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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Blindagens Militares **100


Desenfiamento é um termo militar que se refere à organização de uma posição ou formação para proteção contra o fogo inimigo, usando o terreno ou obstáculos para colocar-se fora da linha de visada de armas inimigas, evitando ser atingido pelo seu fogo sem estar protegido por dispositivos do tipo “anteparo”. É o ato de posicionar-se de forma que simplesmente não seja possível que o inimigo o adquira como alvo. Envolve camuflagem, posicionamento em cobertura, manobra ou movimento constante, ou seja, minimizando a visibilidade e o tempo necessário para que uma pontaria seja consolidada.

O desenfiamento é a primeira garantia de sobrevivência de um elemento em combate, porém nem sempre este objetivo poderá ser cumprido, e haverá momentos em que projéteis atingirão seu alvo. Nestes momentos todos aqueles elementos que não contarem com uma couraça adequada tenderão a serem neutralizados.

A blindagem cinética cumpre a função de proteger veículos, instalações e soldados do impacto direto e devastador das armas de fogo modernas, com seus projéteis cinéticos e explosões, aumentando a capacidade de sobrevivência destes em combate. Ela é um elemento central nas estratégias de guerra móvel blindada e na proteção individual dos soldados.

A blindagem surgiu durante a Primeira Guerra Mundial, quando para superar a impasse da guerra de trincheiras travada até então, que só fazia vítimas sem que a situação tática se alterasse de forma a buscar definições, os ingleses lançaram contra seus inimigos o primeiro carro de combate da história moderna. Na forma de um veículo motorizado denominado Mark I, armado com canhões e metralhadoras, e protegido por uma couraça de metal capaz de deter o fogo da infantaria daquele momento. Este veículo, para desespero das fileiras alemãs, podia avançar sobre trincheiras, arame farpado e outros obstáculos impunemente, de forma a dar fluidez e solução aos estáticos embates entre os ocupantes trincheiras daquele conflito. Construído para avançar sob o fogo das armas da infantaria da época, este primeiro carro de combate introduziu o uso da blindagem cinética moderna nos campos de batalha.

Desde então iniciou-se uma disputa de engenharia para vencer o novo desafio. Armas anticarro começaram a ser desenvolvidas, blindagens foram vencidas por estas armas, assim como novas blindagens resistentes a elas armas foram desenvolvidas e assim sucessivamente até os dias atuais. 

Os blindados Mark I, construído com chapas de aço de 6 a 12 mm era invulnerável às armas da infantaria daquela tempo, feitas para perfurar com seus projéteis o corpo humano ou algo um pouco mais duro, e portanto munidas de baixa energia. Como era inevitável, devido a sua baixa velocidade e pioneirismo de seu projeto, logo alguns exemplares foram capturados pelos alemães, quando soldados podiam subir neles e atirar pelas frestas existentes. Logo armas para parar estes veículos foram desenvolvidas, assim como novas versões resistentes a estas armas, corrigindo as deficiências das primeiras versões. Desde a introdução desta blindagem de primeira geração, outras tecnologias foram sendo desenvolvidas e acrescentadas, sem no entanto fazer com que esta deixe de ser usada. A primeira blindagem era constituída por chapas de aço, e as mais modernas blindagens também são constituídas por chapas de aço, com ligas de muito melhor qualidade e com o acréscimo de inovações como veremos a seguir.

As blindagens de primeira geração eram chapas de aço unidas por rebites, que quando impactados, quebravam e eram projetados para dentro, matando ou ferindo os tripulantes. No final da década de trinta ocorreu a primeira grande evolução neste design, quando os russo passaram a soldar as chapas e as montarem com um ângulo de inclinação em relação a trajetória dos projéteis. 

Um impacto que não se dá a noventa graus (ângulo reto) do alvo não tem a mesma eficiência, e portanto pode não perfurar a blindagem. Se penetrar terá que percorrer a chapa blindada em sua diagonal, ou seja, terá que percorrer um caminho maior e consequentemente dissipará mais energia. O simples ato de inclinar a chapa blindada aumenta a sua espessura sem aumentar o peso. Quanto menor for este ângulo, menor a energia dissipada pelo projétil que tenderá a ricochetear em ângulos mais acentuados, e buscar uma nova trajetória. Uma chapa de 50 mm, impactada a 45 graus equivale a uma chapa de 140 mm impactada a 90 graus. O T-34 foi o primeiro carro de combate a usar este tipo de blindagem, que com chapas soldadas de 27,6 mm, tinha o desempenho de uma blindagem de 70 mm graças a sua angulação.

Este padrão de blindagem homogênea predominou durante a segunda grande guerra até a década de 50, sendo que veículos melhor protegidos apenas tinham chapas de aço mais grossas, com consequente ônus no peso do veículo. Porém tornou-se necessário melhorar esta proteção que não mais fazia frente as armas anticarro que eram desenvolvidas, como as panzerfaust alemãs.

Surgiram as homogêneas de segunda geração, blindagens com chapas bimetálicas soldadas e fundidas em forma de sanduíche; sendo a externa de face endurecida por processos térmicos e a outra mais mole e deformável para absorver a onda de choque. esta blindagem passou a equipar os carros de combate no pós-guerra como os Leopard I e M60. 

Porém veio a década de 60 e as blindagens bimetálicas começaram a perder espaço para as ogivas HEAT de carga oca, sendo a popular RPG soviética sua grande representante. Estas munições injetam um jato de alta velocidade de cobre derretido em um pequeno ponto da blindagem, derretendo-o. Em face a esta ameaça os construtores de blindagens introduziram a blindagem espaçada, que nada mais é do que uma segunda blindagem afastada alguns centímetros da blindagem principal. Esta pré-barreira tinha por intenção acionar as ogivas que a impactavam, fazendo que detonassem precocemente, dissipando sua energia em seu rompimento e fazendo com que chegassem a blindagem principal, além de mais tênue com ângulo menor que os eficientes 90 graus ideais. Esta blindagem equipa os Leopard IA5 do Exército Brasileiro.

A década de 70 viu a introdução das cargas em tandem nas ogivas HEAT, onde a primeira carga perfurava a pré-blindagem e a carga principal perfurava a blindagem principal. Estas blindagem permaneceram nos veículos mais leves atuais, sendo os carros de combate, além de incluí-las, passaram a contar com couraças de aço cada vez mais grossas, sendo os carros cada vez mais pesados, onde os explosivos passaram a se mostrar ineficientes.

Contra estes passou-se a utilizar então da força bruta, com as munições de energia cinética (APDSFS). Este tipo de munição sem explosivo, viaja a grande velocidade (1.400 m/s) e ao impactar seus alvos em área reduzidas produziam grande temperatura (cerca de 1.800 graus Celsius) e violenta onda de choque, atravessando todas as camadas de blindagem, e podendo, dependendo do alvo, sair do outro lado a atingir outro carro que esteja atrás do primeiro. Estes projéteis são feitos de materiais muito duros como o carbeto de tungstênio e o urânio exaurido, e tem que ser disparada por canhões de alta pressão que lhe imprimem grande velocidade, necessária à sua eficiência.

Fez-se necessários novos desenvolvimentos para enfrentar esta ameaça, pois as blindagens usadas até então, não mais faziam frente aos projéteis de nova geração. Engenheiros ingleses deram o primeiro passo na 3ª geração de blindagens, inovando com o uso pela primeira vez de materiais não metálicos. Conhecida como blindagem Chobhan, nome da cidade em que foi desenvolvida, estas nova blindagem eram inovadora pois acrescentou aos modelos já existentes novas tecnologias. Consiste de um sanduíche de placas de cerâmica (óxido de alumínio), kevlar, titânio, blindagens espaçadas com placas de borracha em forma de colmeias, e outros materiais, muitos ainda sob um véu de sigilo. Embora os russos com seu T-64 tenham usado cerâmicas, estas só se tornaram eficientes com o arranjo inglês da década de 70. Esta blindagem mostrou-se eficiente contra os poderosos projéteis tipo flecha (APDSFS), além é claro dos projéteis explosivos (químicos), mais fracos.

Os componentes de cerâmica possuem ponto de fusão entre 2500 e 3000 graus. O Impacto da um projétil tipo APFSDS pode gerar uma onda de choque de 3000 graus se parar instantaneamente. A cerâmica, que é 70% mais leve que o aço e tem uma resistência balística (dureza) 5 vezes maior, é montada na parte externa das viaturas a fim de quebrar a ponta dos projéteis, diminuindo dessa forma a pressão que exercerá sobre as placas metálicas e consequente diminuição da temperatura que irá atingir, muitas vezes insuficiente para derrete-las. Não havendo derretimento não haverá perfuração. Porém se passar, camadas de kevlar com suas propriedades tentarão segurá-lo, e se ainda assim continuar penetrando as blindagens espaçadas preenchidas com colmeias de borracha absorverão a onda de choque e dissiparão o calor, evitando a detonação de munição estocada, fatal para a tripulação. Esta borracha age ainda no primeiro impacto atuando como amortecedor daquele primeiro conjunto, provocando uma desaceleração gradual e absorvendo parte da energia. Após ter sua energia diminuída, o projétil encontrará um segundo conjunto de blindagem e o processo recomeçará, desta vez com a energia despotencializada, certamente deformado e sem ponta,  não conseguindo atravessar mais este obstáculo.

As blindagens de 4ª geração são feita de materiais "high tech" e podem ser aparafusadas nas blindagens já existentes ou incorporadas aos novos projetos. A blindagem do Leclerc por exemplo é feita de um material que se expande ao impacto, aumentando sua espessura, do qual se sabe muito pouco. As blindagens aparafusadas podem ser facilmente substituídas em caso de avarias.

