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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Blindagens Militares **100


Desenfiamento é um termo militar que se refere à organização de uma posição ou formação para proteção contra o fogo inimigo, usando o terreno ou obstáculos para colocar-se fora da linha de visada de armas inimigas, evitando ser atingido pelo seu fogo sem estar protegido por dispositivos do tipo “anteparo”. É o ato de posicionar-se de forma que simplesmente não seja possível que o inimigo o adquira como alvo. Envolve camuflagem, posicionamento em cobertura, manobra ou movimento constante, ou seja, minimizando a visibilidade e o tempo necessário para que uma pontaria seja consolidada.

O desenfiamento é a primeira garantia de sobrevivência de um elemento em combate, porém nem sempre este objetivo poderá ser cumprido, e haverá momentos em que projéteis atingirão seu alvo. Nestes momentos todos aqueles elementos que não contarem com uma couraça adequada tenderão a serem neutralizados.

A blindagem cinética cumpre a função de proteger veículos, instalações e soldados do impacto direto e devastador das armas de fogo modernas, com seus projéteis cinéticos e explosões, aumentando a capacidade de sobrevivência destes em combate. Ela é um elemento central nas estratégias de guerra móvel blindada e na proteção individual dos soldados.

A blindagem surgiu durante a Primeira Guerra Mundial, quando para superar a impasse da guerra de trincheiras travada até então, que só fazia vítimas sem que a situação tática se alterasse de forma a buscar definições, os ingleses lançaram contra seus inimigos o primeiro carro de combate da história moderna. Na forma de um veículo motorizado denominado Mark I, armado com canhões e metralhadoras, e protegido por uma couraça de metal capaz de deter o fogo da infantaria daquele momento. Este veículo, para desespero das fileiras alemãs, podia avançar sobre trincheiras, arame farpado e outros obstáculos impunemente, de forma a dar fluidez e solução aos estáticos embates entre os ocupantes trincheiras daquele conflito. Construído para avançar sob o fogo das armas da infantaria da época, este primeiro carro de combate introduziu o uso da blindagem cinética moderna nos campos de batalha.

Desde então iniciou-se uma disputa de engenharia para vencer o novo desafio. Armas anticarro começaram a ser desenvolvidas, blindagens foram vencidas por estas armas, assim como novas blindagens resistentes a elas armas foram desenvolvidas e assim sucessivamente até os dias atuais. 

Os blindados Mark I, construído com chapas de aço de 6 a 12 mm era invulnerável às armas da infantaria daquela tempo, feitas para perfurar com seus projéteis o corpo humano ou algo um pouco mais duro, e portanto munidas de baixa energia. Como era inevitável, devido a sua baixa velocidade e pioneirismo de seu projeto, logo alguns exemplares foram capturados pelos alemães, quando soldados podiam subir neles e atirar pelas frestas existentes. Logo armas para parar estes veículos foram desenvolvidas, assim como novas versões resistentes a estas armas, corrigindo as deficiências das primeiras versões. Desde a introdução desta blindagem de primeira geração, outras tecnologias foram sendo desenvolvidas e acrescentadas, sem no entanto fazer com que esta deixe de ser usada. A primeira blindagem era constituída por chapas de aço, e as mais modernas blindagens também são constituídas por chapas de aço, com ligas de muito melhor qualidade e com o acréscimo de inovações como veremos a seguir.

As blindagens de primeira geração eram chapas de aço unidas por rebites, que quando impactados, quebravam e eram projetados para dentro, matando ou ferindo os tripulantes. No final da década de trinta ocorreu a primeira grande evolução neste design, quando os russo passaram a soldar as chapas e as montarem com um ângulo de inclinação em relação a trajetória dos projéteis. 

Um impacto que não se dá a noventa graus (ângulo reto) do alvo não tem a mesma eficiência, e portanto pode não perfurar a blindagem. Se penetrar terá que percorrer a chapa blindada em sua diagonal, ou seja, terá que percorrer um caminho maior e consequentemente dissipará mais energia. O simples ato de inclinar a chapa blindada aumenta a sua espessura sem aumentar o peso. Quanto menor for este ângulo, menor a energia dissipada pelo projétil que tenderá a ricochetear em ângulos mais acentuados, e buscar uma nova trajetória. Uma chapa de 50 mm, impactada a 45 graus equivale a uma chapa de 140 mm impactada a 90 graus. O T-34 foi o primeiro carro de combate a usar este tipo de blindagem, que com chapas soldadas de 27,6 mm, tinha o desempenho de uma blindagem de 70 mm graças a sua angulação.

