FRASE

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Aviação do Exército - Possibilidades #088


A não linearidade dos combates modernos veio a enaltecer o papel da aviação orgânica das forças terrestres, que desempenham um papel de grande importância na atualidade, seja como burros de carga, plataformas de fogo, olhos de tudo veem ou táxis de campo de batalha. Seja apoiando operações com linhas de contato definidas ou totalmente dispersas, a flexibilidade proporcionada pela aviação do exército constitui fator imprescindível aos comandantes modernos.

A aviação orgânica dos exércitos permite as estes a ampliação da área de interesse para a manobra terrestre, sem depender da disponibilidade dos meios da força aérea, nem sempre presentes. Possuir meios aéreos próprios permite aos exércitos flexibilidade e prontidão em suas respostas a demanda dos combates modernos.



Os meios aéreos de um exército constituem-se em fator multiplicador do poder de combate, podendo atuar em profundidade dentro de área de operações, possibilitando um grande número de opções táticas aos comandantes militares, desembarcando tropas e as recolhendo em pontos capitais afastados, efetuando bloqueios e combatendo em pontos chave inacessíveis a forças que se deslocam por terra, antecipando sua ocupação ao inimigo. Áreas com características restritivas de mobilidade como selvas tropicais, áreas montanhosas ou regiões com grande extensões alagadiças demandam o apoio de meios aéreos para o rápido deslocamento de tropas e outros meios e recursos. A infiltração e exfiltração de forças especiais e pequenos contingente cumprindo missões especiais de grande importância são missões especialmente adequadas a aviação do exército.

Outra possibilidade tática dos meios aéreos de grande valor para a força terrestre é a capacidade de observação a partir do alto, dispensando a necessidade de posse de elevações que podem estar em poder do inimigo, permitindo a avaliação da situação tática em tempo real, e a constate vigilância dos meios aéreos os torna aptos a prover alerta antecipado ao esforço principal do inimigo, com grande antecedência. Comandar do alto é de grande valia para qualquer comandante militar e a capacidade se estabelecer postos de comando aeromóveis traz grandes facilidades a esta função, fazendo com que os comandantes possam deslocar-se enquanto dirigem uma manobra, simplificando as ligações de combate e inteligência eletrônica.



De posse de uma mobilidade sem igual, as forças aéreas de um exército podem de uma forma rápida redirecionar a pressão sobre o inimigo a partir de uma nova possibilidade tática decorrente da evolução do combate, aproveitando os erros do inimigo ou corrigindo os reveses da própria força, flexibilizando a manobra.  Atuando como artilharia aérea pode prover apoio de fogo a tropas em dificuldades ou que solicitem seu apoio a fim de facilitar o cumprimento de sua missão, bem como engajar forças inimigas a partir do alto, como colunas blindadas ou não em avanço.

Outra função muito útil é a capacidade de reorganizar rapidamente os meios de apoio ao combate, como morteiros e artilharia, radares de vigilância e equipamentos leves de engenharia. Auxiliar na transposição de grandes cursos d`água, transpondo tropas para a outra margem para assegurar a cabeça de ponte necessária a esta operação, que de outra forma teria que ser feita pelo vulnerável método de transposição com barcos. Além destas tarefas pode ainda atuar na suplementação do apoio logístico a forças mais afastadas e de paraquedistas por exemplo, que podem estar isoladas em território inimigo, e ainda reforçando eixos de suprimento interrompidos pelo inimigo até que possam atuar por conta própria. Pode ainda prover ressuprimento imediato a tropas sob pressão e que necessitem de munição urgente.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Operações em Áreas Fortificadas 087



Áreas fortificadas são áreas que se caracterizam por um grande número de trabalhos de engenharia de combate efetuados no terreno em largura e profundidade, de forma organizada e com seus dispositivos proporcionando proteção mútua uns aos outros, com finalidade defensiva.

Assim podemos ter por exemplo, campos minados para proteção anticarro com minas antipessoal para evitar que sapadores desarmem as minas anticarro. Este campo por sua vez pode ter ao fundo posições de metralhadoras dentro de espaldões protegidos por sacos de areia alvejando qualquer indivíduo que ouse tentar seu desarme. Adjacente a este campo podem ser montados fossos anticarro, ou ainda ser desdobrado imediatamente na margem oposta de um curso d’ água de grande porte. A retaguarda podem ser posicionadas baterias de artilharia de alcance superior para fogo de contrabateria, afim de impedir que a artilharia inimiga provoque a abertura de uma brecha neste campo “a bala”.