Existem ainda outros tipos de blindagem como a blindagem tipo gaiola, que consiste em uma grade de barras espaçadas e se destina na evitar a detonação de projéteis de baixa velocidade, disparados por armas tipo RPG. Ao penetrar na grade, os dispositivos de detonação não batem em nada, e o corpo mais largo do projétil fica preso na grade sem detonar. Este tipo de blindagem está sendo muito usado nas guerras de baixa intensidade, como as do Iraque a Afeganistão.

As blindagens reativas (ERA) são blindagens espaçadas dotada de explosivos que detonam ao impacto, criando uma onda de choque em sentido oposto a trajetória do projétil, contrapondo o jato da explosão e espalhando-o, impedindo de chegar a blindagem principal.

 

A Blindagem Moderna

O maior problema das blindagens é seu peso, pois devem resistir a castigos de grande monta em combate. A blindagem de veículos militares modernos de emprego geral foca em proteger tropas contra ameaças como tiros de armas leves, estilhaços e minas, usando materiais como aço balístico e vidro laminado, com tecnologias que incluem proteção modular, sistemas contra minas (até 6kg de explosivos), sendo mais leves que a blindagem composta de carros de combate principais (MBTs), mas essenciais para mobilidade segura em zonas de combate. Porém devem ter um peso compatível com o emprego do veículo e sua estrutura e potência.

Os tipos de proteção adotados são o aço balístico, onde chapas de aço tratadas termicamente ou com ligas especialmente desenvolvidas para resistir a projéteis de calibres variados e ogiva perfurante (7.62mm, 12.7mm). O vidro balístico se apresentam em múltiplas camadas de vidro e policarbonato. Kits de blindagem adicionais que podem ser acoplados para aumentar a resistência contra ameaças mais potentes (anti-RPG). A proteção contra minas (V-Hull/Piso) visa dissipar a energia de minas terrestres e dispositivos explosivos improvisados (IEDs). Muitos veículos dispõem de filtros e sistemas para proteger contra agentes químicos, biológicos, radiológicos e nucleares (gás, radiação). 

A Blindagem Espaçada

A blindagem espaçada é uma técnica que usa camadas de diferentes materiais (metais, cerâmicas, plásticos, ar) separadas por um espaço, visando desestabilizar ou destruir projéteis, especialmente os de carga oca (HEAT) antes que atinjam a blindagem principal, com composições que variam de placas metálicas simples a módulos complexos com cerâmicas e estruturas elásticas, como a blindagem Chobham (uma blindagem composta de origem britânica), sendo mais leve e volumosa que blindagens homogêneas de peso equivalente, mas eficaz contra ameaças modernas. 

Diferente da blindagem homogênea (uma única placa metálica muito grossa), a espaçada dispõem de espaço vazios, permitindo que o projétil se desloque ou exploda prematuramente. É usada tanto em blindagens mais simples como nas compostas e combina materiais como chapas de aço e cerâmicas extremamente duras, entre outras.

O efeito contra Munição HEAT (Carga Oca) funciona com a camada externa induzindo a carga moldada a detonar prematuramente, espalhando o jato de metal líquido antes que ele atinja a blindagem principal, ou esmagando-o, anulando sua capacidade de penetração. Contra munição cinética (APFSDS) o projétil (ou penetrador) de alta velocidade é desestabilizado, com sua trajetória desviada, e perde energia com sua ponta comprometida ao atingir as diferentes camadas e espaços, reduzindo seu poder de perfuração. 

A blindagem espaçada explora a física da interação projétil-material, usando diferentes densidades e propriedades mecânicas em camadas separadas para neutralizar as ameaças mais modernas, diferentemente da blindagem homogênea que depende apenas da espessura de um único material. 


A Blindagem Composta

A composição exata das blindagens modernas mais avançadas é um segredo militar guardado à "7 chaves"; no entanto, sabe-se que é uma composição de camadas de materiais diversos, que geralmente envolve uma matriz de cerâmica ultradura intercalada com outros materiais, como aço balístico, camadas elásticas/polímeros (borracha/plástico) e, em algumas versões, ligas de urânio empobrecido ou titânio. Elas baseiam-se na combinação de diferentes materiais para oferecer proteção superior contra uma ampla gama de ameaças, especialmente munições de alto explosivo antitanque (HEAT) e penetradores de energia cinética (KE). 

As Camadas de Cerâmica são o núcleo da eficácia destas blindagens e compõem-se de placas de cerâmica extremamente duras, que são a primeira camada a ser atingida após a placa de cobertura. A cerâmica absorve muita energia e se estilhaça com o impacto do projétil, dissipando a força e desestabilizando o jato de plasma de uma munição HEAT e quebrando a ponta dos projéteis cinéticos, aumentando a área onde este vai aplicar sua energia cinética, dissipando seu poder de penetração. 

Uma estrutura metálica (placas de aço) envolvem as camadas de cerâmica ligadas a uma placa de apoio (backing plate), que proporciona integridade estrutural e resistência a fragmentos. Placas de aço são cruciais para a resistência geral. As camadas elásticas (polímeros/borracha) são intercaladas entre as placas de metal, e a função dessas camadas é amortecer o impacto e, crucialmente, permitir que as placas de aço se movam e flexionem para desviar e quebrar o jato formado pelo ataque de munições HEAT. Outros materiais foram adicionados nas versões mais avançadas usadas em tanques como o M1 Abrams dos EUA que incorporam ligas de urânio empobrecido para proteção adicional, enquanto o Challenger 2 britânico pode usar inserções de tungstênio. 

Esta blindagem funciona como um "sanduíche" de materiais que combinam propriedades diferentes para resistir à penetração: a dureza da cerâmica, a tenacidade do aço e a flexibilidade das camadas elásticas que trabalham em conjunto para deformar, quebrar e dissipar a energia do projétil, tornando-a muito mais eficaz do que uma blindagem de aço maciço de peso equivalente. Versões de natureza modular (em "tijolos" ou módulos) permite a sua substituição em campo se danificada. Estas versões compostas são mais pesadas e geralmente equipam MBTs, e veículos derivados destes.


A Blindagem Reativa

A blindagem reativa é um sistema de proteçãoque usa blocos com explosivos (ERA) ou materiais não explosivos (NERA/NxRA) para neutralizar projéteis antitanque, como os de carga moldada, detonando em reação ao impacto (em direção oposta) para dissipar a energia do projétil e impedir a perfuração. Existem variações explosivas (ERA/SLERA) e não explosivas (NERA/NxRA), sendo as não explosivas capazes de resistir a múltiplos impactos, enquanto as explosivas são de uso único por local, mas mais eficazes contra certos tipos de ameaças, como os projéteis APFSDS. 

Contra Cargas Moldadas (HEAT) ela faz detona um explosivo (em ERA) ou a reação do material (em NERA/NxRA) que faz com que uma placa metálica se mova rapidamente, interceptando e desviando o jato de plasma do projétil, que é o principal mecanismo de perfuração. Contra penetradores de energia cinética (APFSDS) a explosão gera estilhaços que atingem o projétil, diminuindo sua velocidade e energia, e desviando-o, embora sejam necessários blocos maiores e mais potentes para isso. 

Estas blindagens aumentam drasticamente a proteção do veículo contra armas antitanque, como RPGs, a um custo relativamente baixo em comparação com blindagens espessas, a um peso reduzido. Pode ser "derrotada" por munições de carga em tandem (duas cargas ocas em sequência) ou múltiplos tiros no mesmo ponto, comprometendo a blindagem naquele local. 


O Blindagem Tipo Gaiola (slatted/cage armour)

Esta blindagem é projetada especificamente para proteger veículos blindados contra granadas antitanque tipo RPG (sigla em inglês para Rocket-Propelled Grenade). Atua como uma forma de blindagem espaçada, que funciona provocando detonação Prematura. A estrutura de barras ou ripas metálicas é projetada para fazer com que a ogiva do RPG colida e detone a uma distância segura da blindagem principal do veículo. Quando a ogiva detona longe da superfície, o jato de material fundido, que é o principal responsável por penetrar a blindagem, perde rapidamente energia e foco na distância entre a gaiola e o veículo (em centímetros), que reduz drasticamente seu poder de penetração. 

Este tipo de blindagem é comumente instalado em veículos mais leves, como viaturas blindadas de transporte de pessoal e caminhões militares, que não possuem blindagem principal espessa suficiente para suportar um impacto direto de um RPG. É uma solução de proteção adicional eficaz e relativamente leve em comparação com a adição de mais chapas de aço.  É uma solução de defesa relativamente leve e de baixo custo, eficaz contra uma ameaça específica e comum em conflitos modernos. É menos eficaz contra outros tipos de ameaças, como projéteis de energia cinética, e ainda há a possibilidade de a ogiva passar pela abertura da gaiola sem detonar ou a estrutura ser danificada após múltiplos impactos. 

O Kevlar

O kevlar é uma fibra sintética de aramida, incrivelmente resistente e leve, conhecida por ser 5 vezes mais forte que o aço por peso, usada em coletes à prova de balas, equipamentos de proteção, reforço de pneus, cabos e até em componentes aeroespaciais para proteção contra impacto e calor. Sua força vem de uma estrutura molecular com fortes ligações, que absorve e dissipa energia, tornando-a ideal para blindagem e segurança.  Agrega alta resistência a impactos, cortes e perfurações, com resistência à tração superior ao aço. Leveza, que aumenta o conforto em equipamentos de proteção e reduz o peso em composições para veículos, possuindo resistência ao calor. 

É utilizado em blindagens de veículos militares principalmente em aplicações que requerem uma combinação de alta resistência balística, leveza e flexibilidade. Seu uso é focado em proteger contra disparos e estilhaços, sem adicionar o peso excessivo do aço balístico tradicional em todas as áreas. 

