Um governo, ao conduzir uma situação de crise deve seguir
uma escala de percepções e ações que permita reagir aos acontecimentos sempre
na medida adequada, evitando-se o uso desnecessário de medidas retaliatórias,
que possam radicalizar a crise ou mostrar uma reação insuficiente, que demonstre fraqueza
e omissão, encorajando a escalada dos fatores adversos. Os analistas dos
serviços de inteligência devem estar atentos a fim de recomendarem aos seus
“tomadores de decisão”, quais as medidas mais adequadas a serem adotadas em
cada tipo de crise, evitando-se a surpresa estratégica.
O planejamento de emprego das expressões do poder de uma
nação deve ser constantemente revisto em face a evolução da tecnologia
existente e a disponível, a capacidade industrial e seu nível de aprestamento,
e a configuração de ameaças possíveis, prováveis e eminentes. A situação
política internacional que afete a nação, com suas alianças e antagonismos deve
servir de norte a este planejamento.
As medidas a serem adotadas em situação de crise deverão
ser diretamente proporcionais a discrepância do poder relativo entre os
antagonistas e a importância do objetivo a ser perseguido, bem como a liberdade
de ação de cada um. Empreender uma ação militar contra a Coréia do Norte por
parte dos EUA, por exemplo, é totalmente diferente de tomar tal atitude em
relação a Cuba, primeiro porque a primeira é supostamente uma potência nuclear,
e segundo porque está sob a esfera de influência da China. Quando o Iraque
invadiu o Kwait a resposta se deu prontamente, porém quando a Rússia invadiu a
Criméia a reação foi bem diferente.
Nos cenários de grande liberdade de ação pode-se optar
pela ação militar diretamente, resolvendo a crise rapidamente. Quando o poder
militar inimigo é considerável, geralmente opta-se pelas retaliações e ações
militares mais comedidas e de pequena envergadura. Neste caso podem ocorrer
atritos localizados, porém evita-se um engajamento total, principalmente se
houver a posse de armas nucleares pelo inimigo.
A estratégia da dissuasão é muito usada quando a
capacidade de retaliação contra o inimigo é grande, e este evita o confronto, ou quando ambos são fortes e o confronto resultaria em grandes prejuízos a ambos. Esta
estratégia foi muito usada na Guerra Fria e sua filosofia baseava-se na certeza
da destruição mútua, pois as capacidades nucleares de ambos eram muitas vezes
superiores às realmente necessárias. Ambos os lados sabiam que não haveria
vencedores, o que garantia, desta forma que ninguém desse o primeiro tiro.
Quando se trata de armas nucleares é uma estratégia perigosa e um pequeno erro
ou acidente pode resultar em conseqüências severas. A dissuasão também é usada
pelo mais forte contra o mais fraco, pois a simples ameaça de uso de um poder
avassalador pode fazer este a aceitar as condições impostas.
Quando o objetivo não é vital e o poder militar não é
supremo, procura-se intimidar através de estratégias de pressão. Neste caso
também evita-se o confronto direto mesmo o poder militar sendo muito superior,
se a liberdade de ação for pequena. A crise dos mísseis cubanos é um exemplo de
pressão, pois apesar da URSS ser dona de grande poder militar, recuou seus
navios diante de um adversário igualmente poderoso cuidando de seu “quintal”.
Neste caso ações no campo diplomático e da propaganda são mais eficientes, como
as demonstrações de força e os desdobramentos e retóricas das chancelarias.
Os conflitos propriamente ditos são usados quando o
objetivo tende a ser muito importante, e mesmo o poder militar estando aquém do
desejável, ele preocupa o inimigo. Neste
caso países poderosos aplicam poder militar avassalador como os EUA em sua
invasão ao Iraque e os Nazistas em sua invasão a Polônia, com conflitos sendo
decididos em tempos reduzidos. Conflitos de longa duração são desgastantes e
muito caros, e tendem a ser evitados na atualidade, porém se o objetivo for
muito importante e o poder militar fraco, de ambos os lados, estes tendem a
acontecer. As guerras do Oriente Médio, ainda não resolvidas, são um exemplo
deste conflitos de desgaste. Este tipo de conflito é geralmente norteado pela
estratégia da resistência. Esta estratégia visa degradar moralmente um inimigo
mais poderoso, inflingindo-lhes baixas não decisivas, mas que gradativamente
diminuem sua vontade de lutar. A FNLV (Viet Cong) o EVN usaram esta estratégia
no conflito do Vietnam, e apesar da inferioridade militar, venceram o conflito.
A estratégia da resistência consiste em manter-se operacional, mesmo com meios limitados, estrategicamente manter-se na defensiva evitando-se o dispêndio de recursos que não existem em ações de grande vulto e taticamente na ofensiva com constante fustigação das fileiras inimigas através de ações de guerrilha. Isto obriga o inimigo a dispersas forças e facilita a ação dos atacantes.
Quando o objetivo é importante e os meios limitados, bem
como a liberdade de ação pequena, adota-se a estratégia das ações sucessivas,
onde uma série de ações em todos os campos de atuação possíveis
complementam-se, buscando-se um objetivo final e importante a partir da
conquista de objetivos menores e aparentemente não muito importantes. Ações
políticas, diplomáticas, psicológicas e militares, aplicadas sucessivamente, em
intensidades diferentes, servem de apoio umas às outras. A busca de objetivos
aparentemente não importantes, não despertará no inimigo um grande empenho em
sua retomada; ações militares pontuais, rápidas e violentas consolidarão estes
objetivos que servirão de trampolim para o objetivo final. Esta estratégia
combina a ação direta (militar), o conflito violento, a pressão indireta, e a
estratégia de resistência. As ações políticas, de natureza diplomática e
psicológicas se mostrarão dominantes nesta modalidade estratégica. Esta forma
tende a ser a mais usada na gestão de crises que envolvam o confronto direto
entre forças não hegemônicas, sendo uma empreitada longa e vence aquele que
tiver maior resiliência.