Raramente se desdobra uma posição constituída por um único elemento.



Estas áreas proporcionam aos defensores proteção eficaz com grande economia de forças, pois qualquer tentativa de rompimento se constitui num grande esforço de engenharia de combate feito sob fogo cerrado com duvidosas chances de sucesso, dependendo é claro dos meios do invasor e da sofisticação da posição defensiva. 

Fortificações de campanha podem ter caráter permanente contando com casamatas de concreto e instalações sofisticadas ou disporem apenas de meios de campanha para rápido abandono em caso de rompimento. Devem contar com postos de vigilância, malha viária para rápida alocação de tropas, comunicações eficazes e reservas altamente moveis localizadas em posições centrais com acesso rápido aos pontos onde se fizer necessária. 

Todos os elementos de uma posição fortificada devem contar com meios de cobertura mútua, seja no combate ao seu rompimento, seja no seu deslocamento interno. É de suma importância que estas áreas sejam desdobradas de tal forma que seu cerco seja pouco provável, pois o rompimento de suas linhas de comunicações pode resultar no isolamento de suas forças com conseqüente comprometimento do poder de combate por falta de munição e víveres, pessoal e equipamento caso não seja possível seu ressuprimento.



As forças em geral tendem a evitar combater nestas áreas, sendo elas especialmente adequadas a proteção de áreas de retaguarda e desdobramento logístico. Quando o combate é inevitável, as forças tendem a fixar estas posições com forças menores, dirigindo o esforço principal para áreas mais distantes e decisivas. A forma mais adequada de engajar estas áreas é através de um cerco e incisões pelos flancos e retaguarda.

O ataque a uma área fortificada geralmente obriga o inimigo a emassar-se e constituir-se em alvo de grandes proporções, adequado, por exemplo a ataques aéreos pela aviação dos defensores. Este ataque demanda esforços de grande proporções provocando o enfraquecimento dos atacantes e tornando-os vulneráveis a contra-ataques. Por outro lado o inimigo pode bater estas áreas com sua artilharia ou aviação de ataque e bombardeio, ou ainda desbordá-las e preocupar-se com elas no futuro.

Estas posições permitem economia de forças nas áreas avançadas, disponibilizando  reservas proporcionalmente maiores para contra-ataques por forças altamente móveis e agressivas.

Vale lembrar que as grande fortificações estáticas de segunda grande guerra, como a linha Maginot ou a muralha do atlantico tornaram-se obsoletas com o advento da táticas e armas de guerra de movimento.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Fogos de Artilharia de Campanha #086



O combate terrestre é um bem orquestrado conjunto de ações, que quando desencadeado, transforma-se numa caótica disputa aparentemente desorganizada e sem qualquer coordenação. Aqueles que conhecem, pelo mínimo que seja, como os militares se comportam sabem que nada se faz sem que um plano tenha sido concebido, seja ele um plano relâmpago ou bem elaborado, procurando cercar de todas as formas os meandros de qualquer operação, antecipando suas conseqüências e reduzindo o risco, além de buscar o meio mais rápido de alcançar seus objetivos.

Um dos fatores predominantes em qualquer campo de batalha é o uso do fogo, que aliado a manobra, constituem-se no binômio onipresente em qualquer combate moderno. O fogo é usado de forma direta pelas armas-base (infantaria e cavalaria) com seus fuzis, metralhadoras e carros de combate; que o endereçam a seus alvos enquanto se movem pelo terreno, em movimentos programados quase sempre contando com a cobertura de suas forças.



Porém a arma terrestre que emprega o fogo como seu argumento final é a poderosa artilharia de campanha, capaz de desdobrá-lo em largas frentes e grandes profundidades, podendo sem mudar de posição, realocá-los a vários quilômetros de distância e em seguida buscar um novo alvo muito longe deste último.

Trabalhando em íntimo contato com as armas-base, a artilharia de campanha quase sempre executa seus fogos em proveito e a pedido destas, atirando por sobre suas cabeças e alvejando com precisão áreas imediatamente a frente das tropas amigas.