É usado em veículos para blindar de áreas específicas. Em vez de revestir todo o veículo apenas com aço pesado, o Kevlar é usado em camadas finas e sobrepostas em áreas críticas para fornecer proteção contra calibres específicos. Isso ajuda a manter o peso total do veículo gerenciável, o que é crucial para a mobilidade militar. É muito eficaz em conter estilhaços de explosões ou fragmentação de projéteis, que podem ser tão perigosos quanto o impacto direto dos projéteis. Mantas de Kevlar são frequentemente usadas como revestimento interno para mitigar os efeitos de "spalling" (a projeção de fragmentos do próprio material blindado para dentro do veículo após um impacto), aumentando a segurança dos ocupantes. Pela sua leveza é utilizado na fabricação de componentes que exigem proteção, mas onde o peso é uma restrição severa, como em certas partes da fuselagem de aeronaves militares ou portas e pisos de veículos.

O  Kevlar permite um design de blindagem mais inteligente e eficiente, onde a proteção é otimizada pelo peso e flexibilidade do material, complementando outros materiais como o aço balístico e vidros blindados.


Sistemas de Proteção “Soft Kill”

Sistemas Soft Kill são contramedidas de defesa que visam interferir ou enganar sistemas de armas guiados (mísseis, drones), fazendo com que errem o alvo, em vez de destruí-los fisicamente (hard kill). utilizam técnicas como(interferência eletrônica (jammers) e decoys (iscas eletrônicas), cortinas de fumaça/chaff (obscurecimento), laser (ofuscamento de sensores) ou decepção IR para mascarar o alvo, garantindo a sobrevivência do veículo ou embarcação com um custo menor e mantendo a integridade da ameaça para análise posterior, como os sistemas MUSS e Shtora-1. Sensores (Laser Warning Sub-Systems - LWSS) detectam a aproximação de uma ameaça guiada (laser, infravermelho, etc.) e identificam a direção e tipo de ameaça, aplicando em seguida a contramedida disponível mais adequada.

Como exemplo destes sistemas temos o Shtora-1 russo que usa jammers infravermelhos potentes e ofuscadores para mísseis SACLOS (Comando Semiautomático na Linha de Visão). O MUSS (Hensoldt) que é um sistema modular para veículos de combate, e combina detecção e contramedidas como fumaça e jammers, e o LEDS 50 MK2 da Saabm que é um sistema terrestre que detecta e obscurece ameaças. Geralmente são mais baratos que sistemas hard-kill, permitem coletar inteligência sobre a ameaça, pois o míssil não é destruído. Podem ainda lidar com múltiplas ameaças e são mais fáceis de integrar em diversas plataformas.

Sistemas soft-kill são uma camada essencial de defesa, complementando as medidas hard-kill para aumentar a capacidade de sobrevivência de veículos e plataformas em ambientes de combate modernos. São complementos e não substitutos das blindagens “Hard Kill”.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

A Defesa Antiaérea de uma Força-Tarefa Naval **048


A guerra moderna trouxe, ao contrário daqueles conflitos anteriores ao século XX, uma ameaça aérea em níveis cada vez mais acentuados às forças, bases e instalações na superfície. Os meios aéreos demonstram rapidez e amplo campo de tiro, devido a permeabilidade do espaço em que atuam e às altitudes que podem atingir, fazendo-os os atores mais temidos e mortais de qualquer campo de batalha.

Esta ameaça sobre as forças navais evoluiu de simples ataques de bombardeiros para um complexo desafio que inclui mísseis antinavio supersônicos, drones e mísseis de cruzeiro que voam muito baixo (os "sea-skimmers"). A defesa contra essas ameaças exige sistemas integrados e multicamadas. Mísseis Antinavio são a maior ameaça atual, especialmente os modelos que voam a altitudes muito baixas (<20m) para evitar a detecção precoce pelo radar do navio. Os Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs/Drones) são utilizados para vigilância, reconhecimento e, cada vez mais, como plataformas de ataque ou iscas, complicando a defesa. As Aeronaves de Caça e Bombardeio continuam a ser uma ameaça significativa, capazes de lançar mísseis de longo alcance ou realizar ataques diretos. Os Mísseis de Cruzeiro são armas de longo alcance que podem ser lançadas de plataformas aéreas, navais ou terrestres e seguir rotas complexas para atingir seus alvos.

Historicamente, a defesa naval evoluiu de armas de fogo convencionais para sistemas sofisticados de mísseis e eletrônicos. Atualmente, a defesa antiaérea naval é baseada em uma abordagem em camadas. O primeiro agente desta modalidade de guerra são as atividades de detecção e rastreamento, que em atividade constante em qualquer cenário, seja de paz, baixa ou alta ameaça, monitora tudo aquilo que acontece no espaço aéreo e naval em um entorno da frota. Este entorno considera todos os meios conhecidos ou não que se apresentem nos sensores que possam constituir algum tipo de ameaça. Se lança mão de radares avançados, meios de EW e sensores diversos para identificar e rastrear ameaças o mais cedo possível. Também constituindo este sistema de detecção e rastreamento existe uma anel defensivo de navios de superfície e submarinos em torno do núcleo da frota, além de meios aéreos próprios que ampliam o perímetro que pode ser rastreado pela combinação de todos os sensores, ampliando seu alcance.

A defesa de área ou de longo alcance dispõem de mísseis superfície-ar de grande alcance (SAMs), frequentemente lançados de navios-escolta, para interceptar ameaças longe da frota. Estes meios são caros e complexos e estão disponíveis apenas às marinhas mais abastadas. Nas marinhas que dispõem de navios-aeródromo existe ainda, além do alcance dos SAMs de “Perna longa” um nível defensivo composto por aeronaves de caça quem ampliam em muito o anel defensivo. A Área de Defesa Expandida tem seus limites externos, estendendo-se a até 110 km do núcleo da força-tarefa, limite este ditado pelo alcance dos radares de vigilância e mísseis SAM disponíveis. Esta distância pode ser estendida pela presença de aeronaves de caça e interceptação, baseadas em navios-aeródromo ou em terra se houverem bases aéreas para que possam atuar, ou ainda o apoio de reabastecimento aéreo capazes de estender os tempos de patrulha. Para contrapor àqueles meios hostis que transpassem a defesa externa, os navios de superfície dispõem de Defesa de Ponto ou curto alcance que são sistemas de armas de reação rápida, como mísseis de curto alcance, mísseis de curtíssimo alcance e sistemas de artilharia de tiro rápido (CIWS) com calibres de 20 a 40 mm e munição com espoleta de proximidade, para engajar alvos que penetraram a defesa de área. 


A chamada área de defesa Interna, prolonga-se a até 48 km do núcleo. Este é o horizonte naval médio dos radares baseados na superfície para detecção de alvos muito próximos á superfície, pois é uma limitação imposta pela curvatura da terra. Além deste horizonte os meios navais necessitam do apoio de meios aéreos, orgânicos ou não. Complementando estes sistemas o meios navais atuam de forma passiva através de Guerra Eletrônica (EW) e Contramedidas com o uso de chaffs, flares e sistemas de interferência eletrônica para confundir os sistemas de guiagem dos mísseis inimigos.

A eficácia contra essas ameaças depende da integração de todos esses sistemas em uma arquitetura de defesa robusta, dispostas em níveis como por exemplo o sistema de defesa antimísseis Aegis da US Navy.

Uma tática de ataque muito eficiente e difícil de enfrentar, com capacidade de provocar estragos significativos tanto aos meios de escolta como ao núcleo é o ataque de saturação com mísseis antinavio, que podem ser supersônicos. Consiste em várias aeronaves lançando vários deste mísseis ao mesmo tempo, saturando às defesas. Quando detectados, os sistema antinavio de todos os meios que atuam interligados por data-link e sob comando central, liberam suas armas dentro de seus setores de responsabilidade, procurando neutralizar as ameaças o maior longe possível de seus potenciais alvos. Um grande número de mísseis liberados ao mesmo sobrecarrega os diretores de tiro, de forma que quanto mais escoltas existirem, mais diretores de tiro poderão atuar setorizados garantindo uma defesa mais eficiente.

A perda de qualquer um dos meios de uma força naval contribui para a debilidade desta força, como não poderia deixar de ser, mas a perda de uma escolta força uma redistribuição dos meios no espaço de defesa sem comprometer a missão principal. A perda dos navios capitais é mais problemática, pois pode inviabilizar a própria missão da força-tarefa. Estas unidade podem ser um grupo anfíbio, cuja perda de um dos navios pode desmantelar todo um plano de desembarque; pode ser um núcleo de navios-aeródromo que impede a força de lançar ataques aéreos em proveito de forças em terra ou controle de área marítima, se esta for a finalidade, ou pode ser ainda um núcleo de comboio logístico levando suprimentos vitais a quem os necessita.

Defender estes núcleos é a própria finalidade da força naval como um todo, que além da ameaça aérea tem que ser defendida da ameaça submarina, muito mais difícil de detectar e rastrear. Colocar as escoltas em risco é sempre necessário para que o núcleo permaneça em segurança, até porque esta é a missão delas. No conflitos das Falklands/Malvinas o HMS Sheffield estava em uma missão de piquete de radar avançado (ou patrulha de piquete antiaéreo) quando foi atingido por um míssil antinavio, lançado por um bombardeiro argentino. O ataque foi realizado por um avião de caça naval argentino Super Étendard, que lançou um míssil antinavio Exocet AM39, que atingiu o navio, resultando em um incêndio incontrolável que levou ao seu abandono e, posteriormente, ao seu afundamento. O destroier Tipo 42 era um dos 3 navios (junto com o HMS Glasgow e o HMS Coventry) posicionados ao sul e a oeste da principal força-tarefa britânica para fornecer cobertura de radar de longo alcance e alerta antecipado contra ataques aéreos argentinos. Em 4 de maio de 1982, o Sheffield estava operando a cerca de 29 a 48 km de distância da força principal quando foi detectado e subsequentemente atacado pelas aeronaves. A missão do piquete de radar era, ironicamente, a de ser a primeira linha de defesa da frota, mas devido a uma combinação de fatores técnicos e falhas de procedimento, o navio não conseguiu detectar a aproximação dos mísseis a tempo.