Este padrão de blindagem homogênea predominou durante a segunda grande guerra até a década de 50, sendo que veículos melhor protegidos apenas tinham chapas de aço mais grossas, com consequente ônus no peso do veículo. Porém tornou-se necessário melhorar esta proteção que não mais fazia frente as armas anticarro que eram desenvolvidas, como as panzerfaust alemãs.

Surgiram as homogêneas de segunda geração, blindagens com chapas bimetálicas soldadas e fundidas em forma de sanduíche; sendo a externa de face endurecida por processos térmicos e a outra mais mole e deformável para absorver a onda de choque. esta blindagem passou a equipar os carros de combate no pós-guerra como os Leopard I e M60. 

Porém veio a década de 60 e as blindagens bimetálicas começaram a perder espaço para as ogivas HEAT de carga oca, sendo a popular RPG soviética sua grande representante. Estas munições injetam um jato de alta velocidade de cobre derretido em um pequeno ponto da blindagem, derretendo-o. Em face a esta ameaça os construtores de blindagens introduziram a blindagem espaçada, que nada mais é do que uma segunda blindagem afastada alguns centímetros da blindagem principal. Esta pré-barreira tinha por intenção acionar as ogivas que a impactavam, fazendo que detonassem precocemente, dissipando sua energia em seu rompimento e fazendo com que chegassem a blindagem principal, além de mais tênue com ângulo menor que os eficientes 90 graus ideais. Esta blindagem equipa os Leopard IA5 do Exército Brasileiro.

A década de 70 viu a introdução das cargas em tandem nas ogivas HEAT, onde a primeira carga perfurava a pré-blindagem e a carga principal perfurava a blindagem principal. Estas blindagem permaneceram nos veículos mais leves atuais, sendo os carros de combate, além de incluí-las, passaram a contar com couraças de aço cada vez mais grossas, sendo os carros cada vez mais pesados, onde os explosivos passaram a se mostrar ineficientes.

Contra estes passou-se a utilizar então da força bruta, com as munições de energia cinética (APDSFS). Este tipo de munição sem explosivo, viaja a grande velocidade (1.400 m/s) e ao impactar seus alvos em área reduzidas produziam grande temperatura (cerca de 1.800 graus Celsius) e violenta onda de choque, atravessando todas as camadas de blindagem, e podendo, dependendo do alvo, sair do outro lado a atingir outro carro que esteja atrás do primeiro. Estes projéteis são feitos de materiais muito duros como o carbeto de tungstênio e o urânio exaurido, e tem que ser disparada por canhões de alta pressão que lhe imprimem grande velocidade, necessária à sua eficiência.

Fez-se necessários novos desenvolvimentos para enfrentar esta ameaça, pois as blindagens usadas até então, não mais faziam frente aos projéteis de nova geração. Engenheiros ingleses deram o primeiro passo na 3ª geração de blindagens, inovando com o uso pela primeira vez de materiais não metálicos. Conhecida como blindagem Chobhan, nome da cidade em que foi desenvolvida, estas nova blindagem eram inovadora pois acrescentou aos modelos já existentes novas tecnologias. Consiste de um sanduíche de placas de cerâmica (óxido de alumínio), kevlar, titânio, blindagens espaçadas com placas de borracha em forma de colmeias, e outros materiais, muitos ainda sob um véu de sigilo. Embora os russos com seu T-64 tenham usado cerâmicas, estas só se tornaram eficientes com o arranjo inglês da década de 70. Esta blindagem mostrou-se eficiente contra os poderosos projéteis tipo flecha (APDSFS), além é claro dos projéteis explosivos (químicos), mais fracos.

Os componentes de cerâmica possuem ponto de fusão entre 2500 e 3000 graus. O Impacto da um projétil tipo APFSDS pode gerar uma onda de choque de 3000 graus se parar instantaneamente. A cerâmica, que é 70% mais leve que o aço e tem uma resistência balística (dureza) 5 vezes maior, é montada na parte externa das viaturas a fim de quebrar a ponta dos projéteis, diminuindo dessa forma a pressão que exercerá sobre as placas metálicas e consequente diminuição da temperatura que irá atingir, muitas vezes insuficiente para derrete-las. Não havendo derretimento não haverá perfuração. Porém se passar, camadas de kevlar com suas propriedades tentarão segurá-lo, e se ainda assim continuar penetrando as blindagens espaçadas preenchidas com colmeias de borracha absorverão a onda de choque e dissiparão o calor, evitando a detonação de munição estocada, fatal para a tripulação. Esta borracha age ainda no primeiro impacto atuando como amortecedor daquele primeiro conjunto, provocando uma desaceleração gradual e absorvendo parte da energia. Após ter sua energia diminuída, o projétil encontrará um segundo conjunto de blindagem e o processo recomeçará, desta vez com a energia despotencializada, certamente deformado e sem ponta,  não conseguindo atravessar mais este obstáculo.