Postada quilômetros a retaguarda das linhas de contato, a artilharia tem por característica manter um constante volume de fogo para que as armas-base possam avançar por sobre uma resistência debilitada e desorganizada, facilitando sobremaneira o trabalho destas. A artilharia de campanha, sempre a retaguarda, precede com seus fogos o avanço das armas-base, para que estas possam atravessar ruínas dos dispositivos defensivos, alvejando com seu armamento os alvos que sobrarem.



Denominado apoio de fogo, a missão da artilharia de campanha conta com um bem estruturado sistema de controle e coordenação de suas missões de tiro, que devem ser sincronizadas com a manobra geral e coordenadas pelo seu sistema de observação e cálculo.

Sob os aspecto tático os fogos da artilharia de campanha, que é o nome que se atribui ao conjunto de tiros destinados a uma finalidade comum, se classificam em fogos de apoio, de contrabateria e aprofundamento do combate.


Fogos de apoio: 

São os fogos desencadeados em proveito das unidades em contato direto com o inimigo, em alvos próximos que possam ameaçar a forças amigas, e cuja finalidade é minimizar o risco e o esforço destas unidades no cumprimento de suas missões. Estas missões tem como alvos tropas inimigas, radares de campo, colunas de carros de combate em contato com forças amigas, armas anticarro, e outras.

Fogos de contrabateria: 

São os fogos que tem por alvos os sistemas de artilharia e apoio de fogo do inimigo, e devido a localização destes sistemas devem ser executados por material de maior alcance, normalmente alocados as unidade de artilharia de escalões superiores. Os alvos dos fogos de contrabateria são os morteiros, artilharia de tubo e de foguetes inimigos.

Fogos de aprofundamento: 

São os fogos efetuados bem a retaguarda do dispositivo inimigo e visam provocar desorganização nos sistemas de comando e controle, depósitos de combustível e munição e outras instalações logísticas, inviabilizar área do campo de batalha e de retaguarda ao movimento inimigo e outros alvos que não envolvam os combates junto as linhas de contato. Exigem normalmente material de grande alcance.



quinta-feira, 30 de maio de 2013

Áreas Estratégicas #085




Uma campanha militar se baseia em 2 pilares estratégicos: Debilitar a capacidade de resposta do inimigo, seja por ação militar direta contra suas forças ou pela frustração de sua logística, atuando junto a fornecedores, unidades, e rotas; e pela ocupação e domínio de suas áreas estratégicas, privando-lhe de estruturas vitais como usinas de energia e fornecimento de combustíveis, por exemplo. Ocupar um terreno, por exemplo por onde passa uma estrada importante ao seu suprimento pode inviabilizar a manobra das unidades que estão do outro lado.

A contra ofensiva das Ardenas em 1944 visava privar as forças aliadas do porto de Antuérpia, importante para dar fôlego ao avanço das forças de Eisenhower, assim como o desembarque na Normandia tinha como seu objetivo imediato conquistar o porto de Cherbourg. Identificar estas áreas é de vital importância a estratégia militar. Sejam áreas próprias que devem ser defendidas, ou inimigas que devem ser conquistadas. A conquista de uma área importante pode abreviar uma campanha, evitar a perda de muitas vidas e economizar recursos valiosos.

Áreas estratégicas, na conotação militar, são àqueles espaços que demonstram maior importância para a atividade militar, e cuja perda ou privação de seu domínio trás enormes prejuízos a esta atividade. Toda campanha militar visa o domínio destas áreas, que podem estar em território nacional e tem que ser preservadas, ou em território além-fronteiras que devem ser conquistados ou cedidos ao uso, que em última análise é a razão de ser da campanha. Cabe às forças engajadas de cada lado manterem o domínio nestas áreas, se não for possível na totalidade do território, pois é a partir delas que qualquer reação a uma ocupação deverá se iniciar.

Assim temos, só para tomar como exemplo, os canais do Panamá e Suez por onde passa grande parte do comércio mundial; Os estreitos de Gibraltar e Ormuz, este último importante rota de petroleiros; os cabos Horn e da Boa Esperança, também passagens importante de navios; Os terminais portuários de Roterdã para a Europa, Santos para o Brasil e de Xangai para a China. Em um nível mais pontual temos as elevações que abrigam estações de radar e se prestam a observação, os túneis que atravessam grandes elevações, os aeroportos e troncos ferroviários, áreas industriais de base e interesse militar, entre outras.


