da realidade, os estados formam alianças regionais e mundiais, que garante que a soberania relativa de cada um seja respeitada, pelo menos de forma aparente. A ONU representa a maior destas alianças, e de uma forma ainda imperfeita, garante uma certa ordem jurídica em um mundo altamente desigual. Relações comerciais e interesses de toda ordem contribuem para que os mais poderosos, mesmo que informalmente, abriguem os mais fracos sob seus “guarda-chuvas” protetores, formando as chamadas esferas de influência.

Estas esferas são formadas por interesses em comum, principalmente comerciais, mas também pela identidade cultural entre os povos. Assim existem fortes laços entre norte-americanos e britânicos, portugueses e brasileiros, alemães a austríacos, entre outros. Antigas colônias possuem tratados com suas metrópoles de outrora. Seguindo os EUA como potência hegemônica, Rússia e China vêm logo atrás, assim como outras potências nucleares como Reino Unido e França. Armas nucleares são um grande trunfo no balanço do poder militar mundial. Ciência e tecnologia fazem a diferença no poder destas potências, e organizações não estatais como o Taliban no Afeganistão e o Estado Islâmico no Oriente Médio também exercem sua influência. Um único porta-aviões dos mais de 10 que os EUA tem, é mais poderoso que a maioria da forças aéreas do mundo, tal a discrepância no balanço do poder mundial.

Assim um estado enseja ter acesso à água, à terras férteis, à rotas para que seu comércio possa fluir, a recursos naturais como minérios por exemplo, à licenças para expansão de suas fronteiras econômicas, à áreas de pesca, etc...

Vale frisar também que as medidas adotadas pelos acordos internacionais, especialmente no âmbito da ONU, carregam consigo um grande peso imposto pela vontade dos países mais poderosos, porém estes nem sempre conseguem impor suas vontades e por vezes a união dos países de menor expressão ou maioria fica valendo. Devido a uma estrutura criada quando da sua fundação, os EUA, A Rússia, A China, a França e o Reino Unido tem poder de veto no Conselho de Segurança, não por acaso os vencedores da Segunda Grande Guerra. 





Política, Estratégia e Poder

A Política é o instrumento de relacionamento entre as pessoas e por consequência entre as nações. Através dela os governos formulam os objetivos que pretendem alcançar e definem os rumos que a estratégia deverá seguir. A Estratégia é o instrumento que a política usa para definir os caminhos que deverão ser seguidos para alcançar os objetivos traçados. Cabe a estratégia definir opções, considerar recursos, riscos e prioridades. É o conjunto de procedimentos a serem seguidos a fim de se chegar a solução de um determinado problema. Enquanto a política é subjetiva e depende muito da visão do estadista, a estratégia segue uma metodologia mais objetiva e um roteiro mais rigoroso de planejamento e aplicação do poder em proveito dos objetivos políticos.

Os problemas em questão podem ser temporários e pontuais, ou poderão ser permanentes e de longa duração. A estratégia definida dependerá destes fatores, dos recursos a disposição, das consequências do emprego de cada recurso e da velocidade a ser empreendida na consecução do objetivo.

O Poder é a base para que a estratégia seja aplicada, é a capacidade de uma nação impor sua vontade, seja de que forma for. Ele pode ser exercido pela força econômica, pela vontade das maiorias, pela ação das armas, pelas conveniências geográficas, pela informação e desenvolvimento tecnológico, e em um nível mais raro pelo engodo e pela propaganda. A aplicação do poder é resultado da atitude, ou seja a disposição em alcançar um objetivo aliado a existência de meios necessários para tal.

A Estratégia Nacional é a aplicação do conceito de estratégia a fim de alcançar os objetivos nacionais, ou objetivos de um país, definidos em seus planos de metas de cada governo. A estratégia nacional pode envolver todos os setores da vida nacional. Ela engloba todas as áreas de poder, incluindo o militar, a fim de alcançar os objetivos de uma nação, sejam econômicos, sociais, ambientais, culturais, etc..

Estratégia Militar é o conjunto de procedimentos a serem seguidos a fim de cumprir os objetivos de um país no que concerne a suas atividades militares, e pode ser dividida em vários níveis ou compartimentos, ditando a gestão das forças armadas em tempos de paz, os recursos do país para uso em tempos de guerra, a conduta de uma campanha específica ou outra qualquer situação de cunho militar que se apresente. A estratégia militar dita a quantidade de tropas mantidas por uma força armada, em que locais, a especialização desta tropa, o equipamento destinado a elas, a base industrial para manter estas tropas, etc.... Em uma campanha a estratégia dita quais os objetivos intermediários a serem buscados a fim de se obter êxito na busca do objetivo estratégico final.