Da Detecção ao Disparo

A equipe de um Centro de Informações de Combate (CIC) de qualquer navio deve operar em tempo integral, pois a ameaça pode surgir a qualquer momento e ações que garantam a defesa do navio e da frota na qual está inserido devem ser implementadas quando ela se configurar.

Um grande número de sistemas de alerta, que abrange todos os aspectos da guerra naval, materializados no CIC através de consoles, mostram aos operadores em serviço toda a atividade submarina, aérea e de superfície daquela área. Cada uma destas modalidades de combate defensivo conta com pessoal dedicado sob coordenação do TAO (Tactical Action Officer – oficial de ação tática), que é o oficial-mor do CIC e representante do comandante do navio na sua ausência.

A atividade dos meios aliados nas proximidades, que pode ser intensa, e é monitorada de perto pelos técnicos do CIC, com os meios IFF eletrônicos (Identification Friend or Foe - Identificação Amigo ou Inimigo), através de sinais transmitidos pelos diversos contatos, mostrando nas telas a posição e rota de cada um. Quando um contato não identificado surge, seja aéreo, submarino ou de superfície, os sistemas de guerra eletrônica (EW) do navio entram em alerta e caso a identificação (IFF) não seja recebida e classificada como amiga, o contato é classificado como não identificado e o CIC entra em modo de combate ativo. O sistema integrado de EW, instantaneamente busca comparar os dados captados pelos sensores do navio com àqueles previamente armazenados nas bibliotecas eletrônicas do sistema, buscando identificar o contato. É possível, por exemplo, que uma aeronave amiga tenha seu IFF apresentando defeito e não transmita sua “assinatura”, e tenha que ser identificado por outros meios, o que requer cautela em nível máximo, pois ela pode não ser uma aeronave amiga do ponto de vista do CIC. A informação disponível e a simbologia indicam nas telas a linha de direção aproximada do contato a partir do navio. O comandante do CIC é notificado, enquanto a informação através do data-link, é disseminada aos demais navios da frota.

Detectando o Alvo

Os operadores do radar de busca aérea, já alertados pelos sistemas de EW, dirigem sua atenção ao contato e logo começam a receber um sinal fraco de retorno no alcance máximo do equipamento. O radar de busca aérea integrado pelo sistema do navio aos sistemas de EW, localizam o contato e determinam a sua distância e direção. Um fluxo contínuo de informações de diversos sensores do navio e da frota adjacente continuam a chegar, com os sistemas de EW classificando a emissão dentro da faixa de frequência a que pertence e em consulta às bibliotecas eletrônicas do sistema determinam as características do contato, suas capacidades e perfil operacional. Em o contato continuando a se aproximar em direção ao navio, logo entra no alcance do radar de busca, permitindo determinar com mais precisão sua direção, distância e altitude, que são continuamente plotadas, dando aos operadores sua trajetória, consolidando seu um curso e velocidade de forma precisa e permitindo calcular sua posição futura.

A detecção de um alvo se dá em 3 momentos. Primeiramente vem a detecção propriamente dita, ou seja, o alvo dá os primeiros sinais reais nos sensores de sua existência naquele cenário tático, mostra que está presente de alguma forma. Esta detecção é fruto de esforços de vigilância, que podem se estender por períodos longos e visam primeiramente a segurança das unidades em prontidão, unidades estas que poderão estar em missão de piquete-radar, muito distantes do núcleo da frota. Este primeiro alerta pode se dar através de meios passivos, por meios de sensores de EW, e ativos como através da operação de equipamentos radar de vigilância. Em seguida, cientes da existência do alvo, uma série de procedimentos é levada a cabo a fim de acumular uma série de parâmetros a fim de plotar com precisão a posição do contato. Este objetivo é alcançado com medidas repetitivas de distância, direção e altitude do contatos em diferentes posições do navio. Em um terceiro momento, já de posse dos dados posicionais, parte-se para uma classificação do alvo, buscando identificá-lo através de buscas automáticas a bancos de dados eletrônicos ou não (em tempos passados), determinando seu comportamento, tipo, capacidades e outras características relevantes. A eficiência desta detecção será função da qualidade do equipamento e do treinamento e expertise de seus operadores. O meio sempre contribuirá com ruídos parasitas e indesejáveis que se somarão a energia do alvo criando distorções. Reflexões do relevo, chuva, umidade do ar, superfície do mar, estática, ruído interno dos circuitos, por exemplo; ou ainda interferência deliberada sempre estarão presentes e são denominadas “clutter”. Equipamentos de tecnologia mais apurada e operadores competentes fazem a diferença seja na detecção propriamente dita, seja na distinção de alvos individuais ou múltiplos.

Rastreando o Alvo

Caso, após todos os esforços, o contato não seja identificado como amigo, o CIC passa a trata-lo como hostil. Com a aproximação do alcance máximo dos seus vetores prováveis, os sistemas de EW detectam que o padrão de varredura do seu radar mudou da busca para o rastreio de alvo único, com o provável lançamento de um míssil. Seguindo as ROE e o senso lógico, o CIC implementa ações defensivas para prevenir um provável disparo. Um míssil SAM é a primeira linha de defesa. O oficial de defesa antiaérea emite o comando no sistema que alerta o navio e seus pares do grupo-tarefa, de ataque iminente, autorizando o disparo a sua equipe. Se a defesa de longo alcance implementada falhar, sistemas em camadas podem entrar em ação e assumir a tarefa.

De forma contínua o CIC passa a atualizar a posição e velocidade do alvo com pontos de liberação de armas continuamente estimados, de forma a prever a posição futura do contato ou seu veto,r e determinar um ponto de interceptação futuro onde o vetor defensivo possa ser controlado e apontado precisamente.

A contato, se inimigo, se prepara para lançar seu vetor ofensivo (um míssil de cruzeiro ou antinavio, por exemplo) e seu sistema RWR indica que está sendo engajado.

Este cenário simula uma resposta a um único alvo, o que é improvável. Num cenário de guerra moderno existirão vários contatos simultâneos, amigos e hostis, e a informação fluirá mostrando todos eles. Os sistemas modernos permitem o rastreamento multicontatos, e a compilar, coordenar e avaliar dados e iniciar uma resposta apropriada.

Engajando o Alvo

O sistema, de posse de dados consistentes e com alta probabilidade de sucesso calculada, tranca o endereçamento do míssil defensivo e no momento preciso o dispara, que segue em velocidade supersônica alta (mach 2+) em direção ao alvo, seja ele a aeronave lançadora ou seu míssil disparado. Os sensores do navio continuam a rastrear os contatos, com sinais de correção de meio curso sendo enviados ao SAM, atualizando seu endereçamento.

O alerta do RWR na aeronave vem com poucos segundos restantes pois o míssil defensivo entrou na fase terminal de guiamento, se o alvo for uma aeronave. O piloto implementa manobras evasivas e medidas de EW para quebrar o trancamento de radar. Dependendo dos sistemas empregados estas manobras podem ser tardias, pois com a aproximação do míssil muito mais veloz e manobrável que a aeronave de seu "raio letal", a espoleta de proximidade pode detonar e fragmentos fatais atingirem a aeronave. Esta informação, seja ela qual for, se sucesso ou fracasso, é confirmada pelos sensores do navio. O radar continua a rastrear o alvo fugindo ou em queda, e os sensores de EW ficam silenciosos, ou não, caso o ataque continue em curso.

A neutralização efetiva de um alvo requer que o dispositivo destrutivo, como uma cabeça de guerra, seja levada até a vizinhança próxima do alvo. O quão próximo deve chegar do alvo depende do tipo da tecnologia embarcada, da potência da detonação e as características do alvo.

 A capacidade da arma de ser controlada após o lançamento aumenta muito sua precisão e probabilidade de sucesso com um único disparo. Sistemas mais complexos são mais precisos e tem maior probabilidade atingir o objetivo, porém seu projeto é mais complexo e oneroso. Estes fatores definem o explosivo a ser usado, o tipo de mecanismo de detonação e as demais características agregadas que determinam a eficiência das armas modernas.




A Defesa Antiaérea dos Grupos de Batalha de Porta-Aviões

O míssil lançado do ar representa a principal ameaça à qualquer força de superfície, especialmente àquelas nucleadas por navios-aeródromo. A proteção de porta-aviões contra ataques de mísseis torna-se tanto mais eficaz quando o número de escoltas e outros navios aumenta. Na maior parte das situações, os porta-aviões e seus respectivos grupos de ataque operam individualmente, e é nessas situações que se tornam mais vulneráveis. O poder de fogo antiaéreo desses grupos de ataque é fundamental.

Em certas áreas do mundo, os grupos navais em operação enfrentam uma ameaça substancial de ataques coordenados com mísseis. Até recentemente, a US Navy, principal força naval do mundo, não deu a essa ameaça a consideração que ela merece. Isso se refletiu nos programas de construção naval; no desenvolvimento e aquisição de sistemas de armas defensivas adequados em quantidades suficientes; e até mesmo na composição dos grupos de ataque em operação. Mesmo assim, uma defesa em profundidade altamente eficaz contra mísseis guiados de precisão pode ser prontamente obtida equipando os navios desta marinha com o número necessário de armas defensivas e dispositivos de contramedidas eletrônicas.

