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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Guerra Eletrônica (5) - O Radar - Principais Parâmetros e Aplicações **250


O Radar 

Potência

A potência transmitida por um radar é quem define seu alcance, desempenho e capacidade de detecção. Ela é um dos fatores mais importantes na força do sinal que retorna do alvo. Uma potência de transmissão mais alta geralmente resulta em um maior alcance de detecção, permitindo que o radar ilumine e receba ecos de alvos mais distantes. Os radares de pulso, que são a maioria, não transmitem continuamente. Eles emitem pulsos curtos e de alta intensidade (potência de pico) seguidos por períodos de silêncio. 

A potência de pico pode ser muito alta (centenas de quilowatts), enquanto a potência média (a potência real fornecida ao sistema ao longo do tempo) é consideravelmente menor. A potência média é o que determina o consumo geral de energia e a dissipação de calor, enquanto a potência de pico é crucial para o desempenho instantâneo. O desempenho do radar não depende apenas da potência transmitida. Fatores como o ganho da antena (que direciona a energia em um feixe estreito), a sensibilidade do receptor, a frequência operacional, as condições atmosféricas e a seção transversal do alvo (quão bem o alvo reflete o sinal) também são cruciais. Transmissores de maior potência são geralmente maiores e mais pesados e demandam mais energia da fonte, geram mais calor, exigindo sistemas de refrigeração mais robustos. O design de componentes de alta potência (como tubos de vácuo ou amplificadores de estado sólido) é mais complexo e caro. 

Radares modernos, como os de abertura sintética (SAR) ou baseados em amplificadores de estado sólido, muitas vezes alcançam melhor desempenho (maior alcance e granularidade) com potências médias menores, graças ao processamento de sinal avançado e designs eficientes. Em resumo, a potência transmitida é um fator fundamental para a capacidade de um radar "iluminar" seu ambiente e receber ecos detectáveis, mas seu valor e impacto devem ser entendidos em conjunto com a arquitetura geral do sistema e a distinção entre potência de pico e média.  


A frequência é um dos parâmetros mais críticos do radar, determinando suas características operacionais, como alcance, resolução e suscetibilidade a interferências. Refere-se a frequência da onda eletromagnética portadora emitida pelo sistema, medida em Hertz (Hz), na faixa das micro-ondas na maioria dos sistemas. Cada radar emite um sinal de rádio de uma frequência específica (frequência da portadora) em direção a um alvo. Quando essa onda atinge um objeto, parte da energia é refletida de volta como um eco para a antena receptora do radar.

Em radares com capacidade Doppler, a frequência é fundamental para medir o movimento do alvo. O fenômeno do efeito Doppler causa uma alteração na frequência do sinal refletido em comparação com a frequência original emitida. Se o alvo está se aproximando, a frequência do eco é maior; se está se afastando, a frequência é menor. A análise dessa mudança de frequência (frequência Doppler) permite calcular a velocidade radial do alvo. Nos radares de pulso, a distância é calculada medindo o tempo que o pulso de energia leva para ir da antena ao alvo e retornar. A alta frequência da portadora permite pulsos curtos e precisos, essenciais para uma boa resolução de distância. 

As frequências mais baixas (como a Banda L ou S, 2-4 GHz) geralmente oferecem maior alcance porque sofrem menos atenuação atmosférica e têm melhor capacidade de penetrar chuva ou nevoeiro. Frequências mais altas (como a Banda X ou Ka, 10-40 GHz) têm comprimentos de onda menores, o que permite maior precisão (resolução) e o uso de antenas menores, mas seu alcance é limitado por condições climáticas.

Diferentes faixas de frequência são alocadas para usos específicos:  como exemplo temos a Banda S (aprox. 2,7 - 2,9 GHz), comum em radares de controle de tráfego aéreo e radares meteorológicos de longo alcance, devido à boa penetração em condições climáticas adversas. A Banda X (aprox. 8 - 12 GHz) é usada em radares de navegação marítima e radares meteorológicos de curto alcance, oferecendo alta resolução para detalhes finos, como gotas de chuva.