A estratégia militar de guerra pode ser definida como o próprio plano de cada campanha, e deve ser conduzida com conhecimento e cautela. Uma campanha militar deverá aplicar o poder militar de uma nação na medida do necessário, e não a qualquer custo. O objetivo de um conflito armado é alcançar a paz e não a vitória por ela mesma, com a aplicação de poder desmedido e desnecessário. Vencer um conflito significa sair dele em superioridade estratégica e não simplesmente aniquilar seu inimigo, o que só é desejável por déspotas e sádicos.




Estratégia X Tática

Estes conceitos são comumente confundidos e sua linha divisória nem sempre é clara. A estratégia é o conceito que dita o que deve ser feito ou norteia o início da resolução de um problema, sendo definida a partir do objetivo a ser alcançado. A tática é o conceito que define como as orientações estratégicas devem ser implementadas, em que momento, com quais recursos, e que técnicas devem ser aplicadas, buscando um enfoque mais objetivo de cada desafio em particular. A estratégia dos aliados de abrir uma segunda frente na Normandia foi implementada pela tática de realizar um desembarque anfíbio tendo como cobertura o lançamento de forças paraquedistas que garantiram a integridade de algumas pontes e barraram a chegada de reforços para contrapor o desembarque.

A Técnica é um modo padronizado de se executar uma tarefa específica. É um procedimento de pouca variabilidade, ao contrário da estratégia e da tática que podem variar segundo cada situação. Temos como exemplo de técnica os procedimentos a serem observados para se efetuar o tiro de uma arma, a forma de se transpor um obstáculo com determinado recurso, como ocupar uma posição em combate, etc... A tática é aplicada pela implementação sucessiva de várias técnicas militares e operacionais. A técnica pode variar pela evolução do pensamento, resultado da prática e pelo sucessivo aperfeiçoamento, e uma vez aperfeiçoada dificilmente retornará a situação anterior.

Doutrina Militar


É o conjunto de ensinamentos consagrados ao longo dos tempos,  pela experiência adquirida nas diversas empreitadas militares, da aplicação das diversas estratégias, táticas e técnicas desenvolvidas. A doutrina pode mudar com a evolução do pensamento militar e com o avanço tecnológico. Um exemplo clássico é a evolução da guerra de trincheiras da 1a Guerra Mundial para a guerra de movimento proporcionada pela implementação da guerra mecanizada, já na 2a Guerra Mundial. A doutrina militar atual está fundamentada nos Princípios de Guerra, preconizados nos manuais modernos.

A moderna doutrina militar está detalhada nos manuais de campanha, e embora em constante evolução, concilia o tradicional com o contemporâneo, adaptando aquele a evolução da tecnologia e tornando a arte militar cada vez mais eficiente, permitindo que cada vez mais os conflitos sem deem em tempos menores, ao custo de menos vidas e de menor destruição da infraestrutura. Um exemplo é a precisão do bombardeio aéreo moderno, que permite que uma única aeronave atinja resultados mais eficazes que esquadrões inteiros da II Guerra Mundial, com reflexos logísticos, de comando e civis muito diferentes. Se ainda existem conflitos intermináveis como a guerra civil da Síria é porque a tecnologia e a evolução da guerra não se faz presente na medida que deveria, fato que reflete a disparidade da evolução dos povos.


sábado, 17 de março de 2018

Estado-Maior e Ordens #


O comandante militar é o responsável pela operação. É dele que partem todas as ordens para que as forças combatentes e de apoio cumpram a missão. Ele planeja e controla todas as ações, corrige rumos e disponibiliza apoio logístico para que cada ator exerça seu papel no momento e local oportuno, com a segurança adequada e devidamente abastecidos.

Esta atividade é comumente designada no meio militar como “Comando e Controle” (C2) e é a alma de qualquer operação. Unidades militares sem C2 são apenas um grupo bem disciplinado de indivíduos armados sem saber o que fazer. Cabe ao comando providenciar para que cada unidade ou indivíduo esteja no local de sua missão no horário previsto, com o equipamento adequado e devidamente instruídos de sua parte, inteirados da situação como um todo e com o suprimento necessário.

Uma operação militar é tanto mais complexa quanto maior for o escalão envolvido. Uma missão atribuída a um GC demanda alguma munição, alguma comida e talvez uma ou duas viaturas para transportá-lo, um objetivo simples que provavelmente será atingido em poucas horas; enquanto que uma missão a cargo de uma força-tarefa, divisão ou corpo de exército demanda recursos para manter em combate milhares de militares com milhares de equipamentos diferentes, com seus consumos de combustível, munição e alimentos, demandas médicas e de manutenção, além de um sem número de manobras e escaramuças envolvendo forças diversas de terra, unidades aéreas e navais. Tudo tem que ser coordenado e seu desfecho conferido, para que uma próxima fase possa ser implementada. Pode durar dias ou meses e serão necessárias milhares de decisões e ordens.