As blindagens de 4ª geração são feita de materiais "high tech" e podem ser aparafusadas nas blindagens já existentes ou incorporadas aos novos projetos. A blindagem do Leclerc por exemplo é feita de um material que se expande ao impacto, aumentando sua espessura, do qual se sabe muito pouco. As blindagens aparafusadas podem ser facilmente substituídas em caso de avarias.

Existem ainda outros tipos de blindagem como a blindagem tipo gaiola, que consiste em uma grade de barras espaçadas e se destina na evitar a detonação de projéteis de baixa velocidade, disparados por armas tipo RPG. Ao penetrar na grade, os dispositivos de detonação não batem em nada, e o corpo mais largo do projétil fica preso na grade sem detonar. Este tipo de blindagem está sendo muito usado nas guerras de baixa intensidade, como as do Iraque a Afeganistão.

As blindagens reativas (ERA) são blindagens espaçadas dotada de explosivos que detonam ao impacto, criando uma onda de choque em sentido oposto a trajetória do projétil, contrapondo o jato da explosão e espalhando-o, impedindo de chegar a blindagem principal.

 

A Blindagem Moderna

O maior problema das blindagens é seu peso, pois devem resistir a castigos de grande monta em combate. A blindagem de veículos militares modernos de emprego geral foca em proteger tropas contra ameaças como tiros de armas leves, estilhaços e minas, usando materiais como aço balístico e vidro laminado, com tecnologias que incluem proteção modular, sistemas contra minas (até 6kg de explosivos), sendo mais leves que a blindagem composta de carros de combate principais (MBTs), mas essenciais para mobilidade segura em zonas de combate. Porém devem ter um peso compatível com o emprego do veículo e sua estrutura e potência.

Os tipos de proteção adotados são o aço balístico, onde chapas de aço tratadas termicamente ou com ligas especialmente desenvolvidas para resistir a projéteis de calibres variados e ogiva perfurante (7.62mm, 12.7mm). O vidro balístico se apresentam em múltiplas camadas de vidro e policarbonato. Kits de blindagem adicionais que podem ser acoplados para aumentar a resistência contra ameaças mais potentes (anti-RPG). A proteção contra minas (V-Hull/Piso) visa dissipar a energia de minas terrestres e dispositivos explosivos improvisados (IEDs). Muitos veículos dispõem de filtros e sistemas para proteger contra agentes químicos, biológicos, radiológicos e nucleares (gás, radiação). 

A Blindagem Espaçada

A blindagem espaçada é uma técnica que usa camadas de diferentes materiais (metais, cerâmicas, plásticos, ar) separadas por um espaço, visando desestabilizar ou destruir projéteis, especialmente os de carga oca (HEAT) antes que atinjam a blindagem principal, com composições que variam de placas metálicas simples a módulos complexos com cerâmicas e estruturas elásticas, como a blindagem Chobham (uma blindagem composta de origem britânica), sendo mais leve e volumosa que blindagens homogêneas de peso equivalente, mas eficaz contra ameaças modernas. 

Diferente da blindagem homogênea (uma única placa metálica muito grossa), a espaçada dispõem de espaço vazios, permitindo que o projétil se desloque ou exploda prematuramente. É usada tanto em blindagens mais simples como nas compostas e combina materiais como chapas de aço e cerâmicas extremamente duras, entre outras.

O efeito contra Munição HEAT (Carga Oca) funciona com a camada externa induzindo a carga moldada a detonar prematuramente, espalhando o jato de metal líquido antes que ele atinja a blindagem principal, ou esmagando-o, anulando sua capacidade de penetração. Contra munição cinética (APFSDS) o projétil (ou penetrador) de alta velocidade é desestabilizado, com sua trajetória desviada, e perde energia com sua ponta comprometida ao atingir as diferentes camadas e espaços, reduzindo seu poder de perfuração. 

A blindagem espaçada explora a física da interação projétil-material, usando diferentes densidades e propriedades mecânicas em camadas separadas para neutralizar as ameaças mais modernas, diferentemente da blindagem homogênea que depende apenas da espessura de um único material. 