A frequência é o coração da operação do radar, uma propriedade física crucial que define como as ondas interagem com o ambiente e os alvos. A escolha estratégica da frequência determina a finalidade e o desempenho de um sistema de radar específico, seja para vigilância aérea, previsão do tempo ou controle de velocidade.

O Ganho da Antena

A antena do radar é um parâmetro crucial que determina fundamentalmente seu alcance, precisão e diretividade. Quanto mais concentrado o feixe em uma direção específica, mais eficiente o radar tende a ser.  Radares mais eficientes  irradiam mais energia na direção do alvo e captam os ecos mais fracos que retornam, estendendo significativamente o alcance de detecção para uma dada potência de transmissão.  

Outro fator de ganho está diretamente ligado à diretividade. Antenas de alto ganho possuem um feixe mais estreito (menor largura de feixe), o que aumenta a precisão na localização do alvo (resolução angular) e reduz a interferência de alvos indesejados ou "clutter" vindos de outras direções. Embora um alto ganho seja desejável para alcance e precisão, ele geralmente implica em uma área de cobertura angular menor. Radares que precisam escanear uma grande área (como radares de vigilância aérea de longo alcance) devem girar a antena ou usar técnicas de varredura eletrônica para cobrir o volume necessário. O ganho da antena não é apenas sobre direcionar a energia, mas também considera as perdas internas da antena (eficiência). A eficiência da antena influencia diretamente o sinal mínimo detectável, que é a menor quantidade de energia que o receptor do radar pode processar com sucesso para identificar um alvo. 

O ganho da antena é um parâmetro de design fundamental que os engenheiros equilibram para atender aos requisitos específicos da missão de um radar, seja para detecção de longo alcance e precisão pontual ou para cobertura de área mais ampla. 

Largura do Pulso

Todo radar opera emitindo radiação e captando em seguida o seu eco. Essas emissões podem ocorrer na forma de pulsos cíclicos ou em onda contínua. Nos radares de pulso existe um parâmetro fundamental chamado largura do pulso, que define a duração exata da emissão de um único pulso. Tipicamente medida em microssegundos, essa característica possui implicações diretas e cruciais no desempenho do sistema, afetando, em particular, o alcance mínimo, a resolução de distância e a energia total transmitida.

O radar é incapaz de detectar ecos enquanto está transmitindo um pulso. A distância mínima a partir da qual um alvo pode ser detectado (alcance mínimo - zona cega) é diretamente proporcional à largura do pulso. Pulsos mais longos resultam em um alcance mínimo maior (e, consequentemente, uma zona cega mais extensa ao redor do radar), o que pode ser problemático para a detecção de alvos muito próximos. Inversamente, pulsos mais curtos permitem a detecção de alvos a distâncias menores.

A Resolução de Distância refere-se à capacidade do radar de distinguir 2 alvos próximos que estão na mesma direção (azimute). Essa capacidade é inversamente proporcional à largura do pulso. Pulsos mais curtos oferecem uma melhor resolução de distância, permitindo ao radar separar alvos com pequenas diferenças de distância entre si. Por outro lado, pulsos mais longos degradam essa resolução, fazendo com que alvos próximos apareçam como um único objeto no display do radar.

A energia total contida em um pulso é proporcional à sua largura. O alcance máximo de detecção de um radar depende da energia que ele pode transmitir. Novamente pulsos mais longos contêm mais energia, o que aumenta o alcance máximo do radar, permitindo a detecção de alvos mais distantes.

Para alta resolução e alcance mínimo pequeno, são desejáveis pulsos curtos e o contrário para alcances maiores. Os engenheiros precisam encontrar um equilíbrio baseado na aplicação específica do radar (por exemplo, um radar de navegação marítima pode priorizar a detecção de alvos próximos, enquanto um radar de vigilância aérea pode priorizar o alcance máximo). 