Outras áreas são estratégicas por constituírem grandes obstáculos, como a grande depressão de Qattara na Líbia que afunilou a manobra durante a II Guerra, o deserto do Saara, o gelo polar ártico que impede o uso de bases navais russas no norte, a floresta amazônica de estradas escassas que condiciona sua transposição ao uso de vias fluviais, as grandes cordilheiras e outros, que não necessitam serem defendidos pois já os fazem por seus próprios meios.

Também podemos considerar áreas estratégicas espaço não físicos, como a pré-disposição de um país fornecedor de armas em continuar a fazê-lo, a capacidade de acesso a informações vitais, por exemplo.

O planejamento militar de uma nação visa a preservar estas áreas, priorizando sua defesa em detrimento de outras, pois sua interdição pode significar o derrota. Os tempos modernos atribuem grande importância aos centros urbanos, onde estão a principais indústrias e centros de comando e comunicações.

Áreas Estratégicas de Interesse Militar

São consideradas áreas estratégicas de interesse militar:
* Regiões de fronteiras, por onde possam entrar e sair drogas, armas e outros materiais      não autorizados;
*   Pontos de acesso a área de operações e de interesse;
* Aquartelamentos e bases militares, principalmente aqueles de maior importância a proficiência operacional das forças-armadas;
* Centros de comando, controle e comunicações que servem às forças-armadas;
* Centros de pesquisa e tecnologia de interesse militar;
* Centros industriais, tanto de importância militar como de industria de base;
* Capitais e centros de governo, estruturas e instalações de comando e controle de forças militares;
* Estradas, nós rodoviários e ferroviários, portos e aeroportos, e outros terminais que possibilitem mobilidade ás forças operativas;
* Centros de produção e distribuição de energia e de tratamento de água;
* Refinarias, plataformas petrolíferas e centros de distribuição de combustível;
* Grandes aglomerações urbanas;
* Gargantas, istmos, canais, elevações, túneis, viadutos e pontes, rios e deltas, áreas oceânicas e outros acidentes geográficos que possam ser úteis e necessários a operação das forças-armadas.
* Outras áreas que se revelem importantes a operação de forças militares de acordo com o contexto de cada situação.

Basicamente, todas as operações militares se dão na defesa ou conquista destas áreas estratégicas, ou ainda sobre algum fator localizado dentro delas. Cabe aos planejadores das forças-armadas sua identificação e formulação de suas hipóteses de emprego em ações dentro destas áreas.



sábado, 4 de maio de 2013

O Moderno Combate Blindado #084



O combate terrestre moderno, quando travado em terreno favorável e livre de grandes obstáculos, é invariavelmente dominado pelo elemento blindado. Forças blindadas caracterizam-se pelo combate ofensivo, onde se procura impor ao inimigo um ritmo intenso, com pouquíssimo tempo para reagir e pensar, protagonizados por carros de combate capazes de suportar um atrito extremo, manobrando com grande ímpeto em ações simultâneas em toda a extensão de uma área de combate. 


Cobrindo grandes distâncias em pequenos espaços de tempo, as forças blindadas valem-se do altíssimo poder de fogo de seus carros de combate, proporcionado por seu armamento de tubo. Capazes de disparar projéteis a grandes pressões e consequente devastador poder de penetração, procuram pelos pontos mais vulneráveis do dispositivo inimigo a fim de penetrar em seus flancos e retaguarda sempre menos protegidos.

O carro de combate moderno é uma arma altamente letal, capaz de acertar seu objetivo tanto parado como em movimento, sempre no primeiro disparo e com pouquíssima probabilidade de erro, graças aos seus  computadores balísticos e sensores que orientam o disparo preciso de projéteis devastadores capazes de penetrar blindagens espessas.