Os mísseis russos e chineses podem ser divididos em ameaças de curto e longo alcance. Os de curto alcance podem ser disparados de até cerca de 40 km. A arma é guiada contra alvos adquiridos por seus próprios sensores — radar, sensores eletrônicos, ópticos, laser ou infravermelho — e normalmente contra alvos identificados positivamente pelo navio, submarino ou aeronave lançadora. Para ameaças de longo alcance, como navios ou aeronaves inimigas que não estão em contato visual, a localização e identificação do alvo exigem sensores externos, uma aeronave, navio ou satélite para fornecer informações à plataforma de lançamento e, em alguns casos, também para fornecer orientação de meio curso aos mísseis.

A ameaça de curto alcance é, sem dúvida, a mais perigosa, exceto por possíveis ataques aéreos coordenados de longo alcance, massivos ou contínuos, que poderiam saturar as defesas. Um ataque de curto alcance, amplo e coordenado, só poderia ocorrer a partir de um ataque preventivo total da Marinha russa ou chinesa. Este é o tipo de ataque contra o qual a US Navy é atualmente menos capaz de se defender.

As aeronaves dos grupos de porta-aviões possuem ampla capacidade de reação ofensiva a um ataque antecipado, desde que haja porta-aviões suficientes operando em conjunto. Os porta-aviões precisam ser capazes de fornecer aeronaves de caça, ataque e guerra antissubmarino (ASW) em número suficiente para neutralizar todas as ameaças potenciais, de modo que sua capacidade de lançamento de armas seja reduzida ao mínimo. Esta capacidade consiste do número de canhões de médio e pequeno calibre com capacidade antiaérea, mísseis SAM de médio e curto alcance, e do número de mísseis antinavio. Submarinos de ataque patrulhando as bordas externas do núcleo da força-tarefa podem evitar que plataformas lançadores de mísseis antinavio se posicionem ao alcance de lança-los. É desejável, portanto, que as escoltas disponham de mísseis antinavio em todas as unidades em operação, e também a disponibilidade de projéteis guiados para seus canhões.

Tendo abordado a resposta ofensiva a um ataque preventivo de curto alcance, vejamos as capacidades defensivas. Para começar, os próprios porta-aviões devem dispor de armas de autodefesa, na maioria dos casos consistindo de mísseis manpads ou canhoes CIWS. Os navios de superfície da escolta interior ou próxima do núcleo devem possuir canhões de calibre maior, além dos CIWS e mísseis SAM de curto alcance, pelo menos. Escoltas mais especializadas que se posicionam a meia distância já devem dispor de mísseis SAM de alcance superior, formando a primeira linha de defesa do núcleo depois da aviação de caça.

Cada navio de combate de superfície e auxiliar precisa de seu próprio sistema de defesa de ponto para uso contra mísseis antinavio e alvos de lançamento surpresa de curto alcance que não podem ser detectados a uma distância suficiente para a defesa de área. Os sistemas de defesa de ponto também servem para mísseis que ultrapassam as defesas de área. Mísseis como os RIM-116, Sea Sparrow, Sea Viper e Sea Ceptor são exemplos de sistemas de defesa de curto alcance. Cada bateria de Sea Sparrow da US Navy por exemplo, inclui um lançador com 8 mísseis e 2 sistemas de controle de tiro por radar. Uma bateria é capaz de suportar apenas 2 mísseis por vez. Tanto para porta-aviões quanto para seus navios de escolta, não há dúvida de que são necessárias mais baterias destes sistemas do que as atualmente a bordo destes navios.

Para combater alvos que penetrem as defesas Manpads, muitas marinhas usam os sistemas CIWS dedicados e os canhões de uso geral que tem capacidade antiaérea. A Royal Navy possui em seus navios os sistemas Sea Viper (alcance médio) e Sea Ceptor (curto alcance) em substituição aos Sea Dart e Sea Wolf usados anteriormente. desenvolveu e está instalando o sistema antimíssil de defesa aproximada Sea Wolf em seus navios. O Sea Ceptor utiliza modos de rastreamento por radar e data-link e é altamente manobrável. Os britânicos o consideram, naturalmente, o melhor dos sistemas de defesa aproximada disponíveis, especialmente contra alvos manobráveis ​​e de baixa altitude (aviões rasantes). O Sea Ceptor tem demonstrado repetidamente capacidade de abater mísseis supersônicos de teste de alto desempenho e projéteis de canhão em ambientes com forte interferência, com mais alta capacidade de sucesso no engajamento.

Os sistemas de defesa de ponto destas marinhas da OTAN demonstram resultados impressionantes em testes de lançamento. A aquisição prioritária destes sistemas deve ser realizada pelas forças navais dos EUA e de seus aliados para instalações rápidas em todos os navios de combate de superfície e auxiliares, em números e combinações que proporcionem a cada embarcação uma defesa antimíssil eficaz de curto alcance.

O RIM-116 (capaz de suportar força G superior a 20 Gs) é um sistema "dispare e esqueça", permitindo o lançamento sucessivo de mísseis dos mesmos lançadores contra alvos diferentes sem demora. A US Navy está instalando estes mísseis em cada um dos lançadores Sea Sparrow. A marinha alemã instalou lançadores com capacidade para 21 mísseis cada. Este programa altamente promissor merece desenvolvimento e aquisição prioritários. Os projéteis guiados para canhões de 5 polegadas também melhorarão significativamente as capacidades da força-tarefa, especialmente contra ataques preventivos com mísseis. Os 2 modos de guiamento (infravermelho e laser) proporcionarão uma grande melhoria para sistemas de canhões com essa capacidade contra todos os tipos de alvos.

O RIM-116 é um sistema conjunto EUA-Alemanha projetado para fornecer uma defesa de reação rápida contra ataques de mísseis antinavio altamente coordenados. Este sistema complementa os sistemas de canhões Phalanx e o míssil Sea Sparrow na função de defesa de curto alcance. O míssil é baseado no AIM-9 Sidewinder e no míssil Stinger (Manpads), utilizando um sistema de guiamento de modo duplo (radar passivo e infravermelho) para garantir capacidade em todas as condições climáticas. Ele será projetado especialmente para combater mísseis de ataque de baixa altitude que fornecem muito pouco aviso prévio.

Para suplementar estas defesas antimísseis e antiaéreas, existem os sistemas de defesa passiva. Após o afundamento do destróier Eilat em 1967, a Marinha Israelense (ao contrário da Força Aérea Israelense) aprendeu a lição e instalou em todos os seus navios o equipamento adequado de contramedidas eletrônicas (ECM). Como resultado, durante a Guerra do Kippur em 1973, embora mais de 50 mísseis Styx tenham sido disparados contra navios israelenses, seus dispositivos ECM foram 100% eficazes em interferir ou enganar os sistemas de orientação por radar ativo dos Styx, de modo que nenhum navio de guerra foi atingido. Em contraste, o míssil antinavio Gabriel de Israel foi altamente eficaz contra navios de guerra sírios que não possuíam proteção ECM.

Todas as marinhas modernas possuem sistemas passivos de ECM acionado automaticamente para neutralizar a ameaça de mísseis atacantes. A maioria dos mísseis antinavio usa guiamento terminal por radar ativo, com capacidade de guiamento mesmo com interferência e/ou um buscador de entrada terminal. Além disso, mísseis mais modernos estão sendo desenvolvidos com guiamento passivo antirradiação, guiamento por laser e guiamento por enlace de comando eletro-óptico, o que exigirá contramedidas ainda mais modernas. Outros sistemas ECM muito usados são as nuvens de chaff, iscas infravermelhas ou uma combinação de chaff e cartuchos infravermelhos, além do reposicionamento do navio a fim de oferecer um alvo menor.

Após o primeiro dia de uma hipotética hostilidade entre as forças navais americanas e russas, a ameaça de mísseis antinavio de curto alcance terá sido substancialmente reduzida. Poderá haver um submarino ocasional ou — ainda menos provável — um grupo de aeronaves táticas, que poderão penetrar as defesas externas do grupo de ataque e empregar mísseis de curto alcance.

A principal ameaça nesse momento viria dos mísseis ar-superfície de longo alcance carregados pelos grandes bombardeiros navais russos — os "Badgers" e os "Backfires". A maneira mais segura de neutralizar essa ameaça o mais rápido possível seria atacar as bases de bombardeiros dentro da Rússia. No entanto, para isso, seria necessário um armamento de longo alcance de alta precisão, como o míssil Tomahawk convencional. Somente um armamento desse tipo evitaria a necessidade de aeronaves táticas americanas tentarem penetrar as defesas russas e possivelmente sofrerem baixas.

A versão de ataque terrestre de alta precisão do Tomahawk, com alcance de 2.400 km e ogiva convencional, segundo relatos, com capacidade de destruição próxima à de uma pequena ogiva nuclear. Portanto, qualquer atraso no desenvolvimento, aquisição e implantação dessa arma pode ser visto com alarme (especialmente por quem se preocupa com a defesa de grupos navais contra ataques maciços de bombardeiros).

Na luta da US Navy contra os bombardeiros russos com seus mísseis ar-superfície de longo alcance, ela receberá ajuda de fontes externas. Por exemplo, o sistema NADGE (Air Defense Ground Environment da OTAN), que se estende da Noruega à Turquia, deverá fornecer ao comandante do grupo de tarefas da Marinha um alerta antecipado de ataques de bombardeiros e, em alguns casos, poderá tentar interceptar os bombardeiros. Uma lacuna nesse sistema, que permitia que bombardeiros voando em baixa altitude contornassem o norte da Noruega e adentrassem o Atlântico Norte sem serem detectados, foi preenchida com a designação de uma aeronave AWACS (Sistema de Alerta e Controle Aerotransportado) para patrulhar a região entre a Groenlândia, a Islândia e o Reino Unido. Aeronaves baseadas no norte do Reino Unido, estarão disponíveis para auxiliar na interceptação de voos de bombardeiros que tentem penetrar a região entre a Islândia e o Reino Unido.