A energia total contida em um pulso é proporcional à sua duração (largura temporal). O alcance máximo de detecção de um radar, por sua vez, depende da energia que ele é capaz de transmitir.

Uma técnica avançada para mitigar esse conflito é a compressão de pulso. Essa técnica utiliza pulsos longos (para energia e alcance) que são codificados (modulados) e depois processados no receptor para obter a resolução de um pulso curto. 

Frequência de Repetição de Pulsos (PRF)

A Frequência de Repetição de Pulsos (PRF), é um parâmetro fundamental nos sistemas de radar pulsado. Ela define o número de pulsos que o radar transmite por unidade de tempo, geralmente medido em Hertz (Hz) ou pulsos por segundo (PPS). A PRF é crucial, pois determina diretamente o alcance máximo não ambíguo do radar e influencia a medição da velocidade (em radares Doppler). O tempo que um pulso leva para ir até um alvo e retornar, permite calcular a distância (alcance) do alvo. O período de repetição de pulso (PRI), é o intervalo de tempo entre o início de um pulso e o início do próximo. A PRF é o inverso do PRI: 

A relação entre a PRF e o alcance máximo não ambíguo é inversamente proporcional. Para medir a distância de um alvo com precisão, o pulso seguinte não deve ser emitido antes que o eco do pulso anterior tenha retornado do alvo mais distante de interesse. Se um segundo pulso for emitido muito rapidamente, o eco de um alvo distante pode chegar após a emissão do próximo pulso, fazendo com que o radar interprete o eco como vindo de um alvo muito mais próximo (um fenômeno conhecido como ambiguidade de alcance ou range ambiguity). 

O alcance máximo não ambíguo é a distância máxima na qual um radar pode detectar um alvo de forma confiável, garantindo que o sinal de retorno do eco corresponda ao pulso de transmissão mais recente. Além desse limite, o sinal retornado é interpretado como vindo de um pulso anterior, o que gera ambiguidade de alcance, fazendo com que o alvo pareça mais próximo do que realmente está. 

Uma baixa PRF permite um maior PRI e, consequentemente, um maior alcance máximo não ambíguo, pois há mais tempo para os ecos retornarem. No entanto, resulta em uma taxa de atualização de dados mais lenta. Uma Alta PRF permite detectar alvos a distâncias menores com mais frequência, resultando em uma melhor resolução de alcance e uma taxa de atualização mais rápida. No entanto, introduz um risco maior de ambiguidades de alcance para alvos distantes. 

Em radares Doppler, que medem a velocidade dos alvos usando a mudança na frequência do eco (efeito Doppler), a PRF também é um fator crítico. A taxa de amostragem do sinal recebido é limitada pela PRF. Se for muito baixa pode levar a ambiguidades na medição da velocidade (doppler ambiguity ou aliasing), onde velocidades altas são interpretadas incorretamente como velocidades baixas.  Uma Alta FRP permite medir velocidades mais altas sem ambiguidade, mas reduz o alcance máximo não ambíguo e vice versa.

A escolha da frequência de repetição de pulsos é um compromisso de design crucial na engenharia de radares. Os projetistas destes sistemas devem equilibrar cuidadosamente a necessidade de um longo alcance máximo não ambíguo com a capacidade de medir velocidades e alcances com alta resolução e sem ambiguidades, frequentemente utilizando técnicas avançadas como PRF variável para otimizar o desempenho do sistema.

Os pulsos de um radar podem ser balanceados visando oferecer aos interferidores pacotes variáveis que dificultam a interpretação e consequente resposta. Uma série de pulsos balanceados é fundamentalmente composta por uma PRF básica que é sobreposta uma ou mais vezes. Cada emissão pode valer-se de um tempo de partida distinto e sincronizado, o que impede a geração de pulsos concorrentes ou pulsos sombreados, que são randomicamente selecionados, que pode ser progressivo ou mais “nervoso” (jitter). Estes intervalos determinados podem ser tão longos quando o as condições de alcance máximo permitam. O número de níveis corresponde ao número de vezes que a PRF é integrada à série de pulsos. O balanceamento dos pulsos e "jitter" são recursos projetados para frustrar processadores de análise digital.