Caracterizado pelo conceito das armas combinadas, onde uma ponta de lança blindada avança apoiada por elementos multiplicadores de seu poder de combate, o carro de combate demanda contramedidas pesadas para ser detido. Assim se faz necessário a presença da engenharia de combate demovendo os obstáculos ao avanço, a cobertura proporcionada pela aviação de apoio e pela artilharia de campanha "amaciando" o terreno por onde os blindados passarão, a cobertura aérea proporcionada pela artilharia antiaérea que os acompanha em um nível mais próximo e pela aviação de superioridade aérea que procura formar um "guarda-chuvas" defensivo em torno deles, a infantaria blindada que lhes serve de guarda-costas impedindo que elementos pouco visíveis (infantaria inimiga) os aborde e ataquem seus pontos vulneráveis com armas anticarro portáteis. Toda esta atividade deverá ser convenientemente suprida e assistida por adequada capacidade logística, provendo combustível e munição onde forem necessários e nas quantidade requeridas, quantidades estas significativas.



Todo este sistema de combate é extremamente dependente de comunicações eficientes e seguras, proporcionando capacidade de comando e controle para direcionar estas forças combinadas para onde forem mais necessárias e de forma sinérgica. Não menos importantes são os serviços de inteligência militar e busca de alvos, que fornecem os subsídios a operação destas forças, provendo em tempo real as informações de onde está o inimigo e que tipo de ameaça se irá enfrentar.




Esta manobra deverá caracterizar-se pelo ímpeto e pela iniciativa, em ações conduzidas com audácia e flexibilidade, aplicando seu poder de fogo de forma violenta e precisa frente as ameaças que vão se configurando no decorrer da manobra, que deve ser coordenada e sincronizada no tempo e no espaço.

O contínuo movimento caracteriza uma condição de baixa vulnerabilidade e alto fator de incerteza as defesas inimigas, evitando que estas retomem a iniciativa das operações. A presença das ações de guerra eletrônica limitando as comunicações, exigem rapidez e uma evolução constante da situação tática, onde as capacidades de liderança dos comandantes de campo serão fundamentais, pois as ligações com o escalão superior poderão estar prejudicadas.




Cabe as forças blindadas a função de encontrar o inimigo e estabelecer o contato com ele, fixando-o, manobrando a fim de penetrar seu flanco, desordenando seu sistemas de comando e controle, apoio ao combate e logístico, deixando o seu dispositivo mais vulnerável a ação da infantaria que vem logo atrás para ocupar o terreno e estabelecer seu domínio.




O uso de forças blindadas está diretamente relacionado a presença e uso de malha rodoviária. Embora os veículos sejam concebidos para serem usados em condições "off-road", as condições meteorológicas podem restringir seriamente a mobilidade destes e dos imprescindíveis veículos de apoio logístico, normalmente deslocando-se sobre rodas. Outro fator fundamental a mobilidade blindada, além da rede de estradas, é o domínio dos pontos de travessia de cursos d´agua (pontes) em condições  de suportarem o peso dos carros de combate, que em alguns modelos pode chegar a 70 toneladas. A indisponibilidade destes pontos de travessia demanda esforços de engenharia para tal, operação complexa e de alto risco.

As unidades operadoras de carros de combate normalmente são empregadas como ponta de lança de ataques de suas grandes unidades, utilizando-se das universais características destes que são o alto poder de fogo aliado a forte proteção blindada instalados sobre um chassi que permite ao conjunto altíssima mobilidade. São capazes de avançar sobre o dispositivo inimigo sob apoio, enfrentando outros carros de combate inimigos e penetrando em profundidade sobre seu dispositivo, desorganizando sua defesa e abrindo brechas para a infantaria aplicar seu poder de combate. Em outras situações as forças de carros de combate podem permanecer em reserva para emprego imediato a disposição do comando para aproveitar situações que se configurem, reforçar pontos sob pressão mais intensa e prover a segurança de flanco e retaguarda, sempre pronta a lançar contra-ataques e mudar seu perfil operacional.



O combate moderno ser caracteriza pela continuidade das operações, não mais existindo pausas pela chegada da noite. Manter pressão constante sobre o inimigo é necessário de forma a impedir que se reorganize ou entre em manobra de retirada, que deve sempre ser contida. Recursos tecnológicos que permitam o combate noturno são fundamentais para se habilitar a tal condição.