No Mediterrâneo Central e Oriental, estudos demonstram que 3 porta-aviões são necessários para garantir o combate à ameaça naval e aérea russa em momentos de tensão, mas um terceiro porta-aviões pode não estar disponível devido a tarefas de maior prioridade. O estacionamento de uma ala aérea do Corpo de Fuzileiros Navais em Sigonella, na Sicília, ou em uma base em Creta, melhoraria significativamente as chances da Sexta Frota de obter o controle marítimo e aéreo dessas áreas vitais. Essa ala aérea estaria então em posição para auxiliar a Sexta Frota em qualquer projeção de poder do Corpo de Fuzileiros Navais em terra no flanco sul da OTAN.

No noroeste do Pacífico, o alerta antecipado de ataques de bombardeiros viria de radares terrestres japoneses, reforçados por aeronaves de alerta antecipado E-2C. A possível interceptação dos voos russos por caças da Força Aérea japonesa ou americana, durante a passagem pelo Japão, ajudaria a reduzir os problemas de defesa aérea da frota nessa área.


A principal defesa contra os bombardeiros navais continua sendo composta pelos aviões de alerta aéreo antecipado E-2D e pelos caças F-18E/F dos EUA, armados com mísseis AIM-9x, AIM-120D e AIM-174B . Os russos, no entanto, possuem uma doutrina nacional de guerra eletrônica integrada e é provável que lancem uma campanha para atingir os principais centros de detecção, comando e controle do grupo de trabalho da US Navy para a defesa da força-tarefa — os E-2D. Eles podem tentar bloquear o radar da aeronave, interferir em seu enlace de dados e canais de comunicação e /ou atacar o próprio E-2D, seja com mísseis ar-ar ou aeronaves de caça de longo alcance. A US Navy e a USAF desenvolvem continuamente programas nessa área, o que minimiza a ameaça de interferência no enlace de dados e nas comunicações . Se houver canais de dados e/ou comunicação não interferíveis disponíveis , o E -2D terá seu próprio grupo de caças F-18 para repelir qualquer tentativa de ataque ao próprio E-2d. Além disso, o rastreamento de mísseis antirradiação de longo alcance pelos sinais de radar do E-2D é um problema difícil, pois o comprimento de onda da antena UHF a torna um alvo difícil para uma arma antirradiação. No entanto, por prudência , o E-2D é equipado com um sistema de autodefesa contra interferência, chaffs e flares.

O F-18, que compõe a defesa da US Navy contra ataques de bombardeiros e mísseis antinavio , também é extremamente adequado para a tarefa. Seu radar de alta potência é capaz de superar a maioria das interferências e detectar alvos com confiabilidade a até 200 km de distância usando radar e IRST. Possui um sistema de disparo automático capaz de lançar simultaneamente múltiplos mísseis.

Com uma aeronave de alerta aéreo antecipado E-2D orbitando a 370 km da força na direção da ameaça e o caça de patrulha aérea de combate F-18 orbitando nas proximidades, qualquer formação de bombardeiros que se aproximasse da força-tarefa seria interceptada pelos mísseis a mais de 500 km da força, muito provavelmente antes do lançamento dos mísseis. O desgaste causado por 10 a 16 F-18 de cada um dos 2 ou 3 porta-aviões operando como um grupo-tarefa seria considerável contra praticamente qualquer força de bombardeiros que os russos pudessem coordenar. Obviamente reconhecendo essa ameaça, a Rússia usaria uma combinação de mísseis hipersônicos avançados, como o 3M22 Zircon, o Kh-47M2 Kinzhal, e potencialmente o míssil balístico intermediário Oreshnik, para um ataque de saturação contra um grupo de porta-aviões da US Navy.

Sem dúvida, alguns bombardeiros russos serão capazes de penetrar a rede de defesa do E-2D/F-18 para alcançar o ponto de lançamento do míssil . No entanto, selecionar seus alvos e fornecer orientação de meio curso aos seus mísseis continuarão sendo problemas, já que seus radares e links de comunicação estarão sujeitos a interferências.

Aeronaves EA-18G Growler e sistemas de contramedidas eletrônicas estão embarcados para enganar os navios. Estudos sobre a eficácia de ataques com mísseis lançados do ar contra navios mostram que a capacidade de selecionar o alvo correto (o porta-aviões) e coordenar os ataques para que um número suficiente de mísseis atinja o alvo simultaneamente, saturando suas defesas de curto alcance, são 2 dos fatores mais importantes para o sucesso de um ataque. Com os EA-18G interferindo nos radares e sistemas de comunicação dos bombardeiros russos e com os F-18 abatendo-os, o alto fator de confusão tornaria um ataque coordenado eficaz extremamente improvável.

Supondo que alguns bombardeiros russos consigam penetrar as defesas externas e lançar seus mísseis, então uma parte importante da defesa recai sobre os mísseis terra-ar de médio e longo alcance do grupo de ataque.

O Aegis, com seu novo radar AN/SPY-1 e mísseis Standard, é um sistema totalmente automatizado, capaz de detectar, identificar, rastrear e engajar múltiplos alvos a longas distâncias. A melhoria mais significativa nas capacidades defensivas dos grupos de porta-aviões foi o advento do F/A-18E/F, que substituiu os aviões de ataque mais antigos a bordo dos porta-aviões. Equipados com o novo míssil ar-ar de médio alcance avançado AIM-120 e AIM-174 que aumentaram consideravelmente as capacidades defensivas de um grupo de porta-aviões.

Em resumo, o porta-aviões e seu grupo de ataque podem ser defendidos com sucesso contra a ameaça de mísseis antinavio russos, desde que a Marinha atribua a prioridade necessária ao equipamento de seus navios com os sistemas requeridos. Mais ênfase deve ser dada à garantia da sobrevivência do porta-aviões em um ambiente de alta ameaça de mísseis. O porta-aviões continua sendo o único sistema de armas que assegura a manutenção da supremacia marítima pelo Ocidente. Sua defesa deve receber uma prioridade proporcional.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Guerra Eletrônica (5) - O Radar - Principais Parâmetros e Aplicações **250


O Radar 

Potência

A potência transmitida por um radar é quem define seu alcance, desempenho e capacidade de detecção. Ela é um dos fatores mais importantes na força do sinal que retorna do alvo. Uma potência de transmissão mais alta geralmente resulta em um maior alcance de detecção, permitindo que o radar ilumine e receba ecos de alvos mais distantes. Os radares de pulso, que são a maioria, não transmitem continuamente. Eles emitem pulsos curtos e de alta intensidade (potência de pico) seguidos por períodos de silêncio. 

A potência de pico pode ser muito alta (centenas de quilowatts), enquanto a potência média (a potência real fornecida ao sistema ao longo do tempo) é consideravelmente menor. A potência média é o que determina o consumo geral de energia e a dissipação de calor, enquanto a potência de pico é crucial para o desempenho instantâneo. O desempenho do radar não depende apenas da potência transmitida. Fatores como o ganho da antena (que direciona a energia em um feixe estreito), a sensibilidade do receptor, a frequência operacional, as condições atmosféricas e a seção transversal do alvo (quão bem o alvo reflete o sinal) também são cruciais. Transmissores de maior potência são geralmente maiores e mais pesados e demandam mais energia da fonte, geram mais calor, exigindo sistemas de refrigeração mais robustos. O design de componentes de alta potência (como tubos de vácuo ou amplificadores de estado sólido) é mais complexo e caro. 

Radares modernos, como os de abertura sintética (SAR) ou baseados em amplificadores de estado sólido, muitas vezes alcançam melhor desempenho (maior alcance e granularidade) com potências médias menores, graças ao processamento de sinal avançado e designs eficientes. Em resumo, a potência transmitida é um fator fundamental para a capacidade de um radar "iluminar" seu ambiente e receber ecos detectáveis, mas seu valor e impacto devem ser entendidos em conjunto com a arquitetura geral do sistema e a distinção entre potência de pico e média.  


A frequência é um dos parâmetros mais críticos do radar, determinando suas características operacionais, como alcance, resolução e suscetibilidade a interferências. Refere-se a frequência da onda eletromagnética portadora emitida pelo sistema, medida em Hertz (Hz), na faixa das micro-ondas na maioria dos sistemas. Cada radar emite um sinal de rádio de uma frequência específica (frequência da portadora) em direção a um alvo. Quando essa onda atinge um objeto, parte da energia é refletida de volta como um eco para a antena receptora do radar.

Em radares com capacidade Doppler, a frequência é fundamental para medir o movimento do alvo. O fenômeno do efeito Doppler causa uma alteração na frequência do sinal refletido em comparação com a frequência original emitida. Se o alvo está se aproximando, a frequência do eco é maior; se está se afastando, a frequência é menor. A análise dessa mudança de frequência (frequência Doppler) permite calcular a velocidade radial do alvo. Nos radares de pulso, a distância é calculada medindo o tempo que o pulso de energia leva para ir da antena ao alvo e retornar. A alta frequência da portadora permite pulsos curtos e precisos, essenciais para uma boa resolução de distância. 

As frequências mais baixas (como a Banda L ou S, 2-4 GHz) geralmente oferecem maior alcance porque sofrem menos atenuação atmosférica e têm melhor capacidade de penetrar chuva ou nevoeiro. Frequências mais altas (como a Banda X ou Ka, 10-40 GHz) têm comprimentos de onda menores, o que permite maior precisão (resolução) e o uso de antenas menores, mas seu alcance é limitado por condições climáticas.