A Largura da Banda

largura de banda de um radar é um parâmetro fundamental que determina diretamente sua capacidade de resolução de alcance e a quantidade de informação que pode ser transmitida e recebida. Refere-se à faixa de frequências que o sinal do radar ocupa. A característica mais importante da largura de banda do radar é a sua relação inversa com a resolução de alcance (a capacidade de distinguir entre 2 alvos próximos no mesmo azimute).

Uma maior largura de banda resulta em uma melhor resolução de alcance. Isso ocorre porque pulsos de radar mais curtos no domínio do tempo (necessários para alta resolução) têm um espectro de frequência mais amplo (maior largura de banda) no domínio da frequência. Uma largura de banda de sinal maior permite a transmissão de mais informações. Em sistemas de radar modernos, isso pode se traduzir em mais detalhes sobre os alvos, como velocidade, tamanho e forma.

Os radares operam em diferentes faixas de frequência (como banda X, banda S, etc.), cada uma com larguras de banda e aplicações específicas. Por exemplo, radares de banda X têm larguras de banda menores, mas são ideais para aplicações que exigem alta precisão em distâncias mais curtas, enquanto radares de banda S são usados para vigilância de longo alcance. A escolha da largura de banda envolve compromissos de engenharia. Larguras de banda muito grandes podem ser mais suscetíveis a certas fontes de interferência e desafios de processamento de sinal. Larguras de banda estreitas limitam a resolução, mas podem oferecer melhor desempenho em condições climáticas adversas ou em ambientes com muito clutter (ecos indesejados do solo ou do mar). É importante notar que a largura de banda do sinal do radar deve ser compatível com a largura de banda da antena e do receptor do sistema para garantir a máxima eficiência na transferência de energia e processamento do sinal. 

A largura de banda é um fator crítico que define o desempenho do radar, especialmente na sua capacidade de "ver" detalhes no espaço, sendo uma consideração fundamental no design de qualquer sistema de radar.

Relação Sinal-Ruído (clutter)

A relação sinal-ruído (SNR) é um parâmetro crucial para o desempenho de um radar, pois determina diretamente sua capacidade de detectar alvos e a qualidade das informações obtidas. Essencialmente, mede a proporção entre a potência do sinal de eco desejado (do alvo) e a potência do ruído de fundo (sinais indesejados). 

Uma SNR alta aumenta significativamente a probabilidade de o radar detectar um alvo, mesmo em longas distâncias ou sob condições adversas. Quanto mais forte o sinal em relação ao ruído, mais fácil é distingui-lo do fundo. Níveis mais altos de SNR resultam em medições mais precisas de alcance, velocidade e posição do alvo. Uma SNR baixa pode levar a erros de medição ou até mesmo à perda do alvo (detecção falhada). O desempenho do radar depende do estabelecimento de um limiar mínimo de detecção. O sinal do alvo deve ultrapassar esse limiar para ser registrado. Uma SNR alta garante que até mesmo sinais fracos de alvos distantes possam ser detectados acima desse limiar. Otimizar a SNR é fundamental para a confiabilidade do sistema, pois reduz a ocorrência de alarmes falsos (quando o ruído é interpretado como um alvo) e melhora a resolução. 