A Blindagem Composta

A composição exata das blindagens modernas mais avançadas é um segredo militar guardado à "7 chaves"; no entanto, sabe-se que é uma composição de camadas de materiais diversos, que geralmente envolve uma matriz de cerâmica ultradura intercalada com outros materiais, como aço balístico, camadas elásticas/polímeros (borracha/plástico) e, em algumas versões, ligas de urânio empobrecido ou titânio. Elas baseiam-se na combinação de diferentes materiais para oferecer proteção superior contra uma ampla gama de ameaças, especialmente munições de alto explosivo antitanque (HEAT) e penetradores de energia cinética (KE). 

As Camadas de Cerâmica são o núcleo da eficácia destas blindagens e compõem-se de placas de cerâmica extremamente duras, que são a primeira camada a ser atingida após a placa de cobertura. A cerâmica absorve muita energia e se estilhaça com o impacto do projétil, dissipando a força e desestabilizando o jato de plasma de uma munição HEAT e quebrando a ponta dos projéteis cinéticos, aumentando a área onde este vai aplicar sua energia cinética, dissipando seu poder de penetração. 

Uma estrutura metálica (placas de aço) envolvem as camadas de cerâmica ligadas a uma placa de apoio (backing plate), que proporciona integridade estrutural e resistência a fragmentos. Placas de aço são cruciais para a resistência geral. As camadas elásticas (polímeros/borracha) são intercaladas entre as placas de metal, e a função dessas camadas é amortecer o impacto e, crucialmente, permitir que as placas de aço se movam e flexionem para desviar e quebrar o jato formado pelo ataque de munições HEAT. Outros materiais foram adicionados nas versões mais avançadas usadas em tanques como o M1 Abrams dos EUA que incorporam ligas de urânio empobrecido para proteção adicional, enquanto o Challenger 2 britânico pode usar inserções de tungstênio. 

Esta blindagem funciona como um "sanduíche" de materiais que combinam propriedades diferentes para resistir à penetração: a dureza da cerâmica, a tenacidade do aço e a flexibilidade das camadas elásticas que trabalham em conjunto para deformar, quebrar e dissipar a energia do projétil, tornando-a muito mais eficaz do que uma blindagem de aço maciço de peso equivalente. Versões de natureza modular (em "tijolos" ou módulos) permite a sua substituição em campo se danificada. Estas versões compostas são mais pesadas e geralmente equipam MBTs, e veículos derivados destes.


A Blindagem Reativa

A blindagem reativa é um sistema de proteçãoque usa blocos com explosivos (ERA) ou materiais não explosivos (NERA/NxRA) para neutralizar projéteis antitanque, como os de carga moldada, detonando em reação ao impacto (em direção oposta) para dissipar a energia do projétil e impedir a perfuração. Existem variações explosivas (ERA/SLERA) e não explosivas (NERA/NxRA), sendo as não explosivas capazes de resistir a múltiplos impactos, enquanto as explosivas são de uso único por local, mas mais eficazes contra certos tipos de ameaças, como os projéteis APFSDS. 

Contra Cargas Moldadas (HEAT) ela faz detona um explosivo (em ERA) ou a reação do material (em NERA/NxRA) que faz com que uma placa metálica se mova rapidamente, interceptando e desviando o jato de plasma do projétil, que é o principal mecanismo de perfuração. Contra penetradores de energia cinética (APFSDS) a explosão gera estilhaços que atingem o projétil, diminuindo sua velocidade e energia, e desviando-o, embora sejam necessários blocos maiores e mais potentes para isso. 

Estas blindagens aumentam drasticamente a proteção do veículo contra armas antitanque, como RPGs, a um custo relativamente baixo em comparação com blindagens espessas, a um peso reduzido. Pode ser "derrotada" por munições de carga em tandem (duas cargas ocas em sequência) ou múltiplos tiros no mesmo ponto, comprometendo a blindagem naquele local. 


O Blindagem Tipo Gaiola (slatted/cage armour)

Esta blindagem é projetada especificamente para proteger veículos blindados contra granadas antitanque tipo RPG (sigla em inglês para Rocket-Propelled Grenade). Atua como uma forma de blindagem espaçada, que funciona provocando detonação Prematura. A estrutura de barras ou ripas metálicas é projetada para fazer com que a ogiva do RPG colida e detone a uma distância segura da blindagem principal do veículo. Quando a ogiva detona longe da superfície, o jato de material fundido, que é o principal responsável por penetrar a blindagem, perde rapidamente energia e foco na distância entre a gaiola e o veículo (em centímetros), que reduz drasticamente seu poder de penetração. 