Comandar um GC ou pelotão pode ficar a cargo de um sargento ou oficial, mas a medida que o escalão aumenta se faz necessário a descentralização das atividades, com a segmentação das atividades operacionais e logísticas. A partir do nível subunidade (companhia) os comandantes militares contam com algum “staff”, um colegiado de oficiais que o auxiliam na divisão da complexa tarefa que é administrar uma operação militar. A este “staff” denomina-se no meio militar de Estado-Maior. O Estado-Maior possibilita ao comandante a descentralização da atividade de C2, poupando-lhe de se preocupar com detalhes operacionais e possibilitando-lhe que se concentre nas decisões mais importantes. Assim temos oficiais encarregados da produção de inteligência, de logística, de pormenores administrativos como o recompletamento de pessoal, de ligação com outras unidades, no planejamento e pormenorização das decisões táticas e operacionais tomadas, na segurança e vigilância e na avaliação de resultados, além de outras atividades consideradas necessárias.

O trabalho do Estado-Maior consiste em buscar soluções para os problemas e desafios que se apresentem, colher inteligência a respeito destas situações, analisá-los à luz da inteligência disponível e propor a solução destes ao comandante, considerando todas as linhas de ação possíveis e elencando a mais adequada, justificando causas e conseqüências de cada uma, vantagens e desvantagens, sempre fazendo contato prévio com todas as unidades envolvidas. A sugestão por um ataque aéreo deverá ser precedida por uma consulta de disponibilidade da unidade aérea que realizará o ataque, por exemplo. Ao comandante deverão chegar as sugestões de forma objetiva sem documentação volumosa, com conclusões claras e concisas, para que ele possa escolher, aplicando a solução se necessário, sua experiência e conhecimento pessoal, e uma vez tomada a decisão que ela siga na forma de ordem para pronto cumprimento. Ordens secundárias ou de menor importância deverão ser prontamente despachadas pelos oficiais do Estado-Maior e seus auxiliares, poupando desta forma o comandante dos detalhes operativos.




A estrutura de um Estado-Maior varia de acordo com a força a que serve e a situação que deverá ser enfrentada. Esta estrutura será composta por um chefe de estado maior, que poderá ser o sub-comandante da unidade ou não, e as diversas seções operativas, cada qual comandada por um oficial dedicado, que por sua vez será assessorado pelos oficiais adjuntos em funções específicas. No Exército Brasileiro, por exemplo, um Estado-Maior típico ou geral consiste em 5 seções, sendo a 1ª Seção encarregada da organização e administração de pessoal, a 2ª Seção ocupa-se da produção de inteligência, a 3ª Seção é a de operações e responsável pelas linhas de ação da unidade e adestramento de pessoal, a 4ª Seção encarrega-se do apoio logístico e a 5ª Seção cuida da comunicação social e dos assuntos civis. Outras estruturas podem ser implementadas.

Os oficiais adjuntos ou auxiliares constituem o Estado-Maior especial e cada um cuida de uma subseção específica, subordinados aos oficiais do Estado-Maior geral e atuando por exemplo, nas áreas de defesa antiaérea, apoio de fogo, guerra química e biológica, ambiente nuclear, engenharia de construção e combate, controle de tráfego aéreo, polícia, guerra eletrônica, comunicações, força aérea, aviação do exército, forças aeronavais, forças navais, prisioneiros de guerra, justiça militar, ajudância geral, segurança de área,  controle de aeródromo, controle de terminal portuário e tráfego aquático, propaganda, ações diversionárias, defesa anticarro, forças especiais, ligação com outras unidades, saúde e apoio médico, transporte e controle de tráfego terrestre, agências externas, e outras áreas que se façam necessárias.

O advento da tecnologia digital e da NCW permitiu a automatização de muitas tarefas desempenhadas pelos estados-maiores e postos de comando, agilizando muitas das decisões. Por exemplo a execução de uma missão de tiro pela artilharia, alimentada em um sistema informatizado pode demandar o ressuprimento de munição de uma área remota sem qualquer intervenção humana, dependendo dos sistemas disponíveis.

Os estados-maiores compõem os postos de comando da unidades e grandes-unidades e juntamente com o comandante são a parte operativa dos mesmos, que funcionam em uma estrutura física provida pelas subunidades de comando e serviços desta unidades. São alvos prioritários das forças inimigas e a neutralização dos estados-maiores e seus postos de comando poderá acarretar na inoperância tática de seus comandados, total ou temporária, por falta de ordens.