Forças blindadas operam com excelência, como já foi dito em terreno providos com malha viária, porém podem operar com eficiência fora dela em terrenos relativamente planos e que propiciem poucos obstáculos. Regiões de selva, de montanha, pantanosas e similares são totalmente inviáveis ao emprego deste tipo de força. Combates em ambientes urbanos são limitados devidos a pobreza dos campos de tiro e observação e a vulnerabilidade inerente que as ruas proporcionam aos carros de combate, que operam em apoio a infantaria.





sábado, 27 de abril de 2013

Táticas de Ataque ao Solo #083




Adaptação do C-44-1 do EB

As aeronaves de ataque ao solo utilizam-se, no cumprimento de suas missões de bombardeio, de diversas táticas e procedimentos para se aproximar de seus alvos e desferir seu golpe mortal. Estes procedimentos visam alcançar o máximo de eficiência tática no sentido de surpreender as defesas, obter o máximo de segurança para a aeronave e sua tripulação aos mesmo tempo que se procura inflingir os danos planejados ao inimigo.

No estudo da tática de ataque que adotarão, entre outros fatores, os pilotos devem:
  • estudar com detalhes a localização de seu aeródromo em relação ao alvo,
  • a altitude de penetração que proporcione maior segurança e surpresa e ao mesmo tempo atenda os requisitos técnicos do voo,
  • a formação que devem adotar
  • os tipos de aeronaves que comporão a força de ataque,
  • a existência e características das baterias antiaéreas,
  • a presença de aeronaves AEW e caças de defesa aérea,
  • os pontos de reabastecimento em voo,
  • os aeródromos alternativos para pousos de emergência
  • as características do terreno que proporcionem cobertura e representem perigo de colisão,
  • as táticas e procedimentos adotados pelo inimigo;


AERONAVES DE ASA FIXA


As aeronaves de asa voam suas missões de acordo com os objetivos a atingir, o seu desempenho em combate, o número possível de surtidas diárias, seus sistemas de armas e o sistema de defesa do inimigo. Além disso, combinam ainda o uso de CHAFF e FLARES, dispositivos passivos com o intuito de defender as aeronaves atacantes do acompanhamento de radares e do engajamento de mísseis guiados por infravermelho.

Os horários mais utilizados para as missões de ataque são o nascer e o pôr do sol, nas rotas leste-oeste, com o sol nas costas da aeronave atacante. Tal medida visa dificultar a observação visual, podendo ser eficiente contra mísseis portáteis que necessitam de um determinado ângulo de tiro em relação ao sol para disparar. Além disso, ao amanhecer os pilotos inimigos estão mais descansados e suas Aeronaves reparadas, com tanques plenos e totalmente armadas.

O número de aeronaves atacantes varia de acordo com a capacidade das Aeronaves e a missão a cumprir. Atualmente, a unidade tática básica, isto é, aquele número mínimo de Aeronaves capazes de cumprir uma determinada missão, é a esquadrilha, composta por 4 (quatro) Aeronaves. Há estudos para a diminuição deste número à medida que os novos projetos se refinam tecnologicamente. Um exemplo disto é o F - 117 NIGHTHAWK, que realiza seus ataques sozinho. Contudo, em relação a Aeronaves convencionais, dificilmente haverá uma atacante.





O ataque a baixa altura é um tipo de incursão executada praticamente por todas as forças  aéreas. Nela, as aeronaves voam muito baixo, chegando a voar a 50 m de altura, junto a copa das árvores, aproveitando-se das dobras do terreno, como vales e ravinas, para se furtar à detecção e aos caças inimigos, obtendo, deste modo, o máximo de surpresa possível numa situação de equilíbrio aéreo. A navegação é feita até um ponto nítido no terreno, conhecido como ponto inicial (Pl), situado entre 3 (três) e 5 (cinco) min de vôo (cerca de 45 a 75 km) do objetivo. A partir do Pl, as aeronaves atacantes aproam diretamente para a área do alvo.





O ataque a média altura é de privilégio de poucas forças aéreas, pois são necessárias duas condições básicas para sua execução.