Diferentes faixas de frequência são alocadas para usos específicos:  como exemplo temos a Banda S (aprox. 2,7 - 2,9 GHz), comum em radares de controle de tráfego aéreo e radares meteorológicos de longo alcance, devido à boa penetração em condições climáticas adversas. A Banda X (aprox. 8 - 12 GHz) é usada em radares de navegação marítima e radares meteorológicos de curto alcance, oferecendo alta resolução para detalhes finos, como gotas de chuva.

A frequência é o coração da operação do radar, uma propriedade física crucial que define como as ondas interagem com o ambiente e os alvos. A escolha estratégica da frequência determina a finalidade e o desempenho de um sistema de radar específico, seja para vigilância aérea, previsão do tempo ou controle de velocidade.

O Ganho da Antena

A antena do radar é um parâmetro crucial que determina fundamentalmente seu alcance, precisão e diretividade. Quanto mais concentrado o feixe em uma direção específica, mais eficiente o radar tende a ser.  Radares mais eficientes  irradiam mais energia na direção do alvo e captam os ecos mais fracos que retornam, estendendo significativamente o alcance de detecção para uma dada potência de transmissão.  

Outro fator de ganho está diretamente ligado à diretividade. Antenas de alto ganho possuem um feixe mais estreito (menor largura de feixe), o que aumenta a precisão na localização do alvo (resolução angular) e reduz a interferência de alvos indesejados ou "clutter" vindos de outras direções. Embora um alto ganho seja desejável para alcance e precisão, ele geralmente implica em uma área de cobertura angular menor. Radares que precisam escanear uma grande área (como radares de vigilância aérea de longo alcance) devem girar a antena ou usar técnicas de varredura eletrônica para cobrir o volume necessário. O ganho da antena não é apenas sobre direcionar a energia, mas também considera as perdas internas da antena (eficiência). A eficiência da antena influencia diretamente o sinal mínimo detectável, que é a menor quantidade de energia que o receptor do radar pode processar com sucesso para identificar um alvo. 

O ganho da antena é um parâmetro de design fundamental que os engenheiros equilibram para atender aos requisitos específicos da missão de um radar, seja para detecção de longo alcance e precisão pontual ou para cobertura de área mais ampla. 

Largura do Pulso

Todo radar opera emitindo radiação e captando em seguida o seu eco. Essas emissões podem ocorrer na forma de pulsos cíclicos ou em onda contínua. Nos radares de pulso existe um parâmetro fundamental chamado largura do pulso, que define a duração exata da emissão de um único pulso. Tipicamente medida em microssegundos, essa característica possui implicações diretas e cruciais no desempenho do sistema, afetando, em particular, o alcance mínimo, a resolução de distância e a energia total transmitida.

O radar é incapaz de detectar ecos enquanto está transmitindo um pulso. A distância mínima a partir da qual um alvo pode ser detectado (alcance mínimo - zona cega) é diretamente proporcional à largura do pulso. Pulsos mais longos resultam em um alcance mínimo maior (e, consequentemente, uma zona cega mais extensa ao redor do radar), o que pode ser problemático para a detecção de alvos muito próximos. Inversamente, pulsos mais curtos permitem a detecção de alvos a distâncias menores.

A Resolução de Distância refere-se à capacidade do radar de distinguir 2 alvos próximos que estão na mesma direção (azimute). Essa capacidade é inversamente proporcional à largura do pulso. Pulsos mais curtos oferecem uma melhor resolução de distância, permitindo ao radar separar alvos com pequenas diferenças de distância entre si. Por outro lado, pulsos mais longos degradam essa resolução, fazendo com que alvos próximos apareçam como um único objeto no display do radar.

A energia total contida em um pulso é proporcional à sua largura. O alcance máximo de detecção de um radar depende da energia que ele pode transmitir. Novamente pulsos mais longos contêm mais energia, o que aumenta o alcance máximo do radar, permitindo a detecção de alvos mais distantes.

Para alta resolução e alcance mínimo pequeno, são desejáveis pulsos curtos e o contrário para alcances maiores. Os engenheiros precisam encontrar um equilíbrio baseado na aplicação específica do radar (por exemplo, um radar de navegação marítima pode priorizar a detecção de alvos próximos, enquanto um radar de vigilância aérea pode priorizar o alcance máximo). 

A energia total contida em um pulso é proporcional à sua duração (largura temporal). O alcance máximo de detecção de um radar, por sua vez, depende da energia que ele é capaz de transmitir.

Uma técnica avançada para mitigar esse conflito é a compressão de pulso. Essa técnica utiliza pulsos longos (para energia e alcance) que são codificados (modulados) e depois processados no receptor para obter a resolução de um pulso curto. 

Frequência de Repetição de Pulsos (PRF)

A Frequência de Repetição de Pulsos (PRF), é um parâmetro fundamental nos sistemas de radar pulsado. Ela define o número de pulsos que o radar transmite por unidade de tempo, geralmente medido em Hertz (Hz) ou pulsos por segundo (PPS). A PRF é crucial, pois determina diretamente o alcance máximo não ambíguo do radar e influencia a medição da velocidade (em radares Doppler). O tempo que um pulso leva para ir até um alvo e retornar, permite calcular a distância (alcance) do alvo. O período de repetição de pulso (PRI), é o intervalo de tempo entre o início de um pulso e o início do próximo. A PRF é o inverso do PRI: 

A relação entre a PRF e o alcance máximo não ambíguo é inversamente proporcional. Para medir a distância de um alvo com precisão, o pulso seguinte não deve ser emitido antes que o eco do pulso anterior tenha retornado do alvo mais distante de interesse. Se um segundo pulso for emitido muito rapidamente, o eco de um alvo distante pode chegar após a emissão do próximo pulso, fazendo com que o radar interprete o eco como vindo de um alvo muito mais próximo (um fenômeno conhecido como ambiguidade de alcance ou range ambiguity). 

O alcance máximo não ambíguo é a distância máxima na qual um radar pode detectar um alvo de forma confiável, garantindo que o sinal de retorno do eco corresponda ao pulso de transmissão mais recente. Além desse limite, o sinal retornado é interpretado como vindo de um pulso anterior, o que gera ambiguidade de alcance, fazendo com que o alvo pareça mais próximo do que realmente está. 

Uma baixa PRF permite um maior PRI e, consequentemente, um maior alcance máximo não ambíguo, pois há mais tempo para os ecos retornarem. No entanto, resulta em uma taxa de atualização de dados mais lenta. Uma Alta PRF permite detectar alvos a distâncias menores com mais frequência, resultando em uma melhor resolução de alcance e uma taxa de atualização mais rápida. No entanto, introduz um risco maior de ambiguidades de alcance para alvos distantes. 

Em radares Doppler, que medem a velocidade dos alvos usando a mudança na frequência do eco (efeito Doppler), a PRF também é um fator crítico. A taxa de amostragem do sinal recebido é limitada pela PRF. Se for muito baixa pode levar a ambiguidades na medição da velocidade (doppler ambiguity ou aliasing), onde velocidades altas são interpretadas incorretamente como velocidades baixas.  Uma Alta FRP permite medir velocidades mais altas sem ambiguidade, mas reduz o alcance máximo não ambíguo e vice versa.

A escolha da frequência de repetição de pulsos é um compromisso de design crucial na engenharia de radares. Os projetistas destes sistemas devem equilibrar cuidadosamente a necessidade de um longo alcance máximo não ambíguo com a capacidade de medir velocidades e alcances com alta resolução e sem ambiguidades, frequentemente utilizando técnicas avançadas como PRF variável para otimizar o desempenho do sistema.

Os pulsos de um radar podem ser balanceados visando oferecer aos interferidores pacotes variáveis que dificultam a interpretação e consequente resposta. Uma série de pulsos balanceados é fundamentalmente composta por uma PRF básica que é sobreposta uma ou mais vezes. Cada emissão pode valer-se de um tempo de partida distinto e sincronizado, o que impede a geração de pulsos concorrentes ou pulsos sombreados, que são randomicamente selecionados, que pode ser progressivo ou mais “nervoso” (jitter). Estes intervalos determinados podem ser tão longos quando o as condições de alcance máximo permitam. O número de níveis corresponde ao número de vezes que a PRF é integrada à série de pulsos. O balanceamento dos pulsos e "jitter" são recursos projetados para frustrar processadores de análise digital.

A Largura da Banda

largura de banda de um radar é um parâmetro fundamental que determina diretamente sua capacidade de resolução de alcance e a quantidade de informação que pode ser transmitida e recebida. Refere-se à faixa de frequências que o sinal do radar ocupa. A característica mais importante da largura de banda do radar é a sua relação inversa com a resolução de alcance (a capacidade de distinguir entre 2 alvos próximos no mesmo azimute).

Uma maior largura de banda resulta em uma melhor resolução de alcance. Isso ocorre porque pulsos de radar mais curtos no domínio do tempo (necessários para alta resolução) têm um espectro de frequência mais amplo (maior largura de banda) no domínio da frequência. Uma largura de banda de sinal maior permite a transmissão de mais informações. Em sistemas de radar modernos, isso pode se traduzir em mais detalhes sobre os alvos, como velocidade, tamanho e forma.

Os radares operam em diferentes faixas de frequência (como banda X, banda S, etc.), cada uma com larguras de banda e aplicações específicas. Por exemplo, radares de banda X têm larguras de banda menores, mas são ideais para aplicações que exigem alta precisão em distâncias mais curtas, enquanto radares de banda S são usados para vigilância de longo alcance. A escolha da largura de banda envolve compromissos de engenharia. Larguras de banda muito grandes podem ser mais suscetíveis a certas fontes de interferência e desafios de processamento de sinal. Larguras de banda estreitas limitam a resolução, mas podem oferecer melhor desempenho em condições climáticas adversas ou em ambientes com muito clutter (ecos indesejados do solo ou do mar). É importante notar que a largura de banda do sinal do radar deve ser compatível com a largura de banda da antena e do receptor do sistema para garantir a máxima eficiência na transferência de energia e processamento do sinal. 