Este tipo de blindagem é comumente instalado em veículos mais leves, como viaturas blindadas de transporte de pessoal e caminhões militares, que não possuem blindagem principal espessa suficiente para suportar um impacto direto de um RPG. É uma solução de proteção adicional eficaz e relativamente leve em comparação com a adição de mais chapas de aço.  É uma solução de defesa relativamente leve e de baixo custo, eficaz contra uma ameaça específica e comum em conflitos modernos. É menos eficaz contra outros tipos de ameaças, como projéteis de energia cinética, e ainda há a possibilidade de a ogiva passar pela abertura da gaiola sem detonar ou a estrutura ser danificada após múltiplos impactos. 

O Kevlar

O kevlar é uma fibra sintética de aramida, incrivelmente resistente e leve, conhecida por ser 5 vezes mais forte que o aço por peso, usada em coletes à prova de balas, equipamentos de proteção, reforço de pneus, cabos e até em componentes aeroespaciais para proteção contra impacto e calor. Sua força vem de uma estrutura molecular com fortes ligações, que absorve e dissipa energia, tornando-a ideal para blindagem e segurança.  Agrega alta resistência a impactos, cortes e perfurações, com resistência à tração superior ao aço. Leveza, que aumenta o conforto em equipamentos de proteção e reduz o peso em composições para veículos, possuindo resistência ao calor. 

É utilizado em blindagens de veículos militares principalmente em aplicações que requerem uma combinação de alta resistência balística, leveza e flexibilidade. Seu uso é focado em proteger contra disparos e estilhaços, sem adicionar o peso excessivo do aço balístico tradicional em todas as áreas. 

É usado em veículos para blindar de áreas específicas. Em vez de revestir todo o veículo apenas com aço pesado, o Kevlar é usado em camadas finas e sobrepostas em áreas críticas para fornecer proteção contra calibres específicos. Isso ajuda a manter o peso total do veículo gerenciável, o que é crucial para a mobilidade militar. É muito eficaz em conter estilhaços de explosões ou fragmentação de projéteis, que podem ser tão perigosos quanto o impacto direto dos projéteis. Mantas de Kevlar são frequentemente usadas como revestimento interno para mitigar os efeitos de "spalling" (a projeção de fragmentos do próprio material blindado para dentro do veículo após um impacto), aumentando a segurança dos ocupantes. Pela sua leveza é utilizado na fabricação de componentes que exigem proteção, mas onde o peso é uma restrição severa, como em certas partes da fuselagem de aeronaves militares ou portas e pisos de veículos.

O  Kevlar permite um design de blindagem mais inteligente e eficiente, onde a proteção é otimizada pelo peso e flexibilidade do material, complementando outros materiais como o aço balístico e vidros blindados.


Sistemas de Proteção “Soft Kill”

Sistemas Soft Kill são contramedidas de defesa que visam interferir ou enganar sistemas de armas guiados (mísseis, drones), fazendo com que errem o alvo, em vez de destruí-los fisicamente (hard kill). utilizam técnicas como(interferência eletrônica (jammers) e decoys (iscas eletrônicas), cortinas de fumaça/chaff (obscurecimento), laser (ofuscamento de sensores) ou decepção IR para mascarar o alvo, garantindo a sobrevivência do veículo ou embarcação com um custo menor e mantendo a integridade da ameaça para análise posterior, como os sistemas MUSS e Shtora-1. Sensores (Laser Warning Sub-Systems - LWSS) detectam a aproximação de uma ameaça guiada (laser, infravermelho, etc.) e identificam a direção e tipo de ameaça, aplicando em seguida a contramedida disponível mais adequada.

Como exemplo destes sistemas temos o Shtora-1 russo que usa jammers infravermelhos potentes e ofuscadores para mísseis SACLOS (Comando Semiautomático na Linha de Visão). O MUSS (Hensoldt) que é um sistema modular para veículos de combate, e combina detecção e contramedidas como fumaça e jammers, e o LEDS 50 MK2 da Saabm que é um sistema terrestre que detecta e obscurece ameaças. Geralmente são mais baratos que sistemas hard-kill, permitem coletar inteligência sobre a ameaça, pois o míssil não é destruído. Podem ainda lidar com múltiplas ameaças e são mais fáceis de integrar em diversas plataformas.

Sistemas soft-kill são uma camada essencial de defesa, complementando as medidas hard-kill para aumentar a capacidade de sobrevivência de veículos e plataformas em ambientes de combate modernos. São complementos e não substitutos das blindagens “Hard Kill”.

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