  • A primeira delas é de ordem tática: a certeza da obtenção e manutenção da superioridade aérea, não mais contando o inimigo com seus esquadrões de interceptação ou artilharia antiaérea de média altura.
  • A segunda diz respeito ao grau tecnológico das aeronaves atacantes que necessitam de computadores de bordo aptos a realizarem os cálculos de tiro continuamente (função CCIP -” CALCULED CONTINUOUS IMPACT POINT) e aparelhos de pontaria adequados. Normalmente, os ataques a média altura têm sua eficácia aumentada pelo uso de bombas inteligentes. Em média, o mergulho é iniciado a uma altura de 4.500 m (podendo estar a alturas maiores), ficando a recuperação a, no mínimo, 3.000 m, com o intuito de fugir do envelope de emprego da artilharia antiaérea de baixa altura. Esta tática de ataque foi utilizada com sucesso nos ataques aéreos a BAGDÁ na Guerra do GOLFO.



O ataque “STAND - OFF” é uma tática de ataque que está se tornando objeto de aperfeiçoamento constante por diversas forças aéreas. Nesta situação, a aeronave atacante realiza o lançamento de seu armamento fora do envelope de emprego da artilharia antiaérea, como forma de minimizar o engajamento de suas aeronaves, evitando assim perda de pilotos e conseqüente influência negativa na opinião pública de seus países.



Porém, este tipo de ataque requer aviônicos sofisticados para navegação, localização dos alvos e direcionamento dos sistemas de armas. 



Estes, constituem-se de mísseis superfície-ar, de alcance cada vez maior, e bombas guiadas que são lançadas cada vez mais longe e de qualquer posição que a aeronave se encontre, não necessariamente em ângulo de mergulho, após uma penetração a baixa altura. Isto permite uma exposição mínima dos atacantes e melhor aproveitamento do terreno para sua evasão.


Os ataques com defasagem entre aeronaves no momento do ataque é utilizada com o intuito de evitar que uma determinada aeronave adentre o envelope de fragmentação das bombas lançadas pela aeronave antecessora.

Deste modo, a defasagem pode acontecer de três maneiras:

  • Defasagem lateral: Nesta situação, as aeronaves atacantes estarão dispostas lateralmente, numa distância variável, de acordo com o envelope de fragmentação das bombas utilizada.
  • Defasagem em altura: Tal qual a anterior, a defasagem aqui é feita por uma diferença de altura entre as aeronaves atacantes, onde a primeira ataca na altura mais baixa possível.
  • Defasagem temporal: Nesta modalidade, as aeronaves estão atacando vindas de uma mesma direção, havendo uma diferença de 25 a 30 segundos entre duas aeronaves subsequentes.

Ataques a qualquer tempo e durante a noite são utilizados procurando se furtar cada vez mais ao engajamento por meios aéreos e antiaéreos. As aeronaves atacantes passaram a buscar a escuridão da noite e as condições meteorológicas adversas para aumentar sua amplitude de atuação. Já na década de 60, durante a Guerra do VIETNÃ, as aeronaves norte-americanas A6 “lntruder” realizavam missões de ataque ao solo desta maneira. Contudo, a atuação sob estas condições depende da sofisticação dos aviônicos de bordo e de acurado adestramento das equipagens de combate.


No ataque a qualquer tempo ou em condições meteorológicas adversas, uma aeronave atacante terá que, primeiramente, navegar praticamente por instrumentos. Isto inclui o uso de sistemas que se complementam tais como de navegação inercial, GPS, radar-altímetro (que permite a obtenção constante da altura de vôo), radar topográfico (que permite a realização do mapeamento do terreno) e o uso de cartas digitalizadas que permitam a introdução de missões pré-planejadas nos computadores de bordo. Além disso há a questão da localização e pontaria para o alvo, que poderão ser feitas por um radar de bordo de alta resolução, sensores infravermelho e laser.

O ataque noturno requer, além das condicionantes anteriormente expostas, o uso intensivo de sensores infravermelho que gerem uma imagem térmica do alvo, como é o caso do FLIR (Forward Looking lnfra-Red), permitido assim, que o piloto “veja” sua rota de navegação e o alvo a atacar com um grau de nitidez considerável.