Entre os fatores que afetam a SNR temos a potência do transmissor, onde radares mais potentes geralmente geram sinais de eco mais fortes. A distância do Alvo pois o sinal enfraquece consideravelmente com a distância, diminuindo a SNR para alvos longínquos. O tamanho, a forma e os materiais do alvo (seção reta radar) afetam a intensidade do eco refletido. Ecos  indesejados refletidos por estruturas fixas (solo, edifícios) ou fenômenos atmosféricos (chuva, neve) que geram o chamado clutter (interferência), que compete com o sinal do alvo e reduz a SNR. Componentes eletrônicos do próprio receptor do radar introduzem ruído térmico e outras formas de interferência e outras fontes de sinais eletromagnéticos próximos que podem interferir e degradar a SNR

A relação sinal-ruído é a métrica fundamental que define a eficácia de um sistema de radar, sendo um objetivo de design e operação constante a sua maximização.



Aplicações Militares do Radar

O uso militar do radar é diversificado prestando-se a grande número de aplicões militares, sendo pilar para a proteção aérea e terrestre e para a precisão de sistemas de mísseis. Por não depender de luz visível ou céu limpo, essa ferramenta consegue detectar e acompanhar alvos de forma remota em qualquer ambiente, de dia ou noite, permitindo a detecção, localização e rastreamento de alvos em longas distâncias, independentemente das condições climáticas ou da visibilidade. . Dependendo de onde é instalado — seja no mar, na terra ou no ar — o radar é hoje o principal sensor nos cenários operacionais, e desempenha tarefas táticas e estratégicas distintas nos diferentes teatros de operações.

Os sistemas de radar são categorizados diretamente das missões que desempenham, sendo cada equipamento configurado para tarefas dedicadas. Seja no monitoramento do espaço aéreo, na vigilância de solo, guiagem de armas ou na precisão da tática naval, cada sistema possui características técnicas moldadas para necessidades específicas de defesa. A seguir, detalhamos as principais variantes e como elas ocupam seu nicho operacional, existindo ainda outras de aplicação mais específica.

Radares de Busca

Radares de busca são sistemas que varrem grandes áreas para detectar e localizar alvos (aéreos, navais ou terrestres), medindo distância e direção, e são cruciais para navegação, defesa e vigilância, diferindo de radares de rastreamento que focam em um alvo específico após a detecção inicial. 

Radares Aerotransportados de Alerta

Os radares de alerta (AEW) são instalados em aeronaves dedicadas para fornecer consciência situacional e alerta antecipado à atividade aérea inimga, rastreando alvos e contatos conhecidos e desconhecidos, auxiliando a navegação  e servindo como postos de comando para operações aéreas ofensivas e defensivas.

Radares de Vigilância Terrestre

Em similaridade com os radares AEW, estes radares monitoram a movimentação no solo, detectando veículos com a finalidade de garantir alerta a movimentações inimigas e não autorizadas e contribuir para a coordenação da movimentação em áreas muito congestionadas, como aquelas próximas a grandes centros logísticos.

Radares de Controle de Fogo

Estes equipamentos destinam-se ao endereçamento de mísseis e artilharia antiaérea e trabalham com alvos anteriormente detectados pelos radares de vigilância, corrigindo trajetórias e calculando pontos futuros de impacto. 


Radar de Contrabateria

O radar de contrabateria é um sistema radar que tem por finalidade detectar projéteis de artilharia inimigos no momento do disparo e em pleno voo (como granadas de morteiro, obuseiros e foguetes), mapeando sua trajetória e subsequentemente plotando o ponto de lançamento, permitindo que a artilharia amiga responda ao fogo em tempo real, motivo pelo qual é importante que as baterias troquem de posição logo após o disparo.

Radar de Abertura Sintética (SAR)

O Radar de Abertura Sintética (SAR) é uma tecnologia de sensoriamento remoto ativo que usa pulsos de micro-ondas para criar imagens de alta resolução da Terra, funcionando dia e noite, através de nuvens e chuva, ao contrário de câmeras ópticas. Ele gera uma "abertura sintética" maior que a antena física, combinando dados de pulsos emitidos enquanto o satélite ou aeronave se move, permitindo mapear topografia, umidade do solo, e monitorar mudanças na superfície, como derramamentos de óleo ou movimento de geleiras. É um equipamento muito usado para acompanhamento de situação tática terrestre em tempo real, como no sistema JSTARS dos EUA, desativado em 2023.