A largura de banda é um fator crítico que define o desempenho do radar, especialmente na sua capacidade de "ver" detalhes no espaço, sendo uma consideração fundamental no design de qualquer sistema de radar.

Relação Sinal-Ruído (clutter)

A relação sinal-ruído (SNR) é um parâmetro crucial para o desempenho de um radar, pois determina diretamente sua capacidade de detectar alvos e a qualidade das informações obtidas. Essencialmente, mede a proporção entre a potência do sinal de eco desejado (do alvo) e a potência do ruído de fundo (sinais indesejados). 

Uma SNR alta aumenta significativamente a probabilidade de o radar detectar um alvo, mesmo em longas distâncias ou sob condições adversas. Quanto mais forte o sinal em relação ao ruído, mais fácil é distingui-lo do fundo. Níveis mais altos de SNR resultam em medições mais precisas de alcance, velocidade e posição do alvo. Uma SNR baixa pode levar a erros de medição ou até mesmo à perda do alvo (detecção falhada). O desempenho do radar depende do estabelecimento de um limiar mínimo de detecção. O sinal do alvo deve ultrapassar esse limiar para ser registrado. Uma SNR alta garante que até mesmo sinais fracos de alvos distantes possam ser detectados acima desse limiar. Otimizar a SNR é fundamental para a confiabilidade do sistema, pois reduz a ocorrência de alarmes falsos (quando o ruído é interpretado como um alvo) e melhora a resolução. 

Entre os fatores que afetam a SNR temos a potência do transmissor, onde radares mais potentes geralmente geram sinais de eco mais fortes. A distância do Alvo pois o sinal enfraquece consideravelmente com a distância, diminuindo a SNR para alvos longínquos. O tamanho, a forma e os materiais do alvo (seção reta radar) afetam a intensidade do eco refletido. Ecos  indesejados refletidos por estruturas fixas (solo, edifícios) ou fenômenos atmosféricos (chuva, neve) que geram o chamado clutter (interferência), que compete com o sinal do alvo e reduz a SNR. Componentes eletrônicos do próprio receptor do radar introduzem ruído térmico e outras formas de interferência e outras fontes de sinais eletromagnéticos próximos que podem interferir e degradar a SNR

A relação sinal-ruído é a métrica fundamental que define a eficácia de um sistema de radar, sendo um objetivo de design e operação constante a sua maximização.



Aplicações Militares do Radar

O uso militar do radar é diversificado prestando-se a grande número de aplicões militares, sendo pilar para a proteção aérea e terrestre e para a precisão de sistemas de mísseis. Por não depender de luz visível ou céu limpo, essa ferramenta consegue detectar e acompanhar alvos de forma remota em qualquer ambiente, de dia ou noite, permitindo a detecção, localização e rastreamento de alvos em longas distâncias, independentemente das condições climáticas ou da visibilidade. . Dependendo de onde é instalado — seja no mar, na terra ou no ar — o radar é hoje o principal sensor nos cenários operacionais, e desempenha tarefas táticas e estratégicas distintas nos diferentes teatros de operações.

Os sistemas de radar são categorizados diretamente das missões que desempenham, sendo cada equipamento configurado para tarefas dedicadas. Seja no monitoramento do espaço aéreo, na vigilância de solo, guiagem de armas ou na precisão da tática naval, cada sistema possui características técnicas moldadas para necessidades específicas de defesa. A seguir, detalhamos as principais variantes e como elas ocupam seu nicho operacional, existindo ainda outras de aplicação mais específica.

Radares de Busca

Radares de busca são sistemas que varrem grandes áreas para detectar e localizar alvos (aéreos, navais ou terrestres), medindo distância e direção, e são cruciais para navegação, defesa e vigilância, diferindo de radares de rastreamento que focam em um alvo específico após a detecção inicial. 

Radares Aerotransportados de Alerta

Os radares de alerta (AEW) são instalados em aeronaves dedicadas para fornecer consciência situacional e alerta antecipado à atividade aérea inimga, rastreando alvos e contatos conhecidos e desconhecidos, auxiliando a navegação  e servindo como postos de comando para operações aéreas ofensivas e defensivas.

Radares de Vigilância Terrestre

Em similaridade com os radares AEW, estes radares monitoram a movimentação no solo, detectando veículos com a finalidade de garantir alerta a movimentações inimigas e não autorizadas e contribuir para a coordenação da movimentação em áreas muito congestionadas, como aquelas próximas a grandes centros logísticos.

Radares de Controle de Fogo

Estes equipamentos destinam-se ao endereçamento de mísseis e artilharia antiaérea e trabalham com alvos anteriormente detectados pelos radares de vigilância, corrigindo trajetórias e calculando pontos futuros de impacto. 


Radar de Contrabateria

O radar de contrabateria é um sistema radar que tem por finalidade detectar projéteis de artilharia inimigos no momento do disparo e em pleno voo (como granadas de morteiro, obuseiros e foguetes), mapeando sua trajetória e subsequentemente plotando o ponto de lançamento, permitindo que a artilharia amiga responda ao fogo em tempo real, motivo pelo qual é importante que as baterias troquem de posição logo após o disparo.

Radar de Abertura Sintética (SAR)

O Radar de Abertura Sintética (SAR) é uma tecnologia de sensoriamento remoto ativo que usa pulsos de micro-ondas para criar imagens de alta resolução da Terra, funcionando dia e noite, através de nuvens e chuva, ao contrário de câmeras ópticas. Ele gera uma "abertura sintética" maior que a antena física, combinando dados de pulsos emitidos enquanto o satélite ou aeronave se move, permitindo mapear topografia, umidade do solo, e monitorar mudanças na superfície, como derramamentos de óleo ou movimento de geleiras. É um equipamento muito usado para acompanhamento de situação tática terrestre em tempo real, como no sistema JSTARS dos EUA, desativado em 2023.

Radar Passivo

O radar passivo é um sistema de detecção radar que, ao contrário dos radares convencionais (ativos), não emite sinais de rádio próprios para localizar objetos. Em vez disso, ele aproveita sinais de terceiros já presentes no ambiente — como transmissões de rádio FM, TV digital (ISDB-T no Brasil) ou comunicações celulares — para detectar e rastrear alvos por meio de suas reflexões. Esta técnica de exploração radar é particularmente útil pois não revela a localização da antena, permitindo monitoramento furtivo e discreto.

Radar de Matriz Faseada

Um radar de matriz faseada (phased array radar) é um sistema de radar avançado que utiliza uma matriz de múltiplas antenas pequenas para direcionar feixes de rádio eletronicamente, sem a necessidade de mover fisicamente a antena. Diferente dos radares convencionais, que giram mecanicamente para escanear o ambiente, o radar de matriz faseada altera a fase dos sinais emitidos por cada elemento da matriz. Essa variação controlada faz com que as ondas interfiram umas nas outras, reforçando o sinal em uma direção específica e cancelando-o nas outras, o que permite "apontar" o feixe quase instantaneamente. 

Radar de Alerta-Radar (RWR)

Um RWR (Radar Warning Receiver), ou Receptor de Alerta de Radar, é um sistema crucial de autodefesa para aeronaves militares, detectando, identificando e alertando a tripulação sobre radares inimigos, como os de controle de tiro ou busca, fornecendo direções e tipos de ameaças para permitir manobras evasivas ou contramedidas, aumentando a consciência situacional e a sobrevivência em combate, sendo integrado com jammers e outros sistemas. É um sistema de radar passivo.

Matriz de Varredura Eletrônica Ativa (AESA)

Radares AESA (Active Electronically Scanned Array) são, por definição, radares de matriz de faseada (phased array), mas representam a geração mais avançada dessa tecnologia, controlando feixes eletronicamente sem partes móveis, permitindo múltiplos feixes em múltiplas frequências e rastreamento simultâneo de alvos, sendo superior aos radares PESA (Passive Electronically Scanned Array), que usam uma única fonte de RF para uma matriz passiva. 

Radar Além do Horizonte (OTH)

Radares OTH (Over-the-Horizon Radar, ou Radar Além do Horizonte) são um sistema de radar avançado que detecta alvos a centenas ou milhares de quilômetros de distância, muito além da linha de visão convencional, usando a reflexão de ondas de rádio na ionosfera (Skywave) ou guiando-as pela superfície do mar (Surface Wave), sendo crucial para a vigilância de grandes áreas marítimas, e para a defesa contra ameaças aéreas e navais. Se prestam a monitoração de tráfego marítimo e alerta antecipado neste ambiente, exigindo sítios extensos para sua instalação. 

Radar de Navegação

Um radar de navegação é um sensor essencial que usa pulsos de ondas de rádio para detectar objetos (outros navios, terra, icebergs) ao redor de uma embarcação, determinando distância e direção por meio de ecos, crucial para segurança, prevenção de colisões e navegação em condições de baixa visibilidade como nevoeiro, escuridão ou chuva, operando em bandas de frequência (X ou S) e exibindo informações em tela com funções como o Doppler para identificar riscos. 

Radar Meteorológico

O radar meteorológico é um instrumento que emite pulsos de micro-ondas para detectar e monitorar fenômenos atmosféricos como chuva, neve, granizo e tempestades, medindo o tempo que as ondas levam para retornar após refletir nas partículas de água, gerando imagens em tempo real para previsões de curtíssimo prazo (nowcasting), alertas de eventos extremos (enchentes, tornados) e auxiliando em setores como navegação aérea e marítima, agricultura e defesa civil, oferecendo informações precisas sobre intensidade, movimento e estrutura de sistemas de tempo severo.