A supressão de Defesas Antiaéreas é uma das modalidades de ataque ao solo. As defesas antiaéreas constituem-se um alvo de grande valor para a aviação. Num objetivo defendido por artilharia antiaérea, a missão de supressão certamente antecederá o ataque propriamente dito. Para a execução deste tipo de missão, o inimigo aéreo utilizará, em primeiro lugar, mísseis antiradiação contra os radares antiaéreos. Para este ataque, podem ser utilizadas bombas incendiárias e de feixe, valendo-se da surpresa proporcionada pelas primeiras e do tamanho da área atingida, proporcionada pelas segundas. Muitas forças aéreas possuem esquadrões especializados neste tipo de missão.

O ataque de diferentes direções visa confundir as defesas antiaéreas, inclusive com a utilização de fintas. As Aeronaves atacantes podem vir de diferentes direções simultaneamente e, de acordo o objetivo, utilizar-se de armamento diferenciado com suas respectivas técnicas de ataque. Tomemos como exemplo uma ação contra uma base aérea, onde existem pontos-chave como pista, pátio de estacionamento, hangares e estação de radar, batidos por diferentes formações.


AERONAVES DE ASA ROTATIVA

Os helicópteros são vetores de combate extremamente versáteis, presentes em qualquer conflito moderno. Fruto disto, seguem-se algumas de suas táticas:

Influência do terreno: Geralmente, o terreno não se constitui num problema para o helicóptero. Quando do planejamento de uma missão, o terreno será explorado em todos os seus aspectos que provejam cobertura e surpresa para aproximação do alvo. Elevações, vales, ravinas, vegetação e outras dobras naturais constituem-se em cobertura ideal. Linhas de transmissão de alta tensão ou outros tipos de cabos suspensos constituem-se em sério obstáculo. Obstáculos naturais ou artificiais influenciam nas técnicas e táticas a serem utilizadas, além do ângulo e distâncias ideais para a utilização do armamento. Por exemplo, se o terreno obriga o helicópteros a se expor por um determinado período, sua tripulação terá de adotar procedimentos específicos, enquanto estiver descoberto.

Perfis de voo: Estes utilizam-se do terreno, vegetação e outros objetos para minimizar ao máximo a detecção, melhorando a probabilidade de sobrevivência do helicóptero. São divididos da seguinte maneira:


O voo a baixa altura é realizado numa altura pré-selecionada que minimize a chance de detecção ou observação entre o ponto de partida até o ponto de destino da aeronave. O padrão de voo obedece a uma velocidade e altura constantes de 30 a 150 m, podendo ser sempre empregadas em missões e em ambientes de grande ameaça.

O voo de contorno é executado a baixa altura com o helicóptero seguindo o contorno do terreno, muito próximo ao mesmo. É caracterizado pela variação de velocidade e altura, determinadas pela topografia natural, vegetação e obstáculos.

    O voo de combate também conhecido como “NOE (Nap of the Earth) flight”, é executado tão próximo do solo quanto permitido pela vegetação e obstáculos, geralmente seguindo o contorno do terreno. O piloto utiliza-se de rotas irregulares e desenfiadas, dentro de um corredor pré-planejado, tirando o máximo proveito da cobertura do terreno.

    No voo desenfiado o helicóptero de ataque permanece oculto por elevações ou vegetação, num determinado ponto, à espera de veículos que se desloquem por um eixo previamente conhecido. No momento de sua passagem, eles realizam o engajamento, obtendo a máxima surpresa possível, ao elevar-se de sua posição.

    domingo, 21 de abril de 2013

    A Vantagem das Aeronaves ‘Stealth’ em Operações de Bombardeio 082


    penetration 1

    Publicado no site Poder Aéreo em 02/02/20120 por Alexandre Galante
    No gráfico acima, uma operação típica de ataque de penetração com bombardeiros B-1B. A primeira barreira é o AWACS inimigo que poderá detectar os bombardeiros e alertar as defesas. Se conseguirem passar pelo AWACS sem alertá-lo, os B-1B ainda terão que passar pelos radares terrestres e de direção de tiro dos mísseis antiaéreos (SAM). Fatalmente alguns bombardeiros serão abatidos.
    No gráfico abaixo, o mesmo cenário tático, mas com bombardeiros “stealth” B-2. Graças à sua baixíssima RCS, o alcance dos radares inimigos fica bastante diminuído, possibilitando aos B-2 evadirem-se do AWACS e penetrarem nos buracos criados nas defesas. Os B-2 passam entre os SAM para atingirem seus alvos.
    penetration 2