Radar Passivo

O radar passivo é um sistema de detecção radar que, ao contrário dos radares convencionais (ativos), não emite sinais de rádio próprios para localizar objetos. Em vez disso, ele aproveita sinais de terceiros já presentes no ambiente — como transmissões de rádio FM, TV digital (ISDB-T no Brasil) ou comunicações celulares — para detectar e rastrear alvos por meio de suas reflexões. Esta técnica de exploração radar é particularmente útil pois não revela a localização da antena, permitindo monitoramento furtivo e discreto.

Radar de Matriz Faseada

Um radar de matriz faseada (phased array radar) é um sistema de radar avançado que utiliza uma matriz de múltiplas antenas pequenas para direcionar feixes de rádio eletronicamente, sem a necessidade de mover fisicamente a antena. Diferente dos radares convencionais, que giram mecanicamente para escanear o ambiente, o radar de matriz faseada altera a fase dos sinais emitidos por cada elemento da matriz. Essa variação controlada faz com que as ondas interfiram umas nas outras, reforçando o sinal em uma direção específica e cancelando-o nas outras, o que permite "apontar" o feixe quase instantaneamente. 

Radar de Alerta-Radar (RWR)

Um RWR (Radar Warning Receiver), ou Receptor de Alerta de Radar, é um sistema crucial de autodefesa para aeronaves militares, detectando, identificando e alertando a tripulação sobre radares inimigos, como os de controle de tiro ou busca, fornecendo direções e tipos de ameaças para permitir manobras evasivas ou contramedidas, aumentando a consciência situacional e a sobrevivência em combate, sendo integrado com jammers e outros sistemas. É um sistema de radar passivo.

Matriz de Varredura Eletrônica Ativa (AESA)

Radares AESA (Active Electronically Scanned Array) são, por definição, radares de matriz de faseada (phased array), mas representam a geração mais avançada dessa tecnologia, controlando feixes eletronicamente sem partes móveis, permitindo múltiplos feixes em múltiplas frequências e rastreamento simultâneo de alvos, sendo superior aos radares PESA (Passive Electronically Scanned Array), que usam uma única fonte de RF para uma matriz passiva. 

Radar Além do Horizonte (OTH)

Radares OTH (Over-the-Horizon Radar, ou Radar Além do Horizonte) são um sistema de radar avançado que detecta alvos a centenas ou milhares de quilômetros de distância, muito além da linha de visão convencional, usando a reflexão de ondas de rádio na ionosfera (Skywave) ou guiando-as pela superfície do mar (Surface Wave), sendo crucial para a vigilância de grandes áreas marítimas, e para a defesa contra ameaças aéreas e navais. Se prestam a monitoração de tráfego marítimo e alerta antecipado neste ambiente, exigindo sítios extensos para sua instalação. 

Radar de Navegação

Um radar de navegação é um sensor essencial que usa pulsos de ondas de rádio para detectar objetos (outros navios, terra, icebergs) ao redor de uma embarcação, determinando distância e direção por meio de ecos, crucial para segurança, prevenção de colisões e navegação em condições de baixa visibilidade como nevoeiro, escuridão ou chuva, operando em bandas de frequência (X ou S) e exibindo informações em tela com funções como o Doppler para identificar riscos. 

Radar Meteorológico

O radar meteorológico é um instrumento que emite pulsos de micro-ondas para detectar e monitorar fenômenos atmosféricos como chuva, neve, granizo e tempestades, medindo o tempo que as ondas levam para retornar após refletir nas partículas de água, gerando imagens em tempo real para previsões de curtíssimo prazo (nowcasting), alertas de eventos extremos (enchentes, tornados) e auxiliando em setores como navegação aérea e marítima, agricultura e defesa civil, oferecendo informações precisas sobre intensidade, movimento e estrutura de sistemas de tempo severo.